sábado, 15 de dezembro de 2012

Capitulo 24 (parte I)


Olá! :)
Bem, fica aqui mais um capitulo, espero que gostem e deixem os vossos comentários!
Obrigada pelas visitas e por todos os comentários até agora! Significam muito para mim! :D

Beijinhos*
Mónica

(Visão Rúben)

Acabámos por almoçar em casa delas e houveram algumas picardias entre mim e a Andy durante o almoço. Eu gozava com ela por ter de comer sopa e tentava fazer-lhe inveja com o que nós os três comíamos. Ela dizia que eu era um chato e essas ofensas não-ofensivas do costume. Já sentia saudades de andarmos sempre a desconversar. Mas só as desconversas boas, porque as más não deixam saudade a ninguém… Finalmente voltei a ter a minha Andy, e por isso ia aproveitar, mas o que ela admitiu nos delírios nunca iria esquecer, e na altura certa iria conversar com ela. Depois de almoço a Andy quase exigiu que fossemos passear pois não suportava mais estar em casa, então lembrei-me de dar-lhe um miminho, visto que ela me tinha dado esta oportunidade de voltar a ter assim a minha melhor amiga. Disse ao Rodrigo e à Mónica onde íamos quando a Andy subiu até ao quarto para ir buscar o casaco, e pedi-lhes que mantivessem sigilo, pois queria fazer uma surpresa à Andy. Depois de ela descer, saímos para os carros e ela veio comigo. Passámos a viagem a cantar e a conversar animadamente.

-Onde é que vamos, Rúben? – perguntou-me, faltavam apenas alguns quilómetros para chegarmos.

-Já vais ver.

-Oh Rúben, diz lá! – voltou a pedir, curiosa. Eu sorri, acenando negativamente com a cabeça. Finalmente chegámos. – Sintra? – disse ela deslumbrada. – A sério, Rúben? – virou-se para mim e sorriu, contente.

-Gostas, não gostas? – sorri.

-Adoro! – respondeu com um enorme sorriso.

-Eu sei que sim. – Ela olhou para mim, ainda a sorrir. – Bem, vamos sair do carro? Eles os dois também já chegaram – sugeri. Tirámos os cintos de segurança e saímos do carro. Tranquei-o.

-Esse sítio é mesmo lindo. Né Andreia? – comentou o Rodrigo, falando para a Andy com uma voz insinuosa, quando eles se juntaram a nós.

-É, é lindo… - respondeu ela, ainda absorta na beleza do local. Depois pareceu tomar sentido ao tom de voz. – Vocês sabiam que vínhamos para aqui?

-Sim – respondeu a Mónica.

-E não me disseram nada!

-Era para ser surpresa! Se te disséssemos não tinha piada!

-Claro! Perdia a piada toda! Queria que a minha surpresa corresse bem – sorri, reforçando que a surpresa tinha sido minha, apenas para me meter com a Mónica e com o Rodrigo.

-Esteja descansado que ninguém lhe vai tirar o mérito nem o protagonismo, Sr. Rúben! – Riu a Mónica, levando-nos a rir a todos.

-Bem, mas vamos passear ou viémos aqui só para gastar combustível? – sugeri.

-Essa foi seca, Rúben! – comentou o Rodrigo. Ri ironicamente.

-Mete-lhe água para ver se deixa de ser tão seca! – gozei. Todos rimos novamente. Depois começámos a andar.
 




 

Depois de termos andado bastante, arranjámos um sítiozinho no meio da Serra de Sintra para estendermos a toalha que tínhamos trazido para lancharmos, pois quando decidimos que íamos passear resolvemos preparar um lanche para levarmos, e enquanto agora o comíamos, conversávamos animadamente, sempre com muitas gargalhadas.





 Ficámos ali a conviver durante algum tempo e depois acabámos por arrumar as coisas e continuar o nosso passeio. Todos adorávamos aquele ambiente no meio da Serra e a companhia também era a melhor. Quando regressámos para os carros eu decidi oferecer o jantar a todos, em minha casa, e prometi à Andy que não lhe dava sopa para o jantar, mas teria de fazer alguma coisa especial para ela, pois ainda tinha de ter algum cuidado. Voltámos todos a encontrar-nos à porta de minha casa. Quando chegamos já eram quase horas de jantar, por isso eu e o Rodrigo fomos para a cozinha enquanto as meninas ficaram na sala, no entanto, pouco depois, foram para a cozinha fazer-nos companhia e conseguiram desconcentrar-nos. O Rodrigo perdia-se a olhar para a namorada, mas eu também olhava para a mulher que amava, e apesar de não poder demonstrar tal sentimento, como víamos a Mónica e o Rodrigo fazer, eu sentia-me feliz por voltar a poder ver o sorriso da minha melhor amiga e poder voltar àquele clima de brincadeira e desconversa divertida que sempre tivemos. Acabámos de fazer o jantar, fomos pôr a mesa e logo a seguir fomos sentar-nos à mesa, pois eu já estava a morrer de fome e o Rodrigo concordou que também já estava a ‘’ficar com fome’’, como se não estivesse assim com muita fome! Servimo-nos e começámos a comer, mas com a pressa queimei-me.

-Au!

-Sempre com a pressa, Rúben! O comer não vai fugir do prato! – riu a Any, assim como a Mónica e o Rodrigo.

-E vocês riem-se! Obrigado! – agradeci, ironicamente.

-Desculpa Rúben, mas teve piada! – disse a Mónica.

-É, a sua cara foi demais! – riu o Rodrigo.

Dei uma gargalhada irónica.

-Piada! Vamos mas é comer! – voltei a ironizar.

-Vê lá se não te queimas outra vez… - advertiu a minha melhor amiga, tentando não se rir.

-Se queimar vocês não vão saber que é para não ter de ouvir mais piadas! – respondi seriamente, no entanto não evitei sorrir em seguida.

O resto do jantar decorreu com as normais piadas e com muitas gargalhadas, obviamente. Depois de jantar ficámos à conversa até que o Rodrigo foi embora, então eu fui levá-las a casa. Após me despedir delas iniciei caminho de regresso a casa. A noite estava fria, mas o céu estava limpo e a lua bem visível. Enquanto andava, sorria. Sentia-me feliz. Voltar a ter a minha melhor amiga comigo era o que eu mais tinha pedido, para agora. E voltei a tê-la. Teimosa, respondona, mas sempre com um sorriso para me oferecer. Estava a pensar em várias coisas para fazer uma nova surpresa à minha melhor amiga, e finalmente ocorreu-me uma ideia fantástica. Sabia que ela ia adorar. Peguei no telemóvel e liguei ao Rodrigo.

-Olha, leva a tua namorada a passear amanhã logo cedo! – disse eu assim que ele atendeu.

-Hã? Qu’qui cê tá dizendo Rúben? – perguntou, confuso. Repeti. – Agora mais devagar qui eu não entendi nada.

-Fogo! Estava a pedir-te para levares a tua namorada a passear amanhã bem cedo.

-Porquê cê tá me pedindo isso?

-Porque eu preciso que a Andy esteja sozinha para me dizer que sim.

-Dizer qui sim ao quê?

-Quero fazer-lhe uma surpresa e preciso que ela não tenha ninguém com quem se desculpar para aceitar vir comigo.

-Ah, tá bom, não se preocupa. Eu e a Mónica já tínhamos falado e a gente precisa mesmo ir tratar de um assunto – respondeu seriamente.

-Ok, obrigado. Mas está tudo bem?

-Por enquanto sim. Vamo esperar é qui depois continue.

-Mas posso fazer alguma coisa para vos ajudar?

-Não. A gente trata disso.

-Mas é grave?

-A gente vai conversar com o melhor amigo dela.

-Com o melhor amigo dela? Mas passou-se alguma coisa?

-Digamos qui ele também se apaixonou por ela.

-Hâ?! E o que é que vocês vão fazer?

-A gente vai conversar com ele e contar qui a gente tá junto.

-Ah, sim, acho que é o mais sensato.

-É. Só espero qui ele não pense qui a gente vai contar pra ele porqui eu quero atirar na cara dele qui ela me escolheu a mim. Não é nada disso. A gente só quer qui ele fique sabendo pela gente e não por outras pessoas.

-Claro. Mas para isso é que vocês vão conversar com ele. Vão explicar-lhe que não estão a gozar com ele, vocês simplesmente se apaixonaram, e ele não pode fazer nada em relação a isso.

-É mas o cara vai ficar mal, né? Ele gosta dela.

-Claro. Amar e não ser correspondido custa, mas se ele gostar realmente dela, e visto que eles são melhores amigos, ele vai querer que ela seja feliz, mesmo sem ser com ele. E vais ver que agora quando vocês se conhecerem ele vai perceber que tu és um tipo porreiro e que não estás a brincar com os sentimentos de ninguém.

-Logo eu…

-Logo tu? Agora não percebi.

-Deixa pra lá, tava pensando alto.

-Ok… Bem, então amanhã tiras a Mónica de casa, não é?

-Sim.

-A que horas mais ou menos?

-Perto das 9.00h.

-Está bem. Obrigado.

-De nada.

-Bem, então vá, até amanhã. E tenham calma que vai correr tudo bem.

-Tá bom, até amanhã. E bom passeio. Mas olha, não puxa muito qui a Andreia ainda não tá totalmente bem.

-Eu sei, não te preocupes.

-Nas outras vezes cê disse o mesmo…

-Mas desta vez apanhei um susto que ajudou a abrandar o ritmo da maneira como faço as coisas. Mas o coração aumentou o ritmo… - sorri, lembrando as palavras que a Andy tinha dito na noite passada.

-Por causa do susto qui você fez ela pegar na gente.

Não era totalmente devido a isso, mas…

-Sim, assustei-me mesmo.

-Você e todo mundo.

-Eu sei. Bem, já cheguei a casa por isso, até amanhã.

-Tchau.

Desliguei. Entrei em casa, subi até ao quarto, vesti o pijama e fi dormir. Tinha de recarregar as baterias para o longo dia que iria ter.

Qual será a surpresa do Rúben para a Andreia? E a conversa com o melhor amigo da Mónica, como correrá?

 

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Capitulo 23 (parte II)


Olá! :)
Bem deixo-vos aqui um novo capitulo!
Espero gostem e que deixem a vossa opinião :)
E queria pedir-vos que divulguem a página do Facebook da página, por favor: https://www.facebook.com/MomentosBemVividosNaoDeixamEspacosEmBranco?ref=hl
Obrigada :)
Beijinhos*
Mónica

(visão Rúben)

-Rúben! – Acordei sobressaltado. A Andy olhava-me, estupefacta. Tinha-se levantado da cama, onde agora só eu permanecia. Ainda fiquei a esfregar os olhos, com sono.

-Hã? – perguntei.

-O que é que estás aqui a fazer?! Na minha cama?! Comigo… - perguntou, falando tão rápido que quase não percebi.

-Eh, calma! Fogo, acabei de acordar…

-Fogo não, Rúben Filipe Marques Amorim! O que é que estás a fazer na minha cama? – Fiquei a sorrir ao notar que por trás daquela irritação estava um nervosismo que me sabia bem sentir-lhe. – Responde-me, pá!  - pediu, mandando-me a almofada que segurava, contra o braço.

-Eh, calma lá menina! Podes ficar descansada que não te fiz nada! – respondi, levantando-me da cama.

-Não sei se não tenho que ficar preocupada. Estavas a dormir comigo, na minha cama… Quer dizer, porque é que te deitaste na minha cama comigo lá? Eu não te disse que podias!

-Eu estive a cuidar de ti, sua tonta –sorri.

-Mas porquê tu? Porque é que tu estavas  a cuidar de mim?

-Olha, talvez porque eu sabia o que fazer.

-Sabias o que fazer? – perguntou, começando a sentir-se embaraçada. – A Mónica?

-Foi dormir a casa do Rodrigo.

-Porquê?

-Talvez porque queriam estar sozinhos… Está descansada que só ficaste mesmo sozinha comigo durante a noite.

- durante a noite…

-Ai, oh Andy. Até parece que eu ia fazer alguma coisa. Um coisa é quando tu estás acordada e podes argumentar, outra é quando passas o dia a dormir – respondi, sorrindo interiormente ao recordar as palavras dela, que apesar de serem consequências dos seus delírios, eram a verdade do seu coração, eram a razão que ela encobria e tentava disfarçar com a consciência enquanto estava acordada.

-A Mónica deve estar a chegar, por isso podes ir-te embora.

-Não, espera, tenho de ver como é que está a tua temperatura, então – avancei para ela para colocar a minha mão na sua testa. Ela recuou, atrapalhada.

-Não precisas de ver nada! Eu já estou bem. E a Mónica deve estar a chegar, por isso – apontou para a porta do quarto, à espera que eu saísse. Sentei-me novamente na cama.

-Agora não saio! – disse eu, cruzando os braços à frente do peito.

-Oh Rúben, não me faças passar! Eu não te estava a pedir para sair, eu estava a dizer que tu vais sair do meu quarto!

-Não saio! Se quiseres tira-me tu daqui! – respondi.

-Rúben Filipe, não me faças passar, caramba! – reclamou, num tom mais elevado, junto da porta do quarto.

-Oh gente! Que gritaria é esta? – perguntou a Mónica, entrando no qarto com o Rodrigo.

-É ele que não se vai embora! – respondeu a Andy.

-É ela que não deia de ser teimosa! – respondi.

-Ok. Agora umas respostas decentes, por favor – pediu a Mónica.

-Para além de eu ainda não ter percebido porque é que ele dormiu aqui, ele não se quer ir embora – disse a Andy, olhando para a Mónica com um olhar acusador e desviando depois o mesmo olhar para mim.

-Mas ela ainda não percebeu que eu tenho de ver como é que ela está para saber se vai ficar bem ou não.

-Sim, claro, o Sr. Doutor Engenheiro sabe tudo! – bufou a Andy, cruzando os braços à frente do peito.

-Não sou Sr. Doutor Engenheiro, mas devias agradecer-me porque fui eu que cuidei de ti e fiz com que voltasses a ser a melhor amiga mais teimosa que conheço! – respondi, sorrindo no final.

-Parvo! – sorriu.

-Aqui o Sr. Parvo cuidou de ti! – voltei a sorrir-lhe. Ela devolveu-me o sorriso.

-Já está? Já gritaram tudo o que tinham para gritar? – perguntou a Mónica.

-A gente ouvia os vossos berros lá na sala! – comentou o Rodrigo.

Eu olhei para a Andy e ela olhou para mim, sorrindo.

-Podem ficar descansados que os vossos ouvidos vão ter descanso dos nossos berros – sorri, assumindo o sorriso da Andy como o símbolo de tréguas, depois de tudo o tinha acontecido.

-De certeza? – perguntou a Mónica, olhando para a nossa melhor amiga.

-Sim – sorriu. – Mas agora eu queria pedir-vos, por favor, para saírem do quarto. Eu quero tirar este pijama e sair desta casa e deste quarto! Quero ir passear!

-Está bem – acedeu a Mónica, que saiu com o Rodrigo.

-Mas primeiro deixa-me ver se estás melhor – fui até junto dela e encostando o meu queixo à sua testa, sentindo a temperatura. Depois afastei-me e dei-lhe um beijo na testa.
 
 – Estás bem, mas mesmo assim tens de ter cuidado, tens de te agasalhar bem – afirmei, dirigindo-me à porta do quarto.

-Está bem, Sr. Doutor Engenheiro, eu vou agasalhar-me até às orelhas! – sorriu.

-Acho bem – ri. Ela fechou a porta e eu desci até à sala, de encontro à Mónica e ao Rodrgo.

 

(visão Mónica)

Depois de passar a tarde inteira na sala com o Rodrigo, enquanto o Rúben estava no quarto a cuidar da Andy, ele finalmente desceu e veio jantar comigo e com o Rodrigo. A febre da Andy já tinha baixado bastante, o que era bom sinal e o resultado do bom ‘’trabalho’’ do Rúben. Depois de jantar e de termos arrumado a cozinha fomos os três para a sala ver televisão e conversar mais um bocado. Eu estava preocupada com a minha melhor amiga, aliás, todos estávamos, mas também queria ficar sozinha com o meu namorado.

-Rú, vais precisar de nós? – perguntei.

 Ele olhou para mim e para o Rodrigo e respondeu que não. Disse para nos irmos embora, e pela maneira como falou e pelas suas palavras ele já tinha percebido que queríamos estar sozinhos. Pegámos nas nossas coisas e saímos em direção ao carro do Rodrigo. Durante a viagem até à casa dele conversámos sobre a Andy e sobre este rebuliço todo entre ela e o Rúben. Quando chegámos a casa dele ele estacionou o carro na garagem e entrámos em casa.

-Mas bom, ela tá em boas mãos e o Rúben sabe o qui faz!

-Sim, claro. Se eu não confiasse totalmente no Rúben não teria vindo agora contigo.

-Ah, então ainda bem qui a gente pode confiar totalmente nele. Assim você veio comigo – sorriu, dando-me um pequeno beijo. Pousámos as coisas à entrada e fomos para o sofá, sem ligar a televisão, apenas o candeeiro a sala é que dava alguma iluminação àquela divisão da casa.

-Vamos ficar por aqui? – perguntei, sentando-me ao seu colo.

-Vamo sim. Tou morrendo de saudade de você e não quero ir deitar já – respondeu, colocando os braços à minha volta.

-Eu também tenho saudades tuas – sorri – mas podemos ir para o quarto na mesma. Ficamos a namorar até o sono vir – sorri.

-Cê tem razão. Vamo subir, então – levantámo-nos, subimos até ao andar de cima e depois de termos vestido os pijamas e feito tudo o que tínhamos a fazer, deitámo-nos. Encostei-me a ele.

-Estás quentinho – comentei, abraçando-o.

-Claro qui sim, meu amor, você tá aqui do meu lado!

-Oh, tonto.

-É verdade, amor. Você mi aquece a alma, o coração e o corpo.

-Oh pá, para com isso! – disse envergonhada.

-Tá ficando envergonhada? Meu amor, não precisa. Você sabe qui o qui eu falei é verdade, não sabe?

-Sim, só que assim deixas-me envergonhada… - respondi, escondendo a cabeça no seu peito.

-E eu adoro ver você assim, sabia? – sorriu, elevando o meu rosto e beijando-me. Foi um beijo muito calmo, mas muito detalhado. Todos os movimentos eram perfeitos, fazendo deste beijo um momento fantástico.
 
 Este momento repetiu-se, mas acabámos por parar.

-Amor, desculpa, mas eu acho que vou dormir.

-Tá pedindo desculpa porquê?

-Ah, porque íamos ficar a namorar um bocadinho…

-Até o sono chegar. Se o sono chegou, a gente vai dormir.

-E tu estás com sono?

~-Não muito, mas se eu ficar prestando atenção no movimento da sua respiração vou cair no sono logo, logo – sorriu.

-Está bem – elevei-me um pouco para lhe dar um pequeno beijo nos lábios e depois acomodei-me, colocando a cabeça no seu peito, bem junto do coração. Dei-lhe um pequeno beijo no peito e fechei os olhos. Ele fez-me uma pequena festa na cara e depois pousou  a mão no meu braço. O sono foi-me envolvendo cada vez mais enquanto ouvia e sentia as batidas calmas do coração do meu amor, até que acabei por adormecer.

Na manhã seguinte acordei virada de costas para o Rodrigo, no entanto sentia o seu corpo, quente, bem perto de mim. Espreguicei-me e levantei-me, devagar para não o acordar. Fui à casa-de-banho e depois desci até à cozinha. Preparei uma taça de cereais e fui para o sofá da sala ver televisão, enrolada numa manta. Terminei de comer e deixei a taça ao pé de mim, no sofá, para não deixar no chão.

-Bom dia, meu amor! – disse o Rodrigo, chegando de repente atrás do sofá e abraçando-me. Deu-me um beijo na cara.

-Bom dia, amor – respondi, virando-me para ele.

-Acordou há muito tempo?

-Não.

-Hm. Vou na cozinha pegar alguma coisa pra comer. Quer?

-Não, eu já lá fui.

-Tá bom, eu volto já então.

-Está bem. Olha, leva isto lá para dentro, por favor – pedi, estendendo-lhe a taça que estava ao meu lado. Ele aceitou a taça e foi até à cozinha. Algum tempo depois ele regressou à sala com um tabuleiro cheio. – Bem, estás cheio de fome! – Ele sentou-se do meu lado direito.

-Sempre! – Fiquei a observá-lo a comer e não consegui evitar rir-me – Tá rindo de quê?  Perguntou-me com um sorriso meio confuso.

-De ti!

-De mim porquê?

-Fazes umas caras quando estás a comer…

-Ah, eu tava comendo!

-Eu estava a brincar, amor! – ri. – Até ficas engrançado.

-É…

-A sério, eu estava a brincar!

-Não sei…

-Amor…

-Tá bom, mas tem qui mi dar um beijo. Ainda não ganhei nenhum hoje! – disse ele, pousando o tabuleiro ao lado do sofá,  no chão e virando-se para mim.

-Claro que dou! – sorri, avancei para ele e beijei-o.

-Assim tá melhor! – sorriu. – Qui horas qui cê quer voltar pra casa?

-Daqui a pouco. Vamos arranjar-nos e depois podemos ir.

-Tá bom, então eu vou levar isso na cozinha e a gente já sobe.

-Ok.

Ele foi à cozinha enquanto eu desliguei a televisão e voltei a dobrar a manta. Depois subimos até ao quarto, tomámos um duche rápido, vestimo-nos e saímos para o carro para regressarmos a minha casa.

-Só espero que a Andy já esteja melhor – disse eu, assim que saímos do carro.

-Com o Rúben do lado dela, tá de certeza!

Pus as chaves na porta. Assim que entrámos na sala, ouvimos os berros da Andy provenientes do quarto.

-Pelos vistos já está mesmo bem! – ri. Subimos até ao quarto. – Oh gente! Que gritaria é esta? – perguntei, assim que eu e o Rodrigo chegámos à porta.

-É ele que não se vai embora! – respondeu a Andy.

-É ela que não deia de ser teimosa! – respondeu o Rúben logo em seguida.

-Ok. Agora umas respostas decentes, por favor – pedi. Eles pareciam duas crianças a discutir por um brinquedo.

-Para além de eu ainda não ter percebido porque é que ele dormiu aqui, ele não se quer ir embora – disse a Andy, olhando-me com um olhar acusador e transferindo esse mesmo olhar para encarar o Rúben.

-Mas ela ainda não percebeu que eu tenho de ver como é que ela está para saber se vai ficar bem ou não – disse o Rúben.

-Sim, claro, o Sr. Doutor Engenheiro sabe tudo! – refilou ela, cruzando os braços à frente do peito. Meu Deus, parecia mesmo uma birra de crianças!

-Não sou Sr. Doutor Engenheiro, mas devias agradecer-me porque fui eu que cuidei de ti e fiz com que voltasses a ser a melhor amiga mais teimosa que conheço! – sorriu o Rúben. Estava disposto a terminar aquela discussãozinha.

-Parvo! – com esta resposta e sorriso que a acompanhou finalmente ela cedeu e parecia que tempos de paz entre aqueles os dois iriam chegar.

-Aqui o Sr. Parvo cuidou de ti! – Eles voltaram a sorrir um para o outro.

-Já está? Já gritaram tudo o que tinham para gritar? – perguntei na mesma. A Andy e o Rú voltaram a trocar um sorriso.

-Podem ficar descansados que os vossos ouvidos vão ter descanso dos nossos berros – respondeu o Rúben.

-De certeza? – voltei a perguntar, olhando para a minha melhor amiga, como que para ter a garantia.

-Sim – sorriu. Depois pediu, por favor, que saíssemos pois ela queria trocar de roupa e sair daquele  quarto, queria ir passear. Eu e o Rodrigo saímos do quarto, mas o Rúben ficou para trás. Descemos até à sala e pouco depois o Rúben juntou-se a nós. Estava a sorrir. Ainda bem. Era bom ver aqueles sorrisos nos seus rostos. Era sinal que tudo estava a encaminhar-se bem.

Depois de almoço, que foi lá em casa, a Andy disse que tinha de sair de casa, e o Rúben teve uma ideia. Disse-me apenas a mim e ao Rodrigo, e saímos. A Andy foi no carro com o Rúben, sem suspeitar para onde íamos, pois ele fez questão de manter segredo.

 

 

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Capitulo 23 (parte I)


Olá :)
Bem, aqui está mais um capitulo, espero que gostem e deixem os vossos comentário! :)
Queria também agradecer-vos por todas as visitas e todos os comentários, muito obrigada! :)
E queria também deixar-vos aqui o link do Facebook da Fic, que criei há pouco tempo. Um local onde podem também deixar os vossos comentários, opiniões, esclarecer dúvidas e tudo o que quiserem: https://www.facebook.com/MomentosBemVividosNaoDeixamEspacosEmBranco?ref=hl
Espero que gostem :)
 
Beijinhos*
Mónica

(visão Mónica)


Acordei eram 9.15h. A Andy estava virada de costas para mim e estava muito sossegada, pelo que calculei que ainda estivesse a dormir. Mas ela precisava, a noite anterior tinha sido má e cansativa, por isso ela precisava descansar. Levantei-me e fui tomar um duche rápido, depois voltei para o quarto e vesti-me. Em seguida desci até à cozinha e preparei o pequeno-almoço para mim e para a Andy. Quando terminei voltei a subir até ao quarto para ir buscar um casaco ao armário e ir ao computador um bocadinho, deixando a Andy dormir mais um pouco. Tirei o casaco do armário e vesti-o, mas sem querer bati contra a porta aberta do armário e esta fechou-se com um pequeno estrondo.

-Fogo! Fogo! Fogo! – sussurrei.

-Não faz mal, eu já estava acordada – disse a Andy, sem se mexer.

-Desculpa, foi sem querer, eu ia deixar-te dormir mais um bocado.

-Não vale a pena, eu não consigo dormir de qualquer maneira…

-Tens a certeza?

-Hm-hm.

-Então olha, já que não consegues dormir podias começar a levantar-te da cama porque temos um longo dia à nossa espera! – sorri.

-Está bem… - respondeu, puxando os lençóis vagarosamente e levantando-se. Mas ao mesmo tempo que se pôs de pé, caíu novamente para a cama.

-Andreia! – disse eu aflituosamente, correndo para ela e sentando-me na sua cama. – O que é que se passa?

-Eu… sinto-me um bocado tonta… - murmurou. Coloquei-lhe a mão na testa.

-Oh meu Deus! Andreia, tu estás a ferver! – exclamei preocupada. Tocaram à campainha. Que boa hora… - Olha, deita-te! – ajudei-a a ajeitar-se na cama. – Eu vou só ver quem é e volto já! – informei, abrindo a porta do quarto e descendo as escadas a correr. Abri a porta de rompante.

-Bom dia…

-Rúben… - suspirei. – Entra. – Ele entrou e ficou a olhar para mim com um ar preocupado.

-O que é que se passa? Que cara é essa? – perguntou preocupado.

 

(Visão Rúben)

Depois de receber a mensagem da Mónica a dizer que a Andy já estava em casa fiquei mais aliviado. Agradeci-lhe por não se ter esquecido de me avisar e fui deitar-me. Fiquei mais descansado, no entanto passei a noite às voltas na cama. De manhã acordei, arranjei-me e tomei o pequeno-almoço e depois peguei no carro e fui até à casa da Andy e da Mónica como tinha dito que ia. Eu precisava de ver a Andy e tentar conversar com ela. Assim que cheguei à porta toquei à campainha. Pouco depois a Mónica veio abrir-me a porta.

-Bom dia… - cumprimentei.

-Rúben… Entra – disse ela, desviando-se para eu entrar. A cara dela transparecia preocupação e foi preocupado que eu também fiquei.

-O que é que se passa? Que cara é essa? – perguntei-lhe.

-É a Andy… - começou.

-O que é que ela tem? – interrompi.

-Ela está lá em cima a arder em febre. Ia-se levantar e voltou a cair na cama.

-Posso, posso subir? – perguntei super preocupado, engasgando-me no inicio.

-Claro! Vamos subir! – autorizou. Subimos as escadas e fomos para o quarto delas. A Andy estava deitada na cama.

-Mas como é que ela pode estar a arder em febre assim do nada? – perguntei, pousando a mão na testa da Andy.

-Ela ontem chegou a casa encharcada… Mandei-a fazer tudo o que podia, mas mesmo assim não adientou de muito… Eu disse que ela ia ficar doente.

-Ah… Então mas, tem calma. Eu sei o que é que temos de fazer. Deixas-me ficar a tomar conta dela? – pedi-lhe.

-Eu por mim deixo, ela é que é capaz de não achar muita piada.

-Ela agora está a dormir, e provavelmente vai começar a delirar daqui a pouco tempo… Duvido que ela tenha forças sequer para mandar vir, para além de que eu vou ficar a cuidar dela, só isso. Ela é a minha melhor amiga…

-Por ti podia ser mais que isso, não é?

-Todos vocês sabem que sim – sentei-me junto da Andy. – Até ela sabe – disse olhando-a. – Mas não depende só de mim. Depende dela também, e quanto a isso… Vou tentar continuar fazê-la admitir-me que também gosta de mim, vou tentar tirar-lhe o medo que o David diz que ela tem, mas tem de ser aos poucos… Mas bom, preciso que me tragas umas toalhas dentro de água fria, por favor. É melhor começar já. A recuperação dela é a prioridade – pedi. A campainha tocou.

-Deve ser o Rodrigo. Ele disse que vinha cá hoje de manhã – disse a Mónica.

- Vai lá abrir-lhe a porta, então.

-Ok. Eu já te trago as toalhas.

-Está bem.

Ela desceu para abrir a porta e pouco depois voltou a subir já com as toalhas. O Rodrigo vinha com ela.

-Oi Rúben!

-Então puto.

-Como é qui ela tá? – perguntou ele olhando para a Andy.

-A arder em febre – ajeitei a Andy e encostei-me melhor numa almofada, colocando a cabeça dela no meu colo. – Mónica, as toalhas – pedi. Ela estendeu-mas.

-Tens a certeza que te arranjas sozinho? Não precisas que te ajude em nada?

-Não, não preciso. Fica descansada que eu sei o que vou fazer. Desçam para a sala, vão dar uma volta, não sei, vão-se distrair.

-Mas se precisares de ajuda… - começou a Mónica a oferecer.

-Não vai ser preciso. Mas se for eu já sei que posso chamar-vos. Vá, saiam lá! – Eles saíram do quarto e eu fiquei a olhar para a rapariga que estava comigo.

As toalhas faziam efeito, mas ela ainda estava um pouco quente. Ao olhar para ela agora, parecia vulnerável. E no fundo eu sabia que ela era. Eu conseguia expor esse lado dela. Mas ela tentava a todo o custo fazer-se de forte enquanto conseguia estar consciente dos seus atos. O que não me facilitava a vida… A febre foi baixando. Eu entreti-me com a televisão que havia no quarto e entretanto já deviam ser horas de almoço, porque a Mónica veio até ao quarto trazer-me alguma coisa para comer.

-Então, como é que ela está? – perguntou-me.

-Pelo que parece, melhor. A febre tem estado a baixar.

-Ainda bem.

-Vá, não te preocupes que eu cuido dela – sorri. Ela sorriu também e virou-se para sair do quarto – E obrigado pelo almoço.

-Não tens de quê – sorriu e saiu do quarto.

Durante a tarde a febre desapareceu quase totalmente. À hora de jantar desci até à cozinha para jantar com a Mónica e com o Rodrigo e aproveitei para perguntar à Mónica se ela se importava se eu passasse a noite lá em casa, só para ficar com a Andy e ver o estado dela. Ela disse-me que não se importava e ofereceu-me a cama dela. Eu ainda tentei recusar, mas ela não deixou e disse que se arranjava. Depois de jantar fiquei com eles os dois a ver um pouco de televisão.

-Rú, vais precisar de nós? – perguntou-me a Mónica.

Olhei para eles os dois. Estavam preocupados, obviamente, mas também queriam estar sozinhos. E eu estava ali, podiam confiar-me a Andy e eles sabiam disso.

-Não, não vou precisar de vocês. Vão-se lá embora! – sorri.

-Embora? Prá onde? – perguntou o Rodrigo.

-Para onde eu não sei, só sei que vocês querem sair daqui, por isso vá, vão-se lá embora que eu dou bem conta do recado – ri.

-Brigado Rúben! – agradeceu-me o Rodrigo, enquanto eles se levantavam do sofá.

-Sim, sim… Estás a ver como eu já sei o que é que vocês querem?

-Mas amanhã de manhã nós voltamos - garantiu a Mónica.

-Está bem. E não te preocupes que ela está em boas mãos.

-A gente não tem dúvida nenhuma qui sim. – Todos sorrimos. Depois eles pegaram nas coisas deles e saíram. Eu voltei a subir até ao quarto para ver da Andy.

-Rúben… - ouvi-a chamar, ao chegar à porta do quarto.

-Andy.

-Rúben… - voltou a repetir, enquanto se mexia. Bastou uma hora longe dela para a febre voltar ao ponto de delirar.

-Estou aqui, Andy. Estou aqui – disse, tentando acalmá-la. Assim que me sentei junto dela, lançou os braços sobre mim num abraço forte, como que para não me deixar fugir.
 

-Rúben… não te vás embora… por favor…

-Eu não vou, princesa. Vou ficar aqui, do teu lado – sussurrei, recorrendo novamente às toalhas.

-Não te vás embora… Eu preciso de ti… - voltou a balbuciar.

-Eu não vou, eu não vou. Eu sei que precisas, eu vou ficar aqui contigo até ficares boa.

-Eu amo-te, não me deixes, por favor…

-Tu o quê? – perguntei, surpreendido. Ela não repetiu. Não importava. Eu ouvira à primeira. E ao ouvir um enorme sorriso formou-se nos meus lábios. Era como se me tivessem dado o ar de novo. Apenas uma palavra chegou para preencher o meu coração. Sabia que ela não estava a dizer aquilo conscientemente, mas sorri, porque até o seu inconsciente me dizia o que ela ainda não era capaz de dizer-me conscientemente… - Eu também te amo. E nunca te vou deixar. Nunca – sussurrei enquanto sorria e a acalmava. Aos poucos ela deixou de se mover e reparei que estava novamente a dormir profundamente. Sorri.
 
 Ganhei a noite, pensei.

 
E agora, o que se seguirá a esta noite?
 

sábado, 8 de dezembro de 2012

Capitulo 22 (parte III)


 
 Olá :)
Vem, trago-vos aqui mais um capitulo, espero que gostem e deixem os vossos comentários!
Andy, mais um capitulo para ti* Já sabes, a partir de agora, vão ser todos teus :p  Adoro-te Melhor Amiga :D

Beijinhos*
Mónica

(visão Mónica)

 

Depois de todos se irem embora e de eu prometer ao Rúben que quando a Andy chegasse a casa eu avisava-o, fiquei na sala, à espera. As horas iam passando e eu ia ficando cada vez mais preocupada. Não adientava de nada ligar-lhe, pois ela tinha deixado o telemóvel em casa. Só podia esperar… Entretanto ouvi a chave na porta.

-Andy! Onde é que andaste? Estava preocupada contigo! – depois é que reparei no estado em que ela estava. A pingar por todos os lados, com a roupa colada ao corpo. Mas o pior era a expressão dela. Estava completamente apática… -  Oh meu Deus, estás encharcada, vais ficar doente! Anda, vamos lá acima. – Ela limitava-se a olhar para mim. -  Precisas de tirar essas roupas, tomar um banho quentinho. E eu vou-te fazer um chá, também… - peguei nela e conduzi-a até ao andar de cima, até à casa-de-banho. – Achas que consegues arranjar-te sozinha, cá em cima? – perguntei preocupada. Ela acenou que sim. Fiquei a observá-la durante uns segundos, enquanto ela permanecia imóvel, mas depois acabei por sair e desci até à cozinha. O estado dela estava a assustar-me, nunca a tinha visto tão mal… Mas tinha de ter calma para falar com ela e tentar perceber as coisas. Enquanto o chá fazia mandei uma mensagem ao Rúben.

Para: Rúben:

Olá Rú. A Andy já está em casa. Ela não está muito bem mas vai ficar, não te preocupes J E não vale a pena ligares, hoje é melhor não. Se quiseres amanhã talvez possas passar cá por casa, mas é para vires com calma, por favor. Já podes dormir descansado J Beijinhos.

Ele respondeu imediatamente a seguir

De: Rúben:

Obrigado por não te teres esquecido de me avisar! Já sabes que se for preciso alguma coisa, qualquer coisa, eu estou mesmo aqui ao lado, podes ligar-me. Está bem, hoje não ligo, mas amanhã de manhã vou aí ter a casa. Preciso ver como é que ela está e tentar falar com ela. Descansado, descansado não vou dormir, mas já durmo mais tranquilo. Obrigado, mais uma vez, por me teres avisado. Beijinhos.

Ele estava mesmo preocupado com ela, mas também não era para menos. O chá estava pronto. Levei as num tabuleiro para a mesinha junto do sofá e sentei-me neste, dando um pouco mais de tempo e espaço à Andy. Esperei, mas chegou a um ponto que não consegui esperar mais. Subi até ao quarto e entrei lá, preocupada. Ela já estava pronta. Descemos até à sala e sentamo-nos no sofá, com as canecas de chá nas mãos. Permaneci calada, à espera que ela quisesse começar. Passou pouco tempo mas ela não conseguiu dizer nada, então eu perguntei calmamente se ela conseguia fazê-lo, ao que ela respondeu que tentaria. Enquanto respirava fundo para começar, as lágrimas começaram a escorrer-lhe pela cara.

-Hey! Calma! Eu estou aqui! – tentei tranquiliza-la, abraçando-a. Quando finalmente conseguiu acalmar-se, limpou as lágrimas à manga do pijama e respirou fundo.

-Eu fui para a Costa. Pensar… - começou, sussurrando.

-Pensar… - repeti, tentando incentivá-la a continuar.

-Sim, pensar. Pensar no Rúben e nisto tudo que se anda a passar.

-E… Chegaste a alguma conclusão? – perguntei.

-Cheguei.

-E eu posso saber que conclusão é essa? Queres contar-me? – perguntei, tentando incentivá-la, mas deixando claro que só falaria se quisesse.

-Cheguei à conclusão que apesar de amar o Rúben não posso deixar que aconteça alguma coisa entre nós, mesmo que isso me faça sofrer… - respondeu-me, falando já com um tom normal de voz. Eu ainda pensei ter ouvido mal, mas afinal não, ela tinha mesmo admitido que ama o Rúben. Fiquei feliz. Mas ela continuava a insistir na conclusão que me tinha dito a que tinha chegado. Eu sabia que ela estava mal, bastava olhar para ela para se perceber, mas eu não podia calar-me ou concordar com ela. Não podia deixá-la com essa ideia na cabeça. Ela estava a sofrer sem necessidade, e porque queria, o que não era saudável. Dei-lhe um ‘’grande sermão’’, por assim dizer. Eu tinha de ajudá-la a distinguir o correto do incorreto, tinha de fazê-la ver que o caminho que ela queria tomar não era uma boa opção. No princípio ela ainda negou e mostrou resistência, mas depois calou-se. No final ela tentou esboçar um sorriso em forma de agradecimento.


 Eu percebi a intenção e sorri-lhe de volta. Levantei-me, e ela acabou por pronunciar um ‘’obrigada’’.

-Eu vou estar sempre aqui – garanti-lhe. - Não preciso que me agradeças. Dar-me-á mais satisfação ver-te feliz ao lado da pessoa certa. – Ela não disse nada, simplesmente ficou a olhar-me. -  Vá, vamos lá para cima! Tu deves estar cansada e eu também estou. Vamos descansar porque amanhã vamos descontrair as duas! – sorri-lhe. Abracei-a e subimos até ao quarto. Fazia intenções de tornar o dia seguinte um dia para ela descansar, descontrair e arrumar as ideias com calma. Deitámo-nos e eu mandei uma mensagem ao Rodrigo.

Para: Amor:

Olá amor. Olha, a Andy já está em casa, está um bocado em baixo mas vai melhorar. Queria pedir-te se não te importavas que cancelássemos os nossos planos para amanhã? É que a Andy precisa de descontrair e organizar as ideias e eu pensei em fazer qualquer coisa com ela para ajudar… Não precisas avisar o Rúben, eu já o avisei. Ele vem cá a casa amanhã de manhã, se quiseres também podes vir. Beijinhos. Amo-te.

Pouco depois ele respondeu.

De: Amor:

Oi meu amor. Ainda bem qui ela já chegou! Claro qui não há problema, eu entendo. Ela tá mesmo precisando desse tempinho. Tá bom, só espero qui ele vá com calma… Então eu passo aí de manhã pra ver ela e dar um beijo em você. Beijo. Ti amo.

Olhei para a cama da Andy. Estava a custar-lhe adormecer, pois estava às voltas na cama. Quando ela finalmente parou percebi que finalmente tinha caído no sono. Pouco depois também eu adormeci.