terça-feira, 24 de abril de 2012

Capitulo 13 (parte III)




VISÃO MÓNICA


Quando a Andy disse que o Rúben também queria falar comigo não desconfiei, mas assim que me sentei em frente do computador percebi que eles os dois tinham feito de propósito. O Rodrigo é que estava do outro lado do computador. O Rodrigo… Isto parecia-me mais um sonho que realidade… Era uma coisa que eu queria tanto que estava a custar-me a acreditar. Conversámos um bocado e fui, aos poucos, tomando consciência que estava mesmo a acontecer, no entanto, só quando recebi uma mensagem dele é que me consciencializei a sério. Já estava na sala, ao pé da Andy, mas não lhe tinha dito nada desde que tinha chegado do quarto. Ela tinha ficado calada, mas tinha olhado muitas vezes para mim, à espera de alguma coisa. Sorri ao ler a mensagem e resolvi responder-lhe.

Para: Rodrigo Moreno M:
        Olá J Também gostei muito de conversar contigo. Obrigada pelo elogio, tu também me pareceste muito simpático J Também vou gostar de voltar a conversar contigo e seria muito bom conhecer-te… Beijinhos. Mónica


Voltei a olhar para a televisão, sorrindo ligeiramente.
-Está tudo bem? – perguntou-me a Andy, meio a medo.
-Está.
-Tens a certeza?
-Tenho.
-Ok…
-Estás a estranhar por eu não te dizer nada, não é? – perguntei, olhando para ela e sorrindo.
-Ah…
-Devia. Devia estar a reclamar contigo e devia ter reclamado com o Rúben também, porque tu sabias que o Rúben não queria falar comigo e porque vocês os dois me fizeram ficar sem jeito por não estar à espera que no lugar do Rúben estivesse o Rodrigo.
-Desculpa. Mas eu sabia que se eu te dissesse que ias falar com o Rodrigo tu ias arranjar uma desculpa e ias fugir. E eu sei que no fundo tu gostaste de falar com ele – sorriu.
-Ouviste-me a dizer que não tinha gostado? – respondi a sorrir.
-Ui, pelos vistos a conversa foi boa – sorriu.
-Sim, correu bem.
-Então e já tens o número dele? – riu, gozando.
-Ele pediu-me o meu e mandou-me uma mensagem.
-A sério? É que eu estava a gozar.
-Eu sei que estavas, mas é verdade.
-Então e o que é que ele queria? Do que é que vocês falaram?
-Calma! Olha, e que tal irmos aquecer o jantar enquanto eu te conto?
-Está bem. Mas conta-me tudo!
-Olha, não queres saber as horas exactas a que cada palavra foi dita, não? – rimos. Levantámo-nos e dirigimo-nos para a cozinha, enquanto eu lhe contava a conversa.


VISÃO RÚBEN


Lembrei-me que o Rodrigo queria ir ao site da Adidas e lembrei-me que podia ajudá-lo para depois lhe perguntar, como quem não quer a coisa, se ele se importava de falar com a Mónica, na vídeo conferência que eu ia fazer com a Andy. Ele, obviamente, não era obrigado a nada, mas reparei que a atitude dele foi mais do que o desconforto ou o não-interesse quando lhe coloquei a questão. Tentei fazer com que ele me explicasse essa reacção, mas ele recusou-se e disse que não se passava não. Não acreditei minimamente, mas deixei passar, porque ele aceitou conversar com a Mónica. Subi até ao ‘’meu’’ quarto, digamos assim, e levei o telefone de casa comigo, à espera que a Andy me ligasse. Pouco tempo depois o telefone tocou.
-Então, estás bem escondida? – brinquei.
-Ahaha, não, vim para a sala. Ela pode reclamar um bocadinho, mas eu não cometi um crime, só estou a querer ajudá-la.
-Hm, está bem.
-Então e o Rodrigo, o que é que achou da ideia?
-Sinceramente, nem sei bem.
-Então?
-Não sei, quando eu lhe propus a ideia ele ficou com um ar super esquisito e não me quis dizer porquê.
-Achas que ele não queria?
-Não sei. Mas pareceu-me que ele foi por livre vontade, só que havia qualquer coisa que estava a preocupá-lo ou assim.
-Só espero que corra bem.
-Vai correr. Eu até o pus mais bem-disposto, por isso acho que não temos de nos preocupar.
-Está bem. Bem, eu agora queria ver um filme que vai dar, por isso, falamos mais logo, quando eu souber alguma coisa ou tu tiveres alguma coisa para me contar sobre a conversa deles, pode ser?
-Sim. Depois falamos, então.
-Beijinhos.
-Até logo, linda.
Desligámos. Deitei-me na cama e continuei a ler um livro que já tinha começado a ler à algum tempo. Algum tempo depois o Rodrigo veio devolver-me o computador e estava completamente diferente. Sorria. A conversa tinha corrido bem. Fomos fazer o jantar e quando ia pedir-lhe para me ajudar a pôr a mesa reparei que ele estava a sorrir, enquanto olhava para o telemóvel.
-Oh menino! Larga lá o telemóvel e vem ajudar-me a pôr a mesa! – disse-lhe, metendo-me com ele.
-Desculpa, tou indo! – desculpou-se.
Quando estávamos a acabar de pôr a mesa vi-o novamente agarrado ao telemóvel, a sorrir ainda mais que antes.
-Que sorrisinho é esse, puto? – resolvi perguntar. Só podia ser uma coisa: uma amiga especial. Ainda tentei saber quem era, mas foi impossível pois ele enrolava a conversa e depois escapulia-se. Durante o jantar notei-o um bocado distante, mas aquele sorrisinho meio parvo estava lá na mesma. Era bom vê-lo a sorrir assim. Ele estava quase sempre com boa-disposição, mas aquele momento em que ele parecia meio esquisito, quando lhe pedi para falar com a Mónica tinha-me deixado preocupado. Bem, mas pelos vistos tinha passado, e isso era bom de ver.



Olá! Bem, sei que está pequenino, mas o próximo será maior, prometo! Espero que estejam a gostar e comentem, deixando as vossas opiniões, que são muito importantes para mim! Obrigada a todos(as)!
Beijinhos

Mónica

sexta-feira, 20 de abril de 2012

Capitulo 13 (parte II)




(visão Rodrigo)

-Puto, eu não estou a obrigar-te a nada. Tu decides sozinho se queres ou não. Se não quiseres está tudo bem.
Eu tava com muito medo de mi magoar de novo, porqui tinha doido e muito. Agora já não doia, mas tinha doido muito... Mas o meu coração e a minha cabeça parecia qui tavam si reunindo e dizendo pra mim qui eu tinha de dizer qui sim pró Rúben, mas um sim também pra mim, um sim grande, mas sem mi dizer porquê. Simplesmente eu tinha de dizer qui sim. Mas depois lá do fundo vinha o medo mi dizendo pra eu fugir disso, tentando mi proteger...
-Tá bom, pode ser  -respondi. O coração levou a melhor, de novo.
-Tens a certeza? Estavas a hesitar tanto... Já sabes que não és obrigado a nada puto.
-Eu sei.
-Ok, então posso dizer à Andreia, depois?
-Pode - respondi com um ar sério.
-O que é que tens, Rodrigo? Ficaste esquisito desde que te perguntei se te importavas de conhecer a Mónica.
-Deixa prá lá, Rúben. Não se passa nada.
-Hm-hm, vou fingir que acredito, está bem?
-Melhor.
Ele começou teclando e eu vi qui ele tava falando com a Andreia.
-Bem, vou fazer a video conferência. Tens a certeza que não te importas? - acenti. - Ok. Mas ainda não vai ser agora, primeiro vamos descontrair, para ver se tiras esse ar sério e pões um sorriso para falares com a rapariga!

-Pode descansar qui quando você começar falando eu vou riri de certeza! - ri.
-Ah, assim está bem! - riu ele.
Assim qui ele começou a video conferência mandou um ''oi!'' pra melhor amiga da Andreia, qui respondeu um ''oi!'' também. O Rúben escreveu pra Andreia não falar pra mim, prá melhor amiga dela não ficar sabendo qui eu tava ali também, ou seja, ela não sabia qui ia falar comigo, eles tavam armando aquilo pra fazer uma surpresa pra ela. O Rúben e a Andreia tavam falando à bastante tempo e eu tive qui fazer um esforço enorme pra não rir alto das babuseiras do Rúben.
-A Mónica foi à casa-de-banho, por isso, como é que vamos fazer para pô-los a falar?  -perguntou a Andreia ao Rúben.
-Eu vou entregar o computador a este menino e vou-me embora para o quarto. Tu... diz-lhe que eu quero falar com ela e depois vai para a sala ou assim. Vamos deixá-los falar os dois! - respondeu ele, passando o computador prás minhas mãos e mi dando uma pancadinha no ombro.
-Está bem - disse a Andreia.
-Quando já não estiveres com ela liga-me - pediu o Rúben pra ela.
-Ok - A amiga dela deve ter entrado no quarto, porqui ela olhou pra trás. - Mónica - chamou.
-Diz  - respondeu a amiga.
-O Rúben também quer falar contigo.
-Está bem.
Na verdade o Rúben já nem tava na sala. A Andreia si levantou.
-Eu vou à sala - disse ela.
-Está bem - respondeu a amiga dela. A porta do quarto delas bateu e ela si sentou.  -Olá Rú... - Quando ela viu qui não era o Rúben mas sim eu, não terminou a frase e ficou mi olhando, surpreendida.
-Oi - cumprimentei, mostrando um pequeno sorriso.
-Olá... - respondeu, envergonhada.
-É... o Rúben mi falou qui você mi admira e ao meu trabalho. Fico muito contente e agradecido.
-De nada. - respondeu sorrindo ainda envergonhada.
-Qual é o seu nome? - perguntei, apenas tentando fazer ela falar.
-Mónica.
-Mónica. Isso tá sendo meio esquisito pra você, né?
-Pois... De certeza que a Andreia e o Rúben planearam isto tudo...
-Na verdade, eu também. Eu aceitei falar com você.
-Aceitaste? Mas eu não pedi...
-O Rúben pediu pra mim. Ele disse qui você ia gostar de mi conhecer.
-Ah...
Eu tava começando a sair da zona de conforto. Tava prestes a mi expôr e correr riscos, mas eu não tava querendo voltar pra trás. Eu sentia qui não precisava de mi esconder dessa vez...
-Eu acho qui eu ia gostar de conhecer você.
-Ah... - Ela tava ficando cada vez mais sem saber o qui dizer.
-Hm, tá bom, então eu posso começar. Deixa eu ver... Qui idade você tem? - Achei melhor ser eu começando porqui ela não tava conseguindo nem falar.
-Dezoito.
-Hm. Eu tenho vinte e um, não sei se você sabe. Calculo qui sim - sorri.
-Sei  - riu ela, nervosa. Eu ri também. O riso dela era... bonito.
-Então e mais coisas qui você sabe sobre mim?  -Ela si mostrou meio relutante. -Pode dizer. Si tiver alguma coisa errada eu corrijo  -sorri.
-Ahm, nasceste no Rio de Janeiro...
-Qui dia?
-6 de Março...
-De?
-1991.
-Certo! - Ela sorriu. - Mais coisas?  -incentivei.
-Tiveste de te naturalizar espanhol para poderes jogar pela Seleção de Espanha.
-Certo. Sou hispano-brasileiro.
-O teu pai chama-se Adalberto Machado e é o teu representante, a tua mãe chama-se Andreia Moreno Machado e a tua irmã chama-se Mariana e é dois anos mais nova que tu.
-Certíssimo - sorri. Nem minha família escapava pra ela. - Mais alguma coisa?
-Tiveste de congelar um curso de Educação Fisica e Jornalismo, vives sozinho em Lisboa e não vais ao Brasil desde 2009.
-Tou vendo qui você sabe tudo! Aplicada, hein!
-Tudo não sei.
Tava gostando de conhecer ela, de conversar com ela. O Rúben tinha razão, ela era simpática, e vindo do Rúben eu podia confiar.
-Então e você, tá estudando?
-Na Faculdade.
-Tirando o quê?
-Tradução.
-Sério?
-Sim.
-Boa. - Ela sorriu. - Então e, eu sei qui você e a Andreia tão em Inglaterra. Cês tão ai sozinhas?
-Não. Nós estamos na casa de um primo dela, que mora cá.
-Ah. E vocês não vêem a Portugal?
-Claro que sim. Vamos ai sempre que podemos. Temos aí as nossas famílias.
-Ah, qui bom. - Houve um pequeno momento de silêncio. - Bom é, tá quase na hora do jantar, então, a gente vai falando. Acha qui você pode mi dar o seu telefone?
-O meu? - perguntou, meio baralhada.
-Sim. Mas só si você quiser.
-Ah, está bem.  -Ouvi ela teclando e o número apareceu numa nova janela de conversação, no computador do Rúben. Peguei meu telefone e gravei o número.
-Obrigado.
-De nada.
-Depois eu mando uma mensagem pra você ficar com o meu número.
-Está bem.
-Gostei de conversar com você - sorri.
-Eu também - sorriu, parecendo mais tranquila.
-Bom, então depois a gente si fala. Tchau.
-Tchau.
Desliguei a video conferência e depois o computador. Subi até ao quarto onde o Rúben tava. Bati e entrei.
-Rúben, tá aqui o seu computador.
-Obrigado.
-Obrigado eu.
-Porquê?
-Porqui gostei de conhecer a garota.
-Ah. Então a conversa correu bem.
-Correu. Ela tava meio envergonhada, mas correu bem sim.
-Ainda bem. Bem, vamos fazer o jantar? - perguntou, si levantando da cama.
-Vamo.
Descemos até à cozinha e quando as coisas já tavam no lume eu mi encostei na bancada e comecei escrevendo uma mensagem:

Para: Mónica:
         Oi :) Só quiria dizer pra você qui adorei falar com você. Você parece ser uma garota simpática e eu ia gostar muito de voltar a conversar com você e ti conhecer melhor. Beijo. Rodrigo Moreno.
-Oh menino! Larga lá o telemóvel e vem ajudar-me a pôr a mesa!~
-Desculpa, tou indo!
Tavamos terminando de colocar a mesa quando recebi uma mensagem.

De: Mónica:
     Olá :) Também gostei muito de conversar contigo. Obrigada pelo elogio, tu também me pareceste muito simpático :) Também vou gostar de voltar a conversar contigo e seria muito bom conhecer-te.. Beijinhos. Mónica.

Fiquei sorrindo enquanto lia a mensagem.
-Que sorrisinho é esse, puto? - perguntou o Rúben, chegando junto de mim.
-Tava lendo uma mensagem.
-Uma mensagem... Como é que se chama essa amiga, hã?
-Quê?
-Qu^? Como é que se chama a rapariga que te mandou a mensagem? É que estás com um sorrisinho que vou-te contar - riu ele.
-Ah, não zoa, vai Rúben! - disse, indo pra cozinha.
-Pois, agora é '' não zoa, vai Rúben!'' - imitou, gozando comigo. - Mas diz lá, eu conheço?
-Deixa de ser chato! Vamo jantar!
Ele riu. Levamos o jantar prá mesa e começamos comendo. Não consegui deixar de sorrir. O meu coração parecia qui tava enchendo, ganhando ar, vida de novo. Tava sabendo bem voltar a sentir isso de novo. Só esperava era qui não tivesse nada por trás disso pra mi fazer cair mais uma vez...




Espero que tenham gostado de mais este capitulo! Prometo postar assim que possivel1 Beijinhos :D

Mónica

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Capitulo 13 (parte I)




VISÃO MÓNICA


Depois do jantar eu fiquei a arrumar a cozinha enquanto a Andy foi para o quarto. Acabei de arrumar e ainda fiquei um pouco na sala a ver televisão. Entretanto apercebi-me que as imagens que eu via já não estavam naquela caixa quadrada mas sim na minha cabeça. Estava novamente a pensar no que tinha acontecido nesta tarde com o Zach. Desde sempre que o admirava e depois de conhecê-lo ainda mais o fiquei a admirar. Tornou-se no meu melhor amigo e era fantástico, percebia-me muito bem e eu sentia que podia contar com ele para tudo, mas este beijo tinha-me deixado confusa. Mentiria se dissesse que não me sinto atraída por ele, tal como se dissesse que ele não é especial para mim, mas mais do que admirá-lo e o adorar não sei se conseguirei sentir mais do que isso... Decidi subir até ao quarto, pois precisava de ir ao computador para acabar  um trabalho para a Faculdade e era também uma maneira de deixar esse assunto de lado por um tempo. A Andy ainda estava no computador então sentei-me na minha cama à espera de lá poder ir.
-Espera só um bocado que eu já saio daqui - disse-me ela.
-Está bem.
-Pronto, já podes - informou, levantando-se da cadeira.
-Obrigada.
-De nada - respondeu ela, sentando-se na sua cama. Sentei-me em frente ao computador e fiquei a matutar até que virei a cadeira para trás, ficando virada para a Andy.
-Tenho uma coisa para te contar... - disse.
-Uii, pela tua cara... O que é que se passou?
-Então, hoje fui passar a tarde com o Zach... Jogámos playstation, e eu ganhei-lhe!
-Ahaha! Tu?! Então ele não deve mesmo saber jogar! - riu.
-Oh, jogámos os dois super mal! Mas foi giro.
-Hm. E é só isso que tens para me dizer? - perguntou, desconfiada.
-Não, não é...
-Então desembucha! Deixa-te de rodeios e conta-me lá o que interessa!
-Ok... Ele beijou-me.
-O quê?! Estás a falar a sério?
-Estou.
-Wow. E então o que é que tu fizeste?
-Eu... eu fugi para a casa-de-banho para poder respirar como deve ser e depois pedi-lhe um tempo para perceber o que sinto e pedi que continuássemos a dar-nos como se não tivesse acontecido beijo nenhum.
-Mas tu achas que gostas dele?
-Não sei. Eu acho que se calhar um bocadinho, mas depois não, porque gosto muito dele como meu melhor amigo, mas não sei se consigo gostar mais que isso...
-Ai rapariga, que confusão!
-Pois...
-Bom, mas ele concordou em dar-te esse tempo para pensar, não foi?
-Foi.
-Então vá, agora aproveitas esse tempo, pensas com calma e depois falas com ele, com calma e dizes-lhe a resposta, seja ela qual for.
-Sim, tenho mesmo de pensar, de organizar a minha cabeça... Ah, meu Deus! - suspirei.
A Andy riu-se e pegou num livro para ler. Eu virei-me para o computador e tratei de acabar o trabalho. Fui dormir com o mesmo assunto na cabeça... Nem nos sonhos ia conseguir descansar...

Passou uma semana e já estava mais calma, mas mesmo assim, cada vez que estava com o Zach, apesar de  serem poucas as vezes, sentia-me um pouco incomodada pois, apesar de estarmos a fazer de conta que não se tinha passado nada entre nós, os seus olhos pregavam-se em mim de uma maneira que me dava voltas ao sistema nervoso! Era domingo, e o Zach tentou vir buscar-me a casa para passar o dia com ele mas eu inventei uma desculpa e disse que não podia. Não ia fazer mal a ninguém. Apenas estava a tentar manter-me um pouco mais longe dele para poder finalizar o puzzle na minha cabeça... Eu e a Andy tínhamos tirado o fim-de-semana para descontrair, pois não trabalhávamos e neste fim-de-semana não tínhamos nada para estudar. Passámos o dia a ver filmes, a jogar playstation, ouvir música. A divertir-nos. Mais no fim da tarde a Andreia foi para o computador e eu fiquei a acabar de arrumar a sala para ir ter com ela. Quando lá cheguei a Andy tinha posto música e estava a cantar. Juntei-me a ela e ainda rimos um bocado.
-Olha, o Rúben está online - comentou. Começou a escrever no teclado pelo que calculei que estivesse a falar com o Rúben. Continuei, sentada na sua cama, a  cantar e a embalar-me ao mesmo tempo ao som da música. - Vou fazer uma video conferência com o Rúben, importaste? - perguntou-me de repente.
-Não, claro que não - respondi.
Eles começaram a falar, o Rúben ''mandou'' um ''Olá'' para mim e eu respondi. Passado algum tempo tive de me levantar para ir à casa-de-banho, de tanto rir!


VISÃO RODRIGO


O Rúben já tava lá em casa à uma semana e dava pra ver qui ele tava muito mais solto e despreocupado, apesar de de vez em quando a Inês ligar pra ele e fazer ele lembrar dela. Ele não atendia mas ficava meio pensativo. Mas tirando isso ele teve sempre bem, sempre brincando, dando o máximo nos treinos. Já pra não falar qui cada vez qui ele falava com a Andreia saia sorrindo da conversa e cheio de animação.

Pra esse domingo o mister marcou o treino pras 10.00h, por isso eu, o Rúben, o Miguel, o Nélson, o Witsel, o Javi e o Nolito almoçámos no Caixa e depois viemos pra minha casa e passamos a tarde jogando playstation. No fim da tarde eles foram embora e eu e o Rúben ficámos conversando e evendo televisão.
-Olha lá, não querias ir ver o preço daqueles ténis da Adidas?  - mi perguntou ele.
-Ih, pois era!
-Então espera ai que eu vou lá a cima buscar o meu portátil e já vamos ver isso.
Ele subiu as escadas e depois voltou a si sentar no sofá, ligando o computador. Abriu uma página na Internet e foi no site oficial da Adidas. Procurámos e acabamos encontrando o qui eu queria.
-Brigado – agradeci.
-De nada. – Ele ficou mexendo no computador e eu voltei olhando para a televisão. – Oh Rodrigo… - chamou. Com aquele tom de voz ele ia mi pedir qualquer coisa.
-Fala.
-É que, daqui a bocado eu vou falar com a Andreia e vou fazer uma vídeo conferência…
-E você quer qui eu saia pra vocês falarem mais à vontade?
-Não. Não é isso. É que, ela mora com a melhor amiga dela, e ela gosta de ti, admira-te e assim, e acho que ela gostava de te conhecer. Importavas-te de entrar na vídeo conferência e conhecê-la? Ela é super simpática e podes ficar descansado que ela não faz cenas histéricas por te conhecer! – Eu fiquei meio pensativo. Fiquei meio surpreendido, mas também receoso. Não há muito tempo tinha tido uma péssima experiência com alguém qui tinha sido minha fã… Eu não quiria voltar a passar por mais coisas assim e mi voltar a sentir mal por causa disso… - Então, o que é que dizes? Pode ser ou não?
-Eu…


E agora? Qual será a resposta do Rodrigo? Será que ele vai aceitar conhecer a Mónica, ou irá recusar, com medo? E o que é que se terá passado para o deixar de pé atrás?



Olá! :D
Queria começar por pedir desculpa por ter demorado a postar novamente, mas foi-me impossível fazê-lo antes… Mas sempre que posso tento fazê-lo o mais rápido possível. Gosto de deixar-vos ansiosos(as) para lerem os próximos capítulos, mas também quero receber os vossos comentários e as vossas opiniões, pois são muito importantes para mim! Queria agradecer-vos, pois sem vocês isto não seria possível! Muito obrigada! :D

Beijinhos

Mónica

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Capitulo 12 (parte II)

VISÃO RÚBEN


Cheguei a casa do Rodrigo e ele andava em limpezas. Ainda tentei convencê-lo a ir limpar também a minha, porque pelo que via o serviço era bem feito, mas como ele exigia ordenado achei melhor esquecer a ideia.
-Limpar a minha casa custa - disse eu.
-Quer cuidar da minha?
-Não. Mas também, escolheste uma casa tão grande.
-Pensando no futuro, amigo.
-Pensando no futuro? Vais-me dizer que sonhas ter uma equipa de futebol?
-Tanta criança assim não, mas vem o qui vier.
-Tens é de encontrar a mulher certa - comentei. Por breves segundos voei e na minha mente apareceu a imagem da Andreia, sussurravam o nome dela na minha cabeça.
-É, a mulher pefeita... Então e... você e a Inês, como é qui tá?
Pronto, penso na Andreia e falam-me na Inês!
-Pior. Muito pior. Eu vim mais cedo por isso - acabei por responder, sinceramente.
-É, bem parecia qui ainda não tinha passado da hora do almoço.
Acabei por pedir-lhe para passar uns dias em casa dele, pois precisava de descansar e reorganizar as ideias, pedido esse a que ele disse que sim. Decidimos ir almoçar a um restaurante que eu conhecia, na Costa da Caparica. O restaurante era agradável e deu para descontrair um pouco com o puto. Conversei bastante com ele e soube-me bem, no entanto ainda não tinha conversado com quem eu melhor conseguia. Depois de almoço fomos dar uma volta. Entretanto o Rodrigo apercebeu-se que eu precisava ficar um bocado sozinho, então argumentou que tinha uma coisa rápida para fazer e dali a uma hora estaria de regresso. Fui dar uma volta pela praia e acabei por ficar sentado na areia, a encarar o mar. Olhei para o telemóvel. Quem me faltava agora podia falar, por isso...
-Atende, Andy, vá lá... - comecei a reclamar baixinho, pois já tinham dado cinco toques e ela costuma atender ao segundo toque... Entretanto ouvi um ''Olá'' do outro lado da linha. - Olá linda - sorri ao ouvir a sua voz. - Tudo bem?
-Sim, tudo. E contigo?
-Mais ou menos...
-Então, o que é que se passou?
-Eu e a Inês voltámos a discutir...
-Outra vez, Rúben?
-Sim, outra vez. Mas agora eu não quis saber. Sai porta fora e fui para casa do Rodrigo. Vou lá ficar por uns dias.
-Ficaram mesmo mal, então.
-Já estávamos mal há bastante tempo... Apesar de detestar discutir com a Inês agora já não vou dar o braço a torcer, ou aceitar uma noite de amor e meia-dúzia de carinhos por algum tempo como um pedido de desculpas. Estou farto destas coisas, estou farto de ser parvo a esse ponto e acreditar que ela não vai voltar a repetir as cenas de ciúmes ou os escândalos por nada.
-Pois...
-Achas que faço bem?
-Não sei Rúben, não sou eu que vivo com a Inês. Mas se te sentes um ''parvo'', como tu dizes, se te fizer sentir bem, acho que sim, fazes bem.
-É por isso que gosto de falar contigo. Sabes sempre o que me dizer - sorri.
-Oh, eu só te digo o que penso.
-Mesmo assim. Fazes-me ver melhor as coisas.
-Oh, está bem. Mas então, precisavas de dizer-me mais alguma coisa ou era só isso?
-Precisava de desabafar contigo. Falei como o Rodrigo, mas foi meio vago. Só consigo falar assim contigo.
-Ok. Bem se isso é uma espécie de elogio, obrigada.
-De nada - voltei a sorrir. - Bem, então se calhar é melhor desligar, não te quero roubar mais tempo.
-Pois, eu não quero ser desmancha-prazeres, mas daqui a pouco tenho de ir acabar um trabalho para a Faculdade.
-Ok não faz mal. Vai lá acabar o trabalho. Achas que posso ligar-te logo à noite?
-Sim podes. Bem, então até logo.
-Até logo. - Ela desligou.
Soube-me bem falar com ela. Fiquei mais leve. Tal como todas as vezes que desabafava com ela. Levantei-me e fui dar mais uma volta.
-Estou, puto. Podes voltar. Já desanuviei - disse eu assim que o Rodrigo atendeu o telemóvel.
-Tem certeza?
-Sim. Já estou completamente novo. Pronto para treinar a sério!
-Ahaha! Tá bom, então pode voltar pro parque de estacionamento qui eu não sai de lá não!
-Ok - desliguei. Dei uma corridinha e cheguei ao parque. Encontrei o carro dele e entrei.
-Isso é qui é milagre! Cê tava ai todo de cabeça pra baixo e de repente já tá todo cheio de energia outra vez e com um sorriso de todo tamanho!
-Estive a falar com a Andreia. Sobre isto da Inês. E soube-me mesmo bem! Não vou pensar mais na Inês durante uns tempos, senão fico maluco!
-Hmm... Cê sabe qui ela não vai ti deixar, né?
-Vou ter de ignorar. A minha paciência já deu o que tinha a dar para aturar as crises de todo o tipo que ela me faz todos os dias!
-Cê é qui sabe.
-Bem, mas já chega! Vamos embora para o Caixa ou como é que é?
-Vamo!
Seguimos para o Caixa e quando lá chegámos ainda faltava meia hora para começar o treino, mas como eu estava cheio de energia fomos ''brincando'' com a bola enquanto o mister não dava ordem para o inicio do treino. Ele ficou apenas a observar-nos.
-Cheio de energia hoje! - disse o mister chegando junto de nós.
-Claro mister! Assim o treino até corre melhor! - respondi a rir.
-Acho muito bem, é pena é não virem todos assim e todos os dias!
-Ah, mas o mister vai ver, ele agora durante uns dias vai tar sempre assim! - comentou o Rodrigo.
-Espero que sim, assim é que dá gosto ver! - respondeu o mister, afastando-se de nós em seguida.
-Olha lá, o que é que quiseste dizer com o ''ele agora durante uns dias vai estar sempre assim''?
-Ué, cê não vai ficar lá em casa?
-Vou, e então?
-E então qui você não vai ter qui aturar mais crises da Inês e vai poder si preocupar mais com os treinos e os jogos e vai-se divertir, não vai ficar moendo o juízo a toda a hora!
-É tens razão. Vai ser mesmo bom. Obrigado por me ajudares, puto!
-Não tem qui agradecer, tem é qui deixar de se preocupar tanto com pessoas qui já têm idade pra botar a mão na consciência e perceber qui tão errando.
-É, isso mesmo. Obrigado.
-Lá tá você agradecendo! - riu. Depois continuámos a ''brincadeira''.
Pouco depois o mister deu inicio ao treino, que foi há porta fechada, mas nem por isso diminui a intensidade no treino, o que foi bastante produtivo. Depois de sairmos para os balnearios, tomámos duche, arranjámos-nos e fomos para casa do Rodrigo.
-Oh Rúben, já qui você tá cheio de energia hoje, porqui é qui você não faz o jantar pra gente?
-Tens cá uma piada, tu! Mas vá, hoje estás com sorte, eu faço o jantar.
-Ahaha, eu tava zoando Rúben, si você não quiser você não precisa fazer, deixa qui eu cuido.
-Deixa estar. Agora já disse que fazia, e não me importo mesmo, a sério.
-Tá bom, si você diz.
Fiz o jantar e depois de comermos fui buscar o meu portátil e sentei-me no sofá, enquanto nós os dois conversávamos e víamos televisão. A Andreia estava online e então aproveitei e meti conversa, em vez de lhe ligar.
Rúben Amorim diz: Olá linda :)
Andreia Silva diz: Olá Rúben
Rúben Amorim diz: Olha, vamos aproveitar que aqui estamos e  falamos por aqui, assim escusamos de estar a gastar dinheiro
Andreia Silva diz: Sim, é melhor. Assim é mais fácil.
Rúben Amorim diz: Pois é. Então e o trabalho que tinhas de acabar já está feito?
Andreia Silva diz: Já. E tu, como é que estás?
Rúben Amorim diz: Óptimo! Fiquei bem melhor depois de falar contigo :D Tiraste-me um peso das costas!
Andreia Silva diz: Oh, também não exagere-mos. Só te disse o que pensava. E sabes que o faço sempre.
Rúben Amorim diz: Não é exagero, estou a falar a sério! Se não fosse a conversa que tive contigo agora andava aqui com cara de sei lá o quê! Até o mister notou que eu estava super bem-disposto hoje no treino!
Andreia Silva diz: Oh, está bem... Bom, mas ao menos fizeste um bom treino
Rúben Amorim diz: Se fiz! Correu muito bem!
Andreia Silva diz: Ainda bem :)
Rúben Amorim diz: Então e o que é que andas a fazer?
Andreia Silva diz: Estou a ouvir música enquanto a Mónica está a acabar de arrumar a cozinha. Ela depois precisa de vir ao computador. E tu?
Rúben Amorim diz: Ah, está bem.. Eu estou na sala com o Rodrigo a conversar e ver televisão.
Andreia Silva diz: Ah fazem bem.
Rúben Amorim diz: Por falar em Mónica e Rodrigo... Lembraste do que falámos ai, sobre eles os dois?
Andreia Silva diz: Lembro. O que é que tu estás a pensar?
Rúben Amorim diz: Que temos de arranjar uma maneira de eles se conhecerem. Ainda por cima eu agora vou passar aqui uns dias... E hoje até falámos de filhos e de mulheres, porque a casa dele é super grande e acabámos por dizer que para termos os nossos filhos precisamos de encontrar a mulher perfeita...
Andreia Silva diz: Ah... Pois, pois temos... Deixa lá que havemos de arranjar maneira de eles se conhecerem
Rúben Amorim diz: Eu até já estou a ter uma ideia...
Andreia Silva diz: Uma ideia? Ui, o que é que já estás a querer inventar?
Rúben Amorim diz: Qualquer dia fazemos uma vídeo conferência e pomos os dois um à frente do outro
Andreia Silva diz: E tu achas que vai ser fácil convencê-los? É que a Mónica vai logo perguntar o porquê e assim...
Rúben Amorim diz: Dizes que eu quero falar com ela também ou assim... E deixa estar que do Rodrigo trato eu.
Andreia Silva diz: Está bem, se tu o dizes... Bem, tenho de sair. A Mónica precisa de vir aqui.
Rúben Amorim diz: Está bem. Amanhã posso ligar-te antes de ir para o treino?
Andreia Silva diz: Porquê antes do treino?
Rúben Amorim diz: Porque assim consigo fazer um treino igual ao de hoje! :D
Andreia Silva diz: Oh meu Deus! Tu não existes Rúben! xD   A que horas é o treino?
Rúben Amorim diz:É às 17.00h outra vez.
Andreia Silva diz: Não sei se te vou atender...
Rúben Amorim diz: Então porquê? Já estás farta de me ouvir, é?
Andreia Silva diz: Às vezes já cansas um bocadinho, porque de vez em quando falas pelos cotovelos, mas não é isso. Amanhã já não estou de folga, por isso se não atender é porque estou a trabalhar.
Rúben Amorim diz: Ah, está bem. Mas olha, estás a dizer que eu não me calo, mas não sou o único! O David também fala que se farta!
Andreia Silva diz: Oh, então vocês os dois juntos é mesmo... xD  Bem, mas vá, amanhã falamos. Beijinhos.
Rúben Amorim diz: Ok, até amanhã então. Beijinhos.
Depois de desligar o messenger fechei o computador.
-Qu'qui cê tava ai sorrindo sozinho? - perguntou-me o Rodrigo.
-Estive a falar com a Andreia.
-Ah, tá bom, não precisa falar mais nada...
-Olha-me este! Cála-te mas é!
Ele riu-se. Ficámos a ver televisão mais um tempo, mas acabei por me ir deitar.

domingo, 1 de abril de 2012

Capitulo 12 (parte I)



VISÃO RODRIGO


Tava terminando de arrumar a sala quando tocaram na minha porta.
-Rúben? - abri.
-Então puto, como é que estás? Posso entrar? - disse ele, mas tava com uma cara meio desanimada.
-Claro, entra!
-Limpezas? - perguntou, olhando prá sala, logo à entrada.
-É, tem qui dar uma arrumada, se não fica tudo numa bagunça, e isso eu não gosto.
-Ah, está bem. Então e quando é que podes ir lá a casa fazer a limpeza também? - gozou. Pousou as coisas qui trazia junto do sofá.
-Não sei, quanto qui cê paga? - brinquei também.
-Ai, eu pensava que para os amigos era de borla!
-Não quer mais nada não?
-Mas eu estou a falar a sério. Limpar a minha casa custa.
-Quer cuidar da minha?
Não! Mas também, escolheste uma casa tão grande.
-Pensando no futuro, amigo.
-Pensando no futuro? Vais-me dizer que sonhas ter uma equipa de futebol?
-Tanta criança assim não, mas vem o qui vier.
-Tens é de encontrar a mulher certa - comentou ele, parecendo meio longe.
-É, a mulher perfeita... Então e... você e a Inês? Como é qui tá?
-Pior. Muito pior. Eu vim mais cedo por isso.
-É, bem parecia qui ainda não tinha passado da hora do almoço.
-E queria pedir-te um favor.
-Fala.
-Achas que posso ficar cá uns dias? Só para descansar um bocado e clarear as ideias...
-Claro, pode sim. Cês tão mesmo mal, né?
-Na linha, puto. E é na de fundo.
-Tá bom, cê sabe qui cê pode ficar, desde qui cê pense com calma.
-Sim, vou ter tempo e descanso para fazer isso.
-É, é melhor fazer mesmo.
-Obrigado puto.
-Não precisa agradecer, Rúben. Então e cê quer comer aqui em casa ou quer ir comer noutro sitio?
-Podiamos ir a um restaurante que eu conheço. E depois queria passar pela praia. Estou a precisar.
-Claro. E si você precisar ficar sozinho é só dizer.
-Sim, se precisar eu digo. Obrigado.
-Vai, já chega disso. Vou só arrumar uma coisa lá em cima e a gente já sai.
-Está bem.
Quando voltei a descer a gente entrou no meu carro e o Rúben foi mi dizendo o caminho até ao tal restaurante.





VISÃO MÓNICA


Mais uma quinta-feira de aulas. Tinha de levantar-me cedo, mas o meu horário era bom porque só tinha aulas de manhã. À tarde podia dormir. Tive de chamar a Andy porque estava dificil el acordar sozinha. Provavelmente tinha-se distraido com as horas, enquanto falava com o Rúben, na noite passada.
-Andy - chamei.
-Hm...
-Hm, dois. Levanta-te, senão chegas atrasada.
-Hã? Atrasada onde? - perguntou com voz sonolenta e sem abrir os olhos.
-À Faculdade. Se não te levantares agora, logo à noite vou reclamar com o Rúben!
-À Faculdade?! Que horas são?
-São horas de levantares o cú da cama e despachares-te.
-Ahaha, que piada - ironizou. - E em relação ao Rúben, podes dizer o que quiseres. Acho que não vais ser bem sucedida - sorriu.
-Depende do que eu disser. Eu consigo ser persuassiva - brinquei.
-Olha que eu consigo mais - gozou ela também, semicerrando os olhos, mas com um sorriso. Não consegui aguentar sem me rir.
-Oh pá, não faças essa cara! - ri. - Assim não vale!
-Ahahah, temos pena!
-Frase... - comentei. Ela sorriu, meio que envergonhada. - Ok, pronto, ganhaste! Agora vai lá despacharte!
Ela riu e saiu para a casa de banho. Enquanto ela se arranjava eu preparei o pequeno-almoço e depois de comermos seguimos para a Faculdade.

Estavamos a sair da sala onde tinhamos acabado de ter a última aula quando recebi uma mensagem do Zach.
-O Zach está lá fora à minha espera.
-Lá fora, à porta da Faculdade?
-Sim.
-Então pelos vistos vou sozinha para casa.
-Parece que sim.
-Está bem.
Chegámos ao portão e vi a carrinha dele.
-Bem, então até logo - disse eu.
-Até logo. Diverte-te.
-Obrigada - sorri. Depois fui até à carrinha. A janela do lado do pendura estava aberta. - Hey! What are you doing here? - perguntei, entrando e sentando-me no lugar do pendura. Ele deu-me um beijo no rosto e eu dei-lhe um a ele.
-I missed you, and you didn't called me, so I though I could came here and invite you to lunch with me.
-Oh, yeah I acept and I missed you too. I just didn't called you 'cos I have been bussy.
-No problem. Now you're here with me - sorriu.
-Yeah.
 Seguimos viagem até casa dele. Depois de ele fazer o almoço e eu pôr a mesa sentámo-nos a comer.
-You've been busy, you said - comentou.
-Hm-hm.
-School stuff?
-Not also, but mostly.
-Not also?
-I've been doing somethings with Andy.
-Hm, okay... - Ele ficou a olhar para mim. - Let's raise the table?
-Yeah - levantámo-nos e levamos a louça para a cozinha. Depois de arrumarmos tudo fomos para a sala e sentámo-nos a ver televisão.
-So I think today is my lucky day.
-Why?
-'Cause you got nothing to do, so you have time for me.
-Ahaha, yes, today I'm all yours! - ri.
-It sounds good - disse sorrindo. Ele pregou os olhos em mim e isso estava a incomodar-me.
-So, what are we going to do? 'Cause I don't want to be just here, watching movies. It sounds borring.
-Oh! Are you insulting our favourite programs? 'Cause I felt your words hurting my heart now - fingiu-se ofendido.
-No!It's not it! I mean, I love our programs, I love the tea, the cookies and the company, but, now I need someyhing to distract me, not to make me sleep.
-You're full of energy today, ahm?
-Well, yes, you can say it - sorri.
-Okay, so, how do you want to spend all that energy?
-I don't know... Ahm, do you have video games?
-Yeah. What kind do you prefer?
-Let me see what do you have - ele passou-me uma caixa com os jogos que tinha. Escolhi um de futebol, está claro.E ntre nós os dois não sei qual é que jogou pior, apesar de eu andar a aprender, ou pelo menos tentar, alguma coisa com a Andy e o David e também com o Rúben, quando estavamos com ele. Mas o facto é que nos divertimos com as figuras um do outro e de nós próprios. Quando reparámos já eram 17.30h.
-Ah, I need to eat something! Too much hours without eat, let's stop with this embracing game!
-Oh, so you're shamed? - perguntei, fingindo inocência.
-'Course I am! I'm losing with a girl! . riu.
-It must be my lucky day, 'cause normaly I can't do that goals.
-My lucky day just refers to you. I missed this moments, this moments of us...
-Hm, you're beeing so sweet, but I'm hungry, so let's go to the kitchen. But no tea or cookies today!
-Not fair!
-C'mon, let's do something different today!
-But I...
Fomos para a cozinha e preparámos um lanche. Eu preferi fruta. Ficámos na sala a conversar enquanto lanchavamos. Quando terminámos, peguei no tabuleiro e levantei-me para ir pô-lo à cozinha.
-I'll go! - disse ele, levantando-se e ficando à minha frente, com as mãos também a segurarem o tabuleiro. Não argumentei, como normalmente acontecia. Ele aproximou-se tanto que não consegui fazê.lo. Apenas observei a sua expressão, os seus olhos azuis, que alternavam entre os meus olhos e os meus lábios. Eu não conseguia reagir. A suaproximidade daquela maneira intimidava-me. Sentia-me pequena por ter de olhar para cima e ver que o seu rosto se aproximava cada vez mais. Os seus lábios tocaram os meus. Quando ele os afastou é que consegui reagir. Passei-lhe o tabuleiro para as mãos.
-I, I have to go to the bathroom! - desculpei-me, saindo a correr para a casa da banho do mesmo andar em que nos encontravamos. Assim que lá entrei, fechei a porta atrás de mim e encostei-me a ela. Tinha acabado de acontecer o que eu suspeitava que ele iria querer fazer... já me tinha passado pela cabeça a ideia, por causa da maneira como ele me olhava ultimamente, e coisas que ele dizia... Desde que o conhecera que sempre tinha sentido um enorme carinho por ele, mas, na verdade, não sabia se o que eu sentia chegava ao que ele parecia demonstrar que sentia por mim. Amava-o como o meu melhor amigo, aquele com quem eu podia desabafar, falar sobre tudo e saber que o teria a apoiar-me em qualquer circunstância, mas não sabia se queria mesmo iniciar outro tipo de relação com ele. Saí da casa de banho e voltei para a sala. Ele estava sentado no sofá. Cheguei e sentei-me ao seu lado.
-You're back... - disse ele, sem saber bem o que dizer.
-Yeah, I'm back...
-So... I think that, now you know how I feel about you...
-Hm-hm...
-I mean, I realy love you. I, I want to kiss you again and all days starting with today. I want to make you the happiest girl in the world and I want to feel the happiest guy ever becaus I'm with you...
-Wow, wow, wow! Hey, listen! I love you, I mean, you're my best friend, but I don't know, I, I need time to think in all this. Please. I need to unrstand what I realy feel, because I obviously don't wanna hurt you, or even me.
-All time you need. But promisse me you'll think about it carefuly - sorriu.
-I promise.
-You're amazing.
-And I want to ask you something.
-What?
-Please, I need our friendship to stay as this never happened, please. It will be easier for me.
-'Course. Normaly. Completly normaly.
-Yes. Well, I have to go. I have classes tomorrow, and my part-time job, so I need to go back home, do my homework and take some rest.
-Yeah, 'course, but I didn't knew you have a part-time job.
-It's recent. And today was my backlash.
-Oh, okay. Well I'll taje you home, then.
-Thanks.
Levantámo-nos, pegamos nas nossas coisas e saimos para a sua cozinha. Mesmo depois de conversarmos ele persistia em fixar o olhar em mim, e saiu para a carrinha com um ligeiro sorriso. Isto não ia ser fácil...



Olaa! Bem, antes de tudo, queria pedir desculpa pela demora na postagem de mais um capitulo, mas tive uns problemas com a Internet e não consegui publicar mais cedo :s   Qqueria agradeçer o número de visitas que cresce a cada dia, queria agradeçer pelos comentário, queria agradeçer pela motivação. Muito obrigada :D  Espero que tenham gostado deste capitulo e que continuem interessadas na minha história :)
Beijinhos
Mónica

terça-feira, 20 de março de 2012

Capitulo 11 (parte II)



VISÃO ANDREIA


Despedi-me do Rúben animadamente, mas percebi que a ‘’panela de pressão’’ não era o objecto mas sim alguém que não devia estar a gostar de ouvir a nossa conversa…
-Então? – perguntou-me a Mónica.
-Acho que a Inês ouviu a conversa e não ficou muito contente.
-Porque é que achas que ela ouviu?
-Porque o Rúben referiu-se à ‘’panela de pressão que já estava a ferver’’.
-E o vosso código para falar da Inês é a ‘’panela de pressão’’ ? – perguntou ela a rir. Eu dei uma gargalhada.
-Não. Mas só podia ser ela. Estávamos a falar dela e pela voz dele… Para além de que ouvi passos.
-Ah, está bem.
-E olha lá, o que é que te leva a crer que eu tenho um código para falar com o Rúben, de quem quer que seja?
-Porque vocês já se dão tão bem e falam tanto… Podiam ter, não sei.
-Oh, está mas é calada oh abécula! – ri. Ela desfez-se a rir.



VISÃO RÚBEN


Acordei cedo. Já não estava habituado a dormir em outra cama senão a minha. A minha mãe já estava a pé, na cozinha, a preparar o pequeno-almoço.
-Bom dia mãe – cumprimentei-a, dando-lhe um beijo no rosto.
-Já estás a pé filho?
-Já. Senti a falta da minha cama – sorri.
-Está bem – sorriu. – Vai sentar-te que isto está quase pronto.
-Deixa-me ajudar-te – ofereci-me.
-Rúben, não me estragues a minha cozinha! – riu – E tu estás doente filho. Vai lá sentar-te.
-Eu já estou bem mãe.
-Rúben Filipe, se eu sei que tu pioras!...
-A sério mãe. Já estou bem. O teu chá e os teus miminhos fizeram milagres! – sorri.
-Está bem está. Então leva lá o açúcar para a mesa, que é o que falta.
-Está bem.
Fomos para a mesa e tomámos o pequeno-almoço calmamente. Depois ajudei a levantar a mesa e pôr a louça na máquina.
-Bem, eu vou a casa buscar o fato de treino e assim. Vou ligar ao mister a avisar que já vou ao treino. Hoje é só à tarde, tenho tempo.
-Tens a certeza que já estás bem filho?
-Sim mãe, não te preocupes. Eu já estou bem.
-Bem, se tu dizes que sim. Mas já sabes que se precisares de alguma coisa eu estou aqui.
-Eu sei mãe. Eu sei que estás sempre aqui para mim. – sorri.
-Ai, o meu menino já está tão grande…
-Oh mãe, vá lá, sabes que vou estar sempre contigo, então…
-Eu sei, filho, eu sei… Mas, só de pensar que qualquer dia tu e a Inês podem estar casados…
-Ai mãe, não exageres! Até porque as coisas como estão entre mim e a Inês não dão casamento tão cedo, de certeza.
-Ela ainda está em tua casa?
-Não sei. Não sei se ela foi embora, se ficou, não sei. Só espero não chegar a casa e voltar a discutir.
-Tem calma filho.
-Eu tenho, mãe, eu tenho. Bem, eu vou andando. Tenho de ligar ao mister e quero ligar ao Rodrigo para ir ter com ele.
-Está bem filho. Fazes bem. Até logo.
-Até logo mãe – dei-lhe um beijo na testa e abri a porta de entrada. – Adoro-te – sorri-lhe.
-Eu também te adoro meu filho. Até logo.

Enquanto ia para casa liguei ao Rodrigo a avisá-lo que hoje já treinava com o plantel e perguntei-lhe se podia ir ter com ele depois de almoço. Ele disse logo que sim. Quando cheguei a casa, estava um silêncio que já não se ouvia à algum tempo nela. Subi até ao quarto e encontrei a Inês a dormir, de baixo dos lençóis da minha cama, tranquilamente. Parecia perfeita neste estado, mas cada vez lhe encontrava mais defeitos. Não sei se por me sentir cada vez mais afastado dela e por discutirmos tanto ultimamente, ou se… Não sabia a razão, mas cada vez tinha mais a certeza que a Inês por quem eu tinha ficado encantado me mostrava cada vez mais a sua faceta do lado mau. Um lado de que eu não gostava, porque estava a levar a Inês doce e compreensiva que eu conhecera. Deixei-me ficar sentado na beira da cama, a observá-la.
-Rúben – disse a Inês ao acordar e ver-me ali sentado.
-Bom dia.
-Já voltaste.
-Cheguei mesmo agora.
-Hm – sorriu e rodeou o meu pescoço para me beijar. Recuei. – Ouve Inês, nós temos de conversar – disse-lhe.
-Outra vez? Gostas muito das palavras – resmoneou, sem no entanto me largar. Chegou-se para mais junto de mim.
-As coisas têm de ser faladas. E a melhor maneira de esclarecer e resolver as coisas é a conversar.
-E o que é que tu queres esclarecer?
-Quero saber porque é que tens tido estas atitudes.
-Que atitudes?
-Embirrares com tudo, reclamares com tudo e com nada… Já reparaste à quanto tempo é que não conseguimos terminar uma conversa civilizada?
-Eu não estou a ter atitudes nenhumas, Rúben Filipe – falou calmamente. – Tu é que não me tens ligado nenhuma – fez uma cara inocente e depois passou a sua perna esquerda para o meu lado direito, sentando-se em cima das minhas pernas, virada de frente para mim.
-Até posso estar a dar-te menos atenção, mas a culpa não é só minha. Estas discussões só nos têm afastado.
-Então, vamos mimar-nos um ao outro e resolver esse assunto – sorriu, dando-me um beijo. Afastei-a e levantei-me da cama.
-Inês, não é ao fazermos amor que as coisas vão resolver-se. Não é ao dizermos ‘’Pronto, vamos esquecer isto!’’ que as coisas ficam bem. Os erros estão cometidos, as coisas estão ditas e nada as vai apagar. Podemos resolver-nos, desculpar-nos sem ressentimentos, mas não vamos esquecer – calei-me um instante e ela nada disse, pois sabia que eu ainda ia falar. – Eu quero ter o menor número dessas coisas contigo, desses momentos maus e estúpidos, porque foram causados sem a mínima necessidade. E  tu és uma pessoa fantástica, Inês. Pelo menos eras, quando me apaixonei por ti, e eu quero guardar essa Inês, percebes? Quero guardá-la para sempre porque ela é uma pessoa muito importante para mim e vai ser sempre. Agora, será que ela ainda cá está, ou já foi embora e eu nunca mais vou poder tê-la ao meu lado?
-A Inês não se foi embora, o Rúben é que não a procura.
-Ok Inês, ah, nós tivemos uma discussão feia ontem e eu estou cansado demais para ter outra agora. Já percebi que agora não consegues conversar e assim não chegamos a lado nenhum, por isso, quando te sentires capaz para conversarmos e acentarmos de uma vez por todas, avisa-me – disse-lhe, sem conseguir continuar a tentar. Era demais e a minha paciência estava no limite. Vesti o casaco, pus o telemóvel no bolso, agarrei as minhas chaves e o portátil e tirei o saco de treinos, já preparado para o meu regresso aos treinos, do armário. Abri a porta do quarto.
-Onde é que vais? – perguntou ela, agora preocupada, desnecessariamente, pois a parte mais difícil ela tinha ultrapassado na maior calma.
-Ter com o Rodrigo. Hoje vou ao treino e não esperes por mim porque não sei a que horas venho. Nem sei se durmo cá hoje.
-Oh Rúben… - tentou falar, enquanto me seguia a descer as escadas.
-Não Inês, não quero ouvir nada. Estou farto de ouvir e até agora não ouvi uma coisa boa, por isso não fales. Não desperdices tempo porque não vai valer de nada neste momento. Tchau. – fechei a porta de entrada atrás de mim e não me importei com o barulho que fiz ou se a deixei a chorar. Eu tinha vontade de gritar e não gritei por respeito e consideração, coisas que não fizeram nem sombra de presença em todas as palavras que ela me tinha dito. Doía, e dói cada vez mais em cada palavra que saia da sua boca. Eu ainda não tinha crescido o suficiente para me conter e aguentar sem explodir. Mesmo sendo o homem Grande a que me afiguravam, era muito para esse homem.

segunda-feira, 12 de março de 2012

Capitulo 11 (parte I)



VISÃO RÚBEN


Estava com três casacos vestidos e a colher de pau na mão. A lareira estava acessa e a Inês estava no quarto. Ela estava com dores de cabeça por isso foi deitar-se enquanto eu fiquei a fazer o jantar. O meu telemóvel tocou. Era a Andreia.
-Olá linda.
-Olá lindo.
-Então, estás boa?
-Estou. E tu, que vozinha é essa?
-Estou doente.
-Doente? Então porque é que eu estou a ouvir os tachos e panelas tão perto?
-Estou a fazer o jantar. Mas o telemóvel está em alta voz para podermos falar. A Inês está lá em cima.
-A fazer o jantar, Rúben Filipe?! Devias era estar enfiado na cama!
-Iih, mais mães não! Até o Mauro já tentou imitar a nossa mãe! - Não consegui deixar de rir.
-Mas eu estou a falar a sério Rúben. Se a Inês está ai porque é que não é ela que está a fazer o jantar?
-Ela está com dores de cabeça.
-E tu estás doente, posha!
-Oh.
-Oh nada Rúben. Olha, eu vou tratar do que preciso e sexta-feira estou ai. - Ouvi os passos da Inês nas escadas e quando olhei para cima ela estava perto do sofá, à frente da bancada onde eu estava, a olhar para mim super irritada.
-Ah, não, Andreia, não venhas. Não precisas vir. A sério.
-Rúben, alguém tem de cuidar de ti. Que eu saiba, essa é a função dela, não a minha, mas já que ela não a cumpre, eu existo. Sabes que estou sempre aqui para quando precisares.
-Eu sei que estás. Obrigado. Mas, a sério, não venhas. Estou a pedir-te.
-Vou pensar no teu caso.
-Bem, olha, tenho de desligar. A panela de pressão já está a ferver. Depois falamos.
-Ahaha, vê lá como é que deixas a cozinha!
-Está a salvo não te preocupes. - Talvez eu é que não esteja assim tão a salvo.
-Está bem. Então depois falamos. Beijinhos.
-Tchau. - Desliguei a chamada e olhei para a Inês.
-Então, porque é que não deixas-te a tua amiga vir? - perguntou-me amargamente.
-Inês...
-Ah não, espera, essa a minha função, tenho de começar a desempenhá-la melhor, assim ela não vem mesmo!
-Oh Inês...
-Oh Inês nada! - disse ela elevando mais a voz. - Eu não estava aqui porque me está a doer a cabeça, não por incompetência ou por não querer ''desempenhar as minhas funções'' Rúben!
-E eu estou doente caraças! Não posso ser sempre eu a fazer as coisas! - elevei também um pouco a voz.
-Ah agora estás a concordar com ela?!
-Queres saber? Estou! Ela tem razão! Eu não sou de ferro! Mesmo quando estou a ''morrer'' tenho de ser eu a fazer as coisas!
-Que lata! Ela deu-te uma volta tão grande, Rúben! - gritou.
-Diz-me uma coisa, se te está a doer a cabeça, porque é que estás aqui a gritar? - perguntei mais calmamente.
-Porque eu passo-me! Conheceste essa rapariga à tão pouco tempo e ela já mexe assim na tua cabeça!
-Tu passaste e eu não me posso passar? Por amor de Deus, Inês!
-Por amor de Deus?! Eu queria ver se fosse contigo! Se fosse eu a ser injusta contigo, porque um rapazinho que conheci à meia dúzia de dias, que mal conheço, me fez a cabeça!
-Eu não estou a ser injusto contigo! Estou a dizer-te a realidade! E sabes uma coisa? Acho que neste momento sou capaz de conhecê-la melhor a ela do que a ti!
-À quanto tempo é que estás comigo e à quanto tempo é que a conheces?
-À quanto tempo é que deixaste de ser a Iês por quem me apaixonei? - Ela olhou-me meio que ofendida.
-Eu não mudei, tu é que te tornaste muito influenciável.
-Não, eu só estou a abrir um bocado os olhos.
-Sinceramente Rúben...
-Sinceramente nada! Já estou farto desta porcaria! Estou farto das tuas cenas!
-Das minhas cenas?! Oh Rúben!
-Já chega Inês! Acabou! Esta discussão acabou aqui e agora! - Desliguei o fogão e pousei a colher de pau. - O jantar está feito. Se quiseres come, se não quiseres não comas. Eu vou a casa da minha mãe - terminei. Peguei nas chaves, no telemóvel e no casaco que estava no sofá e saí. Ela permaneceu estáctica onde estava, sem dizer nada.

Cheguei à casa da minha mãe e decidi tocar à campainha. Tinha a minha própria chave, mas, apesar de ainda ser hora de jantar, não queria assustá-la. Como estava a demorar um pouco a abrir a porta lá entrei com a minha chave.
-Mãe? - chamei ao entrar.
-Na cozinha! - informou.
-Olá - sorri-lhe, dando-lhe um abraço.
-Rúben, filho, o que é que estás aqui a fazer?
-Achas que ainda arranjas jantar para mim?
-Claro que sim, filho. Mas o que é que se passou? A Inês não ficou lá em casa?
-Ficou mãe, ficou. Só que nós discutimos - respondi, sentando-me num dos bancos que estavam junto à bancada.
-Então porquê?
-Ela ficou com ciúmes da Andy.
-Aquela rapariga que me falaste que conheceste quando foste ter com o David?
-Sim. Ela é a minha melhor amiga mãe. Eu sei que a conheço à pouco tempo, mas ela percebe-me como ninguém mãe. Eu sei que te tenho a ti, mas não é a mesma coisa e eu confio em ti, mas, é diferente.
-Eu sei como é filho, eu percebo-te. Mas a Inês não sabe que ela é a tua melhor amiga?
-Sabe mãe, só que não gostou do que ouviu, que é a verdade, e armou uma cena.
-Mas que verdade filho? - Contei a troca de acusações que tinha trocado com a Inês à minha mãe e ela ficou surpreendida com o que tinha ouvido. - Oh meu filho, vocês não estão a fazer bem um ao outro assim, só a discutir e a fazerem acusações dessas!
-Eu sei mãe, eu sei... E agora, o que é que eu faço?
-Oh filho, - encostou a minha cabeça ao seu peito e abraçou-me. - eu não te sei responder. Não sou eu que tenho essas discussões, e não devo conhecer a Inês tão bem como tu, por isso, o melhor é seguires o teu coração. A resposta pode demorar tempo a chegar, mas pelo menos tens a certeza que é a resposta certa. - Sorri ao ouvir as palavras da minha mãe.
-A Andy também me deu o mesmo conselho.
-Estás a ver? É o que tens de fazer filho. Ele é o teu melhor conselheiro.
-Ah, a minha mãe também! - sorri. Ela sorriu também.
-Bom, vamos pôr a mesa a contar com o teu irmão que ele vem cá ter.
-Está bem, vamos lá! - Levantei-me, enquanto a minha mãe já tinha aberto o armário para tirar os pratos. - E, mãe...
-Diz filho - olhou para mim.
-Obrigado. Amo-te muito mãe.
-Oh meu filho, não tens de agradecer, é do coração. Eu também te amo muito filho - sorriu-me, colocando uma mão na minha cara.
-Vais ser sempre a mulher que sempre amei e sempre vou amar - sorri, dando-lhe um beijo na testa e abraçando-a.
-Ai que o meu filho está tão carente! - riu ela. Eu sorri e depois ajudei-a a pôr a mesa.
-Mãe, posso dormir cá, hoje?
-Claro que podes filho.
-Obrigado - sorri. A campainha tocou.
-Deve ser o teu irmão.
-Eu vou mãe, deixa estar. - voluntariei-me.
-Maninho! Também jantas connosco, hoje? - perguntou o meu irmão.
-Sim, janto.
-Boa, boa! Mas então a Inês foi embora mais cedo?
-Não.
-Não? Então? Ninguém deixa uma rapariga daquelas sozinha em casa para vir jantar com a mãe e o chato do irmão!
-Ahaha, a parte do ''chato do irmão'' tens razão, mas nós discutimos, por isso é que vim para cá.
-Outra vez? Vocês andam a discutir um bocado demais,não?
-Sim, mas é inevitável. Quer dizer, ela não consegue evitar embirrar com tudo.
-Oh, oh mano, será que ela está naquela altura do mês que...
-Não tem nada a ver com isso, Mauro. Ela... ela só já não é a minha Inês...
-Ok...Aah, bem, vamos jantar? A mãe já deve estar à nossa espera.
-Sim, vamos. - saímos da sala de estar para irmos para a cozinha perguntar à nossa mãe se era preciso alguma coisa e depois fomos jantar.