segunda-feira, 21 de maio de 2012

Capitulo 15 (parte II)





(visão Mónica)


-Rodrigo… - chamei ainda meio a dormir.
-Hm…
-Telemóvel ‘tá a tocar…
-Hm…
O toque do telemóvel já estava a irritar-me. Sentei-me na cama e dei uns abanões ao Rodrigo.
-Acorda! Isto está farto de tocar! – disse-lhe eu, pondo o telemóvel ao pé dele. Ele abriu os olhos, a custo, e agarrou no telemóvel.
-Fala… - disse, meio sonolento, atendendo a chamada. – Ih… Desculpa, mister… Sim, tou indo… - desligou, depois de ter falado tão rápida e despertamente. Saltou da cama e dirigiu-se ao armário.
-Então? – perguntei.
-Tou atrasado pró treino!
-Hii, o avô passou-se… - comentei, falando mais comigo do que com ele.
-O quê? – perguntou ele a rir, acabando de atar os ténis.
-O mister – corrigi.
-Tá bom – sorriu. Foi ter comigo e deu-me um beijo rápido. – Tenho de ir.
-Até logo.
-Cê vai tar aqui quando eu chegar?
-Não posso?
-Pode, pode. Claro qui pode. Só qui você vai sofrer com fome.
-Eu arranjo-me.
-Tá bom. Ti amo, viu.
Deu-me mais um beijo.
-Eu também te amo. – Ele sorriu e dirigiu-se para a porta do quarto. – Bom treino! – disse-lhe.
-Brigado! - Depois voltou atrás. – Esqueci do saco – riu ele. Pegou no saco de treino da Adidas que estava junto da porta e desta vez foi mesmo embora. Agarrei-me à sua almofada e inalei o seu cheiro. Sorri e deixei-me ficar assim alguns segundos mas depois levantei-me. O sorriso manteve-se na minha cara. Fui arranjar-me e em seguida fui tirar a minha roupa da máquina de secar, depois de ter estado na máquina de lavar, a noite passada, para me vestir. Reparei que na entrada, ao lado da porta, havia uma chave suplente.
-Já é minha – ri.
Decidi então ir às compras para os armários da cozinha do Rodrigo. Pelo menos para conseguir orientar-me agora. Voltei com um saco cheio.
Sentia-me meio que importante por estar em casa dele, ter uma chave da casa (que ainda não era minha, mas ia ser) e encher os armários da sua cozinha. Parecia que me tinha mudado para cá, apenas neste pequeno espaço de tempo. Depois de comer, subi até ao quarto, fiz a cama e arrumei as coisas espalhadas e depois desci até à sala e sentei-me no sofá a ver televisão.


VISÃO RODRIGO


Depois de tanto correr atrás, finalmente ouvi ela falar qui mi amava. Depois de tantas vezes tentar conquistar ela e ela mi dar sempre o fora, consegui fazer ela cair nos meus braços. Senti qui toda essa persistência e essa luta valeram bem a pena. Depois de beijar ela, na primeira noite qui ela ficou lá em casa, eu não tive nem uma dúvida qui ela gostava de mim, mas tava custando ela si entregar. De todas as garotas qui eu já dormi, e foram poucas sim, não fiquei com nenhuma tão… Não consigo encontrar a palavra certa, mas, de todas elas, ela foi a qui mi encheu por dentro de uma maneira qui nunca tinham preenchido antes. Junto com todo o corpo dela, perfeito pra mim, imperfeito pra quem quiser, senti a essência dela qui é tão única como especial. Sim, porqui um corpo, por mais perfeito qui seja, não é nada sem uma alma, qui é a essência do ser. E a essência dela é linda. Todas as coisas boas dela mi fazem sentir a pessoa mais feliz no mundo, e as más mi dão mais força pra continuar jogando na horta da vida.
Quando eu chegasse no Caixa, o mister ia pegar no meu pé, com razão, e ia mi dar um treininho extra, mas só de pensar qui quando chegasse em casa ela ia tar lá mi esperando, podia mi dar os treinos qui ele quisesse. Cheguei correndo no campo, depois de ter mi vistido no balneário. Eles tavam terminando a corrida.
-Desculpa o atraso, mister.
-Precisaste que te acordassem hoje, hã? Custou mais a sair da cama porquê?
-Oh mister… - comecei mi desculpando, passando a mão na cabeça.
-Hm, estou a ver. Mas não pode ser todos os dias, hã. Foi hoje e mesmo assim não te safas. Toca a correr, vai!
Comecei correndo e o resto da equipa parou pra terminar o aquecimento.
-Então, quem é que é a rapariga? – perguntou o Rúben Amorim pra mim, rindo. Eu ri, meio embaraçado.
-Rúben, vê lá se queres ir dar mais umas voltinhas com o Rodrigo! – avisou o mister.
-Pode ser mister! – respondeu o Rúben, rindo na mesma.
-E respondes a sorrir e tudo, hã! Rodrigo, mais cinco voltas para ele correr mais um bocadinho! – disse o mister com um sorriso de quem tava pronto pra mandar mais voltas. O Rúben começou correndo comigo.
-Então, diz lá quem é ela. Eu conheço-a? – perguntou ele, sempre sorrindo.
-Cê tem qui tar sempre sorrindo? – respondi, tentando mi safar.
-Nã, nã, nem tentes. Não venhas que não vamos mudar de assunto. Diz-me lá quem é ela.
-Cê é chato!
-Nem tu viste metade.
-Tou começando a ter pena da Inês…
Ele deixou o sorriso cair um pouquinho.
-Está bem, pronto, já vi que não vais dizer-me quem é. Mas mete-te mesmo nas nuvens, já vi – disse ele, voltando a sorrir um pouco mais.
-Mesmo… - respondi sorrindo enquanto fixava o relvado na minha frente.
-Uuiii, que o menino ‘ta apaixonado. Muito bem, hã puto! – disse ele rindo e mi dando uma pancada nas costas.
-Oh meninas, é para correr! Isto aqui não é a casa da tia Joana, os cochichos são fora dos treinos! – gritou o mister pra gente. A gente riu mas acelerou a corrida e depois de terminar e ter feito os aquecimentos fomos treinar com o resto da equipa, qui tinha tado a rir da gente.
O treino foi normal e a gente ria e o mister reclamava, chamando a gente de galinha. O treino terminou e a equipa foi pró balneário.
-Puto, posso-te pedir um favor? – mi perguntou o Rúben.
-Fala aí.
-É pá, achas que dá para me dares boleia? É que fui pôr o carro à revisão e só lá para amanhã é que devo ir buscá-lo.
-Claro, eu ti levo.
-Obrigado.
-De nada.
Meia hora depois eu e o Rúben saímos e fomos directo pró meu carro.
-Você demorou quase quinze minutos em frente do espelho!
-Tem de ser, então! Senão elas não olham para mim!
Começámos os dois rindo e entrámos no carro. No caminho pra casa ele voltou a tentar fazer com qui eu dissesse o nome da garota qui eu tava gostando, mas não conseguiu.
-Tamo chegando, né?
-Sim. Mas vais levar-me à casa da Andreia.
-Da Andreia?
-Sim. Se não souberes onde é eu digo-te.
-Não. Eu sei. Já levei a Mónica lá. Mas você vai a casa dela fazer o quê?
-Fazer-lhe uma surpresa.
-Cê é qui sabe. Mas, não acha qui já tá saindo muito com ela? Não tenho nada a ver com isso, mas eu ouço você falar mais vezes qui vai ter com ela do qui com a Inês, e a Inês é sua namorada.
-Eu e a Inês demos um tempo – e o sorriso dele desapareceu.
-Deram um tempo?
-Sim.
-Desculpa. Quer dizer, você passa os dias sorrindo...
-Claro. Não ia passá-los a chorar nem com cara de enterro. Por mais que eu ame a Inês e por muito dificil que esteja a ser este tempo, tenho de saber aproveitar as outras coisas.
-Mas você não tá si virando demais prá Andreia?
-Ela é a minha melhor amiga e tem-me ajudado muito. Sinto-me bem ao pé dela.
-Cuidado qui cê pode si aproximar demais, mesmo sem querer...
-Fogo puto! Tu também? Já o David diz a mesma coisa.
-A gente só tá ti alertando prás coisas não cairem no torto.
-Obrigado pela preocupação, mas eu sei o que é que estou a fazer.
-Cê qui sabe. È aqui. Tá entregue.
-Obrigado. Fica bem.
-Você também. Tchau.
Depois de deixar o Rúben fui quase voando pra minha casa.
-Qui cheiro bom é esse? - perguntei, fechando a porta e colocando o saco do treino no chão, na entrada. Entrei na cozinha e vi a Mónica junto do fogão.
-O almoço - respondeu ela, desligando o lume.
-Brigado - agradeci, colocando as mãos na cintura dela e fazendo ela si virar pra mim.
-De nada - respondeu ela sorrindo também e colocando as mãos por trás do meu pescoço. Encostei ela na bancada e a comecei beijando. Só o beijo dela já mi fazia feliz e eu quiria estar sempre feliz. Um beijo não chegou então eu dei dois, dei três e dei mais um.
-Olha, eu tirei a chave que estava na entrada para pôr qualquer coisa nos teus armários.
-Pode ficar com ela.
-Pois, eu já pretendia cobiçá-la de qualquer maneira...
-Podia cobiçar uma coisa melhor, né?
-Como por exemplo?
-Não sei. A minha cama, talvez... Essa eu deixo você cobiçar e pular pra cima, si você quiser.
-Hm, pois. Mas sabes o que é que eu queria agora?
-O quê?
-Almoçar. Mexe-te! - ela si soltou dos meus braços e começou colocando a mesa. Fui ajudar ela e depois sentámos pra almoçar.



Espero que tenham gostado de mais este capitulo J
Obrigada pelas visitas e pelos comentários :D
Continuem a comentar, pois os vossos comentários são muito importantes para mim!
Beijinhos

Mónica

quarta-feira, 16 de maio de 2012

Capitulo 15 (parte I)






(visão Mónica)


Para minha sorte, começou a chover. E muito. Vi as luzes de um carro atrás de mim.
-Mónica! - Reconheci a voz, mas não olhei. - Mónica! - Voltou o Rodrigo a chamar-me. - Entra no carro!
-Não.
-Entra no carro! Tá chovendo! Cê quer fica de cama? Entra no carro! - disse ele, acompanhando o meu passo com o carro.
-Não.
-Por favor, entra nesse carro!
-Já disse que não. Podes ir-te embora.
-Entra no carro!
-Não.
-Cê tá querendo qu'eu vá aí buscar você, né?
Bufei e acabei por entrar no seu carro.
-Posha, você é mesmo teimosa! - disse ele, assim que fechei a porta do passageiro.
-Não me chateies - respondi. Ele sorriu, enquanto abanava ligeiramente a cabeça negativamente.
-Posso fazer uma pergunta pra você? - perguntou-me, pouco tempo depois.
-Não.
-Tá bom. Porqui é qui você não atendeu as minhas chamadas, novamente?
-Eu disse que não podias.
-Tá. Agora mi responde.
-Não tive tempo.
-Não teve tempo ou não quis ter?
-Não tive tempo.
-Ou não quis mesmo atender?
-Fogo, já disse que não pude!
-Eu acho qui você não quis...
-Deixa-me... Chato...
Ele sorriu.
-Agora, outra coisa.
-Não, não podes perguntar nada.
-Porqui é qui você foi embora hoje cedo sem dizer nada?
-Eu disse que não podias perguntar nada. Não quero ouvir.
-Mas eu quero ouvir a sua resposta. Pode ser?
Calei-me e olhei pelo vidro, enquanto a chuva caía fortemente, e vi um relâmpago ao fundo. Ele não disse mais nada, e de repente apercebi-me que estávamos a entrar no seu pátio, em direcção à garagem.
-Porque é que eu vim para aqui?
-Não pode ficar aqui hoje?
-Não.
-Porquê?
Calei-me uns segundos.
-Leva-me para a minha casa - pedi, mais parecendo uma exigência.
-Agora não levo - respondeu-me ele, olhando-me directamente.
-Ok. Não levas, então vou apanhar um táxi - respondi, saindo do carro, e voltando consequentemente a ficar de baixo da chuva.
-'Pera aí! - disse ele, tirando o cinto aflitivamente e correndo atrás de mim. Parou mesmo à minha frente, impedindo que eu avançasse. - Cê não vai pra lado nenhum.
Olhei para ele querendo dizer '' Sai da minha frente! Deixa-me passar!''. Desviei-me para o lado direito, mas ele seguiu-me e segurou o meu braço.
-Não faz assim. Não foge de novo, por favor...
-Levas-me a casa ou vais deixar-me passar?
-Não faz isso! Porqui é qui você foi embora hoje de manhã? Cê tem vergonha de mim? Si arrependeu de ter dormido comigo? - perguntou-me, segurando os meus dois braços.
-Vergonha?! Eu... Hã?! Não... Eu...
-Então qui foi?! Qui é qui há de errado? Fala. - Fixei o olhar no banco do jardim que estava no meu campo de visão, sem responder. Quando falou, o seu tom era mais delicado. - Porqui é qui você não fala de uma vez? Porqui qui é qui você não fala aquilo qui eu sei qui você quer falar? Porqui é qui você não diz qui mi ama como eu amo você?
-Está bem! - explodi. Ele ficou a ouvir-me com ar sério mas completamente apaixonado pelas minhas palavras. - Está bem. Eu amo-te. Amo. Amo muito. Era isso que querias ouvir? - Ele sorriu. - Mas, eu não ... Nós não podemos...
-A gente não pode o quê? Eu ti amo, você mi ama , você acabou de falar mais qui uma vez. O qui é qui a gente não pode? Porquê?
-Por causa do Zach!
-Porquê? Mas, calma, ele não é o seu melhor amigo? Qui é qui ele tem a ver com a gente?
Tentei respirar fundo.
-Ele também gosta de mim.
-Também?
-Sim. Ele falou comigo. Ele beijou-me...
-E ai você focou confusa... - disse ele parecendo triste.
-Não! Não é nada disso! Quer dizer, sim, no principio sim. Ele beijou-me, e depois tu, eu fiquei confusa, sim. Mas depois não... Eu não quero magoá-lo...
-A gente não escolhe quem ama. Ele também deve saber isso.
-Eu sei. Mas eu não quero magoá-lo. Ele é o meu melhor amigo. Não quero perdê-lo.
-Eu posso ti ajudar. Eu vou com você contar pra ele. E eu percebo o qui ele vai dizer, si for preciso eu falo com ele também - disse ele com um sorriso.
-Não...
-Oi! - pegou no meu rosto e fez-me olhá-lo nos olhos. - Eu disse qui não ia desistir de você. Não desisti e parece qui agora eu ganhei, por isso, agora, deixa eu ti ajudar.
Disse-me isto olhando-me fixamente e em seguida conseguiu roubar-me um beijo. Depois abraçou-me e ficou a olhar para mim com um sorriso meigo. De repente, ouviu-se um travão. Eu assustei-me e dei um salto. Ele desmanchou-se a rir.
-Isso tá tudo sendo muito romântico, mas eu consigo ser romântico sem ficar doente... - comentou. Eu sorri. - Vamo pra dentro? - sugeriu com um leve sorriso.
-Sim.
Corremos até à porta de entrada da casa e entrámos. Estávamos completamente encharcados e a molhar tudo. Ele tirou o casaco e pô-lo no chão à entrada. Despi o meu casaco também. Felizmente a camisola não estava molhada. Mas era a única coisa. Quando olhei para o Rodrigo, ele estava sem camisola, descalço e a tirar as calças.
-O que é que estás a fazer? - perguntei, sem no entanto deixar de os deslumbrar.
-Tirando a roupa pra não molhar a casa. Cê podia fazer o mesmo - respondeu, aproximando-se de mim. - Vamo tomar um banho quentinho e depois a gente conversa.
Ele estava tão perto de mim que já sentia dificuldade em respirar.
-Eu vou precisar de roupa... - acabei por dizer.
-Eu ti dou - sorriu. - Cê pode ir pró banheiro do meu quarto, eu tomo cá em baixo. As toalhas tão no armário.
Deu-me um beijo e seguiu para a casa-de-banho do andar onde estávamos. Eu subi as escadas e entrei no seu quarto. Estava arrumado e a cama estava feita. Assim que fechei a porta, encostei-me a esta e inspirei o seu cheiro, que impregnava todo o quarto. Deixei a porta e fui para a casa-de-banho, abri o armário e tirei uma toalha. Sentia-me tão preenchida que parecia demasiado para mim. Desde que tinha conhecido o Rodrigo, até mesmo antes, que sonhava em sentir o seu beijo, desejava o seu toque, ansiava ouvir o tom da sua voz, e agora, estava na casa-de-banho do seu quarto, da sua casa. Estava mesmo ali e já tinha tido tudo com que sonhava. Depois de tomar banho, enrolei-me na toalha e saí para o quarto. Mal abri a porta, o Rodrigo entrou no quarto também, apenas com a toalha enrolada na cintura. Os seus traços eram demasiadamente perfeitos para mim. Fiquei a olhá-lo, extasiada.
-Qui foi? - perguntou-me com um pequeno sorriso a iluminar a sua cara.
-Ahm, nada. Eu... Ainda não tenho a roupa...
-Pode procurar o qui você quiser.
-Não. Dá-me tu.
-Tá bom. Qui é qui cê quer?
-Uma coisa qualquer.
Ele abriu um armário.
-Hm. Toma essa. Acho qui vai ficar bem pra você - disse ele, segurando uma camisola vermelha.
-É melhor atirares para a cama que ela apanha mais que eu.
Ele riu-se e atirou a camisola para a cama. Depois veio ter comigo para me dar uns dos seus boxers, mas colocou um braço sobre a minha cintura e puxou-me para si.
-O que é que vieste aqui fazer? – perguntei.
-Buscar as minhas roupas.
-E ainda não as tiraste?
-Já. Mas eu disse qui a gente ia falar… - respondeu ele, tentando fazer mais pressão sobre mim.
-Pois, pois vamos… Mas primeiro vais-te vestir! – Disse-lhe eu, soltando-me das suas mãos para sair de tão perto do seu corpo. Ele deu uma gargalhada.
-Tá bom. Mi espera aqui – pediu ele, falando junto do meu ouvido, enquanto passava por trás de mim.
Assim que ele fechou a porta vesti-me e em seguida deitei-me na sua cama, a pensar. Sentia-me desperta com o Rodrigo a lutar por exaltar toda uma mistura de sentimentos dentro de mim, mas não conseguia deixar de pensar no Zach. Eu não queria magoá-lo… De repente, o Rodrigo estava deitado ao meu lado, e pôs-se a olhar para o tecto como eu.
-Qui foi? – perguntou-me.
-Tenho de pensar numa maneira para falar com o Zach.
-Não si preocupa agora. Eu já disse qui falava com ele, com você.
-Mas o que é que vou dizer-lhe?
-A verdade. Eu acho qui ele vai perceber. Quer dizer, ele sabe qui a gente não escolheu si apaixonar. Ele também não escolheu gostar de você, né?
-Não é assim tão fácil… - disse eu, começando a levantar-me para sair da cama. Ele percebeu, então colocou o braço esquerdo do meu lado direito e impediu-me de sair.
-Não vou deixar você fugir outra vez – disse-me. Eu deixei cair novamente a cabeça na almofada enquanto ele pairava por cima de mim. – Eu sei qui não é fácil, mas você vai ter qui contar pra ele na mesma. Eu vou com você, a gente fala com ele e ele vai entender. É o seu melhor amigo, né? Então ele vai perceber.
Acenei que sim com a cabeça. Ia ser difícil, mas ia ter de dizer-lhe. Entretanto, o Rodrigo, ainda a pairar sobre mim, baixou-se um pouco, de modo a unir os seus lábios aos meus. Depois deixou-se cair suavemente por cima do meu corpo e desceu as mãos até ao fundo das minhas costas, puxando-me para juntar ainda mais os nossos corpos, como se estar encostado a mim não chegasse. Beijei-o, e desta vez sem nem cuidado e coloquei as minhas mãos nos seus ombros, afastando-o devagar para o lado, de modo a dar-me espaço para me levantar. Ele ficou a olhar para mim como que à espera de uma explicação. Saí da cama e puxei a camisola para baixo, ajeitando-a.
-Tenho fome – disse eu com uma gargalhada estúpida. Ele riu, desacreditado e passando a mão pela cara.
-Eu tava ti beijando e você levanta pra dizer qui tá com fome. Você não existe…
-Oh… - segurei as pontas da camisola e sentei-me na cama. – Não reclames1 Eu vim para tua casa, tomei banho aqui, vi coisas que não devia ter visto, deitei-me ao teu lado na cama e beijei-te, por isso, agora vamos comer!
-Reclamo sim! Eu tava ti beijando e você tava pensando em comida! Mas tá bom, vamo comer, então – disse ele a rir. Levantou-se e abriu a porta do quarto. Levantei-me e ele deixou que eu saísse primeiro.
-Então e o que é que eu posso esperar dos teus armários? – perguntei, enquanto nos dirigíamos para a cozinha.
-Nada. Tenho qui encher eles.
-Hm – entrámos na cozinha e avistei no meio da mesa uma fruteira perfeita. –Isto é a sério? – perguntei, referindo-me às maçãs que estavam tão perfeitas que pareciam de plástico.
-Não sei. Experimenta trincar pra ver.
-Parvo, pá! – ri, depois de tirar uma maçã e dando-lhe um encontrão.
-Cê gosta.
-Cala-te e vai comer!
-Eu não tenho essa fome.
Lancei-lhe um olhar que pedia que não começasse. Ele começou a andar na minha direcção e rodeou a minha cintura firmemente.
-Essa camisola fica mesmo bem em você.
-Deixa a camisola em paz.
-Ela eu deixo, agora você…
-Mas tu deixas-me comer?
-Despacha.
-Estás com a pressa toda.
-Eu sou apresado.
-Desapressa-te. – Ele olhou para mim, largou-me e encostou-se à bancada em frente da bancada onde eu estava encostada. – Não vais mesmo comer? – perguntei, meio admirada.
-Não.
-Tens a certeza?
-Sim. Porquê?
-Estás sempre com fome…
-Agora não.
-Ok – respondi, encolhendo os ombros e trincando a minha maçã. Comecei a balançar os pés, sentada em cima da bancada, e ele riu-se. – O que foi?
-Cê parece uma criança – riu.
-Vê lá se queres comparar – respondi, no entanto estava a brincar.
-Até parece – sorriu.
-Até parece? Então, vocês portam-se como uns putos e eu é que sou a criança – ri.
-Tá bom. Agora vamo deixar desse papo. Já terminou?
-Não.
-Depois eu qui tenho de desapressar, né? Cê tá aí há um montão de tempo.
-Espera.
-Cê tá mi pondo doido de tanto esperar!
Eu ri-me.
-Pois. Acontece… - gozei a rir.
-Ai você tá gozando comigo? – voltei a rir. – Não faz isso comigo. Já esperei tempo demais – continuei a sorrir. Ele veio ter comigo, pousou as mãos nas minhas pernas e pediu-me um beijo. Beijei-o rapidamente. – Cê tá mi provocando… - suspirou ele com um pequeno sorriso.
-Eu? Não.
-Tá sim.
Eu fiquei a olhá-lo com um pequeno sorriso gozão. Ele ficou a olhar para mim e de repente, tirou-me de cima da bancada e pegou-me ao colo.
-Então?! – reclamei.
-Não vou esperar mais. Cê tá mi levando pró limite e se eu chegar lá, amanhã não vou levantar cedo.
-Vê lá o que é que vais fazer! Olha que eu sou uma criança! – disse eu, tentando não me rir.
-Pode ser uma garotinha, mas você mi tira do sério.
-Ah, então tu tratas assim todos os que te tiram do sério?
-Assim, só você.
-Sabes muito.
-Você ainda não viu nada.
Entrámos no seu quarto e ele pousou-me em cima da cama. Com as mãos a rodear o seu pescoço, puxei-o e beijei-o energicamente. As suas mãos acentavam firmemente no meu corpo.
-Depois eu qui sou apressado, né? – disse ele a rir, despindo a camisola.
-Não sou eu que já estou a tirar a roupa – ri.
-Culpa sua – sorri. – Mas você parou de mi beijar porquê?
-Tu é que paraste.
-Tá bom. Agora vem aqui.
Voltei a beijá-lo e ambos nos envolvemos em abraços e beijos longos. Mais tarde o sono acabou por chegar-nos. Virei-me para ele e encostei-me ao seu peito despido, sentindo e ouvindo o bater do seu coração.
-Não sei como é que estás tão quente. Está tanto frio – comentei, já com voz sonolenta.
-Pode si agarrar qui eu ti aqueço.
-Obrigada.
Ele deu-me um pequeno beijo, seguido de alguns mais longos. Depois abraçou-me mais, por baixo dos lençóis, e fechou os olhos.
-Posso dormir sem ter qui mi preocupar si você vai fugir amanhã outra vez?
-Podes – sorri levemente. – Prometo que amanhã quando acordares eu vou estar ao teu lado.
-Eu ti amo, sabia?
-Eu também te amo.
Ele beijou-me uma última vez e pouco depois adormeci.



Espero que tenham gostado de mais este capitulo :D
Desculpem pela demora a publicar, mas não consegui antes :s
Beijinhos, e comentem1 :D

Mónica

quarta-feira, 9 de maio de 2012

Capitulo 14 (parte IV)





(visão Mónica)

Acordei com o sol que entrava pela janela do quarto a bater-me na cara. Abri os olhos e espreguicei-me. Não estava no meu quarto, nem na minha cama, nem sozinha na cama. O Rodrigo estava deitado do meu lado esquerdo, de barriga para baixo, agarrado à almofada, exibindo as suas costas musculadas, destapadas pelos lençóis. Passavam-me pela cabeça imagens, lembranças e sensações da noite anterior. O seu sorriso, o seu beijo, o seu toque… O amor que me fez sentir… Tudo coisas que não podia deixar dominarem a minha mente. Podia não ter sido um erro na sua totalidade, mas tinha sido uma coisa errada. Voltei a olhar para ele. Voltei a admirar a sua silhueta, perfeitamente esculpida, com a sua pele a irradiar um brilho provocado pela luz do sol, e os lençóis a evidenciarem os traços do seu corpo tapados pelos lençóis. Desejava-o tanto que… levantei-me da cama, vesti-me e abandonei a casa, sem olhar para trás e tentando não pensar na pessoa que tinha deixado no quarto principal, para não cair novamente na tentação dos seus traços e do seu ser.

Cheguei a casa eram nove horas da manhã. A Andy ainda não tinha acordado. Era bom para mim, pois talvez não chegasse a notar que não tinha dormido em casa. Sentei-me na minha cama e despi o casaco.
-Finalmente… - disse a Andreia ainda ensonada enquanto se espreguiçava. Dei um salto.
-Finalmente o quê? – perguntei.
-Onde é que dormiste? Não me atendeste o telemóvel.
-Desculpa, estava para vibrar.
-Está bem. Agora desbronca-te lá. Onde é que andaste? A fazer o quê? Com quem? Sim, porque ontem à noite não me chegaste a dizer com qual dos dois é que foste ter…
-Inquisição agora?
-Sim. Vá, conta lá – insistiu. Ia responder, mas sacudi a cabeça.
-Agora não, Andy.
-Uii… O que é que se passou?
-Não, não, não… Agora não quero falar sobre isso Andy, por favor.
-Está bem. Mas dormiste, ao menos?
-Andreia.
-Está bem, pronto, desculpa. – O meu telemóvel começou a tocar. Fiz uma careta e deixei-o tocar, depois de ver o nome no visor. – Então? – perguntou-me a Andreia.
-É o Zach.
-Hm… Oh pá! Assim não dá! Tens de me contar com quem é que estiveste e o que é que se passou para eu poder falar!
-Não me parece. E quem é que te disse que eu quero que opines?
-Oh, não sejas má, conta lá.
-Não. Vou é tomar banho e mudar de roupa.
Ela resignou-se e afundou-se novamente na almofada. Enquanto desabotoava os botões da minha camisa, o Rodrigo voltou ao meu pensamento. O seu toque, o seu cheiro, o seu beijo… A noite anterior tinha sido perfeita, mas não podia continuar a pensar nisso, nem nele. O que eu estava a deixar acontecer era tão errado… Mas não conseguia esquecer nem um ínfimo pormenor, não conseguia deixar de sentir o meu coração a saltar-me do peito só de ouvir o seu nome, sentir um calor percorrer o meu corpo de cada vez que ele estava por perto… Saí da casa-de-banho e fui vestir-me para o quarto. O meu telemóvel voltou a tocar. Desta vez era o Rodrigo. Mandei o telemóvel para junto da almofada e bufei.
-È o Zach outra vez? - perguntou a Andy, entrando no quarto.
-Não me chates!
-Uii, isso está mesmo agreste, hã?
-Agreste é pouco - o telemóvel deixou de tocar e a Andreia sentou-se ao meu lado.
-O que é que se passa? Agora a sério. Eu não vou gozar, nem mandar bocas nem nada disso. O que é que se passa?
-Andreia, não me apetece falar sobre isso agora. Eu sei que estás a falar a sério, mas agora não. Quando eu quiser falar vais ser a primeira pessoa a quem eu vou recorrer, prometo.
-Está bem - concordou ela, sorrindo-me. O telemóvel voltou a tocar. Bufei. Era o Zach, novamente. Respirei fundo.
-Hi - disse eu, atendendo o telemóvel, mas meio nervosa. - Fine. And you?... Now? Hm. Okay. Bye. - Desliguei a chamada e fiquei a olhar para o tecto, como que a suplicar aos céus.
-Está tudo bem? - perguntou a Andy, que tinha estado sentada na secretária a assistir à sequência de caretas que eu fazia enquanto falava com o Zach ao telefone.
-Nem por isso, mas... Ele vem buscar-me daqui a meia hora.
-Passar o dia fora?
-Acho que sim.
-Estás mesmo entusiasmada, tu.
-Se as circunstâncias fossem outras...
-Ainda é aquilo do beijo?
-È. Andreia, ele põe-se a olhar para mim de uma maneira. Eu disse-lhe que precisava de pensar, mas mesmo assim ele...
-E já pensaste?
-Já, mas...
-Mas? O que é que foi?
-Eu não gosto dele. Gosto dele como o meu melhor amigo. Só.
-E decidiste isso assim tão rápido? Costumas andar aí a pensar durante tanto tempo.
-Agora estiveram outros factores no meio.
-Factores, ou um factor chamado Rodrigo?
-Faz parte do outro assunto que não me apetece falar agora.
-Hm...
-Bem, vou mas é despachar-me.
Meia hora depois o Zach chegou e eu entrei na carrinha, cumprimentei-o e pus o cinto de segurança.
-You seem strange, angel... - comentou ele.
-But I'm not... Where are we going? - perguntei, tentando disfarçar.
-At the house I'm staying. If you don't mind.
-No, it's fine.
-I missed you... You've been dodging my calls. It's everything allright?
-Yeah... You know, lots of works and any time to do other things.
-Yeah - mas não pareceu muito convencido.
Assim que entrámos na casa, despi o casaco, coloquei-o em cima do sofá e sentei-me neste. O Zach sentou-se ao meu lado e colocou um braço por trás dos meus ombros. Fez-me uma festa na cara.
-I really missed you...
-Yeah, I missed you too.
-Now, seriously. Why did you dodged my calls?
-I didn't have time.
-Why it seem like you're lying to me, angel? - perguntou-me meio triste e segurando uma das minhas mãos.
-I've been busy, Zach...
-But you don't have classes now. What are this works you have to do that you have no time to send just a message saying you're fine?
-I can't... I have lots of things to do, Zach. Sorry.
-You don't trust me anymore? 'Cause you're not telling me the thrut.
-Zach...
-If it is because of the kiss, I, I promisse I'll not do it again. I'll stand by your answer. But, please, don't lie to me. I trust you and I tell you everything and I want you to do the same.
-I can't tell you everything...
-Why not? I'm strong enough to support you and all the things you say to me, even if you think I'm not. I'm strong to support you, to live my life and to support the world if it was necessary. You can tell me everything.
-No, I can't... I don't wanna hurt you and more important than that, I don't want to lose you, to lose you're friendship.
-Hurt me?
Inspirei profundamente.
-I don't want to have this conversation now. We're both exalted and it's better talk later. - Ele olhou para a televisão, que estava apagada e largou a minha mão. - Please, don't be mad with me Zach - pedi, agarrando eu a sua mão.
-I'm not - mas a sua expressão não dizia o mesmo.
Depois de almoço o ambiente melhorou e rimos um bom bocado. Fizemos o nosso lanche junto da lareira, com as canecas de chá e boas gargalhadas, como já tinhamos tornado hábito para nós. Depois de jantar ficámos um pouco mais à conversa enquanto viamos televisão.
-Well, I have to go. It's getting late.
-I'll take you.
-Don't need it. I'll take a taxi.
-Let me take you.
-No.
-Why?
Bufei.
-Okay. You can take me at the bus stop then...
-At home...?
-At the bus stop and no more conversation!
-Okay... But call me or send me a message when you arrive home, please.
-Yeah.
Vesti o casaco e depois o Zach levou-me até à paragem, contrariado. Perto da paragem de autocarros havia uma de táxis, então comecei a andar para ir para lá.

E agora? Será que vai acontecer alguma coisa? Como é que a noite vai acabar para a Mónica?


Olá! :D
Queria agradecer, mais uma vez, a todos(as) que me seguem e que comentam e também aqueles que lêem, mas que não têm tempo para comentar... Obrigada! A vossa opinião é muito importante para mim e fico muito contente por saber que têm gostado do que escrevo! Mais uma vez, muito obrigada! :D
Beijinhos

Mónica

segunda-feira, 7 de maio de 2012

Capitulo 14 (parte III)




VISÃO RODRIGO


Eu sabia qui ela podia mi dar meia dúzia de tapas e deixar de falar comigo, mas pelo qui eu conhecia dela, isso não ia acontecer, por isso, terminei com o controle qui tava fazendo sobre o meu desejo e beijei ela. No principio ela não reagiu, mas depois respondeu si deixando levar por mim. Tocar os lábios dela com os meus e sentir a minha respiração acelerar por finalmente sentir o beijo dela mi faziam sentir completamente feliz.
-Puto, o mister vem aí!  - ouvi o Rúben mi chamando.
Tive de mi afastar dela, mas não tirei os olhos dela, tentando perceber o qui ela ia fazer ou dizer. Ela também não disse nada, então disse qui a gente falava depois e corri pró campo. Mas fiquei preocupado porqui ela não tinha mi batido nem reclamado. Começámos correndo e no fim da segunda volta olhei prás bancadas, sem parar de correr.
-Rodrigo! Volta lá ao treino que a moça já se foi embora! – chamou o mister.
Ela não tava mesmo lá. Continuei correndo e ouvi algumas risadas, mas nem liguei. Quando o treino terminou eu mi troquei e quase voei pró meu carro. Liguei prá Mónica, mas ela não atendeu o telefone, então eu mandei mensagem. Não respondeu. Conduzi até casa e voltei a ligar e a mandar mensagens durante toda a tarde. Fiquei preocupado na séria e tava ficando sem paciência pra esperar mais. Treinei em casa, tomei um banho demorado, vi televisão, joguei playstation, fiz de tudo mas não conseguia ficar quieto. Depois de jantar voltei a ligar pra ela. Ela voltou a não atender, então mandei mais uma mensagem. E finalmente, depois de tanto tentar, ela mi respondeu.

De: Mónica:
      Eu disse-te que não conhecias os defeitos. Talvez eu não seja assim tão ‘’legal’’.


Ela mi tava dando pra trás, mas eu não ia disistir. Consegui qui ela fosse respondendo, mas ela foi ficando mais inacessível novamente, então tive de escrever. Não era nem metade do qui eu quiria dizer pra ela, mas era o único jeito.


Para: Mónica:
         Pra mim não só um beijo. Foi muito mais qui isso. E já qui você não vai mi deixar ouvir a sua voz, vai ter mesmo qui ser assim. Eu ti amo. E não tou nem aí si é cedo demais. Eu mi apaixonei por você mal comecei falando com você no telefone. Você é linda, e agora eu comprovei isso também pró lado de fora. Agora qui eu provei do seu beijo, qui eu andei tentando controlar desde cedo, eu não quero ficar sem ele não. E eu acho qui não sou indiferente prá você também. Senti isso na forma como você recebeu e retribuiu o meu beijo.


Fiquei esperando mas ela não respondeu mais. Mas como dizem, ‘’quem cala consente’’, por isso fiquei com mais certeza ainda qui eu não era o único qui partilhava desse sentimento. Fiquei pensando em várias coisas pra escrever uma nova mensagem pra ela, mas nada mi soava bem pra mandar. Tudo o qui eu pensava tinha de ser dito e não escrito, tinha de ser olhado na cara dela, focando os seus olhos e mostrando qui tava sendo sincero, qui apesar de isso tudo parecer coisa de doidos eu amava mesmo ela de verdade. Porqui pra amar, basta amar a personalidade, porqui o corpo si vê e a alma si descobre por palavras qui nos trazem emoções pró coração qui nos marcam e fazem amar… Levantei do sofá, vesti o casaco, coloquei o telemóvel no bolso das calças e peguei as chaves de casa. Mesmo qui ela não mi deixasse entrar na casa dela, a Andreia mi abriria a porta. Eu tinha de falar com ela e tinha de ser hoje. Fechei a porta de casa e percorri o caminho até ao portão pensando no qui ia dizer. Fechei o portão e foi aí qui eu percebi qui tava alguém perto do meu carro qui parecia vir do meu portão. Ela tava de costas, mas mesmo assim eu a reconheci. Eu não tava mesmo enganado. Si eu tivesse, o qui é qui ela tava fazendo na minha porta a uma hora dessas, depois do qui tinha acontecido e das mensagens? Eu tinha certeza e não ia deixar ela fugir por entre as minhas mãos. Eu tinha de pegar o qui eu quiria e era o qui eu ia fazer.
-Mónica? – Chamei. – Qu’qui cê tá fazendo aqui a essa hora? – perguntei na mesma, apesar de saber qui ela tinha vindo porqui mi amava, apesar de tentar esconder. Ela começou si virando devagar.


VISÃO MÓNICA


Depois de todas as mensagens e chamadas não atendidas do Rodrigo que tinham entupido o meu telemóvel, acabei por decidir ir ter com ele. Já era tarde, mas não havia pressa, pois o dia seguinte era sábado. Depois dos transportes andei um pouco e acabei por chegar em frente da casa dele. Inspirei profundamente e fui até ao portão. Parei. Deitei o ar fora ruidosamente. Não conseguia fazer aquilo. Virei-me e comecei a andar de volta. De repente, ouvi um portão a fechar atrás de mim. Pedi que não fosse ele.
-Mónica? – parei. – Qu’qui cê tá fazendo aqui a essa hora?
Virei-me ligeiramente para a esquerda e ele estava à minha frente.
-Só estava a passar, por acaso.
-Tem certeza?
-Tenho.
-Não acho. Mas tá bom. É bom ver você.
-Pois…
-Porqui é qui cê não respondeu às minhas mensagens ou aos meus telefonemas?
-Porque… - comecei a dizer, tentando arranjar uma resposta.
-Não inventa nada não. Quero qui cê diga a verdade.
-Pois, então…
-Cê tá fugindo de mim, né?
-Não.
-Tá sim.
-Não, não estou.
-Tá sim.
-Já disse que não, Rodrigo.
Ele expirou rapidamente.
-Posha, cê é complicada, viu! – fiz uma cara espantada. Ele ficou sério. – Cê sabe qui eu gosto de você. Eu ti beijei. Eu ti disse e tou ti dizendo novamente. Da outra vez você disligou o telefone porqui tinha qui fazer uma coisa importante e tavam esperando você. Agora cê não tem de disligar o telefone porqui tão esperando você, porqui quem tá esperando você sou eu e você não vai sair daqui enquanto a gente não conversar e não si resolver – fiquei simplesmente a olhá-lo. – Porqui é qui você foge si eu vejo um brilho nos seus olhos sempre qui a gente tá junto?Porqui é qui cê diz qui não quando cê quer dizer qui sim? Porqui é qui cê foge quando eu toco você e eu sei qui você também quer? Eu quero ficar juntinho de você, quero abraçar, quero beijar você  - pegou a minha cara e fez-me olhar para ele. – Porqui é qui você foge?... – Beijou-me suavemente. Não consegui distanciar-me de tão desejosa que estava pelo seu beijo e pelo seu toque, e porque estava entre um carro e o seu corpo. Ele voltou a beijar-me, desta vez mais intensamente. Roubou o espaço ao espaço que havia entre nós e puxou-me para si. Beijámo-nos desalmadamente no meio da noite. A rua estava deserta, só com a lua como nossa confidente. Acabei por sentar-me em cima do capo do carro ao qual estava encostada, que era o seu, para ficar mais ao seu nível. Ele deixou de me beijar e puxou-me novamente para o chão, fazendo-me encostar a ele. – Vem comigo – pediu, pegando a minha mão e levando-me com ele.
 Passámos o portão e ele puxou-me, fazendo-me correr um pouco. Abriu a porta de casa e fechou-a com um encontrão, mandando as chaves para a mesinha da entrada. Puxou-me e beijou-me novamente, fazendo-me perder o pouco ar que eu tinha. Parou para tirar o casaco e mandá-lo para o sofá. Voltou a beijar-me e pegou na minha mão, levando-me escadas acima. Entrámos no seu quarto e ele fechou a porta e em seguida pegou no meu rosto e voltou a beijar-me, mais calmamente. Parou novamente e olhou para mim.
-Vai continuar negando? – perguntou-me. Eu não respondi mas olhei a sua boca e voltei a olhá-lo. Ele percebeu que eu queria o beijo então voltou a beijar-me. Pouco depois, as suas mãos desceram o meu corpo e acentaram na minha cintura. Pousei as minhas mãos no seu peito e ele respondeu, apertando-me mais contra si. Fez-me dar uns passos para trás até que as minhas pernas encontraram a sua cama. Sentei-me e ele apoiou um dos joelhos na cama. Cheguei-me para trás mais junto das almofadas Largou-me e rapidamente despiu a camisola branca com decote em V que vestia, deixando-me a olhar para o seu corpo enquanto ofegava. Os seus lábios voltaram a contactar os meus e as suas mãos pousaram nos botões da minha camisa junto do meu peito. O meu coração disparou. As suas mãos começaram a descer enquanto desabotoavam os botões. Puxámos para trás a camisa que levou o casaco consigo. Logo de seguida segurou a minha cintura novamente e acomodou-nos, depois de colocar uma das suas pernas no meio das minhas. Beijou-me uma, beijou-me duas, beijou-me três vezes e voltou a investir na minha roupa. Tirou-me a camisola e sorriu.
-Posha, quanta roupa cê tem vistida, hein? – Sorri.
Ele tocou os meus lábios durante algum tempo, mas tão ferozmente que me perdi a meio. Depois beijou o meu pescoço, dando-me tempo para voltar a respirar. Acabou por tirar-me a t-shirt e percorreu as minhas costas com os seus dedos delicados e quentes, fazendo-me arrepiar. A sua boca percorria vários pontos do meu corpo e a minha boca, fazendo-me cada toque arrepiar de maneira diferente. Eu fervia e ele escaldava. Em cada pondo que nos tocávamos queimávamos. Fazia tudo parte de uma irracionalidade que eu deveria ter controlado. Mas sabia tão bem… Continuei na ilegalidade dos comportamentos que deveria estar a ter e deixei-me levar pelo desejo que ambos sentíamos. Vi-o despir as calças e não pensei sobre o assunto. Queria-o tanto quanto ele. Já debaixo dos lençóis foi-me possível tocar os seus traços, sentir os seus toques flamejantes, os seus beijos ardentes. Descobri o mais íntimo do seu ser apenas com o seu beijo. Cada toque seu me fazia arrepiar e ao mesmo tempo sentir amada para toda a vida. Deixei de pensar na realidade de fora e só sentia a realidade que sentia no meu peito e no interior dos lençóis, no meio da cama da pessoa que estava a amar neste momento e que iria amar mesmo que o negasse.



Espero que gostem de mais este capitulo! Comentem pois a vossa opinião é muito importante para mim!
Obrigada por me fazerem ter mais gosto pelo que escrevo! :D
Beijinhos

Mónica 

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Capitulo 14 (parte II)





VISÃO RODRIGO


Na semana seguinte a Mariana veio a Portugal, como ela mi tinha dito, e ficou lá em casa. Acabei falando pra ela sobre a Mónica, porqui quando eu recebia uma mensagem dela ficava sorrindo e a Mariana percebeu qui tinha a ver com raparigas. Depois de mi ouvir ela mi pediu pra ter cuidado e ir com calma pra poder saber se podia confiar na Mónica. Os conselhos  foram bons e a companhia também, mas terminou rápido. Fui levar a minha irmã no aeroporto, de manhã. O mister marcou o treino prá tarde de novo, por isso deu tempo pra mi despedir em condições da minha irmã. Depois segui pra casa e fiquei trocando mensagens com a Mónica e mi entreti no meu tablet. Depois de almoço liguei pra casa dela, pois sabia qui ela tava lá almoçando.
-Oi - cumprimentei.
-Olá.
-Ti interrompi ou dá pra gente falar um pouquinho?
-Não,não interrompeste nada. Podemos falar sim, mas está tudo bem?
-Tou sozinho de novo.
-Então?
-A minha irmã foi embora hoje de manhã.
-Ah, pois, já me tinhas dito.
-Não gosto nada de ficar sozinho, é muito chato!
-De vez em quando sabe bem.
-De vez em quando, mas eu passo mais tempo sozinho em casa do qui eu quiria.
-Porque é que não vais passear? Sais de casa, espaireces.
-Acompanhado é mais legal!
-Pois, mas se não tens quem vá contigo vais sozinho, e até pode ser que conheças pessoas novas.
-Não tem muita graça, né.
-Andas muito esquisito.
-Ah, você pensou qui eu era perfeito? Não sou não!
-Eu sei que não. Quer dizer, eu...
-Não precisa si atrapalhar. Eu percebi.
-Por exemplo, eu também tenho defeitos... - continuou tentando se explicar.
-Oi! Não precisa se explicar, eu entendi.
-Ok...
-Você si preocupa muito, sabia?
-Preocupo-me muito com o quê? - perguntou confusa.
-Você si preocupa demais em parecer bem pra mim. Eu sei qui todo mundo erra, é normal, não precisa tentar esconder as falhas. As pessoas são bonitas também porqui erram. E eu gosto de você pela pessoa maravilhosa qui você é, não vai ser um erro qui vai mudar isso.
-Ah... Se calhar é suposto eu dizer obrigada, não é?
Eu ri.
-Tá vendo? Qual é o erro qui vai mi fazer deixar de gostar desse seu jeito?

-Acho que é melhor começares a cortar com os elogios assim, se não vais ficar a falar sozinho.
-Porquê? Tou sendo muito chato?
-Não, mas estás a deixar-me sem saber o que dizer... - respondeu meio envergonhada.
-Tá bom, desculpa, eu não quiria deixar você sem jeito. Só tava transmitindo pra você o qui eu penso.
-Está bem... Bem, eu não estou a tentar fugir nem nada assim, mas eu tenho de desligar. Tenho de ir trabalhar.
-Tá bom. Depois a gente fala. E obrigado por ter mi feito companhia esse tempinho.
-Não tens de agradecer. Eu gosto de conversar contigo.
-Eu também gosto muito de conversar com você - sorri.
-Bem, tenho mesmo de ir. Até logo.
-Beijo.
-Beijinhos.
Ela desligou. Eu ia falar mais uma coisa pra ela, mas não consegui qui as palavras saíssem. Não qui eu não quisesse dizer, mas talvez ela não reagisse muito bem si eu dissesse pra ela um '' Ti adoro'' assim de repente. Liguei a televisão e fiquei assistindo um filme até serem horas de ir embora pró treino.

Cheguei no Caixa e ainda faltavam 10 minutos pró treino começar. Fui até ao balneário mi equipar e depois fui pró relvado, onde o Rúben já tava.
-Oi gente! - cumprimentei todos.
-Olá! - responderam.
-Então puto, tudo bem? - perguntou o Rúben.
-Tudo, e com você?
-Também. Então e a tua irmã foi embora hoje, não foi?
-Foi. Porquê?
-È que o Mauro já voltou a chatear.
-Ahaha! Tadinho de você, né? - brinquei.
-Estás muito bem-disposto, hã? Aposto que estiveste a falar com a Mónica.
-Porqui é qui cê tá dizendo isso?
-Porque cada vez que falas com ela ficas super bem-disposto.
-Ah, cê também não tem muito qui falar. Você fica igual sempre qui fala com a Andreia!
-E se acabassemos esta conversa, hã?
-Cê tá fugindo do assunto, Rúben!
-Eu dou-te o fugir do assunto!
Comecei correndo pra fugir dele e passei pelo mister, qui tava si dirigindo pra junto do resto do plantel. A gente regressou pra junto do grupo.
-Boa tarde, rapazes! - cumprimentou o mister. - Parecem muito bem-dispostos, hã?
-È mister, aqui o Rodrigo está muito contente, agora! - riu o Rúben.
-Ai é? Então e é por algum motivo em especial? Ou é só porque estamos em primeiro lugar?
-Não mister, o assunto é uma rapariga - respondeu com um sorriso trocista, olhando pra mim. - Ele fica muito contente quando fala com ela!
-Oh Rúben, dá pra você parar? - pedi.
O plantel já tava rindo e até o mister já tava deixando aparecer um sorriso.
-Bom, se o assunto são raparigas vamos deixar esse assunto e vamos mas é ao treino, que vocês já andam a dispersar muito! - disse o mister.
Começámos a corrida inicial.
-Mas vá, agora a sério - falou o Rúben. - A Andreia e a Mónica vêem a portugal dentro de pouco tempo.
-Sério? - perguntei curioso.
-Sim. Vêem cá no inicio de Dezembro e depois nas férias de Natal.
-Qui bom!
-È, que bom, não é Rodrigo? Se não começarem a correr mais rápido vai ser bom dar mais umas voltinhas! - brincou o Nélson, passando pela gente. O Rúben riu.
-Eu sei porque é que é bom. Vais ver a Mónica pela primeira vez, não é?
-È - respondi.
-Estás a ver como eu sei!
-È, cê sabe sim! Mas agora vamo correr rápido antes qui o mister mande a gente dar mais umas voltinhas!
-È, vamos, se não o menino começa a corar! - riu ele.
Eu sorri mas não respondi. Depois do treino tomei um duche, troquei de roupa e dirigi de volta pra casa.

As semanas foram passando e eu tava super ansioso qui chegasse o final do mês. Já tinha combinado com o Rúben e já tinha avisado a Mónica qui nós os dois iamos buscar elas ao aeroporto. Por agora iam ser três dias, mas iam ser o bastante pra conhecer a Mónica. Todos os dias pensava qui faltava pouco pra isso acontecer. Os treinos corriam bem e os jogos corriam melhor. Tava tudo correndo muito bem e ia correr melhor, esperava eu, em breve.
-Oi! - sorri, assim qui ela atendeu o telefone.
-Olá.
-Tava ocupada?
-Não. Subi agora para o quarto para ler um bocado.
-Si quiser ler eu desligo.
-Não! Não, desligues! Eu posso ler depois.
-Tá bom, então. Como é qui foi seu dia hoje?
-Normal. Escola, trabalho, trabalhos de casa, jantar e agora a falar contigo.
-Virou rotina, agora?
-Pelos vistos sim. Agora falamos todos os dias - riu.
-Pois. Mas eu mi sinto bem falando com você todos os dias.
-È, eu também já me habituei... - sorriu.
-Faltam dois dias pra vocês virem... - comentei.
-Sim...
-Depois a gente vai poder conversar melhor... Vamo poder falar na frente um do outro...
-E se não for tão bom como é por telefone? Quer dizer, eu vou ficar meio sem jeito quando te conhecer, na sexta.
-Vai ser melhor!
-E se ficares decepcionado? Posso ser diferente do que tu pensas... - ela tava insegura, isso era uma certeza, mas não precisava.
-Você não vai mi decepcionar. Eu já falei pra você: eu gosto de você pela pessoa maravilhosa qui você é, não pela maneira como você se veste, si você é mais baixa ou mais alta qui eu, si a sua gargalhada parecer esquisita... O qui eu conheço eu gosto, o qui eu não conheço vou conhecer e depois vou aprendendo a gostar, o qui eu acho qui não vai se dificil.
-Tens a certeza que não vais ficar decepcionado?
-Absoluta. Bom, eu não vou ti incomodar mais, você deve tar cansada e tem qui si levantar cedo assim como eu também tenho, por isso acho melhor a gente ir deitar.
-Sim, ia pedir-te para falarmos amanhã, porque já estou mais para lá do que para cá.
-Ahaha! Tá bom, então eu ti ligo amanhã.
-Está bem.
-Beijo. Dorme bem.
-Tu também. Beijinhos.
-Espera! - pedi, antes qui ela desligasse. - Eu quiria ti dizer uma coisa.
-Diz.
-Mas promete qui não fica chateada?
-Chateada porquê?
-Poqui eu quiria ti dizer... - hesitei um pouco.
-Diz. Eu não vou ficar chateada.
-Não?
-Não.
-Tá bom, então, eu ia ti dizer qui... Eu ti adoro.
-Ah... Eu também gosto muito de ti - disse els falando muito rápido pois estava envergonhada, dava pra notar no tom de voz. Eu gostei muito de ouvir a resposta dela, tanto qui o sorriso voltou a aparecer nos meus lábios. Mas eu não quiria qui ela ficasse ainda mais sem jeito.
-Ah, bom, obrigado. È, é melhor a gente ir deitar, então.
-Pois é.
-Então eu amanhã ti ligo.
-Está bem.
-Beijo.
-Beijinhos.
Desliguei. Depois fiquei sorrindo, sentado no sofá. Mas de repente alguma coisa veio à minha mente. Depois de ter dito aquelas palavras prá Mónica eu já não ia poder voltar atrás. Tava permitindo o meu coração a si abrir mais pra ela. O medo lá do fundo tava mi gritando pra eu mi proteger, mas eu não sentia necessidade nenhuma disso. Mi sentia livre, leve e solto, como dizem. Sentia qui não precisava ter medo, qui dessa vez podia amar e nao ia sofrer mais...


VISÃO MÓNICA


-O Rúben vai mesmo buscar-nos ao aeroporto? - perguntei eu à Andy, assim que entrámos no avião. Iamos aproveitar a tarde para irmos mais cedo passar o fim-de-semana a Potugal.
-Vai. E o Rodrigo vai com ele. Finalmente vais conhecê-lo, hã! - sorriu.
Eu sorri timidamente. Estavs nervosa. Já falava com ele à algum tempo, por mensagens e ligavamos um ao outro para falar um bocadinho, e tinhamos-nos visto uma vez pela web, mas nunca tinhamos estado realmente cara a cara. Eu sabia o seu aspecto fisico, porque ele está sempre a aparecer na televisão e nos jornais. Lindo. Mas ele não sabia o meu aspecto. Mas pelo que ele dizia e pelas mensagens, não importava. Gostava de mim pela ''pessoa maravilhosa que eu era''. Esperava que assim fosse depois de nos conhecermos, porque depois de começar a falar com ele passei a admirá-lo mais como pessoa.
-Estás nervosa? - perguntou-me a Andy, tirando-me a atenção dos meus pensamentos.
-Um bocado. Estou com medo que ele fique decepcionado ou assim quando me vir.
-Oh, ele não te disse que isso não importava? Queres que te volte a lembrar as palavras dele?
-Não, não é preciso. Elas fazem eco na minha cabeça a toda a hora. Mas mesmo assim fico nervosa.
-Entao deixa o eco das palavras e manda o resto embora. Não sei para que é que estás com essas coisas. Tu não és feia, e eu já te disse e ele próprio te disse também que isso não é o mais importante. Ele gosta da tua maneira de ser, isso chega.
-Está bem - respondi, no entanto ainda não estava completamente tranquila e não ia ficar até estar com ele.
-Ai a minha vida! Agora tenho de estar a aturar crises de insegurança - brincou ela, tentando aliviar. Resultou. Eu ri-me.
-Está bem, vou tentar mandar a crise embora - ri.
-Acho bem - sorriu.
Quando aterrámos fomos buscar as malas e a Andy ligou ao Rúben para saber onde é que eles estavam.
-Vamos ter com eles à entrada do aeroporto - anunciou ela.
-Está bem.
-Respira, se faz favor.
-Está bem
-Pára de dizer está bem e faz o que eu te peço, por favor.
-Está bem - respondi, involuntariamente.
Depois explodimos os dois às gargalhadas. Pelo menos serviu para aliviar alguma tensão. Seguimos para a entrada do aeroporto e avistámos uma multidão. Eles estavam na origem. Destribuiam autógrafos e beijinhos e fotografias, sempre com uns mega sorrisos.
-Não nos vamos meter lá agora - disse eu.
-Claro que não. Vamos esperar. Vou só mandar uma mensagem ao Rúben a dizer que já chegámos. Pode ser que eles se despachem mais rápido.
-Está bem - respondi, fixando o olhar no meio da multidão.
-Não começes com os ''está bem'' - pediu ela com um sorriso.
-Não, não começo - ri.
Depois abstraí-me do resto e fixei a minha atenção numa só pessoa. Observei a maneira como ele dava os autógrafos, esquerdino, a maneira como sorria ao olhar para a câmara para tirar uma fotografia com os fãs e a maneira como alegrava os fãs ao cumprimentá-los, tudo isto, uma forma também de agradecimento da sua parte pela força e o apoio que eles lhe davam. Estava novamente mergulhada nos meus pensamentos, que nem tinha reparado que os fãs já tinham ido embora e eu já só o observava a ele. O seu olhar cruzou o meu e ele sorriu-me. Sorri de volta. A Andy já devia estar à meia hora a chamar-me, porque agora ela teve de dar-me um encontrão.
-Oh M&M! Já estou farta de te chamar, e tu nada.
-Oh quê?! - ela riu-se. - Não tem piada. Ainda por cima eles já estão... A vir na nossa direcção - constatei, ao olhar na direcção deles.
-Só assim é que ouviste. Pois, era para te dizer isso - riu.
-Olá meninas - sorriu o Rúben ao cumprimentar-nos.
-Olá - dissémos. O Rúben avançou na direcção da Andy e abraçou-a.
-Então linda, como é que estás?
-Óptima - sorriu ela.
-Mónica - disse o Rodrigo a sorrir, fazendo-me tirar os olhos do Rúben e da Andy.
-Olá - respondi timidamente.
-Posso cumprimentar você, ou...
-Não, claro que podes.
Ele sorriu abertamente e veio cumprimentar-me, demoradamente, com dois fortes beijos na cara. Cumprimentei-o da mesma maneira. Ele cheirava deliciosamente bem.
-Gosto do seu beijo - sorriu. Eu sorri timidamente. - Tou falando sério. Seu beijo é doce - voltou a sorrir.
-Obrigada - agradeci, meio envergonhada novamente.
-Bem, vamos embora? - sugeriu o Rúben, dirigindo-se a nós dois. - Não te esqueças que temos treino logo, puto.
-Pois é - respondeu o Rodrigo.
-Queres vir ver o treino, Andy? - perguntou o Rúben.
-Querer eu queria, mas já combinei com os meus pais ir lá a casa.
-E você não quer vir? - perguntou-me o Rodrigo, olhando-me meio que esperançoso. Olhei regusiosamente para a Andreia, que me indicava com o olhar para eu dizer que sim. - Eu levo você em casa, depois.
-Não é preciso, eu volto de transportes.
-Mas então você vai?
-Vou - sorri. Ele sorriu também.
-Bem, então já que trouxemos os dois carro, que tal eu e a Andy levarmos as malas delas para casa e vocês os dois vão dar um volta e conversar a sério, hã? - propôs o Rúben.
-Por mim - disse o Rodrigo, olhando para mim.
-Está bem - aceitei.
-Então vá, Mónica. Dá-me as tuas malas que eu e a Andy levamos para vossa casa. - Dei as malas ao Rúben.
-Então, até logo - sorriu a Andy.
-Até logo - sorri também. Ela e o Rúben viraram costas e começaram a dirigir-se para a saida.
-Onde é qui cê quer ir?
-Não sei, escolhe tu.
-Não, escolhe você. Mi mostra um sitio qui eu não conheça.
-Ui, então estás com pouca sorte. Se calhar até conheço menos que tu.
-Então, você qui é a portuguesa e eu qui conheço melhor o pais?
-Pelos vistos - rimos.
-Você já foi alguma vez ao Estádio da Luz? - perguntou-me.
-Não. Quer dizer, só do lado de fora - respondi, sorrindo, ao lembrar da minha ilegalidade e da Andy, quando tínhamos 17 anos.
-Assim não tem graça. Qu'qui cê diz de a gente ir prá lá agora? A gente dá uma volta, conversamos e você fica conhecendo o Estádio dos pés à cabeça.
-Está bem, podemos ir - ri.
Fomos até ao seu carro, um BMW X3 Branco e fomos para o Estádio.Assim que lá chegámos parámos para lanchar e em seguida fomos ver as lojas. Ficámos mais tempo na Adidas, onde ele se perdeu e eu me perdi em seguida, tal era a envolvência que soava nas suas palavras.Fiquei a saber onde é que ele se perdia. Quando finalmente saímos da Adidas eram horas do treino. Ele foi equipar-se enquanto eu desci até ao relvado e fiquei a observar.
-Grande, né? - disse o Rodrigo, chegando a correr.
-È.
-È lindo.
Sim - concordei.
-Você também.
-Obrigada - agradeci, meio sem jeito, olhando para o relvado. - Bem, eu vou andando para as bancadas porque daqui a nada vocês começam o treino.
-O mister ainda vai demorar um pouco, e eles tão só si divertindo antes do treino.
-Sim, mas vou já andando.
-Então eu vou com você até o treino começar.
-Tu é que sabes.
Fomos até às bancadas e sentámos-nos. Eu fiquei a observar o resto do plantel a fazer as suas brincadeiras, e sentia o olhar do Rodrigo preso em mim. Olhei para ele e sorri, voltando em seguida a olhar para o campo.
-Eu tava falando sério quando disse qui você é bonita. Eu sei qui você tava preocupada com isso, mas agora não precisa mais.
-Obrigada.
-Não tem qui agradecer.
-Tens-me elogiado muito, mas tu ainda não recebeste elogios. Assim não vale - brinquei.
-Pode mi elogiar si você quiser.
-Aah...
-Também pode pôr defeito - riu. Eu sorri. - Mas eu gostava mesmo de ficar sabendo o qui é qui cê gosta e o qui é qui cê não gosta em mim - pediu.
-Bom, está bem - respondi, meio relutante.  -Eu gosto... - ele fixou o olhar em mim - do teu sorriso... - ele sorriu ainda mais - dos teus olhos... do teu cabelo... - rimos os dois - e pode parecer estúpido, mas, eu gosto das tuas mãos.
-Das minhas mãos? - perguntou, meio confuso mas sorrindo na mesma.
-Sim. Não consigo dizer porquê, mas gosto  -ri. Ele sorriu.
-Então e o qui é qui você não gosta? - perguntou.
-Por enquanto ainda não desgosto de nada  - sorri.
-Isso é bom - sorriu também.
-Então mas, tu já me elogiaste muito mas ainda não me disseste concretamente o que gostas e não gostas em mim  - disse eu.
-Tá bom, então eu vou dizer.
-Diz.
Ele fez um mega sorriso.
-Eu gosto do seu sorriso, do seu olhar, do seu jeito quando você anda - eu ri. Isto tinha soado ainda mais esquisito do que quando eu tinha dito que gostava das mãos dele - , gosto de você.
-É a primeira vez que estás comigo e já gostas de tudo sem veres os defeitos. Se calhar é um bocadinho precipitado dizeres já isso. - Apesar de estar a dizer isto, sentia que eu também dissera o mesmo, e sentia isso, apesar de ser a primeira vez que estava com ele.
-Não. Eu sinto como si eu conhecesse você desde sempre. A gente começou falando à pouco tempo e eu nunca tive perto de você antes, mas não parece.
-Pronto, até tens razão  -ele sorriu.
-Você é fantástica, sabia?
-Oh, também não exageremos - disse eu , olhando para ele assim que ele voltou a olhar para mim.
-Eu não tou exagerando. Tou falando sério.
-Oh.
Ficámos a olhar um para o outro.
-Desculpa, mas não tá dando mais... - disse ele.
-O quê? - perguntei, sem perceber o que ele queria dizer. Ele olhou para mim ansiosamente e depois beijou-me. Apanhou-me de surpresa, mas rapidamente me deixei envolver pelo movimento suave e doce dos seus lábios contra os meus. Era um beijo cuidado e receoso da reacção que eu iria ter. Não ia bater-lhe, nem gritar-lhe ou algo assim. Na verdade nem sabia bem o que é que ia fazer. Agora só queria sentir o toque dos seus lábios que me deixavam abstraída de tudo o resto, neste momento, depois via o que é que fazia, nem que fosse ficar com um ar estúpido a olhar para ele sem dizer nada. A abstracção e ao mesmo tempo a concentração no beijo terminaram assim que ouvi uma voz do campo.
-Puto, o mister vem aí! - disse o Rúben. O Rodrigo recuou, sem deixar de olhar para mim. - Desculpem... - disse o Rúben novamente, embaraçado.
Mais ninguém disse uma palavra, no entanto, o olhar do Rodrigo perscrutava-me parecendo ter algo a dizer, mas sem que as palavras conseguissem ser ditas.
-A gente fala depois... - disse ele, ainda em transe, saindo em seguida a correr para ir para o campo.
Eu continuei estática. Apenas o meu raciocínio funcionava e mesmo assim não estava nas melhores condições. Revi mentalmente aquele beijo. Tinha sido fantasticamente delicioso e voltaria a repeti-lo todas as vezes que quisessem, mas, apesar de querer não ia, não podia voltar a fazê-lo. Esta era uma situação em que desejamos muito que aconteça algo com alguém e esse alguém também quer estar connosco, ou pelo menos assim o dá a entender, mas depois, temos outro alguém que nos ama de uma forma que não queremos. Então, para não magoarmos a pessoa que nos ama no momento inoportuno, recusamos e reprimimos o mais que conseguimos os nossos desejos, magoando-nos a nós mesmos mas também talvez a quem nos ama e seria correspondido... O plantel já tinha dado duas voltas ao campo, mas eu não conseguia permanecer ali, onde estava o pecado físico que me fizera apaixonar apenas com palavras sinceras e uma voz doce... Saí do Estádio e segui para casa.

Quando cheguei a casa eram horas de jantar. Fui até ao quarto e deitei-me em cima da cama. O meu telemóvel voltou a tocar pela milionésima vez. Já não olhei, pois sabia quem tanto queria ouvir a minha voz. Parou de tocar mas cinco minutos depois recebi aquela que devia ser a milhenta mensagem da mesma pessoa. Estava a desesperar por ele não desistir, como ele devia estar a desesperar por eu não lhe dizer nada. Abri a mensagem.

De: Rodrigo Moreno M:
       Já mandei mil mensagens e já liguei mil vezes pra você, mas isso é pouco pra mim. Não vou desistir de falar com você. A gente tem qui conversar sobre o qui aconteceu hoje no treino, por favor. Você é uma garota legal e ia ser muito legal também si você atendesse o telefone.

Pronto, depois de conseguir não dizer nada com todas as mensagens, cedi a responder a algo que ele escrevera.



Para: Rodrigo Moreno M:
          Eu disse-te que não conhecias os defeitos. Talvez eu não seja assim tão ''legal''.


De: Rodrigo Moreno M:
       Eu não quero saber dos seus defeitos. Talvez quem tá errado sou eu, mas só  tou pedindo pra conversar pra resolver as coisas. Você sabe onde eu moro. Si você quiser aparece lá quando der mais jeito pra você. Ou posso ir ter na sua casa.


Para: Rodrigo Moreno M:
          Eu não vou a tua casa e muito menos quero que venhas a minha casa agora. E acho que não há nada para resolver. Foi só um beijo.


De: Rodrigo Moreno M:
       Pra mim não foi só um beijo. Foi muito mais qui isso. E já qui você não vai mi deixar ouvir a sua voz, vai ter mesmo qui ser assim - parei de ler. Eu queria ler o que estava escrito, mas que não devia estar. Voltei à mensagem.  - Eu ti amo. E não tou nem ai  si é cedo demais. Eu mi apaixonei por você mal comecei falando com você no telefone. Você é linda, e agora eu comprovei isso também pro lado de fora. Agora qui eu provei do seu beijo, qui eu andei tentando controlar desde cedo, eu não quero ficar sem ele não. E eu acho qui não sou indiferente pra você também. Senti isso na forma como você recebeu e retribuiu o meu beijo.


Fiquei a olhar para o visor. parecia que toda a gente tinha decidido amar-me da mesma maneira e ao mesmo tempo...
-Já chegaste?  -perguntou-me a Andy, entrando no quarto.
-Sim - respondi, com uma voz não totalmente dentro da conversa.
-Estava a tomar banho, nem te ouvi.
-Pois.
-Então e o treino, foi giro?
-Foi.
-Deve ter sido super entusiasmante. Pela tua vozinha.
-Foi giro. Só estou cansada.
-Sim, sim. Engana-me que eu gosto. Olha, então e o Zach?Já falaste com ele?
-Temos falado por mensagens e ele deu-me a morada da casa que ele alugou cá.
-Ah, está bem. Bom, vamos jantar?
-Já está feito?
-Já. Eu fiz antes de ir tomar banho. Está no forno para continuar quentinho.
-Obrigada Andy.
-Oh. Anda lá, mas é.
Levantei-me e depois de pôr-mos a mesa jantámos. Eu lavei a louça e depois fui sentar-me ao lado da Andy no sofá a ver televisão. Apesar de não estar a prestar atenção alguma.
-Bem, eu vou deitar-me. Ainda ficas aqui?
-Fico - respondi.
-Ok. Até amanhã.
-Até amanhã.
Continuei a olhar para a televisão sem prestar atenção. A minha cabeça latejava a cada bater do coração, que batia desesperadamente por mais um toque do Rodrigo...
-Olha, vou sair. Não sei quanto tempo é que vou demorar - disse eu à Andy, entrando no quarto para ir buscar o meu casaco.
-A esta hora? - perguntou ela preocupada, enquanto se deitava.
-Sim. Tem de ser. Senão não vou conseguir dormir hoje.
-Qual deles é que é? O Zach ou o Rodrigo? É que só eles é que te conseguem provocar uma atitude destas.
-Até logo - disse eu passando a porta do quarto, em direcção às escadas.
-Diz lá quem é!
-Depois falamos. Até amanhã - respondi, quando já estava a meio das escadas.



E agora, o que será que a Mónica vai fazer?


Obrigada pelos comentários! Obrigada por me seguirem! Obrigada por me ajudarem a ter mais vontade de continuar! :D
Beijinhos

Mónica