quarta-feira, 2 de maio de 2012

Capitulo 14 (parte II)





VISÃO RODRIGO


Na semana seguinte a Mariana veio a Portugal, como ela mi tinha dito, e ficou lá em casa. Acabei falando pra ela sobre a Mónica, porqui quando eu recebia uma mensagem dela ficava sorrindo e a Mariana percebeu qui tinha a ver com raparigas. Depois de mi ouvir ela mi pediu pra ter cuidado e ir com calma pra poder saber se podia confiar na Mónica. Os conselhos  foram bons e a companhia também, mas terminou rápido. Fui levar a minha irmã no aeroporto, de manhã. O mister marcou o treino prá tarde de novo, por isso deu tempo pra mi despedir em condições da minha irmã. Depois segui pra casa e fiquei trocando mensagens com a Mónica e mi entreti no meu tablet. Depois de almoço liguei pra casa dela, pois sabia qui ela tava lá almoçando.
-Oi - cumprimentei.
-Olá.
-Ti interrompi ou dá pra gente falar um pouquinho?
-Não,não interrompeste nada. Podemos falar sim, mas está tudo bem?
-Tou sozinho de novo.
-Então?
-A minha irmã foi embora hoje de manhã.
-Ah, pois, já me tinhas dito.
-Não gosto nada de ficar sozinho, é muito chato!
-De vez em quando sabe bem.
-De vez em quando, mas eu passo mais tempo sozinho em casa do qui eu quiria.
-Porque é que não vais passear? Sais de casa, espaireces.
-Acompanhado é mais legal!
-Pois, mas se não tens quem vá contigo vais sozinho, e até pode ser que conheças pessoas novas.
-Não tem muita graça, né.
-Andas muito esquisito.
-Ah, você pensou qui eu era perfeito? Não sou não!
-Eu sei que não. Quer dizer, eu...
-Não precisa si atrapalhar. Eu percebi.
-Por exemplo, eu também tenho defeitos... - continuou tentando se explicar.
-Oi! Não precisa se explicar, eu entendi.
-Ok...
-Você si preocupa muito, sabia?
-Preocupo-me muito com o quê? - perguntou confusa.
-Você si preocupa demais em parecer bem pra mim. Eu sei qui todo mundo erra, é normal, não precisa tentar esconder as falhas. As pessoas são bonitas também porqui erram. E eu gosto de você pela pessoa maravilhosa qui você é, não vai ser um erro qui vai mudar isso.
-Ah... Se calhar é suposto eu dizer obrigada, não é?
Eu ri.
-Tá vendo? Qual é o erro qui vai mi fazer deixar de gostar desse seu jeito?

-Acho que é melhor começares a cortar com os elogios assim, se não vais ficar a falar sozinho.
-Porquê? Tou sendo muito chato?
-Não, mas estás a deixar-me sem saber o que dizer... - respondeu meio envergonhada.
-Tá bom, desculpa, eu não quiria deixar você sem jeito. Só tava transmitindo pra você o qui eu penso.
-Está bem... Bem, eu não estou a tentar fugir nem nada assim, mas eu tenho de desligar. Tenho de ir trabalhar.
-Tá bom. Depois a gente fala. E obrigado por ter mi feito companhia esse tempinho.
-Não tens de agradecer. Eu gosto de conversar contigo.
-Eu também gosto muito de conversar com você - sorri.
-Bem, tenho mesmo de ir. Até logo.
-Beijo.
-Beijinhos.
Ela desligou. Eu ia falar mais uma coisa pra ela, mas não consegui qui as palavras saíssem. Não qui eu não quisesse dizer, mas talvez ela não reagisse muito bem si eu dissesse pra ela um '' Ti adoro'' assim de repente. Liguei a televisão e fiquei assistindo um filme até serem horas de ir embora pró treino.

Cheguei no Caixa e ainda faltavam 10 minutos pró treino começar. Fui até ao balneário mi equipar e depois fui pró relvado, onde o Rúben já tava.
-Oi gente! - cumprimentei todos.
-Olá! - responderam.
-Então puto, tudo bem? - perguntou o Rúben.
-Tudo, e com você?
-Também. Então e a tua irmã foi embora hoje, não foi?
-Foi. Porquê?
-È que o Mauro já voltou a chatear.
-Ahaha! Tadinho de você, né? - brinquei.
-Estás muito bem-disposto, hã? Aposto que estiveste a falar com a Mónica.
-Porqui é qui cê tá dizendo isso?
-Porque cada vez que falas com ela ficas super bem-disposto.
-Ah, cê também não tem muito qui falar. Você fica igual sempre qui fala com a Andreia!
-E se acabassemos esta conversa, hã?
-Cê tá fugindo do assunto, Rúben!
-Eu dou-te o fugir do assunto!
Comecei correndo pra fugir dele e passei pelo mister, qui tava si dirigindo pra junto do resto do plantel. A gente regressou pra junto do grupo.
-Boa tarde, rapazes! - cumprimentou o mister. - Parecem muito bem-dispostos, hã?
-È mister, aqui o Rodrigo está muito contente, agora! - riu o Rúben.
-Ai é? Então e é por algum motivo em especial? Ou é só porque estamos em primeiro lugar?
-Não mister, o assunto é uma rapariga - respondeu com um sorriso trocista, olhando pra mim. - Ele fica muito contente quando fala com ela!
-Oh Rúben, dá pra você parar? - pedi.
O plantel já tava rindo e até o mister já tava deixando aparecer um sorriso.
-Bom, se o assunto são raparigas vamos deixar esse assunto e vamos mas é ao treino, que vocês já andam a dispersar muito! - disse o mister.
Começámos a corrida inicial.
-Mas vá, agora a sério - falou o Rúben. - A Andreia e a Mónica vêem a portugal dentro de pouco tempo.
-Sério? - perguntei curioso.
-Sim. Vêem cá no inicio de Dezembro e depois nas férias de Natal.
-Qui bom!
-È, que bom, não é Rodrigo? Se não começarem a correr mais rápido vai ser bom dar mais umas voltinhas! - brincou o Nélson, passando pela gente. O Rúben riu.
-Eu sei porque é que é bom. Vais ver a Mónica pela primeira vez, não é?
-È - respondi.
-Estás a ver como eu sei!
-È, cê sabe sim! Mas agora vamo correr rápido antes qui o mister mande a gente dar mais umas voltinhas!
-È, vamos, se não o menino começa a corar! - riu ele.
Eu sorri mas não respondi. Depois do treino tomei um duche, troquei de roupa e dirigi de volta pra casa.

As semanas foram passando e eu tava super ansioso qui chegasse o final do mês. Já tinha combinado com o Rúben e já tinha avisado a Mónica qui nós os dois iamos buscar elas ao aeroporto. Por agora iam ser três dias, mas iam ser o bastante pra conhecer a Mónica. Todos os dias pensava qui faltava pouco pra isso acontecer. Os treinos corriam bem e os jogos corriam melhor. Tava tudo correndo muito bem e ia correr melhor, esperava eu, em breve.
-Oi! - sorri, assim qui ela atendeu o telefone.
-Olá.
-Tava ocupada?
-Não. Subi agora para o quarto para ler um bocado.
-Si quiser ler eu desligo.
-Não! Não, desligues! Eu posso ler depois.
-Tá bom, então. Como é qui foi seu dia hoje?
-Normal. Escola, trabalho, trabalhos de casa, jantar e agora a falar contigo.
-Virou rotina, agora?
-Pelos vistos sim. Agora falamos todos os dias - riu.
-Pois. Mas eu mi sinto bem falando com você todos os dias.
-È, eu também já me habituei... - sorriu.
-Faltam dois dias pra vocês virem... - comentei.
-Sim...
-Depois a gente vai poder conversar melhor... Vamo poder falar na frente um do outro...
-E se não for tão bom como é por telefone? Quer dizer, eu vou ficar meio sem jeito quando te conhecer, na sexta.
-Vai ser melhor!
-E se ficares decepcionado? Posso ser diferente do que tu pensas... - ela tava insegura, isso era uma certeza, mas não precisava.
-Você não vai mi decepcionar. Eu já falei pra você: eu gosto de você pela pessoa maravilhosa qui você é, não pela maneira como você se veste, si você é mais baixa ou mais alta qui eu, si a sua gargalhada parecer esquisita... O qui eu conheço eu gosto, o qui eu não conheço vou conhecer e depois vou aprendendo a gostar, o qui eu acho qui não vai se dificil.
-Tens a certeza que não vais ficar decepcionado?
-Absoluta. Bom, eu não vou ti incomodar mais, você deve tar cansada e tem qui si levantar cedo assim como eu também tenho, por isso acho melhor a gente ir deitar.
-Sim, ia pedir-te para falarmos amanhã, porque já estou mais para lá do que para cá.
-Ahaha! Tá bom, então eu ti ligo amanhã.
-Está bem.
-Beijo. Dorme bem.
-Tu também. Beijinhos.
-Espera! - pedi, antes qui ela desligasse. - Eu quiria ti dizer uma coisa.
-Diz.
-Mas promete qui não fica chateada?
-Chateada porquê?
-Poqui eu quiria ti dizer... - hesitei um pouco.
-Diz. Eu não vou ficar chateada.
-Não?
-Não.
-Tá bom, então, eu ia ti dizer qui... Eu ti adoro.
-Ah... Eu também gosto muito de ti - disse els falando muito rápido pois estava envergonhada, dava pra notar no tom de voz. Eu gostei muito de ouvir a resposta dela, tanto qui o sorriso voltou a aparecer nos meus lábios. Mas eu não quiria qui ela ficasse ainda mais sem jeito.
-Ah, bom, obrigado. È, é melhor a gente ir deitar, então.
-Pois é.
-Então eu amanhã ti ligo.
-Está bem.
-Beijo.
-Beijinhos.
Desliguei. Depois fiquei sorrindo, sentado no sofá. Mas de repente alguma coisa veio à minha mente. Depois de ter dito aquelas palavras prá Mónica eu já não ia poder voltar atrás. Tava permitindo o meu coração a si abrir mais pra ela. O medo lá do fundo tava mi gritando pra eu mi proteger, mas eu não sentia necessidade nenhuma disso. Mi sentia livre, leve e solto, como dizem. Sentia qui não precisava ter medo, qui dessa vez podia amar e nao ia sofrer mais...


VISÃO MÓNICA


-O Rúben vai mesmo buscar-nos ao aeroporto? - perguntei eu à Andy, assim que entrámos no avião. Iamos aproveitar a tarde para irmos mais cedo passar o fim-de-semana a Potugal.
-Vai. E o Rodrigo vai com ele. Finalmente vais conhecê-lo, hã! - sorriu.
Eu sorri timidamente. Estavs nervosa. Já falava com ele à algum tempo, por mensagens e ligavamos um ao outro para falar um bocadinho, e tinhamos-nos visto uma vez pela web, mas nunca tinhamos estado realmente cara a cara. Eu sabia o seu aspecto fisico, porque ele está sempre a aparecer na televisão e nos jornais. Lindo. Mas ele não sabia o meu aspecto. Mas pelo que ele dizia e pelas mensagens, não importava. Gostava de mim pela ''pessoa maravilhosa que eu era''. Esperava que assim fosse depois de nos conhecermos, porque depois de começar a falar com ele passei a admirá-lo mais como pessoa.
-Estás nervosa? - perguntou-me a Andy, tirando-me a atenção dos meus pensamentos.
-Um bocado. Estou com medo que ele fique decepcionado ou assim quando me vir.
-Oh, ele não te disse que isso não importava? Queres que te volte a lembrar as palavras dele?
-Não, não é preciso. Elas fazem eco na minha cabeça a toda a hora. Mas mesmo assim fico nervosa.
-Entao deixa o eco das palavras e manda o resto embora. Não sei para que é que estás com essas coisas. Tu não és feia, e eu já te disse e ele próprio te disse também que isso não é o mais importante. Ele gosta da tua maneira de ser, isso chega.
-Está bem - respondi, no entanto ainda não estava completamente tranquila e não ia ficar até estar com ele.
-Ai a minha vida! Agora tenho de estar a aturar crises de insegurança - brincou ela, tentando aliviar. Resultou. Eu ri-me.
-Está bem, vou tentar mandar a crise embora - ri.
-Acho bem - sorriu.
Quando aterrámos fomos buscar as malas e a Andy ligou ao Rúben para saber onde é que eles estavam.
-Vamos ter com eles à entrada do aeroporto - anunciou ela.
-Está bem.
-Respira, se faz favor.
-Está bem
-Pára de dizer está bem e faz o que eu te peço, por favor.
-Está bem - respondi, involuntariamente.
Depois explodimos os dois às gargalhadas. Pelo menos serviu para aliviar alguma tensão. Seguimos para a entrada do aeroporto e avistámos uma multidão. Eles estavam na origem. Destribuiam autógrafos e beijinhos e fotografias, sempre com uns mega sorrisos.
-Não nos vamos meter lá agora - disse eu.
-Claro que não. Vamos esperar. Vou só mandar uma mensagem ao Rúben a dizer que já chegámos. Pode ser que eles se despachem mais rápido.
-Está bem - respondi, fixando o olhar no meio da multidão.
-Não começes com os ''está bem'' - pediu ela com um sorriso.
-Não, não começo - ri.
Depois abstraí-me do resto e fixei a minha atenção numa só pessoa. Observei a maneira como ele dava os autógrafos, esquerdino, a maneira como sorria ao olhar para a câmara para tirar uma fotografia com os fãs e a maneira como alegrava os fãs ao cumprimentá-los, tudo isto, uma forma também de agradecimento da sua parte pela força e o apoio que eles lhe davam. Estava novamente mergulhada nos meus pensamentos, que nem tinha reparado que os fãs já tinham ido embora e eu já só o observava a ele. O seu olhar cruzou o meu e ele sorriu-me. Sorri de volta. A Andy já devia estar à meia hora a chamar-me, porque agora ela teve de dar-me um encontrão.
-Oh M&M! Já estou farta de te chamar, e tu nada.
-Oh quê?! - ela riu-se. - Não tem piada. Ainda por cima eles já estão... A vir na nossa direcção - constatei, ao olhar na direcção deles.
-Só assim é que ouviste. Pois, era para te dizer isso - riu.
-Olá meninas - sorriu o Rúben ao cumprimentar-nos.
-Olá - dissémos. O Rúben avançou na direcção da Andy e abraçou-a.
-Então linda, como é que estás?
-Óptima - sorriu ela.
-Mónica - disse o Rodrigo a sorrir, fazendo-me tirar os olhos do Rúben e da Andy.
-Olá - respondi timidamente.
-Posso cumprimentar você, ou...
-Não, claro que podes.
Ele sorriu abertamente e veio cumprimentar-me, demoradamente, com dois fortes beijos na cara. Cumprimentei-o da mesma maneira. Ele cheirava deliciosamente bem.
-Gosto do seu beijo - sorriu. Eu sorri timidamente. - Tou falando sério. Seu beijo é doce - voltou a sorrir.
-Obrigada - agradeci, meio envergonhada novamente.
-Bem, vamos embora? - sugeriu o Rúben, dirigindo-se a nós dois. - Não te esqueças que temos treino logo, puto.
-Pois é - respondeu o Rodrigo.
-Queres vir ver o treino, Andy? - perguntou o Rúben.
-Querer eu queria, mas já combinei com os meus pais ir lá a casa.
-E você não quer vir? - perguntou-me o Rodrigo, olhando-me meio que esperançoso. Olhei regusiosamente para a Andreia, que me indicava com o olhar para eu dizer que sim. - Eu levo você em casa, depois.
-Não é preciso, eu volto de transportes.
-Mas então você vai?
-Vou - sorri. Ele sorriu também.
-Bem, então já que trouxemos os dois carro, que tal eu e a Andy levarmos as malas delas para casa e vocês os dois vão dar um volta e conversar a sério, hã? - propôs o Rúben.
-Por mim - disse o Rodrigo, olhando para mim.
-Está bem - aceitei.
-Então vá, Mónica. Dá-me as tuas malas que eu e a Andy levamos para vossa casa. - Dei as malas ao Rúben.
-Então, até logo - sorriu a Andy.
-Até logo - sorri também. Ela e o Rúben viraram costas e começaram a dirigir-se para a saida.
-Onde é qui cê quer ir?
-Não sei, escolhe tu.
-Não, escolhe você. Mi mostra um sitio qui eu não conheça.
-Ui, então estás com pouca sorte. Se calhar até conheço menos que tu.
-Então, você qui é a portuguesa e eu qui conheço melhor o pais?
-Pelos vistos - rimos.
-Você já foi alguma vez ao Estádio da Luz? - perguntou-me.
-Não. Quer dizer, só do lado de fora - respondi, sorrindo, ao lembrar da minha ilegalidade e da Andy, quando tínhamos 17 anos.
-Assim não tem graça. Qu'qui cê diz de a gente ir prá lá agora? A gente dá uma volta, conversamos e você fica conhecendo o Estádio dos pés à cabeça.
-Está bem, podemos ir - ri.
Fomos até ao seu carro, um BMW X3 Branco e fomos para o Estádio.Assim que lá chegámos parámos para lanchar e em seguida fomos ver as lojas. Ficámos mais tempo na Adidas, onde ele se perdeu e eu me perdi em seguida, tal era a envolvência que soava nas suas palavras.Fiquei a saber onde é que ele se perdia. Quando finalmente saímos da Adidas eram horas do treino. Ele foi equipar-se enquanto eu desci até ao relvado e fiquei a observar.
-Grande, né? - disse o Rodrigo, chegando a correr.
-È.
-È lindo.
Sim - concordei.
-Você também.
-Obrigada - agradeci, meio sem jeito, olhando para o relvado. - Bem, eu vou andando para as bancadas porque daqui a nada vocês começam o treino.
-O mister ainda vai demorar um pouco, e eles tão só si divertindo antes do treino.
-Sim, mas vou já andando.
-Então eu vou com você até o treino começar.
-Tu é que sabes.
Fomos até às bancadas e sentámos-nos. Eu fiquei a observar o resto do plantel a fazer as suas brincadeiras, e sentia o olhar do Rodrigo preso em mim. Olhei para ele e sorri, voltando em seguida a olhar para o campo.
-Eu tava falando sério quando disse qui você é bonita. Eu sei qui você tava preocupada com isso, mas agora não precisa mais.
-Obrigada.
-Não tem qui agradecer.
-Tens-me elogiado muito, mas tu ainda não recebeste elogios. Assim não vale - brinquei.
-Pode mi elogiar si você quiser.
-Aah...
-Também pode pôr defeito - riu. Eu sorri. - Mas eu gostava mesmo de ficar sabendo o qui é qui cê gosta e o qui é qui cê não gosta em mim - pediu.
-Bom, está bem - respondi, meio relutante.  -Eu gosto... - ele fixou o olhar em mim - do teu sorriso... - ele sorriu ainda mais - dos teus olhos... do teu cabelo... - rimos os dois - e pode parecer estúpido, mas, eu gosto das tuas mãos.
-Das minhas mãos? - perguntou, meio confuso mas sorrindo na mesma.
-Sim. Não consigo dizer porquê, mas gosto  -ri. Ele sorriu.
-Então e o qui é qui você não gosta? - perguntou.
-Por enquanto ainda não desgosto de nada  - sorri.
-Isso é bom - sorriu também.
-Então mas, tu já me elogiaste muito mas ainda não me disseste concretamente o que gostas e não gostas em mim  - disse eu.
-Tá bom, então eu vou dizer.
-Diz.
Ele fez um mega sorriso.
-Eu gosto do seu sorriso, do seu olhar, do seu jeito quando você anda - eu ri. Isto tinha soado ainda mais esquisito do que quando eu tinha dito que gostava das mãos dele - , gosto de você.
-É a primeira vez que estás comigo e já gostas de tudo sem veres os defeitos. Se calhar é um bocadinho precipitado dizeres já isso. - Apesar de estar a dizer isto, sentia que eu também dissera o mesmo, e sentia isso, apesar de ser a primeira vez que estava com ele.
-Não. Eu sinto como si eu conhecesse você desde sempre. A gente começou falando à pouco tempo e eu nunca tive perto de você antes, mas não parece.
-Pronto, até tens razão  -ele sorriu.
-Você é fantástica, sabia?
-Oh, também não exageremos - disse eu , olhando para ele assim que ele voltou a olhar para mim.
-Eu não tou exagerando. Tou falando sério.
-Oh.
Ficámos a olhar um para o outro.
-Desculpa, mas não tá dando mais... - disse ele.
-O quê? - perguntei, sem perceber o que ele queria dizer. Ele olhou para mim ansiosamente e depois beijou-me. Apanhou-me de surpresa, mas rapidamente me deixei envolver pelo movimento suave e doce dos seus lábios contra os meus. Era um beijo cuidado e receoso da reacção que eu iria ter. Não ia bater-lhe, nem gritar-lhe ou algo assim. Na verdade nem sabia bem o que é que ia fazer. Agora só queria sentir o toque dos seus lábios que me deixavam abstraída de tudo o resto, neste momento, depois via o que é que fazia, nem que fosse ficar com um ar estúpido a olhar para ele sem dizer nada. A abstracção e ao mesmo tempo a concentração no beijo terminaram assim que ouvi uma voz do campo.
-Puto, o mister vem aí! - disse o Rúben. O Rodrigo recuou, sem deixar de olhar para mim. - Desculpem... - disse o Rúben novamente, embaraçado.
Mais ninguém disse uma palavra, no entanto, o olhar do Rodrigo perscrutava-me parecendo ter algo a dizer, mas sem que as palavras conseguissem ser ditas.
-A gente fala depois... - disse ele, ainda em transe, saindo em seguida a correr para ir para o campo.
Eu continuei estática. Apenas o meu raciocínio funcionava e mesmo assim não estava nas melhores condições. Revi mentalmente aquele beijo. Tinha sido fantasticamente delicioso e voltaria a repeti-lo todas as vezes que quisessem, mas, apesar de querer não ia, não podia voltar a fazê-lo. Esta era uma situação em que desejamos muito que aconteça algo com alguém e esse alguém também quer estar connosco, ou pelo menos assim o dá a entender, mas depois, temos outro alguém que nos ama de uma forma que não queremos. Então, para não magoarmos a pessoa que nos ama no momento inoportuno, recusamos e reprimimos o mais que conseguimos os nossos desejos, magoando-nos a nós mesmos mas também talvez a quem nos ama e seria correspondido... O plantel já tinha dado duas voltas ao campo, mas eu não conseguia permanecer ali, onde estava o pecado físico que me fizera apaixonar apenas com palavras sinceras e uma voz doce... Saí do Estádio e segui para casa.

Quando cheguei a casa eram horas de jantar. Fui até ao quarto e deitei-me em cima da cama. O meu telemóvel voltou a tocar pela milionésima vez. Já não olhei, pois sabia quem tanto queria ouvir a minha voz. Parou de tocar mas cinco minutos depois recebi aquela que devia ser a milhenta mensagem da mesma pessoa. Estava a desesperar por ele não desistir, como ele devia estar a desesperar por eu não lhe dizer nada. Abri a mensagem.

De: Rodrigo Moreno M:
       Já mandei mil mensagens e já liguei mil vezes pra você, mas isso é pouco pra mim. Não vou desistir de falar com você. A gente tem qui conversar sobre o qui aconteceu hoje no treino, por favor. Você é uma garota legal e ia ser muito legal também si você atendesse o telefone.

Pronto, depois de conseguir não dizer nada com todas as mensagens, cedi a responder a algo que ele escrevera.



Para: Rodrigo Moreno M:
          Eu disse-te que não conhecias os defeitos. Talvez eu não seja assim tão ''legal''.


De: Rodrigo Moreno M:
       Eu não quero saber dos seus defeitos. Talvez quem tá errado sou eu, mas só  tou pedindo pra conversar pra resolver as coisas. Você sabe onde eu moro. Si você quiser aparece lá quando der mais jeito pra você. Ou posso ir ter na sua casa.


Para: Rodrigo Moreno M:
          Eu não vou a tua casa e muito menos quero que venhas a minha casa agora. E acho que não há nada para resolver. Foi só um beijo.


De: Rodrigo Moreno M:
       Pra mim não foi só um beijo. Foi muito mais qui isso. E já qui você não vai mi deixar ouvir a sua voz, vai ter mesmo qui ser assim - parei de ler. Eu queria ler o que estava escrito, mas que não devia estar. Voltei à mensagem.  - Eu ti amo. E não tou nem ai  si é cedo demais. Eu mi apaixonei por você mal comecei falando com você no telefone. Você é linda, e agora eu comprovei isso também pro lado de fora. Agora qui eu provei do seu beijo, qui eu andei tentando controlar desde cedo, eu não quero ficar sem ele não. E eu acho qui não sou indiferente pra você também. Senti isso na forma como você recebeu e retribuiu o meu beijo.


Fiquei a olhar para o visor. parecia que toda a gente tinha decidido amar-me da mesma maneira e ao mesmo tempo...
-Já chegaste?  -perguntou-me a Andy, entrando no quarto.
-Sim - respondi, com uma voz não totalmente dentro da conversa.
-Estava a tomar banho, nem te ouvi.
-Pois.
-Então e o treino, foi giro?
-Foi.
-Deve ter sido super entusiasmante. Pela tua vozinha.
-Foi giro. Só estou cansada.
-Sim, sim. Engana-me que eu gosto. Olha, então e o Zach?Já falaste com ele?
-Temos falado por mensagens e ele deu-me a morada da casa que ele alugou cá.
-Ah, está bem. Bom, vamos jantar?
-Já está feito?
-Já. Eu fiz antes de ir tomar banho. Está no forno para continuar quentinho.
-Obrigada Andy.
-Oh. Anda lá, mas é.
Levantei-me e depois de pôr-mos a mesa jantámos. Eu lavei a louça e depois fui sentar-me ao lado da Andy no sofá a ver televisão. Apesar de não estar a prestar atenção alguma.
-Bem, eu vou deitar-me. Ainda ficas aqui?
-Fico - respondi.
-Ok. Até amanhã.
-Até amanhã.
Continuei a olhar para a televisão sem prestar atenção. A minha cabeça latejava a cada bater do coração, que batia desesperadamente por mais um toque do Rodrigo...
-Olha, vou sair. Não sei quanto tempo é que vou demorar - disse eu à Andy, entrando no quarto para ir buscar o meu casaco.
-A esta hora? - perguntou ela preocupada, enquanto se deitava.
-Sim. Tem de ser. Senão não vou conseguir dormir hoje.
-Qual deles é que é? O Zach ou o Rodrigo? É que só eles é que te conseguem provocar uma atitude destas.
-Até logo - disse eu passando a porta do quarto, em direcção às escadas.
-Diz lá quem é!
-Depois falamos. Até amanhã - respondi, quando já estava a meio das escadas.



E agora, o que será que a Mónica vai fazer?


Obrigada pelos comentários! Obrigada por me seguirem! Obrigada por me ajudarem a ter mais vontade de continuar! :D
Beijinhos

Mónica

segunda-feira, 30 de abril de 2012

Capitulo 14 (parte I)





VISÃO RODRIGO


Depois de ter ficado na sala com o Rúben vendo televisão subi pró meu quarto. O sono já tava chegando, o treino tinha sido um pouco puxado e já tava mi sentindo um pouco cansado, para além de qui o treino no dia seguinte ia ser às 10.30h. Depois de escovar os dentes vesti o pijama e mi deitei em cima da cama. Fiquei pensando si mandava ou não uma mensagem prá Mónica, fiquei tentando adivinhar o qui ela tava fazendo pra não incomodar ela e depois mandei a mensagem. Ainda fiquei esperando pra ver si ela respondia mas acabei mi acomodando pra dormir. Quando tava quase adormecendo o meu telefone tocou. Ela tinha respondido.

De: Mónica:
      Olá :D Na verdade ia deitar-me agora, mas não tem problema J Eu também gostei muito de conversar contigo… Obrigada pelo elogio… Também te acho fantástico… :$ Boa noite para ti também… Beijinhos. Mónica.


Sorri. Meus olhos tavam quase fechando, mas o sorriso ficou. Tava gostando cada vez mais de conhecer essa garota…

No dia seguinte, às 9.30h eu e o Rúben saímos de casa. Íamos entrar em estágio, pois na segunda-feira íamos jogar com o União de Leiria, em casa. Foi um treino intenso, mas o da tarde ia ser mais leve. Na hora de almoço o Rúben mi falou qui depois do jogo ia voltar pra casa dele. A Inês já não tava lá fazia tempo, mas ele tinha preferido ficar lá em casa pra passar um pouco mais de tempo naquele clima constante de brincadeira qui tava lá em casa.

Antes do jogo a Mónica mi mandou uma mensagem desejando boa sorte pró jogo. E a Mariana, minha irmã, mi ligou.
-Oi maninho!
-Oi!
-Então, nervoso pra entrar em campo?
-Um pouquinho. Mas é mesmo porquê tou com vontade de jogar!
-O mister vai ti colocar de início?
-Ainda não tenho certeza. Só na palestra antes de a gente entrar em campo é qui ele vai dizer o onze inicial pra gente.
-Ah. Ai Rodrigo, tou tão nervosa!
-Nervosa? Porquê?
-Porqui… por causa do jogo! O Benfica vai jogar, eu fico sempre nervosa!
-Ah. Mas não é só isso, né?
-Não… Posha, você mi conhece mesmo bem!
-Sou seu irmão, esqueceu? E a gente fala de tudo, eu sei quando você tá mentindo ou escondendo alguma coisa.
-Assim não vale!
-Vale sim! Mas vai, mi conta, o qui é qui tá havendo pra você tar tão nervosa assim?
-É qui… bom, cê sabe qui eu falo com o Rúben, com a Dona Bela e com o Mauro…
-E então? Qu’qui eles têm a ver?
-Posso falar? É qui eu acho qui você não deve ter muito tempo.
-Cinco minutos.
-Tá bom, então… Eu vou a Portugal na próxima semana…
-E só agora qui você mi diz?
-Mi deixa falar! Eu tava dizendo qui na próxima semana eu vou ai a Portugal, e… o Mauro mi convidou pra sair.
-O Mauro o quê? – perguntei, surpreendido.
-Ele mi convidou pra sair… Porquê? Cê acha mal?
-Não, não é isso! É qui, não tava esperando, só isso.
-Eu ti falei qui a gente tava falando e si conhecendo…
-Eu sei. Ele já devia andar pra ti fazer esse convite faz tempo.
-Porqui é qui cê tá dizendo isso?
-Porqui ele pediu pró Rúben tentar saber coisas sobre você. O Rúben começou mi fazendo várias perguntas, eu achei aquilo tudo muito estranho e ele acabou mi dizendo qui tinha sido o Mauro a pedir.
-Desde quando? – perguntou, curiosa.
-Praticamente desde qui vocês si conheceram.
-E você mi disse isso só agora?!
-Você não mi falou qui tava gostando dele.
-Ah, mas… eu não tou gostando dele!
-Não tá mesmo? Então porqui é qui cê tá tão nervosa porqui ele ti convidou pra sair?
-Ah Rodrigo! Deixa de ser chato, vai! Eu só tou assim porqui não tou acostumada a sair com rapazes, você sabe.
-Você tem sempre rapazes perto de você… - lembrei, embora não gostasse muito do qui tinha dito.
-Não, desculpa, eles é qui não descolam de mim! Eles é qui vêem atrás de mim!
-Então e você vai ver só. O Mauro vai andar sempre atrás de você!
-Ah, deixa o rapaz em paz!
-E o pior é qui ele já não é um garoto, ele já é um homem, viu! Mas vai correr atrás de você qui nem um garoto!
Eu amava zoar com a minha irmã. A gente tava habituado a zoar um com o outro assim, tipo coisa de criança, mas isso nos deixava ainda mais próximos, o qui era muito bom.
-Olha, seus cinco minutos passaram! Boa sorte pró jogo, maninho! Beijo. Ti adoro!
-Beijo! Também – desligou. - …ti adoro.
Essa garota foge sempre do assunto quando não tá agradando o rumo qui tá tomando… Mas ela tinha razão, meus cinco minutos tinham passado, Mi juntei ao plantel e alguns segundos depois o mister chegou, deu a palestra, desejou boa sorte, pediu o melhor da gente em campo e deu o onze inicial. Eu não tava no inicial, mas podia entrar em qualquer momento. Seguimos pró campo.

Fizemos uma boa primeira parte, apesar de termos sofrido um golo. O Gaitan e o Witsel deram pra gente o 2-1 ao intervalo. A segunda parte começou e íamos chegando a um empate, mas o Artur fez uma excelente defesa. Eu tava sofrendo pra caramba sentado no banco, mas pelos vistos o mister pareceu perceber e ao 62 minutos ele me colocou rendendo o Nélson, qui quase tinha feito o primeiro golo do jogo, na primeira parte. Entrei, cheio de energia e vontade de marcar. Dois minutos depois de entrar em campo fiz o terceiro golo da noite! Agradeci e logo em seguida pensei na Mónica. Esse golo era pra ela. Por ela mi fazer sentir tão bem e sorrir tanto com ela… Os meus colegas correram mi abraçando e festejando. Aos 86 minutos voltei a marcar. O União de Leiria ainda tentou responder, mas o Artur conseguiu guardar a nossa baliza. Acabámos ganhando 4-1. O jogo começou às 17.00h e terminou às 19.00h e era suposto todo mundo jantar pra festejar a vitória, mas tavamos todos cansados pra caramba, porqui o adversário soube dar luta e não deu descanso pra gente, por isso acabamos marcando um almoço no dia seguinte e seguimos pra casa.
-Bem puto, obrigado por tudo. Obrigado por me deixares ficar aqui tanto tempo. Foste o amigo que precisei neste tempo.
-Ah, não vai chorar, vai? – brinquei.
-Não, não vou – riu. – Bem, então até amanhã, no almoço.
-Cê não quer ficar aqui só mais essa noite? É qui cê saiu cansado do jogo e agora ainda vai dirigir?
-Não te preocupes que não vai acontecer nada. E, quer dizer, tens de perceber que já tenho saudades da minha cama e da minha almofada!
-Ah, tá bom, já entendi!  -ri.
-Bem, então até amanhã, puto! – si despidiu, pegando as coisas dele e saindo pra junto do seu carro.
-Até amanhã! – mi despidi também.


VISÃO MÓNICA


Este domingo eu e a Andy voltámos ao trabalho e desta vez foi o dia todo. Quando chegámos a casa já passavam das 19.00h então fomos logo para a cozinha fazer o jantar. Eu não comi muito porque estava super cansada e só queria ir para a minha cama e dormir. Depois de jantar eu fiquei a acabar de arrumar a cozinha enquanto a Andy subiu para o andar de cima. Quando cheguei ao quarto vesti o pijama , depois de ter ido lavar os dentes, e abri a cama para me deitar. O telemóvel da Andy tocou e ela atende logo.
-Olá lindo. - Bastou-me ouvir isto para saber que ela estava a falar com o Rúben. Deitei-me enquanto eles continuavam a conversa, mas de repente a Andy disse uma coisa que me fez tremer ao mesmo tempo que dava um saltinho de surpresa.
-Então e as tuas mini-férias em casa do Rodrigo, quando é que acabam? - Abri os olhos automaticamente.
Foi esquisito e não achei muita piada, pois simplesmente por ouvir o nome do Rodrigo despertei. Fechei os olhos novamente e tentei abstrair-me da conversa da Andy e do Rúben. Consegui, mas parecia que o nome dele fazia eco na minha cabeça e não me deixava dormir. Tinha falado com ele à hora de almoço, mas parecia que faltava mais alguma coisa... A mensagem! A mensagem que mandávamos todas as noites... Desta vez não me ocorreu muita coisa. Eu simplesmente precisava de receber a mensagem dele...

Para: Rodrigo Moreno M:
          Olá :D Era só para te desejar uma boa noite... xD Amanhã antes do jogo digo-te qualquer coisa :) Beijinhos. Mónica.


Ele respondeu logo a seguir.


De: Rodrigo Moreno M:
       Oi! Tava vendo qui você si tinha esquecido de mim ;D Eu fico esperando, então :D Boa noite, dorme com os anjos. Beijo. Rodrigo.


Sorri. Guardei o telemóvel e deitei-me. A Andy ainda estava ao telefone, mas não prestei atenção. Fechei os olhos e deixei a minha mente divagar... Mas agora o sono já tinha ido embora. Levantei-me e deixei a Andy ao telefone no quarto, fui para a sala, onde estavam o Bruno e a Justine e ficámos os três a ver televisão. Entretanto a Andy juntou-se a nós. O sono começou a aparecer novamente e pouco depois eu e a Andy subimos para o nosso quarto. Quando estávamos a deitar-nos a Andy falou.
-O que é que dizes de amanhã irmos ver o jogo do Benfica com o David?
-Acho uma óptima ideia - respondi. Por acaso não tinha pensado nisso. - Achas que dá para irmos ter com ele?
-Provavelmente sim. Mas amanhã eu mando-lhe uma mensagem, não te preocupes.
-Está bem. Era bom se desse. Já não estamos com o David à quanto tempo?
-Há uma semana e meia... A última vez fomos beber café com ele depois da Faculdade.
-Pois foi... Bem, até amanhã  -disse eu, deitando-me.
-Até amanhã - respondeu, deitando-se e apagando as luzes. E desta vez, consegui ir dormir sem pensar em nada em concreto, simplesmente vagueei até adormecer, o que não demorou muito.

Na manhã seguinte a Andy mandou uma mensagem ao David, como tinha dito. Ele aceitou a ideia de irmos ver o jogo com ele e convidou-nos para jantarmos e dormirmos em casa dele. Nós aceitámos. Fomos trabalhar, e uma hora e meia antes do jogo saímos do trabalho e fomos ter com o David a casa dele.
-Oi mininas - disse ele ao abrir-nos a porta, dando um beijo e um abraço a cada uma.
-Olá - respondemos, seguindo com ele para a sala.
-Então e como é qui vocês tão?
-Estamos bem. E tu caramelo? Novidades? - disse a Andy.
-Nada de novo. E vocês?
-Eu nada... Contiua tudo na mesma - respondeu ela.
-Aturando o chato do Rúben, indo nas aulas, trabalhando... Tou vendo.
-É, o chato do Rúben e não só. Tu, a Mónica, os meus primos, a família e os amigos não contam?
-Ah claro... Então e você Mónica? Novidades?
-Também nada - respondi. A Andy olhou para mim e riu-se.
-Qui foi?  -perguntou o David, desconfiado.
-Nada - respondeu a Andy.
-Nada não. Cê se riu quando eu perguntei prá Mónica si ela tinha alguma novidade.
Tinha de contar ao David...
-Oh, isso é porque afinal até tenho uma novidade, David.
-Ai tem? Então vá, vamo jantar e você me conta. Agora fiquei curioso, né? - sorriu.
Fomos para a cozinha e jantámos, pois ele já tinha feito o jantar. Enquanto comiamos contei ao David que tinha conhecido o Rodrigo e quando disse que o tinha conhecido por causa de um planozinho do Rúben e da Andy, ele fartou-se de rir. Depois de jantar arrumámos todos a cozinha e depois seguimos para a sala. Mandei uma mensagem de boa sorte ao Rodrigo e ele respondeu logo a seguir, agradecendo com um grande sorriso. E finalmente o jogo começou. O Rodrigo não entrou inicialmente, mas chegámos ao final da primeira parte a ganhar po 2-1, com golos do Gaitan e do Witsel. Nós os três lá em casa fartavamo-nos de mandar vir com os jogadores, levavamos as mãos à cabeça, levantavamo-nos com os nervos... Se nos visse, eramos uns autênticos malucos! Na segunda parte o Rodrigo começou novamente no banco, mas aos 62 minutos entrou para render o nélson, que quase tinha feito o primeiro golo do jogo, mas viu-o negado. Dois minutos depois de entrar o Rodrigo marcou. Ele correu junto da bancada e agradeceu ''ao Amigo Lá de Cima'' e de seguida muitos vieram abraçá-lo e festejar o golo, o que se voltou a repetir aos 86 minutos, quando ele bisou. Ainda tentaram marcar, do lado do União de Leiria, mas o Artur defendeu. Acabámos por ganhar por 4-1. Nós os três festejámos a vitória e ainda ficámos um pouco à conversa mas depois subimos para irmos dormir. Eu e a Andy ficámos no mesmo quarto em que tinhamos ficado da primeira vez que tinhamos dormido em casa do David.


Olá :D
Espero que tenham gostado de mais este capitulo! Prometo postar novamente assim que me for possível! Deixem os vossos comentários, pois são muito importantes para mim :D Obrigada pelo apoio!
Beijinhos

Mónica

sexta-feira, 27 de abril de 2012

Capitulo 13 (parte IV)



VISÃO MÓNICA

Fui deitar-me a pensar no que tinha acontecido. Ainda parecia que estava a sonhar. Tinha mesmo falado com o Rodrigo... E apesar de não ter achado muita piada no inicio, eu tinha de agradecer à minha melhor amiga e ao Rúben. Tinham concretizado um dos meus sonhos.
-Andreia - chamei, sentando-me na minha cama, enquanto ela se sentava na dela, preparando-se para se deitar.
-Diz.
-Obrigada.
-Obrigada porquê?
-Por causa daquilo do Rodrigo...
-Oh, está mas é calada M&M! Até parece que fiz aquilo por obrigação.
-Está bem mas mesmo assim... Espera aí! O que é que me chamaste?
-M&M. Já não te lembras?
-Lembro, lembro... Só que isso agora vai-me soar um bocado... È que como falei com ele...
-Oh, não faz diferença. Ele não ouve.
-Pois...
-Bem, vamos mas é dormir que amanhã temos de nos levantar cedo!
-Tens razão. Até amanhã.
-Até amanhã.
Demorei a adormecer, pois estava sempre a pensar na mesma coisa, mas depois acabei por adormecer.
Acordei com o despertador a tocar. Levantei-me, fui tomar banho, vestir-me e depois eu e a Andy descemos até à cozinha. Tomámos o pequeno-almoço e eu fui lavar os dentes enquanto a Andy ficou a acabar de arrumar a louça na máquina. Voltei a descer alguns minutos depois, já com a minha mala e os livros.
-Recebeste uma mensagem - avisou-me ela.
-Ok. Obrigada - peguei no telemóvel, que estava em cima da mesa e abri a mensagem.
De: Rodrigo Moreno M:
      Bom dia :) Desculpa si acordei você, só quiria desejar um bom dia pra você :) Gostei muito de falar com você. Espero qui a gente possa repitir. Beijo. Rodrigo

Sorri.
-Acho que já sei de quem é a mensagem... - riu a Andy.
-Foi o Rodrigo.
-Ui. O rapaz é rápido, hã!
-Oh, não é nada disso! Ele só está a desejar um bom dia.
-Sim, sim... Bem, vou lavar os dentes para irmos embora.
-Está bem.

A partir daqui eu e o Rodrigo falámos todos os dias, fomos-nos conhecendo, contando histórias engraçadas que nos aconteceram, falando da familia, dos amigos. Cada dia conhecia um pouco mais a seu respeito e cada dia o admirava mais. Cada dia gostava mais dele. Ele mostrava ser uma pessoa humilde, atenta, divertida. Uma pessoa fantástica. A minha admiração por ele tinha passado as linhas do relvado. Admirava-o como pessoa, assim como ao Rúben e ao David. Desde o principio que demonstravam ser o contrário do que algumas pessoas diziam. Eles não eram egoístas, excêntricos e muito menos mal-encarados. Eram pessoas fantásticas de carácter humilde e de bom senso. Faziam-me sentir em família e faziam-me rir muito. Enquanto pensava tudo isto estava sentada no sofá a ouvir música. O meu telemóvel tocou. Era o Zach.
-Hey! – cumprimentei.
-Hi! How are you?
-I’m fine. And you?
-I’m fine too. Well, I don’t have much time to talk ‘cause we are on set.
-Okay, no problem.
-So, I will have Christmas holidays in December and I’m going to Lisbon.
-Oh, really?
-Yeah. I would like to know the city and I know you are going to pass Christmas there, so I thought we could meet there.
.Yeah, it’s a good idea. You can give me your address then.
-Yeah. Well, I have to go. We talk later. Love you.
-Okay. Bye Zach.
Desligou. Por esta é que eu não esperava… Só esperava que ele não estivesse a programar as férias dele desta maneira por minha causa… Acendi a televisão e fiquei a ver o telejornal. Era hora de almoço e o meu dia de folga e da Andy, mas ela tinha ido tratar de uns assuntos por isso fiquei sozinha em casa. De repente o meu telemóvel tocou outra vez. Era o Rodrigo.
-Estou? – atendi.
-Oi! Tudo bom?
-Tudo. E contigo?
-Também. Cê tava ocupada ou dá prá gente falar um pouquinho?
-Não, não estou ocupada, podemos falar.
-Você não trabalha, hoje?
-Não, hoje estou de folga.
-Então posso ficar falando com você até ir pró treino, né?
-Não sei se consegues.
-Porquê?
-Porque és capaz de ficar sem saldo nem a meio da tarde.
-Ah, mas si é por isso eu ligo aí pra casa! Espera só um pouquinho!
-Mas…
Ele desligou. Poucos segundos depois voltou a ligar-me.
-Pode mi dar o número, por favor? – pediu, fazendo um esforço para não se rir.
-Pois, eu tentei dizer-te que não tinhas o número… - ri.
-Ah, foi… Sei lá, foi a pressa!
-Pois… - desmanchei-me a rir.
-Mas pode mi dar o número, então?
Respondi que sim ainda a rir e depois dei-lhe o número.
-Agora vê lá se não te enganas e voltas a ligar-me para o telemóvel.
-Não engano, fica tranquila – desligou o telemóvel e poucos segundos depois o telefone de casa estava a tocar. Eu continuei a rir-me. – Você ainda tá rindo? Posha, não posso mais fazer asneira si não você não pára de rir.
-Desculpa… - recompus-me. – Então e têm treino a que horas?
-Às 17.00h.
-Ah, está bem...
-Então e você tá gostando de viver ai?
-Sim, estou. Só não estava habituada a tanto frio.
-È, eu também já morei ai, mas a gente tem qui si acostumar.
-Pois, mas mesmo assim prefiro o quentinho de Portugal.
-Ah, então eu prefiro o calor do Brasil!
-Não é muito quente, mesmo no Inverno?
-Pra mim não. Eu nasci e cresci lá, tou acostumado.
-Pois, mas eu acho que também é muito calor para mim. Gosto do meio termo de Portugal.
-Se você fosse viver pra lá você si acostumava.
-Hm-hm...
-Tá bom, pronto. Portugal é bom pra ficar.
-Por falar nisso, o que é que estás a achar de Portugal? Já estás aí à um ano e pouco.
-Eu tou gostando bastante. O clima é bom, não tenho problema com o idioma daqui, as pessoas são simpáticas...
-Ainda bem, porque ainda vais ter de ficar po aí durante um tempo.
-Não tem problema, nem si tiver de ficar mais tempo. Eu gosto daqui.
-Mas não tens saudades da tua familia e dos amigos que deixaste no Brasil?
-Obvio qui sim, mas eles vêem cá muitas vezes e vai dando pra matar as saudades aos pouquinhos.
-Eu não sei se aguentava. Custa-me muito ficar longe de quem gosto. Só vim para aqui em Julho e já estou a morrer de saudades da minha familia e dos meus amigos.
-È, é dificil mesmo, mas tem de ser. O futibol, o Benfica é o qui eu quero,é o meu futuro, a minha paixão, então eu tenho qui lutar por isso e isso implica alguns sacrificios, como ficar longe de quem amo.
-Pois, eu sei. A oportunidade de estudar aqui também é única e quando surgiu eu tive de fazer opções. Eu sempre quis estudar em Inglaterra e com a Andy, quer dizer, a Andreia.
-Não tem problema, eu percebi - tranquilizou-me, parecendo sorrir.
Acabámos por ficar a conversar a tarde inteira até à hora do treino dele. Parecia exagerado. Ficar uma tade inteira a conversar... Às tantas ficamos sem assunto, normalmente. Mas nós não seguimos a regra, nós conversámos a tarde inteira e sem faltar assunto. Às vezes vinha devagar, mas havia sempre. O tempo passou tão rápido que nem demos por ele a passar.
-Bom, eu tou amando falar com você, mas já tá na minha hora.
-Já? Que horas são?
-16.15h.
-Já?
-È. Passou rápido, né?
-Muito!
-Cada vez qui a gente fala é assim qui o tempo passa: rápido!
-Pois é...
-Bom, eu tenho mesmo de ir, se não vou chegar atrasado no treino!
-Sim, claro, vai lá!
-Posso ti ligar depois, ou mandar mensagem?
-Já não falaste tudo o que tinhas para falar por hoje?
-Ah, sempre tem mais alguma coisa pra dizer!
-Oh! Vai mas é para o treino!
-Mas posso ou não?
-Não sei, vou pensar!
-Ah é? Menos mal, mas quando cê dedir mi avisa! - riu.
-Hm-hm - ri também.
-Logo eu digo alguma coisa pra você, então.
-Está bem. Até logo.
-Beijo.
-Beijinhos.
Desligou. Pousei o telefone no sitio e voltei a sentar-me no sofá.
-Oh M&M!
-Hã?!
-Aleluia!
-Aleluia o quê?
-Que me ouves! Já estava a chamar-te à algum tempo e tu nada!
-Ah, desculpa. O que é que estavas a dizer?
-Que finalmente o telefone está livre! Estive ai não sei quantas horas!
-Desculpa. Estava a falar com o Rodrigo e nem nos apercebemos do tempo a passar...
-Ah, então agora já percebi porque é que estavas no mundo da lua e só deixaste um sorrisinho na terra - sorriu.
-Hã?
-Estavas aí distraida, com um sorrisinho meio parvo.
-Não estava nada! - neguei.
-Estavas pois. Eu vi.
-Não viste nada! Eu não estava a sorrir! Estava agora...
-E mesmo se não estivesses, porque é que ficaste tão incomodada? - perguntou com um sorriso insinuoso.
-Estás a ver! Eu não estava a sorrir! Tu é que estás a imaginar coisas! - tentei fugir a mais perguntas.
-Está bem, está bem... - riu. - Eu ver vi, mas posso fingir que não vi...
-Oh pá! Já chega desta conversa, por favor!
-Ahaha! Está bem. Bem, agora se me dá licença, finalmente, vou utilizar o telefone cá de casa. Tenho de me despachar porque o Bruno e a Justine devem estar a chegar.
-Dou toda a licença! - depois baixei o tom de voz. - Ao menos já não me fazes mais perguntas...
-O quê?
-Hã? Nada! Estava a pensar alto.
-Hm. Bem, já venho!
-Está bem. Vais tratar de alguma coisa importante ou vais só ligar ao Rúben ou à Ana?
-Vou ligar à Ana. Tinha prometido ligar-lhe hoje.
-Ah, está bem. Manda-lhe beijinhos.
-Está bem, eu mando.
Ela subiu para o nosso quarto e eu fiquei na sala. Fiquei a ver televisão mas pouco depois apaguei-a, pois não conseguia ficar concentrada para prestar atenção. Apetecia-me escrever. Apetecia-me soltar cá para fora uma coisa que se tinha enrolado no meu estômago e o fazia andar às voltas. Mas era de felicidade. Sentia-me com vontade de passar o resto da tarde a sorrir. Mas ia parecer uma tontinha se o fizesse, e não queria dar mais motivos à Andy para se meter comigo. Estive a escrever até à hora de jantar e nem me apercebi que já eram 20.00h, só percebi quando a Andy me despertou das minhas frases.
-Vamos pôr a mesa! - disse-me.
-Já?
-Sim. Já viste que horas são?
-Não.
-São 20.00h.
-Já?! E o jantar? Não fizemos nada!
-Eh rapariga, acalma-te! A Justine fez o jantar, não te preocupes!
-A Justine?
-Sim, eles já chegaram à bocado.
-Nem dei por eles chegarem.
-Eles não te quiseram incomodar. Estavas tão concentrada aí a escreve.
-Oh. Mas bem, vamos lá pôr a mesa! - levantei-me e fomos pôr a mesa.
Depois do jantar arrumámos a cozinha e eu subi para o quarto. Fiquei sentada na minha cama, já de pijama vestidos e os dentes lavados, a ler um livro. Entretanto comecei a ficar com sono, então fechei o livro e coloquei-o dentro da minha mala. Voltei para dentro dos lençóis quentinhos e estava a deitar-me quando recebi uma mensagem.
De: Rodrigo Moreno M:
       Oi! :D  Espero não tar ti incomodando. Só quiria dizer, como você costuma perguntar, qui o treino correu muito bem e... qui adorei conversar com você. A gente tá falando à uma semana mas eu já acho qui você é uma pessoa fantástica... Mi sinto bem conversando com você... Dorme bem. Beijo. Ti adoro :$. Rodrigo.

O sorriso tonto voltou a formar-se nos meus lábios... Cada vez gostava mais de conhecê-lo. Ao comparar com o que eu imaginava que ele pudesse ser, tinha superado as expectativas... Ele era ainda mais simpático e querido do que eu tinha imaginado...
-Lá estás tu a sorrir outra vez, agarrada ao telemóvel! - brincou a Andy, entrando no quarto.
-Oh, deixa-me! - brinquei também.
-Se isto continuar assim acho que vou começar a pensar que te estás a apaixonar pelo rapazinho!
-Não é nada disso! O rapaz só é simpático... - respondi, sorrindo.
-É, é. É simpático e giro! Por isso é que estás farta de te babar, cada vez que falas com ele ou recebes uma mensagem dele.
-Não estou nada!
-Ou quando se fala nele - continuou. - E depois ficas toda nervosa e a negar tudo e mais alguma coisa. Com tanta negação ainda vais cair em falso e admitir sem querer tudo o que estás a negar.
-Oh, não estou nada! Chata! - Olhei para o telemóvel. - Bem, vamos mas é dormir!
-Antes de adormeceres ainda te vais levantar da cama e vais responder à mensagem dele, vais ver!
-Oh Andy, deixas de me chatear? - Reclamei, meio envergonhada. - Eu só fazia isso se estivesse apaixonada por ele, e como não estou não vou fazer isso...
-Hm-hm... - riu.
Deitou-se também na sua cama e apagámos as luzes. Andei uns dez minutos a revolver as ideias e o acto final de tanta deliberação e dúvida foi levantar-me da cama e pegar no meu telemóvel para responder à mensagem do Rodrigo, tal como a Andy tinha dito que eu iria fazer, mas a parte de estar apaixonada por ele é que já não correspondia. Simplesmente estava a ser simpática com ele. Fui deitar-me e pouco depois adormeci, com o pensamento leve e a ligeira impressão que o sorriso parvo me tinha acompanhado para o mundo dos sonhos...


Olá!!
Espero que estejam a gostar e queria agradecer-vos por me seguirem e contribuirem com os vossos comentários, que são muito importantes para mim! Queria dizervos também que não tenham medo de criticar, se tiverem de fazê-lo, pois assim talvez até me ajudem a melhorar alguma coisa! Muito obrigada por me ajudarem a ter ainda mais vontade de escrever!
Beijinhos

Mónica

terça-feira, 24 de abril de 2012

Capitulo 13 (parte III)




VISÃO MÓNICA


Quando a Andy disse que o Rúben também queria falar comigo não desconfiei, mas assim que me sentei em frente do computador percebi que eles os dois tinham feito de propósito. O Rodrigo é que estava do outro lado do computador. O Rodrigo… Isto parecia-me mais um sonho que realidade… Era uma coisa que eu queria tanto que estava a custar-me a acreditar. Conversámos um bocado e fui, aos poucos, tomando consciência que estava mesmo a acontecer, no entanto, só quando recebi uma mensagem dele é que me consciencializei a sério. Já estava na sala, ao pé da Andy, mas não lhe tinha dito nada desde que tinha chegado do quarto. Ela tinha ficado calada, mas tinha olhado muitas vezes para mim, à espera de alguma coisa. Sorri ao ler a mensagem e resolvi responder-lhe.

Para: Rodrigo Moreno M:
        Olá J Também gostei muito de conversar contigo. Obrigada pelo elogio, tu também me pareceste muito simpático J Também vou gostar de voltar a conversar contigo e seria muito bom conhecer-te… Beijinhos. Mónica


Voltei a olhar para a televisão, sorrindo ligeiramente.
-Está tudo bem? – perguntou-me a Andy, meio a medo.
-Está.
-Tens a certeza?
-Tenho.
-Ok…
-Estás a estranhar por eu não te dizer nada, não é? – perguntei, olhando para ela e sorrindo.
-Ah…
-Devia. Devia estar a reclamar contigo e devia ter reclamado com o Rúben também, porque tu sabias que o Rúben não queria falar comigo e porque vocês os dois me fizeram ficar sem jeito por não estar à espera que no lugar do Rúben estivesse o Rodrigo.
-Desculpa. Mas eu sabia que se eu te dissesse que ias falar com o Rodrigo tu ias arranjar uma desculpa e ias fugir. E eu sei que no fundo tu gostaste de falar com ele – sorriu.
-Ouviste-me a dizer que não tinha gostado? – respondi a sorrir.
-Ui, pelos vistos a conversa foi boa – sorriu.
-Sim, correu bem.
-Então e já tens o número dele? – riu, gozando.
-Ele pediu-me o meu e mandou-me uma mensagem.
-A sério? É que eu estava a gozar.
-Eu sei que estavas, mas é verdade.
-Então e o que é que ele queria? Do que é que vocês falaram?
-Calma! Olha, e que tal irmos aquecer o jantar enquanto eu te conto?
-Está bem. Mas conta-me tudo!
-Olha, não queres saber as horas exactas a que cada palavra foi dita, não? – rimos. Levantámo-nos e dirigimo-nos para a cozinha, enquanto eu lhe contava a conversa.


VISÃO RÚBEN


Lembrei-me que o Rodrigo queria ir ao site da Adidas e lembrei-me que podia ajudá-lo para depois lhe perguntar, como quem não quer a coisa, se ele se importava de falar com a Mónica, na vídeo conferência que eu ia fazer com a Andy. Ele, obviamente, não era obrigado a nada, mas reparei que a atitude dele foi mais do que o desconforto ou o não-interesse quando lhe coloquei a questão. Tentei fazer com que ele me explicasse essa reacção, mas ele recusou-se e disse que não se passava não. Não acreditei minimamente, mas deixei passar, porque ele aceitou conversar com a Mónica. Subi até ao ‘’meu’’ quarto, digamos assim, e levei o telefone de casa comigo, à espera que a Andy me ligasse. Pouco tempo depois o telefone tocou.
-Então, estás bem escondida? – brinquei.
-Ahaha, não, vim para a sala. Ela pode reclamar um bocadinho, mas eu não cometi um crime, só estou a querer ajudá-la.
-Hm, está bem.
-Então e o Rodrigo, o que é que achou da ideia?
-Sinceramente, nem sei bem.
-Então?
-Não sei, quando eu lhe propus a ideia ele ficou com um ar super esquisito e não me quis dizer porquê.
-Achas que ele não queria?
-Não sei. Mas pareceu-me que ele foi por livre vontade, só que havia qualquer coisa que estava a preocupá-lo ou assim.
-Só espero que corra bem.
-Vai correr. Eu até o pus mais bem-disposto, por isso acho que não temos de nos preocupar.
-Está bem. Bem, eu agora queria ver um filme que vai dar, por isso, falamos mais logo, quando eu souber alguma coisa ou tu tiveres alguma coisa para me contar sobre a conversa deles, pode ser?
-Sim. Depois falamos, então.
-Beijinhos.
-Até logo, linda.
Desligámos. Deitei-me na cama e continuei a ler um livro que já tinha começado a ler à algum tempo. Algum tempo depois o Rodrigo veio devolver-me o computador e estava completamente diferente. Sorria. A conversa tinha corrido bem. Fomos fazer o jantar e quando ia pedir-lhe para me ajudar a pôr a mesa reparei que ele estava a sorrir, enquanto olhava para o telemóvel.
-Oh menino! Larga lá o telemóvel e vem ajudar-me a pôr a mesa! – disse-lhe, metendo-me com ele.
-Desculpa, tou indo! – desculpou-se.
Quando estávamos a acabar de pôr a mesa vi-o novamente agarrado ao telemóvel, a sorrir ainda mais que antes.
-Que sorrisinho é esse, puto? – resolvi perguntar. Só podia ser uma coisa: uma amiga especial. Ainda tentei saber quem era, mas foi impossível pois ele enrolava a conversa e depois escapulia-se. Durante o jantar notei-o um bocado distante, mas aquele sorrisinho meio parvo estava lá na mesma. Era bom vê-lo a sorrir assim. Ele estava quase sempre com boa-disposição, mas aquele momento em que ele parecia meio esquisito, quando lhe pedi para falar com a Mónica tinha-me deixado preocupado. Bem, mas pelos vistos tinha passado, e isso era bom de ver.



Olá! Bem, sei que está pequenino, mas o próximo será maior, prometo! Espero que estejam a gostar e comentem, deixando as vossas opiniões, que são muito importantes para mim! Obrigada a todos(as)!
Beijinhos

Mónica