terça-feira, 20 de março de 2012

Capitulo 11 (parte II)



VISÃO ANDREIA


Despedi-me do Rúben animadamente, mas percebi que a ‘’panela de pressão’’ não era o objecto mas sim alguém que não devia estar a gostar de ouvir a nossa conversa…
-Então? – perguntou-me a Mónica.
-Acho que a Inês ouviu a conversa e não ficou muito contente.
-Porque é que achas que ela ouviu?
-Porque o Rúben referiu-se à ‘’panela de pressão que já estava a ferver’’.
-E o vosso código para falar da Inês é a ‘’panela de pressão’’ ? – perguntou ela a rir. Eu dei uma gargalhada.
-Não. Mas só podia ser ela. Estávamos a falar dela e pela voz dele… Para além de que ouvi passos.
-Ah, está bem.
-E olha lá, o que é que te leva a crer que eu tenho um código para falar com o Rúben, de quem quer que seja?
-Porque vocês já se dão tão bem e falam tanto… Podiam ter, não sei.
-Oh, está mas é calada oh abécula! – ri. Ela desfez-se a rir.



VISÃO RÚBEN


Acordei cedo. Já não estava habituado a dormir em outra cama senão a minha. A minha mãe já estava a pé, na cozinha, a preparar o pequeno-almoço.
-Bom dia mãe – cumprimentei-a, dando-lhe um beijo no rosto.
-Já estás a pé filho?
-Já. Senti a falta da minha cama – sorri.
-Está bem – sorriu. – Vai sentar-te que isto está quase pronto.
-Deixa-me ajudar-te – ofereci-me.
-Rúben, não me estragues a minha cozinha! – riu – E tu estás doente filho. Vai lá sentar-te.
-Eu já estou bem mãe.
-Rúben Filipe, se eu sei que tu pioras!...
-A sério mãe. Já estou bem. O teu chá e os teus miminhos fizeram milagres! – sorri.
-Está bem está. Então leva lá o açúcar para a mesa, que é o que falta.
-Está bem.
Fomos para a mesa e tomámos o pequeno-almoço calmamente. Depois ajudei a levantar a mesa e pôr a louça na máquina.
-Bem, eu vou a casa buscar o fato de treino e assim. Vou ligar ao mister a avisar que já vou ao treino. Hoje é só à tarde, tenho tempo.
-Tens a certeza que já estás bem filho?
-Sim mãe, não te preocupes. Eu já estou bem.
-Bem, se tu dizes que sim. Mas já sabes que se precisares de alguma coisa eu estou aqui.
-Eu sei mãe. Eu sei que estás sempre aqui para mim. – sorri.
-Ai, o meu menino já está tão grande…
-Oh mãe, vá lá, sabes que vou estar sempre contigo, então…
-Eu sei, filho, eu sei… Mas, só de pensar que qualquer dia tu e a Inês podem estar casados…
-Ai mãe, não exageres! Até porque as coisas como estão entre mim e a Inês não dão casamento tão cedo, de certeza.
-Ela ainda está em tua casa?
-Não sei. Não sei se ela foi embora, se ficou, não sei. Só espero não chegar a casa e voltar a discutir.
-Tem calma filho.
-Eu tenho, mãe, eu tenho. Bem, eu vou andando. Tenho de ligar ao mister e quero ligar ao Rodrigo para ir ter com ele.
-Está bem filho. Fazes bem. Até logo.
-Até logo mãe – dei-lhe um beijo na testa e abri a porta de entrada. – Adoro-te – sorri-lhe.
-Eu também te adoro meu filho. Até logo.

Enquanto ia para casa liguei ao Rodrigo a avisá-lo que hoje já treinava com o plantel e perguntei-lhe se podia ir ter com ele depois de almoço. Ele disse logo que sim. Quando cheguei a casa, estava um silêncio que já não se ouvia à algum tempo nela. Subi até ao quarto e encontrei a Inês a dormir, de baixo dos lençóis da minha cama, tranquilamente. Parecia perfeita neste estado, mas cada vez lhe encontrava mais defeitos. Não sei se por me sentir cada vez mais afastado dela e por discutirmos tanto ultimamente, ou se… Não sabia a razão, mas cada vez tinha mais a certeza que a Inês por quem eu tinha ficado encantado me mostrava cada vez mais a sua faceta do lado mau. Um lado de que eu não gostava, porque estava a levar a Inês doce e compreensiva que eu conhecera. Deixei-me ficar sentado na beira da cama, a observá-la.
-Rúben – disse a Inês ao acordar e ver-me ali sentado.
-Bom dia.
-Já voltaste.
-Cheguei mesmo agora.
-Hm – sorriu e rodeou o meu pescoço para me beijar. Recuei. – Ouve Inês, nós temos de conversar – disse-lhe.
-Outra vez? Gostas muito das palavras – resmoneou, sem no entanto me largar. Chegou-se para mais junto de mim.
-As coisas têm de ser faladas. E a melhor maneira de esclarecer e resolver as coisas é a conversar.
-E o que é que tu queres esclarecer?
-Quero saber porque é que tens tido estas atitudes.
-Que atitudes?
-Embirrares com tudo, reclamares com tudo e com nada… Já reparaste à quanto tempo é que não conseguimos terminar uma conversa civilizada?
-Eu não estou a ter atitudes nenhumas, Rúben Filipe – falou calmamente. – Tu é que não me tens ligado nenhuma – fez uma cara inocente e depois passou a sua perna esquerda para o meu lado direito, sentando-se em cima das minhas pernas, virada de frente para mim.
-Até posso estar a dar-te menos atenção, mas a culpa não é só minha. Estas discussões só nos têm afastado.
-Então, vamos mimar-nos um ao outro e resolver esse assunto – sorriu, dando-me um beijo. Afastei-a e levantei-me da cama.
-Inês, não é ao fazermos amor que as coisas vão resolver-se. Não é ao dizermos ‘’Pronto, vamos esquecer isto!’’ que as coisas ficam bem. Os erros estão cometidos, as coisas estão ditas e nada as vai apagar. Podemos resolver-nos, desculpar-nos sem ressentimentos, mas não vamos esquecer – calei-me um instante e ela nada disse, pois sabia que eu ainda ia falar. – Eu quero ter o menor número dessas coisas contigo, desses momentos maus e estúpidos, porque foram causados sem a mínima necessidade. E  tu és uma pessoa fantástica, Inês. Pelo menos eras, quando me apaixonei por ti, e eu quero guardar essa Inês, percebes? Quero guardá-la para sempre porque ela é uma pessoa muito importante para mim e vai ser sempre. Agora, será que ela ainda cá está, ou já foi embora e eu nunca mais vou poder tê-la ao meu lado?
-A Inês não se foi embora, o Rúben é que não a procura.
-Ok Inês, ah, nós tivemos uma discussão feia ontem e eu estou cansado demais para ter outra agora. Já percebi que agora não consegues conversar e assim não chegamos a lado nenhum, por isso, quando te sentires capaz para conversarmos e acentarmos de uma vez por todas, avisa-me – disse-lhe, sem conseguir continuar a tentar. Era demais e a minha paciência estava no limite. Vesti o casaco, pus o telemóvel no bolso, agarrei as minhas chaves e o portátil e tirei o saco de treinos, já preparado para o meu regresso aos treinos, do armário. Abri a porta do quarto.
-Onde é que vais? – perguntou ela, agora preocupada, desnecessariamente, pois a parte mais difícil ela tinha ultrapassado na maior calma.
-Ter com o Rodrigo. Hoje vou ao treino e não esperes por mim porque não sei a que horas venho. Nem sei se durmo cá hoje.
-Oh Rúben… - tentou falar, enquanto me seguia a descer as escadas.
-Não Inês, não quero ouvir nada. Estou farto de ouvir e até agora não ouvi uma coisa boa, por isso não fales. Não desperdices tempo porque não vai valer de nada neste momento. Tchau. – fechei a porta de entrada atrás de mim e não me importei com o barulho que fiz ou se a deixei a chorar. Eu tinha vontade de gritar e não gritei por respeito e consideração, coisas que não fizeram nem sombra de presença em todas as palavras que ela me tinha dito. Doía, e dói cada vez mais em cada palavra que saia da sua boca. Eu ainda não tinha crescido o suficiente para me conter e aguentar sem explodir. Mesmo sendo o homem Grande a que me afiguravam, era muito para esse homem.

segunda-feira, 12 de março de 2012

Capitulo 11 (parte I)



VISÃO RÚBEN


Estava com três casacos vestidos e a colher de pau na mão. A lareira estava acessa e a Inês estava no quarto. Ela estava com dores de cabeça por isso foi deitar-se enquanto eu fiquei a fazer o jantar. O meu telemóvel tocou. Era a Andreia.
-Olá linda.
-Olá lindo.
-Então, estás boa?
-Estou. E tu, que vozinha é essa?
-Estou doente.
-Doente? Então porque é que eu estou a ouvir os tachos e panelas tão perto?
-Estou a fazer o jantar. Mas o telemóvel está em alta voz para podermos falar. A Inês está lá em cima.
-A fazer o jantar, Rúben Filipe?! Devias era estar enfiado na cama!
-Iih, mais mães não! Até o Mauro já tentou imitar a nossa mãe! - Não consegui deixar de rir.
-Mas eu estou a falar a sério Rúben. Se a Inês está ai porque é que não é ela que está a fazer o jantar?
-Ela está com dores de cabeça.
-E tu estás doente, posha!
-Oh.
-Oh nada Rúben. Olha, eu vou tratar do que preciso e sexta-feira estou ai. - Ouvi os passos da Inês nas escadas e quando olhei para cima ela estava perto do sofá, à frente da bancada onde eu estava, a olhar para mim super irritada.
-Ah, não, Andreia, não venhas. Não precisas vir. A sério.
-Rúben, alguém tem de cuidar de ti. Que eu saiba, essa é a função dela, não a minha, mas já que ela não a cumpre, eu existo. Sabes que estou sempre aqui para quando precisares.
-Eu sei que estás. Obrigado. Mas, a sério, não venhas. Estou a pedir-te.
-Vou pensar no teu caso.
-Bem, olha, tenho de desligar. A panela de pressão já está a ferver. Depois falamos.
-Ahaha, vê lá como é que deixas a cozinha!
-Está a salvo não te preocupes. - Talvez eu é que não esteja assim tão a salvo.
-Está bem. Então depois falamos. Beijinhos.
-Tchau. - Desliguei a chamada e olhei para a Inês.
-Então, porque é que não deixas-te a tua amiga vir? - perguntou-me amargamente.
-Inês...
-Ah não, espera, essa a minha função, tenho de começar a desempenhá-la melhor, assim ela não vem mesmo!
-Oh Inês...
-Oh Inês nada! - disse ela elevando mais a voz. - Eu não estava aqui porque me está a doer a cabeça, não por incompetência ou por não querer ''desempenhar as minhas funções'' Rúben!
-E eu estou doente caraças! Não posso ser sempre eu a fazer as coisas! - elevei também um pouco a voz.
-Ah agora estás a concordar com ela?!
-Queres saber? Estou! Ela tem razão! Eu não sou de ferro! Mesmo quando estou a ''morrer'' tenho de ser eu a fazer as coisas!
-Que lata! Ela deu-te uma volta tão grande, Rúben! - gritou.
-Diz-me uma coisa, se te está a doer a cabeça, porque é que estás aqui a gritar? - perguntei mais calmamente.
-Porque eu passo-me! Conheceste essa rapariga à tão pouco tempo e ela já mexe assim na tua cabeça!
-Tu passaste e eu não me posso passar? Por amor de Deus, Inês!
-Por amor de Deus?! Eu queria ver se fosse contigo! Se fosse eu a ser injusta contigo, porque um rapazinho que conheci à meia dúzia de dias, que mal conheço, me fez a cabeça!
-Eu não estou a ser injusto contigo! Estou a dizer-te a realidade! E sabes uma coisa? Acho que neste momento sou capaz de conhecê-la melhor a ela do que a ti!
-À quanto tempo é que estás comigo e à quanto tempo é que a conheces?
-À quanto tempo é que deixaste de ser a Iês por quem me apaixonei? - Ela olhou-me meio que ofendida.
-Eu não mudei, tu é que te tornaste muito influenciável.
-Não, eu só estou a abrir um bocado os olhos.
-Sinceramente Rúben...
-Sinceramente nada! Já estou farto desta porcaria! Estou farto das tuas cenas!
-Das minhas cenas?! Oh Rúben!
-Já chega Inês! Acabou! Esta discussão acabou aqui e agora! - Desliguei o fogão e pousei a colher de pau. - O jantar está feito. Se quiseres come, se não quiseres não comas. Eu vou a casa da minha mãe - terminei. Peguei nas chaves, no telemóvel e no casaco que estava no sofá e saí. Ela permaneceu estáctica onde estava, sem dizer nada.

Cheguei à casa da minha mãe e decidi tocar à campainha. Tinha a minha própria chave, mas, apesar de ainda ser hora de jantar, não queria assustá-la. Como estava a demorar um pouco a abrir a porta lá entrei com a minha chave.
-Mãe? - chamei ao entrar.
-Na cozinha! - informou.
-Olá - sorri-lhe, dando-lhe um abraço.
-Rúben, filho, o que é que estás aqui a fazer?
-Achas que ainda arranjas jantar para mim?
-Claro que sim, filho. Mas o que é que se passou? A Inês não ficou lá em casa?
-Ficou mãe, ficou. Só que nós discutimos - respondi, sentando-me num dos bancos que estavam junto à bancada.
-Então porquê?
-Ela ficou com ciúmes da Andy.
-Aquela rapariga que me falaste que conheceste quando foste ter com o David?
-Sim. Ela é a minha melhor amiga mãe. Eu sei que a conheço à pouco tempo, mas ela percebe-me como ninguém mãe. Eu sei que te tenho a ti, mas não é a mesma coisa e eu confio em ti, mas, é diferente.
-Eu sei como é filho, eu percebo-te. Mas a Inês não sabe que ela é a tua melhor amiga?
-Sabe mãe, só que não gostou do que ouviu, que é a verdade, e armou uma cena.
-Mas que verdade filho? - Contei a troca de acusações que tinha trocado com a Inês à minha mãe e ela ficou surpreendida com o que tinha ouvido. - Oh meu filho, vocês não estão a fazer bem um ao outro assim, só a discutir e a fazerem acusações dessas!
-Eu sei mãe, eu sei... E agora, o que é que eu faço?
-Oh filho, - encostou a minha cabeça ao seu peito e abraçou-me. - eu não te sei responder. Não sou eu que tenho essas discussões, e não devo conhecer a Inês tão bem como tu, por isso, o melhor é seguires o teu coração. A resposta pode demorar tempo a chegar, mas pelo menos tens a certeza que é a resposta certa. - Sorri ao ouvir as palavras da minha mãe.
-A Andy também me deu o mesmo conselho.
-Estás a ver? É o que tens de fazer filho. Ele é o teu melhor conselheiro.
-Ah, a minha mãe também! - sorri. Ela sorriu também.
-Bom, vamos pôr a mesa a contar com o teu irmão que ele vem cá ter.
-Está bem, vamos lá! - Levantei-me, enquanto a minha mãe já tinha aberto o armário para tirar os pratos. - E, mãe...
-Diz filho - olhou para mim.
-Obrigado. Amo-te muito mãe.
-Oh meu filho, não tens de agradecer, é do coração. Eu também te amo muito filho - sorriu-me, colocando uma mão na minha cara.
-Vais ser sempre a mulher que sempre amei e sempre vou amar - sorri, dando-lhe um beijo na testa e abraçando-a.
-Ai que o meu filho está tão carente! - riu ela. Eu sorri e depois ajudei-a a pôr a mesa.
-Mãe, posso dormir cá, hoje?
-Claro que podes filho.
-Obrigado - sorri. A campainha tocou.
-Deve ser o teu irmão.
-Eu vou mãe, deixa estar. - voluntariei-me.
-Maninho! Também jantas connosco, hoje? - perguntou o meu irmão.
-Sim, janto.
-Boa, boa! Mas então a Inês foi embora mais cedo?
-Não.
-Não? Então? Ninguém deixa uma rapariga daquelas sozinha em casa para vir jantar com a mãe e o chato do irmão!
-Ahaha, a parte do ''chato do irmão'' tens razão, mas nós discutimos, por isso é que vim para cá.
-Outra vez? Vocês andam a discutir um bocado demais,não?
-Sim, mas é inevitável. Quer dizer, ela não consegue evitar embirrar com tudo.
-Oh, oh mano, será que ela está naquela altura do mês que...
-Não tem nada a ver com isso, Mauro. Ela... ela só já não é a minha Inês...
-Ok...Aah, bem, vamos jantar? A mãe já deve estar à nossa espera.
-Sim, vamos. - saímos da sala de estar para irmos para a cozinha perguntar à nossa mãe se era preciso alguma coisa e depois fomos jantar.

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Capitulo 10




VISÃO MÓNICA



As aulas terminaram e eu e a Andy fomos para casa almoçar. O Chelsea tinha tido treino de manhã, por isso, o David foi ter connosco depois de almoço.
-Oi mininas! - cumporimentou-nos ele, ao chegar junto de nós, na esplanada onde tinhamos combinado.
-Olá! - respondemos as duas.
-Vamo andando?
-Sim - respondeu a Andy. Fomos até ao carro dele e seguimos para casa do mesmo.
Ficámos algum tempo à conversa, na sala, sempre com muitas gargalhadas.
-E qu'qui cês dizem de um joguinho na playstation? Quem ficar em primeiro dos três paga a próxima chamada pro Rúben!
-Vamos a isso! - sorriu a Andy.
-Agora faltava aqui ele para saltar do sofá e agarrar primeiro o comando - comentei. Todos rimos.
-Cê tem razão. O manz é viciado pra caramba!
-Iihh, fala aquele que aprende a ficar viciado com o viciado! - sorriu a Andy.
-Que boca tão à Rúben, Andy - comentei a rir.
-É, cê já aprendeu umas coisinhas com ele. Já não chegava ele - gozou o David.
-Olha, vamos mas é jogar! - respondi.
Que ganhou foi o David, obviamente. A Andy até jogou bem, mas eu, simplesmente não joguei, estraguei o jogo. Só fiz uma ou duas coisas certas e já fui com sorte.
-Vá, agora liga lá ao Rúben e mete em alta voz - pediu a Andy. O David ligou.
-'Tou - atendeu o Rúbén com uma voz pachorrenta.
-Iihh, qu'qui cê andou fazendo manz? - riu o David.
-Nem venhas, David. O mister marcou o treino para hoje de manhã, por isso, assim que cheguei atirei-me para a cama. Até agora tu decidires chatear-me, né?
-Eish, uma pessoa já não pode querer fazer uma surpresa pra você!
-Surpresa? Eu estava a dormir.
-Tá bom, então, mininas, acho qui a gente vai só dizer um tchauzinho pro Rúben e deixar ele continuar dormindo, né - gozou o David, sorrindo para nós.
-Quem é que vai...? O quê? As raparigas estão ai?! - perguntou o Rúben, parecendo que despertado.
-Tão. E tão ouvindo todas as babuseiras qui você tá dizendo - riu o David.
-Ah, ok... Então isso está em alta voz... Olá meninas!
-Olá - rimos eu e a Andy.
-Eu não sabia que vocês também estavama ai... - disse o Rúben, meio embaraçado.
-Sim, nós percebemos Rúben - riu a Andy.
-Andreia! - exclamou o Rúben, transparecendo uma evidente alegria por ouvir a voz dela.
-Sim, sou eu!
-Como é que estás?
-Eu estou bem, e tu?
-Também, também. Olha, desculpa não te ter ligado onte, só que durante o dia não tive tempo nenhum e à noite a Inês passou por cá...
-Oh, não tens de pedir desculpas. Se não deu, não deu.
-Olha gente, eu qui tou gastando, e desculpa tá enterrompendo essa conversa a dois, mas eu também quero falar com esse babaca ai! - interrompeu o David.
-Cála a boca seu cara de cú! - respondeu o Rúben do outro lado da linha.
-Ai, agora eu qui não quero mais falar com ele não! Mónica, cê quer dizer alguma coisa pra ele? Não? Então tá bom. Andreia cê quer dar um tchauzinho pra ele antes de eu disligar? - disse o David, fingindo-se ofendido, mas fazendo um tremendo esforço para não se desmanchar a rir.
-Ai, não mano! Eu estava a brincar! Não desligues! - pediu o Rúben, meio aflito.
-Tchau, Rúben!
-David! - chamou o Rúben, pensando que seria a última palavra dirigida a nós os três neste telefonema.O David aguentou um pouco, mas depois desmanchamo-nos a rir e ele voltou a dirigir-se ao Rúben.
-Eu tava zoando com você, manz! - disse o David ainda a rir.
-Ai David! Isso não se faz, então!
-Assustou, foi? - riu novamente o David.
-Pois assustei, então! Mas vai, não estavas ai a querer falar comigo? Chuta ai, então!
-Era mesmo só pra chatear um pouco você! Cê pode ser o maior chato, mas você faz falta aqui manz!
-Ai, daqui a nada vais começar a chorar! - riu o Rúben.
-Tá bom, não digo mais nada!
-Então e não está ai mais ninguém? Mónica, estás boa?
-Estou.
-Estás ai tão calada! Não te deixam falar, não é? - Eu ri.
-Ai oh Rúben! - disse a Andy. Ouvimo-lo a rir também.
-Bom, é, gente cês vão mi desculpar, mas vou desligar mesmo, agora. Desculpa ai manz, mas cê sabe qui não fica barato não
-Olha lá, se fosses esperto tinhas ligado do fixo cá para casa e tinhas pelo menos uma hora para falar oh - disse o Rúben ao David.
-Agora já foi, né.
-'Tá bem 'tá. Então vá, adeus meninas.
-Adeus - respondemos as duas.
-Tchau manz - despediu-se o David.
-Tchau.
-Bem, e nós temos de ir embora, David - disse a Andy, levantando-se.
-Prá onde?
-Para o trabalho - respondi.
-Trabalho? Como assim? - perguntou ele, confuso.
-Sim. Arranjámos um part-time. Convém, senão quem é que nos paga as propinas, na Faculdade? - respondeu ela.
-Ah, tá bom. Mas cês sabem qui se vocês precisarem de alguma coisa, cês sabem qui podem falar com a gente! - ofereceu-se o David com um grande sorriso.
-Sim, sim - disse a Andy, revirando os olhos.
-Mas eu tou falando sério, mininas. Vocês sabem qui podem contar com a gente. Eu sei qui a gente si conhece faz pouco tempo, mas a gente confia em vocês. - disse ele com um sorriso sincero.
-Nós sabemos, David. E obrigada por confiarem em nós - disse eu sorrindo.
-Prometemos que vamos fazer os possíveis para não vos desiludir - prometeu a minha melhor amiga, falando pelas duas.
-Tenho certeza qui não vão disiludir - sorriu o David. Sorrimos.
Depois saímos para o carro da Andy e fomos embora.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Capitulo 9



Cheguei ao aeroporto e já lá estavam os jornalistas. Respondi apenas ao essencial, que já estava bem e tinha recuperado quase totalmente da lesão e tinha ido recuperar para junto do meu amigo David Luíz, visto que já não estava com ele à muito tempo. Depois consegui, finalmente, seguir para casa. A minha mãe e o meu irmão já estavam em minha casa à minha espera. E a Inês estava com eles.
-Filho, já chegaste! - correu a minha mãe a abraçar-me.
-Mãe! Que saudades! - abracei-a também.
-Então mano, esse joelho já está pronto para outra? - perguntou-me o Mauro, dando-me também um abraço.
-Claro! Já está pronto para outras!
-Aii, queres partir-te todo ou quê? - riu ele.
-Está descansado que se partir tenho quem fique ao meu lado - sorri.
-Como é que correu a viagem? - perguntou a Inês.
-Bem - respondi, e como pessoa bem educada que sou e também pelo bom sentimento que nutria pela Inês, mas que sinceramente, nesta altura já não tinha a certeza se era amor ou só uma grande afectividade derivada do amor que em tempos senti por ela tão acesamente, dei-lhe um beijo no rosto e um leve abraço. A minha mãe e o Mauro ficaram surpreendidos com aquele gesto, pois esperavam que nos beijássemos e nos abraçássemos fortemente, como costumava ser, mas disfarçaram, fazendo várias perguntas sobre as ''mini-férias''. Senti que a Inês se retraiu um pouco, mas conteve-se nas palavras. Entretanto a minha mãe teve de voltar para o spa e o Mauro tinha uns assuntos para resolver. A Inês ficou. Preparei um lanche para nós e ficámos na sala a conversar.
-Rúben, porque é que me cumprimentaste daquela maneira? - perguntou ela, após uma breve pausa na nossa conversa. Eu  respirei profundamente.
-Porque acho que antes de tudo devemos conversar - respondi-lhe.
-Conversar sobre o quê?
-Vá lá Inês, não compliques.
-Eu não estou a complicar, Rúben. Não disseste que não querias conversar mais sobre esse assunto e que a tua decisão já estava tomada? Então acho que sobre isso não há mais nada que tenhamos de conversar - respondeu-me muito séria.
-Sabes perfeitamente que nunca ponderei sair sair. Sabes que é aqui que pertenço.
-É aqui que pertences?! Só se for com o cú colado aqueles bancos do Estádio! - ela aumentou o tom de voz. Era melhor pôr termo ao assunto, caso contrário voltaríamos a discutir forte e feio.
-Inês, eu percebo o que tu estás a dizer, e sim também acho que deviam dar-me mais utilidade, deviam deixar-me jogar mais vezes e deixar-me mostrar o que valho, mas acho que TU também devias tentar perceber mais o meu lado. Acho que já estás ao meu lado à tempo suficiente para saberes que não sou capaz de deixar o clube que me formou e passou a ser parte da minha vida e de mim.
-E eu percebo-te, Rúben - falou calmamente.
-Eu ainda acho que não, Inês.
-Oh amor, se eu não perceber totalmente tu ajudas-me.
-E achas que vais mesmo perceber, se eu te tentar mostrar?
-Sim.
-Não sei porquê, mas não estou tão confiante nisso, Inês. Já viste quantas vezes eu tentei fazer isso, e viste como é que isso terminou? Em discussões! E eu estou farto de discutir, Inês! Farto.
-Eu também, Rúben. - Ambos ficámos calados. Estas palavras, mesmo sendo poucas, tinham-me deixado exausto. Cada vez estas discussões me desgastavam e me destruíam mais interiormente. - Amor, podemos esquecer este assunto, por favor? Chegaste hoje e estou a morrer de saudades tuas. Por favor - pediu-me, sentando-se mesmo junto a mim.
-Não sei, Inês. Cada vez que ''esqueço'' o assunto discutimos ainda mais na vez a seguir.
-Eu prometo que não vou mais contestar-te nem falar sobre isto, se não quiseres.
-Todas as vezes que prometes não cumpres.
-Desta vez é diferente. - Respirei novamente fundo.
-Está bem... - acenti, embora não acreditasse verdadeiramente que não se voltasse a repetir. Ela sorriu.
-Obrigada, amor - disse ela, partindo para me beijar. Desviei-me. - O quê, agora vais continuar a negar-me um beijo?! - perguntou, indignada.
-Inês, por favor...
-Já não gostas de mim? Foi por isso que recusas-te o meu beijo?!
-Inês, não é nada disso...
-Não é o que parece!
-Inês... - voltei a tentar explicar-me, mas ela voltou a interromper-me.
-Se ainda gostas de mim, deixa-me beijar-te! - e voltou a tentar beijar-me. Não voltei a recusar. O meu interior estava confuso e eu precisava de perceber se ainda amava a mulher que estava agora sentada em cima de mim, da mesma maneira. Acho que isto foi a única coisa que ecoou na minha cabeça, enquanto deixava os meus lábios tocarem os dela e depois enquanto nos amávamos. Durante todo esse tempo e o decorrer da tarde mantive-me sempre num estado irracional inconsciente. Não conseguia pensar. O meu cérebro tinha bloqueado. Queria descobrir o que sentia. Procurava-o dentro de mim, mas estava difícil de encontrar a resposta. Talvez estivesse a procurar no sitio errado.



Desculpem ser tão pequeno, mas não consegui escrever muito esta semana :s
Espero que gostem :)
Beijinhos
Mónica

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

1.000!!


Queria agradecer por ter conseguido mais de 1.000 visitas em tão pouco tempo, coisa que não teria acontecido se vocês não tivessem visitado o meu blog, por isso, muito obrigada! É importante saber se estão ou não a gostar do que escrevo, por isso comentem a dar a vossa opinião e também podem dar sugestões para que possa modificar algo de modo a melhorar o meu blog. Muito obrigada a todas :D  E já agora, mais uma vez, muito obrigada Diana! Ajudaste-me muito e tiveste muita pacência comigo :)   E claro, obrigada à minha melhor amiga por me ajudar tanto e me fazer rir tanto com a nossa maneira de ver as coisas xD
Espero que continuem a visitar o meu blog e que continuem a gostar de acompanhar a minha história :)

   Beijinhos
   Mónica :)

Capitulo 8 (parte II)




Almoçámos animadamente e depois ficámos à conversa e a ver televisão. O assunto voltou a ser futebol.
-Ah, mas é sim! É bem melhor ver o jogo da bancada qui do sofá! Eu por acaso falei pra Mónica qui vocês duas tinham de ir ver um jogo lá no Estádio. Ela ficou bem pensativa quando eu falei na equipe, qui vocês tinham de conhecer o plantel do Benfica… - Eu comecei a rir-me, mas sem demonstrar muito, no entanto não lhes escapou.
-Qual é que é a piada? Não gostavas de os conhecer? – perguntou-me o Rúben.
-Si eles forem chatos como você, não, né Rúben! – riu o David, gozando.
-Cála a boca seu cara de cú! Mas diz-me lá, não gostavas de os conhecer? – respondeu o Rúben ao David, e voltou a fazer-me a pergunta.
-Gostava, claro que gostava. E a Mónica também… - disse eu com uma voz meio insinuosa.
-Iihh, qu’qui foi esse tom de voz ai no finzinho?
-Nada – respondi.
O telemóvel do David tocou e ele foi atender.
-Vá, agora diz-me lá a mim o que é que foi aquele tom de voz – pediu-me o Rúben.
-Aah…
-Diz lá.
-Lá.
-Oh, não era para dizeres lá, era para me contares porque é que fizeste aquele tom.
-Pff, está bem. Mas tu livra-te de abrires a boca para dizeres a alguém!
-Podes ficar descansada, não vou abrir a boca para contar a ninguém – sorriu.
-A Mónica acha um dos jogadores do Benfica giro.
-E quem é?
-Isso agora já não te posso dizer.
-Vá lá.
-Não.
-Porquê? Sou eu?
-És, és muito convencido, és.
-Ah! Não sou nada! Mas se não me dizes quem é tenho de tentar adivinhar.
-Claro, e tinhas de ser o primeiro da lista.
-Oh, vá lá, diz-me lá quem é.
-Que idade é que tens mesmo, Rúben?
-Hã? – perguntou-me, confuso.
-Maçã.
-Oh, o que é que disseste?
-Perguntei que idade é que tens.
-27. Mas tu já sabias isso, porque é que estás a perguntar?
-Parece que tens 12.
-Aii, agora foste mesmo má, Andreia! Porque é que dizes isso?
-Porque estás sempre a pedir ‘’vá lá’’, e isso é o que as criancinhas fazem.
-Oh, isto é só curiosidade.
-Curiosidade de menino… - sussurrei.
-Mas vais dizer-me quem é ou não?
-O Rodrigo.
-O Rodrigo? Hm.. está bem. – Eu ri-me da cara que ele fez. Então e tu?
A pergunta cortou-me o sorriso e deixou-me mei constrgida. Não queria responder-lhe àquela pergunta.
-Andreia?
-Hã?
-Não respondes?
-Ahh…
-É assim tão difícil?
-Não…
-Então…? – perguntou, expectante.
-Ahh… És tu, o Miguel, o Garay, o Javi, …
-Ah! Vês! Afinal eu tinha razões para me gabar!
-Mas estás a ser um bocadinho convencido, se calhar.
-Oh! Estou orgulhoso! Ou só tu e a minha mãe é que podem orgulhar-se de mim?
-Quem é que te disse que tenho orgulho em ti?
-Será que não tens? – perguntou, expectante, mas já meio certo da minha resposta.
-Bem, tenho. Mas é normal! És um defensor autêntico de um clube incrível. O amor e dedicação que demonstras por ele são merecedores de orgulho, ou não?
-O clube é claro que merece, mas eu já não sei. Quer dizer, há tenta gente que faz o mesmo que eu.
-Ninguém é igual a ti – deixei escapar para fora uma parte do meu orgulho e admiração pelo Rúben. Ficámos os dois a olhar um para o outro. Eu séria, ele com um ligeiro sorriso.
-Gente, a Mónica chegou! – disse o David, entrando na sala com a minha melhor amiga ao lado.
-Olá! – cumprimentou ela com um sorriso.
-Olá, olá! – respondeu o Rúben com um enorme sorriso.
-Grande alegria, hã! – disse ela a sorrir, sentando-se do lado esquerdo do Rúben.
-Sempre! – respondeu o Rúben, fazendo um sorriso ainda maior que o anterior. Como é que era possível este rapaz sorrir tanto desta maneira…
-Olha, eu não quero estragar esse momento de sorrisos e alegria, mas a gente tem de ir. Cê tem um voo pr’apanhar, manz.
-Tem de ser, não é? Então vamos a isso! – disse o Rúben levantando-se do sofá. Fomos todos para o carro do David e seguimos para o aeroporto.


VISÃO RÚBEN

Enquanto seguíamos viagem para o aeroporto, no carro do David, eu analisei algumas coisas. As últimas conversas com a Andreia, embora sempre com brincadeiras e parvoíces à mistura, fizeram-me ter a certeza que ela é uma pessoa espectacular. Sinto-me, não sei, sinto-me sempre tão bem quando falo com ela… É muito bom ter uma pessoa assim com quem conversar. E tenho o manz, que é o manz e não é preciso preciso dizer nada. Sei que posso contar sempre com ele e ele pode contar sempre comigo. E a Mónica parece igualmente ser uma pessoa confiável, divertida, séria, e bonita, assim como a Andreia… Tenho de falar com a Andreia para o Rodrigo e a Mónica se conhecerem. Acho que ela é uma boa pessoa para o puto, nem que seja uma amiga, melhor amiga… Melhor amiga. Acho que tinha acabado de ganhar uma. E sabia muito bem.
-Rúben! – chamou o manz.
-O que foi?
-Iihh, tava perdido fazendo o cubo mágico qui é a sua cabeça?
-A minha cabeça não é quadrada – respondi a primeira coisa que me veio à cabeça, o que resultou na risota total dentro do carro.
-A gente já chegou, manz. – disse o David, assim que conseguiu falar.
-Já? – perguntei, meio apático.
-Já. – respondeu-me o David.
Saímos do carro, tirei as minhas malas da bagageira e entrámos no aeroporto. Depois de fazer o check-in e deixar as malas no sítio certo, voltei para junto deles os três. Como só tinha cinco minutos tive de falar logo.
-Mónica. – comecei. Decidi começar pelo mais fácil. Ela olhou para mim, à espera. – És uma rapariga muito fixe. Adorei conhecer-te – sorri. Ela sorriu também. A pessoa do meio ia seer a mais complicada, por isso, ia deixar o David para o fim, para aliviar. – Andreia. – Ela olhou para mim. – És a pessoa mais fantástica que conheci nestes últimos tempos. Fazia-me falta conversar e estar com alguém como tu. Fazes-me bem. Acho que ganhei uma melhor amiga que já procurava à algum tempo. Obrigado – sorri.
-Não precisas de agradecer, Rúben. – respondeu ela a sorrir também, no entanto notei um brilhozinho turvo no olhar dela.
-David – chamei.
-Iihh, si é pra fazer chorar pode parar por aí. Cê sabe qui eu não gosto de chorar assim.
-É pá, mas tu deixas-me falar? A ti vou fazer um discurso mais soft, Vou só dizer-te que és o meu mano e podes sempre contar comigo. Ah, e obrigado pela estadia e por me teres feito o jantar e o almoço tantas vezes – ri.
-Cê não tem qui agradecer… ‘Pera lá! Cê disse qui fazia o jantar de hoje, mas você vai embora agora! Como é qui você vai fazer o jantar?! – Eu desatei a rir.
-Tu é que caíste nessa. Se tivesses pensado um bocadinho… - ri.
-Sempre zoando comigo, né Rúben? – riu ele também.
-Bem, está na minha hora. Já terminei os discursos, por isso, adeus pessoal. – Despedi-me de todos e prometemos todos ir falando. Entrei no avião. Agora tinha de descansar bem a cabeça, porque depois de aterrar em Lisboa, ninguém me ia largar. Incluindo a Inês…

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Capitulo 8 (parte I)


VISÃO ANDREIA

Cheguei rapidamente a casa do David.
-Olá - cumprimentei, chegando à sala com o David. O Rúben estava a jogar playstation, claro.
-Oh, babaca! - chamou o David.
-Cála-te oh cara de cú! - respondeu-lhe o Rúben sem tirar os olhos da televisão.
-A Andreia chegou! - informou o David.
-O qu... hã? - olhou para onde eu e o David estavamos. - Aah, desculpa... - sorriu meio que envergonhado e passando a mão esquerda na cabeça. - Olá - cumprimentou-me finalmente.
-E... é golo! - disse o David, olhando para a televisão. - Da equipe adversária. - finalizou a rir-se.
-Oh, porra! - precipitou-se o Rúben, voltando a pegar no comando da playstation. - Não, não, não, não, não! Ah, fogo... - largou o comando. O jogo acabou.
-E o Benfica perde em casa, nas mãos do Rúben - voltou o David a rir.
-Eh pá, cála a boca cara de cú! - reclamou o Rúben. Eu e o David rimos. - E tu também te ris? Ai, obrigadinho, hã! - disse o Rúben dirigindo-se a mim.
-Oh, oh Rúben, temos de admitir que teve piada. Se tu tiveses visto as tuas figuras! - disse eu ainda a rir.
-Há quem faça figuras piores.
-Tá bom, vai, a gente pára, né Andreia? - sorriu o David.
-Hm-hm. - respondi.
-Bom gente, qu'qui cês querem almoçar?
-Uma coisa qualquer - respondi.
-Nã, nã. Então, tens convidados, por isso tens de fazer um banquete.
-É , vai comer esse mundo e o outro, né Rúben?
-Não, não, mas eu estou a falar a sério. Podias fazer um borrego assado no forno, ou uma lagosta...
-Sapateira - ironizou o David.
-Ou então uma feijoada à transmontana ou um cozido à portuguesa - continuou o Rúben. Eu estava completamente desmanchada a rir, tanto das ideias e das caras do Rúben como das caras e das intejeições do David.
-É, cê tem razão manz. Isso é qui era uma boa refeição - disse o David, ''entrando'' na conversa do Rúben. Apoiou o seu braço direito no ombro esquerdo do Rúben.
-Se era... Os cozinhados da minha mãe é que são bons... - sonhou o Rúben, fechando os olhos.
-Não chama a sua mãe qui ela não é sua criada. Si você quer comer vai fazer, vai! - riu o David, dando um calduço ao Rúben. Eu tive de me amparar no sofá, de tanto rir.
-Ai! Olha ai! E eu não posso ir para a cozinha, sou um convidado! - disse o Rúben, passando a mão na nuca.
-Aí, cê é meu manz, cê já conhece os cantos da casa, cê até já partilhou casa comigo, por isso, cê pode cozinhar pra mim! - respondeu o David, esforçando-se para não se desmanchar a rir.
-Já te disse que não posso entrar na cozinha - argumentou o Rúben.
-Porquê? Porque é visita? Cê não é visita, manz, cê é familia!
-Porque... - tentou o Rúben.
-Ué, si fosse pra comer cê punha os pés, as mãos, a cabeça, o corpo todo na cozinha, agora pra fazer você já foge, né? Cê sabe muito.
-Nem imaginas quanto! - sorriu o Rúben.
-Até sei. Eu conheço você muito bem, não esquece. Não é por acaso qui cê é meu manz. - O Rúben riu-se.
-Exacto, então tu sabes o quanto eu te amo, e também sabes o quanto eu adoro que faças o almoço.
-Sacanagem feia, Rúben! Seu melhor amigo não é seu escravo não! - riu o David.
-Eu sei, manz. Mas faz lá o almoço, por favor. É só hoje.
-É, é só hoje, e amanhã, e depois...
-Eu faço o jantar, hoje.
-Ah, assim a gente já tá falando melhor.
-Ou encomendo-o... - sussurrou o Rúben. Eu ouvi e ri-me e o Rúben também.
-Qual foi a piada dessa vez? - perguntou o David.
-Foi só a cara do Rúben que me fez rir. Acho que não consigo imaginá-lo a fazer uma refeição sozinho que saia como deve de ser - ri.~
-Não acredito, Andreia! Estás a duvidar das minhas capacidades? - disse o Rúben, fingindo-se ofendido.
-Si eu fosse ela eu duvidava também! - riu o David.
-Cála a boca, seu cara de cú!
-Tá bom! Tou indo! As panelas e os tachos já devem tar mi esperando faz tempo! - riu o David, indo para a cozinha.
-Eu não acredito que tu foste capaz de duvidar de mim, Andreia. - disse-me o Rúben, fingindo-se desiludido.
-Preferias que eu tivesse contado ao David que estás seriamente a pensar em encomendar o jantar, e não fazê-lo?
-Shiuu! Fala baixo que ele tem bom ouvido! - sussurrou-me, a sorrir. Eu ri. Fomos sentar-nos a fazer zapping na televisão.
-A Inês voltou a ligar-te? - tentei saber, sem ser demasiado intrometida.
-Não. Felizmente não. Consegui algum descanso.
-Ainda bem - calei-me durante algum tempo. - Então e já sabes o que é que vais dizer, quando conversarem? Já decidiste se ficas no Benfica ou não?
-Pfff... Eu já disse à Inês milhares de vezes, eu não vou sair do Benfica. Por mais que o ambiente com o mister não fosse o melhor e não tivesse grande vontade de treinar com ele, no principio deste ano, o meu coração está no Benfica, a minha família, a segunda família, está no Benfica, a família que me faz feliz quer ganhêmos quer percamos, a família sem a qual não consigo viver. Se eu quisesse ter saído tê-lo-ia feito quando me deram oportunidade, quando muitos clubes se mostraram interessados, mas eu não consegui, porque é ao Benfica que eu pertenço e é a este clube que o meu coração há-de pertencer sempre.
Fiquei sem palavras. Agora eu tinha a certeza que o Rúben era benfiquista de corpo, alma e coração. O Rúben era o Benfica e o Benfica era o Rúben. Por melhores que fossem os outros clubes, nenhum lhe faria melhor do que o Benfica, clube que lhe ensinou a ser um dos melhores, ensinou-o a melhorar para além do melhor, ajudou-o a vencer maus momentos onde ele chorou, testemunhou momentos onde ele riu até chorar, o clube onde obteve inúmeras vitórias e onde também perdeu Taças, Ligas, Campeonatos, mas sempre com a cabeça levantada, porque o clube ensina a perder com um sorriso na cara e com uma sensação de satisfação por saber que deram o melhor do melhor e se não venceram foi porque Deus assim o quis. O clube que não é apenas nome, não é apenas a cor, não é apenas equipa técnica nem os jogadores, mas também a Nação que vive cada momento da maneira mais intensa, são adeptos ferranhos que se orgulham por entregar tanto amor a uma paixão reciproca e que os preenche. Fazia parte do Rúben e nunca mais iria deixar de fazer, porque entras nesta onda alucinante e ficas totalmente devota a ela e nunca mais irás deixá-la para trás.
-Também acho que é o melhor - acabei por concordar, ainda com dificuldade em pronunciar-me.
-Ainda bem que me percebes - sorriu-me honestamente. Sorri-lhe do mesmo modo.
-Oh gente! Eu faço o almoço, mas vocês podiam colocar a mesa, né? - interrompeu o David, indo à porta da sala.
-Sim David, vamos já - respondi.