quinta-feira, 24 de maio de 2012

Capitulo 15 (parte III)









(visão Rodrigo)

-Eu fiz o almoço, por isso, tu lavas a louça - disse ela pra mim, si levantando da mesa. Levantei também e levei a minha louça pró lava-louça.
-Mas você pode mi ficar fazendo companhia, né?
-Companhia ou a empatar-te?
-Companhia.
-Está bem.
Eu mi coloquei na frente do lava-louça e ela si encostou na bancada, do meu lado esquerdo.
-Você alguma vez foi numa festa de gente conhecida? - perguntei, terminando de lavar o último prato, depois de a gente ter ficado só trocando olhares e sorrisos.
-Não. Porquê?
-Você gostava de vir numa comigo?
-Não sei. Que festa?
-A Gala de Natal do Benfica - peguei no pano e sequei as mãos.
-A sério?
-Claro. Então, cê quer vir comigo?
-Quero! - respondeu, sorrindo muito.
-Sério?
-Sim! - sorriu ela, rodeando o meu pescoço e si encostando em mim. Eu sorri.
-Cê quer qui eu vá com você comprar o vistido ou cê quer ir com a Andreia?
-Eu vou depois com ela.
-Tá bom, então - tirei a carteira do meu bolso de trás das calças. - toma. Ti dou já o código.
Estendi pra ela o meu cartão de crédito, mas ela ficou olhando, surpresa.
-Estás-te a passar. Não me vais pagar nada e muito menos dar-me o teu cartão de crédito.
-Cê pode parar? Você vai comigo e eu quero ti pagar as coisas.
-Rodrigo...
-E tem qui fazer as compras rápido. A Gala é dia 23.
-Faltam duas semanas...
-Sim. E...é melhor eu conhecer os seus pais logo. Na Gala vão fotografar muito a gente.
Ela si engasgou.
-Mas a Gala é dia 23.
-E daí?
-Dia 24 é suposto estarmos com a familia.
-È, os meus pais vêem cá... E você mi deu uma ideia.
-Uma ideia? - perguntou ela meio qui desconfiada.
-Bom eu tava pensando qui, eu quero conhecer os seus pais e você vai ter qui conhecer os meus, não é? - ela acenou meio a medo. - Então, dia 24, a gente faz um jantar aqui em casa com os seus pais e os meus.
-Hã?!
-È essa a minha ideia.
-Ah... Não, não achas que é um bocado cedo demais? Quer dizer, eu amo-te, muito, mas, nós só começámos a namorar ontem...
-Eu sei. Mas, na Gala não vão largar a gente, e mesmo qui a gente diga qui não tá junto, você vai sair em tudo quanto é jornal e revista como a ''Possível dona do coração do jogador do Benfica, Rodrigo Moreno''. A gente não vai conseguir evitar, por isso, si a gente apresentar logo os nossos pais é melhor. Isso é o qui eu acho.
-Sim, tens razão.
-Para além de qui eu não tenho dúvida nenhuma qui quero tar com você pra valer. - Sorri e abraçei ela.
-Eu também - sorriu ela, mi beijando de seguida.
-Pronto. Então agora , você vai aceitar isso - peguei o meu cartão de crédito e coloquei no bolso de trás das calças dela - e não vai reclamar, viu - terminei dando um pequeno beijo nos lábios dela e a soltei pra ir buscar uma caneta na outra bancada do nosso lado.
-Não posso dizer nada contra, não é?
-Nem uma palavra.
-Está bem. Tens é de me dar o código.
-Dá a sua mão aqui - pedi. Ela estendeu a mão direita.
-Faz cócegas. Despacha-te - riu ela enquanto eu escrevia na sua mão.
-Ah você tem cócegas...
-Sim... Muitas...
-Então já sei como qui vou mi vingar de você - brinquei.
-Rodrigo, por favor, não. Se fizeres eu não vou conseguir parar de rir… - sorriu ela, meio qui com medo.
-Tá bom. Agora eu não tenho nada pra cobrar mesmo. Você aceitou ir comigo na Gala e mi deixou ti pagar as coisas, por isso.
-Isso de pagar as coisas foi meio que obrigada, mas está bem.
-Bom, vamo subindo?
-Para quê?
-Pra matar a saudade.
-Já é assim tanta?
-É.
-Mas não vamos demorar muito, porque eu tenho de ir para casa… Oh, fogo! O meu telemóvel!
Ela saiu correndo as escadas e eu segui ela até ao quarto. Ela pegou no telefone. Chamando.
-Hey! Sorry, I completly forgot… Yeah. No, I’m fine, I just forgot to call you. Really sorry… Okay… Zach, I need to… Yeah, but… Okay. Have fun. Yeah, then you tell me. Love you. Bye.
Respirou fundo, enquanto eu via ela, encostado na ombreira da porta. Chamando novamente.
-Estou? Andy, desculpa não ter dito nada, só que aconteceu uma coisa e… Sim, está tudo bem… Não… Não, não, falamos depois… É pá, não, chata! Depois… Não sei. Depois eu mando mensagem. Até logo. Beijos.
As caras dela enquanto falava com a Andreia no telefone mi fizeram rir.
-Qual é que é a piada? – perguntou ela, colocando o telefone em cima da cama.
-As suas caras são demais – ri, indo pra junto dela e a abraçando.
-Pois, já me tinham dito.
-Você e a Andreia si dão mesmo bem…
-Oh, damos, só que andamos sempre a mandar bocas uma à outra e assim.
-É, no fundo, vocês si amam. É como o Rúben e o David – ri.
-Não vamos comparar. Eles sim são demais. É tão mau quando estão os dois – riu ela mi abraçando também.
-Não é assim tão mau, mas tá bom. Agora, será qui eu posso cobrar o meu tempinho?
-Podes – ela sorriu e me começou beijando. Coloquei a mão por baixo da camisola dela, e assim qui toquei a pele das costas dela ela si arrepiou. – ‘Tás frio!
-Tive lavando a louça.
-Oh.
-Mas vem cá. Eu prometo qui não faço mais isso enquanto não tiver quentinho.
Ela voltou a mi abraçar e eu mi encostei a ela beijando o seu pescoço.
-Não venhas com ideias que tens de me ir levar a casa…
Notei na voz dela qui ela quiria a minha ideia, mas tinha de ir embora.
-Janta comigo e depois eu ti levo em casa  -pedi, continuando com os beijos.
-Está bem.
-Então a minha ideia pode voltar, né? A gente tem tempo de sobra…
Ela riu e depois mi beijou.


VISÃO ANDREIA


Estava na sala a ver televisão quando tocaram à campainha.
-Quem é que será? – Levantei-me e fui abrir a porta.  –Rúben?
-Olá também para ti – disse-me o Rúben com um enorme sorriso.
-Olá. O que é que estás aqui a fazer?
-Vim te convidar para irmos dar uma volta.
-A onde?
-À minha casa. Fui pôr o carro à revisão, por isso não dá para irmos muito longe.
-Até parece. Os transportes públicos eu sei que não é lá muito confortável, com toda a gente atrás de ti, mas eu tenho carro.
-E vais servir de minha motorista? Nem penses.
-Oh, que mal é que tem?
-Não quero, então. Mas não gostas de ir a minha casa ou quê?
-Gosto.
-Então. Avisa os teus pais que hoje não vais estar em casa. Despacha-te.
-Estás com pressa, tu.
-Estou. Tenho de falar contigo.
-Falar comigo?
-Sim, vá.
Liguei aos meus pais a avisar para não irem ter comigo a casa que depois eu passava por casa deles para me despedir e fui ter com o Rúben lá fora. Começámos a andar para irmos para casa dele.
-Então e o que é que precisavas de falar comigo? – perguntei. Estávamos os dois encolhidos, de mãos nos bolsos, enquanto descíamos a rua.
-É sobre a Inês – disse ele, deixando de sorrir.
-Então, o que é que se passa? Ainda não se resolveram?
-Não. Nós demos um tempo…
-Deram um tempo?
-Eu pedi-lhe um tempo. As coisas não estão boas e se estivermos juntos as coisas vão ficar ainda piores.
-Rúben, tem calma. Se calhar foi precipitado. Como é que ela reagiu?
-Mais ou menos. Ela ficou chocada. E não pára de me ligar.
-E tu atendes?
-Não. Se fosse para isso nem tinha pedido um tempo.
-E vão ficar assim para sempre?
-Não sei.
-Rúben Filipe, estás-me a irritar!
Ele deu uma gargalhada.
-Sabes há quanto tempo é que não me chamavas isso?
Ele abriu a porta e entrámos em casa dele.
-Eu estou a falar a sério. Isso não pode continuar assim.
-Sim… Agora mudando de assunto. Vocês vão-se embora hoje à noite, não é?
-É. E a Mónica ainda não voltou para casa. Ela esteve de fim-de-semana num fim-de-semana fora…
-O quê?
-Basicamente, ela não dormiu em casa e passou os dias fora. E não me contou nada.
-Se calhar estás a querer saber demais – disse ele, com um sorriso gozão.
-Estás tão parvinho, tu.
Passámos a tarde em casa dele, a conversar, mas entretanto chegou a hora de eu me ir embora.
-Tenho de ir embora – anunciei.
-Já? Mas o voo não é só mais tarde?
-Sim, é às 20.30h, mas eu ainda tenho de passar por casa dos meus pais para me despedir deles e ainda tenho de ir jantar, e ver se a Mónica janta…
-Ah, está bem. Queres que vá contigo?
-Podes vir.
-E já agora podia jantar contigo. Já que te vou levar.
-És um colas, Rúben – ri.
-Até posso ser, mas não reclames que tu gostas. Mas vá, eu depois posso lavar a louça, vá…
-Mas vais mesmo!
-Está bem, está bem…
-Só falta abanares a cabeça.
-Olha quem é que se está a armar em parvinha, agora.
Saímos de casa e iniciámos caminho para casa dos meus pais. Depois de estar com os meus pais e de me despedir deles, eu e o Rúben fomos para minha casa.
Quando chegámos, a Mónica e o Rodrigo estavam a acabar de pôr a mesa.
-Bons olhos te vejam, não é Mónica Alexandra? – disse eu.
-É… - respondeu ela, olhando para a mesa.
-Então puto, já cá estás? – perguntou o Rúben ao Rodrigo.
-Já. E a gente tá contando com vocês – respondeu o Rodrigo, com a colher de pau na mão.
-Está bem, mas baixa lá a colher que eu não fiz nada!
-Agora cê mi deu uma ideia…
-Nã, nã, nã. Não venhas com ideias. Para além de que a casa não é para partir hoje, por isso…
-Nisso tens razão – concordei. – Mas, oh Rodrigo, uns calduços eram bem acentes – sugeri a rir.
-Então?! Estás comigo ou contra mim?!
-Agora contra. Andas a precisar de uns calduços.
-Ai é? Vais ver.
Cheguei-me junto dele e coloquei a mão no seu ombro.
-Oh Rúben, não fiques chateado. – Ele olhou para mim, desconfiado. De repente, dei-lhe um calduço. – Mas estás mesmo a precisar!  -ri.
-Então! – disse ele, passando a mão pela nuca. Começou a vir atrás de mim, então fugi e coloquei-me entre a mesinha da sala e a televisão, enquanto que ele ficou entre a mesa e o sofá. – E vocês aí a gozar! – reclamou olhando para trás. Também olhei para o Rodrigo e para a Mónica, que estavam a rir-se. Ri também.
-Mas vá, já chega Rúben. Eu não te dou mais calduços.
Ele sentou-se no sofá. Fui sentar-me também, mas antes reparei que o Rodrigo e a Mónica estavam a trocar uns olhares muito cúmplices. Ali havia coisa.
-Depois nós conversamos, menina Andreia – disse-me baixinho o Rúben, quando me sentei ao seu lado. A Mónica e o Rodrigo também se vieram sentar ao pé de nós.
-Cinco minutos e vamos comer – disse a Mónica.
-Não podemos ir já? – perguntou o Rúben.
-Não – respondeu ela.
-Esfomeado do caraças, pá! – brinquei. Rimos os três e o Rúben tentou disfarçar um sorriso e não dispensou uma boca para não ficar atrás.
-Não podes rir muito, puto! Também estás sempre com fome!
-Mas eu sei esperar, agora você.
-Bem, vamos mas é para a mesa antes que o Rúben comece a desesperar!  -ri.
O Rúben saltou do sofá, provocando a risada geral. Jantámos sempre com bocas e risos e o Rúben só dizia disparates. Quando acabámos de comer levantámos a mesa.
-Olha, só para saberem, hoje quem vai lavar a louça é o Rúben, por isso, podem-se sentar a ver televisão ou a conversar. – Depois olhei para o Rúben. – Vá, eu ajudo-te – ri.
Lavámos a louça enquanto o Rodrigo e a Mónica estavam muito animados a conversar no sofá.
-Sabes se se passa alguma coisa entre eles? – perguntei baixinho ao Rúben.
-Eu saber não sei, mas quase que aposto. Aqueles olharezinhos… Ainda por cima depois do beijo no treino… De certeza…
-Beijo? Estás a falar do quê?!
-Ela não te contou nada?
-Rigorosamente nada.
-Então vais ter de esperar que ela te conte…
-Oh Rúben, não sejas mau! Fogo… Eu disse-te que ela mal esteve em casa e não me tinha contado nada.
-Ihh… Então ficaste este tempo todo sozinha e não me chamaste?
-Oh pá, vai passear! Olha, ela subiu. Vou lá ter com ela para ver se ela me diz alguma coisa.
-Boa sorte!
Limpei as mãos e depois subi as escadas para o andar de cima.



VISÃO MÓNICA


-Então e vai ser hoje que vou descobrir se sabes cozinhar? - perguntei, quando ele estacionou o carro em frente da minha casa e da Andreia.
-Si você deixar
-Só se tiveres a certeza que vai sair bem, porque eu não quero ficar sem cozinha e tenho um avião para apanhar às oito e meia.
Saimos do carro e entrámos em casa. A Andreia não estava.
-Não mi lembra disso. Não quero qui você vá embora.
-A mim também não me apetece muito ir, agora. Mas tenho de voltar. Tenho a Faculdade.
Ele abraçou-me.
-Volta rápido, viu?
-Assim que as aulas acabarem - Ele deu-me um beijo e continuou a beijar-me sem me largar. - Já chega. A Andreia ainda aparece.
-Você não vai contar pra ela?
-Sim, mas só depois de irmos embora. Prefiro. Para além de que se o Rúben souber vai mandar bocas até nos irmos embora.
-Tá bom. Mas, mi dá só mais um beijo.
Deilhe um pequeno beijo mas para ele não foi suficiente então arrebatou-me com um beijo forte, seguro e carregado de sentimento...
-Vá, vamos para a cozinha... - disse eu, ainda recuperando o ar perdido. - É melhor comecarmos já a fazer o jantar e contar com a Andreia e com o Rúben.
-Tá bom. Mi diz onde qui tão as coisas qui o resto eu faço.
-Fazemos.
-Não fica com medo qui cê não vai ficar com nada ditruido. Eu moro sozinho, esqueceu? Eu sei cozinhar.
-Não, não esqueci. Com os armários vazios.
-Eu não costumo deixar isso acontecer. Foi só dessa vez.
-Pois, está bem...  -ri. Ele sorriu.

Enquanto o jantar estava ao lume, fomos pôr a mesa e entretanto a Andy e o Rúben chegaram. Assim que o Rúben chegou à cozinha fez-nos logo rir e rimos ainda mais quando a Andy deu um calduço ao Rúben. Enquanto eles estavam ao pé da televisão e do sofá, eu e o Rodrigo ficámos ao pé do fogão para ver do jantar, mas cada vez que olhávamos um para o outro tinhamos de fazer um enorme esforço para tentar não demonstrar nada. Em seguida fomos sentar-nos junto da Andy e do Rúben enquanto esperavamos para ir jantar e o Rúben demonstrou-se o esfomeado de sempre, fazendo-nos rir quando saltou do sofá para a mesa. A Andy e ele lavaram a louça do jantar e enquanto isso eu e o Rodrigo sentámo-nos no sofá a conversar.
-Vou só lá acima ao quarto e já venho - disse eu, levantando-me.
-Tá bom.
Cheguei ao quarto e arrumei uma coisa na mala e a Andy entrou no quarto.
-Então... - disse ela.
-Então o quê?
-Será que agora me podes contar o que é que andaste a fazer este fim-de-semana?
-Agora não.
-Porquê?
-Eles estão lá embaixo.
-Eles não te vão ouvir daqui.
-Depois, Andy.
-Estás sempre a fugir.
-Não, não estou.
-Está bem - respondeu nem um pouco convencida. - E agora andas a dar-te muito bem com o Rodrigo, não é? - perguntou.
Pronto, ela estava desconfiada. Mas eu não ia dizer-lhe nada, por agora.
-E então? - perguntei, tentando manter uma normalidade inexistente no meu interior.
-È que vocês dão-se mesmo bem...
-Qual é que é o problema? - prosegui.
-Nenhum... Só que eu sei de uma coisa...
O meu coração saltou com o susto, só não saltei eu para continuar a fingir que não era nada.
-Aí sabes? Ainda bem - dirigi-me para a porta e ela veio atrás de mim.
-Eu sei que ele te beijou no treino!
Calei-me e desci as escadas a correr.


VISÃO RODRIGO


Toda vez qui eu olhava ela, tinha qui segurar pra não chegar e a beijar. Tava sendo dificil, mas ela preferia e eu tava respeitando. O Rúben e a Andreia ficaram lavando a louça do jantar e eu e a Mónica sentámos no sofá, conversando e vendo televisão. Eu tava dando em doido de tar tão perto e não poder tocar...
-Vou só lá acima ao quarto e já venho - disse ela, levantando.
-Tá bom.
A Andreia subiu atrás dela. Iam cochichar e si eu bem conhecia, o Rúben ia chegar pra mim daí a pouco.
-Então puto? - disse ele pouco tempo depois, mi dando com o pano da cozinha na nuca.
-Então?! Qu'qui foi isso? - perguntei, passando a mão na nuca.
-A Mónica é gira, né?
-Porqui é qui cê tá perguntando isso?
-È gira ou não é? - insistiu.
-È.
-E é interessante, não é? Quer dizer, vocês estão fartos de falar.
-Pergunta logo qu'qui cê quer saber.
Ele sentou no braço do sofá, no meu lado direito.
-Tu gostas dela - disse ele sem perguntar. Eu não disse nada. - Ficaste calado é porque gostas.
-Oh Rúben...
-Gostas sim! Toma lá, tu gostas dela! Eu sabia.
-Cála a boca Rúben! Elas tão lá em cima.
-Está bem - respondeu ele, baixando o tom da voz. - Mas tu gostas dela... - de repente a gente ouviu elas descerem pelas escadas, correndo. A Mónica vinha na frente e si sentou do meu lado esquerdo. - Então, as crianças chegaram, foi? - riu o Rúben.
-Cála-te Rúben Filipe! - reclamou a Andreia dando um calduço no Rúben.
-È pá! - disse ele passando a mão pela cabeça. Todo mundo riu.
-Vocês querem ir já andando pró aeroporto ou querem perder o avião e ficar aqui com a gente? - perguntei quando a risada acalmou. Eu quiria qui elas ficassem...
-Vamos - respondeu a Andreia.
-Não é que apeteça muito, mas temos de ir - acrescentou a Mónica.
-Então vá, Sr. Motorista, levante-se lá - riu o Rúben.
-Não fala muito senão cê fica em casa.
-Está bem. - Depois olhou prá Andreia. - Eu quero levar-te ao aeroporto - sorriu ele, indo pra junto dela.
-Grande acontecimento... - disse ela, ironizando.
Depois de arrumar tudo, apagar as luzes e a televisão saímos pró meu carro. Quando chegámos no aeroporto ainda faltavam 15 minutos pra elas embarcarem. O Rúben e a Andreia ficaram si despedindo, afastados de mim e da Mónica.
-Posso mi despedir de você em condições? - perguntei pra ela mi chegando mais.
-Eles vão ver.
-E daí? A gente não vai guardar isso pra sempre. E eles são os nossos melhores amigos. A gente vai ter qui contar pra eles.
-E não te vai expor muito nem nada?
-Eu vou ti levar na Gala do Benfica no Natal... - Ela ficou pensando. - Posso mi despedir ou não?
-Sim - respondeu ela com um enorme sorriso. Puxei ela pra mim e a abraçei. Depois beijei ela sem querer largar. Ia morrer de saudade dela nessas duas semanas.


Olá! :D
Bem, espero que tenham gostado de mais este capitulo, que é um pouco maior!
Queria agradecer-vos pelos comentários e pedir que continuem a comentar, pois é muito significativo e motivador para mim!
E aproveito para dizer-vos que no próximo capitulo vão ter uma surpresa!

Beijinhos

Mónica

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Capitulo 15 (parte II)





(visão Mónica)


-Rodrigo… - chamei ainda meio a dormir.
-Hm…
-Telemóvel ‘tá a tocar…
-Hm…
O toque do telemóvel já estava a irritar-me. Sentei-me na cama e dei uns abanões ao Rodrigo.
-Acorda! Isto está farto de tocar! – disse-lhe eu, pondo o telemóvel ao pé dele. Ele abriu os olhos, a custo, e agarrou no telemóvel.
-Fala… - disse, meio sonolento, atendendo a chamada. – Ih… Desculpa, mister… Sim, tou indo… - desligou, depois de ter falado tão rápida e despertamente. Saltou da cama e dirigiu-se ao armário.
-Então? – perguntei.
-Tou atrasado pró treino!
-Hii, o avô passou-se… - comentei, falando mais comigo do que com ele.
-O quê? – perguntou ele a rir, acabando de atar os ténis.
-O mister – corrigi.
-Tá bom – sorriu. Foi ter comigo e deu-me um beijo rápido. – Tenho de ir.
-Até logo.
-Cê vai tar aqui quando eu chegar?
-Não posso?
-Pode, pode. Claro qui pode. Só qui você vai sofrer com fome.
-Eu arranjo-me.
-Tá bom. Ti amo, viu.
Deu-me mais um beijo.
-Eu também te amo. – Ele sorriu e dirigiu-se para a porta do quarto. – Bom treino! – disse-lhe.
-Brigado! - Depois voltou atrás. – Esqueci do saco – riu ele. Pegou no saco de treino da Adidas que estava junto da porta e desta vez foi mesmo embora. Agarrei-me à sua almofada e inalei o seu cheiro. Sorri e deixei-me ficar assim alguns segundos mas depois levantei-me. O sorriso manteve-se na minha cara. Fui arranjar-me e em seguida fui tirar a minha roupa da máquina de secar, depois de ter estado na máquina de lavar, a noite passada, para me vestir. Reparei que na entrada, ao lado da porta, havia uma chave suplente.
-Já é minha – ri.
Decidi então ir às compras para os armários da cozinha do Rodrigo. Pelo menos para conseguir orientar-me agora. Voltei com um saco cheio.
Sentia-me meio que importante por estar em casa dele, ter uma chave da casa (que ainda não era minha, mas ia ser) e encher os armários da sua cozinha. Parecia que me tinha mudado para cá, apenas neste pequeno espaço de tempo. Depois de comer, subi até ao quarto, fiz a cama e arrumei as coisas espalhadas e depois desci até à sala e sentei-me no sofá a ver televisão.


VISÃO RODRIGO


Depois de tanto correr atrás, finalmente ouvi ela falar qui mi amava. Depois de tantas vezes tentar conquistar ela e ela mi dar sempre o fora, consegui fazer ela cair nos meus braços. Senti qui toda essa persistência e essa luta valeram bem a pena. Depois de beijar ela, na primeira noite qui ela ficou lá em casa, eu não tive nem uma dúvida qui ela gostava de mim, mas tava custando ela si entregar. De todas as garotas qui eu já dormi, e foram poucas sim, não fiquei com nenhuma tão… Não consigo encontrar a palavra certa, mas, de todas elas, ela foi a qui mi encheu por dentro de uma maneira qui nunca tinham preenchido antes. Junto com todo o corpo dela, perfeito pra mim, imperfeito pra quem quiser, senti a essência dela qui é tão única como especial. Sim, porqui um corpo, por mais perfeito qui seja, não é nada sem uma alma, qui é a essência do ser. E a essência dela é linda. Todas as coisas boas dela mi fazem sentir a pessoa mais feliz no mundo, e as más mi dão mais força pra continuar jogando na horta da vida.
Quando eu chegasse no Caixa, o mister ia pegar no meu pé, com razão, e ia mi dar um treininho extra, mas só de pensar qui quando chegasse em casa ela ia tar lá mi esperando, podia mi dar os treinos qui ele quisesse. Cheguei correndo no campo, depois de ter mi vistido no balneário. Eles tavam terminando a corrida.
-Desculpa o atraso, mister.
-Precisaste que te acordassem hoje, hã? Custou mais a sair da cama porquê?
-Oh mister… - comecei mi desculpando, passando a mão na cabeça.
-Hm, estou a ver. Mas não pode ser todos os dias, hã. Foi hoje e mesmo assim não te safas. Toca a correr, vai!
Comecei correndo e o resto da equipa parou pra terminar o aquecimento.
-Então, quem é que é a rapariga? – perguntou o Rúben Amorim pra mim, rindo. Eu ri, meio embaraçado.
-Rúben, vê lá se queres ir dar mais umas voltinhas com o Rodrigo! – avisou o mister.
-Pode ser mister! – respondeu o Rúben, rindo na mesma.
-E respondes a sorrir e tudo, hã! Rodrigo, mais cinco voltas para ele correr mais um bocadinho! – disse o mister com um sorriso de quem tava pronto pra mandar mais voltas. O Rúben começou correndo comigo.
-Então, diz lá quem é ela. Eu conheço-a? – perguntou ele, sempre sorrindo.
-Cê tem qui tar sempre sorrindo? – respondi, tentando mi safar.
-Nã, nã, nem tentes. Não venhas que não vamos mudar de assunto. Diz-me lá quem é ela.
-Cê é chato!
-Nem tu viste metade.
-Tou começando a ter pena da Inês…
Ele deixou o sorriso cair um pouquinho.
-Está bem, pronto, já vi que não vais dizer-me quem é. Mas mete-te mesmo nas nuvens, já vi – disse ele, voltando a sorrir um pouco mais.
-Mesmo… - respondi sorrindo enquanto fixava o relvado na minha frente.
-Uuiii, que o menino ‘ta apaixonado. Muito bem, hã puto! – disse ele rindo e mi dando uma pancada nas costas.
-Oh meninas, é para correr! Isto aqui não é a casa da tia Joana, os cochichos são fora dos treinos! – gritou o mister pra gente. A gente riu mas acelerou a corrida e depois de terminar e ter feito os aquecimentos fomos treinar com o resto da equipa, qui tinha tado a rir da gente.
O treino foi normal e a gente ria e o mister reclamava, chamando a gente de galinha. O treino terminou e a equipa foi pró balneário.
-Puto, posso-te pedir um favor? – mi perguntou o Rúben.
-Fala aí.
-É pá, achas que dá para me dares boleia? É que fui pôr o carro à revisão e só lá para amanhã é que devo ir buscá-lo.
-Claro, eu ti levo.
-Obrigado.
-De nada.
Meia hora depois eu e o Rúben saímos e fomos directo pró meu carro.
-Você demorou quase quinze minutos em frente do espelho!
-Tem de ser, então! Senão elas não olham para mim!
Começámos os dois rindo e entrámos no carro. No caminho pra casa ele voltou a tentar fazer com qui eu dissesse o nome da garota qui eu tava gostando, mas não conseguiu.
-Tamo chegando, né?
-Sim. Mas vais levar-me à casa da Andreia.
-Da Andreia?
-Sim. Se não souberes onde é eu digo-te.
-Não. Eu sei. Já levei a Mónica lá. Mas você vai a casa dela fazer o quê?
-Fazer-lhe uma surpresa.
-Cê é qui sabe. Mas, não acha qui já tá saindo muito com ela? Não tenho nada a ver com isso, mas eu ouço você falar mais vezes qui vai ter com ela do qui com a Inês, e a Inês é sua namorada.
-Eu e a Inês demos um tempo – e o sorriso dele desapareceu.
-Deram um tempo?
-Sim.
-Desculpa. Quer dizer, você passa os dias sorrindo...
-Claro. Não ia passá-los a chorar nem com cara de enterro. Por mais que eu ame a Inês e por muito dificil que esteja a ser este tempo, tenho de saber aproveitar as outras coisas.
-Mas você não tá si virando demais prá Andreia?
-Ela é a minha melhor amiga e tem-me ajudado muito. Sinto-me bem ao pé dela.
-Cuidado qui cê pode si aproximar demais, mesmo sem querer...
-Fogo puto! Tu também? Já o David diz a mesma coisa.
-A gente só tá ti alertando prás coisas não cairem no torto.
-Obrigado pela preocupação, mas eu sei o que é que estou a fazer.
-Cê qui sabe. È aqui. Tá entregue.
-Obrigado. Fica bem.
-Você também. Tchau.
Depois de deixar o Rúben fui quase voando pra minha casa.
-Qui cheiro bom é esse? - perguntei, fechando a porta e colocando o saco do treino no chão, na entrada. Entrei na cozinha e vi a Mónica junto do fogão.
-O almoço - respondeu ela, desligando o lume.
-Brigado - agradeci, colocando as mãos na cintura dela e fazendo ela si virar pra mim.
-De nada - respondeu ela sorrindo também e colocando as mãos por trás do meu pescoço. Encostei ela na bancada e a comecei beijando. Só o beijo dela já mi fazia feliz e eu quiria estar sempre feliz. Um beijo não chegou então eu dei dois, dei três e dei mais um.
-Olha, eu tirei a chave que estava na entrada para pôr qualquer coisa nos teus armários.
-Pode ficar com ela.
-Pois, eu já pretendia cobiçá-la de qualquer maneira...
-Podia cobiçar uma coisa melhor, né?
-Como por exemplo?
-Não sei. A minha cama, talvez... Essa eu deixo você cobiçar e pular pra cima, si você quiser.
-Hm, pois. Mas sabes o que é que eu queria agora?
-O quê?
-Almoçar. Mexe-te! - ela si soltou dos meus braços e começou colocando a mesa. Fui ajudar ela e depois sentámos pra almoçar.



Espero que tenham gostado de mais este capitulo J
Obrigada pelas visitas e pelos comentários :D
Continuem a comentar, pois os vossos comentários são muito importantes para mim!
Beijinhos

Mónica

quarta-feira, 16 de maio de 2012

Capitulo 15 (parte I)






(visão Mónica)


Para minha sorte, começou a chover. E muito. Vi as luzes de um carro atrás de mim.
-Mónica! - Reconheci a voz, mas não olhei. - Mónica! - Voltou o Rodrigo a chamar-me. - Entra no carro!
-Não.
-Entra no carro! Tá chovendo! Cê quer fica de cama? Entra no carro! - disse ele, acompanhando o meu passo com o carro.
-Não.
-Por favor, entra nesse carro!
-Já disse que não. Podes ir-te embora.
-Entra no carro!
-Não.
-Cê tá querendo qu'eu vá aí buscar você, né?
Bufei e acabei por entrar no seu carro.
-Posha, você é mesmo teimosa! - disse ele, assim que fechei a porta do passageiro.
-Não me chateies - respondi. Ele sorriu, enquanto abanava ligeiramente a cabeça negativamente.
-Posso fazer uma pergunta pra você? - perguntou-me, pouco tempo depois.
-Não.
-Tá bom. Porqui é qui você não atendeu as minhas chamadas, novamente?
-Eu disse que não podias.
-Tá. Agora mi responde.
-Não tive tempo.
-Não teve tempo ou não quis ter?
-Não tive tempo.
-Ou não quis mesmo atender?
-Fogo, já disse que não pude!
-Eu acho qui você não quis...
-Deixa-me... Chato...
Ele sorriu.
-Agora, outra coisa.
-Não, não podes perguntar nada.
-Porqui é qui você foi embora hoje cedo sem dizer nada?
-Eu disse que não podias perguntar nada. Não quero ouvir.
-Mas eu quero ouvir a sua resposta. Pode ser?
Calei-me e olhei pelo vidro, enquanto a chuva caía fortemente, e vi um relâmpago ao fundo. Ele não disse mais nada, e de repente apercebi-me que estávamos a entrar no seu pátio, em direcção à garagem.
-Porque é que eu vim para aqui?
-Não pode ficar aqui hoje?
-Não.
-Porquê?
Calei-me uns segundos.
-Leva-me para a minha casa - pedi, mais parecendo uma exigência.
-Agora não levo - respondeu-me ele, olhando-me directamente.
-Ok. Não levas, então vou apanhar um táxi - respondi, saindo do carro, e voltando consequentemente a ficar de baixo da chuva.
-'Pera aí! - disse ele, tirando o cinto aflitivamente e correndo atrás de mim. Parou mesmo à minha frente, impedindo que eu avançasse. - Cê não vai pra lado nenhum.
Olhei para ele querendo dizer '' Sai da minha frente! Deixa-me passar!''. Desviei-me para o lado direito, mas ele seguiu-me e segurou o meu braço.
-Não faz assim. Não foge de novo, por favor...
-Levas-me a casa ou vais deixar-me passar?
-Não faz isso! Porqui é qui você foi embora hoje de manhã? Cê tem vergonha de mim? Si arrependeu de ter dormido comigo? - perguntou-me, segurando os meus dois braços.
-Vergonha?! Eu... Hã?! Não... Eu...
-Então qui foi?! Qui é qui há de errado? Fala. - Fixei o olhar no banco do jardim que estava no meu campo de visão, sem responder. Quando falou, o seu tom era mais delicado. - Porqui é qui você não fala de uma vez? Porqui qui é qui você não fala aquilo qui eu sei qui você quer falar? Porqui é qui você não diz qui mi ama como eu amo você?
-Está bem! - explodi. Ele ficou a ouvir-me com ar sério mas completamente apaixonado pelas minhas palavras. - Está bem. Eu amo-te. Amo. Amo muito. Era isso que querias ouvir? - Ele sorriu. - Mas, eu não ... Nós não podemos...
-A gente não pode o quê? Eu ti amo, você mi ama , você acabou de falar mais qui uma vez. O qui é qui a gente não pode? Porquê?
-Por causa do Zach!
-Porquê? Mas, calma, ele não é o seu melhor amigo? Qui é qui ele tem a ver com a gente?
Tentei respirar fundo.
-Ele também gosta de mim.
-Também?
-Sim. Ele falou comigo. Ele beijou-me...
-E ai você focou confusa... - disse ele parecendo triste.
-Não! Não é nada disso! Quer dizer, sim, no principio sim. Ele beijou-me, e depois tu, eu fiquei confusa, sim. Mas depois não... Eu não quero magoá-lo...
-A gente não escolhe quem ama. Ele também deve saber isso.
-Eu sei. Mas eu não quero magoá-lo. Ele é o meu melhor amigo. Não quero perdê-lo.
-Eu posso ti ajudar. Eu vou com você contar pra ele. E eu percebo o qui ele vai dizer, si for preciso eu falo com ele também - disse ele com um sorriso.
-Não...
-Oi! - pegou no meu rosto e fez-me olhá-lo nos olhos. - Eu disse qui não ia desistir de você. Não desisti e parece qui agora eu ganhei, por isso, agora, deixa eu ti ajudar.
Disse-me isto olhando-me fixamente e em seguida conseguiu roubar-me um beijo. Depois abraçou-me e ficou a olhar para mim com um sorriso meigo. De repente, ouviu-se um travão. Eu assustei-me e dei um salto. Ele desmanchou-se a rir.
-Isso tá tudo sendo muito romântico, mas eu consigo ser romântico sem ficar doente... - comentou. Eu sorri. - Vamo pra dentro? - sugeriu com um leve sorriso.
-Sim.
Corremos até à porta de entrada da casa e entrámos. Estávamos completamente encharcados e a molhar tudo. Ele tirou o casaco e pô-lo no chão à entrada. Despi o meu casaco também. Felizmente a camisola não estava molhada. Mas era a única coisa. Quando olhei para o Rodrigo, ele estava sem camisola, descalço e a tirar as calças.
-O que é que estás a fazer? - perguntei, sem no entanto deixar de os deslumbrar.
-Tirando a roupa pra não molhar a casa. Cê podia fazer o mesmo - respondeu, aproximando-se de mim. - Vamo tomar um banho quentinho e depois a gente conversa.
Ele estava tão perto de mim que já sentia dificuldade em respirar.
-Eu vou precisar de roupa... - acabei por dizer.
-Eu ti dou - sorriu. - Cê pode ir pró banheiro do meu quarto, eu tomo cá em baixo. As toalhas tão no armário.
Deu-me um beijo e seguiu para a casa-de-banho do andar onde estávamos. Eu subi as escadas e entrei no seu quarto. Estava arrumado e a cama estava feita. Assim que fechei a porta, encostei-me a esta e inspirei o seu cheiro, que impregnava todo o quarto. Deixei a porta e fui para a casa-de-banho, abri o armário e tirei uma toalha. Sentia-me tão preenchida que parecia demasiado para mim. Desde que tinha conhecido o Rodrigo, até mesmo antes, que sonhava em sentir o seu beijo, desejava o seu toque, ansiava ouvir o tom da sua voz, e agora, estava na casa-de-banho do seu quarto, da sua casa. Estava mesmo ali e já tinha tido tudo com que sonhava. Depois de tomar banho, enrolei-me na toalha e saí para o quarto. Mal abri a porta, o Rodrigo entrou no quarto também, apenas com a toalha enrolada na cintura. Os seus traços eram demasiadamente perfeitos para mim. Fiquei a olhá-lo, extasiada.
-Qui foi? - perguntou-me com um pequeno sorriso a iluminar a sua cara.
-Ahm, nada. Eu... Ainda não tenho a roupa...
-Pode procurar o qui você quiser.
-Não. Dá-me tu.
-Tá bom. Qui é qui cê quer?
-Uma coisa qualquer.
Ele abriu um armário.
-Hm. Toma essa. Acho qui vai ficar bem pra você - disse ele, segurando uma camisola vermelha.
-É melhor atirares para a cama que ela apanha mais que eu.
Ele riu-se e atirou a camisola para a cama. Depois veio ter comigo para me dar uns dos seus boxers, mas colocou um braço sobre a minha cintura e puxou-me para si.
-O que é que vieste aqui fazer? – perguntei.
-Buscar as minhas roupas.
-E ainda não as tiraste?
-Já. Mas eu disse qui a gente ia falar… - respondeu ele, tentando fazer mais pressão sobre mim.
-Pois, pois vamos… Mas primeiro vais-te vestir! – Disse-lhe eu, soltando-me das suas mãos para sair de tão perto do seu corpo. Ele deu uma gargalhada.
-Tá bom. Mi espera aqui – pediu ele, falando junto do meu ouvido, enquanto passava por trás de mim.
Assim que ele fechou a porta vesti-me e em seguida deitei-me na sua cama, a pensar. Sentia-me desperta com o Rodrigo a lutar por exaltar toda uma mistura de sentimentos dentro de mim, mas não conseguia deixar de pensar no Zach. Eu não queria magoá-lo… De repente, o Rodrigo estava deitado ao meu lado, e pôs-se a olhar para o tecto como eu.
-Qui foi? – perguntou-me.
-Tenho de pensar numa maneira para falar com o Zach.
-Não si preocupa agora. Eu já disse qui falava com ele, com você.
-Mas o que é que vou dizer-lhe?
-A verdade. Eu acho qui ele vai perceber. Quer dizer, ele sabe qui a gente não escolheu si apaixonar. Ele também não escolheu gostar de você, né?
-Não é assim tão fácil… - disse eu, começando a levantar-me para sair da cama. Ele percebeu, então colocou o braço esquerdo do meu lado direito e impediu-me de sair.
-Não vou deixar você fugir outra vez – disse-me. Eu deixei cair novamente a cabeça na almofada enquanto ele pairava por cima de mim. – Eu sei qui não é fácil, mas você vai ter qui contar pra ele na mesma. Eu vou com você, a gente fala com ele e ele vai entender. É o seu melhor amigo, né? Então ele vai perceber.
Acenei que sim com a cabeça. Ia ser difícil, mas ia ter de dizer-lhe. Entretanto, o Rodrigo, ainda a pairar sobre mim, baixou-se um pouco, de modo a unir os seus lábios aos meus. Depois deixou-se cair suavemente por cima do meu corpo e desceu as mãos até ao fundo das minhas costas, puxando-me para juntar ainda mais os nossos corpos, como se estar encostado a mim não chegasse. Beijei-o, e desta vez sem nem cuidado e coloquei as minhas mãos nos seus ombros, afastando-o devagar para o lado, de modo a dar-me espaço para me levantar. Ele ficou a olhar para mim como que à espera de uma explicação. Saí da cama e puxei a camisola para baixo, ajeitando-a.
-Tenho fome – disse eu com uma gargalhada estúpida. Ele riu, desacreditado e passando a mão pela cara.
-Eu tava ti beijando e você levanta pra dizer qui tá com fome. Você não existe…
-Oh… - segurei as pontas da camisola e sentei-me na cama. – Não reclames1 Eu vim para tua casa, tomei banho aqui, vi coisas que não devia ter visto, deitei-me ao teu lado na cama e beijei-te, por isso, agora vamos comer!
-Reclamo sim! Eu tava ti beijando e você tava pensando em comida! Mas tá bom, vamo comer, então – disse ele a rir. Levantou-se e abriu a porta do quarto. Levantei-me e ele deixou que eu saísse primeiro.
-Então e o que é que eu posso esperar dos teus armários? – perguntei, enquanto nos dirigíamos para a cozinha.
-Nada. Tenho qui encher eles.
-Hm – entrámos na cozinha e avistei no meio da mesa uma fruteira perfeita. –Isto é a sério? – perguntei, referindo-me às maçãs que estavam tão perfeitas que pareciam de plástico.
-Não sei. Experimenta trincar pra ver.
-Parvo, pá! – ri, depois de tirar uma maçã e dando-lhe um encontrão.
-Cê gosta.
-Cala-te e vai comer!
-Eu não tenho essa fome.
Lancei-lhe um olhar que pedia que não começasse. Ele começou a andar na minha direcção e rodeou a minha cintura firmemente.
-Essa camisola fica mesmo bem em você.
-Deixa a camisola em paz.
-Ela eu deixo, agora você…
-Mas tu deixas-me comer?
-Despacha.
-Estás com a pressa toda.
-Eu sou apresado.
-Desapressa-te. – Ele olhou para mim, largou-me e encostou-se à bancada em frente da bancada onde eu estava encostada. – Não vais mesmo comer? – perguntei, meio admirada.
-Não.
-Tens a certeza?
-Sim. Porquê?
-Estás sempre com fome…
-Agora não.
-Ok – respondi, encolhendo os ombros e trincando a minha maçã. Comecei a balançar os pés, sentada em cima da bancada, e ele riu-se. – O que foi?
-Cê parece uma criança – riu.
-Vê lá se queres comparar – respondi, no entanto estava a brincar.
-Até parece – sorriu.
-Até parece? Então, vocês portam-se como uns putos e eu é que sou a criança – ri.
-Tá bom. Agora vamo deixar desse papo. Já terminou?
-Não.
-Depois eu qui tenho de desapressar, né? Cê tá aí há um montão de tempo.
-Espera.
-Cê tá mi pondo doido de tanto esperar!
Eu ri-me.
-Pois. Acontece… - gozei a rir.
-Ai você tá gozando comigo? – voltei a rir. – Não faz isso comigo. Já esperei tempo demais – continuei a sorrir. Ele veio ter comigo, pousou as mãos nas minhas pernas e pediu-me um beijo. Beijei-o rapidamente. – Cê tá mi provocando… - suspirou ele com um pequeno sorriso.
-Eu? Não.
-Tá sim.
Eu fiquei a olhá-lo com um pequeno sorriso gozão. Ele ficou a olhar para mim e de repente, tirou-me de cima da bancada e pegou-me ao colo.
-Então?! – reclamei.
-Não vou esperar mais. Cê tá mi levando pró limite e se eu chegar lá, amanhã não vou levantar cedo.
-Vê lá o que é que vais fazer! Olha que eu sou uma criança! – disse eu, tentando não me rir.
-Pode ser uma garotinha, mas você mi tira do sério.
-Ah, então tu tratas assim todos os que te tiram do sério?
-Assim, só você.
-Sabes muito.
-Você ainda não viu nada.
Entrámos no seu quarto e ele pousou-me em cima da cama. Com as mãos a rodear o seu pescoço, puxei-o e beijei-o energicamente. As suas mãos acentavam firmemente no meu corpo.
-Depois eu qui sou apressado, né? – disse ele a rir, despindo a camisola.
-Não sou eu que já estou a tirar a roupa – ri.
-Culpa sua – sorri. – Mas você parou de mi beijar porquê?
-Tu é que paraste.
-Tá bom. Agora vem aqui.
Voltei a beijá-lo e ambos nos envolvemos em abraços e beijos longos. Mais tarde o sono acabou por chegar-nos. Virei-me para ele e encostei-me ao seu peito despido, sentindo e ouvindo o bater do seu coração.
-Não sei como é que estás tão quente. Está tanto frio – comentei, já com voz sonolenta.
-Pode si agarrar qui eu ti aqueço.
-Obrigada.
Ele deu-me um pequeno beijo, seguido de alguns mais longos. Depois abraçou-me mais, por baixo dos lençóis, e fechou os olhos.
-Posso dormir sem ter qui mi preocupar si você vai fugir amanhã outra vez?
-Podes – sorri levemente. – Prometo que amanhã quando acordares eu vou estar ao teu lado.
-Eu ti amo, sabia?
-Eu também te amo.
Ele beijou-me uma última vez e pouco depois adormeci.



Espero que tenham gostado de mais este capitulo :D
Desculpem pela demora a publicar, mas não consegui antes :s
Beijinhos, e comentem1 :D

Mónica