quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Capitulo 31 (parte I)

Olá meninas!
Deixo-vos aqui mais um capitulo, espero que gostem e me deixem os vossos comentários! São muito importantes!

Besos
Mónica

Visão Mónica

Acordar foi difícil, ainda mais porque para além dos lençóis a cobrir-me, o abraço do Rodrigo aquecia-me mais ainda, o que não dava vontade nenhuma de sair da cama, mas assim que o despertador do meu telemóvel tocou obriguei-me a mim mesma a levantar. Virei-me de frente para o Rodrigo e chamei-o quase sussurrando, num tom ainda sonolento, porém carinhoso também.

-Tem mesmo que ser, amor? - falou-me num mesmo tom, com os olhos semicerrados, mais fechados que outra coisa.
-Se quiseres ir comigo sim, amor. Mas se preferires ficar a dormir eu vou e depois venho ter aqui contigo.
-Não, eu quero ir com você!
-Então tem mesmo de ser amor. - Ele respirou fundo.
-Tá! - declarou, esfregando os olhos, deixando-me finalmente ver o seu brilho, que nem com sono se extinguia. Chegou-se mais junto de mim e deu-me um beijo. - Bom dia, meu bem! - e ofereceu-me um pequeno mas lindo sorriso. Depois de tomar-mos banho para acordar, vestimo-nos e descemos para comer qualquer coisa e à saída fizemos o chek-out. Apanhamos logo um táxi e eu indiquei a morada. - Tá preparada pra fazer isso? - perguntou-me ele, assim que paramos à porta de casa.
-Mesmo que não esteja é o que vou fazer. Eu tenho e eu quero fazer isto.
-Sabe que eu tou do seu lado.
-Eu sei - sorri-lhe, antes de colocar a chave na porta. Entrámos e assim que voltei a virar costas para as escadas, após ter fechado a porta, dei de caras com o Bruno a vir da cozinha.
-Bom dia menina desaparecida! - sorriu-me.
-Bom dia - respondi-lhe, sorrindo-lhe de igual forma.
-E o que é que o namorado faz aqui? Não devias estar em Portugal? As competições estão a decorrer.
-É, mas eu precisei vir aqui ter com ela.
-Hmm, acho que já percebi porque é que falhaste aqueles jogos.
-É, mas agora tá tudo resolvido - sorriu.
-Ainda bem! Agora voltas para lá e ninguém te para! - riu o Bruno.
-Desculpem estar a interromper, mas é que, eu preciso de falar contigo, Bruno - interrompi.
-Claro, vamos sentar-nos aqui na sala. - Fomos para a sala e após nos sentarmos respirei fundo antes de começar.
-Eu vou voltar para Portugal.
-Vais? - perguntou de imediato, enunciando a surpresa.
-Sim. Mas eu não me ia embora antes de te agradecer. Obrigada por me teres aceite, por me teres tratado como da família, obrigada mesmo Bruno.
-Não tens de agradecer, foi um prazer ter-te aqui, e a cuidar da minha prima quando eu não estava cá! Tu não eras mas tornaste-te da família! Eu só não percebo porque é que te vais embora assim, quer dizer, até percebo, com o namorado lá agora, mas isto era o teu sonho, estudar, viver cá.
-Era, era mesmo, e acredita que quando vocês me aceitaram cá contribuíram para sentir parte desse sonho realizado, mas, as coisas mudaram. Eu sinto que já não pertenço aqui, acho que o meu lugar agora é lá, com o Rodrigo, o meu sonho agora é esse.
-Se é esse o teu sonho agora, se é o que queres fazer, então força! Sabes que a porta está sempre aberta para ti se quiseres voltar, ou vir passar férias!
-Eu sei, obrigada Bruno - sorri. - Bem, eu vou lá acima arrumar as minhas coisas - decidi rapidamente, tentando neutralizar a nostalgia que se começava a criar.
-Já contaste à Andreia? - perguntou-me o Bruno. Ele não estava ciente do que se passava realmente, só notava que não nos falavamos muito, mas para ele calculo que não tenha sido o suficiente para desconfiar que algo estaria diferente.
-Não. Eu tenho de conversar com ela.
-Está bem. Bem, eu vou só arrumar umas coisas no quarto e vou trabalhar, por isso dá-me cá um abraço de despedida! - abriu os braços e despedimo-nos com este abraço e um sorriso.
-Manda um beijinho à Justine e pede-lhe desculpa por não me despedir dela - pedi-lhe por último.
-Não te preocupes que eu entrego o recado! - sorriu e subi as escadas.
-Bem, e parece que chegou a hora! - afirmei, virando-me para subir as escadas também.
-Eu fico te esperando aqui, amor.
-Está bem.
-Alguma coisa grita! - sorriu.
-Sim. - Ele puxou-me de encontro a si e deu-me um beijo.
-Boa sorte! - desejou, soltando-me por fim e vendo-me subir as escadas.
Bati à porta e ninguém respondeu, por isso entrei. Ela ainda estava a dormir. Decidi começar então a arrumar as minhas coisas e acordá-la no fim para conversar. Não era pouca coisa, mas conseguiria levar tudo com a ajuda do Rodrigo. Estava a acabar de arrumar os últimos livros quando a ouvi mexer-se.
-Desculpa, não te queria acordar agora - disse-lhe, terminando de fechar a última mala.
-E ias acordar-me depois porquê? - respondeu, mal-humorada.
-Porque precisamos de falar.
-Eu não acho.
-Mas eu não estou a perguntar se achas que precisamos, eu estou a dizer que precisamos.
-E se não me apetecer?
-Ai Andreia, porra, para com isso. Eu vou-me embora, de vez, e antes disso quero ter uma conversa a sério contigo.
-E eu volto a repetir: e se eu não quiser?
-Acordaste parva, hoje!
-Foste tu que me acordaste.
-Ai, vamos deixar-nos destas trocas de palavras parvas e falar a sério!
-Mas eu não quero falar contigo! Achas que me deste motivos para querer?
-E tu, achas que me apetece ter esta conversa contigo? Não. Mas eu vou-me embora e preciso dizer-te tudo.
-Mas que tudo? Eu não tenho nada para te dizer e tu de certeza que não tens também!
-Porra, acordaste mesmo mal, eu estou a dizer que tenho coisas para te dizer, e posso começar já com esta tua atitude, que mais parece de uma criança do que da rapariga que foi a minha melhor amiga durante três anos!
-Dizes bem, fui, isso acabou! - reclamou, sentando-se na cama.
-Eu estou magoada contigo, a sério, mas eu não chego ao ponto de chamar isso a uma amizade que significou tanto para mim! Como é que tu consegues descartar uma coisas dessas assim? Fingiste esse tempo todo, ou ficaste sem sentimentos desde a última discussão?
-Se calhar sim!
-Se calhar sim o quê? Eu nunca signifiquei para ti o que tu significaste para mim ou passaste a ser uma pessoa cruel e sem sentimentos? - perguntei, magoada, lutando para que a voz não se me esganiçasse e as lágrimas não me interrompessem. Eu tinha de dizer tudo, por mais que me custasse dizer e ouvir!
-Não sei, o que é que tu achas?
-Eu não acho nada Andreia, eu quero é respostas tuas, não suposições minhas, para isso nem vinha falar contigo!
-Então acho que estás a perder tempo!
-Eu acho que mereço pelo menos que me respondas como deve ser, acho que mereço que me esclareças!
-Queres que eu te responda o quê?! Quando tu me disseste que eu era a tua melhor amiga, naquele dia, quando estávamos a ir para a estação, eu disse-te que eras a minha porque era contigo que estava sempre, porque os nossos colegas, apesar de falarem comigo, connosco, não gostavam muito de mim, e não sei se de ti também depois de passarmos a andar quase só as duas! Foi uma necessidade para não passar a ser aquela que ninguém ligava! Se tu deixasses de andar comigo eu ia ficar sozinha!
-E precisaste fingir? - perguntei, sentindo um toque amargo.
-Precisei! Eu sempre fiquei sozinha na turma, não queria continuar assim.
-É tão bom ser um meio utilizado sem se medir actos ou consequências... - ironizei amargamente, fitando o chão.

Ela não disse mais nada, por isso retomei a palavra segundos depois, restaurando alguma calma em mim mesma. - Então e estes anos que passamos juntas, como é que fizeste para aguentar tanto tempo a fingir uma coisa que não era verdade?
-Hábito. Fui criando hábitos e depois acostumei-me.
-Eu acho que não estou mesmo a ouvir isto...
-Estás. Não querias conversar? Não querias respostas? Aqui as tens, não tenho culpa que não gostes de ouvir.
-Mas não é possível! Como é que depois de tudo o que vivemos, de tudo o que passamos tu consegues dizer isso?! Teve de haver alguma ligação, algum sentimento pelo menos perto do que eu pensei que existia!
-Mas não houve.
-Eu não acredito Andreia! Eu não acredito que tu tenhas fingido tudo! Por melhor que fosse a tua representação tu não conseguias fingir tanto! Nós passamos tanto, apoiamo-nos tanto! Como é que conseguiste chorar tanto com coisas tão importantes, a tua família, a morte da tua avó, todas as coisas que confidenciámos uma à outra, todos os planos, os sonhos... quando dissemos que era-mos quase como irmãs, que nunca queríamos ficar longe uma da outra... Eu não acredito que conseguisses fingir tanto! - As lágrimas forçavam a sua saída, permanecendo no limite dos meus olhos. A Andreia calou-se alguns segundos, cerrando os lábios numa linha rígida, fitando ferozmente o chão do quarto.
-Está bem, eu não fingi! - gritou, fazendo-me tremer de susto. - Só quando disse que eras a minha melhor amiga quando tu me disseste que era a tua! Eu disse-te isso porque me pareceu mal tu dizer-me isso e eu não retribuir! Mas depois tornaste-te numa verdadeira amiga, depois, ao longo destes três anos é que te tornaste na minha melhor amiga! Mas agora está tudo completamente diferente! De um momento para o outro eu apercebi-me que não te conheço e tu não me conheces, apesar de termos partilhado tanto! Ambas mudámos, deixamos de ser quem eramos e já não nos conhecemos!
-Tu deves ter mudado, mas eu dou-te a certeza que não mudei, nem contigo nem com ninguém! Aliás, mudei agora com o Zach, porque ele levou a que eu fosse obrigada a fazê-lo! Ele mentiu-me, enganou-me e teve a lata de culpar o Rodrigo pelas acções dele! Com ele eu mudei, porque ele fez o que fez, só por isso. Mas contigo, eu nunca mudei. Bem ou mal eu estive sempre do teu lado, estive sempre ali para te apoiar, tentar fazer-te ver as coisas da maneira certa, tentei ajudar-te a acreditar mais, ajudei-te a ficar com o Rúben, porque eu sabia que ele te ama de verdade, e não estou de maneira nenhuma a atirar-te isso à cara, mas porra, eu fiz tanto por ti! Eu devotei-me a ti, a nossa amizade era uma das coisas mais importantes na minha vida! Quantas vezes é que eu me virava para ti de repente e te dizia que te adorava, quantas vezes eu me virei para ti e te dizia que tinha orgulho em ti? E tu achas isso tudo nada, só porque acreditaste numa coisa em que seria suposto teres ouvido a minha versão e ponderado pelo menos na dúvida da minha culpa?Não era o mínimo normal entre melhores amigas? Eu nunca te critiquei ou julguei sem te ouvir, nunca te disse se estavas errada ou certa, sempre te ouvi primeiro e só disse se estava de acordo ou não, mas nunca, nunca deixei de te ouvir primeiro, e mesmo discordando eu permanecia de braços abertos para te consolar!
-O Rúben viu, ele não ia mentir!
-Ele não mentiu sobre o que viu, mas também não deu hipótese para me explicar! Agiu de acordo com que viu e o que pensava! Mas eu pensei que tu me conhecias, achei que três anos e tudo o que já passamos fosse suficiente para saberes que eu não era capaz de nada assim, pensei que soubesses que eu adorava o Zach, e sim, no principio tive dúvidas, mas eu adorava o Zach como um irmão, porque amar eu amo o Rodrigo, ele sim conquistou o meu coração com o tipo de amor que o Zach queria que fosse ele!
-Ou então escolheste porque o Rodrigo te levou logo para a cama e o Zach decidiu dizer-te simplesmente que gostava de ti! - Neste momento pensei que estava realmente a ouvir mal, mas a verdade é que não. Ela tinha mesmo dito aquilo. Meu Deus, como é que isto chegou a estes termos, como é que nós, a nossa amizade chegou aqui? A desilusão só se alastrava e agora a mágoa corroía-me também. Aquela não era, definitivamente, a mesma pessoa.
-Primeiro, magoaste-me com essa. Estás a magoar-me com tudo o que estás a dizer. Acho que se calhar eu é que fui parva o suficiente para pensar que tu pensavas como eu, sentias como eu, que aquilo que eu imaginei que tivessemos criado fosse de longe o mesmo que tu pensavas. Acho que nunca me conheceste mesmo, e pior ainda, eu nunca te conheci a sério. Eu só não devo ter visto, ou ignorei se vi, porque já me tinha entregue demais a uma amizade que nem disso posso chamar agora. - As lágrimas rolavam pela minha cara abundantemente. Já não sabia se sentia ou se estava ocamente preenchida pela sombra da desilusão e da mágoa. - Eu não vou esquecer todos os momentos bons que passamos, todas as alegrias, as brincadeiras, mas podes ter a certeza que este momento, esta suposta conversa vai ficar muito mais viva na minha memória do que tudo isso, porque acabaste de destruir uma coisa que era preciosa para mim. - Agarrei em duas malas e coloquei-as fora do quarto, pegando nas outras duas logo em seguida. - Ah, e para que conste, ir para a cama com o Rodrigo foi muito bom, mas o melhor dele é o coração, porque é de lá que vem todo o amor que preciso, e dele eu sei que é verdadeiro até ao fim, ele não se vai perder. E já agora, não me voltes a agradecer ter-te ajudado a ficar com um homem devoto como o Rúben, quer dizer, já não espero que voltes a fazê-lo, de ti já não espero nada, mas é que, com a atitude que tens agora, por mais que ele te ame, acho que ele não vai conseguir suportar isso por muito tempo, por isso, se o amas a sério, muda. Por ele. - Dito isto virei costas e sai do quarto, fechando a porta atrás de mim. A última imagem dela era de uma cara que conhecia, de uma pessoa que havia perdido há mais tempo do que alguma vez soubera. Não ia ser fácil ultrapassar, mas se ela se perdeu, não tinha mais a que me prender, por que lutar, em que acreditar, por isso ia deixar ir, com o tempo, e desejando matar a dor com amor dos que realmente me amam.

Visão Rodrigo

Tava um pouco nervoso de deixar ela ir falar sozinha com a Andreia. Ela tava muito magoada, e como a Andreia andava respondendo e mandando bocas a conversa podia não correr tão bem como o razoável que se pode esperar. Fiquei esperando, impaciente e nervoso, na sala, mudando canais na televisão. Assim que ouvi uma porta fechar no andar de cima larguei o comando e me coloquei de pé, vendo a minha namorada descer as escadas em seguida, carregando duas malas. Assim que olhei o rosto dela notei que teve chorando. Me acerquei dela no instante seguinte.
-Amor, podes ir buscar as outras malas que estão à porta do quarto, por favor? - me pediu, com uma voz fraca e meio rouca. A expressão dela demonstrava que falar que ela tava triste era pouco.
-Claro, eu vou pegar amor - concordei imediatamente, subindo as escadas e descendo logo de seguida com as duas malas restantes.
-Podemos ir lá para fora chamar um táxi? - perguntou, ao que eu acedi na hora. Antes de sair, ela deixou as chaves dela na mesa da entrada de casa. Lá fora pousamos as malas e depois de eu chamar um táxi pra gente, ficamos esperando, em frente da porta da casa.
-Amor, fala alguma coisa? - pedi, bem calminho, mostrando, não que fosse preciso, que eu tava ali pra ela.
-Queres que diga o quê? - perguntou, falando baixo.
-Qualquer coisa amor, tudo menos ficar com tudo o que tá sentindo ai dentro! Eu tou aqui com você, vou tar sempre meu amor. - Segundos depois a expressão dela desabou em lágrimas ressoantes. Meu coração apertou muito. Envolvi ela nos meus braços, bem forte e beijei seu cabelo enquanto ela falava.

-Foi horrível, Rodrigo! Eu queria tanto que isto fosse um pesadelo! Aquela não é a pessoa que eu sempre tive em conta ser! A maneira como ela falou, o que ela me disse... foi horrível... - e ai sucumbiu ao choro e se enterrou mais no meu peito, e eu apertei mais ela. Ela tava desfalecendo por dentro e eu tava indo junto. Me matava ver ela assim. Ela permaneceu chorando, mas pouco depois parou, sem no entanto se afastar de mim ou afrouxar seu abraço. Alguns minutos passaram e o nosso táxi chegou, e depois de ajudar o taxista colocando as malas na bagageira indiquei o aeroporto como destino.
Durante toda a viagem ela nunca me soltou assim como eu também não larguei ela. Ela precisava disso, e eu só queria aliviar o estado em que ela tava. No avião acabou mesmo adormecendo. Durante a viagem liguei prá minha irmã avisando que tava regressando, mas não falei que a minha pequinina tava indo comigo, decidi fazer surpresa. Assim que a gente aterrou acordei a minha menina e depois de recolher a bagagem tomamos de novo um táxi até minha casa.
-Amor eu falei prá minha irmã que tava voltando, mas eu não falei que você veio junto, quis fazer surpresa.
-Fizeste bem amor - me deu um sorriso bem pequinino e eu plantei um beijo suave nos seus lábios, antes mesmo de o taxista parar em frente de minha casa. Depois de retirar as malas da bagageira e pagar entrámos no pátio. Percorremos o caminho de acesso a casa e chegamos na porta. Após abrir a mesma chamei pela minha irmã.
-Rodrigoooooo! - me respondeu, descendo as escadas a correr, e mal viu a Mónica o seu sorriso se estendeu ainda mais. - Ahhhhhh, Mónicaa! - e assim que chegou junto da gente se abraçou à minha namorada.

 E foi lindo de ver. Era bom ver que nessa altura a minha namorada podia contar com o apoio da garota mais importante na minha vida desde que nasceu! E parecia que sem saber dessa última discussão a minha irmã sabia de algum jeito que  ela tava precisando de um abraço bem forte e foi isso que ela ficaram fazendo, em silêncio, durante cerca de um minuto. Eu permaneci olhando elas, e depois que desfizeram o abraço a minha namorada sorriu de leve à minha irmã, mas notei que as lágrimas tavam se formando de novo nos seus olhos, porém ela lutou contra elas e não derramaram. - Que surpresa!
-Era suposto ser surpresa mesmo, maninha.
-Mas, o que é que você tá fazendo aqui? Você não tem aulas? - mas de repente ela tomou sentido às malas que tavam na porta. - Você voltou pra cá? - perguntou, com grande entusiasmo.
-Voltou, e vai ficar aqui com a gente por um tempinho! - respondi.
-Sério? - A minha namorada acenou que sim, com um pequeno sorriso. - Ai que bom! Você vai adorar!
A minha irmã não largou a minha namorada e as duas foram prá sala, a minha irmã sempre conversando com ela. Distrair ela. Apesar de o entusiasmo ser mesmo de verdade, ela tava mesmo entusiasmada com o facto de a Mónica ter voltado, melhor ainda ficar em nossa casa por um tempo. Peguei as malas e levei elas pró meu quarto, assumindo que ela ia ficar lá comigo, descendo em seguida pra me juntar, apesar de ficar apenas assistindo elas, na sala. Passamos todo o dia em casa, sempre arranjando maneira de não deixar a Mónica pensar nas coisas más, e de noite ela adormeceu no meu abraço, se sentindo ligeiramente melhor.
Despertei eram 8.45h da manhã, com o despertador do meu telefone, que também acordou a Mónica.
-Desculpa meu amor, pode voltar a dormir, eu vou me arrumar pra ir no treino - falei pra ela, enquanto saia da cama.
-Eu vou contigo.
-Não precisa meu bem, fica dormindo mais um pouquinho.
-Eu quero ir, amor, quero estar ao teu lado no teu regresso.
-Tem certeza? Olha que lá fora não tá tão quentinho quanto ai dentro - sorri.
-Claro que sim, amor! - se levantou, bem devagar e depois veio ter comigo, abraçando o meu tronco e me reclamando um beijo.
-Tá, então eu vou tomar um banho, vem comigo? - ela concordou e depois de já estarmos vestidos descemos pra tomar o café da manhã e sair pró meu carro, destinando o Caixa, onde ia decorrer o treino às 10.00h.
Chegámos no Caixa perto da hora do treino, então depois de estacionar levei ela até às bancadas, onde só estavam algumas das namoradas e mulheres dos jogadores, pois esse treino não era aberto ao público. Depois de dizer ''Oi'' pra elas e falar que a Mónica ia ficar com elas, dei um beijo na minha namorada e fui me equipar. A caminho dos balneários encontrei o Rúben.
-Então mano, voltaste! - sorriu pra mim.
-Voltei! - sorri de volta.
-A Mariana disse-me que tu e a Mónica se entenderam... - comentou, olhando sessa vez em frente em vez de olhar pra mim. Mas eu entendia.
-Sim, a gente se resolveu sim, e eu sei as coisas que você falou pra ela - ele me olhou, meio surpreendido e sem saber o que falar. - Ela voltou comigo pra Portugal, e eu gostava que vocês conversassem. Você entendeu as coisas errado, Rúben.
-Tens a certeza?
-Os olhos dela não mentem pra mim. Pra além de que a gente foi ter com aquele tarado do inglês e ele acabou confessando, de um jeito grosso, o que ele fez.
-Ai se fosse comigo espetava-lhe um murro naquela cara!
-Foi o que eu fiz1
-Fizeste? Eh lá, muito bem puto1 - riu.
-Eu me controlei, mas ele ofendeu ela e ai eu tive de reagir dessa forma!
-E fizeste muito bem puto!
-É, mas então, você tá disposto a falar com ela, ou vai ser orgulhoso e babaca como sua namorada tá sendo? E desculpa se eu tou te ofendendo, mas você não viu nem ouviu o que eu e a Mónica escutamos e vimos, principalmente ela.
-Não percebi, mas esquece, vamos treinar e depois contam-me tudo!
-Então você vai falar com ela?
-Claro que sim! Fui homem para deitar abaixo, sou homem para pedir desculpas! E agora vamos que eu quero mostrar-te que perdeste qualidade nestes dias! - zoou, rindo.
-Convencido você, hein? Olha que eu tenho motivação extra, vê se não se desilude muito!
-Veremos, então! - Saímos dos balneários correndo até o campo e quando pisámos o relvado procurei por ela e sorri mandando um beijo, e depois de ela me responder notei sua expressão mudando, algo confusa, no entanto sorrindo timidamente, e quando reparei, o Rúben tava atrás de mim, sorrindo pra ela, aquele sorriso que ele sempre dava pra ela. Significava que ele só tava esperando que ela perdoasse ele.
O treino correu muito bem! Dei toda a minha energia, me diverti, e sorri, muito! Passei o treino olhando pra ela e sorrindo. O Mister falou comigo brevemente no final do treino, me dando os parabéns.
-Se continuares assim em todos os treinos no próximo jogo podes ter a certeza que a titularidade não te tiram!
-Se eu puder trazer a minha namorada em todos os treinos, pode ter certeza que não vou baixar meu rendimento Mister!
-Sabes que as meninas podem vir sempre! E fico feliz que se tenham entendido!
-Obrigado Mister! E obrigado por ter me apoiado e ter me dado esses dias!
-Estou cá para isso rapaz, e olha que não me arrependo, porque assim com essa energia toda só vais render, e bem!
-Espero que sim Mister!
Depois do papo segui prós balneários e o Rúben tava terminando de se arrumar.
-Despacha-te puto, a tua menina está à espera!
-Eu sei, só fiquei conversando com o Mister, mas vou me despachar num instante! - Dez minutos depois já tava pronto. - Vamo!
-Bem, acho que nunca te despachaste tão rápido! - riu ele, meio zoando comigo, mas era verdade, eu só queria correr pra junto dela, porque já tava com saudade, mas nesse caso, sobretudo porque queria que eles se resolvessem logo! Ela tava esperando nas bancadas, bem junto do acesso aos corredores.
-Oi! - sorri, pegando logo um beijo dela. - Gostou do treino?
-Claro que sim!
-Viu só o que eu fiz hoje? Com você aqui todos os dias, vou fazer sempre igual!
-Acho muito bem, afinal porque é que eu vim contigo? - sorriu. Eu ri, e o Rúben tava olhando a gente e sorrindo. E esperando.
-Bom, amor, eu falei pró Rúben que ele tava errado e que o babaca do inglês confessou tudo, e ele quer conversar com você. - Ela olhou o Rúben, que agora tava com uma postura séria, esperando uma resposta dela.
-Está bem - concordou ela.
-Então vamo pra casa e o Rúben vem com a gente e ai vocês falam.
-Não é preciso, podemos falar mesmo aqui - falou o Rúben, pousando o seu saco numa das cadeiras das bancadas. A gente se sentou nas bancadas e o Rúben começou logo falando. - Então, o Rodrigo dissee que vocês me iam contar melhor as coisas, mas agora, antes de tudo eu quero pedir-te desculpa! Eu agi impulsivamente, sei lá, depois de te ver agarrada àquele gajo, a maneira como falavam, sorriam, apanhar-vos aos beijos fez-me perceber tudo como eu achava que era, e tu sabes que o Rodrigo é como um irmâo para mim, e só de pensar que estavas a trai-lo, a trair a confiança dele, a brincar com os sentimentos dele, mesmo sabendo o que ele já passou, eu senti-me na obrigação de lhe dizer. Desculpa por ter sido irracional, desculpa por não ter parado para pensar e perceber que por mais evidente que parecesse tu não eras capaz de fazê-lo. Eu sei que é difícil, eu fui o pior amigo de sempre, mas perdoa-me, por favor. Tu sabes que
eu não te dizia nada do que disse se tivesse sido esperto suficiente para me dar conta que o errado estava a ser eu!
-Espertos são os cães, oh! - riu ela - É óbvio que te perdoo, seu parvo!
-Não vais fichar magoada nem nada?
-Não vou dizer que não me magoaste, porque magoaste muito, senti-me horrível com isso e com o facto de vos ter desiludido, e eu acho que se a Mariana não tivesse ficado do meu lado tería sido ainda pior, mas o facto de reconheceres que afinal não estavas certo e vires pedir desculpa faz-me pôr para trás o quão mal me senti com as tuas palavras naquele dia. Tu dizes que o Rodrigo é como um irmão para ti, mas tu também és como um para mim! Por isso é claro que te perdoo, Rúben!
-Oh pequenina, ainda bem, obrigado!  - agradeceu ele, realmente aliviado, abraçando ela. Ficaram abraçados durante um tempo e eu decidi brincar com o Rúben e fazer a gente rir.
-Oh Rúben, já chega vai, tá bom, já pode soltar a minha namorada! - Ele olhou para mim, assim como a Mónica, desfazendo o abraço, mas permanecendo com o braço sobre ela.
-Estás com ciúminhos, é?  - sorriu, entrando também na brincadeira.
-Tou - tentei não rir, mas foi impossível não sorrir um pouco.
-Então rói-te lá mais um bocadinho de ciúmes porque eu vou pegar-lhe ao colo e correr por ai com ela!
-O quê... ? - perguntou ela, mas o Rúben não deu tempo e pegou mesmo ela por cima do seu ombro e começou correndo! Eu decidi alinhar novamente na brincadeira, afinal, não deviam haver muitas pessoas já  no Caixa. Mas enquanto a gente corria por um corredor, sempre com a minha namorada se debatendo e reclamando com o Rúben, o Mister passou pela gente.
-Desculpe Mister!  - se desculpou o Rúben, rindo enquanto passava correndo.
-O que é isto?  - perguntou o Mister, mas não parecia zangado.
-Desculpe Mister!  - foi a minha vez de me desculpar, enquanto passava pelo Mister correndo.
-Ao menos tenham pena da rapariga,,, ai ao ombro do Rúben que nem um saco de batatas! - riu o Mister, se virando e assistindo a gente.
-Rúben pára! Já chega, por favor! - pediu a minha namorada, rindo.
-Está bem, pronto, já chega! - concordou o Rúben, colocando ela no chão.
-Obrigada! - riu a Mónica. - Não sei como é que não te cansaste rápido, eu não sou propriamente leve!
-Mas tu estás a ver-me com cara de fraquinho? - falou ele, tentando manter um ar sério, mas depois todos começamos rindo.
-Bom, vamo embora gente?
-Posso ir almoçar a tua casa?
-Sempre a mesma coisa, Rúben! - ri. - Você ainda tem de perguntar? Óbvio que pode!
-Boa, então vamos! - Depois de pegarmos as nossas coisas nas bancadas saímos das instalações e seguimos pra minha casa.

Visão Rúben
Assim que o Rodrigo me disse que se tinha entendido com a Mónica e me disse que o suposto melhor amigo dela é que tinha enganado todos eu percebi imediatamente que havia algo que tinha de fazer: pedir desculpas à Mónica. E assim que ela me perdoou senti-me tão aliviado! Eu tinha sido realmente horrível naquilo que lhe tinha dito, mas tinha sido essa a minha intenção na altura, porém, após saber que eu é que tinha percebido as coisas da maneira errada, e sem oferecer qualquer hipótese de explicação, senti-me terrivelmente mal. O Rodrigo era como um irmão para mim, a Mónica estava com ele, e ela também já era como uma irmã para mim. Uma pequenina que eu adorava e que me tinha ajudado tanto com a minha namorada! Sim, eu tenho tendência a querer formar uma família ainda maior do que a que já tenho! Passei o dia em casa do Rodrigo, com eles os dois, a Mariana e o meu irmão, que quando chegámos já lá estava. O dia estava chuvoso, a modos que o convívio no quentinho da sala do Rodrigo, com a lareira acesa e tanta e boa conversa foi o melhor programa. A Mónica e o Rodrigo acabaram por contar-me o que tinha acontecido com o inglês, e mencionaram que a Andreia estava diferente, pelo menos para com a Mónica. Ela tinha fixado a razão no que eu tinha visto, e agora, por mais que dissessem que estava errado e contassem a verdade, ela não parecia disposta a mudar de opinião. Senti-me na obrigação de falar com ela, porque afinal tinha sido eu a plantar essa ideia nela, visto que ela acreditou logo em mim, sem se preocupar em ouvir a versão da Mónica, o que agora pensando com as ideias no sitio, não me parecia normal.

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Capitulo 30 (parte II)

Olá meninas!!
Aqui vos deixo mais um capitulo! E neste capitulo tenho um grande agradecimento a fazer à minha melhor amiga, a Filipa da ''Nothing else but Love'', e à Sofia Martins da ''Me Perdi En tu Sonrisa'', ''Puede Que No Vuelva Más, Pero Ya És Parte de Mi'' e ''When Not Waithing, Love Appears''! Muito obrigada guapas lindas do meu coração! Se não fossem as vossas ideias e a vossa ajuda o capitulo nem a metade estava! Obrigada por me aturarem! Vos quiero! <3

E pronto, espero que goste e me deixem os vossos comentários!!

Besos
Mónica

Visão Rodrigo

Depois de mais três horas muito bem passadas no quarto do hotel a gente finalmente foi jantar. Fomos até ao restaurante do hotel e após sentarmos numa mesa nos entregaram os cardápios.
-Oh my God, as opções são tão esquisitas, não sei como é que alguém tem apetite para estas coisas! - riu ela.
-Os ingleses devem gostar, né? Isso e o Fish and Chips...
-Que também consta aqui, mas não me está a apetecer.
-Isso que eu não como também! Posha, quando eu morei em Bolton a gente comia isso pra caramba!
-Enjoaste - comentou, rindo.
-É, acho que sim, eu nunca gostei muito mesmo!
-Pois, tu és mais do tipo feijoada lá do teu pais.
-Tá me zoando? - sorri.
-Não, eu também gosto, mas és, não és? - riu.
-Sou, ainda por cima a minha avó faz uma feijoada mesmo boa...
-Tá, mas olha, não te babes que aqui não te vão servir isso de certeza!
-É... Tou pra ver o que é que a gente vai comer!
-Espera, espera! Encontrei uma coisa normal! - riu. - Olha ai em baixo, ao lado das saladas!
-É mesmo, alguma coisa decente e que a gente sabe que gosta! Tá decidido?
-Claro que sim! - Chamei o empregado que veio novamente até a nossa mesa e eu fiz os nossos pedidos.
-And to drink, have you decided yet? - perguntou o empregado.
-I want a coca-cola, please - pediu a Mónica.
-And you Sir?
-I'm going to have a red wine, the one from Argentina, ''La Folia''.
-Yes Sir. If you'll excuse me... - se retirou.
-Vinho? - perguntou a minha namorada, fazendo uma cara esquisita.
-Sim.
-Isso vai cair-te mal...
-Descansa que não, eu já experimentei.
-Ai de ti que me vomites em cima! - riu.
-Que graça! Pode descansar! - ri também.
-E depois os ingleses é que são esquisitos à mesa! Essa escolha é um bocado duvidosa!
-Não gosta de mim na mesma?
-Gosto, claro.
-Então pronto, esquece a combinação estranha!
-Está bem - riu de novo. Pouco depois o empregado surgiu com o nosso pedido e logo de seguida surgiu outro com as nossas bebidas.

                                                   ( Homemade macaroni cheese )

                                           ( Red wine, ''La Folia'', from Mendonza, Argentina )

-Tens a certeza que vais fazer a mistura? - ainda perguntou ela antes de a gente pegar os talheres.
-Vou - sorrri.
-E tens a certeza que já experimentaste?
-Tenho.
-E não te vomitaste?
-Não - gargalhei.
-Nem no dia a seguir?
-Não.
-Nem no outro?
-Você tá com tanto medo assim? - ri.
-Sinceramente, acho que sim - riu. - Quer dizer, vais dormir comigo estes dias...
-Amor, lamento lembrar você, mas você só vai me ter na mesma cama que eu hoje, depois eu volto pra Portugal... - respondi, pousando os talheres.
-Ai, pois, mas tu percebeste!
-Tá, eu entendi sim, e te aviso que não precisa ficar alerta não, eu não vou passar mal1 Acha que eu arriscava isso na última noite e no último dia que eu vou tar com você?
-Não, pronto, eu confio em ti! - riu.
-É muito bom ouvir isso, por isso agora pode começar comendo tranquila! - acabei rindo e a gente finalmente começou comendo. A conversa surgiu, como sempre, e dei por mim apreciando ela mais ainda do que o normal. Esse tempo, essa confusão deram cabo da gente, e pensar que nesse momento a minha vida tava deprimente até nem poder com ela, sem a minha menina do meu lado, me arrepiava. Um mês não é tanto tempo assim, mas parece que eu já passei metade da minha vida com ela. Se tirassem metade da sua vida, de repente, você ia conseguir viver de novo em condições? Eu nem viver ia conseguir! Me chama de dramático, exagerado, loco, o que quiser, mas viver sem ela não era mais possível!
-Estás tão pensativo amor. Estás a reconsiderar a tua opinião em relação á mistura? - riu, quando a gente terminou.
-Nada disso meu bem, tava pensando em coisas completamente diferentes, tava pensando em você!
-Em mim? - perguntou, curiosa.
-É, em você, em o quanto a minha vida não ia fazer sentido se eu deixasse de ter você!
-Ai amor, nem a comer deixas de ser tão querido? - perguntou, naturalmente afetada pela sinceridade das minha palavras.
-Se me perguntar quando que eu não tou pensando em você vai ser difícil responder.
-Assim fica difícil! Podemos pedir a sobremesa para depois sairmos daqui e eu te encher de beijos?
-Porquê não pode me dar um agora? - desafiei.
-Posso claro, mas um não me vai chegar, estás muito querido hoje!
-Então me dá e eu vou continuar sendo ainda mais! - Ela me deu um sorriso lindo e depois juntou seu lábios nos meus de forma rápida. Poucos segundos depois já o empregado tava junto da gente com o cardápio das sobremesas, que a gente escolheu, com alguma dificuldade, visto que dos doces a gente conhecia e gostava de quase todos.

                                                       ( Chocolate fudge brownie )

-Oh seu guloso, tens chocolate no queixo! - riu.
-Tira pra mim?
-Como? - provocou.
-Do jeito mais decente, vamo deixar as indecências só pra gente - respondi de igual modo, ao que ela retorquiu com um sorriso enorme meneando a cabeça e contendo uma gargalhada.

Depois de a gente terminar e pagar, vestimos os casacos e fomos passear. Os nossos corpos estavam quentes de amor e carinho suficiente pra esquecer o frio lá fora.
-Adoro andar na rua à noite. E desta vez o frio é irrelevante, tenho-te comigo.
-Quer ver que isso se pega?
-Isso o quê amor?
-Essa coisa de ser muito querido! - Ela gargalhou.
-Talvez amor, mas eu não preciso disso para te dizer o que sinto e o que penso.
-Não precisa não, eu sei você de cor meu amor!
-Ai, Rodrigo a sério, daqui a nada eu derreto!
-Boba - sorri, apertando mais ela contra mim, enquanto a gente andava.
-É verdade, se tu soubesses o que o que tu dizes me provoca cá dentro! Parece que o meu coração quer sair!
-Minhas palavras também fazem isso? Pensei que eram só meus beijos! - brinquei.
-Podemos experimentar, já que tinhas dúvidas! - sorriu matreiramente.
-Então vem aqui me esclarecer - respondi, me referindo à distância que ela ia ter de travar entre as alturas das gente.
-Vem cá tu e comprova! - Imediatamente depois das suas palavras sublinhadas de um sorriso desafiador, eu peguei ela pela cintura e a ergui, colada em mim, até conseguir uni os nossos lábios sem precisar me baixar. Depois coloquei ela no chão de novo e separei nossos lábios. O contraste da temperatura e da nossa respiração se fez notar no ar.
-Foi boa a viagem? - perguntei, sorrindo.
-Foi óptima. E a dúvida, esclarecida?
-Que dúvida? Ah, isso? Não, isso foi só uma desculpa pra te pegar e te deixar sem ar!
-Tosco!
-Que você ama!
-Que eu amo - repetiu, com um sorriso doce. Voltamos a nos abraçar e continuámos caminhando. Parámos junto da Catedral de Ely.









-Vem! - falei pra ela, nos levando pra junto de uma árvore. - Vamo subir?
-O quê? A árvore?!
-Sim!
-Estás doido!
-Sério! Não é alta, a gente consegue sentar naquele ramo! - respondi, apontando o ramo mais baixo e grosso o suficiente pra suportar o nosso peso.
-Rodrigo, eu não vou subir, ainda caio dali a baixo!
-Eu te seguro, te ajudo a subir!
-És chato!
-O chato que você ama! Agora vem aqui que eu te ajudo! - Ela acabou cedendo e a gente sentou na árvore.
-E pretendes fazer o quê aqui sentado?
-Pra começar, te beijar.
-Há bancos, no chão amor, podíamos sentar lá, é mais seguro.
-E perder a adrenalina e o romantismo daqui? Não meu amor.
-Ai, está bem, pronto amor. Mas se...
-Pára de protestar e me deixa te beijar?
-Já me calei - respondeu, com uma expressão tão doce, e de quem esperava ansiosa pelo meu beijo.
-Não é bom? - perguntei, depois de roçar o meu nariz no dela, após terminar o beijo.
-É - sorriu.
-Amor, consegue imaginar você um dia voando no espaço, se sentindo a maior estrela das constelações?
-Hã? Não, claro que não, isso é um bocado irracional amor, estás a descer na ascensão da espécie, ou quê? - riu, meio confusa ainda com a pergunta.
-Não sua boba.
-Não parece! Daqui a pouco viras primata, até já ás árvores queres subir! - voltou a rir, e eu ri junto.
-Não é isso meu bem, eu só quero que você perceba que como essa pergunta parva e irracional, eu já não sei viver sem você! A minha vida ia passar sendo da espécie anterior à atual do Homem, nem razão nem coração, só alma vazia. Ela ficou calada, de boca aberta e olhos brilhantes. Toquei seu coração, mais uma vez. Era lá que o meu amor por ela deveria chegar.
-É por isto, por seres quem és, como és, por valorizares o invalorizável pela sociedade, por te preocupares, por usares o coração à frente de tudo que cada dia me apaixono por ti, uma e outra vez - acabou dizendo, deixando uma lágrima cair. Era a mais pura reação ao meu amor, feita de amor, derivada de amor, pra prolongar esse sentimento, o amor.
-Você é a mulher da minha vida, mas mais que isso, você é a razão principal pelo bater do meu coração a cada segundo. é o motivo do meu sorriso mais fácil e do mais dificil, é você que dá direção pra minha felicidade, e eu te juro que do seu lado ela é plena. - Ela nem chegou a me responder. Segurou meu rosto e me beijou, com todo o amor que faiscava nessa noite. Tava sentindo o que ela dizia sentir, o meu coração tava querendo saltar pra fora do meu peito. Não havia sensação melhor nesse momento que sentir o amor dele bem dentro do meu peito, ressoando, explodindo, me lembrando a razão pra ela ser a única. Pra ela ser a tal. - Tem a sua chave de casa ai? - perguntei, interrompendo o silêncio preenchido por sorrisos apaixonados e olhares radiantes refletidos um no outro e escrevendo seus nomes na lua.
-Tenho, mas porquê amor?
-Me dá?
-Sim... - respondeu, meio reticente, me entregando a chave. Escolhi a mais bicuda e estendi a mão pró tronco da árvore, começando depois a raspar. - O que é que estás a fazer amor?
-Vou escrever os nossos nomes. Quero gravar eles aqui, assim como o seu tá no meu coração.
-Eu escrevo o teu! - se ofereceu. Eu terminei de escrever o dela e dei a chave pra ela que começou logo escrevendo o meu.
-Agora deixa eu acrescentar aqui uma coisa - pedi, pegando a chave de volta.
-Um de Dezembro de Dois Mil e Doze... - sorriu, lendo o que eu tinha acrescentado.
-E como vai ser pra sempre, fica assim só, a gente não vê o fim. - Ela me deu um beijo.
-Eu amo-te Rodrigo. - Meus olhos brilharam. Ela falava aquilo pra mim milhares de vezes num dia, e em nem uma os meus olhos deixavam de brilhar ou o meu coração deixava de acelerar.
-Posso te responder como me tá apetecendo?
-Podes, desde que não implique eu cair daqui, podes! - riu. Eu sorri pra ela e enchi meu peito de ar.
-EU TE AMO! - gritei de uma vez só. A sobrecarga do amor tava me dominando. Tava sentindo tanto ao mesmo tempo que gritar isso desse jeito me aliviou um pouco.
-Rodrigo! - tentou repreender, no entanto o sorriso dela era enorme. - O vinho fez-te efeito!
-A culpa disso é sua! Me faz sentir tão bem que me faz fazer essas coisas!
-Tu és doido! Sabes onde é que estamos? E estamos mesmo em frente à catedral!
-E então? Assim soa ainda mais romântico! - ela gargalhou e eu me senti flutuando. - Experimenta!
-Eu? Não.
-Sim, você! Experimenta! Vai ver como vai se sentir bem!
-Mas...
-É só gritar! - Ela respirou fundo.
-AMO-TE! - gritou, rindo em seguida. Eu sorri e abracei ela forte.
-Não soube bem?
-Soube! - sorriu, e eu tornei a juntar nossos lábios. Isso era uma necessidade essa noite, ainda maior que os outros dias. - Amor, eu tenho uma coisa para te dizer - falou, interrompendo um beijo pra resfolegar.
-É importante? É que tava tão gostoso.
-É.
-Então fala!
-Eu vou voltar contigo para Portugal.
-Tá falando sério? - perguntei, ainda incrédulo.
-Sim! - sorriu.
-Meu Deus, que bom! - quase gritei, apertando ela num abraço e detribuindo vários beijos no rosto dela.
-Sim amor!
-Não tou nem acreditando!
-Mas, eu precisava de ficar uns dias em tua casa, até encontrar emprego e uma casa para alugar.
-Claro meu amor, claro que sim! Você podia até ficar vivendo lá em casa, a Mariana vai ficar lá também, mas ela passa muito tempo com o Mauro e depois vai prá Faculdade aqui também!
-A sério? Que bom! Mas olha amor, eu agradeço, mas, neste momento prefiro alugar uma casa, assim que conseguir. Eu não quero apressar as coisas entre nós, e acho que se ficasse lá definitivamente podia não correr tão bem.
-Tá, tá bom, mas o importante é que você vai! Eu tou tão feliz meu amor!
-Eu também amor! - sorriu, e eu, pela milionésima vez nesse dia, beijei ela como a minha maior necessidade. Essa noite tava sendo uma noite perfeita, e essa noticia tinha aparecido pra melhorar ainda mais! Não tava nem acreditando que ela ia voltar pra Portugal, comigo! Se não era amor, era o quê então? Me envolvi tanto nesse toque dos nossos lábios que nó voltei a despertar quando senti gotas, geladas, caindo, torrencialmente.
-Caraca! - reclamei, me separando dela.
-Que bom! - ironizou. - Vamos embora amor!
-Porquê? Tá gelada, mas eu gosto de ficar na chuva! - ri, saltando pró chão, e depois ajudando ela a descer da árvore também.
-Eu também, mas isso é quando posso! Não te esqueças que tu tens os treinos e tens de recuperar a titularidade e eu quero começar logo a procurar emprego!
-Tá bom, pronto, vamo embora então! - acedi, segurando a mão dela.
-Vamos a correr, mas não me largues, se não eu fico para trás! - riu, eu sorri e a gente começou correndo.
-Wohoooooo! - gritei, de repente. Hoje a melhor forma pra libertar tanta pressão boa tava sendo gritar!
-Doido! - falou ela pra mim, num tom mais alto, rindo. Eu ri com ela e pouco depois chegámos no hotel. - Vão pensar que somos malucos - riu, assim que chegámos na recepção.
-Não sou daqui mesmo! - ri também. Assim que coloquei o meu olhar no balcão a repcionista tava olhando pra gente com uma cara confusa, o que me deu vontade de rir, mas me controlei.
-I'm so sorry, we were outside and started to rain and we got nothing to protect us! - se desculpou a minha namorada, também com vontade de rir.
-We understand, you're not the first ones coming here like this, it's normal, we never Know when it's going to rain. You can come up to your room and our people clean all, don't worry about it.
-Thank you!
-What's your room?
-The 22 - respondi eu rapidamente. A recepcionista nos entregou a chave e a gente subiu rápido até o nosso quarto. Lá dentro, começamos rindo muito.
-Ai, viste a cara da mulher amor? Ela disse que não eramos os primeiros, mas ficou cá com uma cara!
-Eu tava me esforçando pra não rir na frente dela!
-E eu enquanto falava!
- Agora vem, vamo ficar quentinho! - puxei ela comigo até ao banheiro. Depois de encher a banheira de espuma, a gente tirou todas as roupas, encharcadas, e entrou na água quente. Não resisti e puxei ela pra junto de mim.

- Você já falou pra Andreia que tá indo embora comigo?
-Não. Eu só decidi que ia hoje.
-Então eu te ajudo a falar pra ela.
-Não amor, não é preciso. Aliás, eu preciso de falar com ela, a sério e sozinha. E também tenho de falar com o primo dela e a namorada dele, foram eles que me deram casa este tempo todo, e eu nem sou da família!
-Tá, mas quer que eu vá com você até lá, pelo menos?
-Podes ir, mas quando for falar com a Andreia vou sozinha. Tenho algumas coisas para lhe dizer para além de dizer que vou voltar contigo!
-Mas vai com calma, tá? Eu não quero que você saia mais magoada ainda amor!
-Eu sei amor, mas há coisas que tenho mesmo de dizer-lhe, independentemente das consequências.
-Mas eu vou tar do seu lado.
-Eu sei amor, obrigada.
O banho demorou, porque entre o aquecer houveram muitos carinhos, mas depois que agente saiu, vestimos as roupas pra dormir e nos deitámos por baixo dos lençóis, abraçados. A última palavra que escutei antes do beijo dela e de fechar os olhos foi ''Amo-te''. Depois cai num sono tranquilo.

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

Capitulo 30 (parte I)

Olá meninas!
Finalmente vos trago mais um capitulo! Não é muito grande, mas espero que gostem!
Deixem os vossos comentários, por favor!

Besos
Mónica

Visão Rodrigo

-Tá demorando pra você se levantar hoje, hein? - falei, vindo do banheiro. Ela ainda tava deitada, de barriga pra baixo, meio descoberta pelos lençóis. Parecia cansada mesmo, mas a gente tinha de levantar. Ela nem me respondeu, por isso subi na cama e colei minha pele na sua pele desnuda, deixando a água do corpo, depois do banho, molhar ela, atribuindo um beijo no seu ombro. - Vai levantar ou eu vou ter de tirar você da cama à força?
-Ai, pronto, eu levanto-me... - respondeu, ainda de olhos fechados.
-Assim que eu gosto.
-Vê lá se queres gostar de outra coisa! - falou ela, se espreguiçando e finalmente abrindo os olhos.
-Vindo de você não tenho dúvida que ia gostar mesmo! - sorri, permanecendo no lado dela.
-Já foste tomar banho? - perguntou, meio desanimada.
-Já. Eu te chamei, mas você falou que era só mais um instante e acabou ficando ai.
-Pronto, desculpa, eu levanto-me.
-Não precisa pedir desculpa, você que perdeu mesmo - ri, brincando.
-Perdi o quê? - perguntou, se sentando na cama de frente pra mim.
-Um banho comigo.
-Ah, isso.
-Isso?
-Podes ir outra vez comigo, não pagas mais por isso, acho eu.
-De novo?
-De novo. Mas decide-te rápido que eu quero despachar-me!
-Agora tá com pressa, é? - perguntei, observando ela se dirigir pró banheiro.
-Estou! Estou a morrer de fome, tu não?
-Nem lembrei.
-Milagre! - riu. Me levantei e fui ter com ela.
-Ah, você não me deixou lembrar!
-Eu? Eu estava a dormir! - cheguei junto dela e fiquei observando enquanto ela regulava a temperatura da água.
-Me desconcerta do mesmo jeito! - respondi, ao que ela reagiu com um ''Oh'', estendendo de novo a mão pra ver a temperatura da água. - Quer mesmo a minha companhia ai dentro? Olha que eu vou sobreaquecer a água!
-Cala-te e vem! - falou, entrando na banheira, gesto que eu repeti com todo o prazer.
Depois de a gente se vestir saímos pró restaurante do hotel pra almoçar, visto que tava na hora, e acabamos por subir de novo no quarto pra descansar um pouco. Eu cheguei no quarto e me sentei na cama, encostado nas almofadas da cabeceira, e ela resolveu se sentar no meio das minhas pernas, se encostando a mim.

-É provável que vás gastar pelo menos metade de um dos teus ordenados nestes dias, não é? - falou, meio que resmungando.
-Não vejo qual é o problema.
-É muito dinheiro, amor!
-Ai você acha muito? Se fosse o Rúben era capaz de ele gastar dois ordenados só pra dar o melhor prá Andreia!
-Tu não és o Rúben...
-É, não sou, mas sou loco pela minha namorada também, e só quero dar o melhor pra ela!
-Ai, pronto, está bem, não reclamo mais dos gastos destes dias! - acabou concordando com um sorriso.
-Amor, por falar no Rúben, você ainda não contou pra mim que é que aconteceu com vocês...
-Queres mesmo que te conte...? - perguntou, já com um expressão triste.
-Claro que eu quero.

*****

-Dá gosto ver alguém tão apaixonado e feliz, mais ainda depois de tudo que ele passou! Mas sabes, tu trouxeste isso de volta, mas acabaste de tirar-lhe de novo, e não duvido que seja pior desta vez! - Ele fez uma brevíssima pausa que eu tentei aproveitar para falar, mas novamente fui impedida. - Porra Mónica, desiludiste-me! - pronunciou, com uma expressão desgostosa. - Logo tu! Tu ajudaste-me tanto, mas tanto com a Andreia, tu trouxeste o meu amigo de volta à vida, tu eras aquela amiga que estava lá não interessava o quê, quando, como, porquê... Como é que conseguiste mudar assim do nada? Foi o atrasado do inglês que te fez a cabeça? Ou então se calhar tudo isso era uma mentira que contavas todos os dias, a toda a hora... Só não percebo o fim disso. Magoar ainda mais o Rodrigo? Não eras tu que te dizias a maior fã dele? Ou então também era mentira, espera... - Cada palavra, cada ressoar no tom de voz do Rúben estava a matar-me. Fazia doer a cada ínfimo milésimo de segundo, cada vez doía mais. Doía tanto que o melhor me parecia deixar doer até a alma secar e sangrar e deixar de sentir e pensar. Ainda quis tentar pronunciar-me, defender-me e clamar pela minha inocência, mas as lágrimas taparam-me a voz e turvaram-me a visão.  Será que o resto do mundo ainda desabava, ou ia ficar a pairar sobre mim ainda? - Eu queria deixar-te pior, juro que queria! Queria que sentisses o que ele está a sentir agora! Mas não consigo... Já não consigo deslindar palavras para te mostrar a desilusão que me deste! - Olhou-me desprezivelmente e voltou a fitar o chão. - Só mais uma coisa. Eu vou-me embora amanhã, mas quero que saibas que não quero que voltes a aproximar-te do Rodrigo. Acho que já chega. - Dito isto voltou costas e saiu do quarto.

*****

-Mas já passou... - disse ela, não-convincentemente, quando terminou de me falar o que o Rúben tinha falado pra ela.
-Não passou não, dá pra ver que não meu amor... - segurei a mão dela.
-Vai passar amor... Agora ainda não, porque, apesar de eu adorar o Rúben, as palavras dele magoaram-me... Eu sei que ele não teria dito nada daquilo se soubesse o que se passou realmente, mas ele não me deu hipótese para explicar e disse o que disse na mesma... Mas vai passar.
-Você sabe que o Rúben não é desse jeito, ele é compreensivo e calmo, mas ele viu vocês se beijando e tudo mais e pronto, se precipitou e partiu pra defesa do que ele acreditava.
-Eu sei amor, não te preocupes.

-Então e aquele vagabundo do inglês, vai ficar longe agora né?
-Eu disse-lhe que nunca mais queria falar com ele.
-Onde que ele mora?
-Para quê, amor?
-Me fala.
-O que é que vais fazer?
-Conversar.
-Rodrigo esquece.
-Não vou esquecer. Quando a gente se conheceu a gente fez um aviso mutuo. Ele te desrespeitou e eu vou lá lembrar ele da nossa conversa!
-Oh Rodrigo não, eu não quero que ninguém se magoe! Vamos esquecer!
-Se eu não quebrar a cara dele ele vai ter muita sorte.
-Rodrigo! - pediu, se virando pra mim.
-Me fala e a gente vai lá.
-Rodrigo - tentou me dissuadir de novo.
-Não vai resultar amor, eu vou lá nem que eu tenha de descobrir sozinho onde que ele mora!
-Pronto, está bem, eu digo. Mas eu vou contigo!
-Claro que você vai, ou você acha que eu ia te deixar aqui pra ele depois negar tudo porque você não tá lá?
-Achas que ele era capaz disso?
-Eu acho que você não conhecia ele tão bem assim! Se fosse preciso eu acho que ele ia inventar que você que tinha inventado tudo isso pra cima dele! Ele foi capaz de te enganar do jeito que fez, por isso eu acho que ele era capaz sim!
-Sim, tens razão. Quando é que vamos?
-Agora! Eu quero resolver isso logo!
-Está bem - concordou, saindo da cama, gesto que eu igualei.
 

Visão Mónica


Quarenta minutos depois o táxi deixou-nos em frente da casa do Zach. Eu preferia não lá estar, ainda menos devido às circunstâncias que lá nos levavam, e eu sabia que ele estava em casa. Mas persuadir o Rodrigo a não ir foi uma tarefa em vão, por isso vim com ele. Conhecia o homem que tinha ao meu lado, mas o outro já nem tanto, por isso queria estar por perto para tentar suavizar os ânimos se preciso fosse.
-Ele mora aqui? - comentou o Rodrigo, assim que o táxi se foi embora. Agarrei-me imediatamente a ele.
-Mora. E está em casa.
-Tem certeza?
-Sim. Ele está sempre em casa a esta hora.
-Então vamo logo. - Chegámos ao portão e entramos para o caminho de acesso à casa até chegarmos à porta. Toquei duas vezes, como costumava fazer quando lá ia. Poucos minutos depois a porta abriu-se. Assim que nos viu a sua expressão alterou-se da de descontração com que foi abrir a porta. Surpreso, e talvez receoso também, foi o que a sua expressão demonstrou à primeira impressão. Primeiras impressões era tudo o que podia extrair, e mesmo essas poderiam não ser fiáveis. Quanto mais e melhor julgamos conhecer, menos profundamente essa pessoa se devota a nós como nós fazemos para com eles. Aquele que pensei conhecer melhor que ninguém desde à uns meses tinha-se revelado o maior estranho na minha vida. E o maior estranho a deixar danos no meu orgulho.
-We need to talk, now. - disse o Rodrigo assumindo a dianteira. Ele não queria molengar, ele estava ali com um propósito, por isso o melhor era despachar tudo rápido. Passamos pelo Zach, que ficou à porta de boca aberta, e entramos direcionando-nos para a sala. Ele não estava sozinho. Que sentido de oportunidade fantástico que o meu namorado tinha. A Candice estava lá..
-I didn't invited you in - reclamou o Zach, batendo a porta e indo também para a sala.
-Rodrigo want to talk with you - disse-lhe, apertando a mão do meu namorado.
-I don't understand what you're doing here, I don't even know you! - continuou o Zach a espingardar, dirigindo a palavra ao meu namorado.
-Oh you don't? From what you said to my girlfriend, I would say that you do know me, and you knew that she is my girlfriend. Are you anmesic now?
-What's going on here? - perguntou a Candice, levantando-se do sofá.
-Nothing Candice, I think you shoul better go, we talk later - desculpou-se o Zach, tentando apressa-la.
-You're his mate at the serie? - perguntou o Rodrigo à Candice.
-Yeah, but, what's happening here? - voltou ela a perguntar, confusa.
-Nothing Candice, go home please! - disse-lhe novamente o Zach.
-No, stay please, you're in this too, you just don't know - pediu o meu namorado.
-What are you saying? - ela estava cada vez mais confusa.
-Nothing, he's a liar, don't listen to him! - apelou o Zach, e o meu namorado ia responder, mas eu apressei-me.~
-No Zach, you are the only one that lied in all this!
-Hey! Please, tell me what's going on here! What do I have to do with this fight? - pediu novamente a Candice, já mais que confusa.
-He lied to me and used you as an excuse - esclareci-a.
-What?! - perguntou incrédula, olhando para o Zach.
-It's not true! - mentiu ele.
-How can you do this after all that?! I trusted you and you say that I am lying now? It wasn't me that said that was trying to get Candice, wasn't me asking advices about myself and my qualities as a woman to make her fall for me! And then it was a big lie to have something that you knew so well that belongs to him!
-You... you did that Zach?! - perguntou-lhe a Candice, pasmada.
-No, no I didn't! - respondeu, porém já estava mais derrubado pelo que não conseguiu levar verdade às palavras.
-Why did you put my name on this? Are you crazy?! If her heart belongs to him and you knew it why did you do that? She was your best friend! You should her respect!
-She broked my heart!
-I didn't choose to do it! You know that I was the first trying not to hurt you! We don't pick to fall for that certain person! You were so importante to me... but I didn't loved you the same way, my heart choosed him, and I'm happy, I'm so damned happy! If you really cared with me and with my happiness, like my best friend, you would be happy too just to see that I'm happy! But you did the opposite, you tried to destroy it!
-I tried to make you love me, to forget him, to see that I could be better to you!
-You're better away from her! If you really loved her like you said you would do anything you could to make her happy, even if it hurts! - desta feita foi o Rodrigo que respondeu.
-I'm not talking to you!
-But I came here to talk to you, to remember how you can maintain a promessa! When we meet we both made a warning, don't you remembre? You disrespected her, you've broke the promisse to keep her happiness first than everything, so I want to advice you now that it's better not to even think about her! You've lost that right!
-Why? Are you afraid that I think about her like I was going to sleep with her and pretend to love her just to have a little fun like you do? - Senti-me enojada. Não acreditava que ele descesse tão baixo. Eu avancei na sua direção, mas só dei um passo, porque o Rodrigo foi mais rápido. Em segundos vi o meu namorado levar a mão cerrada num punho à cara dele.

-Clean your mouth when you talk about her. You can not give her her value, but she's the woman of my life, and you're no one, so be careful! - disse-lhe o Rodrigo, contendo a ira de dentes cerrados. Segurei a sua mão e puxei-o mais para trás, para junto de mim.
-Guys, I'm going out of here 'cause I can't look at him anymore! Mónica, we talk later, okay? - disse a Candice, agarrando nas suas coisas e dirigindo-se para a porta.
-We're going too, we've got nothing to do here anymore! - disse eu, tentando puxar o Rodrigo.
-You'll never have with her what I had! - ouvi o Zach a dizer para o Rodrigo, ainda no chão, enquanto tentava limpar o fio de sangue que corria do lábio na camisola.
-You're right, 'cause you and her never really had something, and I will make her the happiest girl in the world, something you couldn't do in a million years! - respondeu-lhe o Rodrigo, seco mas convicto, virando-se em seguida para mim, iniciando comigo o caminho para fora de casa. A Candice ofereceu-se para nos levar e então durante a viagem contei-lhe todo acerca do que o Zach tinha negado. Enquanto lhe contava, e ela ouvia, completamente pasmada, o Rodrigo estava ao meu lado, nervoso e revoltado no seu interior. Estava demasiado tenso. Apertei-lhe a mão, suavemente, tentando, um pouco em vão tranquiliza-lo. Quando chegamos em frente ao hotel agradecemos à Candice e saímos do carro, entrando então no hotel. Subimos até ao nosso quarto e assim que lá entramos o Rodrigo foi direto para a casa de banho. Fui ter com ele, com calma.
-O que é que se passa amor? - perguntei, pousando uma mão no seu ombro.
-Nada meu bem.
-Se é por causa do que aconteceu com o Zach à bocado, não vale a pena pensares mais nisso, e  muito menos estares assim amor.
-Eu sei amor.
-Então se sabes porque é que estás assim amor?
-Porque eu não gostei nada das coisas que ele falou amor, você nem sabe como...
-Amor calma, a sério, ele não merece que fiques assim. E eu não te quero assim! Eu já esqueci tudo, e vou tratar de esquecer que ele existe, e tu devias fazer o mesmo!
-É um pouco difícil amor, ainda por cima eu bati no cara!
-E foi bem dado!
-Você não queria que isso tivesse acontecido.
-Se não lhe tivesses batido tinha ido eu!
-Eu fiquei com uma raiva dele...
-Nunca pensei que ele fosse assim. Mas já chega de falar dele! Agora só quero saber de ti, de preferência com um sorriso na cara e bem juntinho de mim! - disse-lhe, abraçando-me a ele e dando-lhe um pequeno beijo.
-Eu ficava doido se não tivesse você do meu lado, meu amor! - disse-me, mostrando-me um sorriso.
-Ainda bem que eu quero ficar contigo para sempre!
-Quer mesmo?
-Duvidas?
-Não!
-Ah.
-Então e agora, que é que você que fazer?
-O tempo está uma bela porcaria para irmos passear, ainda por cima não temos carro, e este tempo dá-me vontade de ficar em casa, por isso estava a pensar enfiar-me na cama contigo!
-Hm, proposta interessante essa, posso te levar pra lá agora?
-É claro que podes! - ri, e ele pegou-me ao colo e levou-me para a cama, onde me presenteou com inúmeros beijos.
-Estás a ver, estamos mesmo bem, tu até quase me pedis-te em casamento, para que é que havemos de pensar em coisas e pessoas que não têm importância! - ele gargalhou, e essa mesma gargalhada, um gesto tão simples e vulgar fez-me sentir... inexplicavelmente feliz, recolhida num conforto tão bom, que senti que era aquela mesma gargalhada que eu iria querer ouvir por toda a minha vida. - Gosto tanto quando ris!
-E eu gosto de fazer você rir!
-Então podes ficar contente, porque contigo é isso que mais faço!
-Fico muito contente sim, mas, você tem certeza que é isso que você faz mais comigo?
-Ai pronto, já percebi, não, não é! - ri.
-Bom, quer ver um filme pra passar o tempo?
-Quero.
-Ainda bem que eu trouxe o meu computador! Já sei que filme que a gente pode assistir! - saiu da cama e foi até à sua mala, de onde tirou o seu computador, regressando de seguida para junto de mim, de baixo dos lençóis. - Acho que você vai gostar!
-Qual é?
-Já vai ver! - sorriu e ligou o computador. Reparei de imediato na imagem que tinha como fundo. Ele e a Mariana.

-Que lindos amor! - sorri.
-Obrigado meu amor.
-Tens as nossas no computador?
-Tão aqui sim, eu passei elas quando você voltou pra cá com a Andreia. Quer ver?
-Pode ser amor. - ele foi às pastas e abriu a nossa. Ficamos a vê-las e a relembrar os momentos e quando terminamos, depois de alguns beijos e gargalhadas, fomos finalmente ver o filme. The Vow.

 Abracei-me a ele, encostando a cabeça no seu peito e ele envolveu-me com os seus braços.
"Um momento de impacto tem a capacidade de mudar, tem efeitos bem além do que podemos imaginar. Em alguns, algumas partículas batendo umas nas outras. Deixando-as mais unidas do que antes; enquanto mandam outras para grandes desafios. Indo parar onde nunca achou que iriam. Essa é a questão sobre momentos assim. Não pode controlar como irão te afetar. Tem que deixar que as partículas se colidam. E esperar até a próxima colisão."

-Fazias a mesma coisa se acontecesse connosco amor? - perguntei, assim que o filme terminou.
-Eu já tento fazer todos os dias que você se apaixone por mim de novo e de novo. Mas é claro que eu fazia, meu amor. Eu ia buscar todos os detalhes, todos os momentos, e fazer de novo até você lembrar.
-E se nunca voltasse a lembrar-me, como aqui?
-Ai eu ia tentar começar uma nova história prá gente, mas eu nunca ia esquecer o que a gente já tinha passado.
-É bom saber isso - sorri.
-É bom saber que você me ama.
-Ai, amo,amo muito! Eu não quero que aconteça de novo nada disto que aconteceu com o Zach!
-Quem é esse que eu não lembro? - sorriu.
-Sim, tens razão, ele já não existe para nós! Mas eu nunca mais me quero separar de ti por coisas destas!
-Isso não vai voltar a acontecer. E desculpa se a minha confiança em você vacilou...
-Shhh... - interrompi-o, pousando o indicador nos seus lábios. Ele aproveitou e depositou um pequeno beijo no mesmo. - A tua confiança em mim não vacilou, tu no fundo sabias que eu não te tinha traído, se não não tinhas vindo aqui para me ouvir. E agora chega disto, chega de pedidos de desculpa e lamentações! Já passou! Estamos bem, é isso que importa!
-Tá, desculpa.
-Eu disse chega de pedidos de desculpa! - sorri. - E bem, já são 17.00h, por isso vamos até lá abaixo que estou com fome!
-Tá parecendo eu!
-A diferença é que tu andas esquisito em relação a apetites!
-A fome tem sido pouca, mas se você me ajudar vou voltar num instante ao normal! - riu.
-E como é que queres que te ajude?
-Tou precisando partilhar afeto.
-Podemos ir comer e depois vamos a isso?
-Pra ir comer de novo depois de tratar do assunto?
-Sempre podemos estender o assunto até à hora de jantar, são só três horas...
-E você aguenta?
-Tu fazes-me aguentar...
-Vamo ver se eu aguento... - disse ele, quase sussurrando.
-Viraste fraquinho agora, foi? - brinquei, roubando-lhe um beijo.

-Não virei fraquinho, mas das semanas fizeram diferença.
-Ui que não podes parar durante muito tempo... - ri, e logo de seguida ele abraçou-me e deitou-me na cama, pairando sobre mim.
-Não garanto essas três horas pra você, mas tentar não custa, né? - sorriu, não me dando tempo para responder ao beijar-me calmamente e depositando o peso do seu corpo de igual forma sobre o meu.

sábado, 14 de setembro de 2013

Capitulo 29 (parte II)

Olá meninas!
Então, aqui está mais um capitulo! Espero que gostem tanto quanto eu gostei de o escrever! E já agora, já sabem, deixem os vossos comentários, sim?

Besos
Mónica

Visão Mónica

Não parecia real outra vez! Tive tanto medo, mentalizei-me tão erradamente que ia ser o fim, que agora que o mesmo não chegou, não parece real! Aquele sufoco no peito, a vontade de não estar, não ser, não existir, já tinham quase desaparecido! Sim, quase, porque o assunto da Andreia e as palavras do Rúben não desapareceriam tão facilmente.
-A Mariana berrou assim que eu falei que a gente tinha se entendido! - riu o Rodrigo, voltando para junto de mim.
-Que querida! - ri também.
-É, ela me puxou muito pra eu tomar a decisão de vir aqui falar com você!
-Posso dizer-te uma coisa, e não ficas chateado? - Ele ergueu a sobrancelha, duvidoso acerca do que se seguiria, acabando por responder que sim. - Ela ligou-me, na noite em que o Rúben te ligou. E eu sei que tu não querias, ela disse-me, mas para que saibas, ela foi a única que se dedicou a ouvir-me, na altura, e ficou do meu lado. Ela foi o meu único apoio. Não te zangues com ela.
-Eu não vou me zangar. Agora eu fico é muito agradecido que ela tenha feito na mesma, porque assim você sempre teve alguém do seu lado quando todo mundo virou costas pra você! Sem falar que foi ela que contribuiu muito pra eu chegar na conclusão que eu precisava vir aqui!
-Ainda bem, acredita que ela fez isso para nos ajudar. Ela faz tudo para te ver feliz!
-Eu sei que faz, ela sempre fez. Parece que ela que é a irmã mais velha, sempre me tentando proteger, me ajudar!
-Tu também fazes isso por ela, só que, feliz ou infelizmente, não sei, tu tens precisado mais disso que ela.
-É, eu tenho é muita sorte mesmo de ter uma irmã como ela!
-Tens mesmo!
-E agora eu posso acrescentar que para além de uma família fantástica, eu tenho uma namorada maravilhosa!
-E eu tenho saudades tuas! - declarei, abraçando-me a ele com força.
-E eu de você, meu amor! - correspondeu ao abraço de igual forma.
-Até quando é que ficas cá?
-O Mister me deu uma semana, mas eu não preciso de tanto tempo. Apesar de eu querer muito ficar aqui essa semana com você, eu quero, e preciso muito voltar, fazer os melhores treinos da minha vida pra voltar a ser titular!
-Sim amor, vai! Nós já estamos bem de novo, por isso agora tens de endireitar a tua carreira!
-É, mas eu não vou amanhã não, vou só depois de amanhã. Já que eu tenho esses dias vou aproveitar um pouquinho! - sorriu.
-Acho que vais poder aproveitar mais do que ''um pouquinho''...
-Como assim?
-Eu vou passar os dias que cá passares contigo.
-Sempre que você puder, eu quero!
-Vou puder muito tempo, tirando só quando estiver na Faculdade.
-Mas e o seu emprego? Tá de férias?
-Não, a menos que queiras chamara-lhe férias prolongadas até nova solução.
-Você perdeu o emprego? - perguntou surpreendido.
-Despediram-me.
-Mais alguma coisa correu mal pra você? É que desde que essa confusão começou a gente tem tido pouca sorte!
-Foi a falta de empenho, a falta de vida. Mas agora já estamos bem de novo, eu já estou bem, tu já estás bem, por isso agora é recuperar o tempo perdido!
-É... E por falar em tempo perdido... Aqui não vai dar pra eu dormir, né?
-Mesmo que desse eu não me sentia bem em deixar-te neste ambiente, para isso chego eu.
-Mas você também não tem que tar aqui.
-Ai não? Vou viver para onde? Para de baixo da ponte?
-Não sua tonta, eu tava falando desses dias que eu vou tar aqui com você.
-E estás a pensar no quê?
-Alugar uma casa ou um apartamento ou qualquer coisa assim não vale a pena, por isso, a gente vai pra um hotel!
-E tu és rico e eu milionária!
-Eu não sou rico, mas consigo suportar despesas assim. E tudo o que é meu é seu também.
-Já casamos e eu não descobri como?
-Você quer casar comigo?
-Não agora.
-Mas quer.
-Talvez - sorri matreiramente, deixando-o curioso.
-Tá falando sério?
-Eu disse talvez, não disse nem sim nem não. Ainda é cedo.
-Mas você imagina isso acontecendo? Nós dois...
-Às vezes, mas sabes que sonhar deve ser constante na nossa vida, por isso, tem calma...
-Tá... Mas mesmo assim, eu falei sério quando falei que o que é meu é seu também.
-Foste muito querido.
-Eu sou.
-Está bem, pronto, eu concordo - sorri antes de receber um pequeno beijo.
-A gente pode ir embora agora? Eu quero aproveitar com você, e a gente ainda tem que procurar o hotel.
-Sim, deixa-me só preparar uma mala com algumas coisas.
Depois de arrumar o que precisava saímos do quarto, de mão dada.
-Vão sair? - ouvi a Andreia perguntar, quando terminávamos de descer as escadas.
-Sim, e só volto daqui a dois dias.
-Ai vais voltar? - Eu respirei fundo e revirei os olhos, contendo uma resposta. - Onde é que vão?
-Para que é que queres saber?
-Há problema se me disserem? Eu não vou atrás de vocês.
-Não é da sua cinta, e agora a gente vai indo. Tchau. - disse o Rodrigo rapidamente e levou-me consigo até à entrada saindo logo de seguida.
-Revoltado?
-Tenho razões pra tar, né?
-É...
-Mas vai, vamo esquecer essa gente toda agora e vamo pensar na gente!
-Eu estava mais a pensar em ti... - respondi, chegando o meu corpo para mais junto do seu, enquanto caminhávamos pela rua.
-Ai é? E cê tava pensando em mim como? - desafiou-me.
-Queres que te diga agora ou preferes que te demonstre depois? - respondi, sorrindo com o mesmo tom desafiador, olhando para ele.
-Eu sou mais afim de demonstrações. Por isso vamo logo pra eu não esperar muito - gargalhei e continuamos caminho até à paragem de táxis mais próxima e cerca de 25/30 minutos de percurso o taxista deixou-nos no Lamb Hotel, em Ely.
Parecia agradável. Assim que entrámos estava uma senhora na receção, onde o Rodrigo tratou de fazer a reserva.
Assim que nos deram a chave e nos indicaram o caminho, seguimos para o quarto onde íamos ficar.
Ele abriu a porta e deu-me passagem.
-Mais um bocadinho e alugavas o quarto da realeza! - ri.
-Pra você eu dou sempre o melhor, meu amor! Eu não sabia como que era o quarto, mas se adequa, você é a minha princesa, logo o quarto tem de ser de acordo!
-Ohh, tão querido, amor! - sorri, dando-lhe um beijo, que ele não deixou  terminar tão cedo, puxando-me deliciosamente para mais junto dele.
-Tou com muita saudade sua, por isso se prepara pra se cansar de mim e dessa cama - falou, arrepiantemente sedutor ao meu ouvido.
-Mas achas mesmo que eu me vou cansar, seu fraquinho? - brinquei, provocando-o.
-Eu adoro suas piadas, sabe? - riu, enquanto eu me afastava até uma cadeira que estava no quarto, para deixar a minha mala.
-Mas não é nenhuma piada, é a sério! - tentei não me rir para parecer convincente.
-Ai é? Eu que sou fraquinho? Deixa eu te tocar e cê vai ver! - riu, começando a aproximar-se de mim.
-Isso é suposto ser um desafio, menino? É que se quiseres, experimentamos os dois para ver quem é que é o fraquinho.
-E o que é que você ia me fazer? - sorriu, parando à minha frente. Aproveitei a proximidade para lhe dar um exemplo e chateá-lo um bocadinho. Aproximei-me mais ainda dele, e despercebidamente deixei a minha mão ir ao encontro da pele da sua barriga, por baixo da sua camisola.
-Caraca, cê tá gelada! - gemeu, afastando-se rapidamente.
-Viste1 E depois ainda dizes que eu é que sou a fraquinha! Tenho ou não tenho razão? - disse, aspirando um ar altivo, mas desmanchei-me a rir no segundo a seguir.
-Tá pronto, essa cê ganhou, mas agora é a minha vez! - riu.
-Vê lá o que é que fazes! - disse, enquanto ele se aproximava novamente.
-Ai agora tá com medo? Você também não avisou, não! - sorriu, provocando-me já com o seu olhar. Assim que se encontrou suficientemente próximo puxou-me algo bruscamente contra si, o que me alterou desde logo, mas tentei mostrar-me imparcial. - Isso é só um comecinho, tá? - falou ao meu ouvido, delineando um sorriso nos seus lábios, que foram ao encontro do meu pescoço, onde depositou um beijo, mas ao sentir os seus dentes roçarem prazeirosamente na pele não consegui conter um pequeno gemido. Ele sabia tão bem como e onde fazer as coisas... Ele recolheu um sorriso vitorioso no rosto, que me encarou de seguida, sem me desprender da proximidade do seu corpo. - Fraquejou ou não fraquejou, hein?
-Golpe baixo, amor...
-Não foi baixo não senhora, baixinha é você - riu. - Eu te toquei muito em cima, já você fez o contrário!
-Queres que te toque mais em cima, é?
-Você toca onde você quiser, depois só não reclama de onde eu toco! - voltou a rir.
-É?
-É.
-Então despe-te.
-Quê? - perguntou um pouco confuso, porém exibindo um sorriso.
-Despe-te - repeti sorrindo também.
-Pra que é que cê quer que eu me dispa se você ainda tá vestida? - sorriu aliciantemente, enquanto puxava a camisola pelo pescoço, jogando-a de seguida em cima da cadeira onde eu havia deixado a minha mala.
-Já vais ver - respondi, puxando-o pelo cós das calças e desapertando-lhe o botão. Ele suspirou ansiosamente.
-Isso não é justo, viu. Eu aqui sem roupa, você me ajudando a ficar sem ela, e você vai ficar assim? Posha... - reclamou, desfazendo-se das calças, após ter feito o mesmo rapidamente com os ténis e as meias.
-Não te passes, vá - sorri, levando as minha mãos à minha camisola para despi-la.
-Não vai me deixar fazer? - pediu, olhando-me como que a pedir que o deixasse.
-Vais ficar mais feliz?
-Vou.
-Então força - sorri, ao que ele me mostrou um sorriso maior. Elevei os braços para que ele pudesse tirar-me a camisola, o que ele fez entusiastamente.
-Se eu te pegar eu não vou te largar mais... - murmurou, desapertando-me as calças.
-Mas tu não me vais pegar amor, vais despir-me, só. - Ele suspirou pesarosamente, descendo-me as calças. Livrei-me delas e dei um rápido beijos nos lábios do meu namorado, que se manteve imóvel, penso que para fazer o contrário da sua vontade. - Deita-te, de barriga para baixo - pedi-lhe, após no conduzir até à cama.
-Que é que você vai me fazer?
-Uma massagem.
-Uma massagem?
-Sim - sorri. Ele deitou-se como lhe havia pedido, colocando os braços fletidos também em cima da almofada. Ao olhá-lo ali estendido tomei uma grande lufada de ar para me conter, antes de subir para a cama e me sentar em cima dele.
-Amor?
-Sim? - respondi.
-Tá fazendo muita pressão.
-Onde?
-Se você tá sentada em cima da minha bunda, onde que cê acha?
-Hmm... Queres que me sente onde, então?
-Quer que eu te responda mesmo? - perguntou, virando a cabeça ligeiramente para encontrar contacto visual comigo.
-Nã, nã, nã, nem penses, é a minha vez, sabes?

-A sua vez de me torturar, né?
-Ai e tu não fizeste o mesmo, oh?
-Eu? Só te dei um beijo - fingiu-se inocente.
-Cala a boca mas é para eu começar! - sorri.
-Tá, mas olha, vê se não faz muito gostoso se não eu caio no sono - riu. Eu dei um pulinho em cima dele, de propósito.
-Parvo!
-Ai amor, posha, não pula assim! - não consegui evitar rir-me, e ele também o fez. - Tá, eu paro, mas agora falando sério, pode fazer o que você quiser, mas não demora!
-Está bem, pronto - acedi ainda a rir. Respirei novamente fundo.
-Isso, respira que vai precisar! - sorriu ele.
-Rodrigo!
-Quê? Só falei a verdade! Cê ainda não tá mentalizada que eu sou todo seu, eu entendo, tem vezes que eu também penso o mesmo de você!
-Ai pá, tu às vezes parece que me lês os pensamentos, e depois deixas-me sem jeito! - sorri, saindo de cima dele, deixando-me cair do seu lado na cama.
-Não fica assim, vai amor1 Que é isso agora, hein? - disse ele num tom carinhoso, passando o seu braço por cima da minha cintura e encostando-se a mim. - Não vai fazer a minha massagem, né? Então dá licença que é a minha vez! Pode se virar, por favor? - pediu, sorrindo gentilmente, ao que eu acedi sem uma palavra. Ele acomodou-se, desviou o meu cabelo e em seguida a pressão pareceu evaporar dos meus ombros, ao aproveitar a massagem. Mas a pressão deu lugar à tensão, novamente, porém uma tensão diferente à que havia evaporado. Há medida que as suas mãos desciam pelas minhas costas eu derretia mais e mais. O sei simples toque abarcava-me em desejo.
-Tá gostando?
-Não tens noção do quanto.
-Pode crer que eu tenho - senti-o sorrir, enquanto movimentava os dedos em círculos no fundo das minhas costas. - Agora posso te virar pra mim e te beijar, ou vai reclamar sua vez?
-Não, não vou reclamar nada - respondi, virando-me de barriga para cima e estendendo-lhe as mãos para que ele me viesse beijar finalmente.
-Já não era sem tempo, viu! - sorriu.
-Cala a boca e beija-me, se faz favor! - ri.
-Muito mandona, você hoje, hein? - sorriu. Sorri-lhe de volta e por fim juntámos os nossos lábios. E aos lábios juntou-se tudo o resto. A pressa da saudade deixou-nos numa confusão enlouquecedora, que nos tirou rapidamente o fõlego, mas que nem por isso nos fez separar. Na confusão desapegada as últimas peças de roupa deixaram-nos, e os toques ansiosos e desejados sentiam-se cada vez mais, exasperando o controle e a paciência.
-Amor, deixa eu pegar a minha mala - pediu resfolegando.
-Para quê, amor? - perguntei quando ele saiu da cama.
-Pra que é que cê acha, amor? Acha que eu vinha desprevenido pra junto de você? - respondeu, tirando a caixa de preservativos da mala. - Pra mim você é sempre uma tentação, mesmo que a gente esteja chateado - sorriu, voltando novamente para junto de mim. Sorri-lhe enquanto tentava restabelecer algum controlo na respiração, mas não fui sucedida, porque segundos depois já tinha os seus lábios e todo o seu corpo de encosto no meu. A noite virou madrugada, e fiquei realmente cansada, mas nunca cansada daquele homem que me elevava para lá do paraíso.

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Capitulo 29 (parte I)

Visão Rúben

Por mais que todos tentássemos, não resultava, o Rodrigo estava na mesma. Sem um sorriso, uma brincadeira, os treinos eram muito abaixo do habitual. Perdeu a titularidade em quatro jogos, e ninguém estava contente com isso. Por mais ideias que tivéssemos nada parecia resultar. O Mister falava muito com ele, assim como eu e a Mariana, mas pelos vistos, dos três, eu era o único a tentar fazê-lo seguir em frente. Todos dias ia com ele para casa e ficava lá com ele e com a Mariana, e de vez em quando o Mauro também se juntava a nós, jantávamos, conversava-mos e depois eu e o meu irmão, quando ele ia, íamos embora. Todos os dias falava com a Andreia. Contava-lhe como corriam os dias e falava-lhe de todas as nossas tentativas frustradas para tentar animar o Rodrigo. Eu estava a começar a desesperar! Tinham passado duas semanas, e não havia nada que o fizesse melhorar! Era o lado mau do amor. Quando está tudo bem irradiamos felicidade, parecemos as pessoas mais felizes do mundo, mas se algo corre mal, se tudo acaba, a nossa vida parece que chega a um fim também. De certa forma sentia-me impotente, por ver o meu amigo tão mal e nada do que eu fizesse ou dissesse surtisse o efeito desejado.

Visão Mónica

A minha presença apenas se impunha pelo facto de o meu coração ainda bater e eu ser obrigada a viver, porque o meu pensamento, a minha vontade, a minha determinação e alegria não estavam. Sentia-me tão pequenina, tão insegura, tão sozinha. Tinham passado duas semanas, e o Bruno e a Justine já tinham regressado a casa, mas nem por isso o novo clima e forma de estar entre mim e a Andreia se modificou. Mal comunicávamos, andávamos sempre de animo triste uma com a outra, enfim, partilhávamos o mesmo espaço por necessidade. Desde aquela conversa depois de ela ter voltado do aeroporto não tínhamos voltado a tocar no assunto, ou melhor, nos assuntos que haviam feito parte da mesma. Já não a sentia como a Andreia que havia vindo comigo para Londres, com a amiga que sempre se prostrava ao meu lado para me dar apoio, não a sentia como a minha melhor amiga. E de facto já não o era.
E um grande e entusiasmante acontecimento: tinha sido despedida. Ou seja, era a única que não estava a pagar as contas da casa, e eu era a única que não fazia parte da família. Agora sentia que estava ali por favor.
-Vais passar os dias sentada no sofá? Sabes que o dinheiro não cai do céu, embora aqui chova muito! - disse a Andreia, após ter pousado a mala no sofá, vinda do trabalho. Eram 17.00h.
-Acabei de chegar de uma entrevista, à pouco.
-Hm - balbuciou, não com boa cara. - Eu vou tomar banho. Tiraste alguma coisa para fazer para o jantar?
-Se cheguei há pouco achas que tirei?
-O meu primo e a Justine vão jantar fora hoje, por isso tira só para ti que eu arranjo-me.
-Como quiseres.
Ela subiu as escadas e fiquei novamente sozinha naquela divisão da casa. O que passava na televisão não era interessante, pelo menos neste momento. Nada me suscitava interesse agora, nada fazia o meu coração acelerar o ritmo, nada me fazia tremer de ansiedade... Só ele. E ele não estava. Nem presente, nem à distância de uma chamada. E ao lembrar-me de pequenos momentos acabei por ser atingida por um pesar gigante que me fez desmanchar num choro sufocante. Mas obriguei-me a parar, não queria chorar em frente de ninguém, e agora menos ainda em frente da Andreia, que se pudesse talvez me mandasse novamente à cara falsas acusações. Limpei as lágrimas, acalmei os soluços e foquei-me na televisão para tentar abstrair-me e deixar de pensar concretamente durante algum tempo.

Visão Rodrigo

Durante as duas semanas que passaram perdi muito, começando com ficar fora até dos convocados no quarto jogo que já não era titular. Mas apesar de parecer tudo um pesadelo, que tava me arrastando num estado de espirito que não era meu, tive muito tempo pra pensar. Mas pra pensar bem, em tudo, com calma... Pra pensar nos meus sentimentos intermináveis por aquela garota, pensar em tudo o que a gente tinha vivido junto, todas as palavras, todos os olhares, todos os gestos, avaliar a sinceridade que tudo isso emanava, cada detalhe.
-Tá vendo Rodrigo, ele tá zoando comigo! - se queixava a minha irmã, do banco de trás do meu carro.
-Achas que sim, Mariana? Então, eu só estava a constatar um facto, ou não? - zoou o Rúben com ela, novamente. Enquanto escutava, de fundo, as baboseiras deles, ao conduzir, depois do treino, pra minha casa, continuei pensando, como já era normal. Eu costumava ser tão o mais alegre como aqueles dois. Isso tava me fazendo falta pra caramba, porque eu já nem tava me reconhecendo, sempre de semblante triste, envolto em pensamentos desgostosos... Eu tinha de fazer alguma coisa, não podia passar a minha vida nesse estado. Eu tenho que lutar pela minha felicidade. E com esse pensamento eu assumi uma decisão. Eu precisava disso.
-Então e o jantar hoje está nas mãos de quem? - perguntou o Rúben, sorrindo, assim que a gente entrou em minha casa.
-Nas minhas não fica com certeza, vocês que se decidam! - falei, e pela primeira vez após duas semanas eu próprio notei alguma vida nas minhas palavras.
-Ah, se esquivando de novo, maninho? Por causa disso devia ser você mesmo, hoje! - sorriu a Mariana.
-Eu tou falando sério, só dá entre vocês, eu não vou ficar pra jantar!
-Quê? - perguntaram os dois, surpresos.
-Já tomei a minha decisão. Tou indo agora até Londres pra falar com a Mónica, vou só ligar pró Mister avisando.
-Tá falando sério, Rodrigo? - perguntou a minha irmã, e quase notei um brilho no olhar dela.
-Só podes estar a brincar... - murmurou o Rúben.
-Tou falando sério, sim. Rúben, eu sei que você não concorda, mas, é como a minha irmã me falou, todo mundo merece uma segunda oportunidade. Eu vou dar pra ela a hipótese de se explicar, e depois eu averiguo se é verdade ou não, se eu acredito ou não. - Ele me olhou, meio avaliando a situação.
-Se te vai fazer feliz, ou pelo menos tirar-te dessa angústia, vai. Mas corre, já não aguento ver essa tua cara de enjoado todos os dias! - acabou rindo. Eu ri também e subi as escadas correndo até meu quarto e depois de ligar pró Mister, que me concedeu uma semana pra tratar do assunto, embora eu não precisasse tanto tempo, peguei meu saco desportivo e coloquei umas mudas de roupa e outras coisas essenciais, caso acabasse resolvendo as coisas e ficando tudo bem entre a gente e sai do quarto, descendo de novo as escadas a correr.
-Vou embora gente! - anunciei, e consegui dar um breve sorriso pra eles.
-Sem comer, Rodrigo? Leva alguma coisa, pelo menos!
-Eu não consigo pensar em comer agora, maninha! Só quero ir embora rápido! Mas não se preocupa que se eu ficar com fome eu como!
-Tá bom, então. Boa sorte! E me liga, hein!
-Pode deixar! - respondi, me virando para sair da cozinha.
-Mano, boa sorte.
-Obrigado, Rúben - agradeci, e finalmente sai de casa.

Até sentar dentro do avião a minha cabeça parecia que tava girando e girando, me deixando tonto quando eu parei e consegui voltar a pensar com calma. Ficar tonto assim era o efeito da falta de alegria dessas duas semanas. Eu não tava alegre de novo, mas tava... com esperança! E só de imaginar que ia voltar a tar tão perto dela de novo, me arrepiava. E era isso que eu queria! Eu queria voltar a sentir! Coisas boas, coisas que fizessem o meu coração acelerar, o meu estômago remoer de ansiedade! Tava sentindo isso agora, e só pedia mais e mais! Pedia voltar a sentir como antes disso, voltar a viver de novo, com os motivos que vinha tendo desde o inicio de Dezembro! Tentei acalmar a euforia que reinava dentro de mim e fechei os olhos, esperando que essa viagem terminasse logo.

E finalmente tava na porta delas. Era agora. Respirei fundo antes de tocar na campainha. E segundos depois tinha ela na minha frente, de novo. Os dois ficámos paralisados, olhando ansiosamente um pró outro, sem falar uma palavra.

-Rodrigo? - escutei a Andreia perguntar, um pouco atrás da Mónica. A intervenção dela acabou com o nosso estado estático.
-É. Eu preciso conversar com a Mónica - falei, olhando depois prá Mónica. Reticente e meio atrapalhada ela me deu passagem pra dentro de casa.
-Como é que estás? - me perguntou de repente a Andreia.
-Espero ficar bem daqui a pouco.
-Não vieste acabar as coisas? - me perguntou, ao que eu fiquei surpreso. Ela tava mesmo perguntando isso? Não era normal. Olhei de relance prá Mónica e ela parecia se retorcer esperando a minha resposta, e ostentando desagrado e desconforto perante a pergunta da melhor amiga.
-Não, vim dar a oportunidade de ela se explicar.
-Ah - falou a Andreia, secamente e de má cara, se sentando de seguida no sofá.
-Tá tudo bem? - perguntei, não conseguindo mais levar essa atitude dela.
-Está. Só não esperava que duvidasses da palavra do Rúben e muito menos viesses aqui ter com ela, quando os treinos e os jogos já voltaram.
-Eu não duvido nem deixo de duvidar do Rúben, eu acredito que ele não tem motivos pra me ter mentido quando falou comigo, mas também tenho consciência que apesar de tudo a Mónica tem direito a se explicar, tando  certa ou errada.
-Como queiras, só não digas que ninguém te tentou poupar à dor. - Levantei a sobrancelha assim que ela terminou a frase, sem tirar os olhos da televisão. O que é que tá havendo com ela? Aquela não parecia, de todo, a mesma garota que eu tinha conhecido e com quem havia convivido esse último mês. Decidi deixar pra lá e seguir com o mais urgente.
-A gente pode falar, sozinhos? - perguntei prá Mónica, olhando de novo ela, que tinha ficado calada e quieta junto das escadas.
-S-sim - meio que gaguejou. - Podemos ir para o quarto, ou queres falar na cozinha?
-No quarto tá bom - respondi, olhando de relance a Andreia. Ela parecia diferente, e pela maneira que ela tinha falado eu não queria que ela tivesse tão habilitada pra escutar a nossa conversa. Subi atrás da Mónica até ao quarto e assim que a gente se encontrou lá dentro eu fechei a porta e me virei pra encarar ela, que tinha ficado de pé. Parecia tão desajeitada, tão... insegura e temerosa. Decidi começar de uma vez. - Bom, você ouviu porque é que eu vim aqui, por isso, é isso, eu vou escutar você. - Ela se sentou na beira da cama, me olhando.
-Queres que comece por onde? - perguntou. Eu me sentei na frente dela, na beira da cama da Andreia.
-Bom, eu tenho que perguntar pra você... O Rúben pegou mesmo você e o seu melhor amigo se beijando?
-Sim. - Assim que ouvi a resposta cerrei o maxilar, tentando me conter. A resposta dela me doía mais do que quando o Rúben me ligou contando. - Não Rodrigo, por favor, não fiques assim, ele percebeu mal as coisas.
-Me explica então como que foi - respondi, soltando pequenas faíscas de mágoa.
-O Rúben viu, mas não era um beijo entre nós, foi ele que me beijou. - ela fez uma pausa, esperando se eu ia falar ou não, e eu permaneci no silêncio. - Ele pediu-me conselhos acerca de uma colega dele que ele dizia que gostava dele, e eu dei, mas, depois de o Rúben ter ido ligar-te eu discuti com o Zach. Ele inventou essa história toda, disse que foi para se aproximar mais ainda de mim e tentar conquistar-me, porque nunca me tinha esquecido e não estava disposto a deixar de lutar só porque eu te tinha ati. Ele tinha ciúmes, porque ele conheceu-me primeiro, apaixonou-se primeiro e depois vieste tu e eu correspondi-te a ti e não a ele.
-O cara ficou loco! Se ele é seu melhor amigo ele devia respeitar, mesmo te amando.
-Ele era o meu melhor amigo. Eu não vou e não quero voltar a vê-lo.
-Mas espera! O Rúben falou em sinais evidentes... - procurei me esclarecer.
-Sinais que eu burra ao não perceber antes que tinha de estabelecer limites entre nós!
-Que sinais?
.Para mim não eram coisas desrespeitosas, mas eu ia, no exato momento em que ele me beijou, conversar com ele acerca dos limites, porque eu precisava dele, para me sentir bem comigo própria e para que o que aconteceu não viesse a acontecer, mas fui tarde.
-Ele que soube bem se aproveitar.
-Porque eu deixei! Eu sei que a culpa disto também é minha, em parte! É minha porque eu fui demasiado inconsciente para perceber desde o inicio que as coisas não seriam tão fáceis assim, a partir do momento em que vos apresentei e o deixei na minha vida com a mesma normalidade anterior! - Ela se levantou, alvoraçada, e já chorando. Me caia tudo quando eu via ela chorar.
-A culpa também foi minha então! Que tipo de namorado fica descansado com uma amizade assim sabendo que o melhor amigo da namorada é apaixonado por ela também? Eu nem me preocupei com isso, eu só aceitei! - me levantei também pra voltar a olhar o rosto dela.
-Para de tentar culpar-te numa coisa que não tens culpa! Tu não te preocupaste porque confiavas em mim, era isso que eu te pedia, o que tu me pediste também! Era com isso que funcionávamos principalmente, porque a distância obrigava-nos a adquirir uma confiança ainda maior! E eu... eu desiludi-te... Assim como desiludi o Rúben, que me espancou com todas e possíveis palavras que me arrancaram socos no coração, desiludi a Andreia, que nem sequer me quis ouvir, que já não me conhece, que... já não é a minha melhor amiga... - ela tentava prender os soluços que rompiam da sua garganta, mas as lágrimas abundantes não paravam. Fiquei observando ela, durante uns segundos, totalmente despedaçada, sofrendo, segurando um coração ainda mais partido que o meu tinha ficado. Um amor dói, um amor pode matar o coração da gente, e ai você pisa ainda mais o músculo já inválido com pés de pessoas que faziam parte do seu mundo, pessoas que eram muito pra você, seus amigos, mais família que outra coisa. Eles te pisam e espezinham de novo, matando mais ainda aquilo que já morto estava... Era aterrador. E eu pensando que eu era o único que tava sofrendo muito!
-Você não me desiludiu, eu só pensei que tudo ia se repetir, e eu não ia aguentar. Eu encontrei a garota que me fez acreditar de novo, que me fez sonhar de novo, a garota que eu já sonhava ter no meu futuro, imaginava como a mulher da minha vida, e de repente acontecer uma coisa dessas... me deixou com medo. Mas eu já botei tudo pra trás das costas, eu vou fingir que nada disso aconteceu, vou esquecer, e vou agarrar você com toadas as forças que eu tenho, vou ajudar você a recuperar as suas e a gente vai seguir e ser feliz, como a gente tá destinado a ser! - me aproximei dela, e ela me olhava, tão expectante e ansiosa quanto tava quando abriu a porta pra mim.
-Isso significa que...
-Significa que eu te amo, mais que a mim próprio, e que eu quero continuar a ser feliz do seu lado! - interrompi ela e segurei seu rosto tomando um beijo que já tava ansiando desde que havia tomado consciência que ia tar de novo na frente dela.
 
 

Após o beijo a gente abraçou com força, chorando os dois. A dor dessas duas semanas tava caindo, tava se esfumando. Ela tava de novo nos meus braços. Tava tudo bem. Agora o meu mundo ia ficar perfeito de novo. Seguindo o abraço se sucederam muitos mais beijos e carinhos que os dois já tavamos sentindo mais que falta.

-Não gostei nada que tivesses perdido a titularidade - comentou, depois de a gente se ter deitado na cama dela, muito abraçados.
-Quando eu chegar lá eu recupero!
-Espero que sim!
-Vou sim! Agora eu tou me sentindo invencível! - ri, ao que ela me acompanhou com uma sonora gargalhada.
-Você não sabe a saudade que eu tive disso!
-Do quê?
-Da sua gargalhada. Eu nem sabia mais o que era sorrir.
-Nem quero imaginar-te sem um sorriso no rosto! Deves ficar horrível! - sorriu, brincando.
-E você não ia gostar mais de mim se eu fosse horrível? - brinquei também.
-Tosco, para mim tu és lindo de todas as maneiras! Eu só não queria imaginar-te sem um sorriso, ainda para mais sabendo que a falta dele se devia a mim.
-Mas agora já passou, já voltou tudo ao normal! Tá vendo esse sorriso no meu rosto agora? Não tem nem fim!
-Nem tudo voltou... - suspirou, descaindo o sorriso.
-O que é que ainda não tá no lugar?
-A Andreia.
-Pois é! Ela tá esquisita pra caramba!
-Comigo, não é contigo.
-O que é que aconteceu?
-Ela ficou do lado do Rúben.
-É o namorado dela, e ele viu, e não tinha motivos pra tar mentindo sobre o que viu...
-Eu sei, e eu não a censuro por optar pelo partido dele, o que u não consigo aceitar é o facto de a minha suposta melhor amiga não vir sequer ter comigo e tentar perceber, ou ouvi-me, mesmo que não acreditasse, mesmo que escolhesse ficar com o que o Rúben disse e com os tais sinais evidentes, seria suposto ela ir ter comigo. É o que os melhores amigos fazem, mesmo que o outro esteja errado, ouvem, não significa que tomem partido, mas ouvem.
-Mas vocês tão assim só porque ela não te escutou?
-Não propriamente.
-Então?
-Lembraste da confiança que eu falei entre nós? Isso valeria para nós também, mas ela descuidou essa parte, ela parece que já não me conhece, parece que... para ela eu sou quase uma desconhecida.
-Vocês se falam, se quer?
-As coisas básicas, cá de casa. Mas de vez em quando ela suborna o assunto com pedrejadas sobre o que aconteceu.
-Nem parece ela...
-Para mim já não é ela. Ela já não é a minha melhor amiga. A essa perdia-a, num abrir e fechar de olhos.
-Calma meu amor, as coisas vão acabar por se resolver entre vocês. - ela não respondeu. - Agora tenta viver o dia-a-dia normalmente, quando precisar me liga... Eu vou tar do seu lado.
-Obrigada - agradeceu, sorrindo docemente.
-Me dá um beijo que paga - sorri. Ela riu e me beijou.

 - E por falar em ligar, eu tenho que ligar pra minha irmã pra dar noticias pra ela e pró Rúben.
-O Rúben sabe que vieste?
-Sabe, porque^?
-Por nada.
-Depois cê me conta o lance do Rúben também - falei, antes de ouvir o primeiro toque de chamada do telefone da minha irmã.