quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Capitulo 30 (parte II)

Olá meninas!!
Aqui vos deixo mais um capitulo! E neste capitulo tenho um grande agradecimento a fazer à minha melhor amiga, a Filipa da ''Nothing else but Love'', e à Sofia Martins da ''Me Perdi En tu Sonrisa'', ''Puede Que No Vuelva Más, Pero Ya És Parte de Mi'' e ''When Not Waithing, Love Appears''! Muito obrigada guapas lindas do meu coração! Se não fossem as vossas ideias e a vossa ajuda o capitulo nem a metade estava! Obrigada por me aturarem! Vos quiero! <3

E pronto, espero que goste e me deixem os vossos comentários!!

Besos
Mónica

Visão Rodrigo

Depois de mais três horas muito bem passadas no quarto do hotel a gente finalmente foi jantar. Fomos até ao restaurante do hotel e após sentarmos numa mesa nos entregaram os cardápios.
-Oh my God, as opções são tão esquisitas, não sei como é que alguém tem apetite para estas coisas! - riu ela.
-Os ingleses devem gostar, né? Isso e o Fish and Chips...
-Que também consta aqui, mas não me está a apetecer.
-Isso que eu não como também! Posha, quando eu morei em Bolton a gente comia isso pra caramba!
-Enjoaste - comentou, rindo.
-É, acho que sim, eu nunca gostei muito mesmo!
-Pois, tu és mais do tipo feijoada lá do teu pais.
-Tá me zoando? - sorri.
-Não, eu também gosto, mas és, não és? - riu.
-Sou, ainda por cima a minha avó faz uma feijoada mesmo boa...
-Tá, mas olha, não te babes que aqui não te vão servir isso de certeza!
-É... Tou pra ver o que é que a gente vai comer!
-Espera, espera! Encontrei uma coisa normal! - riu. - Olha ai em baixo, ao lado das saladas!
-É mesmo, alguma coisa decente e que a gente sabe que gosta! Tá decidido?
-Claro que sim! - Chamei o empregado que veio novamente até a nossa mesa e eu fiz os nossos pedidos.
-And to drink, have you decided yet? - perguntou o empregado.
-I want a coca-cola, please - pediu a Mónica.
-And you Sir?
-I'm going to have a red wine, the one from Argentina, ''La Folia''.
-Yes Sir. If you'll excuse me... - se retirou.
-Vinho? - perguntou a minha namorada, fazendo uma cara esquisita.
-Sim.
-Isso vai cair-te mal...
-Descansa que não, eu já experimentei.
-Ai de ti que me vomites em cima! - riu.
-Que graça! Pode descansar! - ri também.
-E depois os ingleses é que são esquisitos à mesa! Essa escolha é um bocado duvidosa!
-Não gosta de mim na mesma?
-Gosto, claro.
-Então pronto, esquece a combinação estranha!
-Está bem - riu de novo. Pouco depois o empregado surgiu com o nosso pedido e logo de seguida surgiu outro com as nossas bebidas.

                                                   ( Homemade macaroni cheese )

                                           ( Red wine, ''La Folia'', from Mendonza, Argentina )

-Tens a certeza que vais fazer a mistura? - ainda perguntou ela antes de a gente pegar os talheres.
-Vou - sorrri.
-E tens a certeza que já experimentaste?
-Tenho.
-E não te vomitaste?
-Não - gargalhei.
-Nem no dia a seguir?
-Não.
-Nem no outro?
-Você tá com tanto medo assim? - ri.
-Sinceramente, acho que sim - riu. - Quer dizer, vais dormir comigo estes dias...
-Amor, lamento lembrar você, mas você só vai me ter na mesma cama que eu hoje, depois eu volto pra Portugal... - respondi, pousando os talheres.
-Ai, pois, mas tu percebeste!
-Tá, eu entendi sim, e te aviso que não precisa ficar alerta não, eu não vou passar mal1 Acha que eu arriscava isso na última noite e no último dia que eu vou tar com você?
-Não, pronto, eu confio em ti! - riu.
-É muito bom ouvir isso, por isso agora pode começar comendo tranquila! - acabei rindo e a gente finalmente começou comendo. A conversa surgiu, como sempre, e dei por mim apreciando ela mais ainda do que o normal. Esse tempo, essa confusão deram cabo da gente, e pensar que nesse momento a minha vida tava deprimente até nem poder com ela, sem a minha menina do meu lado, me arrepiava. Um mês não é tanto tempo assim, mas parece que eu já passei metade da minha vida com ela. Se tirassem metade da sua vida, de repente, você ia conseguir viver de novo em condições? Eu nem viver ia conseguir! Me chama de dramático, exagerado, loco, o que quiser, mas viver sem ela não era mais possível!
-Estás tão pensativo amor. Estás a reconsiderar a tua opinião em relação á mistura? - riu, quando a gente terminou.
-Nada disso meu bem, tava pensando em coisas completamente diferentes, tava pensando em você!
-Em mim? - perguntou, curiosa.
-É, em você, em o quanto a minha vida não ia fazer sentido se eu deixasse de ter você!
-Ai amor, nem a comer deixas de ser tão querido? - perguntou, naturalmente afetada pela sinceridade das minha palavras.
-Se me perguntar quando que eu não tou pensando em você vai ser difícil responder.
-Assim fica difícil! Podemos pedir a sobremesa para depois sairmos daqui e eu te encher de beijos?
-Porquê não pode me dar um agora? - desafiei.
-Posso claro, mas um não me vai chegar, estás muito querido hoje!
-Então me dá e eu vou continuar sendo ainda mais! - Ela me deu um sorriso lindo e depois juntou seu lábios nos meus de forma rápida. Poucos segundos depois já o empregado tava junto da gente com o cardápio das sobremesas, que a gente escolheu, com alguma dificuldade, visto que dos doces a gente conhecia e gostava de quase todos.

                                                       ( Chocolate fudge brownie )

-Oh seu guloso, tens chocolate no queixo! - riu.
-Tira pra mim?
-Como? - provocou.
-Do jeito mais decente, vamo deixar as indecências só pra gente - respondi de igual modo, ao que ela retorquiu com um sorriso enorme meneando a cabeça e contendo uma gargalhada.

Depois de a gente terminar e pagar, vestimos os casacos e fomos passear. Os nossos corpos estavam quentes de amor e carinho suficiente pra esquecer o frio lá fora.
-Adoro andar na rua à noite. E desta vez o frio é irrelevante, tenho-te comigo.
-Quer ver que isso se pega?
-Isso o quê amor?
-Essa coisa de ser muito querido! - Ela gargalhou.
-Talvez amor, mas eu não preciso disso para te dizer o que sinto e o que penso.
-Não precisa não, eu sei você de cor meu amor!
-Ai, Rodrigo a sério, daqui a nada eu derreto!
-Boba - sorri, apertando mais ela contra mim, enquanto a gente andava.
-É verdade, se tu soubesses o que o que tu dizes me provoca cá dentro! Parece que o meu coração quer sair!
-Minhas palavras também fazem isso? Pensei que eram só meus beijos! - brinquei.
-Podemos experimentar, já que tinhas dúvidas! - sorriu matreiramente.
-Então vem aqui me esclarecer - respondi, me referindo à distância que ela ia ter de travar entre as alturas das gente.
-Vem cá tu e comprova! - Imediatamente depois das suas palavras sublinhadas de um sorriso desafiador, eu peguei ela pela cintura e a ergui, colada em mim, até conseguir uni os nossos lábios sem precisar me baixar. Depois coloquei ela no chão de novo e separei nossos lábios. O contraste da temperatura e da nossa respiração se fez notar no ar.
-Foi boa a viagem? - perguntei, sorrindo.
-Foi óptima. E a dúvida, esclarecida?
-Que dúvida? Ah, isso? Não, isso foi só uma desculpa pra te pegar e te deixar sem ar!
-Tosco!
-Que você ama!
-Que eu amo - repetiu, com um sorriso doce. Voltamos a nos abraçar e continuámos caminhando. Parámos junto da Catedral de Ely.









-Vem! - falei pra ela, nos levando pra junto de uma árvore. - Vamo subir?
-O quê? A árvore?!
-Sim!
-Estás doido!
-Sério! Não é alta, a gente consegue sentar naquele ramo! - respondi, apontando o ramo mais baixo e grosso o suficiente pra suportar o nosso peso.
-Rodrigo, eu não vou subir, ainda caio dali a baixo!
-Eu te seguro, te ajudo a subir!
-És chato!
-O chato que você ama! Agora vem aqui que eu te ajudo! - Ela acabou cedendo e a gente sentou na árvore.
-E pretendes fazer o quê aqui sentado?
-Pra começar, te beijar.
-Há bancos, no chão amor, podíamos sentar lá, é mais seguro.
-E perder a adrenalina e o romantismo daqui? Não meu amor.
-Ai, está bem, pronto amor. Mas se...
-Pára de protestar e me deixa te beijar?
-Já me calei - respondeu, com uma expressão tão doce, e de quem esperava ansiosa pelo meu beijo.
-Não é bom? - perguntei, depois de roçar o meu nariz no dela, após terminar o beijo.
-É - sorriu.
-Amor, consegue imaginar você um dia voando no espaço, se sentindo a maior estrela das constelações?
-Hã? Não, claro que não, isso é um bocado irracional amor, estás a descer na ascensão da espécie, ou quê? - riu, meio confusa ainda com a pergunta.
-Não sua boba.
-Não parece! Daqui a pouco viras primata, até já ás árvores queres subir! - voltou a rir, e eu ri junto.
-Não é isso meu bem, eu só quero que você perceba que como essa pergunta parva e irracional, eu já não sei viver sem você! A minha vida ia passar sendo da espécie anterior à atual do Homem, nem razão nem coração, só alma vazia. Ela ficou calada, de boca aberta e olhos brilhantes. Toquei seu coração, mais uma vez. Era lá que o meu amor por ela deveria chegar.
-É por isto, por seres quem és, como és, por valorizares o invalorizável pela sociedade, por te preocupares, por usares o coração à frente de tudo que cada dia me apaixono por ti, uma e outra vez - acabou dizendo, deixando uma lágrima cair. Era a mais pura reação ao meu amor, feita de amor, derivada de amor, pra prolongar esse sentimento, o amor.
-Você é a mulher da minha vida, mas mais que isso, você é a razão principal pelo bater do meu coração a cada segundo. é o motivo do meu sorriso mais fácil e do mais dificil, é você que dá direção pra minha felicidade, e eu te juro que do seu lado ela é plena. - Ela nem chegou a me responder. Segurou meu rosto e me beijou, com todo o amor que faiscava nessa noite. Tava sentindo o que ela dizia sentir, o meu coração tava querendo saltar pra fora do meu peito. Não havia sensação melhor nesse momento que sentir o amor dele bem dentro do meu peito, ressoando, explodindo, me lembrando a razão pra ela ser a única. Pra ela ser a tal. - Tem a sua chave de casa ai? - perguntei, interrompendo o silêncio preenchido por sorrisos apaixonados e olhares radiantes refletidos um no outro e escrevendo seus nomes na lua.
-Tenho, mas porquê amor?
-Me dá?
-Sim... - respondeu, meio reticente, me entregando a chave. Escolhi a mais bicuda e estendi a mão pró tronco da árvore, começando depois a raspar. - O que é que estás a fazer amor?
-Vou escrever os nossos nomes. Quero gravar eles aqui, assim como o seu tá no meu coração.
-Eu escrevo o teu! - se ofereceu. Eu terminei de escrever o dela e dei a chave pra ela que começou logo escrevendo o meu.
-Agora deixa eu acrescentar aqui uma coisa - pedi, pegando a chave de volta.
-Um de Dezembro de Dois Mil e Doze... - sorriu, lendo o que eu tinha acrescentado.
-E como vai ser pra sempre, fica assim só, a gente não vê o fim. - Ela me deu um beijo.
-Eu amo-te Rodrigo. - Meus olhos brilharam. Ela falava aquilo pra mim milhares de vezes num dia, e em nem uma os meus olhos deixavam de brilhar ou o meu coração deixava de acelerar.
-Posso te responder como me tá apetecendo?
-Podes, desde que não implique eu cair daqui, podes! - riu. Eu sorri pra ela e enchi meu peito de ar.
-EU TE AMO! - gritei de uma vez só. A sobrecarga do amor tava me dominando. Tava sentindo tanto ao mesmo tempo que gritar isso desse jeito me aliviou um pouco.
-Rodrigo! - tentou repreender, no entanto o sorriso dela era enorme. - O vinho fez-te efeito!
-A culpa disso é sua! Me faz sentir tão bem que me faz fazer essas coisas!
-Tu és doido! Sabes onde é que estamos? E estamos mesmo em frente à catedral!
-E então? Assim soa ainda mais romântico! - ela gargalhou e eu me senti flutuando. - Experimenta!
-Eu? Não.
-Sim, você! Experimenta! Vai ver como vai se sentir bem!
-Mas...
-É só gritar! - Ela respirou fundo.
-AMO-TE! - gritou, rindo em seguida. Eu sorri e abracei ela forte.
-Não soube bem?
-Soube! - sorriu, e eu tornei a juntar nossos lábios. Isso era uma necessidade essa noite, ainda maior que os outros dias. - Amor, eu tenho uma coisa para te dizer - falou, interrompendo um beijo pra resfolegar.
-É importante? É que tava tão gostoso.
-É.
-Então fala!
-Eu vou voltar contigo para Portugal.
-Tá falando sério? - perguntei, ainda incrédulo.
-Sim! - sorriu.
-Meu Deus, que bom! - quase gritei, apertando ela num abraço e detribuindo vários beijos no rosto dela.
-Sim amor!
-Não tou nem acreditando!
-Mas, eu precisava de ficar uns dias em tua casa, até encontrar emprego e uma casa para alugar.
-Claro meu amor, claro que sim! Você podia até ficar vivendo lá em casa, a Mariana vai ficar lá também, mas ela passa muito tempo com o Mauro e depois vai prá Faculdade aqui também!
-A sério? Que bom! Mas olha amor, eu agradeço, mas, neste momento prefiro alugar uma casa, assim que conseguir. Eu não quero apressar as coisas entre nós, e acho que se ficasse lá definitivamente podia não correr tão bem.
-Tá, tá bom, mas o importante é que você vai! Eu tou tão feliz meu amor!
-Eu também amor! - sorriu, e eu, pela milionésima vez nesse dia, beijei ela como a minha maior necessidade. Essa noite tava sendo uma noite perfeita, e essa noticia tinha aparecido pra melhorar ainda mais! Não tava nem acreditando que ela ia voltar pra Portugal, comigo! Se não era amor, era o quê então? Me envolvi tanto nesse toque dos nossos lábios que nó voltei a despertar quando senti gotas, geladas, caindo, torrencialmente.
-Caraca! - reclamei, me separando dela.
-Que bom! - ironizou. - Vamos embora amor!
-Porquê? Tá gelada, mas eu gosto de ficar na chuva! - ri, saltando pró chão, e depois ajudando ela a descer da árvore também.
-Eu também, mas isso é quando posso! Não te esqueças que tu tens os treinos e tens de recuperar a titularidade e eu quero começar logo a procurar emprego!
-Tá bom, pronto, vamo embora então! - acedi, segurando a mão dela.
-Vamos a correr, mas não me largues, se não eu fico para trás! - riu, eu sorri e a gente começou correndo.
-Wohoooooo! - gritei, de repente. Hoje a melhor forma pra libertar tanta pressão boa tava sendo gritar!
-Doido! - falou ela pra mim, num tom mais alto, rindo. Eu ri com ela e pouco depois chegámos no hotel. - Vão pensar que somos malucos - riu, assim que chegámos na recepção.
-Não sou daqui mesmo! - ri também. Assim que coloquei o meu olhar no balcão a repcionista tava olhando pra gente com uma cara confusa, o que me deu vontade de rir, mas me controlei.
-I'm so sorry, we were outside and started to rain and we got nothing to protect us! - se desculpou a minha namorada, também com vontade de rir.
-We understand, you're not the first ones coming here like this, it's normal, we never Know when it's going to rain. You can come up to your room and our people clean all, don't worry about it.
-Thank you!
-What's your room?
-The 22 - respondi eu rapidamente. A recepcionista nos entregou a chave e a gente subiu rápido até o nosso quarto. Lá dentro, começamos rindo muito.
-Ai, viste a cara da mulher amor? Ela disse que não eramos os primeiros, mas ficou cá com uma cara!
-Eu tava me esforçando pra não rir na frente dela!
-E eu enquanto falava!
- Agora vem, vamo ficar quentinho! - puxei ela comigo até ao banheiro. Depois de encher a banheira de espuma, a gente tirou todas as roupas, encharcadas, e entrou na água quente. Não resisti e puxei ela pra junto de mim.

- Você já falou pra Andreia que tá indo embora comigo?
-Não. Eu só decidi que ia hoje.
-Então eu te ajudo a falar pra ela.
-Não amor, não é preciso. Aliás, eu preciso de falar com ela, a sério e sozinha. E também tenho de falar com o primo dela e a namorada dele, foram eles que me deram casa este tempo todo, e eu nem sou da família!
-Tá, mas quer que eu vá com você até lá, pelo menos?
-Podes ir, mas quando for falar com a Andreia vou sozinha. Tenho algumas coisas para lhe dizer para além de dizer que vou voltar contigo!
-Mas vai com calma, tá? Eu não quero que você saia mais magoada ainda amor!
-Eu sei amor, mas há coisas que tenho mesmo de dizer-lhe, independentemente das consequências.
-Mas eu vou tar do seu lado.
-Eu sei amor, obrigada.
O banho demorou, porque entre o aquecer houveram muitos carinhos, mas depois que agente saiu, vestimos as roupas pra dormir e nos deitámos por baixo dos lençóis, abraçados. A última palavra que escutei antes do beijo dela e de fechar os olhos foi ''Amo-te''. Depois cai num sono tranquilo.

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

Capitulo 30 (parte I)

Olá meninas!
Finalmente vos trago mais um capitulo! Não é muito grande, mas espero que gostem!
Deixem os vossos comentários, por favor!

Besos
Mónica

Visão Rodrigo

-Tá demorando pra você se levantar hoje, hein? - falei, vindo do banheiro. Ela ainda tava deitada, de barriga pra baixo, meio descoberta pelos lençóis. Parecia cansada mesmo, mas a gente tinha de levantar. Ela nem me respondeu, por isso subi na cama e colei minha pele na sua pele desnuda, deixando a água do corpo, depois do banho, molhar ela, atribuindo um beijo no seu ombro. - Vai levantar ou eu vou ter de tirar você da cama à força?
-Ai, pronto, eu levanto-me... - respondeu, ainda de olhos fechados.
-Assim que eu gosto.
-Vê lá se queres gostar de outra coisa! - falou ela, se espreguiçando e finalmente abrindo os olhos.
-Vindo de você não tenho dúvida que ia gostar mesmo! - sorri, permanecendo no lado dela.
-Já foste tomar banho? - perguntou, meio desanimada.
-Já. Eu te chamei, mas você falou que era só mais um instante e acabou ficando ai.
-Pronto, desculpa, eu levanto-me.
-Não precisa pedir desculpa, você que perdeu mesmo - ri, brincando.
-Perdi o quê? - perguntou, se sentando na cama de frente pra mim.
-Um banho comigo.
-Ah, isso.
-Isso?
-Podes ir outra vez comigo, não pagas mais por isso, acho eu.
-De novo?
-De novo. Mas decide-te rápido que eu quero despachar-me!
-Agora tá com pressa, é? - perguntei, observando ela se dirigir pró banheiro.
-Estou! Estou a morrer de fome, tu não?
-Nem lembrei.
-Milagre! - riu. Me levantei e fui ter com ela.
-Ah, você não me deixou lembrar!
-Eu? Eu estava a dormir! - cheguei junto dela e fiquei observando enquanto ela regulava a temperatura da água.
-Me desconcerta do mesmo jeito! - respondi, ao que ela reagiu com um ''Oh'', estendendo de novo a mão pra ver a temperatura da água. - Quer mesmo a minha companhia ai dentro? Olha que eu vou sobreaquecer a água!
-Cala-te e vem! - falou, entrando na banheira, gesto que eu repeti com todo o prazer.
Depois de a gente se vestir saímos pró restaurante do hotel pra almoçar, visto que tava na hora, e acabamos por subir de novo no quarto pra descansar um pouco. Eu cheguei no quarto e me sentei na cama, encostado nas almofadas da cabeceira, e ela resolveu se sentar no meio das minhas pernas, se encostando a mim.

-É provável que vás gastar pelo menos metade de um dos teus ordenados nestes dias, não é? - falou, meio que resmungando.
-Não vejo qual é o problema.
-É muito dinheiro, amor!
-Ai você acha muito? Se fosse o Rúben era capaz de ele gastar dois ordenados só pra dar o melhor prá Andreia!
-Tu não és o Rúben...
-É, não sou, mas sou loco pela minha namorada também, e só quero dar o melhor pra ela!
-Ai, pronto, está bem, não reclamo mais dos gastos destes dias! - acabou concordando com um sorriso.
-Amor, por falar no Rúben, você ainda não contou pra mim que é que aconteceu com vocês...
-Queres mesmo que te conte...? - perguntou, já com um expressão triste.
-Claro que eu quero.

*****

-Dá gosto ver alguém tão apaixonado e feliz, mais ainda depois de tudo que ele passou! Mas sabes, tu trouxeste isso de volta, mas acabaste de tirar-lhe de novo, e não duvido que seja pior desta vez! - Ele fez uma brevíssima pausa que eu tentei aproveitar para falar, mas novamente fui impedida. - Porra Mónica, desiludiste-me! - pronunciou, com uma expressão desgostosa. - Logo tu! Tu ajudaste-me tanto, mas tanto com a Andreia, tu trouxeste o meu amigo de volta à vida, tu eras aquela amiga que estava lá não interessava o quê, quando, como, porquê... Como é que conseguiste mudar assim do nada? Foi o atrasado do inglês que te fez a cabeça? Ou então se calhar tudo isso era uma mentira que contavas todos os dias, a toda a hora... Só não percebo o fim disso. Magoar ainda mais o Rodrigo? Não eras tu que te dizias a maior fã dele? Ou então também era mentira, espera... - Cada palavra, cada ressoar no tom de voz do Rúben estava a matar-me. Fazia doer a cada ínfimo milésimo de segundo, cada vez doía mais. Doía tanto que o melhor me parecia deixar doer até a alma secar e sangrar e deixar de sentir e pensar. Ainda quis tentar pronunciar-me, defender-me e clamar pela minha inocência, mas as lágrimas taparam-me a voz e turvaram-me a visão.  Será que o resto do mundo ainda desabava, ou ia ficar a pairar sobre mim ainda? - Eu queria deixar-te pior, juro que queria! Queria que sentisses o que ele está a sentir agora! Mas não consigo... Já não consigo deslindar palavras para te mostrar a desilusão que me deste! - Olhou-me desprezivelmente e voltou a fitar o chão. - Só mais uma coisa. Eu vou-me embora amanhã, mas quero que saibas que não quero que voltes a aproximar-te do Rodrigo. Acho que já chega. - Dito isto voltou costas e saiu do quarto.

*****

-Mas já passou... - disse ela, não-convincentemente, quando terminou de me falar o que o Rúben tinha falado pra ela.
-Não passou não, dá pra ver que não meu amor... - segurei a mão dela.
-Vai passar amor... Agora ainda não, porque, apesar de eu adorar o Rúben, as palavras dele magoaram-me... Eu sei que ele não teria dito nada daquilo se soubesse o que se passou realmente, mas ele não me deu hipótese para explicar e disse o que disse na mesma... Mas vai passar.
-Você sabe que o Rúben não é desse jeito, ele é compreensivo e calmo, mas ele viu vocês se beijando e tudo mais e pronto, se precipitou e partiu pra defesa do que ele acreditava.
-Eu sei amor, não te preocupes.

-Então e aquele vagabundo do inglês, vai ficar longe agora né?
-Eu disse-lhe que nunca mais queria falar com ele.
-Onde que ele mora?
-Para quê, amor?
-Me fala.
-O que é que vais fazer?
-Conversar.
-Rodrigo esquece.
-Não vou esquecer. Quando a gente se conheceu a gente fez um aviso mutuo. Ele te desrespeitou e eu vou lá lembrar ele da nossa conversa!
-Oh Rodrigo não, eu não quero que ninguém se magoe! Vamos esquecer!
-Se eu não quebrar a cara dele ele vai ter muita sorte.
-Rodrigo! - pediu, se virando pra mim.
-Me fala e a gente vai lá.
-Rodrigo - tentou me dissuadir de novo.
-Não vai resultar amor, eu vou lá nem que eu tenha de descobrir sozinho onde que ele mora!
-Pronto, está bem, eu digo. Mas eu vou contigo!
-Claro que você vai, ou você acha que eu ia te deixar aqui pra ele depois negar tudo porque você não tá lá?
-Achas que ele era capaz disso?
-Eu acho que você não conhecia ele tão bem assim! Se fosse preciso eu acho que ele ia inventar que você que tinha inventado tudo isso pra cima dele! Ele foi capaz de te enganar do jeito que fez, por isso eu acho que ele era capaz sim!
-Sim, tens razão. Quando é que vamos?
-Agora! Eu quero resolver isso logo!
-Está bem - concordou, saindo da cama, gesto que eu igualei.
 

Visão Mónica


Quarenta minutos depois o táxi deixou-nos em frente da casa do Zach. Eu preferia não lá estar, ainda menos devido às circunstâncias que lá nos levavam, e eu sabia que ele estava em casa. Mas persuadir o Rodrigo a não ir foi uma tarefa em vão, por isso vim com ele. Conhecia o homem que tinha ao meu lado, mas o outro já nem tanto, por isso queria estar por perto para tentar suavizar os ânimos se preciso fosse.
-Ele mora aqui? - comentou o Rodrigo, assim que o táxi se foi embora. Agarrei-me imediatamente a ele.
-Mora. E está em casa.
-Tem certeza?
-Sim. Ele está sempre em casa a esta hora.
-Então vamo logo. - Chegámos ao portão e entramos para o caminho de acesso à casa até chegarmos à porta. Toquei duas vezes, como costumava fazer quando lá ia. Poucos minutos depois a porta abriu-se. Assim que nos viu a sua expressão alterou-se da de descontração com que foi abrir a porta. Surpreso, e talvez receoso também, foi o que a sua expressão demonstrou à primeira impressão. Primeiras impressões era tudo o que podia extrair, e mesmo essas poderiam não ser fiáveis. Quanto mais e melhor julgamos conhecer, menos profundamente essa pessoa se devota a nós como nós fazemos para com eles. Aquele que pensei conhecer melhor que ninguém desde à uns meses tinha-se revelado o maior estranho na minha vida. E o maior estranho a deixar danos no meu orgulho.
-We need to talk, now. - disse o Rodrigo assumindo a dianteira. Ele não queria molengar, ele estava ali com um propósito, por isso o melhor era despachar tudo rápido. Passamos pelo Zach, que ficou à porta de boca aberta, e entramos direcionando-nos para a sala. Ele não estava sozinho. Que sentido de oportunidade fantástico que o meu namorado tinha. A Candice estava lá..
-I didn't invited you in - reclamou o Zach, batendo a porta e indo também para a sala.
-Rodrigo want to talk with you - disse-lhe, apertando a mão do meu namorado.
-I don't understand what you're doing here, I don't even know you! - continuou o Zach a espingardar, dirigindo a palavra ao meu namorado.
-Oh you don't? From what you said to my girlfriend, I would say that you do know me, and you knew that she is my girlfriend. Are you anmesic now?
-What's going on here? - perguntou a Candice, levantando-se do sofá.
-Nothing Candice, I think you shoul better go, we talk later - desculpou-se o Zach, tentando apressa-la.
-You're his mate at the serie? - perguntou o Rodrigo à Candice.
-Yeah, but, what's happening here? - voltou ela a perguntar, confusa.
-Nothing Candice, go home please! - disse-lhe novamente o Zach.
-No, stay please, you're in this too, you just don't know - pediu o meu namorado.
-What are you saying? - ela estava cada vez mais confusa.
-Nothing, he's a liar, don't listen to him! - apelou o Zach, e o meu namorado ia responder, mas eu apressei-me.~
-No Zach, you are the only one that lied in all this!
-Hey! Please, tell me what's going on here! What do I have to do with this fight? - pediu novamente a Candice, já mais que confusa.
-He lied to me and used you as an excuse - esclareci-a.
-What?! - perguntou incrédula, olhando para o Zach.
-It's not true! - mentiu ele.
-How can you do this after all that?! I trusted you and you say that I am lying now? It wasn't me that said that was trying to get Candice, wasn't me asking advices about myself and my qualities as a woman to make her fall for me! And then it was a big lie to have something that you knew so well that belongs to him!
-You... you did that Zach?! - perguntou-lhe a Candice, pasmada.
-No, no I didn't! - respondeu, porém já estava mais derrubado pelo que não conseguiu levar verdade às palavras.
-Why did you put my name on this? Are you crazy?! If her heart belongs to him and you knew it why did you do that? She was your best friend! You should her respect!
-She broked my heart!
-I didn't choose to do it! You know that I was the first trying not to hurt you! We don't pick to fall for that certain person! You were so importante to me... but I didn't loved you the same way, my heart choosed him, and I'm happy, I'm so damned happy! If you really cared with me and with my happiness, like my best friend, you would be happy too just to see that I'm happy! But you did the opposite, you tried to destroy it!
-I tried to make you love me, to forget him, to see that I could be better to you!
-You're better away from her! If you really loved her like you said you would do anything you could to make her happy, even if it hurts! - desta feita foi o Rodrigo que respondeu.
-I'm not talking to you!
-But I came here to talk to you, to remember how you can maintain a promessa! When we meet we both made a warning, don't you remembre? You disrespected her, you've broke the promisse to keep her happiness first than everything, so I want to advice you now that it's better not to even think about her! You've lost that right!
-Why? Are you afraid that I think about her like I was going to sleep with her and pretend to love her just to have a little fun like you do? - Senti-me enojada. Não acreditava que ele descesse tão baixo. Eu avancei na sua direção, mas só dei um passo, porque o Rodrigo foi mais rápido. Em segundos vi o meu namorado levar a mão cerrada num punho à cara dele.

-Clean your mouth when you talk about her. You can not give her her value, but she's the woman of my life, and you're no one, so be careful! - disse-lhe o Rodrigo, contendo a ira de dentes cerrados. Segurei a sua mão e puxei-o mais para trás, para junto de mim.
-Guys, I'm going out of here 'cause I can't look at him anymore! Mónica, we talk later, okay? - disse a Candice, agarrando nas suas coisas e dirigindo-se para a porta.
-We're going too, we've got nothing to do here anymore! - disse eu, tentando puxar o Rodrigo.
-You'll never have with her what I had! - ouvi o Zach a dizer para o Rodrigo, ainda no chão, enquanto tentava limpar o fio de sangue que corria do lábio na camisola.
-You're right, 'cause you and her never really had something, and I will make her the happiest girl in the world, something you couldn't do in a million years! - respondeu-lhe o Rodrigo, seco mas convicto, virando-se em seguida para mim, iniciando comigo o caminho para fora de casa. A Candice ofereceu-se para nos levar e então durante a viagem contei-lhe todo acerca do que o Zach tinha negado. Enquanto lhe contava, e ela ouvia, completamente pasmada, o Rodrigo estava ao meu lado, nervoso e revoltado no seu interior. Estava demasiado tenso. Apertei-lhe a mão, suavemente, tentando, um pouco em vão tranquiliza-lo. Quando chegamos em frente ao hotel agradecemos à Candice e saímos do carro, entrando então no hotel. Subimos até ao nosso quarto e assim que lá entramos o Rodrigo foi direto para a casa de banho. Fui ter com ele, com calma.
-O que é que se passa amor? - perguntei, pousando uma mão no seu ombro.
-Nada meu bem.
-Se é por causa do que aconteceu com o Zach à bocado, não vale a pena pensares mais nisso, e  muito menos estares assim amor.
-Eu sei amor.
-Então se sabes porque é que estás assim amor?
-Porque eu não gostei nada das coisas que ele falou amor, você nem sabe como...
-Amor calma, a sério, ele não merece que fiques assim. E eu não te quero assim! Eu já esqueci tudo, e vou tratar de esquecer que ele existe, e tu devias fazer o mesmo!
-É um pouco difícil amor, ainda por cima eu bati no cara!
-E foi bem dado!
-Você não queria que isso tivesse acontecido.
-Se não lhe tivesses batido tinha ido eu!
-Eu fiquei com uma raiva dele...
-Nunca pensei que ele fosse assim. Mas já chega de falar dele! Agora só quero saber de ti, de preferência com um sorriso na cara e bem juntinho de mim! - disse-lhe, abraçando-me a ele e dando-lhe um pequeno beijo.
-Eu ficava doido se não tivesse você do meu lado, meu amor! - disse-me, mostrando-me um sorriso.
-Ainda bem que eu quero ficar contigo para sempre!
-Quer mesmo?
-Duvidas?
-Não!
-Ah.
-Então e agora, que é que você que fazer?
-O tempo está uma bela porcaria para irmos passear, ainda por cima não temos carro, e este tempo dá-me vontade de ficar em casa, por isso estava a pensar enfiar-me na cama contigo!
-Hm, proposta interessante essa, posso te levar pra lá agora?
-É claro que podes! - ri, e ele pegou-me ao colo e levou-me para a cama, onde me presenteou com inúmeros beijos.
-Estás a ver, estamos mesmo bem, tu até quase me pedis-te em casamento, para que é que havemos de pensar em coisas e pessoas que não têm importância! - ele gargalhou, e essa mesma gargalhada, um gesto tão simples e vulgar fez-me sentir... inexplicavelmente feliz, recolhida num conforto tão bom, que senti que era aquela mesma gargalhada que eu iria querer ouvir por toda a minha vida. - Gosto tanto quando ris!
-E eu gosto de fazer você rir!
-Então podes ficar contente, porque contigo é isso que mais faço!
-Fico muito contente sim, mas, você tem certeza que é isso que você faz mais comigo?
-Ai pronto, já percebi, não, não é! - ri.
-Bom, quer ver um filme pra passar o tempo?
-Quero.
-Ainda bem que eu trouxe o meu computador! Já sei que filme que a gente pode assistir! - saiu da cama e foi até à sua mala, de onde tirou o seu computador, regressando de seguida para junto de mim, de baixo dos lençóis. - Acho que você vai gostar!
-Qual é?
-Já vai ver! - sorriu e ligou o computador. Reparei de imediato na imagem que tinha como fundo. Ele e a Mariana.

-Que lindos amor! - sorri.
-Obrigado meu amor.
-Tens as nossas no computador?
-Tão aqui sim, eu passei elas quando você voltou pra cá com a Andreia. Quer ver?
-Pode ser amor. - ele foi às pastas e abriu a nossa. Ficamos a vê-las e a relembrar os momentos e quando terminamos, depois de alguns beijos e gargalhadas, fomos finalmente ver o filme. The Vow.

 Abracei-me a ele, encostando a cabeça no seu peito e ele envolveu-me com os seus braços.
"Um momento de impacto tem a capacidade de mudar, tem efeitos bem além do que podemos imaginar. Em alguns, algumas partículas batendo umas nas outras. Deixando-as mais unidas do que antes; enquanto mandam outras para grandes desafios. Indo parar onde nunca achou que iriam. Essa é a questão sobre momentos assim. Não pode controlar como irão te afetar. Tem que deixar que as partículas se colidam. E esperar até a próxima colisão."

-Fazias a mesma coisa se acontecesse connosco amor? - perguntei, assim que o filme terminou.
-Eu já tento fazer todos os dias que você se apaixone por mim de novo e de novo. Mas é claro que eu fazia, meu amor. Eu ia buscar todos os detalhes, todos os momentos, e fazer de novo até você lembrar.
-E se nunca voltasse a lembrar-me, como aqui?
-Ai eu ia tentar começar uma nova história prá gente, mas eu nunca ia esquecer o que a gente já tinha passado.
-É bom saber isso - sorri.
-É bom saber que você me ama.
-Ai, amo,amo muito! Eu não quero que aconteça de novo nada disto que aconteceu com o Zach!
-Quem é esse que eu não lembro? - sorriu.
-Sim, tens razão, ele já não existe para nós! Mas eu nunca mais me quero separar de ti por coisas destas!
-Isso não vai voltar a acontecer. E desculpa se a minha confiança em você vacilou...
-Shhh... - interrompi-o, pousando o indicador nos seus lábios. Ele aproveitou e depositou um pequeno beijo no mesmo. - A tua confiança em mim não vacilou, tu no fundo sabias que eu não te tinha traído, se não não tinhas vindo aqui para me ouvir. E agora chega disto, chega de pedidos de desculpa e lamentações! Já passou! Estamos bem, é isso que importa!
-Tá, desculpa.
-Eu disse chega de pedidos de desculpa! - sorri. - E bem, já são 17.00h, por isso vamos até lá abaixo que estou com fome!
-Tá parecendo eu!
-A diferença é que tu andas esquisito em relação a apetites!
-A fome tem sido pouca, mas se você me ajudar vou voltar num instante ao normal! - riu.
-E como é que queres que te ajude?
-Tou precisando partilhar afeto.
-Podemos ir comer e depois vamos a isso?
-Pra ir comer de novo depois de tratar do assunto?
-Sempre podemos estender o assunto até à hora de jantar, são só três horas...
-E você aguenta?
-Tu fazes-me aguentar...
-Vamo ver se eu aguento... - disse ele, quase sussurrando.
-Viraste fraquinho agora, foi? - brinquei, roubando-lhe um beijo.

-Não virei fraquinho, mas das semanas fizeram diferença.
-Ui que não podes parar durante muito tempo... - ri, e logo de seguida ele abraçou-me e deitou-me na cama, pairando sobre mim.
-Não garanto essas três horas pra você, mas tentar não custa, né? - sorriu, não me dando tempo para responder ao beijar-me calmamente e depositando o peso do seu corpo de igual forma sobre o meu.

sábado, 14 de setembro de 2013

Capitulo 29 (parte II)

Olá meninas!
Então, aqui está mais um capitulo! Espero que gostem tanto quanto eu gostei de o escrever! E já agora, já sabem, deixem os vossos comentários, sim?

Besos
Mónica

Visão Mónica

Não parecia real outra vez! Tive tanto medo, mentalizei-me tão erradamente que ia ser o fim, que agora que o mesmo não chegou, não parece real! Aquele sufoco no peito, a vontade de não estar, não ser, não existir, já tinham quase desaparecido! Sim, quase, porque o assunto da Andreia e as palavras do Rúben não desapareceriam tão facilmente.
-A Mariana berrou assim que eu falei que a gente tinha se entendido! - riu o Rodrigo, voltando para junto de mim.
-Que querida! - ri também.
-É, ela me puxou muito pra eu tomar a decisão de vir aqui falar com você!
-Posso dizer-te uma coisa, e não ficas chateado? - Ele ergueu a sobrancelha, duvidoso acerca do que se seguiria, acabando por responder que sim. - Ela ligou-me, na noite em que o Rúben te ligou. E eu sei que tu não querias, ela disse-me, mas para que saibas, ela foi a única que se dedicou a ouvir-me, na altura, e ficou do meu lado. Ela foi o meu único apoio. Não te zangues com ela.
-Eu não vou me zangar. Agora eu fico é muito agradecido que ela tenha feito na mesma, porque assim você sempre teve alguém do seu lado quando todo mundo virou costas pra você! Sem falar que foi ela que contribuiu muito pra eu chegar na conclusão que eu precisava vir aqui!
-Ainda bem, acredita que ela fez isso para nos ajudar. Ela faz tudo para te ver feliz!
-Eu sei que faz, ela sempre fez. Parece que ela que é a irmã mais velha, sempre me tentando proteger, me ajudar!
-Tu também fazes isso por ela, só que, feliz ou infelizmente, não sei, tu tens precisado mais disso que ela.
-É, eu tenho é muita sorte mesmo de ter uma irmã como ela!
-Tens mesmo!
-E agora eu posso acrescentar que para além de uma família fantástica, eu tenho uma namorada maravilhosa!
-E eu tenho saudades tuas! - declarei, abraçando-me a ele com força.
-E eu de você, meu amor! - correspondeu ao abraço de igual forma.
-Até quando é que ficas cá?
-O Mister me deu uma semana, mas eu não preciso de tanto tempo. Apesar de eu querer muito ficar aqui essa semana com você, eu quero, e preciso muito voltar, fazer os melhores treinos da minha vida pra voltar a ser titular!
-Sim amor, vai! Nós já estamos bem de novo, por isso agora tens de endireitar a tua carreira!
-É, mas eu não vou amanhã não, vou só depois de amanhã. Já que eu tenho esses dias vou aproveitar um pouquinho! - sorriu.
-Acho que vais poder aproveitar mais do que ''um pouquinho''...
-Como assim?
-Eu vou passar os dias que cá passares contigo.
-Sempre que você puder, eu quero!
-Vou puder muito tempo, tirando só quando estiver na Faculdade.
-Mas e o seu emprego? Tá de férias?
-Não, a menos que queiras chamara-lhe férias prolongadas até nova solução.
-Você perdeu o emprego? - perguntou surpreendido.
-Despediram-me.
-Mais alguma coisa correu mal pra você? É que desde que essa confusão começou a gente tem tido pouca sorte!
-Foi a falta de empenho, a falta de vida. Mas agora já estamos bem de novo, eu já estou bem, tu já estás bem, por isso agora é recuperar o tempo perdido!
-É... E por falar em tempo perdido... Aqui não vai dar pra eu dormir, né?
-Mesmo que desse eu não me sentia bem em deixar-te neste ambiente, para isso chego eu.
-Mas você também não tem que tar aqui.
-Ai não? Vou viver para onde? Para de baixo da ponte?
-Não sua tonta, eu tava falando desses dias que eu vou tar aqui com você.
-E estás a pensar no quê?
-Alugar uma casa ou um apartamento ou qualquer coisa assim não vale a pena, por isso, a gente vai pra um hotel!
-E tu és rico e eu milionária!
-Eu não sou rico, mas consigo suportar despesas assim. E tudo o que é meu é seu também.
-Já casamos e eu não descobri como?
-Você quer casar comigo?
-Não agora.
-Mas quer.
-Talvez - sorri matreiramente, deixando-o curioso.
-Tá falando sério?
-Eu disse talvez, não disse nem sim nem não. Ainda é cedo.
-Mas você imagina isso acontecendo? Nós dois...
-Às vezes, mas sabes que sonhar deve ser constante na nossa vida, por isso, tem calma...
-Tá... Mas mesmo assim, eu falei sério quando falei que o que é meu é seu também.
-Foste muito querido.
-Eu sou.
-Está bem, pronto, eu concordo - sorri antes de receber um pequeno beijo.
-A gente pode ir embora agora? Eu quero aproveitar com você, e a gente ainda tem que procurar o hotel.
-Sim, deixa-me só preparar uma mala com algumas coisas.
Depois de arrumar o que precisava saímos do quarto, de mão dada.
-Vão sair? - ouvi a Andreia perguntar, quando terminávamos de descer as escadas.
-Sim, e só volto daqui a dois dias.
-Ai vais voltar? - Eu respirei fundo e revirei os olhos, contendo uma resposta. - Onde é que vão?
-Para que é que queres saber?
-Há problema se me disserem? Eu não vou atrás de vocês.
-Não é da sua cinta, e agora a gente vai indo. Tchau. - disse o Rodrigo rapidamente e levou-me consigo até à entrada saindo logo de seguida.
-Revoltado?
-Tenho razões pra tar, né?
-É...
-Mas vai, vamo esquecer essa gente toda agora e vamo pensar na gente!
-Eu estava mais a pensar em ti... - respondi, chegando o meu corpo para mais junto do seu, enquanto caminhávamos pela rua.
-Ai é? E cê tava pensando em mim como? - desafiou-me.
-Queres que te diga agora ou preferes que te demonstre depois? - respondi, sorrindo com o mesmo tom desafiador, olhando para ele.
-Eu sou mais afim de demonstrações. Por isso vamo logo pra eu não esperar muito - gargalhei e continuamos caminho até à paragem de táxis mais próxima e cerca de 25/30 minutos de percurso o taxista deixou-nos no Lamb Hotel, em Ely.
Parecia agradável. Assim que entrámos estava uma senhora na receção, onde o Rodrigo tratou de fazer a reserva.
Assim que nos deram a chave e nos indicaram o caminho, seguimos para o quarto onde íamos ficar.
Ele abriu a porta e deu-me passagem.
-Mais um bocadinho e alugavas o quarto da realeza! - ri.
-Pra você eu dou sempre o melhor, meu amor! Eu não sabia como que era o quarto, mas se adequa, você é a minha princesa, logo o quarto tem de ser de acordo!
-Ohh, tão querido, amor! - sorri, dando-lhe um beijo, que ele não deixou  terminar tão cedo, puxando-me deliciosamente para mais junto dele.
-Tou com muita saudade sua, por isso se prepara pra se cansar de mim e dessa cama - falou, arrepiantemente sedutor ao meu ouvido.
-Mas achas mesmo que eu me vou cansar, seu fraquinho? - brinquei, provocando-o.
-Eu adoro suas piadas, sabe? - riu, enquanto eu me afastava até uma cadeira que estava no quarto, para deixar a minha mala.
-Mas não é nenhuma piada, é a sério! - tentei não me rir para parecer convincente.
-Ai é? Eu que sou fraquinho? Deixa eu te tocar e cê vai ver! - riu, começando a aproximar-se de mim.
-Isso é suposto ser um desafio, menino? É que se quiseres, experimentamos os dois para ver quem é que é o fraquinho.
-E o que é que você ia me fazer? - sorriu, parando à minha frente. Aproveitei a proximidade para lhe dar um exemplo e chateá-lo um bocadinho. Aproximei-me mais ainda dele, e despercebidamente deixei a minha mão ir ao encontro da pele da sua barriga, por baixo da sua camisola.
-Caraca, cê tá gelada! - gemeu, afastando-se rapidamente.
-Viste1 E depois ainda dizes que eu é que sou a fraquinha! Tenho ou não tenho razão? - disse, aspirando um ar altivo, mas desmanchei-me a rir no segundo a seguir.
-Tá pronto, essa cê ganhou, mas agora é a minha vez! - riu.
-Vê lá o que é que fazes! - disse, enquanto ele se aproximava novamente.
-Ai agora tá com medo? Você também não avisou, não! - sorriu, provocando-me já com o seu olhar. Assim que se encontrou suficientemente próximo puxou-me algo bruscamente contra si, o que me alterou desde logo, mas tentei mostrar-me imparcial. - Isso é só um comecinho, tá? - falou ao meu ouvido, delineando um sorriso nos seus lábios, que foram ao encontro do meu pescoço, onde depositou um beijo, mas ao sentir os seus dentes roçarem prazeirosamente na pele não consegui conter um pequeno gemido. Ele sabia tão bem como e onde fazer as coisas... Ele recolheu um sorriso vitorioso no rosto, que me encarou de seguida, sem me desprender da proximidade do seu corpo. - Fraquejou ou não fraquejou, hein?
-Golpe baixo, amor...
-Não foi baixo não senhora, baixinha é você - riu. - Eu te toquei muito em cima, já você fez o contrário!
-Queres que te toque mais em cima, é?
-Você toca onde você quiser, depois só não reclama de onde eu toco! - voltou a rir.
-É?
-É.
-Então despe-te.
-Quê? - perguntou um pouco confuso, porém exibindo um sorriso.
-Despe-te - repeti sorrindo também.
-Pra que é que cê quer que eu me dispa se você ainda tá vestida? - sorriu aliciantemente, enquanto puxava a camisola pelo pescoço, jogando-a de seguida em cima da cadeira onde eu havia deixado a minha mala.
-Já vais ver - respondi, puxando-o pelo cós das calças e desapertando-lhe o botão. Ele suspirou ansiosamente.
-Isso não é justo, viu. Eu aqui sem roupa, você me ajudando a ficar sem ela, e você vai ficar assim? Posha... - reclamou, desfazendo-se das calças, após ter feito o mesmo rapidamente com os ténis e as meias.
-Não te passes, vá - sorri, levando as minha mãos à minha camisola para despi-la.
-Não vai me deixar fazer? - pediu, olhando-me como que a pedir que o deixasse.
-Vais ficar mais feliz?
-Vou.
-Então força - sorri, ao que ele me mostrou um sorriso maior. Elevei os braços para que ele pudesse tirar-me a camisola, o que ele fez entusiastamente.
-Se eu te pegar eu não vou te largar mais... - murmurou, desapertando-me as calças.
-Mas tu não me vais pegar amor, vais despir-me, só. - Ele suspirou pesarosamente, descendo-me as calças. Livrei-me delas e dei um rápido beijos nos lábios do meu namorado, que se manteve imóvel, penso que para fazer o contrário da sua vontade. - Deita-te, de barriga para baixo - pedi-lhe, após no conduzir até à cama.
-Que é que você vai me fazer?
-Uma massagem.
-Uma massagem?
-Sim - sorri. Ele deitou-se como lhe havia pedido, colocando os braços fletidos também em cima da almofada. Ao olhá-lo ali estendido tomei uma grande lufada de ar para me conter, antes de subir para a cama e me sentar em cima dele.
-Amor?
-Sim? - respondi.
-Tá fazendo muita pressão.
-Onde?
-Se você tá sentada em cima da minha bunda, onde que cê acha?
-Hmm... Queres que me sente onde, então?
-Quer que eu te responda mesmo? - perguntou, virando a cabeça ligeiramente para encontrar contacto visual comigo.
-Nã, nã, nã, nem penses, é a minha vez, sabes?

-A sua vez de me torturar, né?
-Ai e tu não fizeste o mesmo, oh?
-Eu? Só te dei um beijo - fingiu-se inocente.
-Cala a boca mas é para eu começar! - sorri.
-Tá, mas olha, vê se não faz muito gostoso se não eu caio no sono - riu. Eu dei um pulinho em cima dele, de propósito.
-Parvo!
-Ai amor, posha, não pula assim! - não consegui evitar rir-me, e ele também o fez. - Tá, eu paro, mas agora falando sério, pode fazer o que você quiser, mas não demora!
-Está bem, pronto - acedi ainda a rir. Respirei novamente fundo.
-Isso, respira que vai precisar! - sorriu ele.
-Rodrigo!
-Quê? Só falei a verdade! Cê ainda não tá mentalizada que eu sou todo seu, eu entendo, tem vezes que eu também penso o mesmo de você!
-Ai pá, tu às vezes parece que me lês os pensamentos, e depois deixas-me sem jeito! - sorri, saindo de cima dele, deixando-me cair do seu lado na cama.
-Não fica assim, vai amor1 Que é isso agora, hein? - disse ele num tom carinhoso, passando o seu braço por cima da minha cintura e encostando-se a mim. - Não vai fazer a minha massagem, né? Então dá licença que é a minha vez! Pode se virar, por favor? - pediu, sorrindo gentilmente, ao que eu acedi sem uma palavra. Ele acomodou-se, desviou o meu cabelo e em seguida a pressão pareceu evaporar dos meus ombros, ao aproveitar a massagem. Mas a pressão deu lugar à tensão, novamente, porém uma tensão diferente à que havia evaporado. Há medida que as suas mãos desciam pelas minhas costas eu derretia mais e mais. O sei simples toque abarcava-me em desejo.
-Tá gostando?
-Não tens noção do quanto.
-Pode crer que eu tenho - senti-o sorrir, enquanto movimentava os dedos em círculos no fundo das minhas costas. - Agora posso te virar pra mim e te beijar, ou vai reclamar sua vez?
-Não, não vou reclamar nada - respondi, virando-me de barriga para cima e estendendo-lhe as mãos para que ele me viesse beijar finalmente.
-Já não era sem tempo, viu! - sorriu.
-Cala a boca e beija-me, se faz favor! - ri.
-Muito mandona, você hoje, hein? - sorriu. Sorri-lhe de volta e por fim juntámos os nossos lábios. E aos lábios juntou-se tudo o resto. A pressa da saudade deixou-nos numa confusão enlouquecedora, que nos tirou rapidamente o fõlego, mas que nem por isso nos fez separar. Na confusão desapegada as últimas peças de roupa deixaram-nos, e os toques ansiosos e desejados sentiam-se cada vez mais, exasperando o controle e a paciência.
-Amor, deixa eu pegar a minha mala - pediu resfolegando.
-Para quê, amor? - perguntei quando ele saiu da cama.
-Pra que é que cê acha, amor? Acha que eu vinha desprevenido pra junto de você? - respondeu, tirando a caixa de preservativos da mala. - Pra mim você é sempre uma tentação, mesmo que a gente esteja chateado - sorriu, voltando novamente para junto de mim. Sorri-lhe enquanto tentava restabelecer algum controlo na respiração, mas não fui sucedida, porque segundos depois já tinha os seus lábios e todo o seu corpo de encosto no meu. A noite virou madrugada, e fiquei realmente cansada, mas nunca cansada daquele homem que me elevava para lá do paraíso.

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Capitulo 29 (parte I)

Visão Rúben

Por mais que todos tentássemos, não resultava, o Rodrigo estava na mesma. Sem um sorriso, uma brincadeira, os treinos eram muito abaixo do habitual. Perdeu a titularidade em quatro jogos, e ninguém estava contente com isso. Por mais ideias que tivéssemos nada parecia resultar. O Mister falava muito com ele, assim como eu e a Mariana, mas pelos vistos, dos três, eu era o único a tentar fazê-lo seguir em frente. Todos dias ia com ele para casa e ficava lá com ele e com a Mariana, e de vez em quando o Mauro também se juntava a nós, jantávamos, conversava-mos e depois eu e o meu irmão, quando ele ia, íamos embora. Todos os dias falava com a Andreia. Contava-lhe como corriam os dias e falava-lhe de todas as nossas tentativas frustradas para tentar animar o Rodrigo. Eu estava a começar a desesperar! Tinham passado duas semanas, e não havia nada que o fizesse melhorar! Era o lado mau do amor. Quando está tudo bem irradiamos felicidade, parecemos as pessoas mais felizes do mundo, mas se algo corre mal, se tudo acaba, a nossa vida parece que chega a um fim também. De certa forma sentia-me impotente, por ver o meu amigo tão mal e nada do que eu fizesse ou dissesse surtisse o efeito desejado.

Visão Mónica

A minha presença apenas se impunha pelo facto de o meu coração ainda bater e eu ser obrigada a viver, porque o meu pensamento, a minha vontade, a minha determinação e alegria não estavam. Sentia-me tão pequenina, tão insegura, tão sozinha. Tinham passado duas semanas, e o Bruno e a Justine já tinham regressado a casa, mas nem por isso o novo clima e forma de estar entre mim e a Andreia se modificou. Mal comunicávamos, andávamos sempre de animo triste uma com a outra, enfim, partilhávamos o mesmo espaço por necessidade. Desde aquela conversa depois de ela ter voltado do aeroporto não tínhamos voltado a tocar no assunto, ou melhor, nos assuntos que haviam feito parte da mesma. Já não a sentia como a Andreia que havia vindo comigo para Londres, com a amiga que sempre se prostrava ao meu lado para me dar apoio, não a sentia como a minha melhor amiga. E de facto já não o era.
E um grande e entusiasmante acontecimento: tinha sido despedida. Ou seja, era a única que não estava a pagar as contas da casa, e eu era a única que não fazia parte da família. Agora sentia que estava ali por favor.
-Vais passar os dias sentada no sofá? Sabes que o dinheiro não cai do céu, embora aqui chova muito! - disse a Andreia, após ter pousado a mala no sofá, vinda do trabalho. Eram 17.00h.
-Acabei de chegar de uma entrevista, à pouco.
-Hm - balbuciou, não com boa cara. - Eu vou tomar banho. Tiraste alguma coisa para fazer para o jantar?
-Se cheguei há pouco achas que tirei?
-O meu primo e a Justine vão jantar fora hoje, por isso tira só para ti que eu arranjo-me.
-Como quiseres.
Ela subiu as escadas e fiquei novamente sozinha naquela divisão da casa. O que passava na televisão não era interessante, pelo menos neste momento. Nada me suscitava interesse agora, nada fazia o meu coração acelerar o ritmo, nada me fazia tremer de ansiedade... Só ele. E ele não estava. Nem presente, nem à distância de uma chamada. E ao lembrar-me de pequenos momentos acabei por ser atingida por um pesar gigante que me fez desmanchar num choro sufocante. Mas obriguei-me a parar, não queria chorar em frente de ninguém, e agora menos ainda em frente da Andreia, que se pudesse talvez me mandasse novamente à cara falsas acusações. Limpei as lágrimas, acalmei os soluços e foquei-me na televisão para tentar abstrair-me e deixar de pensar concretamente durante algum tempo.

Visão Rodrigo

Durante as duas semanas que passaram perdi muito, começando com ficar fora até dos convocados no quarto jogo que já não era titular. Mas apesar de parecer tudo um pesadelo, que tava me arrastando num estado de espirito que não era meu, tive muito tempo pra pensar. Mas pra pensar bem, em tudo, com calma... Pra pensar nos meus sentimentos intermináveis por aquela garota, pensar em tudo o que a gente tinha vivido junto, todas as palavras, todos os olhares, todos os gestos, avaliar a sinceridade que tudo isso emanava, cada detalhe.
-Tá vendo Rodrigo, ele tá zoando comigo! - se queixava a minha irmã, do banco de trás do meu carro.
-Achas que sim, Mariana? Então, eu só estava a constatar um facto, ou não? - zoou o Rúben com ela, novamente. Enquanto escutava, de fundo, as baboseiras deles, ao conduzir, depois do treino, pra minha casa, continuei pensando, como já era normal. Eu costumava ser tão o mais alegre como aqueles dois. Isso tava me fazendo falta pra caramba, porque eu já nem tava me reconhecendo, sempre de semblante triste, envolto em pensamentos desgostosos... Eu tinha de fazer alguma coisa, não podia passar a minha vida nesse estado. Eu tenho que lutar pela minha felicidade. E com esse pensamento eu assumi uma decisão. Eu precisava disso.
-Então e o jantar hoje está nas mãos de quem? - perguntou o Rúben, sorrindo, assim que a gente entrou em minha casa.
-Nas minhas não fica com certeza, vocês que se decidam! - falei, e pela primeira vez após duas semanas eu próprio notei alguma vida nas minhas palavras.
-Ah, se esquivando de novo, maninho? Por causa disso devia ser você mesmo, hoje! - sorriu a Mariana.
-Eu tou falando sério, só dá entre vocês, eu não vou ficar pra jantar!
-Quê? - perguntaram os dois, surpresos.
-Já tomei a minha decisão. Tou indo agora até Londres pra falar com a Mónica, vou só ligar pró Mister avisando.
-Tá falando sério, Rodrigo? - perguntou a minha irmã, e quase notei um brilho no olhar dela.
-Só podes estar a brincar... - murmurou o Rúben.
-Tou falando sério, sim. Rúben, eu sei que você não concorda, mas, é como a minha irmã me falou, todo mundo merece uma segunda oportunidade. Eu vou dar pra ela a hipótese de se explicar, e depois eu averiguo se é verdade ou não, se eu acredito ou não. - Ele me olhou, meio avaliando a situação.
-Se te vai fazer feliz, ou pelo menos tirar-te dessa angústia, vai. Mas corre, já não aguento ver essa tua cara de enjoado todos os dias! - acabou rindo. Eu ri também e subi as escadas correndo até meu quarto e depois de ligar pró Mister, que me concedeu uma semana pra tratar do assunto, embora eu não precisasse tanto tempo, peguei meu saco desportivo e coloquei umas mudas de roupa e outras coisas essenciais, caso acabasse resolvendo as coisas e ficando tudo bem entre a gente e sai do quarto, descendo de novo as escadas a correr.
-Vou embora gente! - anunciei, e consegui dar um breve sorriso pra eles.
-Sem comer, Rodrigo? Leva alguma coisa, pelo menos!
-Eu não consigo pensar em comer agora, maninha! Só quero ir embora rápido! Mas não se preocupa que se eu ficar com fome eu como!
-Tá bom, então. Boa sorte! E me liga, hein!
-Pode deixar! - respondi, me virando para sair da cozinha.
-Mano, boa sorte.
-Obrigado, Rúben - agradeci, e finalmente sai de casa.

Até sentar dentro do avião a minha cabeça parecia que tava girando e girando, me deixando tonto quando eu parei e consegui voltar a pensar com calma. Ficar tonto assim era o efeito da falta de alegria dessas duas semanas. Eu não tava alegre de novo, mas tava... com esperança! E só de imaginar que ia voltar a tar tão perto dela de novo, me arrepiava. E era isso que eu queria! Eu queria voltar a sentir! Coisas boas, coisas que fizessem o meu coração acelerar, o meu estômago remoer de ansiedade! Tava sentindo isso agora, e só pedia mais e mais! Pedia voltar a sentir como antes disso, voltar a viver de novo, com os motivos que vinha tendo desde o inicio de Dezembro! Tentei acalmar a euforia que reinava dentro de mim e fechei os olhos, esperando que essa viagem terminasse logo.

E finalmente tava na porta delas. Era agora. Respirei fundo antes de tocar na campainha. E segundos depois tinha ela na minha frente, de novo. Os dois ficámos paralisados, olhando ansiosamente um pró outro, sem falar uma palavra.

-Rodrigo? - escutei a Andreia perguntar, um pouco atrás da Mónica. A intervenção dela acabou com o nosso estado estático.
-É. Eu preciso conversar com a Mónica - falei, olhando depois prá Mónica. Reticente e meio atrapalhada ela me deu passagem pra dentro de casa.
-Como é que estás? - me perguntou de repente a Andreia.
-Espero ficar bem daqui a pouco.
-Não vieste acabar as coisas? - me perguntou, ao que eu fiquei surpreso. Ela tava mesmo perguntando isso? Não era normal. Olhei de relance prá Mónica e ela parecia se retorcer esperando a minha resposta, e ostentando desagrado e desconforto perante a pergunta da melhor amiga.
-Não, vim dar a oportunidade de ela se explicar.
-Ah - falou a Andreia, secamente e de má cara, se sentando de seguida no sofá.
-Tá tudo bem? - perguntei, não conseguindo mais levar essa atitude dela.
-Está. Só não esperava que duvidasses da palavra do Rúben e muito menos viesses aqui ter com ela, quando os treinos e os jogos já voltaram.
-Eu não duvido nem deixo de duvidar do Rúben, eu acredito que ele não tem motivos pra me ter mentido quando falou comigo, mas também tenho consciência que apesar de tudo a Mónica tem direito a se explicar, tando  certa ou errada.
-Como queiras, só não digas que ninguém te tentou poupar à dor. - Levantei a sobrancelha assim que ela terminou a frase, sem tirar os olhos da televisão. O que é que tá havendo com ela? Aquela não parecia, de todo, a mesma garota que eu tinha conhecido e com quem havia convivido esse último mês. Decidi deixar pra lá e seguir com o mais urgente.
-A gente pode falar, sozinhos? - perguntei prá Mónica, olhando de novo ela, que tinha ficado calada e quieta junto das escadas.
-S-sim - meio que gaguejou. - Podemos ir para o quarto, ou queres falar na cozinha?
-No quarto tá bom - respondi, olhando de relance a Andreia. Ela parecia diferente, e pela maneira que ela tinha falado eu não queria que ela tivesse tão habilitada pra escutar a nossa conversa. Subi atrás da Mónica até ao quarto e assim que a gente se encontrou lá dentro eu fechei a porta e me virei pra encarar ela, que tinha ficado de pé. Parecia tão desajeitada, tão... insegura e temerosa. Decidi começar de uma vez. - Bom, você ouviu porque é que eu vim aqui, por isso, é isso, eu vou escutar você. - Ela se sentou na beira da cama, me olhando.
-Queres que comece por onde? - perguntou. Eu me sentei na frente dela, na beira da cama da Andreia.
-Bom, eu tenho que perguntar pra você... O Rúben pegou mesmo você e o seu melhor amigo se beijando?
-Sim. - Assim que ouvi a resposta cerrei o maxilar, tentando me conter. A resposta dela me doía mais do que quando o Rúben me ligou contando. - Não Rodrigo, por favor, não fiques assim, ele percebeu mal as coisas.
-Me explica então como que foi - respondi, soltando pequenas faíscas de mágoa.
-O Rúben viu, mas não era um beijo entre nós, foi ele que me beijou. - ela fez uma pausa, esperando se eu ia falar ou não, e eu permaneci no silêncio. - Ele pediu-me conselhos acerca de uma colega dele que ele dizia que gostava dele, e eu dei, mas, depois de o Rúben ter ido ligar-te eu discuti com o Zach. Ele inventou essa história toda, disse que foi para se aproximar mais ainda de mim e tentar conquistar-me, porque nunca me tinha esquecido e não estava disposto a deixar de lutar só porque eu te tinha ati. Ele tinha ciúmes, porque ele conheceu-me primeiro, apaixonou-se primeiro e depois vieste tu e eu correspondi-te a ti e não a ele.
-O cara ficou loco! Se ele é seu melhor amigo ele devia respeitar, mesmo te amando.
-Ele era o meu melhor amigo. Eu não vou e não quero voltar a vê-lo.
-Mas espera! O Rúben falou em sinais evidentes... - procurei me esclarecer.
-Sinais que eu burra ao não perceber antes que tinha de estabelecer limites entre nós!
-Que sinais?
.Para mim não eram coisas desrespeitosas, mas eu ia, no exato momento em que ele me beijou, conversar com ele acerca dos limites, porque eu precisava dele, para me sentir bem comigo própria e para que o que aconteceu não viesse a acontecer, mas fui tarde.
-Ele que soube bem se aproveitar.
-Porque eu deixei! Eu sei que a culpa disto também é minha, em parte! É minha porque eu fui demasiado inconsciente para perceber desde o inicio que as coisas não seriam tão fáceis assim, a partir do momento em que vos apresentei e o deixei na minha vida com a mesma normalidade anterior! - Ela se levantou, alvoraçada, e já chorando. Me caia tudo quando eu via ela chorar.
-A culpa também foi minha então! Que tipo de namorado fica descansado com uma amizade assim sabendo que o melhor amigo da namorada é apaixonado por ela também? Eu nem me preocupei com isso, eu só aceitei! - me levantei também pra voltar a olhar o rosto dela.
-Para de tentar culpar-te numa coisa que não tens culpa! Tu não te preocupaste porque confiavas em mim, era isso que eu te pedia, o que tu me pediste também! Era com isso que funcionávamos principalmente, porque a distância obrigava-nos a adquirir uma confiança ainda maior! E eu... eu desiludi-te... Assim como desiludi o Rúben, que me espancou com todas e possíveis palavras que me arrancaram socos no coração, desiludi a Andreia, que nem sequer me quis ouvir, que já não me conhece, que... já não é a minha melhor amiga... - ela tentava prender os soluços que rompiam da sua garganta, mas as lágrimas abundantes não paravam. Fiquei observando ela, durante uns segundos, totalmente despedaçada, sofrendo, segurando um coração ainda mais partido que o meu tinha ficado. Um amor dói, um amor pode matar o coração da gente, e ai você pisa ainda mais o músculo já inválido com pés de pessoas que faziam parte do seu mundo, pessoas que eram muito pra você, seus amigos, mais família que outra coisa. Eles te pisam e espezinham de novo, matando mais ainda aquilo que já morto estava... Era aterrador. E eu pensando que eu era o único que tava sofrendo muito!
-Você não me desiludiu, eu só pensei que tudo ia se repetir, e eu não ia aguentar. Eu encontrei a garota que me fez acreditar de novo, que me fez sonhar de novo, a garota que eu já sonhava ter no meu futuro, imaginava como a mulher da minha vida, e de repente acontecer uma coisa dessas... me deixou com medo. Mas eu já botei tudo pra trás das costas, eu vou fingir que nada disso aconteceu, vou esquecer, e vou agarrar você com toadas as forças que eu tenho, vou ajudar você a recuperar as suas e a gente vai seguir e ser feliz, como a gente tá destinado a ser! - me aproximei dela, e ela me olhava, tão expectante e ansiosa quanto tava quando abriu a porta pra mim.
-Isso significa que...
-Significa que eu te amo, mais que a mim próprio, e que eu quero continuar a ser feliz do seu lado! - interrompi ela e segurei seu rosto tomando um beijo que já tava ansiando desde que havia tomado consciência que ia tar de novo na frente dela.
 
 

Após o beijo a gente abraçou com força, chorando os dois. A dor dessas duas semanas tava caindo, tava se esfumando. Ela tava de novo nos meus braços. Tava tudo bem. Agora o meu mundo ia ficar perfeito de novo. Seguindo o abraço se sucederam muitos mais beijos e carinhos que os dois já tavamos sentindo mais que falta.

-Não gostei nada que tivesses perdido a titularidade - comentou, depois de a gente se ter deitado na cama dela, muito abraçados.
-Quando eu chegar lá eu recupero!
-Espero que sim!
-Vou sim! Agora eu tou me sentindo invencível! - ri, ao que ela me acompanhou com uma sonora gargalhada.
-Você não sabe a saudade que eu tive disso!
-Do quê?
-Da sua gargalhada. Eu nem sabia mais o que era sorrir.
-Nem quero imaginar-te sem um sorriso no rosto! Deves ficar horrível! - sorriu, brincando.
-E você não ia gostar mais de mim se eu fosse horrível? - brinquei também.
-Tosco, para mim tu és lindo de todas as maneiras! Eu só não queria imaginar-te sem um sorriso, ainda para mais sabendo que a falta dele se devia a mim.
-Mas agora já passou, já voltou tudo ao normal! Tá vendo esse sorriso no meu rosto agora? Não tem nem fim!
-Nem tudo voltou... - suspirou, descaindo o sorriso.
-O que é que ainda não tá no lugar?
-A Andreia.
-Pois é! Ela tá esquisita pra caramba!
-Comigo, não é contigo.
-O que é que aconteceu?
-Ela ficou do lado do Rúben.
-É o namorado dela, e ele viu, e não tinha motivos pra tar mentindo sobre o que viu...
-Eu sei, e eu não a censuro por optar pelo partido dele, o que u não consigo aceitar é o facto de a minha suposta melhor amiga não vir sequer ter comigo e tentar perceber, ou ouvi-me, mesmo que não acreditasse, mesmo que escolhesse ficar com o que o Rúben disse e com os tais sinais evidentes, seria suposto ela ir ter comigo. É o que os melhores amigos fazem, mesmo que o outro esteja errado, ouvem, não significa que tomem partido, mas ouvem.
-Mas vocês tão assim só porque ela não te escutou?
-Não propriamente.
-Então?
-Lembraste da confiança que eu falei entre nós? Isso valeria para nós também, mas ela descuidou essa parte, ela parece que já não me conhece, parece que... para ela eu sou quase uma desconhecida.
-Vocês se falam, se quer?
-As coisas básicas, cá de casa. Mas de vez em quando ela suborna o assunto com pedrejadas sobre o que aconteceu.
-Nem parece ela...
-Para mim já não é ela. Ela já não é a minha melhor amiga. A essa perdia-a, num abrir e fechar de olhos.
-Calma meu amor, as coisas vão acabar por se resolver entre vocês. - ela não respondeu. - Agora tenta viver o dia-a-dia normalmente, quando precisar me liga... Eu vou tar do seu lado.
-Obrigada - agradeceu, sorrindo docemente.
-Me dá um beijo que paga - sorri. Ela riu e me beijou.

 - E por falar em ligar, eu tenho que ligar pra minha irmã pra dar noticias pra ela e pró Rúben.
-O Rúben sabe que vieste?
-Sabe, porque^?
-Por nada.
-Depois cê me conta o lance do Rúben também - falei, antes de ouvir o primeiro toque de chamada do telefone da minha irmã.

sábado, 31 de agosto de 2013

Capitulo 28 (parte V)

Olá meninas!
Aqui está mais um capitulo como já é habitual, mas aqui está ele! E bem, deixem-me dizer-vos que tiveram sorte, porque por alma de alguém tive uma vaga de inspiração o que me levou a escrever mais e mais rápido! xD
Espero que gostem e deixem os vossos comentários!

Besos
Mónica

Visão Rúben

Saí do quarto desgostoso. Tinha custado muito dizer tudo aquilo àquela que anteriormente tinha feito para que hoje eu estivesse feliz ao lado da Andy, mas eu não suportava ficar simplesmente calado enquanto o meu amigo estava em outro continente, indefeso e arrasado! A Andreia veio atrás de mim. Fomos até à sala, e ambos estávamos com um ar consternado. Sentamo-nos em silêncio no sofá, absorvidos por sentimentos penosos.
-Não vais falar com ela? - perguntei, estranhando, pois ela seria a primeira a ir ter com a Mónica.
-Não. Eu acredito em ti.
-Acreditas?
-Acredito. O que tu disseste à Mónica fez-me pensar... Por mais que não queira, com os sinais evidentes, e tudo o que disseste, eu acredito em ti. Pensei que ela amasse o Rodrigo, mas se calhar não... Se calhar foi só para passar um bom bocado com ele, ela desde o final do nosso 11º ano que andava a tecer baba por ele, mas se calhar era só porque ele é bonito, e depois as conversas e brincadeiras que tínhamos fizeram-me acreditar que ela o tinha como ídolo, mas posto isto tudo, não sei...
-Não te custa?
-Custa, se bem que agora ainda estou um bocado aturdida, por isso acho que não sinto tanto a desilusão e a descrença...
-Desculpa se estraguei a nossa última noite juntos...
-Alguém tinha de fazer o que tu fizeste e contar ao Rodrigo.
-Quem me dera não ter sido eu.
-Mas agora já está.
-Pois, pois está, e entretanto o coração dele está fragmentado de tal maneira que nem quero imaginar.
-Ele vai ficar bem.
-Espero mesmo que sim, e rápido, porque não vou aguentar vê-lo todos os dias a morrer pelos cantos e a cada respirar!
-Ela não está ao pé dele, tão depressa não voltamos a Portugal, por isso acho que deve ser tempo suficiente.
-Há tempo determinado para sarar um coração? Ainda por cima o dele? Com os golpes fundos que ele levou? Deus te oiça!
-Vá, não vamos pensar mais nisto agora!
-Esquece amor, não consigo!
-Eu sei que é difícil, mas tem de ser, se não não vais conseguir dormir, e não te esqueças que amanhã tens de levantar-te cedo!
-Eu acho que não vou mesmo dormir como deve ser, mas pronto! Então e vamos dormir onde?
-No quarto do meu primo. Não gosto muito disso, mas na sala não dá, e ela está no quarto, por isso...
-Está bem... - Subimos as escadas e dirigimo-nos então para o quarto do primo da Andreia, onde eu me estendi na cama, por baixo dos cobertores, agarrei-me à minha namorada e fiquei com a mente vazia pouco tempo antes de voltar a  pensar em tudo o que tinha acontecido apenas nesta noite. E fiquei a pensar e a pensar até acabar por, finalmente, adormecer.
De manhã acordei, depois de ter dormido as poucas horas que consegui e fui tomar um duche. Voltei para o quarto para me vestir e a Andreia, depois de me ter dado um beijo de bom dia foi tomar também um duche. Entretanto desci até ao andar inferior e segui para a cozinha para preparar o pequeno-almoço.
-Ai eu lindo, a preparara o pequeno-almoço! Quando estiver contigo outra vez tens de repetir o gesto! - sorriu a Andy ao chegar à cozinha. Sentámo-nos e começamos a comer, tendo eu retribuído as suas palavras com um ligeiro sorriso.
-Ela não vai descer? - perguntei, referindo-me à Mónica.
-Não sei. Quando fui ao quarto buscar a minha roupa ela estava a dormir.
-Hm, está bem.
Após terminarmos de comer, lavamos a loiça e a Andy foi buscar o casaco dela e a mala, assim como as chaves do seu carro, pois estava na hora de me dirigir ao aeroporto. Sai sem me despedir da Mónica.
-Quando chegares avisa-me. E vai-me dizendo como é que o Rodrigo está - pediu a minha namorada, enquanto nos despedíamos. Faltavam quinze minutos para levantar voo.
-Sim, eu ligo-te, e em relação a ele sabes que vai demorar a sarar.
-Eu sei.
-Mas pronto, tenho de entrar, princesa...
-Hm, está bem, vai lá, se tem de ser.
-Vou ter saudades tuas.
-E eu tuas.
-Amo-te.
-Eu também te amo - sorriu, dando-me um último beijo de despedida. A seguir fui obrigado a virar-lhe costas e entrar na porta de embarque, seguindo rumo para o avião que me faria retomar a Portugal.
Visão Rodrigo

Acordei com a cabeça doendo e os olhos ardendo. A minha irmã não tava mais do meu lado na cama. Fui no banheiro lavar a cara e buscar um comprimido prá dor de cabeça e desci até à sala, onde me sentei no sofá, olhando pró vazio. Se até agora tinha me sentido vazio com a falta de presença da minha namorad... dela, agora que tinha acontecido tudo isso, eu tava totalmente vazio. Tinha me tornado tão dependente dela... Quando ela sorria eu sorria também, me enchia de alegria ver ela tão feliz, me fazia feliz. O olha dela, era tão doce... me fazia sentir em casa. E aquele ar dela, uma garota doce e divertida, rindo a toda a hora, de tudo, com todos, fazia a gente ri mesmo que não houvesse motivo. Quando ela não tava eu não sorria do mesmo jeito, e como a minha irmã dizia, eu parecia um ''garotinho bobo apaixonado'' por ficar sorrindo ao lembrar dela... E eu tava apaixonado. Tava tão apaixonado, caramba! Agora isso me irritava! Eu não queria! Eu não queria, sentir falta do sorriso dela, do toque dela, da voz dela falando que me amava, eu não queria tar apaixonado por ela pra não doer tanto!
-Rodrigo, cê tá chorando? - despertei com a minha irmã se sentando ao meu lado. E de facto sim, eu tava chorando, de novo. Olhei pra ela e limpei as lágrimas que tavam caindo no meu rosto. - Eu não goste de ver você chorando, mas se chorar alivia sua dor então chora sempre que precisar!
-Chorar pode até aliviar a minha dor, mas não vai tirar ela na mesma.
-Calma maninho... Você... você já decidiu quando vai falar com ela?
-Não decidi nem se vou falar com ela.
-Você tem de falar. O Rúben não ia mentir pra você quando disse que viu eles se beijando, mas ele pode ter percebido as coisas errado.
-Mas ele falou que haviam sinais evidentes. Eles nem gestos tavam conseguindo conter bem... - falei, baixando a cabeça de novo e sentindo os olhos picar ameaçando novas lágrimas.
-Esses sinais podiam ser outra coisa, afinal eles eram melhores amigos, Rodri.
-Ele gostava, aliás, gosta dela. Se aconteceu ela sabia que ele gostava dela e deixou ele avançar mesmo assim...
-Você só tá vendo um lado...
-Você quer que eu veja que lado mais? Não há outro lado, Mariana!
-Você só tá vendo o lado das coisas ruins pró seu lugar! Imagina que isso tudo tem tudo pra ser verdade, tudo que o Rúben falou, mas depois não é nada disso! Ela também pode tar sofrendo. Ou você não acredita que apesar de não parecer pode haver outra explicação? Você sempre vê todas as possibilidades!
-Não sei...
-Cadê a sua confiança nela, como amiga, não tou falando como namorada! Lembra de como você confiava nela? Ela sempre foi verdadeira com você, e depois que vocês começar a namorar ela continuou sendo, não foi? - tentei reprimir uma vontade de gritar pra tentar soltar tudo que tava me atormentando. Eu tava tão confuso! - Rodrigo, não significa que por você ter sido traído e largado uma vez que isso vai acontecer de novo! Todo mundo tem direito a uma nova oportunidade, você tá tendo a sua do lado dela! Por isso deixa ela ter a oportunidade dela de se explicar, e dá essa oportunidade também pra você pra você ver que essa oportunidade de você ser feliz é real, que isso tudo tá sendo um mau entendido!
-Tá - acabei dizendo - Eu vou pensar, eu preciso pensar! Minha cabeça tá explodindo com isso tudo! Eu preciso tentar me compor porque a gente hoje volta aos treinos, eu tenho que ficar concentrado.
-Pensa então, mas pensa com calma pra fazer a escolha certa. - Eu acenei apenas com a cabeça. - Eu tava indo prá cozinha prepara o café da manhã, vem comigo? - perguntou, se levantando com um sorriso no rosto e me estendendo a sua mão.
-Eu não tou com fome.
-Não tá com fome mas vai comer! Você tem que se alimentar direito, até porque os treinos começam hoje, você mesmo acabou de falar! - ela pegou na minha mão me puxou pra fora do sofá. - Meu Deus, se a mamãe e o papai tivessem aqui e tivessem ouvido você falar que não tá com fome iam achar que você tava doente! - tentou fazer piada pra me fazer rir.
-Até que tou...
-Deixa de ser bobo... Vamo comer e depois cê sobe no seu quarto e descansa, e pensa. A que horas que é seu treino?
-Duas e meia-Eu vou com você! E não reclama, não respinga, não protesta! Eu vou e pronto!
-Tá bom.
-E agora vem, vamo sentar e comer!
Depois de terminar subi até ao meu quarto e me estendi na cama, pensando, e acabei adormecendo.

-E agora tenta se animar, por favor. O Mister não vai gostar de ver você assim.
-Eu tou tentando, mas é difícil.
-Eu sei maninho, mas por favor tira essa cara, você parece que tá morrendo - falou ela, assim que a gente saiu do carro.

-Eu tou morrendo, Mariana, eu tou morrendo por dentro...
-Não fal...
-Mano! - falou o Rúben, chegando de repente junto da gente e me dando um abraço. - Lamento, lamento muito. - falou, depois que se afastou.
-Ai Rúben, parece que cê tá dando seus pêsames, ninguém morreu posha! - falou a Mariana.
-Eu falei que eu tou morrendo...
-Rodrigo deixa de ser bobo, e você prometeu!
-Prometeste o quê? - perguntou o Rúben pra mim, mas quem respondeu foi a minha irmã.
-Que vai pensar e ponderar em dar uma oportunidade prá Mónica se explicar! - Quando ela falou o nome, eu me retorci.
-O quê?! Não estás a falar a sério, pois não?
-Tá sim!
-Ela não merece! Ouve Rodrigo, tu não viste, mas...
-mas ele vai pensar, todo mundo merece uma...
-Parem vocês os dois! Posha gente, a minha cabeça parece que vai explodir! Eu já ouvi vocês, já prometi que ia pensar e vou, mas assim não dá!
-Desculpa - se desculpou a minha irmã.
-Eu acho que ela não merece, mas tu é que sabes... - falou o Rúben, meio contrariado.
-Agora vamo embora que a gente tem treino!
O treino foi definitivamente um dos meus piores, foi tão mau que o Mister me mandou prós balneários mais cedo. Quando o resto do plantel chegou eu sai.
-Rodrigo - o Mister me chamou, quando eu tava me dirigindo prá saída do Caixa.
-Diga Mister - respondi, parando, enquanto ele vinha ao meu encontro.
-Então rapaz, o que é que se passou hoje? Eu sei que toda a gente queria mais férias, mas não costumam ficar assim tão mal.
-Me desculpe Mister, eu prometo que amanhã eu já vou tar totalmente concentrado no treino.
-Eu quero é que me digas no que é que eu te posso ajudar!
-Ninguém pode me ajudar.
-Mas é alguma coisa assim tão grave?
-Não Mister, quer dizer, pra mim é, mas eu já devia saber separar meus assuntos pessoais dos profissionais, aliás, eu consigo sempre fazer isso, mas dessa vez não correu bem, me desculpe.
-Tem a ver com a tua família? Algum parente doente?
-Não Mister.
-É a namorada? - mal ele falou aquela palavra eu baixei o olhar e me retorci em todo meu interior, me esforçando colossalmente pra não cair chorando de novo. - Já conversaram? - perguntou, entendendo automaticamente que havia acertado no assunto.
-Não. O Rúben é que viu e me falou, ela tá na Inglaterra.
-Mas já pensaste em falar com ela? O Rúben pode ter percebido as coisas de forma errada.
Eu prometi prá minha irmã que ia pensar.
-Quantos dias é que precisas?
-Pra quê Mister?
-Para te recompores, para resolveres as coisas com ela.
-Eu ainda não decidi se eu vou mesmo conversar com ela...
-Devias. Mesmo que seja verdade, deixam tudo esclarecido e depois podes seguir em frente.
-Tá, eu vou pensar Mister.
-Vá, vai-te lá embora rapaz. Se precisares de alguma coisa fala comigo.
-Obrigado Mister, até amanhã - me despedi e depois então sai do Caixa, encontrando a Mariana junto do meu carro me esperando.
-Demorou tanto tempo assim ou foi se esconder prá chorar? A sua vista tá vermelha.
-Não fui me esconder pra chorar não, mas vontade não faltou. O Mister teve falando comigo.
-Por causa do treino de hoje?
-Pra saber o que tava acontecendo.
-Você contou?
-Não falei muito, mas ele percebeu.
-E então, que é que ele te falou?
-Pra eu conversar com ela, esclarecer as coisas, mesmo que seja verdade...
-Tá vendo, até o Mister concorda! Você tem de falar com ela!
-Eu vou pensar, já falei pra você.
-Tá.
Entrámos no carro e fomos pra casa.

Visão Mónica

Dormi sozinha. Eles não voltaram ao quarto. Nem a Andreia. Ela não veio falar comigo. Acho que ela está a evitar fazê-lo, a evitar-me. Dormi pouco e mal, e por isso estava desperta quando a Andreia entrou no quarto para ir buscar roupa. Fingi que dormia. Ia esperar estar só com ela para falar-lhe, isto se ela me permitisse sequer. Fiquei no quarto até ouvir a porta de casa bater, e depois sai e fui para a sala, divagar no sofá, enquanto ela não regressava.
Cerca de uma hora e meia depois ouvi a chave na porta. Ela entrou e assim que reparou que eu estava na sala apressou-se a desviar a cara e começar a subir as escadas.
-Agora vai ser assim? - perguntei-lhe, ao que ela parou a meio das escadas, sem no entanto olhar logo para mim.
-Vai ser assim o quê? - perguntou, tentando fazer-se desentendida.
-Vais ignorar-me, fingir que eu não existo? - ela tornou a baixar a cabeça em resposta. - Eu não cometi nenhum crime, e achava que eras a minha melhor amiga e iria pelo menos dar-me o beneficio da dúvida!
-Queres que te dê o beneficio da dúvida mesmo com tudo o que vocês evidenciaram, sem falar do beijo que o Rúben apanhou?
-Queres que te recorde o que é ser uma melhor amiga?
-Não me respondas com ironias que não tenho paciência nesta altura!
-Tinha medo de te ter desiludido, mas acho que quem me vai desiludir és tu.
-Se quiseres saber, desiludiste-me sim. Nunca pensei que fosses fazer uma coisa destas, muito menos ao Rodrigo.
-Podes não acreditar, e duvido mesmo que vás fazê-lo, mas eu não trai o Rodrigo! É pena é não quereres ouvir-me e perceber que foi tudo um mal-entendido! Pensei que ias pelo menos ouvir-me, já não digo apoiar-me, porque o teu namorado estava do outro lado, mas ouvir-me.
-Acho que não preciso.
-Ora aí está a confiança que tens em mim, ai se vê o quanto já não me conhecesse. Não sei como é que isso aconteceu, mas pelos vistos aconteceu. - Ela meneou com a cabeça, tentando reprimir uma possível resposta.
-Eu vou para o quarto! - declarou, subindo rapidamente os restantes degraus.
Estava a perdê-la. A partir do momento que a ouvi dizer que não precisava ouvir-me para consolidar uma opinião acerca do sucedido soube que estava a perdê-la. Mas desta vez. não ia ceder o orgulho nem ia dar o braço a torcer, por muito que me custasse.