sábado, 2 de novembro de 2013

Capitulo 31 (parte III)

Olá meninas!!
Aqui está mais um capitulo, espero que gostem e deixem os vossos comentários, por favor, é muito importante!

Besos
Mónica

Visão Mónica

E finalmente era o aniversário do Rúben! Sinceramente, estava ansiosa que chegasse a noite! Queria que ele gostasse da surpresa! Eu e o Rodrigo tratamos dos últimos detalhes com a empresa, e bastou um telefonema, apenas passamos pelo local umas horas mais tarde para verificar tudo e depois regressamos a casa. Fomos arranjar-nos, a Mariana já estava a acabar de se arranjar também e o Mauro chegou lá a casa pouco depois.
                                                                              (Mariana)

                                                                            (Mauro)

                                                                           (Mónica)

                                                                           (Rodrigo)

-Então pronto, vocês podem ir andando! - disse para a Mariana e para o Mauro. Depois virei-me para o Rodrigo, que tinha acabado de chegar junto de mim. - Também podes ir amor, eu vou ligar ao Rúben daqui a meia hora.
-Tá bom, vamo gente - respondeu ele, dando-me um beijo e saindo de casa com eles. Meia hora depois liguei ao Rúben como havia dito e ele chegou cerca de quarenta minutos depois a casa do Rodrigo.
-Obrigada por vires, Rúben! - disse-lhe, após sair de casa e dirigir-me com ele para o seu carro.
-De nada.
-Se não fosses tu estava feita!
-Então mas onde é que o chato do teu namorado se enfiou para não poder ir contigo a essa apresentação?
-Se queres que te diga nem eu sei bem, só sei que saiu daqui a correr para ir ter com a Mariana!
-Mas está tudo bem?
-Sim! Pelo que ele me disse assim meio a correr acho que foram fazer não sei o quê para os pais, e tinha mesmo de ser agora!
-Bem, está bem, se é importante!
-Mas olha, ao menos assim não ficas fechado em casa no dia dos teus anos!
-Era precisamente o que eu ia fazer se não fosse a tua emergência!
-Mas foste um querido e saíste de casa, e ao menos assim posso passar a noite a chatear-te para não ficares a debater-te com pensamentos desnecessários no teu dia!
-Oh, de qualquer das formas vou pensar! Acreditas que ela não me ligou a dar os parabéns? - A esta altura já tínhamos iniciado caminho, depois de eu ter posto as coordenadas no GPS do carro dele. E pronto, lá estava a Andreia, a atormentar os dias dele. Isso já estava a irritar-me de uma maneira! O Rúben estava sempre a remoer, e ele não era assim, ele era aquele que punha toda a gente a rir, aquele que estava sempre despreocupado e alegre!
-Eu disse que ela estava diferente, e agora tem estado a descarregar em ti!
-Eu já tentei fazê-la ver que está errada em relação ao assunto do Rodrigo, mas agora mesmo que eu não fale nada acerca desse assunto, ou sobre ti ela já atende a chamada mal disposta.
-A questão já nem é o assunto do Rodrigo, Rúben. O maior problema sou eu, já não é a questão de ter traido ou não o Rodrigo, e gostava de poder explicar-te porque é que ela está assim contigo agora, mas não sei, mas se for por minha causa, desculpa.
-Não tens de pedir desculpa, pequenina, ela é que tem de mudar, se não estamos mal.
-Bem, mas olha, é o teu aniversário, não vamos falar de coisas tristes, nem nada disso! Eu quero ver-te a sorrir, muito! Isso já não acontece há muito tempo!
-Ai é que te enganas! Ontem à tarde esse milagre entre estes dias aconteceu! - disse, esboçando finalmente um generoso sorriso.
-Ai foi? Então? - sorri também.
-Foi um sorriso que me pôs a sorrir, acreditas? - e o sorriso não lhe desaparecia!
-Um sorriso? Como é que foi isso?
-Foi de repente. Depois do treino a Andreia ligou-me e voltámos a discutir e eu fiquei passado porque ela mais uma vez me desligou o telemóvel na cara, e com isso tudo acabei por me esquecer do saco de treinos no bar do Estádio, então tive de voltar para trás, só que ia tão passado que fui contra uma rapariga e quando lhe pedi desculpa ela sorriu-me de uma maneira que... sei lá, era o sorriso que eu estava a precisar para sorrir também!
-Bem, esse sorriso deixou-te mesmo feliz! Pela maneira como te deixou a sorrir agora também!
-Acredita que melhorou o meu dia, sem dúvida! É que o sorriso dela transmitia tudo o que eu desejava sentir naquele momento e vê-lo teve simplesmente esse efeito em mim, foi bom, foi muito bom! E veio mesmo em boa hora, porque eu estava prestes a mandar alguma coisa pelo ar!
-Bem, então bem-dita rapariga e o seu lindo sorriso! - ri, ao que ele se juntou a mim.
-É aqui? - perguntou, algo curioso, ao estacionar perto do local onde teríamos destino. E um rasgo do sorriso manteve-se no seu rosto.
-É!
-Não te enganas-te? Geralmente as apresentações não são em veleiros.
-Não, não me enganei! A minha Faculdade tem iniciativas muito modernas, pode ser? Mas eu gosto, eu gosto de estar nestes ambientes!
-Sim, eu também gosto, só não acho muito comum, mas pronto, Faculdades modernas! - Saímos do carro e começamos a andar em direcção ao veleiro. Mandei, despercebidamente, uma mensagem ao Rodrigo a dizer que estávamos prestes a entrar.
-Veleiro Príncipe Perfeito, mesmo a minha cara! - gracejou o Rúben, assim que avistamos o nome do veleiro.


-Nada convencido, tu! - ri
-Pois não! - riu também. E assim que entrámos todos os presentes gritaram um ''Parabéns!'' uníssono, que deixou o Rúben boquiaberto. - Bem parecia que esta apresentação era num sitio esquisito! - disse o Rúben virando-se ligeiramente para mim enquanto ia cumprimentando as pessoas. Eu apenas lhe retribui um sorriso e juntei-me ao meu namorado que tinha acabado de dar um abraço ao Rúben.

Visão Rúben

Tinha planeado ficar em casa. O meu espírito não era de todo o dos anos anteriores para ir festejar o meu aniversários com os meus amigos. Mas houve alguém, que devido à ausência do namorado me chamou! Assim que desliguei a chamada entrei no carro e conduzi até casa do Rodrigo. Durante o caminho conversamos e acabamos por tocar no assunto Andreia, mas ela fez o mesmo dar a volta e fomos parar à rapariga e ao sorriso que me alegrou o dia. E bem, mesmo não o tendo voltado a ver, voltei a sorrir de igual modo como se o houvesse visto. E foi ai que começou o maior tempo que fiquei sem pensar na Andreia, seguido pela surpresa no veleiro! Bem que eu suspeitava que a suposta apresentação que a Mónica iria tinha sido marcada num local incomum! Estavam lá todos os meus amigos, todos aqueles que costumavam estar comigo nos anos anteriores, e estavam lá, aqueles que sem dúvida tinham tratado de elaborar esta surpresa, aqueles que eram os mais importantes, a minha família afectiva, que como sempre, me fizeram sorrir e sentir bem novamente! E ao ver todo o veleiro fiquei ainda mais agradecido! Estava tudo simples mas bonito, fazia-me sentir de certa forma em casa, porque estavam lá todos de quem precisava e o mar deixava-me uma sensação apaziguadora e acolhedora na alma, o que precisava nesta noite para conseguir aproveitar o que eles tinham preparado para mim!












E como previ pelo entusiasmo de todos e o fantástico ambiente, a noite começou desde logo muito bem, e conversa e gargalhadas não faltavam! Mas a dada altura retrai-me, repentinamente. Não tinha puxado de todo o pensamento, mas uma das músicas que passavam fez-me recordar e pensar num dos vários momentos atribulados de esforços para conquistar a Andreia.

 *****

– Viste aquilo, David? Viste?


-Se acalma, Rúben. Como você disse, ela só tá deixando ele fazer essas coisas pra provocar você, não é de verdade – tentou acalmar-me o Rodrigo.


-Achas que eu consigo ficar calmo, Rodrigo? É claro que não consigo! Se fosse a tua namorada ali aposto que já tinhas lá ido! – eu já batia o pé no chão com tanta força que eu próprio me irritava com isso.


-Oh Rúben, vá lá! Sabes que ela está a fazer de propósito! Quanto mais ela vir que te afeta, pior ela vai fazer! – disse a Mónica.


-Oh Mónica, tu sabes como é que é a tua amiga, uma teimosa de primeira, mas sabes que eu ainda sou mais teimoso que ela… - Depois falei mais baixo, em forma de suspiro. – Ai eu não vou desistir não… Estás aqui estás a ver-me a tirar-te das mãos desse menino. Ai estás, estás…


-Oh manz, para aí de bater esse pé no chão! Com tanta força cê ainda vai acabar fazendo um buraco no chão!


-Eu paro de bater o pé, mas quieto também não vou ficar! – levantei-me de rompante da cadeira e preparava-me para ir ter com os outros dois, mas o David e o Rodrigo puseram-se à minha frente, bloqueando-me a passagem.


- Cê não vai fazer nada, Rúben.  Agindo de cabeça quente cê ainda vai fazer besteira.


-É manz, não faz nada não, o Rodrigo tá certo. Cê pode se arrepender de alguma coisa.


-É pá, mas eu preciso de lá ir, deixam-me passar?


-Não – responderam os dois ao mesmo tempo.


-Cê vai é sentar aqui de novo e ficar quietinho – disse o David, levando-me a sentar novamente. Sentaram-se os dois, um de cada um dos meus lados, como anteriormente estavam. Calei-me uns segundos, mas voltei a levantar-me.


-Mas eu tenho de lá ir! – tente avançar, mas os dois voltaram a impedir-me, segurando-me pelos ombros e voltando a colar-me à cadeira. Está bem. Se não é a bem, é a mal. Fiquei uns dois minutos calado e quieto, apenas continuando a ter perante os olhos aqueles aos quais eu queria ir ao encontro.


-Já se acalmou? – perguntou o manz. E agora eu ia ter de jogar um bocadinho.


-Já. Pronto, vocês têm razão. Não vou fazer nada, senão ainda me arrependo.


-Finalmente qui você entendeu – disse o Rodrigo.


-É – fingi concordar. Esperei um pouco até as atenções se terem desviado um pouco de mim, e então, num ápice, levantei-me da cadeira e corri, fugindo das mãos que me tentaram segurar, tardiamente. – Desculpem, mas mais teimosos que eu, vocês não são! – Após perceber que ninguém vinha atrás de mim, pois resignaram-se às minhas palavras e ficaram apenas a observar, expectantes, recompus-me e fui ter com a Andreia e o James, que dançavam. Mal cheguei junto deles, arremessei a Andreia dos braços dele e coloquei-a nos meus. – É  a minha vez de dançar contigo – disse-lhe, levando-a mais para o meio do salão. Antes ainda consegui ouvir o Garay falar com o James, que ficou sem perceber bem o que se tinha passado.



-Le aconsejamos que no lo haga usted entusiasmaresAmbos tienen una larga historia que va a comenzar.


-E quem é que te disse que eu quero dançar contigo? – perguntou-me a Andreia.


-Não queres dançar com o teu melhor amigo?


-Não me venhas com tretas.


-Ah eu é que ando com tretas? Esta noite, de nós os dois, quem tem andado com treta és tu. Esta noite eu tenho sido totalmente verdadeiro, tenho demonstrado os meus sentimentos por ti a torto e a direito, tenho tentado vezes sem conta que tu também o faças, que tu liberes o teu coração sem medos nem entraves, em frente de todos. Tu só tens fugido. E o pior é que foges do que queres.


-Mas tu queres dançar ou queres falar? É que se é para falares podes ir-te já embora.


-Chiça, que é teimosa!


-Ah ainda não sabias?


-Estás a ver? Já admitiste que estás a ser teimosa! Que tal deixares esse orgulho de lado e aproveitares o que de bom essa escolha tem para te dar?


-E que tal te calares com esse assunto? Já estou cansada disso!


-Pois, mas eu pelo contrário não me canso de lutar pela pessoa que amo.

*****
Decidi ir arejar as ideias para tentar tirar aquelas lembranças que de certa forma me estavam a deixar saudades. Fui até ao convés do veleiro.

Recolhi-me num canto com menos gente e fiquei a observar a água, gelada na noite de Inverno que não estava particularmente fria, mas junto do rio fica sempre mais frio. Ainda bem que decidi vestir uma roupa um bocado mais quente, se não já estava a igualar a temperatura ambiente. Divaguei alguns minutos, e consegui ilibar a minha mente de pensamentos menos bons, decidindo então que ia aproveitar a noite até ir dormir! Virei-me de repente, empolgado com a ideia de viver e pensar depois, e choquei contra alguém. E o destino estava do meu lado ou eu tinha muita sorte!
-Desculpa! - dissemos ao mesmo tempo.
-Outra vez? - sorri.
-Pois - concordou, sorrindo também, e novamente o mesmo sorriso que voltava agora a encher-me de entusiasmo para sorrir!
-Rúben, aleluia que te encontro! - disse a Mónica, chegando ao pé de nós.
-Vim apanhar ar!
-Hm, está bem. Bem olha, queria apresentar-te a Filipa, é ela que está a trabalhar comigo no Estádio! - disse, referindo a desconhecida, virando-se de seguida para a mesma. - Filipa, é o Rúben, já sabes quem é, não é! É o aniversário dele!
-Parabéns! - felicitou-me a rapariga, da qual agora já sabia o nome!
-Obrigado! - agradeci.
-Rúben, não te importas que a tenha convidado, pois não? É que, nós estamos a dar-nos tão bem então decidi convidá-la!
-Não, claro que não, foi uma óptima ideia! - respondi-lhe com um sorriso. - Aliás, nós já meio que nos conhecemos!
-A sério?
-Sim, no Estádio, ontem - respondeu-lhe a Filipa.
-Que bom! - sorriu a Mónica, visivelmente animada por me ver bem disposto.
-Amor, vem aqui por favor! - chamou-a o Rodrigo.
-Bem, eu já volto! - disse-nos, afastando-se em seguida.
-Então tu é que estás a ajudar a minha pequenina? - perguntei, mais constatando o facto.
-A tua pequenina? - perguntou, parecendo algo curiosa. - Vocês são irmãos, ou assim?
-Não, mas é como se fossemos! Ela faz parte daquela família que não é de sangue mas é de coração!
-Isso é lindo!
-E tu também estás linda! - elogiei, tentando não soar indiscreto.


(Filipa)

-Obrigada - agradeceu, sorrindo, porém notei-lhe por de trás daquele sorriso simples alguma vergonha ou embaraço, mas não mencionei nada, apenas lhe devolvi um sorriso.
-Então e estão a dar-se bem, hã?
-Sim, muito, gosto muito de trabalhar com ela, para além de ser uma pessoa fantástica, pelo que já temos falado.
-É mesmo! Pode ser pequenina, mas o coração é gigante! Eu acho que a minha família  tanto a de sangue como a outra têm todos corações gigantes!
-Isso é bom, isso é que é uma boa família!  -sorriu.
-Então e o teu, como está? Grande, pequeno, ocupado, desimpedido, destroçado?
-Grande, mas desimpedido - acabou por responder, desviando cuidadosamente o olhar. Pronto, realmente Rúben, não a conheces e entras logo assim? Vai parecer que te estás a fazer a ela!
-Desculpa, a pergunta foi um bocado deslocada, acabamos de nos conhecer.
-Não faz mal, até é normal, um solteirão como tu tem por hábito fazer essas perguntas assim, eu sei como é.
-Esse é que é o problema, sinto-me mais solteiro que comprometido...! - suspirei. Agora não te queixes, a culpa de a conversa ter vindo aqui parar é tua, Rúben! 
-Não percebi - comentou, meio confusa.
-Não vale a pena, hoje não! Queres beber alguma coisa? A vista aqui é linda, mas eu quero aproveitar a festa!
-Pode ser. - Desencostamo-nos do corrimão e seguimos para o interior do veleiro, onde a música soava animada e propicia para dançar. 

Visão Rodrigo

-Desculpa amor, tava apresentando eles, né? - perguntei, depois que ela chegou junto de mim.
-Estava, mas chamaste-me mesmo na hora certa, ele já meio que se conheciam, e eu queria arranjar uma desculpa para eles ficarem sozinho.
-Já se conheciam? Como? E, você tá tentando juntar alguém, ou é impressão minha?
-É impressão tua! É só que, o Rúben disse-me, no caminho para cá que quando se cruzou com ela o sorriso dela o fez sorrir também, até quando me contou sorriu, e eu sinto tanta falta do sorriso na cara dele todos os dias! Por isso enquanto eles estiverem os dois na festa quero que o Rúben sorria o mais que for possível  para além de que o dia dele já foi pessimista demais hoje, e ele merece ter uma folga nos anos dele!
-Você é tão linda sempre preocupada, sabia? - sorri, abraçando ela.
-Oh, tu sabes que eu só quero ver bem aqueles de quem gosto!
-E se for preciso se esfola toda pra isso!
-Se forem pessoas realmente importantes para mim claro que sim!
-Eu tenho tanto orgulho em você!
-E eu amo-te! - sorriu.
-Eu te amo mais!
-Não vamos discutir isso! - riu.
-Tá, eu prefiro reclamar outra coisa! - sorri, tirando um beijo demorado dela.
-Então e porque é que me chamaste?
-Isso pode esperar! - respondi, voltando a tomar os seus lábios. Ficamos trocando alguns beijos até que a minha irmã acabou interrompendo a gente.
-Eu falei pra você ir buscar ela, não pra se esconder com ela!
-A gente já tava indo!
-Eu tou bem vendo vocês indo! - reclamou, porém sorrindo.
-Então mas porque é que precisavas de mim? - perguntou a minha namorada pra minha irmã.
-Vem comigo! - pediu a minha irmã, segurando a mão da Mónica e a soltando dos meus braços.
-Tá, eu fico esperando aqui! - ri, e a minha namorada olhou pra trás sorrindo antes de desaparecer nas mãos da minha irmã.
-Não fiques triste Rodrigo, elas voltam já! - meio que me zoou o Mauro. Ficamos conversando e pouco depois elas tavam de volta.
-Rápido hein.
-É, eu não demorei tanto pra você não ficar com muita saudade! - riu a minha irmã.
-Hm, obrigado por ter pensado em mim! - ri também.
-De nada! - de seguida se virou pró Mauro e os saíram de junto da gente.
-Então, o que é que a minha irmã queria com você?
-Coisas nossas!
-Na festa do Rúben?
-Sim!
-Cá pra mim vocês foram apreciar um dos empregados!
-Olha que já uns quantos bonitos!
-Tá me descartando?
-Eu? - riu.
-Você.
-Óbvio que não!
-Ah bom!
-Não acredito que ficaste com ciúmes de uma piada parva!
-Eu não!
-Pois, sim... Bem Senhor Ciumento, vamos sair do meio das pessoas? Não quero servir de poste aqui no meio!
-Se você dançasse não ficava servindo disso!
-Pois, só que eu não sou como o meu lindo namorado que sabe dançar!
-Agora eu que sou lindo?
-Continuas a ser ciumento!
-Vem me mostrar esses tais empregados pra eu me sentir melhor?
-Eu disse que era uma piada!
-Então vamo sair daqui e parar de conversar?
-Óptima ideia! - A gente saiu do meio das pessoas e se resguardou num canto mais espaçoso, namorando um pouquinho.

Visão Rúben

Passei a maior parte da noite desde que a Filipa chegou com ela. Conversamos tanto que no final da noite parecia que já nos conhecíamos há mais tempo. E senti-me tão bem, tão despreocupado, sorri o resto da noite! Tirei várias fotografias, incluindo com os meus pais, que claro também estavam presentes, e depois de me cantarem os parabéns, com um bolo provavelmente feito pela minha mãe, veio a cerimónia dos presentes e consequentes gargalhadas!



 A festa acabou por volta das duas da manhã, e como sempre, apenas o grupo habitual ficou para o fim, incluindo desta vez a Filipa.
-Bem, eu vou andando! Até amanhã Mónica! - despediu-se a Filipa, dirigindo em seguida para o seu carro.
-Bom, e a gente vai também! - disse o Rodrigo, dando-me um abraço de despedida, ao qual se seguiu o da Mónica.
-Bem, e eu vou também, não vou ficar aqui sozinho, já que o meu irmão decidiu desaparecer com a tua irmã!
-É, vai com cuidado!
-Sim paizinho! E olhem, obrigado pela festa, a sério! - agradeci-lhes.
-Valeu muito a pena, Rúben! - sorriu a Mónica. Depois olhou para trás de mim com expressão confusa. - Aconteceu alguma coisa?- perguntou, e ao virar-me constatei que a Filipa tinha voltado.
-Aconteceu! O meu carro avariou! - respondeu, visivelmente aborrecida. Era a primeira vez que não a vi a sorrir.
-Caraca, e agora?
-E agora eu queria perguntar-vos se alguém me pode levar a casa e amanhã eu chamo o reboque!
-A gente pode levar você, fica no caminho! - ofereceu o Rodrigo.
-Não, eu levo-a.
-Por mim pode ser! - disse a Filipa.
-Mas fica mais distante pra você.
 -Mas vocês precisam de ir arrefecer!
-Hã? - disse a Filipa.
-É o normal, precisam de ir os dois arrefecer para casa! As festas têm um efeito sobre vocês, não consigo perceber! - gozei.
-Se você passasse todos os dias agora quase todo o dia sem nem um beijo você ia ficar igual!
-Mas eu passo, agora tu estás sempre necessitado, coitada da rapariga!
-Rúben! - reclamou a Mónica a rir.
-E depois fala que eu que sou fraquinho! - e o Rodrigo a dar aso à conversa!
-Isso já não sei, tens de lhe perguntar a ela, mas és fraquinho porque nem uma vez consegues ficar imune a isso!
-Mas vocês importam-se? Nós estamos aqui! Se querem discutir os vossos problemas de necessidades escolham uma altura em que nós não estejamos presentes, principalmente se eu for incluída na conversa! - disse a Mónica, olhando por último para o Rodrigo de forma punitória, apesar de ser mais um acto para terminar a conversa, enquanto tentava permanecer sem rir.
-Reclama com o teu namorado, ele continuou a conversa e disse que estava...
-Cala-te Rúben Filipe! E nós vamos embora! - adverteu-me, virando-se de seguida para o Rodrigo, que estava a rir-se, e dando-lhe uma pequena palmada no rabo em forma de protesto, enquanto o empurrava em direcção ao carro.
-Ui que eu já vi quem é que manda lá em casa! - ri.
-Cala-te Rúben! - disse mais uma vez. - Filipa, não te importas mesmo que o Rúben te leve?
-Claro que não, podem ir embora! - respondeu-lhe enquanto ria também um pouco mais disfarçadamente.
-Está bem, então até amanhã! - despediu-se a Mónica, entrando no carro.
-Foste um bocadinho mau! - riu a Filipa, assim que eles arrancaram viagem e nós nos dirigimos ao meu carro.
-Isto nem foi nada, mas eles já estão mais que habituados comigo! Não viste o Rodrigo a responder-me?
-Vocês são a comédia!
-E só passaste uma noite connosco!
-E espero passar mais, gostei muito de hoje!
-Eu também! Só não vão haver é festas como hoje, mas sempre que quiseres, da minha parte, podes estar connosco!
-Obrigada! - sorriu. Durante o percurso até ao apartamento onde ela morava não houve quase nunca conversa sem ser a dos locutores da rádio que passava àquela hora. E entretanto chegámos. - Obrigada por me teres trazido, Rúben - agradeceu.
-Não tens de agradecer - sorri educadamente. Acho que devo ter parecido um pouco apático, mas estava a debater-me nos últimos minutos acerca de uma pergunta que lhe queria fazer, à qual acabei mesmo por ceder. - Filipa, posso pedir-te uma coisa?
-Sim, acho que sim - respondeu, soando naturalmente confusa e um pouco cautelosa.
-Sempre que estiveres comigo, sorris?
-Não é difícil não o fazer, tu metes todos os que estão contigo a rir! - sorriu.
-Eu sei, mas, há já alguns dias que não fazia isso, já sentia falta disso, e voltei a fazê-lo porque me fizeste voltar a sorrir.
-Eu?
-Sim. Quando nos cruzamos no Estádio eu não estava bem, mas quando vi o teu sorriso, acho que me fez lembrar o meu, e desde ai voltei a sorrir. Hoje quando nos voltamos a encontrar eu estava a começar a desanimar novamente, mas depois tu apareceste e o teu sorriso ajudou-me outra vez, estiveste comigo a noite toda e eu sorri a noite toda. Tu fazes-me sentir bem, fazes-me sentir o eu de sempre outra vez.
-Ah, bem, olha Rúben, sinceramente nem sei bem o que hei-de te dizer, mas, sei lá, fico contente por teres voltado a sorrir. Não sei qual foi o motivo para teres deixado de o fazer, mas ainda bem que voltaste a fazê-lo. O teu sorriso para além de contagioso é lindo.
-Surpreendentemente o motivo é aquele que antes me fazia sorrir.
-Hmm, coração destroçado? - perguntou, cautelosamente, utilizando os termos que eu utilizara primeiramente.
-Sim, acho que já está a chegar ai...
-Eu não sei fazer milagres, mas se o meu sorriso te ajudar a esquecer um bocadinho e a sorrir, eu vou sorrir sempre!
-Obrigado!
-De nada! Bem, eu vou subir, preciso de descansar! Boa noite, Rúben!
-Boa noite, Filipa, e obrigado por teres vindo à festa! - agradeci, após ela já se encontrar no passeio. Ela respondeu apenas com um sorriso e virou costas para ir para casa. Voltei a ligar o carro e segui para minha casa.

Visão Mónica

Finalmente tínhamos chegado a casa! Estava cansada, e tinha de me levantar cedo para ir para a Faculdade, mas ao organizar a festa sabia que teria de me aguentar depois! Apesar do pensamento pesaroso, sentia-me muito feliz! A festa tinha sido linda, o Rúben tinha gostado, e tinha passado a noite a sorrir. E com a Filipa. Ela era a rapariga do sorriso! Agora ainda estava mais agradecida! Eu gostava bastante dela, dai tê-la convidado, e o facto de ela ter chegado e passado a noite a fazer sorrir o Rúben, ainda era mais propicio para lhe agradecer umas quinhentas vezes! Assim que cheguei ao quarto descalcei-me e sentei-me aos pés da cama.
-Muito cansada, amor? - perguntou-me o Rodrigo, em pé à minha frente, despindo o blazer.
-Sim! Eu acho que nem vou dormir, se não de manhã nas aulas e depois no Estádio vou andar a arrastar-me!
-Eu fico acordado com você, não tou com sono mesmo.
-Isso era suposto ter a intenção de me dizer indirectamente que amanhã tu ficas a dormir e eu vou para a Faculdade, ou era apenas uma oferta inocente?
-Oferta era, agora inocente ou não você que escolhe.
-Ai Rodrigo, assim não vale!
-Assim como? - perguntou com um sorriso, sentando-se ao meu lado.
-Assim, essas propostas indirectamente indecentes a estas horas e quando eu preciso dormir mas não vou fazê-lo!
-A gente não vai ficar acordado toda a noite? Tem que fazer alguma coisa...
-Cansar-me mais não ajuda muito.
-Isso te cansa? - perguntou, passando as pontas dos dedos pelas minhas costas. Foi o suficiente para me arrepiar e aceitar deliberadamente a sua proposta.
-Se fizeres isso a noite toda sim, porque vai aborrecer-me de tão repetitivo - respondi, insinuosamente.
-Quem falou que era só isso?
-Ai há mais?
-Tudo que você quiser.
-Hmm, assim está bem - concordei, sorrindo provocadoramente, enquanto subia com as mãos a sua camisola para retirá-la do seu corpo. - Mas vais durar até às sete e meia da manhã?
-Me provoca de vagar e eu vou tentar.
-Então tem de ser muito devagarinho... - sorri, começando por deixar-lhe um beijo no pescoço.



terça-feira, 29 de outubro de 2013

Capitulo 31 (parte II)

Olá meninas!!
Aqui está mais um capitulo, espero que gostem e que deixem os vossos comentários, por favor, são muito importantes!
Nos próximos capítulos haverão surpresas, por isso fiquem atentas! ;p

Besos
Mónica

(Visão Rúben)

-Olá! - cumprimentei alegremente a minha namorada, do outro lado da linha.
-Olá - respondeu, sem qualquer entusiasmo.
-Bem, o dia não te deve ter corrido mesmo bem!
-Não correu mesmo,desde ontem, começando pela namorada do teu amigo!
-Hã? A namorada do meu amigo?
-Sim!
-Que amigo?
-Oh Rúben!
-O quê? Não estou a ver de quem é que estás a falar!
-Quem é que achas?
-Sei lá, tenho tantos amigos! Mas que tu conheças... ah pronto, a Mónica - percebi, finalmente.
-Vês como sabes?
-Pois, olha, em relação a eles, já sabes que foi lá o melhor amigo, quer dizer, o ex-melhor amigo dela que se aproveitou dela, e não como nós pensávamos?
-Já ouvi alguma coisa.
-Já ouviste alguma coisa?
-A rapariga disse-me!
-Que rapariga?
-Ela! Porra Rúben, compreensão lenta!
-Calminha, se faz favor! E olha, que eu saiba ainda estamos a falar da mesma pessoa, e segundo me consta, a rapariga que tu estás a falar é a tua melhor amiga.
-Eu não tenho melhor amiga!
-Eu não percebo porque é que não aceitas que afinal a tua opinião, que começou por mim e por isso peço desculpa, estava errada. Se ninguém te contou tudo eu posso contar, mas ao menos ouve e percebe que ela não errou!
-Eu não quero ouvir!
-Então e é por ainda achares que ela fez alguma coisa de errado que dizes que não tens melhor amiga?
-Eu não quero falar sobre isso, Rúben!
-Eh, senhora stressada tenha lá calma! Eu sou o teu namorado, não sou o teu saco de pancada, embora esteja aqui para te ouvir, mas estás demasiado agressiva hoje e não me apetece levar com tanta agressividade, por isso modera lá o tom, se faz favor!
-Desculpa - disse, acalmando ligeiramente a brusquidão no tom de voz.
-Vês como sabes!
-Também não precisas falar como se estivesses a mandar um cão!
-Ajudou a acalmar não foi? O teu dia parece que correu como o desse animal, por isso olha, estou a tentar suavizar os teus modos, pelo menos enquanto falas comigo! - Ela não respondeu, logo prossegui. - Eles disseram-me que estás diferente, pelo menos em relação à Mónica, e isso já consegui perceber nem em cinco minutos, agora eu gostava de perceber porquê, para além do assunto que levou o Rodrigo a ir ai, e que acabou por voltar com a Mónica, de vez.
-Eu já disse que não quero falar sobre isso.
-Nem comigo?
-Não.
-Eu que sou o teu namorado, mas antes disso o teu melhor amigo?
-Não.
-Para além do dia, o jantar também não te deve ter caído bem!
-Hã?
-Estás azeda como tudo! Assim nem dá gosto ligar!
-Pois, então podes desligar, e eu quero ir dormir que amanhã tenho de me levantar cedo.
-Como queiras! Se sentires saudades liga-me, eu já não te ligo mais hoje, não me apetece ouvir respostas tortas sem ter feito ou dito alguma coisa que as merecesse.
-Ok - e desligou. A esquisitice estava do lado dela hoje! Voltei da cozinha para a sala do Rodrigo, para junto deles.
-Que cara é essa, Rúben? - perguntou-me o Rodrigo.
-A Andreia, estava aziada como tudo!
-Ui, ainda agora começaram a namorar e já a deixas aziada tão depressa? - gozou o meu irmão.
-Ui, que se calasses a boca eras menos parvo! Ela teve um dia mau e pelos vistos ainda não passou. Vocês não me querem dizer nada? - perguntei, virando-me para o Rodrigo e para a Mónica. - É que ela disse que o dia mau começou contigo - olhei para ela - e diz que não quer falar em ti, e se eu insisto começa logo a surgir a agressividade! - E a Mónica decidiu pôr-me a par da discussão que elas tinham tido na manhã anterior. Agora quem parecia que estava a ouvir sobre um estranho era eu! Meu Deus, como é que era possível? Eu não conseguia imaginar a pessoa que conheci como a Mónica me tinha falado, e apesar de não querer acreditar, com o que me tinham dito e acrescentando os modos dela ainda agora ao telemóvel, comigo, ficava difícil de não acreditar! Mas o que é que a tinha mudado tanto, assim, num piscar de olhos?
-Você vai me desculpa Rúben, mas a sua namorada foi uma falsa, uma egoísta, uma... uma sei lá o quê com a Mónica! Como é que ela teve coragem de sacanear assim a suposta melhor amiga dela? - reclamou a Mariana.
-A questão é essa, se supostamente era a melhor amiga dela, porque é que ela fez isto? O que é que a Mónica lhe fez assim de tão aterrador que a levou a fazer isto? - expus, completamente chocado.


Acho que ia ser difícil agora de lidar com a Andreia, mesmo apenas através de chamadas. Decidi que no dia seguinte não ia dizer-lhe nada, o choque não ia passar até lá.

Visão Mónica

O Rúben ficou tão chocado quanto nós quando lhe contámos acerca da última conversa, se é que se pode dar-lhe esse nome, que tive com a Andreia. Mas apesar de chocado ele tentou deixar o assunto de lado e distrair-se! Disse que só voltava a pensar no assunto quando tornasse a falar com ela, o que eu acho bem, porque apesar de eu não fazer exactamente isso, pelo menos por agora, acho que ele não deve andar preocupado e a remoer no assunto antes de voltar a ter oportunidade de conversar com ela!
Após o dia da revelação ao Rúben, mas mais importante que isso, o dia da nossa reconciliação, em que voltei a estar bem com o Rú, que querendo ou não já me fazia falta, decidi que tinha de começar a procurar um emprego! A transferência para a Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa já estava feita, com a ajuda da Mariana, no dia em que regressei com o Rodrigo, uma das situações que me serviram de distracção para não desabar, e começaria a frequentar finalmente as aulas na segunda seguinte. A Mariana tinha-se oferecido para me actualizar e reposicionar no corrente desenvolvimento das aulas, por isso, só restava encontrar um emprego! Depois de falar com o meu namorado acerca desse ponto, ele acabou por sugerir, entre outras coisas, que experimentasse o Estádio da Luz. E assim fiz! Fiz a candidatura online através do site do clube e recebi um e-mail como resposta, remetendo-me para uma entrevista na quinta-feira que chegaria. Na quinta-feira o treino do plantel era precisamente no Estádio, por isso, fui com o Rodrigo. Era a mesma hora do treino dele.
-Eu vou pró treino então, amor. Muita sorte, e se conseguir aparecer no treino ainda, aparece, tá bom meu bem? - disse-me o Rodrigo, assim que saímos do seu carro.
-Claro que sim, amor, e obrigada! Vou mesmo precisar de muita sorte!
-Tomara que eles aceitem você! Já imaginou, você trabalhando aqui também?
-Não imaginei e não vou imaginar nada, não quero ficar com ideias lindas na cabeça e depois não acontecer nada, amor!
-Tá, cê tem razão! Vai lá, então!
-Até já, amor!
-Sem o meu beijo não! - reclamou, dando-me um beijo e soltando-me por fim. - Boa sorte, meu amor! - Eu sorri-lhe de volta e iniciei caminho até ao interior do Estádio, onde me dirigi à recepção de onde me pediram que aguardasse. E dois minutos depois entrei na sala do Presidente. E aí senti-me ainda mais nervosa, mas com mais vontade ainda de ser seleccionada! Cerca de uma hora foi o tempo que demorou a entrevista, e pareceu-me que correra bem. Saí muito mais descontraída da sala, e depois de desejar um resto de boa tarde saí em direcção às bancadas, para junto das meninas que lá estavam, pois ainda faltava meia hora para o fim do treino.
-E ai? - perguntou-me o Rodrigo, completamente entusiasmada e expectante.
-Acho que correu bem! O Presidente disse-me que daqui a uns dias me comunicavam a decisão!
-Que bom, meu amor! Vai ver que quando contactarem você vai ser pra falar que te escolheram!
-Espero que sim amor! - Seguimos para o seu carro e rumamos até casa, onde a Mariana já estaria à nossa espera para me encher de perguntas sobre a entrevista.
                                                                           ***
O meu horário da Faculdade era bom! Apesar de me custar muito deixar o Rodrigo na cama e de estar com muito sono, por ter dormido pouco e levantar-me cedo, valeria a pena! Além disso, a Mariana ia comigo! Tinha quase todas as aulas comigo, tirando algumas de opção que ela escolhera diferentes, e por isso companhia e alguém caloroso para me animar de manhã não me faltaria. Como era o meu primeiro dia nesta Faculdade, da qual não conhecia as infraestruturas e onde me perderia por certo, pedi-lhe que me mostrasse todos os cantos e recantos, e não foi assim tão difícil ambientar-me. E depois de tudo visto, as aulas passaram num instante e quando dei pelas horas já tinham acabado! Após nos encontrar-mos na entrada seguimos para a entrada do metro mais próxima para regressarmos a casa.
-E ai, como correu o dia da nova aluna da Faculdade? - cumprimentou-me, sorridente, o meu namorado, acercando-se de mim assim que entrámos na cozinha.
-Muito bem! A Mariana é uma excelente guia e as aulas correram muitíssimo bem!
-Que bom! Ainda bem que tá tudo correndo bem! E obrigado por mostrar tudo pra ela Mariana!
-Acha mesmo que eu ia deixar ela sozinha? Nem pensar! - sorriu a Mariana. Eu sorri também, e finalmente dei um beijo ao meu namorado, beijo esse que foi interrompido pelo meu telemóvel a tocar. Não reconhecia o número, mas atendi na mesma.
-Estou?
-...
-Muito obrigada!
-...
-Com certeza, lá estarei! Muito obrigada, boa tarde!
-É o que eu tou pensando? - perguntou-me o Rodrigo, assim que desliguei a chamada.
-É! Fui selecionada! - respondi, efusivamente.
-Eu falei pra você! Parabéns, meu amor!
-Parabéns!! - felicitou-me também a Mariana, abraçando-me depois do Rodrigo.
-Obrigada!
-Então e agora, amor, quando que você vai lá se apresentar e conhecer as coisas?
-Hoje à tarde, às 16.00h!
-Eu te levo!
-Eu também vou!
-É, depois a gente vai dar uma volta e assim que você terminar lá me liga pra gente te ir buscar!
-E pra você contar pra gente tudinho!
-Sim, está bem, e é claro que vos vou contar tudo!
Entre conversa fizemos o almoço para nós duas, visto que o Rodrigo tinha almoçado no Colombo com o Rúben, o Silvio, o Maxi e o Nico, depois do treino. Após a refeição tratamos de nos dedicar aos trabalhos que tínhamos da Faculdade, pelo menos começá-los, e quando chegaram as horas saímos em direcção ao Estádio. E os nervos começaram a arranhar-me o estômago, pois não sabia bem o que encontraria a seguir. Sai do carro, depois de muitos ''Boa sorte!'' e dirigi-me ao sitio que me haviam indicado ao telemóvel, teria de me dirigir a uma das guias do Estádio, já estando todos sobreavisados da minha chegada. E depois de uma espera de segundos, enquanto a guia a quem me dirigi foi chamar a que estaria encarregue de mim, pode dizer-se assim, os meus nervos suavizaram. Parecia ter a minha idade, um ar super simpático e um sorriso de certa forma já acolhedor. Filipa, era o seu nome. E desde o primeiro instante que trocámos impressões que me senti à-vontade e confiante de que iria correr bem.
-E pronto, nós terminámos por aqui! - disse-me ela, assim que retornámos à entrada, após cerca de uma hora e meia entre salas, corredores e muitas explicações e indicações. - Agora só tens de ir ter com o Presidente para acertarem os horários e saberes quando é que começas! - sorriu.
-Obrigada! - e sorri de uma forma tão entusiasmada que pareceu contagiá-la.
-Acho que vamos dar-nos muito bem! Estou ansiosa que comeces para podermos trabalhar juntas!
-Eu também acho, e espero começar logo, quero começar a juntar dinheiro o quanto antes! - Ela sorriu-me, gesto que retribui.
-Bem, então, até breve!
-Até breve! - despedimo-nos e eu dirigi-me novamente até ao local onde tinha decorrido a minha entrevista, onde o Presidente me esperava, mais uma vez, para acertar-mos todos os restantes detalhes.

Visão Rúben

Como havia dito, não liguei à Andreia no dia seguinte, e ela também não o fez. Era o primeiro dia que não nos falavamos, desde que estávamos juntos. Era decepcionante ver cmo a minha namorada mudara do dia para a noite, e parecia distante de todos os que seriam realmente importantes para ela. E começava a doer sentir-me dispensável na sua vida. Porém, não quebrei o meu orgulho, pois desta vez o erro era da parte dela e seria algo que não justificava que nos afectasse, pois não era nada entre nós os dois. Ela acabou por ligar-me no dia seguinte, à hora de almoço.
-Olá - cumprimentou.
-Olá - respondi, com o mesmo entusiasmo que ela parecia ter, que seria quase nulo.
-Não me ligaste ontem.
-Tu também não me ligaste, e eu avisei-te que não ligava.
-Podias ter ligado.
-Eu não quis, e fiquei com menos vontade depois de saber da discussão que tiveste com a Mónica.
-Porque é que ela tem de estar sempre na conversa? Até parece que ela é o centro do Mundo!
-Importaste de deixar de ser tão parva e mesquinha? A tua atitude começa a irritar-me.
-Está frio.
-E tu estás completamente diferente.
-Não, não estou.
-As tuas atitudes dizem o contrário.
-Desculpa.
-Eu não quero pedidos de desculpa sem vontade.
-Assim não dá para falar contigo.
-Contigo agora também se torna muito difícil.
-Então agora vai ser assim? Vais deixar que aquela rapariga se meta entre nós?
-A rapariga que estás a falar é minha amiga, e não é ela que se está a meter entre nós, és tu que... que não pareces tu, de todo.
-O que é que ela inventou para te pôr contra mim? E o Rodrigo? O Rodrigo também, de certeza que está do lado dela! Como é que ela vos dá a volta?!
-Ai Andreia, para! Deixa de ser criança, deixa de agir como uma miúda mesquinha e ridícula, porra! Tu não és assim!
-É isso que tu achas de mim?
-É o que tu demonstras agora!
-Então tem cuidado, namorar com uma pessoa assim pode não ser bom para ti! - disse, sarcasticamente, o que me irritou ainda mais.
-Isto vai mal para namoro! Para de reagir dessa forma, agressiva!
-Não paras de falar nela!
-Porque eu quero que percebas que estás errada e quero ajudar-te a voltar à razão!
-Mas tu não percebes que eu já não quero saber dela? Nunca mais? Ela para mim deixou de existir!
-Porquê?! Em pouco menos de um mês ela passou de ser a tua melhor amiga a nada? Porquê Andreia? O que é que aconteceu assim de tão aterrorizante para isso acontecer? - esperava uma resposta, mas a única que recebi foi o do fim da ligação. A minha paciência estava a ficar nos limites! A mulher que eu julgava ter ao meu lado com uma personalidade incrível estava a revelar-se uma autêntica criança, uma pessoa que não conhecia, tal como acontecera com a Mónica.
                                                                       ***
Visão Mónica

Tinha finalmente começado a trabalhar! O primeiro dia foi um pouco confuso, mas sempre que precisei a Filipa ajudou-me. Davamo-nos super bem e trabalhávamos conjuntamente de igual forma. Terminámos o nosso turno às 19.00h e acabamos por ir jantar as duas ao Colombo, aproveitando para nos conhecermos melhor uma à outra, mais em termos pessoais. A conversa estendeu-se e nem dei pelas horas passarem, até que o Rodrigo me ligou.
-Oi!
-Olá! - atendi, sorrindo.
-Onde você tá, amor?
-No Colombo, vim jantar com a Filipa, a rapariga que te disse que ia trabalhar comigo. Mas aconteceu alguma coisa?
-Não amor, só tava ficando preocupado, tão sendo dez horas e você não falou nada.
-Já? Ai desculpa amor, nem dei pelas horas a passar!
-Não tem problema amor, o que importa é que você tá bem!
-Sim, está tudo bem, desculpa.
-Não tem problema, amor. Quer que eu vá buscar você?
-Se quiseres podes vir amor.
-Então eu vou que eu tou morrendo de saudades!
-Está bem - ri. - Então até já!
-Até já amor, beijo.
-Desculpa, era o meu namorado. As horas passaram e eu não dei por isso e ele ficou preocupado!
-Já percebi que sim. Ele vem-te buscar, não é?
-Vem.
-Bem, então se calhar eu vou andando.
-Não, Filipa, podes ficar até ele chegar!
-De certeza? Acho que já te roubei demasiado tempo dele, hoje!
-Ele aguenta-se! - ri. Algum tempo depois o Rodrigo ligou-me a perguntar onde é que estava e minutos após a chamada chegou ao pé de nós.
-Boa noite! - cumprimentou-nos, sorrindo.
-Olá! - respondi, levantando-me e roubando-lhe um rápido beijo.
-O teu namorado é o Rodrigo? - perguntou-me a Filipa.
-É - respondi-lhe. Realmente, não tinha mencionado que o meu namorado era um integrante da equipa principal de futebol do Benfica.
-Bem me parecia que já tinha visto a tua cara em algum lugar! - riu.
-Pronto, acho que agora já sabes de onde!
-Sei! Vocês estavam lindos na Gala de Natal!
-Obrigada!
-De nada! Ai, tão giro, vocês agora trabalham no mesmo sitio!
-É, tá vendo só, agora já pode sonhar! - disse-me ele.
-Com calma, hoje foi o meu primeiro dia!
-Primeiro de muitos! - sorriu ele.
-E olha que para primeiro dia estiveste muito bem, eficiência foi a tua palavra hoje! - elogiou a Filipa.
-Ainda bem que estou a fazer tudo bem!
-Não tenho dúvidas que vais continuar assim! - sorriu a Filipa. - Bem, e eu vou andando, tenho de ir encontrar um táxi!
-Você mora muito longe? Se ficar no caminho eu posso dar uma carona pra você! - Acabamos por dar-lhe boleia, visto que ficava mesmo em caminho e seguimos para casa.

-Eu sei que o Rúben é que é o Senhor das festas, mas eu quero mesmo fazer-lhe uma festa de aniversário!
-Eu te ajudo! Já tem alguma coisa em mente?
-Tenho algumas ideias.
-Vamo ver essas ideias então e escolher! - Fomos para o computador e mostrei-lhe as coisas que já tinha visto e me tinham agradado. O maior problema para mim seriam apenas os preços... - Eu conheço essa cara!
-É a minha, óbvio que conheces! - tentei desviar a atenção dos meus pensamentos, que ele já calculava quais fossem.
-Você tá pensando nas despesas, de novo!
-É tudo muito caro...
-Eu...
-Tu nada! Eu tive a ideia eu vou ter de arranjar uma solução!
-Eu ia sugerir...
-Não quero que sejas tu a pagar, se era isso que ias dizer!
-Posso falar?
-Podes, desculpa.
-Eu ia sugerir que a gente fizesse as contas, e depois a gente dividia por cada convidado!
-Então tínhamos de fazer já a lista e ter as presenças confirmadas!
-E a gente faz isso agora! - Depois de elaborar-mos uma lista de quem queríamos convidar dedicamo-nos a ligar às pessoas para que pudéssemos fazer uma estimativa de quantos convidados iriam comparecer, e depois disso o Rodrigo ligou para o contacto que estava no site para poder fazer a reserva. Deitámo-nos tarde, mas no final da noite já estavam todos os pormenores acertados. No dia só tínhamos de levar o Rúben ao local, bem antes de o levarmos teríamos de distrai-lo, o que seria algo mais complicado...

Visão Rúben

Dia atrás de dia, não havia uma única excepção em que eu e a Andreia já não discutíssemos! Se estivesse a ficar maluco a culpa seria dela certamente! O mau ambiente e o interesse ficavam cada vez piores, mesmo que eu não mencionasse o assunto ''Mónica'', havia sempre qualquer coisa que a fazia discordar e dar-me respostas ainda mais mal humoradas do que desde o inicio das chamadas. Eu bem que tentava manter a calma, mas ela tirava-me realmente do sério. Ainda hoje, cerca de dez minutos depois do final do treino, desta vez no Estádio, e véspera do meu aniversário, ela não conseguiu ser um bocadinho mais delicadas nas palavras e nos modos, e ficou chateada porque eu apenas lhe disse que ela andava a trabalhar muito, e parecia que já não tinha tempo sequer para me ligar. E desta vez tornou a desligar-me o telemóvel na cara. De tão irritado que fiquei acabei por me esquecer do saco de treinos no bar do Estádio, e tive de lá voltar! A minha cabeça parecia que estava prestes a fazer curto-circuito! Enquanto me dirigia, apressadamente, ao bar novamente, não parava de confrontar-me interiormente com todas as discussões com a Andreia e o quão irreconhecível ela estava.
-Desculpe!! - exclamei, num tom um pouco mais alto, ao esbarrar em alguém. Assim que me virei para olhar para a pessoa, não sei como, nem porquê, o sorriso dela acalmou-me. Baixinha, cabelo bastante comprido, olhos castanhos de um doce surreal e um sorriso de... felicidade. Aquilo que neste momento eu estava a precisar, mais que tudo!


- Desculpe! - tornei a repetir, desta vez decentemente, olhando para a rapariga.
-Não faz mal - desvalorizou, no entanto estava a passar a mão no ombro.
-Magoei-a? Peço imensa desculpa, eu vinha distraído e não a vi!
-Não tem problema, não foi nada demais, não se preocupe - voltou a sorrir.
-Tem a certeza? Posso fazer alguma coisa por si? - e de certo modo senti-me desconfortável ao tratar a rapariga por você. Ela parecia mais nova do que eu, mas pronto, era uma questão de respeito, para além de que não a conhecia de lado algum.
-Sim, tenho a certeza.
-Bom, então pronto. Mais uma vez desculpe!
-Não faz mal - voltou a repetir, trazendo novamente aos lábios o sorriso, antes de se virar e retomar o seu caminho. Eu entrei finalmente no bar e o empregado tinha acabado de pegar no meu saco quando me dirigi a ele e lhe expliquei que me tinha esquecido dele ali. Assim que o tive virei costas e segui caminho até ao meu carro. E pronto, um sorriso tinha alterado o meu dia! O sorriso de uma desconhecida. Mas acho que era isso que estava a precisar. Um sorriso, puro e cheio de alegria e felicidade! Coisas que me faltavam há alguns dias, mas que agora tinham retornado, pelo menos durante algum tempo. Obrigado... desconhecida.

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Capitulo 31 (parte I)

Olá meninas!
Deixo-vos aqui mais um capitulo, espero que gostem e me deixem os vossos comentários! São muito importantes!

Besos
Mónica

Visão Mónica

Acordar foi difícil, ainda mais porque para além dos lençóis a cobrir-me, o abraço do Rodrigo aquecia-me mais ainda, o que não dava vontade nenhuma de sair da cama, mas assim que o despertador do meu telemóvel tocou obriguei-me a mim mesma a levantar. Virei-me de frente para o Rodrigo e chamei-o quase sussurrando, num tom ainda sonolento, porém carinhoso também.

-Tem mesmo que ser, amor? - falou-me num mesmo tom, com os olhos semicerrados, mais fechados que outra coisa.
-Se quiseres ir comigo sim, amor. Mas se preferires ficar a dormir eu vou e depois venho ter aqui contigo.
-Não, eu quero ir com você!
-Então tem mesmo de ser amor. - Ele respirou fundo.
-Tá! - declarou, esfregando os olhos, deixando-me finalmente ver o seu brilho, que nem com sono se extinguia. Chegou-se mais junto de mim e deu-me um beijo. - Bom dia, meu bem! - e ofereceu-me um pequeno mas lindo sorriso. Depois de tomar-mos banho para acordar, vestimo-nos e descemos para comer qualquer coisa e à saída fizemos o chek-out. Apanhamos logo um táxi e eu indiquei a morada. - Tá preparada pra fazer isso? - perguntou-me ele, assim que paramos à porta de casa.
-Mesmo que não esteja é o que vou fazer. Eu tenho e eu quero fazer isto.
-Sabe que eu tou do seu lado.
-Eu sei - sorri-lhe, antes de colocar a chave na porta. Entrámos e assim que voltei a virar costas para as escadas, após ter fechado a porta, dei de caras com o Bruno a vir da cozinha.
-Bom dia menina desaparecida! - sorriu-me.
-Bom dia - respondi-lhe, sorrindo-lhe de igual forma.
-E o que é que o namorado faz aqui? Não devias estar em Portugal? As competições estão a decorrer.
-É, mas eu precisei vir aqui ter com ela.
-Hmm, acho que já percebi porque é que falhaste aqueles jogos.
-É, mas agora tá tudo resolvido - sorriu.
-Ainda bem! Agora voltas para lá e ninguém te para! - riu o Bruno.
-Desculpem estar a interromper, mas é que, eu preciso de falar contigo, Bruno - interrompi.
-Claro, vamos sentar-nos aqui na sala. - Fomos para a sala e após nos sentarmos respirei fundo antes de começar.
-Eu vou voltar para Portugal.
-Vais? - perguntou de imediato, enunciando a surpresa.
-Sim. Mas eu não me ia embora antes de te agradecer. Obrigada por me teres aceite, por me teres tratado como da família, obrigada mesmo Bruno.
-Não tens de agradecer, foi um prazer ter-te aqui, e a cuidar da minha prima quando eu não estava cá! Tu não eras mas tornaste-te da família! Eu só não percebo porque é que te vais embora assim, quer dizer, até percebo, com o namorado lá agora, mas isto era o teu sonho, estudar, viver cá.
-Era, era mesmo, e acredita que quando vocês me aceitaram cá contribuíram para sentir parte desse sonho realizado, mas, as coisas mudaram. Eu sinto que já não pertenço aqui, acho que o meu lugar agora é lá, com o Rodrigo, o meu sonho agora é esse.
-Se é esse o teu sonho agora, se é o que queres fazer, então força! Sabes que a porta está sempre aberta para ti se quiseres voltar, ou vir passar férias!
-Eu sei, obrigada Bruno - sorri. - Bem, eu vou lá acima arrumar as minhas coisas - decidi rapidamente, tentando neutralizar a nostalgia que se começava a criar.
-Já contaste à Andreia? - perguntou-me o Bruno. Ele não estava ciente do que se passava realmente, só notava que não nos falavamos muito, mas para ele calculo que não tenha sido o suficiente para desconfiar que algo estaria diferente.
-Não. Eu tenho de conversar com ela.
-Está bem. Bem, eu vou só arrumar umas coisas no quarto e vou trabalhar, por isso dá-me cá um abraço de despedida! - abriu os braços e despedimo-nos com este abraço e um sorriso.
-Manda um beijinho à Justine e pede-lhe desculpa por não me despedir dela - pedi-lhe por último.
-Não te preocupes que eu entrego o recado! - sorriu e subi as escadas.
-Bem, e parece que chegou a hora! - afirmei, virando-me para subir as escadas também.
-Eu fico te esperando aqui, amor.
-Está bem.
-Alguma coisa grita! - sorriu.
-Sim. - Ele puxou-me de encontro a si e deu-me um beijo.
-Boa sorte! - desejou, soltando-me por fim e vendo-me subir as escadas.
Bati à porta e ninguém respondeu, por isso entrei. Ela ainda estava a dormir. Decidi começar então a arrumar as minhas coisas e acordá-la no fim para conversar. Não era pouca coisa, mas conseguiria levar tudo com a ajuda do Rodrigo. Estava a acabar de arrumar os últimos livros quando a ouvi mexer-se.
-Desculpa, não te queria acordar agora - disse-lhe, terminando de fechar a última mala.
-E ias acordar-me depois porquê? - respondeu, mal-humorada.
-Porque precisamos de falar.
-Eu não acho.
-Mas eu não estou a perguntar se achas que precisamos, eu estou a dizer que precisamos.
-E se não me apetecer?
-Ai Andreia, porra, para com isso. Eu vou-me embora, de vez, e antes disso quero ter uma conversa a sério contigo.
-E eu volto a repetir: e se eu não quiser?
-Acordaste parva, hoje!
-Foste tu que me acordaste.
-Ai, vamos deixar-nos destas trocas de palavras parvas e falar a sério!
-Mas eu não quero falar contigo! Achas que me deste motivos para querer?
-E tu, achas que me apetece ter esta conversa contigo? Não. Mas eu vou-me embora e preciso dizer-te tudo.
-Mas que tudo? Eu não tenho nada para te dizer e tu de certeza que não tens também!
-Porra, acordaste mesmo mal, eu estou a dizer que tenho coisas para te dizer, e posso começar já com esta tua atitude, que mais parece de uma criança do que da rapariga que foi a minha melhor amiga durante três anos!
-Dizes bem, fui, isso acabou! - reclamou, sentando-se na cama.
-Eu estou magoada contigo, a sério, mas eu não chego ao ponto de chamar isso a uma amizade que significou tanto para mim! Como é que tu consegues descartar uma coisas dessas assim? Fingiste esse tempo todo, ou ficaste sem sentimentos desde a última discussão?
-Se calhar sim!
-Se calhar sim o quê? Eu nunca signifiquei para ti o que tu significaste para mim ou passaste a ser uma pessoa cruel e sem sentimentos? - perguntei, magoada, lutando para que a voz não se me esganiçasse e as lágrimas não me interrompessem. Eu tinha de dizer tudo, por mais que me custasse dizer e ouvir!
-Não sei, o que é que tu achas?
-Eu não acho nada Andreia, eu quero é respostas tuas, não suposições minhas, para isso nem vinha falar contigo!
-Então acho que estás a perder tempo!
-Eu acho que mereço pelo menos que me respondas como deve ser, acho que mereço que me esclareças!
-Queres que eu te responda o quê?! Quando tu me disseste que eu era a tua melhor amiga, naquele dia, quando estávamos a ir para a estação, eu disse-te que eras a minha porque era contigo que estava sempre, porque os nossos colegas, apesar de falarem comigo, connosco, não gostavam muito de mim, e não sei se de ti também depois de passarmos a andar quase só as duas! Foi uma necessidade para não passar a ser aquela que ninguém ligava! Se tu deixasses de andar comigo eu ia ficar sozinha!
-E precisaste fingir? - perguntei, sentindo um toque amargo.
-Precisei! Eu sempre fiquei sozinha na turma, não queria continuar assim.
-É tão bom ser um meio utilizado sem se medir actos ou consequências... - ironizei amargamente, fitando o chão.

Ela não disse mais nada, por isso retomei a palavra segundos depois, restaurando alguma calma em mim mesma. - Então e estes anos que passamos juntas, como é que fizeste para aguentar tanto tempo a fingir uma coisa que não era verdade?
-Hábito. Fui criando hábitos e depois acostumei-me.
-Eu acho que não estou mesmo a ouvir isto...
-Estás. Não querias conversar? Não querias respostas? Aqui as tens, não tenho culpa que não gostes de ouvir.
-Mas não é possível! Como é que depois de tudo o que vivemos, de tudo o que passamos tu consegues dizer isso?! Teve de haver alguma ligação, algum sentimento pelo menos perto do que eu pensei que existia!
-Mas não houve.
-Eu não acredito Andreia! Eu não acredito que tu tenhas fingido tudo! Por melhor que fosse a tua representação tu não conseguias fingir tanto! Nós passamos tanto, apoiamo-nos tanto! Como é que conseguiste chorar tanto com coisas tão importantes, a tua família, a morte da tua avó, todas as coisas que confidenciámos uma à outra, todos os planos, os sonhos... quando dissemos que era-mos quase como irmãs, que nunca queríamos ficar longe uma da outra... Eu não acredito que conseguisses fingir tanto! - As lágrimas forçavam a sua saída, permanecendo no limite dos meus olhos. A Andreia calou-se alguns segundos, cerrando os lábios numa linha rígida, fitando ferozmente o chão do quarto.
-Está bem, eu não fingi! - gritou, fazendo-me tremer de susto. - Só quando disse que eras a minha melhor amiga quando tu me disseste que era a tua! Eu disse-te isso porque me pareceu mal tu dizer-me isso e eu não retribuir! Mas depois tornaste-te numa verdadeira amiga, depois, ao longo destes três anos é que te tornaste na minha melhor amiga! Mas agora está tudo completamente diferente! De um momento para o outro eu apercebi-me que não te conheço e tu não me conheces, apesar de termos partilhado tanto! Ambas mudámos, deixamos de ser quem eramos e já não nos conhecemos!
-Tu deves ter mudado, mas eu dou-te a certeza que não mudei, nem contigo nem com ninguém! Aliás, mudei agora com o Zach, porque ele levou a que eu fosse obrigada a fazê-lo! Ele mentiu-me, enganou-me e teve a lata de culpar o Rodrigo pelas acções dele! Com ele eu mudei, porque ele fez o que fez, só por isso. Mas contigo, eu nunca mudei. Bem ou mal eu estive sempre do teu lado, estive sempre ali para te apoiar, tentar fazer-te ver as coisas da maneira certa, tentei ajudar-te a acreditar mais, ajudei-te a ficar com o Rúben, porque eu sabia que ele te ama de verdade, e não estou de maneira nenhuma a atirar-te isso à cara, mas porra, eu fiz tanto por ti! Eu devotei-me a ti, a nossa amizade era uma das coisas mais importantes na minha vida! Quantas vezes é que eu me virava para ti de repente e te dizia que te adorava, quantas vezes eu me virei para ti e te dizia que tinha orgulho em ti? E tu achas isso tudo nada, só porque acreditaste numa coisa em que seria suposto teres ouvido a minha versão e ponderado pelo menos na dúvida da minha culpa?Não era o mínimo normal entre melhores amigas? Eu nunca te critiquei ou julguei sem te ouvir, nunca te disse se estavas errada ou certa, sempre te ouvi primeiro e só disse se estava de acordo ou não, mas nunca, nunca deixei de te ouvir primeiro, e mesmo discordando eu permanecia de braços abertos para te consolar!
-O Rúben viu, ele não ia mentir!
-Ele não mentiu sobre o que viu, mas também não deu hipótese para me explicar! Agiu de acordo com que viu e o que pensava! Mas eu pensei que tu me conhecias, achei que três anos e tudo o que já passamos fosse suficiente para saberes que eu não era capaz de nada assim, pensei que soubesses que eu adorava o Zach, e sim, no principio tive dúvidas, mas eu adorava o Zach como um irmão, porque amar eu amo o Rodrigo, ele sim conquistou o meu coração com o tipo de amor que o Zach queria que fosse ele!
-Ou então escolheste porque o Rodrigo te levou logo para a cama e o Zach decidiu dizer-te simplesmente que gostava de ti! - Neste momento pensei que estava realmente a ouvir mal, mas a verdade é que não. Ela tinha mesmo dito aquilo. Meu Deus, como é que isto chegou a estes termos, como é que nós, a nossa amizade chegou aqui? A desilusão só se alastrava e agora a mágoa corroía-me também. Aquela não era, definitivamente, a mesma pessoa.
-Primeiro, magoaste-me com essa. Estás a magoar-me com tudo o que estás a dizer. Acho que se calhar eu é que fui parva o suficiente para pensar que tu pensavas como eu, sentias como eu, que aquilo que eu imaginei que tivessemos criado fosse de longe o mesmo que tu pensavas. Acho que nunca me conheceste mesmo, e pior ainda, eu nunca te conheci a sério. Eu só não devo ter visto, ou ignorei se vi, porque já me tinha entregue demais a uma amizade que nem disso posso chamar agora. - As lágrimas rolavam pela minha cara abundantemente. Já não sabia se sentia ou se estava ocamente preenchida pela sombra da desilusão e da mágoa. - Eu não vou esquecer todos os momentos bons que passamos, todas as alegrias, as brincadeiras, mas podes ter a certeza que este momento, esta suposta conversa vai ficar muito mais viva na minha memória do que tudo isso, porque acabaste de destruir uma coisa que era preciosa para mim. - Agarrei em duas malas e coloquei-as fora do quarto, pegando nas outras duas logo em seguida. - Ah, e para que conste, ir para a cama com o Rodrigo foi muito bom, mas o melhor dele é o coração, porque é de lá que vem todo o amor que preciso, e dele eu sei que é verdadeiro até ao fim, ele não se vai perder. E já agora, não me voltes a agradecer ter-te ajudado a ficar com um homem devoto como o Rúben, quer dizer, já não espero que voltes a fazê-lo, de ti já não espero nada, mas é que, com a atitude que tens agora, por mais que ele te ame, acho que ele não vai conseguir suportar isso por muito tempo, por isso, se o amas a sério, muda. Por ele. - Dito isto virei costas e sai do quarto, fechando a porta atrás de mim. A última imagem dela era de uma cara que conhecia, de uma pessoa que havia perdido há mais tempo do que alguma vez soubera. Não ia ser fácil ultrapassar, mas se ela se perdeu, não tinha mais a que me prender, por que lutar, em que acreditar, por isso ia deixar ir, com o tempo, e desejando matar a dor com amor dos que realmente me amam.

Visão Rodrigo

Tava um pouco nervoso de deixar ela ir falar sozinha com a Andreia. Ela tava muito magoada, e como a Andreia andava respondendo e mandando bocas a conversa podia não correr tão bem como o razoável que se pode esperar. Fiquei esperando, impaciente e nervoso, na sala, mudando canais na televisão. Assim que ouvi uma porta fechar no andar de cima larguei o comando e me coloquei de pé, vendo a minha namorada descer as escadas em seguida, carregando duas malas. Assim que olhei o rosto dela notei que teve chorando. Me acerquei dela no instante seguinte.
-Amor, podes ir buscar as outras malas que estão à porta do quarto, por favor? - me pediu, com uma voz fraca e meio rouca. A expressão dela demonstrava que falar que ela tava triste era pouco.
-Claro, eu vou pegar amor - concordei imediatamente, subindo as escadas e descendo logo de seguida com as duas malas restantes.
-Podemos ir lá para fora chamar um táxi? - perguntou, ao que eu acedi na hora. Antes de sair, ela deixou as chaves dela na mesa da entrada de casa. Lá fora pousamos as malas e depois de eu chamar um táxi pra gente, ficamos esperando, em frente da porta da casa.
-Amor, fala alguma coisa? - pedi, bem calminho, mostrando, não que fosse preciso, que eu tava ali pra ela.
-Queres que diga o quê? - perguntou, falando baixo.
-Qualquer coisa amor, tudo menos ficar com tudo o que tá sentindo ai dentro! Eu tou aqui com você, vou tar sempre meu amor. - Segundos depois a expressão dela desabou em lágrimas ressoantes. Meu coração apertou muito. Envolvi ela nos meus braços, bem forte e beijei seu cabelo enquanto ela falava.

-Foi horrível, Rodrigo! Eu queria tanto que isto fosse um pesadelo! Aquela não é a pessoa que eu sempre tive em conta ser! A maneira como ela falou, o que ela me disse... foi horrível... - e ai sucumbiu ao choro e se enterrou mais no meu peito, e eu apertei mais ela. Ela tava desfalecendo por dentro e eu tava indo junto. Me matava ver ela assim. Ela permaneceu chorando, mas pouco depois parou, sem no entanto se afastar de mim ou afrouxar seu abraço. Alguns minutos passaram e o nosso táxi chegou, e depois de ajudar o taxista colocando as malas na bagageira indiquei o aeroporto como destino.
Durante toda a viagem ela nunca me soltou assim como eu também não larguei ela. Ela precisava disso, e eu só queria aliviar o estado em que ela tava. No avião acabou mesmo adormecendo. Durante a viagem liguei prá minha irmã avisando que tava regressando, mas não falei que a minha pequinina tava indo comigo, decidi fazer surpresa. Assim que a gente aterrou acordei a minha menina e depois de recolher a bagagem tomamos de novo um táxi até minha casa.
-Amor eu falei prá minha irmã que tava voltando, mas eu não falei que você veio junto, quis fazer surpresa.
-Fizeste bem amor - me deu um sorriso bem pequinino e eu plantei um beijo suave nos seus lábios, antes mesmo de o taxista parar em frente de minha casa. Depois de retirar as malas da bagageira e pagar entrámos no pátio. Percorremos o caminho de acesso a casa e chegamos na porta. Após abrir a mesma chamei pela minha irmã.
-Rodrigoooooo! - me respondeu, descendo as escadas a correr, e mal viu a Mónica o seu sorriso se estendeu ainda mais. - Ahhhhhh, Mónicaa! - e assim que chegou junto da gente se abraçou à minha namorada.

 E foi lindo de ver. Era bom ver que nessa altura a minha namorada podia contar com o apoio da garota mais importante na minha vida desde que nasceu! E parecia que sem saber dessa última discussão a minha irmã sabia de algum jeito que  ela tava precisando de um abraço bem forte e foi isso que ela ficaram fazendo, em silêncio, durante cerca de um minuto. Eu permaneci olhando elas, e depois que desfizeram o abraço a minha namorada sorriu de leve à minha irmã, mas notei que as lágrimas tavam se formando de novo nos seus olhos, porém ela lutou contra elas e não derramaram. - Que surpresa!
-Era suposto ser surpresa mesmo, maninha.
-Mas, o que é que você tá fazendo aqui? Você não tem aulas? - mas de repente ela tomou sentido às malas que tavam na porta. - Você voltou pra cá? - perguntou, com grande entusiasmo.
-Voltou, e vai ficar aqui com a gente por um tempinho! - respondi.
-Sério? - A minha namorada acenou que sim, com um pequeno sorriso. - Ai que bom! Você vai adorar!
A minha irmã não largou a minha namorada e as duas foram prá sala, a minha irmã sempre conversando com ela. Distrair ela. Apesar de o entusiasmo ser mesmo de verdade, ela tava mesmo entusiasmada com o facto de a Mónica ter voltado, melhor ainda ficar em nossa casa por um tempo. Peguei as malas e levei elas pró meu quarto, assumindo que ela ia ficar lá comigo, descendo em seguida pra me juntar, apesar de ficar apenas assistindo elas, na sala. Passamos todo o dia em casa, sempre arranjando maneira de não deixar a Mónica pensar nas coisas más, e de noite ela adormeceu no meu abraço, se sentindo ligeiramente melhor.
Despertei eram 8.45h da manhã, com o despertador do meu telefone, que também acordou a Mónica.
-Desculpa meu amor, pode voltar a dormir, eu vou me arrumar pra ir no treino - falei pra ela, enquanto saia da cama.
-Eu vou contigo.
-Não precisa meu bem, fica dormindo mais um pouquinho.
-Eu quero ir, amor, quero estar ao teu lado no teu regresso.
-Tem certeza? Olha que lá fora não tá tão quentinho quanto ai dentro - sorri.
-Claro que sim, amor! - se levantou, bem devagar e depois veio ter comigo, abraçando o meu tronco e me reclamando um beijo.
-Tá, então eu vou tomar um banho, vem comigo? - ela concordou e depois de já estarmos vestidos descemos pra tomar o café da manhã e sair pró meu carro, destinando o Caixa, onde ia decorrer o treino às 10.00h.
Chegámos no Caixa perto da hora do treino, então depois de estacionar levei ela até às bancadas, onde só estavam algumas das namoradas e mulheres dos jogadores, pois esse treino não era aberto ao público. Depois de dizer ''Oi'' pra elas e falar que a Mónica ia ficar com elas, dei um beijo na minha namorada e fui me equipar. A caminho dos balneários encontrei o Rúben.
-Então mano, voltaste! - sorriu pra mim.
-Voltei! - sorri de volta.
-A Mariana disse-me que tu e a Mónica se entenderam... - comentou, olhando sessa vez em frente em vez de olhar pra mim. Mas eu entendia.
-Sim, a gente se resolveu sim, e eu sei as coisas que você falou pra ela - ele me olhou, meio surpreendido e sem saber o que falar. - Ela voltou comigo pra Portugal, e eu gostava que vocês conversassem. Você entendeu as coisas errado, Rúben.
-Tens a certeza?
-Os olhos dela não mentem pra mim. Pra além de que a gente foi ter com aquele tarado do inglês e ele acabou confessando, de um jeito grosso, o que ele fez.
-Ai se fosse comigo espetava-lhe um murro naquela cara!
-Foi o que eu fiz1
-Fizeste? Eh lá, muito bem puto1 - riu.
-Eu me controlei, mas ele ofendeu ela e ai eu tive de reagir dessa forma!
-E fizeste muito bem puto!
-É, mas então, você tá disposto a falar com ela, ou vai ser orgulhoso e babaca como sua namorada tá sendo? E desculpa se eu tou te ofendendo, mas você não viu nem ouviu o que eu e a Mónica escutamos e vimos, principalmente ela.
-Não percebi, mas esquece, vamos treinar e depois contam-me tudo!
-Então você vai falar com ela?
-Claro que sim! Fui homem para deitar abaixo, sou homem para pedir desculpas! E agora vamos que eu quero mostrar-te que perdeste qualidade nestes dias! - zoou, rindo.
-Convencido você, hein? Olha que eu tenho motivação extra, vê se não se desilude muito!
-Veremos, então! - Saímos dos balneários correndo até o campo e quando pisámos o relvado procurei por ela e sorri mandando um beijo, e depois de ela me responder notei sua expressão mudando, algo confusa, no entanto sorrindo timidamente, e quando reparei, o Rúben tava atrás de mim, sorrindo pra ela, aquele sorriso que ele sempre dava pra ela. Significava que ele só tava esperando que ela perdoasse ele.
O treino correu muito bem! Dei toda a minha energia, me diverti, e sorri, muito! Passei o treino olhando pra ela e sorrindo. O Mister falou comigo brevemente no final do treino, me dando os parabéns.
-Se continuares assim em todos os treinos no próximo jogo podes ter a certeza que a titularidade não te tiram!
-Se eu puder trazer a minha namorada em todos os treinos, pode ter certeza que não vou baixar meu rendimento Mister!
-Sabes que as meninas podem vir sempre! E fico feliz que se tenham entendido!
-Obrigado Mister! E obrigado por ter me apoiado e ter me dado esses dias!
-Estou cá para isso rapaz, e olha que não me arrependo, porque assim com essa energia toda só vais render, e bem!
-Espero que sim Mister!
Depois do papo segui prós balneários e o Rúben tava terminando de se arrumar.
-Despacha-te puto, a tua menina está à espera!
-Eu sei, só fiquei conversando com o Mister, mas vou me despachar num instante! - Dez minutos depois já tava pronto. - Vamo!
-Bem, acho que nunca te despachaste tão rápido! - riu ele, meio zoando comigo, mas era verdade, eu só queria correr pra junto dela, porque já tava com saudade, mas nesse caso, sobretudo porque queria que eles se resolvessem logo! Ela tava esperando nas bancadas, bem junto do acesso aos corredores.
-Oi! - sorri, pegando logo um beijo dela. - Gostou do treino?
-Claro que sim!
-Viu só o que eu fiz hoje? Com você aqui todos os dias, vou fazer sempre igual!
-Acho muito bem, afinal porque é que eu vim contigo? - sorriu. Eu ri, e o Rúben tava olhando a gente e sorrindo. E esperando.
-Bom, amor, eu falei pró Rúben que ele tava errado e que o babaca do inglês confessou tudo, e ele quer conversar com você. - Ela olhou o Rúben, que agora tava com uma postura séria, esperando uma resposta dela.
-Está bem - concordou ela.
-Então vamo pra casa e o Rúben vem com a gente e ai vocês falam.
-Não é preciso, podemos falar mesmo aqui - falou o Rúben, pousando o seu saco numa das cadeiras das bancadas. A gente se sentou nas bancadas e o Rúben começou logo falando. - Então, o Rodrigo dissee que vocês me iam contar melhor as coisas, mas agora, antes de tudo eu quero pedir-te desculpa! Eu agi impulsivamente, sei lá, depois de te ver agarrada àquele gajo, a maneira como falavam, sorriam, apanhar-vos aos beijos fez-me perceber tudo como eu achava que era, e tu sabes que o Rodrigo é como um irmâo para mim, e só de pensar que estavas a trai-lo, a trair a confiança dele, a brincar com os sentimentos dele, mesmo sabendo o que ele já passou, eu senti-me na obrigação de lhe dizer. Desculpa por ter sido irracional, desculpa por não ter parado para pensar e perceber que por mais evidente que parecesse tu não eras capaz de fazê-lo. Eu sei que é difícil, eu fui o pior amigo de sempre, mas perdoa-me, por favor. Tu sabes que
eu não te dizia nada do que disse se tivesse sido esperto suficiente para me dar conta que o errado estava a ser eu!
-Espertos são os cães, oh! - riu ela - É óbvio que te perdoo, seu parvo!
-Não vais fichar magoada nem nada?
-Não vou dizer que não me magoaste, porque magoaste muito, senti-me horrível com isso e com o facto de vos ter desiludido, e eu acho que se a Mariana não tivesse ficado do meu lado tería sido ainda pior, mas o facto de reconheceres que afinal não estavas certo e vires pedir desculpa faz-me pôr para trás o quão mal me senti com as tuas palavras naquele dia. Tu dizes que o Rodrigo é como um irmão para ti, mas tu também és como um para mim! Por isso é claro que te perdoo, Rúben!
-Oh pequenina, ainda bem, obrigado!  - agradeceu ele, realmente aliviado, abraçando ela. Ficaram abraçados durante um tempo e eu decidi brincar com o Rúben e fazer a gente rir.
-Oh Rúben, já chega vai, tá bom, já pode soltar a minha namorada! - Ele olhou para mim, assim como a Mónica, desfazendo o abraço, mas permanecendo com o braço sobre ela.
-Estás com ciúminhos, é?  - sorriu, entrando também na brincadeira.
-Tou - tentei não rir, mas foi impossível não sorrir um pouco.
-Então rói-te lá mais um bocadinho de ciúmes porque eu vou pegar-lhe ao colo e correr por ai com ela!
-O quê... ? - perguntou ela, mas o Rúben não deu tempo e pegou mesmo ela por cima do seu ombro e começou correndo! Eu decidi alinhar novamente na brincadeira, afinal, não deviam haver muitas pessoas já  no Caixa. Mas enquanto a gente corria por um corredor, sempre com a minha namorada se debatendo e reclamando com o Rúben, o Mister passou pela gente.
-Desculpe Mister!  - se desculpou o Rúben, rindo enquanto passava correndo.
-O que é isto?  - perguntou o Mister, mas não parecia zangado.
-Desculpe Mister!  - foi a minha vez de me desculpar, enquanto passava pelo Mister correndo.
-Ao menos tenham pena da rapariga,,, ai ao ombro do Rúben que nem um saco de batatas! - riu o Mister, se virando e assistindo a gente.
-Rúben pára! Já chega, por favor! - pediu a minha namorada, rindo.
-Está bem, pronto, já chega! - concordou o Rúben, colocando ela no chão.
-Obrigada! - riu a Mónica. - Não sei como é que não te cansaste rápido, eu não sou propriamente leve!
-Mas tu estás a ver-me com cara de fraquinho? - falou ele, tentando manter um ar sério, mas depois todos começamos rindo.
-Bom, vamo embora gente?
-Posso ir almoçar a tua casa?
-Sempre a mesma coisa, Rúben! - ri. - Você ainda tem de perguntar? Óbvio que pode!
-Boa, então vamos! - Depois de pegarmos as nossas coisas nas bancadas saímos das instalações e seguimos pra minha casa.

Visão Rúben
Assim que o Rodrigo me disse que se tinha entendido com a Mónica e me disse que o suposto melhor amigo dela é que tinha enganado todos eu percebi imediatamente que havia algo que tinha de fazer: pedir desculpas à Mónica. E assim que ela me perdoou senti-me tão aliviado! Eu tinha sido realmente horrível naquilo que lhe tinha dito, mas tinha sido essa a minha intenção na altura, porém, após saber que eu é que tinha percebido as coisas da maneira errada, e sem oferecer qualquer hipótese de explicação, senti-me terrivelmente mal. O Rodrigo era como um irmão para mim, a Mónica estava com ele, e ela também já era como uma irmã para mim. Uma pequenina que eu adorava e que me tinha ajudado tanto com a minha namorada! Sim, eu tenho tendência a querer formar uma família ainda maior do que a que já tenho! Passei o dia em casa do Rodrigo, com eles os dois, a Mariana e o meu irmão, que quando chegámos já lá estava. O dia estava chuvoso, a modos que o convívio no quentinho da sala do Rodrigo, com a lareira acesa e tanta e boa conversa foi o melhor programa. A Mónica e o Rodrigo acabaram por contar-me o que tinha acontecido com o inglês, e mencionaram que a Andreia estava diferente, pelo menos para com a Mónica. Ela tinha fixado a razão no que eu tinha visto, e agora, por mais que dissessem que estava errado e contassem a verdade, ela não parecia disposta a mudar de opinião. Senti-me na obrigação de falar com ela, porque afinal tinha sido eu a plantar essa ideia nela, visto que ela acreditou logo em mim, sem se preocupar em ouvir a versão da Mónica, o que agora pensando com as ideias no sitio, não me parecia normal.