Olá meninas!
Aqui está mais um capitulo, e eu sei que é muito pequenino, mas quis publicar hoje como uma espécie de prenda, porque o RÚBEN FAZ ANOS HOJE! Por isso aqui está ele, espero que gostem e deixem os vossos capítulos! E PARABÉNS AO RÚBEN!!!
Besos
Mónica
Visão Rúben
A minha noite não tinha sido bem passada, e para piorar, até ir ter com a Filipa para a ajudar nas mudanças, fiquei a relembrar e pensar no beijo. Tentei encontrar uma explicação para o sucedido, e após tantas voltas, a única escolha plausível era a carência. E foi exactamente o que disse à Filipa, quando ela, a medo, introduziu a conversa sobre o assunto, no carro, a caminho da sua anterior morada. Foquei-me tanto na convicção da justificação que apresentara que a calma reinava em mim, e pouco pensei mais no assunto, porém, a quando da aparição e subjacente afirmação da tia da Filipa, o embaraço chegou por fim até mim. Mas apesar disso decidi prosseguir com a normalidade que havíamos reavido após o beijo. Só que não pensei que o assunto tornasse a atormentar-me. Acabei por lanchar em casa da Filipa e depois regressar a casa. Decidi ir tomar um banho para me aconchegar em casa, e quando cerca de uma hora depois voltei a prestar atenção ao telemóvel, tinha cinco mensagens. E para meu espanto eram todas da Andreia. Porém não me soavam nada amistosas. Ela tentou iniciar conversa comigo, no entanto sentia uma disposição e um tom não muito agradados. E como não respondi ela tentou mais quatro vezes, uma tornando-se mais pessimista e agressiva que a outra. Naturalmente que senti desagrado, todavia compreendi que já algum tempo não me lembrava dele, e muito menos sentia a sua falta. Até ao beijo com a Filipa, que me levou a procurar uma explicação para o sucedido, levando-me algo instintivamente à Andreia. Mas de minha livre vontade, sem ser para desculpas, explicações ou simplesmente por incorporar a normalidade de uma relação, não tinha pensado nela. E se deveria sentir-me chocado com tal constatação, foi precisamente o oposto a acontecer. Senti-me completamente normal, e acho que até sem remorsos. Ao pensar sobre isso achei-me esquisito, nunca tinha sido assim, mas a verdade era que me sentia verdadeiramente livre de qualquer culpa ou preocupação.
O assunto que mais me remoeu foi o beijo. Foi a Filipa. Não conseguia por nada esquecer aquele beijo. Se dissesse que não tinha gostado estaria a mentir, do mesmo que se dissesse que não me sentia confuso e esquisito, estaria a mentir também. Relembrar a maneira como a Filipa tinha cativado a minha atenção, melhorando o meu dia sendo uma completa estranha, fascinava-me. Um sorriso. Um simples mas genuíno sorriso. Devolveu o meu, que já faltava há algum tempo! Por causa da Andreia. Como é que era possível? E por mais estranho, absurdo e impensável que parecesse, na minha cabeça soava apenas o final de um ciclo e o inicio de outro. Não conseguia justificar tal pensamento, assim como não justificava de modo algum a distinção de um sorriso carinhoso a mencionar a Filipa e um esmorecer triste quando pensava na Andreia. Decidi tentar empurrar para longe a confusão na minha cabeça com um jogo na playstation.
Visão Rodrigo
O seu corpo permanecia aquecendo o meu, com a sua cabeça pousada no meu peito, um braço rodeando meu tronco e uma respiração calma. Mais uma vez acordando no paraíso.
Enquanto um dos meus braços a rodeava, descansei meu olhar sobre ela, sobre a sua silhueta, colada em mim, sobre sua pele, macia, que começava sendo coberta com alguns raios de sol, vindos das frechas da janela. Uma vida inteira não bastaria pra eu me cansar de observar ela. Alguns minutos depois a quietude terminou quando ela começou se movendo de leve e abrindo os olhos mais devagar ainda.
-Oi, meu amor - cumprimentei ela, dando um beijo na cimo da sua cabeça.
-Bom dia amor.
-Mais boa tarde, meu bem, meio-dia e meia.
-Dormi assim tanto?
-A gente não dormiu propriamente cedo, amor.
-É, tens razão.
-Então e dormiu bem?
-Porque é que fazes a pergunta se sabes que contigo durmo sempre bem? - sorriu, se erguendo e colocando em cima do meu peito, virada pra mim.
-Pronto, desculpa. Mas você sabe que escutar isso todos os dias sabe bem, meu amor.
-Tonto - respondeu também com um sorriso, me dando um beijo.
-Banho? - sugeri, assim que me foi possível falar.
-Sim! - Saímos da cama e seguimos pró banheiro pra tomar um duche rápido. Vinte minutos depois a gente já tava se vestindo, ao mesmo tempo que discutíamos o que fazer pró almoço, e de repente a campainha tocou. - Ai, deve ser a entrega! - exclamou ela, me sobressaltando um pouco.
-Que entrega? - perguntei, mas ela não respondeu, correndo pró andar de baixo, ainda descalça. Eu terminei de vestir uma camisola e desci também.
-Obrigada, boa tarde! - se despediu de alguém, fechando a porta. Reparei então que um caixote de cartão, nem grande nem pequeno tava no chão da entrada.
-Que é isso amor? - perguntei, curioso, me referindo ao caixote.
-A tua segunda prenda! - me esclareceu, visivelmente contente e entusiasmada.
-Posha amor, eu falei que não precisava! - tentei protestar.
-Oh, vem abrir, rápido, vais adorar! - a sua felicidade e entusiasmo me desarmaram e fui até junto dela, abrir então o meu segundo presente.
-Um cão amor? - perguntei, algo surpreso. Dentro do caixote forrado com jornal, tava um cachorrinho, que olhava pra nós assustado.
A minha namorada, com calma, pegou nele, que tremia, e o encostou no seu peito, dando pequenas festas no animalzinho.
-Não é lindo amor? - perguntou, sorrindo.
-É amor, é lindo, obrigado! - concordei, chegando junto dela pra tomar um beijo e fiquei passando a mão no pêlo do pequeno cachorrinho, que tava deixando de tremer tanto.
-Ainda bem que gostaste amor! - sorriu. - Agora tens de dar-lhe um nome! - Pensei um pouco e rapidamente surgiu um nome.
-Doni!
-É giro e incomum! - concordou. - Mas de onde é que veio esse nome, amor?
-Era o nome de um cachorro que morava na rua, que eu e o Thiago brincávamos, quando a gente morava lá na Espanha. A gente gostava tanto dele que deu um nome pra ele e brincava muito tempo com ele!
-Que queridos!
-É, mas depois levaram ele pró canil e a gente nunca mais viu ele.
-Mas agora tens aqui o Doni, que vai ser lindo e te vai fazer companhia! - E realmente o Doni parecia já tar de ambientando. Já não tremia e agora dava pequenas lambidelas nas nossas mãos, agitando a pequena cauda.
-É, acho que vais sim, não é amiguinho? - sorri, voltando a dar festas no Doni.
Visão Filipa
Depois do lanche o Rúben foi embora, e eu, depois de arrumar a cozinha, sentei-me no sofá a passar canais para ver se dava alguma coisa interessante, mas sobretudo para ocupar os meus pensamentos. O meu telemóvel tocou, era a Mónica.
-Olá! - atendi.
-Olá! - cumprimentou alegremente. - Então, como é que correram as mudanças?
-Bem, nem foi muito difícil com a ajuda do Rúben.
-Que bom!
-Então e precisas de alguma coisa? - perguntei, visto ela ter-me ligado.
-Não, era só para saber como é que tinha corrido!
-Ah, está bem!
-Bem, então, até amanhã.
-Até amanhã.
-E se precisares de alguma coisa já sabes!
-Sim, e tu a mesma coisa!
-Está bem, beijinhos.
-Beijinhos - despedi-me. Depois decidi focar-me no programa que passava na televisão.
Não quis ligar ao Rúben para me ir buscar ao Estádio depois de sair do trabalho, portanto encaminhei-me para a paragem de táxis mais próxima. Rapidamente chegou um, no qual entrei apressadamente devido ao frio que se fazia sentir já às sete e meia da tarde.
-Para onde, menina? - perguntou-me o taxista. A sua voz fez-me prender a respiração, por momentos. Soava-me tão familiar. Era tão jovial e alegre, com um timbre tão característico de alguém mais ou menos da minha idade. Parecia mesmo que já ouvira esta voz antes. Talvez já tivesse apanhado este taxista alguma outra vez. Mas não me recordava de alguma vez ter apanhado um taxista tão jovem, eram sempre aqueles mais velhos, alguns já de cabelos grisalhos, geralmente com a voz meio rouca, de baixa estatura. E eram quase sempre os mesmos, por isso quando me viam perguntavam se era para o mesmo sitio, já tendo decorado o meu destino. Procurei ignorar a sensação e indiquei a morada. A viagem foi iniciada com prudência pois o tempo não estava muito propicio a grandes velocidades ou manobras. Distrai-me a observar Lisboa através da janela, mas foi impossível não desviar a atenção quando percebi que o taxista tinha trocado o som da rádio por um CD. E a música que começou imediatamente a tocar não me era de todo indiferente. O Gonçalo metia-se comigo a toda a hora porque achava piada eu gostar tanto dos filmes da Disney, e desde que o Frozen tinha saído não parava de ouvir a Let it go, da Demi Lovato, e quase obrigá-lo a prometer ir ver o filme comigo. No momento em que olhei em frente devido ao impulso da recordação que a música me trouxe, percebi que de facto conhecia aquela pessoa. Conhecia aqueles olhos. Estávamos parados num sinal vermelho, a cerca de uns dois minutos de minha casa.
-Gonçalo? - questionei, com a voz a falhar-me.
Visão Rodrigo
O treino de hoje era às 17.00h, e desde a hora que a gente tinha levantado, parando apenas pra almoçar, o nosso novo amigo foi o centro das atenções.
-Amor, eu vou me preparar pra ir no treino - falei prá minha namorada, que tava encostada em mim, no sofá, e o pequenino no colo dela, dormindo.
-Está bem amor. Hoje não te vou ver, vou ficar aqui com o Doni - sorriu, se desencostando de mim e se ajeitando, tendo cuidado para não desperta o Doni.
-No quentinho, né?
-Não fiques triste, quando voltares eu aqueço-te!
-Tá prometido, hein!
-Mesmo que não quisesse cumprir não conseguia, não consigo ficar longe de ti durante muito tempo
-É, eu sei que não! - sorri.
-Olha, eu chamava-te convencido, mas pronto, fui eu que acabei de admitir! - Eu ri e beijei ela, pra subir no quarto e ir buscar o saco de treinos em seguida.
-Eu vou embora então, amor.
-Está bem amor, bom treino!
-Obrigado, meu bem - agradeci, sorrindo e dando um beijo de despedida nela e fazendo uma festa ao de leve no Doni, que nem se mexeu.
Cheguei no Caixa e depois de uns minutos de espera na conversa todo mundo seguiu prós balneários pra se equipar. Achei estranho o Rúben ainda não tar lá, mas calculei que tivesse um pouco atrasado por ter ido ajudar a Filipa com as mudanças, no entanto os minutos passaram e nem sinal dele.
-Oh Rodrigo! - me chamou o Mister, no final do treino, quando já tava saindo de campo.
-Diga Mister! - parei, me virando pró Mister.
-Então o Rúben, não veio?
-É Mister, ele vir não veio, mas não sei porquê.
-E sabes se algum deles sabe?
-Não Mister, mas acho que ninguém deve saber!
-Está bem, pronto. Até segunda, então.
Me despedi também e segui finalmente prós balneários, começando agora a ficar realmente preocupado com o Rúben. Antes de entrar no carro pra ir pra casa liguei pra ele, mas o telefone tava desligado, o que me alarmou mais ainda.
-Oi, oi meninos! - sorri, chegando na cozinha, onde a minha namorada tava de volta do fogão e o pequeno Doni tava sentado ao seu lado, olhando pra ela enquanto abanava a pequena cauda.
-Olá amor! - sorriu de volta a minha namorada e logo de seguida me acerquei dela pra conseguir um beijo. O Doni me olhava do mesmo jeito que olhava a Mónica e eu dei pequenas festas nele.
-Como que ele tá se portando? - perguntei prá minha namorada, abraçando ela por trás.
-Bem, não me largar!
-Ele gostou logo de você! - Ela apenas sorriu. - Tá fazendo o quê pró jantar?
-Jardineira.
-Deixa eu espreitar! - pedi, e ela destapou o tacho. - Tá com um cheiro gostoso! - elogiei.
-Oi gente| - ouvimos de repente a minha irmã na cozinha.
-Olá! - sorriu a minha namorada, apagando o lume e colocando de novo a tampa no tacho, indo dar um abraço na minha irmã em seguida.
-O chato do seu namorado não veio também? - perguntei, brincando, enquanto agora eu abraçava também a minha irmã.
-O chato do namorado está aqui e ouviu! - riu o Mauro, surgindo então na cozinha. A gente cumprimentou ele também.
-Ai meu Deus, que coisa fofa é essa? - falou a minha irmã, se agachando junto dos pés da Mónica, onde o Doni tava meio encolhido. A minha namorada se baixou e pegou nele, dando pequenas festas que ajudaram a acalmar o pequenino.
-É meu, quer dizer, nosso! Foi a minha namorada linda que me deu! - esclareci, me encostando à minha namorada e dando uma festa no Doni.
-Ai que lindo! - se maravilhou a minha irmã, passando finalmente uma mão no pêlo do cachorrinho. - E ele já tem nome?
-Doni! - respondeu a Mónica.
-Doni? - inquiriu a Mariana. - Foi você que escolheu o nome, Rodrigo?
-Fui.
-Lembra do Doni? - sorriu a minha irmã, lembrando o cachorro que eu tinha falado prá Mónica.
-Lembro, por isso eu pus esse nome!
-Ai que lindo, vou adorar você, sabia amiguinho? - sorriu, fazendo novamente festas no Doni.
-Bem meninos, vamos pôr a mesa para irmos jantar? - falou a Mónica, colocando então o Doni no chão, com uma última festa. Concordámos, e depois de posta a mesa, fomos jantar, com o Doni sempre de volta da gente.
Eu e o Mauro lavamos a loiça no final, enquanto que as meninas ficaram na sala, brincando com o Doni. Quando terminámos a loiça voltámos pra junto delas, mas eu me detive na porta da cozinha, observando a minha namorada e a minha irmã brincando com o nosso novo amiguinho. Elas gargalhavam em alto e bom som, divertidas. E eu me deliciei, vendo como momentos tão simples como esse me enchiam a alma de felicidade! E era essa mesma felicidade que eu queria sentir por muitos anos, essa felicidade que enchia meu coração com desejos de um futuro igualmente perfeito, com a mulher que tanto me fazia sorrir. E foi sorrindo que me juntei a eles e fiquei observando e absorvendo a felicidade de mais perto.
segunda-feira, 27 de janeiro de 2014
quarta-feira, 22 de janeiro de 2014
Capitulo 32 (parte II)
Boa noite meninas!
Bem, já há algum tempo que não vos deixava novo capitulo, mas aqui está ele! E é o primeiro deste ano! Espero que gostem e espero os vossos comentário!
Besos guapas!
Mónica
Visão Rodrigo
Depois de levar a minha menina na Faculdade segui até casa e fiquei pela sala até ter que sair de novo de casa pra ir pro treino, no Caixa, às 10.00h.
Faziam hoje dois meses que a gente namorava, e pensei ir almoçar com ela, mas lembrei que ela ia almoçar com a minha irmã na Faculdade pra seguir directo pro Estádio, então desisti da ideia, no entanto não esqueci a data e decidi preparar alguma coisa especial pra noite. No meu computador uma lista de músicas que tinham significado pra gente, e depois juntei ao rasto não visível dos meus passos um caminho de pétalas de rosas. Quando terminei todo esse tipo de surpresas, saí até ao supermercado mais próximo pra comprar as coisas que tavam faltando pra fazer o nosso jantar, e assim que cheguei em casa me enfiei na cozinha preparando o mesmo. Tinha terminado tudo faziam uns dez minutos quando ela me ligou falando que podia ir buscar ela no Estádio.
-Oi meu amor! - cumprimentei ela, sorrindo, quando entrou no carro.
-Olá amor - sorriu de volta, me dando um beijo.
-Como correu seu dia?
-Normal. Movimentado o suficiente para trabalharmos bem.
-E tá muito cansada?
-Nem por isso.
-Bom - sorri meio escondido, algo que nem assim passou despercebido pra ela.
-Bom? - perguntou, sorrindo. - O que é que já estás ai a pensar?
-Eu nada!
-Pois. Agora a verdade.
-Agora não tou pensando em nada. Melhor, até tou, tou pensando como vai ser o que eu pensei antes!
-O quê? - perguntou com um sorriso confuso. - Não percebi nada!
-Nem precisa. Vai entender daqui a pouco. - Ela acabou concordando meio confusa ainda e eu me mantive no silêncio, sorrindo.
Visão Mónica
No caminho para casa não percebi bem a conversa do Rodrigo, mas assim que chegámos a casa comecei a entender.
-Cheira bem - denotei, pousando o meu casaco e o resto das coisas no sofá da sala.
-É o nosso jantar.
-Que bom. - Ele deixou o casaco também no sofá e foi até ao forno, retirando uma travessa do mesmo, que ainda fumegava. Sentei-me e ele sentou-se em seguida, e o jantar decorreu normalmente.
-Gostou? - perguntou quando terminámos.
-Gostei.
-Ainda não terminou.
-O jantar?
-As surpresas.
-Então vamos ao resto! - E quando ele me encaminhou, escadas acima avistei um caminho de pétalas de rosa que me estimulou imediatamente uma imagem de uma noite ainda melhor que as habituais. Assim que abriu a porta do quarto, o cenário era identicamente romântico, o que me fez aumentar o sorriso e a vontade de me abraçar a ele. - Que lindo, amor! - abracei-me então a ele.
-Ainda bem que gostou, amor! Não é nada de especial, mas é um pouco diferente do normal pra assinalar um dia especial!
-Está lindo, amor, eu adorei!
-Bom e agora eu tava pensando em um banho pra você relaxar do seu dia, e eu ajudo, claro - sorriu. - E depois pra terminar, uma massagem, que que cê acha?
-Acho perfeito, só te enganaste numa coisa.
-No quê? - perguntou, abraçando-me ligeiramente com força.
-Não vamos acabar a noite com a massagem, porque eu também tenho um presente para ti.
-Que óptimo, então vamo começar já!
-Vamos!
Seguimos para a casa de banho, onde ele preparou a banheira, que se encheu de espuma a cobrir um fundo de água quente, e um cheiro doce envolveu o ar. Depois de tirarmos a roupa e emergirmos naquela água confortante, encostei-me a ele e relaxei, desfrutando de beijos, caricias e palavras, declarações e algumas juras bem junto do meu ouvido.
Quando a água começou a ficar fria abandonamos a casa de banho de toalha, para nos sentarmos na cama, no quentinho do seu quarto.
-Massagem? - perguntou sorrindo.
-Sim - concordei, deitando-me de barriga para baixo, enquanto ele pegou no meu creme de corpo e o levou consigo para a cama, posicionando-se por fim para começar a dar-me a massagem.
-Quando terminares tenho de fazer-te eu a ti - disse-lhe, começando já a molengar no timbre por começar a deixar-me embalar pelas suas mãos.
-Não precisa.
-Mas assim não é justo, quem ganha mais sou eu, e é suposto ser igual para os dois.
-Eu só preciso ouvir e sentir o seu agrado. Isso me retribui o que eu te ofereço.
-Mas continua a não ser a mesma coisa.
-Vai aproveitar e para de reclamar? Assim nem você nem eu ganhamos!
-Está bem, pronto - resignei-me, deixando-me envolver novamente pelo seu toque.
-É tão bom tocar você desse jeito - desabafou, após terminar a massagem e nos sentarmos os dois na cama, de frente um para o outro.
-Imagina do outro jeito... - provoquei-o, brincando.
-Pra quê imaginar se eu posso concretizar... - sorriu, chegando o seu corpo para mais próximo do meu, abraçando-me consequentemente.
-Então mas já vamos a essa parte! Eu também tenho uma surpresa para ti! - afirmei, saindo da cama e dirigindo-me a um dos armários, retirando do meio das camisolas o seu presente.
Visão Rodrigo
Ela voltou pra junto de mim com um embrulho simples de papel branco e um laço vermelho, estendendo o mesmo pra mim e se posicionando de novo na minha frente.
-Não precisava, amor.
-Não reclames e abre lá!
Decidi abrir então. Vi a capa de um livro, um que eu sabia que ela já tinha lido, mas ao abrir descobri qe não era bem o livro só. Parecia meio confuso, mas era o livro, recortado no meio, formando um buraco em forma de quadrado. Assim que abri ele o perfume dela emergiu do seu interior, onde constavam algumas coisas. A primeira coisa que retirei era a primeira foto que a gente tinha tirado junto. Olhei pra ela sorrindo.
-Vê sempre o verso das fotografias - indicou, sorrindo também. Eu fui ver então o verso da foto.
Apenas sorri pra ela. Agradeceria tudo no final. A segunda coisa que retirei era também uma foto, dessa vez uma tirada na Gala de Natal do Benfica, a primeira aparição com ela, onde a gente já tava junto. Fui ler o verso da mesma.
E tornei apenas a mostrar um sorriso. Mas com sorriso eu quero dizer enorme sorriso. Voltei a ir à caixa e me deparei com um dos inúmeros enfeites da minha árvore de Natal. No cordelinho pra pendurá-lo na árvore pendia um pequeno papel. Abri e li.
''Diziam que a pressa é inimiga da perfeição, e eu era da mesma opinião, mas graças a Deus e às nossas famílias maravilhosas o ditado não passou apenas disso mesmo. Foi um momento muito importante para mim, obrigada por teres feito isso''
-O papel parecia pequenino, mas tava enroladinho! O que você escreveu já dava pra começar uma história, sabia? - brinquei, sorrindo pra ela.
-Oh, continua, vá! - falou, sorrindo, e me incitando a continuar a ver o conteúdo da surpresa. Assim fiz, e lá estava mais uma foto. A foto do que a gente tinha escrito naquela árvore em Londres, bem no dia da nossa reconciliação. Virei pra ver o verso.
''Você é a mulher da minha vida, mas mais que isso, você é a razão principal pelo bater do meu coração a cada segundo. é o motivo do meu sorriso mais fácil e do mais difícil, é você que dá direcção pra minha felicidade, e eu te juro que do seu lado ela é plena''
E no fundo tava uma chave pequenina, daquelas que abrem cadeados, mas sem qualquer papel ou indicação sobre o significado dela.
-E isso significa o quê? - perguntei, mostrando a chave na minha mão. Ela retirou de baixo da almofada dela algo pequenino também, enquanto sorria, o que eu só entendi o que era quando ela mostrou. Estava servindo de um dos porta chaves de minha casa, que ela tinha. Um cadeado.
-Isto tem sentido figurativo. - Anunciou primeiramente. - Este cadeado deveria representar o meu coração, e como cada cadeado tem a sua chave, eu dei-te a chave deste, porque só tu chegas ao meu coração, dentro e fora da protecção.
-Entendi - dei a conhecer, sorrindo. Seguidamente coloquei as coisas num canto da cama e me posicionei em frente da minha menina, a abraçando e dando um beijo gostoso nela. - Obrigado. - acabei agradecendo, sem largar o seu corpo.
-Isto não tem de se agradecer, seu tonto! Pelo menos com estas palavras!
-Então deixa eu falar em outra língua. Gracias. Merci. Grazie...
-Não é isso! - interrompeu, rindo e colando dois dedos nos meus lábios, pra eu me calar.
-Mas eu tenho de agradecer dessa forma! Eu tenho, eu quero e eu vou te agradecer de todas as formas que eu conseguir!
-Oh, está bem, não vale a pena! Mas olha, então guarda agradecimentos para amanhã, porque amanhã chega a tua outra prenda!
-Outra?
-Sim!
-Amor, você não entende que eu só quero te fazer e ser feliz com você? Eu não preciso dessas prendas todas!
-Mas paras de reclamar? Eu dou-te o que eu quiser, quando eu quiser e bem me apetecer!
-Resmungona, você agora, hein! - ri.
-Oh, cala-te! - riu também.
-Me cala você! - desafiei.
-E calo! - respondeu prontamente com um sorriso, se atirando em cima de mim, fazendo a gente cair deitado na cama, e me beijou, satisfazendo assim o meu pedido.
Visão Filipa
Aconteceu um beijo. Porém, apesar de ter gostado, tentei desvalorizar o sucedido o mais possível. Porque, para começar, ele tem namorada, não interessa se estão bem, mal ou a ponto de se separarem, e depois, seria um pouco estranho ainda para mim pensar em ter novamente alguém. Contudo, depois de me deitar e fechar os olhos para adormecer, involuntariamente, os meus pensamentos correram para o momento que havia tratado de desvalorizar. E quando eu pensava que não deveria estar a alugar espaço, voluntária ou involuntariamente, nesse assunto, ao mesmo tempo, outra parte da minha mente desejava desfrutar da lembrança do momento. E passei todo o tempo numa guerra interior sobre o assunto, sucumbindo por fim ao cansaço.
-Obrigada por vires, Rúben - agradeci-lhe, assim que iniciamos o caminho com destino à minha antiga casa.
-Não tens de agradecer, já sabes que faço de boa vontade - sorriu.
-Mesmo assim agradeço.
-Está bem, pronto.
Depois disso, um imenso silêncio. E para mim estava a ser, pela primeira vez após termos já tido inúmeros momentos silenciosos, constrangedor. Decidi tentar acalmar a ânsia confusa no meu interior.
-Rúben? - chamei-o, soando algo insegura.
-Sim? - ripostou. O seu tom pareceu-me perfeita e normalmente passivo.
-Eu... Esquece! - senti-me sem coragem.
-Não posso esquecer algo que nem sequer pronunciaste - delegou, com a mesma calma anterior.
-Oh, esquece, não vale a pena... - disse, já descrente em relação a encetar tal conversa.
-Vale sempre a pena - incentivou.
-É... - respirei fundo. - É sobre o beijo - acabei por indicar.
-Hm... - murmurou, na mesma tranquilidade anterior. - O que é que queres esclarecer?
-O beijo.
-Mas o beijo em si, ou os...
-Os motivos. Porque é que aconteceu? E porquê contigo, comigo, connosco?
-Sinceramente, acho que da minha parte foi carência. Sei lá, eu não ando bem com a Andreia, desde o inicio de Janeiro que não a vejo e desde que sai de perto dela só discutimos... Eu acho que foi isso. E acho que foste tu porque... és a pessoa com quem mais me tenho dado, com quem mais tenho partilhado o que sinto, e para além de seres uma miúda extremamente bonita, com um sorriso fantástico que faz toda a gente sorrir, és uma pessoa excepcionalmente incrível, com uma força fantástica e és genuinamente doce e amiga. És alguém por quem adquiri um grande carinho. - Após as palavras do Rúben, mal conseguia falar. - Então e tu, porque é que achas que aconteceu?- Ele esperou uns segundos, suspirou e finalmente voltou a falar.
-Não sei. Eu acho que... não tinha um amigo rapaz com quem passasse tanto tempo há alguns meses. Se calhar deixei-me levar. Estupidez. Não sei!
-De qualquer da maneiras, da minha parte nada mudou, continuamos amigos de igual maneira e estamos juntos sempre que quiser-mos. A única coisa que vou exigir é mais auto-controlo a mim mesmo. Não posso ficar ai a beijar-te sempre que me sentir carente.
-Sim, concordo. Amigos como do inicio - concordei, à falta de mais palavras. Eu realmente quis esclarecer o assunto, só não sabia era o que dizer exactamente, menos ainda com tudo o que ele tinha dito. Entretanto chegamos ao destino, e já tinha tratado de arredar o assunto para um canto da minha memória, coisa que parecia ter sido também opção do Rúben, pois voltamos, finalmente a conviver como nos era já comum. A senhoria recebeu-nos e logo de seguida começamos a transportar as coisas para o carro. Quase no final, após eu ter depositado mais uma caixa de cartão com mais umas quantas, senti alguém aproximar-se atrás de mim.
-Tia! - cumprimentei, após me virar e constatar que era uma tia minha que vivia ali perto.
-Olá minha querida! Como estás?
-Estou bem, e a tia?
-Também. Então, o namorado veio ajudar-te no resto das mudanças, foi? - perguntou, no exacto momento em que me virei para ajudar o Rúben, quando ele ia a poisar a caixa. Ambos nos entre-olhamos, embaraçados.
-Ele não é meu namorado, tia - tratei de esclarece-la apressadamente. - Ele é só um amigo.
-Olha que eu pensava que era teu namorado.
-Mas não é tia - voltei a frizar meio atabalhoada.
-Ah, pronto - resignou-se por fim, fixando em seguida o Rúben. - Agora é que eu vi bem, este não é aquele do Benfica, o...
-Rúben, tia.
-Não, não é esse, é o...
-Amorim - disse então o Rúben.
-Isso, é isso! É o Amorim!
-Sim tia, ele é o Rúben Amorim.
-Sim filha, é isso, é isso! Mas eu não sabia que tinhas amigos famosos!
-Oh tia, ele é uma pessoa normal...
-Mas dá na televisão! O teu tio é que percebe mais disso, mas este eu sei quem é!
-Pronto, está bem tia. Olhe nós vamos despachar-nos que ainda faltam algumas coisinhas.
-Está bem filha, eu vou só ali à fruta e vou para casa!
-Está bem tia, mande beijinhos ao tio - despedi-me finalmente, e ela foi embora.
-A tua tia é a comédia! - gargalhou o Rúben. Eu sorri apenas.
-Só faltam duas caixas, não é?
-Sim. -Então vamos lá acabar isto!
Depois de estar tudo no carro, entramos no mesmo e iniciamos o caminho inverso ao da vinda. E como não tínhamos assunto ficamo-nos pelo rádio. E aí o momento com a minha tia reavivou-se na minha mente, levando a que tornasse a recordar o beijo. Mas impedi-me de continuar tais pensamentos. Já tínhamos conversado e esclarecido o assunto, portanto não haviam motivos para pensar mais nisso
Bem, já há algum tempo que não vos deixava novo capitulo, mas aqui está ele! E é o primeiro deste ano! Espero que gostem e espero os vossos comentário!
Besos guapas!
Mónica
Visão Rodrigo
Depois de levar a minha menina na Faculdade segui até casa e fiquei pela sala até ter que sair de novo de casa pra ir pro treino, no Caixa, às 10.00h.
Faziam hoje dois meses que a gente namorava, e pensei ir almoçar com ela, mas lembrei que ela ia almoçar com a minha irmã na Faculdade pra seguir directo pro Estádio, então desisti da ideia, no entanto não esqueci a data e decidi preparar alguma coisa especial pra noite. No meu computador uma lista de músicas que tinham significado pra gente, e depois juntei ao rasto não visível dos meus passos um caminho de pétalas de rosas. Quando terminei todo esse tipo de surpresas, saí até ao supermercado mais próximo pra comprar as coisas que tavam faltando pra fazer o nosso jantar, e assim que cheguei em casa me enfiei na cozinha preparando o mesmo. Tinha terminado tudo faziam uns dez minutos quando ela me ligou falando que podia ir buscar ela no Estádio.
-Oi meu amor! - cumprimentei ela, sorrindo, quando entrou no carro.
-Olá amor - sorriu de volta, me dando um beijo.
-Como correu seu dia?
-Normal. Movimentado o suficiente para trabalharmos bem.
-E tá muito cansada?
-Nem por isso.
-Bom - sorri meio escondido, algo que nem assim passou despercebido pra ela.
-Bom? - perguntou, sorrindo. - O que é que já estás ai a pensar?
-Eu nada!
-Pois. Agora a verdade.
-Agora não tou pensando em nada. Melhor, até tou, tou pensando como vai ser o que eu pensei antes!
-O quê? - perguntou com um sorriso confuso. - Não percebi nada!
-Nem precisa. Vai entender daqui a pouco. - Ela acabou concordando meio confusa ainda e eu me mantive no silêncio, sorrindo.
Visão Mónica
No caminho para casa não percebi bem a conversa do Rodrigo, mas assim que chegámos a casa comecei a entender.
-Cheira bem - denotei, pousando o meu casaco e o resto das coisas no sofá da sala.
-É o nosso jantar.
-Que bom. - Ele deixou o casaco também no sofá e foi até ao forno, retirando uma travessa do mesmo, que ainda fumegava. Sentei-me e ele sentou-se em seguida, e o jantar decorreu normalmente.
-Gostou? - perguntou quando terminámos.
-Gostei.
-Ainda não terminou.
-O jantar?
-As surpresas.
-Então vamos ao resto! - E quando ele me encaminhou, escadas acima avistei um caminho de pétalas de rosa que me estimulou imediatamente uma imagem de uma noite ainda melhor que as habituais. Assim que abriu a porta do quarto, o cenário era identicamente romântico, o que me fez aumentar o sorriso e a vontade de me abraçar a ele. - Que lindo, amor! - abracei-me então a ele.
-Ainda bem que gostou, amor! Não é nada de especial, mas é um pouco diferente do normal pra assinalar um dia especial!
-Está lindo, amor, eu adorei!
-Bom e agora eu tava pensando em um banho pra você relaxar do seu dia, e eu ajudo, claro - sorriu. - E depois pra terminar, uma massagem, que que cê acha?
-Acho perfeito, só te enganaste numa coisa.
-No quê? - perguntou, abraçando-me ligeiramente com força.
-Não vamos acabar a noite com a massagem, porque eu também tenho um presente para ti.
-Que óptimo, então vamo começar já!
-Vamos!
Seguimos para a casa de banho, onde ele preparou a banheira, que se encheu de espuma a cobrir um fundo de água quente, e um cheiro doce envolveu o ar. Depois de tirarmos a roupa e emergirmos naquela água confortante, encostei-me a ele e relaxei, desfrutando de beijos, caricias e palavras, declarações e algumas juras bem junto do meu ouvido.
Quando a água começou a ficar fria abandonamos a casa de banho de toalha, para nos sentarmos na cama, no quentinho do seu quarto.
-Massagem? - perguntou sorrindo.
-Sim - concordei, deitando-me de barriga para baixo, enquanto ele pegou no meu creme de corpo e o levou consigo para a cama, posicionando-se por fim para começar a dar-me a massagem.
-Quando terminares tenho de fazer-te eu a ti - disse-lhe, começando já a molengar no timbre por começar a deixar-me embalar pelas suas mãos.
-Não precisa.
-Mas assim não é justo, quem ganha mais sou eu, e é suposto ser igual para os dois.
-Eu só preciso ouvir e sentir o seu agrado. Isso me retribui o que eu te ofereço.
-Mas continua a não ser a mesma coisa.
-Vai aproveitar e para de reclamar? Assim nem você nem eu ganhamos!
-Está bem, pronto - resignei-me, deixando-me envolver novamente pelo seu toque.
-É tão bom tocar você desse jeito - desabafou, após terminar a massagem e nos sentarmos os dois na cama, de frente um para o outro.
-Imagina do outro jeito... - provoquei-o, brincando.
-Pra quê imaginar se eu posso concretizar... - sorriu, chegando o seu corpo para mais próximo do meu, abraçando-me consequentemente.
-Então mas já vamos a essa parte! Eu também tenho uma surpresa para ti! - afirmei, saindo da cama e dirigindo-me a um dos armários, retirando do meio das camisolas o seu presente.
Visão Rodrigo
Ela voltou pra junto de mim com um embrulho simples de papel branco e um laço vermelho, estendendo o mesmo pra mim e se posicionando de novo na minha frente.
-Não precisava, amor.
-Não reclames e abre lá!
Decidi abrir então. Vi a capa de um livro, um que eu sabia que ela já tinha lido, mas ao abrir descobri qe não era bem o livro só. Parecia meio confuso, mas era o livro, recortado no meio, formando um buraco em forma de quadrado. Assim que abri ele o perfume dela emergiu do seu interior, onde constavam algumas coisas. A primeira coisa que retirei era a primeira foto que a gente tinha tirado junto. Olhei pra ela sorrindo.
-Vê sempre o verso das fotografias - indicou, sorrindo também. Eu fui ver então o verso da foto.
''Tens sido aquela pessoa que sabe dar-me o que o coração tinha escondido''
''Foi tudo tão repentino, mas foi o melhor que me aconteceu. Tu foste o melhor que me aconteceu''
''Diziam que a pressa é inimiga da perfeição, e eu era da mesma opinião, mas graças a Deus e às nossas famílias maravilhosas o ditado não passou apenas disso mesmo. Foi um momento muito importante para mim, obrigada por teres feito isso''
-O papel parecia pequenino, mas tava enroladinho! O que você escreveu já dava pra começar uma história, sabia? - brinquei, sorrindo pra ela.
-Oh, continua, vá! - falou, sorrindo, e me incitando a continuar a ver o conteúdo da surpresa. Assim fiz, e lá estava mais uma foto. A foto do que a gente tinha escrito naquela árvore em Londres, bem no dia da nossa reconciliação. Virei pra ver o verso.
''Você é a mulher da minha vida, mas mais que isso, você é a razão principal pelo bater do meu coração a cada segundo. é o motivo do meu sorriso mais fácil e do mais difícil, é você que dá direcção pra minha felicidade, e eu te juro que do seu lado ela é plena''
E no fundo tava uma chave pequenina, daquelas que abrem cadeados, mas sem qualquer papel ou indicação sobre o significado dela.
-E isso significa o quê? - perguntei, mostrando a chave na minha mão. Ela retirou de baixo da almofada dela algo pequenino também, enquanto sorria, o que eu só entendi o que era quando ela mostrou. Estava servindo de um dos porta chaves de minha casa, que ela tinha. Um cadeado.
-Isto tem sentido figurativo. - Anunciou primeiramente. - Este cadeado deveria representar o meu coração, e como cada cadeado tem a sua chave, eu dei-te a chave deste, porque só tu chegas ao meu coração, dentro e fora da protecção.
-Entendi - dei a conhecer, sorrindo. Seguidamente coloquei as coisas num canto da cama e me posicionei em frente da minha menina, a abraçando e dando um beijo gostoso nela. - Obrigado. - acabei agradecendo, sem largar o seu corpo.
-Isto não tem de se agradecer, seu tonto! Pelo menos com estas palavras!
-Então deixa eu falar em outra língua. Gracias. Merci. Grazie...
-Não é isso! - interrompeu, rindo e colando dois dedos nos meus lábios, pra eu me calar.
-Mas eu tenho de agradecer dessa forma! Eu tenho, eu quero e eu vou te agradecer de todas as formas que eu conseguir!
-Oh, está bem, não vale a pena! Mas olha, então guarda agradecimentos para amanhã, porque amanhã chega a tua outra prenda!
-Outra?
-Sim!
-Amor, você não entende que eu só quero te fazer e ser feliz com você? Eu não preciso dessas prendas todas!
-Mas paras de reclamar? Eu dou-te o que eu quiser, quando eu quiser e bem me apetecer!
-Resmungona, você agora, hein! - ri.
-Oh, cala-te! - riu também.
-Me cala você! - desafiei.
-E calo! - respondeu prontamente com um sorriso, se atirando em cima de mim, fazendo a gente cair deitado na cama, e me beijou, satisfazendo assim o meu pedido.
Visão Filipa
Aconteceu um beijo. Porém, apesar de ter gostado, tentei desvalorizar o sucedido o mais possível. Porque, para começar, ele tem namorada, não interessa se estão bem, mal ou a ponto de se separarem, e depois, seria um pouco estranho ainda para mim pensar em ter novamente alguém. Contudo, depois de me deitar e fechar os olhos para adormecer, involuntariamente, os meus pensamentos correram para o momento que havia tratado de desvalorizar. E quando eu pensava que não deveria estar a alugar espaço, voluntária ou involuntariamente, nesse assunto, ao mesmo tempo, outra parte da minha mente desejava desfrutar da lembrança do momento. E passei todo o tempo numa guerra interior sobre o assunto, sucumbindo por fim ao cansaço.
-Obrigada por vires, Rúben - agradeci-lhe, assim que iniciamos o caminho com destino à minha antiga casa.
-Não tens de agradecer, já sabes que faço de boa vontade - sorriu.
-Mesmo assim agradeço.
-Está bem, pronto.
Depois disso, um imenso silêncio. E para mim estava a ser, pela primeira vez após termos já tido inúmeros momentos silenciosos, constrangedor. Decidi tentar acalmar a ânsia confusa no meu interior.
-Rúben? - chamei-o, soando algo insegura.
-Sim? - ripostou. O seu tom pareceu-me perfeita e normalmente passivo.
-Eu... Esquece! - senti-me sem coragem.
-Não posso esquecer algo que nem sequer pronunciaste - delegou, com a mesma calma anterior.
-Oh, esquece, não vale a pena... - disse, já descrente em relação a encetar tal conversa.
-Vale sempre a pena - incentivou.
-É... - respirei fundo. - É sobre o beijo - acabei por indicar.
-Hm... - murmurou, na mesma tranquilidade anterior. - O que é que queres esclarecer?
-O beijo.
-Mas o beijo em si, ou os...
-Os motivos. Porque é que aconteceu? E porquê contigo, comigo, connosco?
-Sinceramente, acho que da minha parte foi carência. Sei lá, eu não ando bem com a Andreia, desde o inicio de Janeiro que não a vejo e desde que sai de perto dela só discutimos... Eu acho que foi isso. E acho que foste tu porque... és a pessoa com quem mais me tenho dado, com quem mais tenho partilhado o que sinto, e para além de seres uma miúda extremamente bonita, com um sorriso fantástico que faz toda a gente sorrir, és uma pessoa excepcionalmente incrível, com uma força fantástica e és genuinamente doce e amiga. És alguém por quem adquiri um grande carinho. - Após as palavras do Rúben, mal conseguia falar. - Então e tu, porque é que achas que aconteceu?- Ele esperou uns segundos, suspirou e finalmente voltou a falar.
-Não sei. Eu acho que... não tinha um amigo rapaz com quem passasse tanto tempo há alguns meses. Se calhar deixei-me levar. Estupidez. Não sei!
-De qualquer da maneiras, da minha parte nada mudou, continuamos amigos de igual maneira e estamos juntos sempre que quiser-mos. A única coisa que vou exigir é mais auto-controlo a mim mesmo. Não posso ficar ai a beijar-te sempre que me sentir carente.
-Sim, concordo. Amigos como do inicio - concordei, à falta de mais palavras. Eu realmente quis esclarecer o assunto, só não sabia era o que dizer exactamente, menos ainda com tudo o que ele tinha dito. Entretanto chegamos ao destino, e já tinha tratado de arredar o assunto para um canto da minha memória, coisa que parecia ter sido também opção do Rúben, pois voltamos, finalmente a conviver como nos era já comum. A senhoria recebeu-nos e logo de seguida começamos a transportar as coisas para o carro. Quase no final, após eu ter depositado mais uma caixa de cartão com mais umas quantas, senti alguém aproximar-se atrás de mim.
-Tia! - cumprimentei, após me virar e constatar que era uma tia minha que vivia ali perto.
-Olá minha querida! Como estás?
-Estou bem, e a tia?
-Também. Então, o namorado veio ajudar-te no resto das mudanças, foi? - perguntou, no exacto momento em que me virei para ajudar o Rúben, quando ele ia a poisar a caixa. Ambos nos entre-olhamos, embaraçados.
-Ele não é meu namorado, tia - tratei de esclarece-la apressadamente. - Ele é só um amigo.
-Olha que eu pensava que era teu namorado.
-Mas não é tia - voltei a frizar meio atabalhoada.
-Ah, pronto - resignou-se por fim, fixando em seguida o Rúben. - Agora é que eu vi bem, este não é aquele do Benfica, o...
-Rúben, tia.
-Não, não é esse, é o...
-Amorim - disse então o Rúben.
-Isso, é isso! É o Amorim!
-Sim tia, ele é o Rúben Amorim.
-Sim filha, é isso, é isso! Mas eu não sabia que tinhas amigos famosos!
-Oh tia, ele é uma pessoa normal...
-Mas dá na televisão! O teu tio é que percebe mais disso, mas este eu sei quem é!
-Pronto, está bem tia. Olhe nós vamos despachar-nos que ainda faltam algumas coisinhas.
-Está bem filha, eu vou só ali à fruta e vou para casa!
-Está bem tia, mande beijinhos ao tio - despedi-me finalmente, e ela foi embora.
-A tua tia é a comédia! - gargalhou o Rúben. Eu sorri apenas.
-Só faltam duas caixas, não é?
-Sim. -Então vamos lá acabar isto!
Depois de estar tudo no carro, entramos no mesmo e iniciamos o caminho inverso ao da vinda. E como não tínhamos assunto ficamo-nos pelo rádio. E aí o momento com a minha tia reavivou-se na minha mente, levando a que tornasse a recordar o beijo. Mas impedi-me de continuar tais pensamentos. Já tínhamos conversado e esclarecido o assunto, portanto não haviam motivos para pensar mais nisso
sexta-feira, 27 de dezembro de 2013
Capitulo 32 (parte I)
Olá meninas!
Antes de tudo, espero que tenham tido um bom Natal, juntos dos que mais gostam e com tudo de bom! E pronto, agora deixo-vos aqui mais um capitulo! Espero que gostem e deixem os vossos comentarios!
Besos
Visão Mónica
Depois do dia interminável, finalmente consegui dormir! O Rodrigo só me acordou para irmos jantar, o que não me apetecia fazer, mas após isso voltámos os dois para a cama e voltei a adormecer imediatamente.
Faltavam cinco minutos para o meu despertador tocar quando acordei. Levantei-me calmamente para não acordar o Rodrigo e fui para a casa de banho tomar um duche. O dia anterior parecia um grande borrão na minha cabeça. Se me falassem de algo que fizera durante o dia, o mais provavel era não ter a certeza do mesmo. Assim que terminei fechei a água e apressei-me a enrrolar-me numa toalha. Ia abrir a porta para voltar ao quarto quando esta foi aberta pelo Rodrigo, que estava com uma cara completamente ensonada.
-Bom dia meu bem - disse-me, dando-me um beijo.
-Bom dia amor. Já acordado?
-Só pra vir no banheiro.
-Bem me pareceu - ri. - Vou-me vestir - disse, saindo e fechando a porta atrás de mim. Fui até ao armário escolher a roupa para vestir, e quando terminei de apertar o botão das calcas dei um salto que sucedeu um arrepio.
-Rodrigo! - reclamei. - Estás frio!
-Por isso que me abracei em você, pra você me aquecer! - sorriu, assim que me virei para o encarar.
-Para quem só tinha acordado para ir à casa de banho começas com as piadas muito cedo!
-Me desculpa se ver você assim que acordei me ajudou pra despertar! - riu.
-Estás desculpado, agora deixa-me acabar de vestir e arranjar para ir tomar o pequeno-almoço e depois ir para a Faculdade! - Ele retirou as mãos do meu corpo e eu fui terminar de me vestir e arranjar.
-Não esquece que a Mariana não tá cá, ficou em casa do Mauro.
-Ai, obrigada por me lembrares que a viagem vai ser solitária! - ironizei o agradecimento.
-Nem vai!
-Não?
-Não.
-Estás a tentar sugerir que me meta com as pessoas no metro ou que vá simplesmente a falar sozinha?
-Nem uma coisa nem outra, pode falar comigo!
-Tu vais dormir.
-Eu ia, agora vou te levar na Faculdade.
-A tua cara dizia mais que querias voltar para a cama - ri.
-Essa cara sumiu e esse cara tá querendo levar a namorada na Faculdade, pode?
-Claro que pode, mas ele que se despache que eu vou descer para tomar o pequeno-almoço! - ri.
- Vou tomar um banho rapidinho e desço já já, tá bom?
-Se te despachares sim! - respondi sorrindo e pegando nas minhas coisas para levá-las para o andar inferior.
-Juizo, hein!
-Juizo?
-É. Eu tou vendo ai muito garoto bonito.
-Ah, não te preocupes, assim que sair do carro vou a correr ter com um dos meus colegas só para tu veres! - brinquei, ao que ele me lançou um olhar com uma esguelha de censura, porém o seu sorriso demonstrava a sua compreensão da minha ironia, coisa que não teria sido difícil de identificar. - Tosco - ri, dando-lhe um beijo entretanto.
-Eu sei que você me ama.
-Então se sabes, para quê o aviso desnecessário? - sorri.
-É, cê tem razão - riu. - Bom, melhor você ir pra não se atrasar!
-Sim, eu vou se não nunca mais! - dei-lhe um beijo de despedida e sai do carro, encontrando a Mariana pouco depois, tendo seguido com ela para a primeira aula do dia.
Depois de ter almoçado com a Mariana no refeitório da Faculdade apanhei o metro e segui para o Estádio, onde a Filipa já me esperava, junto com uma tarde de trabalho. E por mais cansada que pudesse estar, como no dia anterior, valia a pena. Só o facto de estar naquele Estádio, naquele recinto, naquele local que por si só já me envolvia com emoções lindas por ser o clube maravilhoso que era, ao presenciar a alegria e emoção daqueles a que acompanhava nas visitas, fazia valer ainda mais!
-E pronto, ja chegou a nossa hora! - disse a Filipa, assim que terminou a última visita e veio ao meu encontro.
-Correu bem, hoje!
-Corre sempre!
-Claro, lapso meu, afinal é o nosso Estádio! - rimos.
-Bem e eu vou ligar já ao Rúben e vou-me despachar antes que ele começe a stressar!
-Ligar ao Rúben? Mas ele vem buscar-te?
-Vem.Digamos que ele agora é o meu motorista particular, por impingimento do mesmo!
-E como é que isso funciona? - quis saber.
-Basicamente, o meu carro avariou e eu pedi ao Rúben para ir comigo na segunda até ao sitio onde ele ficou porque eu fui esperta e esqueci-me lá do telemóvel, e então o Rúben auto-proclamou-se meu motorista até eu poder ir buscar o meu carro.
-Hmm, muito me contas! E ele também ficou caladinho.
-Não te ponhas a inventar, é só o que te disse, mais nada.
-Está bem, pronto! - ri.
-O pior é que já lhe tinha dito que não lhe pedia mais favores e agora preciso mesmo de um favor dele!
-Liga ao Senhor Motorista que ele não te diz que não!
-Oh, não me gozes! Eu não queria pedir-lhe mais nada!
-Olha que nem estou a gozar, acho que ja deu para perceberes que o Rúben é o pai de todos e irmão de não sei quantas familias, e se ele se auto-proclamou como tu disseste é porque não lhe causa problema algum!
-É, tens razão. Eu vou indo, então! E tu tem atenção que agora que já repuseste o sono amanhã não é para repetir! - brincou.
-A culpa foi da festa do Rúben! Mas não te preocupes que não volta a acontecer!
-Não sabia que a tua noite tinha mudado de nome, mas está bem! - riu. - Bem vou ligar ao Rúben e trocar de roupa! - disse, seguindo caminho. Pouco depois también eu fui trocar de roupa e liguei ao Rodrigo para ele saber que já podia vir buscar-me.
Visão Rúben
Eram 19.10h quando a Filipa me ligou a dizer que já podia ir buscá-la ao Estádio. Em pouco tempo já lá estava à sua espera.
-Boa noite - cumprimentei-a, sorrindo, assim que ela entrou no carro.
-Boa noite, Rúben - sorriu-me de volta.
-Então, muito cansada ou nem por isso?
-Um bocadinho, mas nada que agora um banho, o jantar e a minha cama não resolvam!
-Ao menos vale a pena, não é?
-Claro que vale! - eu sorri em resposta e a conversa acabou por cessar, retornando depois da sua parte, interrompendo os locutores da rádio. - Rúben, eu sei que tinha dito que não te pedia mais favores, mas, eu precisava mesmo de um favor teu.
-Precisavas ou precisas?
-Preciso.
-Então diz!
-Eu não queria...
-Diz!
-Está bem. Eu ainda não acabei de fazer as mudanças cá para casa, mas este fim de semana tenho mesmo de terminá-las, porque a casa onde eu estava vai voltar a ser arrendada e a senhoria pediu-me para tirar de lá o resto das coisas, só que como não tenho o carro...
-Eu vou contigo, não te preocupes.
-Obrigada, Rúben. Eu não queria estar a abusar, mas preciso mesmo que alguém vá comigo.
-Já te disse que podes falar comigo quando precisares de alguma coisa, por isso não há problema!
-Tenho de começar a pagar-te os favores!
-Não é preciso.
-Mas eu quero!
-Então olha, eu agora contento-me com o jantar e a tua boa companhia!
-Eu não sou forreta - riu.
-Eu não sou exigente nestes contextos.
Poucos minutos depois chegamos a sua casa, na qual entrei para receber então o tal jantar.
-Estás com muita fome? - perguntou-me assim que entramos em casa.
-Alguma, mas não te preocupes que não sou esquisito!
-Ainda bem, mas achas que consegues esperar mais um bocadinho? É que eu preciso mesmo de ir tomar um banho para ver se me livro desta tensão nos ombros!
-Claro que espero, vai lá descansada!
-Obrigada Rúben!
-De nada.
-Eu prometo que é rápido!
-Está bem, mas olha, se a tua preocupação é que seja rápido, uma massagem resolvía já!
-Não me apetece marcar massagens agora, o banho e mais logo a minha cama resolvem por hoje!
-Não precisavas marcar nada, caso não saibas, estás diante de um massagista nas horas vagas! - Ela riu-se-
-Ai é? Então e que tal indicar-me o seu Spa para alguma necessidade futura, Senhor Massagista?
-Não creio que vá a algum sitio sem mim nos próximos dias, por isso essa indicação não é necessária - rimos.
-Bem, eu vou tomar banho então, se não jantamos à meia-noite! Já sabes, estás à vontade! - disse, encaminhando-se lá para dentro. Eu sentei-me na sala, mas apenas durante alguns minutos. Levantei-me e fui até à cozinha. Agora é descobrir onde estão as coisas e o jantar pode adiantar-se...
Visão Filipa
Tentei ser o mais rápida possivel para ir adiantar o jantar, mas quando finalmente retornei à cozinha constatei que tal tarefa me tinha sido retirada, pois o Rúben estava en frente ao fogão, de avental, a tratar da nossa refeição, que se soubesse tão bem quanto cheirava, estaria muito boa!
-Deste com as coisas sozinho! - constatei, chegando junto dele.
-Não foi difícil. E espero que não te importes que tenha invadido a tua cozinha assim!
-Claro que não, até foi um favor que me fizeste!
-Era esse o objetivo, deixar-te sem nada para fazer!
-Enganaste que ainda há algo para fazer!
-Há?
-Sim, pôr a mesa!
-Oh fogo, eu sabia que faltava alguma coisa!
-Mas não te preocupes que eu trato já disso!
-Mas o suposto é não fazeres nada!
-O suposto era eu compensar-te pela tua ajuda, mas quem está a fazer o jantar, na minha casa, és tu!
-Está bem, pronto, deixa-te disso e vai pôr a mesa! Mais dez minutos e o jantar está pronto! - Fui pôr a mesa e dez minutos depois estavamos a sentar-nos à mesa para jantar.
-Espero que esteja tão bom quanto cheira! - disse eu, pegando nos talheres. - Vamos ver se és o homem dos sete oficios! - E realmente parecia ser, porque estava mesmo bom! Elogiei tal facto e prosseguimos uma conversa convencional até ao fim da refeição. Quando terminamos levantamos a mesa e o Rúben arregaçou as mangas, já em frente do lava-loiça.
-O que é que vais fazer? - intervi.
-Lavar a loica - respondeu naturalmente.
-Olha eu não sei se a minha casa é parecida à tua, mas não és o homem desta para fazeres tudo!
-Não é parecida, mas apetece-me fazer!
-Então lamento desiludir-te mas essa tarefa já está destinada!
-A ti? Nem pensar, aproveita a tua noite de folga, se fazes favor!
-Por acaso não é a mim, é à máquina de lavar a loiça, por isso faz-me o favor de me fazer companhia na minha noite de folga! - Ele sentou-se comigo no sofá e após uma troca brevissima de palavras e passarmos todos os canais da televisão percebemos que não tinhamos nada de interessante para fazer.
-Podemos alugar um filme no videoclube - acabou por sugerir.
-Se lá houver algum interessante! - a ideia era agradável, o pior seria mesmo encontrar um filme de jeito.
-Então vamos lá ver! - Ele acedeu ao videoclube e vimos as opções. Ele deu-me a escolher, por isso enveredei pelo género romântico. O meu cansaço não estava a modo de permiti-me ver outro género.
-Para! - pedi, ao que ele acedeu. - Já sei qual quero ver!
-Qual?
-É a vida!
-Deixa-me ver o resumo - pediu, lendo-o seguidamente. - Pode ser, parece ser interesante. - Espera só um bocadinho que eu encontrei pipocas para fazer no microondas à bocado e vou fazê-las!
-Lá estás tu a querer fazer tudo!
-São só as pipocas!
-Não! Já fizeste o jantar, as pipocas vou eu fazer!
-E que tal um jogo para decidir quem faz? É mais justo assim!
-Um jogo? - perguntei, confusa.
-Sim. Pedra, papel ou tesoura, sabes qual é?
-Sei... - respondi, com um sorriso que não sabia se definir como divertido, trocista ou simplesmente admirada. Não era bem uma novidade que o Rúben possuia um espirito jovem como ninguém, mas esta situação soou divertida.
-Então vá... - preparou-se, colocando um braço atrás das costas, gesto que igualei. - Pedra, papel ou tesoura! - esticamos os dois os braços de trás das costas, interpretando com a mão um dos objetos. - Pedra, ganhei esta vez!
-É à melhor de três!
-Claro! - sorriu, jocosamente. Tornamos a reposicionar o braço atrás das costas para o segundo round. - Pedra, papel ou tesoura! - Lancamos pela segunda vez as mãos à nossa frente.
-Tesoura! Toma, ganhei! - E a involuntariedade fez-me sentir criança. No instante seguinte desmanchei-me a rir de mim própria. Mas soube-me bem aquela sensção, por mais rápida que tenha sido.
-Calma campeã, à melhor de três! - sorriu-me, enquanto retomavamos posições. - Pedra, papel ou tesoura! - E a criança em mim reavivou-se com o expressar do Rúben. - Papel! Ganhei! - Uma crinça que não gostava de perder. E le vangloriava-se com um sorriso gigante. - Vou fazer as pipocas, volto num instantinho!
-Três minutos! - disse eu, resignando-me então no sofá.
Visão Rúben
Ganhei o joguinho e consegui que mais uma vez a Filipa não fizesse nada além de estar sossegada. Depois de as pipocas estarem feitas juntei-me a ela no sofá, que estava pronta para iniciar o filme. E foi de facto uma boa escolha. Era uma comédia romântica, e já estavamos fartos de rir! Certa altura tive de me levantar e ir à casa de banho! E quando ia a chegar à sala vi a Filipa tão entretida e apeteceu-me pregar-lhe um susto. Avancei devagar, sem fazer barulho e parei atrás dela soltando um grito, ao que ela reagiu com um guincho e um salto que originou pipocas pelo chão!
-Ai Rúben! Posha logo agora que ela ia dar uma chapada na mão da assistente para ela não comer o bolo! - Depois olhou para o chão. - E já viste o que é que me fizeste fazer? Olha para o chão cheio de pipocas!
-A intenção era só assustar-te, desculpa, eu limpo! - ri, dirigindo-me para a sua frente.
-Não, deixa, eu limpo! - contra-argumentou, baixando-se ao mesmo tempo que eu.
-E porque é que eu não posso limpar?
-Olha, porque fui eu que espalhei tudo!
-E fui eu que te preguei o susto!
-Mas importas-te de parar? A culpa foi minha que... - reclamou, erguendo o rosto para me encarar, com uma expressão repreendedora. No entanto tal bravura desapareceu dos seus traços assim que nos deparámos com tamanha proximidade entre os nossos rostos. E sem quase conseguir pensar, juntei os meus lábios aos dela.
E ao mesmo tempo que o fiz senti um formigueiro percorrer-me vagarosamente o corpo. Já fazia algum tempo que não beijava ninguém, visto a minha namorada estar em outro continente e não a ver desde o inicio de Janeiro, e estava a ser tão bom... apesar de errado.
-Desculpa, acho que... Desculpa, foi a carência... - desculpei-me, levantando-me.
-Tudo bem... - sorriu levemente, levantando-se também.
-Bem, onde é que estao a pá e a vassoura?
-É o aspirador, Rúben. E não te preocupes que eu trato disso.
-Está bem, pronto - aceite. E tornei depois a falar após uma hesitaçãozinha. - Bem, se calhar eu vou andando, também já está a ficar tarde...
-Sim, tudo bem, eu também me vou deitar.
-Bem então... estamos bem, não estamos? - perguntei.
-Claro que sim! - sorriu.
-Ainda bem! - hesitei novamente. Mesmo com a resposta dela que me parecia verdadeira em relação a estarmos bem, sentia-me estranho. - Bem então vou-me embora - peguei no meu casaco e vesti-o enquanto ela me acompanhava à porta. - Então até amanhã, à mesma hora aqui.
-Até amanhã - sorriu. E entre o rápido movimento de me despedir dela com dois beijinhos, cruzei o meu olhar com o seu, e o sentimento esquisito permaneceu, causando-me um arrepio. De seguida voltei costas e dirigi-me ao meu carro, ainda atordoado pela sensação, destinando a minha casa.
Antes de tudo, espero que tenham tido um bom Natal, juntos dos que mais gostam e com tudo de bom! E pronto, agora deixo-vos aqui mais um capitulo! Espero que gostem e deixem os vossos comentarios!
Besos
Visão Mónica
Depois do dia interminável, finalmente consegui dormir! O Rodrigo só me acordou para irmos jantar, o que não me apetecia fazer, mas após isso voltámos os dois para a cama e voltei a adormecer imediatamente.
Faltavam cinco minutos para o meu despertador tocar quando acordei. Levantei-me calmamente para não acordar o Rodrigo e fui para a casa de banho tomar um duche. O dia anterior parecia um grande borrão na minha cabeça. Se me falassem de algo que fizera durante o dia, o mais provavel era não ter a certeza do mesmo. Assim que terminei fechei a água e apressei-me a enrrolar-me numa toalha. Ia abrir a porta para voltar ao quarto quando esta foi aberta pelo Rodrigo, que estava com uma cara completamente ensonada.
-Bom dia meu bem - disse-me, dando-me um beijo.
-Bom dia amor. Já acordado?
-Só pra vir no banheiro.
-Bem me pareceu - ri. - Vou-me vestir - disse, saindo e fechando a porta atrás de mim. Fui até ao armário escolher a roupa para vestir, e quando terminei de apertar o botão das calcas dei um salto que sucedeu um arrepio.
-Rodrigo! - reclamei. - Estás frio!
-Por isso que me abracei em você, pra você me aquecer! - sorriu, assim que me virei para o encarar.
-Para quem só tinha acordado para ir à casa de banho começas com as piadas muito cedo!
-Me desculpa se ver você assim que acordei me ajudou pra despertar! - riu.
-Estás desculpado, agora deixa-me acabar de vestir e arranjar para ir tomar o pequeno-almoço e depois ir para a Faculdade! - Ele retirou as mãos do meu corpo e eu fui terminar de me vestir e arranjar.
-Não esquece que a Mariana não tá cá, ficou em casa do Mauro.
-Ai, obrigada por me lembrares que a viagem vai ser solitária! - ironizei o agradecimento.
-Nem vai!
-Não?
-Não.
-Estás a tentar sugerir que me meta com as pessoas no metro ou que vá simplesmente a falar sozinha?
-Nem uma coisa nem outra, pode falar comigo!
-Tu vais dormir.
-Eu ia, agora vou te levar na Faculdade.
-A tua cara dizia mais que querias voltar para a cama - ri.
-Essa cara sumiu e esse cara tá querendo levar a namorada na Faculdade, pode?
-Claro que pode, mas ele que se despache que eu vou descer para tomar o pequeno-almoço! - ri.
- Vou tomar um banho rapidinho e desço já já, tá bom?
-Se te despachares sim! - respondi sorrindo e pegando nas minhas coisas para levá-las para o andar inferior.
-Juizo, hein!
-Juizo?
-É. Eu tou vendo ai muito garoto bonito.
-Ah, não te preocupes, assim que sair do carro vou a correr ter com um dos meus colegas só para tu veres! - brinquei, ao que ele me lançou um olhar com uma esguelha de censura, porém o seu sorriso demonstrava a sua compreensão da minha ironia, coisa que não teria sido difícil de identificar. - Tosco - ri, dando-lhe um beijo entretanto.
-Eu sei que você me ama.
-Então se sabes, para quê o aviso desnecessário? - sorri.
-É, cê tem razão - riu. - Bom, melhor você ir pra não se atrasar!
-Sim, eu vou se não nunca mais! - dei-lhe um beijo de despedida e sai do carro, encontrando a Mariana pouco depois, tendo seguido com ela para a primeira aula do dia.
Depois de ter almoçado com a Mariana no refeitório da Faculdade apanhei o metro e segui para o Estádio, onde a Filipa já me esperava, junto com uma tarde de trabalho. E por mais cansada que pudesse estar, como no dia anterior, valia a pena. Só o facto de estar naquele Estádio, naquele recinto, naquele local que por si só já me envolvia com emoções lindas por ser o clube maravilhoso que era, ao presenciar a alegria e emoção daqueles a que acompanhava nas visitas, fazia valer ainda mais!
-E pronto, ja chegou a nossa hora! - disse a Filipa, assim que terminou a última visita e veio ao meu encontro.
-Correu bem, hoje!
-Corre sempre!
-Claro, lapso meu, afinal é o nosso Estádio! - rimos.
-Bem e eu vou ligar já ao Rúben e vou-me despachar antes que ele começe a stressar!
-Ligar ao Rúben? Mas ele vem buscar-te?
-Vem.Digamos que ele agora é o meu motorista particular, por impingimento do mesmo!
-E como é que isso funciona? - quis saber.
-Basicamente, o meu carro avariou e eu pedi ao Rúben para ir comigo na segunda até ao sitio onde ele ficou porque eu fui esperta e esqueci-me lá do telemóvel, e então o Rúben auto-proclamou-se meu motorista até eu poder ir buscar o meu carro.
-Hmm, muito me contas! E ele também ficou caladinho.
-Não te ponhas a inventar, é só o que te disse, mais nada.
-Está bem, pronto! - ri.
-O pior é que já lhe tinha dito que não lhe pedia mais favores e agora preciso mesmo de um favor dele!
-Liga ao Senhor Motorista que ele não te diz que não!
-Oh, não me gozes! Eu não queria pedir-lhe mais nada!
-Olha que nem estou a gozar, acho que ja deu para perceberes que o Rúben é o pai de todos e irmão de não sei quantas familias, e se ele se auto-proclamou como tu disseste é porque não lhe causa problema algum!
-É, tens razão. Eu vou indo, então! E tu tem atenção que agora que já repuseste o sono amanhã não é para repetir! - brincou.
-A culpa foi da festa do Rúben! Mas não te preocupes que não volta a acontecer!
-Não sabia que a tua noite tinha mudado de nome, mas está bem! - riu. - Bem vou ligar ao Rúben e trocar de roupa! - disse, seguindo caminho. Pouco depois también eu fui trocar de roupa e liguei ao Rodrigo para ele saber que já podia vir buscar-me.
Visão Rúben
Eram 19.10h quando a Filipa me ligou a dizer que já podia ir buscá-la ao Estádio. Em pouco tempo já lá estava à sua espera.
-Boa noite - cumprimentei-a, sorrindo, assim que ela entrou no carro.
-Boa noite, Rúben - sorriu-me de volta.
-Então, muito cansada ou nem por isso?
-Um bocadinho, mas nada que agora um banho, o jantar e a minha cama não resolvam!
-Ao menos vale a pena, não é?
-Claro que vale! - eu sorri em resposta e a conversa acabou por cessar, retornando depois da sua parte, interrompendo os locutores da rádio. - Rúben, eu sei que tinha dito que não te pedia mais favores, mas, eu precisava mesmo de um favor teu.
-Precisavas ou precisas?
-Preciso.
-Então diz!
-Eu não queria...
-Diz!
-Está bem. Eu ainda não acabei de fazer as mudanças cá para casa, mas este fim de semana tenho mesmo de terminá-las, porque a casa onde eu estava vai voltar a ser arrendada e a senhoria pediu-me para tirar de lá o resto das coisas, só que como não tenho o carro...
-Eu vou contigo, não te preocupes.
-Obrigada, Rúben. Eu não queria estar a abusar, mas preciso mesmo que alguém vá comigo.
-Já te disse que podes falar comigo quando precisares de alguma coisa, por isso não há problema!
-Tenho de começar a pagar-te os favores!
-Não é preciso.
-Mas eu quero!
-Então olha, eu agora contento-me com o jantar e a tua boa companhia!
-Eu não sou forreta - riu.
-Eu não sou exigente nestes contextos.
Poucos minutos depois chegamos a sua casa, na qual entrei para receber então o tal jantar.
-Estás com muita fome? - perguntou-me assim que entramos em casa.
-Alguma, mas não te preocupes que não sou esquisito!
-Ainda bem, mas achas que consegues esperar mais um bocadinho? É que eu preciso mesmo de ir tomar um banho para ver se me livro desta tensão nos ombros!
-Claro que espero, vai lá descansada!
-Obrigada Rúben!
-De nada.
-Eu prometo que é rápido!
-Está bem, mas olha, se a tua preocupação é que seja rápido, uma massagem resolvía já!
-Não me apetece marcar massagens agora, o banho e mais logo a minha cama resolvem por hoje!
-Não precisavas marcar nada, caso não saibas, estás diante de um massagista nas horas vagas! - Ela riu-se-
-Ai é? Então e que tal indicar-me o seu Spa para alguma necessidade futura, Senhor Massagista?
-Não creio que vá a algum sitio sem mim nos próximos dias, por isso essa indicação não é necessária - rimos.
-Bem, eu vou tomar banho então, se não jantamos à meia-noite! Já sabes, estás à vontade! - disse, encaminhando-se lá para dentro. Eu sentei-me na sala, mas apenas durante alguns minutos. Levantei-me e fui até à cozinha. Agora é descobrir onde estão as coisas e o jantar pode adiantar-se...
Visão Filipa
Tentei ser o mais rápida possivel para ir adiantar o jantar, mas quando finalmente retornei à cozinha constatei que tal tarefa me tinha sido retirada, pois o Rúben estava en frente ao fogão, de avental, a tratar da nossa refeição, que se soubesse tão bem quanto cheirava, estaria muito boa!
-Deste com as coisas sozinho! - constatei, chegando junto dele.
-Não foi difícil. E espero que não te importes que tenha invadido a tua cozinha assim!
-Claro que não, até foi um favor que me fizeste!
-Era esse o objetivo, deixar-te sem nada para fazer!
-Enganaste que ainda há algo para fazer!
-Há?
-Sim, pôr a mesa!
-Oh fogo, eu sabia que faltava alguma coisa!
-Mas não te preocupes que eu trato já disso!
-Mas o suposto é não fazeres nada!
-O suposto era eu compensar-te pela tua ajuda, mas quem está a fazer o jantar, na minha casa, és tu!
-Está bem, pronto, deixa-te disso e vai pôr a mesa! Mais dez minutos e o jantar está pronto! - Fui pôr a mesa e dez minutos depois estavamos a sentar-nos à mesa para jantar.
-Espero que esteja tão bom quanto cheira! - disse eu, pegando nos talheres. - Vamos ver se és o homem dos sete oficios! - E realmente parecia ser, porque estava mesmo bom! Elogiei tal facto e prosseguimos uma conversa convencional até ao fim da refeição. Quando terminamos levantamos a mesa e o Rúben arregaçou as mangas, já em frente do lava-loiça.
-O que é que vais fazer? - intervi.
-Lavar a loica - respondeu naturalmente.
-Olha eu não sei se a minha casa é parecida à tua, mas não és o homem desta para fazeres tudo!
-Não é parecida, mas apetece-me fazer!
-Então lamento desiludir-te mas essa tarefa já está destinada!
-A ti? Nem pensar, aproveita a tua noite de folga, se fazes favor!
-Por acaso não é a mim, é à máquina de lavar a loiça, por isso faz-me o favor de me fazer companhia na minha noite de folga! - Ele sentou-se comigo no sofá e após uma troca brevissima de palavras e passarmos todos os canais da televisão percebemos que não tinhamos nada de interessante para fazer.
-Podemos alugar um filme no videoclube - acabou por sugerir.
-Se lá houver algum interessante! - a ideia era agradável, o pior seria mesmo encontrar um filme de jeito.
-Então vamos lá ver! - Ele acedeu ao videoclube e vimos as opções. Ele deu-me a escolher, por isso enveredei pelo género romântico. O meu cansaço não estava a modo de permiti-me ver outro género.
-Para! - pedi, ao que ele acedeu. - Já sei qual quero ver!
-Qual?
-É a vida!
-Deixa-me ver o resumo - pediu, lendo-o seguidamente. - Pode ser, parece ser interesante. - Espera só um bocadinho que eu encontrei pipocas para fazer no microondas à bocado e vou fazê-las!
-Lá estás tu a querer fazer tudo!
-São só as pipocas!
-Não! Já fizeste o jantar, as pipocas vou eu fazer!
-E que tal um jogo para decidir quem faz? É mais justo assim!
-Um jogo? - perguntei, confusa.
-Sim. Pedra, papel ou tesoura, sabes qual é?
-Sei... - respondi, com um sorriso que não sabia se definir como divertido, trocista ou simplesmente admirada. Não era bem uma novidade que o Rúben possuia um espirito jovem como ninguém, mas esta situação soou divertida.
-Então vá... - preparou-se, colocando um braço atrás das costas, gesto que igualei. - Pedra, papel ou tesoura! - esticamos os dois os braços de trás das costas, interpretando com a mão um dos objetos. - Pedra, ganhei esta vez!
-É à melhor de três!
-Claro! - sorriu, jocosamente. Tornamos a reposicionar o braço atrás das costas para o segundo round. - Pedra, papel ou tesoura! - Lancamos pela segunda vez as mãos à nossa frente.
-Tesoura! Toma, ganhei! - E a involuntariedade fez-me sentir criança. No instante seguinte desmanchei-me a rir de mim própria. Mas soube-me bem aquela sensção, por mais rápida que tenha sido.
-Calma campeã, à melhor de três! - sorriu-me, enquanto retomavamos posições. - Pedra, papel ou tesoura! - E a criança em mim reavivou-se com o expressar do Rúben. - Papel! Ganhei! - Uma crinça que não gostava de perder. E le vangloriava-se com um sorriso gigante. - Vou fazer as pipocas, volto num instantinho!
-Três minutos! - disse eu, resignando-me então no sofá.
Visão Rúben
Ganhei o joguinho e consegui que mais uma vez a Filipa não fizesse nada além de estar sossegada. Depois de as pipocas estarem feitas juntei-me a ela no sofá, que estava pronta para iniciar o filme. E foi de facto uma boa escolha. Era uma comédia romântica, e já estavamos fartos de rir! Certa altura tive de me levantar e ir à casa de banho! E quando ia a chegar à sala vi a Filipa tão entretida e apeteceu-me pregar-lhe um susto. Avancei devagar, sem fazer barulho e parei atrás dela soltando um grito, ao que ela reagiu com um guincho e um salto que originou pipocas pelo chão!
-Ai Rúben! Posha logo agora que ela ia dar uma chapada na mão da assistente para ela não comer o bolo! - Depois olhou para o chão. - E já viste o que é que me fizeste fazer? Olha para o chão cheio de pipocas!
-A intenção era só assustar-te, desculpa, eu limpo! - ri, dirigindo-me para a sua frente.
-Não, deixa, eu limpo! - contra-argumentou, baixando-se ao mesmo tempo que eu.
-E porque é que eu não posso limpar?
-Olha, porque fui eu que espalhei tudo!
-E fui eu que te preguei o susto!
-Mas importas-te de parar? A culpa foi minha que... - reclamou, erguendo o rosto para me encarar, com uma expressão repreendedora. No entanto tal bravura desapareceu dos seus traços assim que nos deparámos com tamanha proximidade entre os nossos rostos. E sem quase conseguir pensar, juntei os meus lábios aos dela.
E ao mesmo tempo que o fiz senti um formigueiro percorrer-me vagarosamente o corpo. Já fazia algum tempo que não beijava ninguém, visto a minha namorada estar em outro continente e não a ver desde o inicio de Janeiro, e estava a ser tão bom... apesar de errado.
-Desculpa, acho que... Desculpa, foi a carência... - desculpei-me, levantando-me.
-Tudo bem... - sorriu levemente, levantando-se também.
-Bem, onde é que estao a pá e a vassoura?
-É o aspirador, Rúben. E não te preocupes que eu trato disso.
-Está bem, pronto - aceite. E tornei depois a falar após uma hesitaçãozinha. - Bem, se calhar eu vou andando, também já está a ficar tarde...
-Sim, tudo bem, eu também me vou deitar.
-Bem então... estamos bem, não estamos? - perguntei.
-Claro que sim! - sorriu.
-Ainda bem! - hesitei novamente. Mesmo com a resposta dela que me parecia verdadeira em relação a estarmos bem, sentia-me estranho. - Bem então vou-me embora - peguei no meu casaco e vesti-o enquanto ela me acompanhava à porta. - Então até amanhã, à mesma hora aqui.
-Até amanhã - sorriu. E entre o rápido movimento de me despedir dela com dois beijinhos, cruzei o meu olhar com o seu, e o sentimento esquisito permaneceu, causando-me um arrepio. De seguida voltei costas e dirigi-me ao meu carro, ainda atordoado pela sensação, destinando a minha casa.
terça-feira, 24 de dezembro de 2013
Feliz Natal!
Olá meninas!
Quero desejar-vos um Feliz Natal, junto dos que mais amam, no quentinho do calor da familia, com muita alegria! Que recebam muitas prendinhas, mas sobretudo muito amor, paz, saúde e alegria!
Besos, e novamente feliz Navidad! <3
Quero desejar-vos um Feliz Natal, junto dos que mais amam, no quentinho do calor da familia, com muita alegria! Que recebam muitas prendinhas, mas sobretudo muito amor, paz, saúde e alegria!
Besos, e novamente feliz Navidad! <3
quinta-feira, 28 de novembro de 2013
Capitulo 31 (parte IV)
Ola meninas!
Deixo-vos aqui mais um capitulo! Espero que gostem e deixem os vossos comentários lindos, por favor!
Besos guapas!
Mónica
Visão Filipa
Todos a meu redor admiravam o meu sorriso, mas todos eles também têm um, a diferença é que eu não desarmo um bom sorriso para dar lugar a uma expressão negativa no meu rosto! Por mais difícil que seja, nunca opto pela tristeza, embora muitas vezes os assuntos de tal espírito se mantenham ligeiramente perceptíveis na minha mente. E agora parecia que alguém dependia exactamente do meu sorriso para sorrir novamente como costumava fazer todos os dias, a qualquer hora. O Rúben. E ele era alguém que tinha um sorriso tão bonito e verdadeiro quando o fazia. Como é que uma pessoa como ele podia precisar do meu sorriso para sorrir? Ah, pois, o ''coração destroçado''. Como é que alguém tinha conseguido destroçar um coração tão cheio de alegria como o dele? Com certeza tinham exercido muitos esforços! Far-lhe-ia a vontade. Não era de todo complicado sorrir com ele, e a companhia dele era bastante agradável.
Eram 14.00h quando a Mónica chegou ao Estádio, dez minutos depois de mim.
-Olá! - cumprimentou-me, sorrindo levemente.
-Olá! - retribui. - Bem, estás mesmo com cara de cansada!
-Eu estou mesmo cansada! Não dormi e logo de manhã tive aulas! Eu adoro a tua companhia, mas não vejo a hora de ir para casa dormir!
-Então mas não dormiste mesmo nada? Ainda tinhas umas horinhas antes de te levantares.
-Eu preferi não dormir essas poucas horinhas, se não a esta hora estava muito pior!
-E conseguiste não adormecer? - perguntei espantada. Cansadas como estávamos depois do dia preenchido juntando a noite a mim só me apetecia dormir assim que cheguei a casa!
-O Rodrigo ajudou.
-Hmm, o Rodrigo ajudou... - ri, o que ela também fez. - Portanto o Rúben estava certo - brinquei.
-Claro que sim!
-Claro que sim? - gargalhei.
-Nós reclamamos mas ele sabe - riu.
-Olha que o Rodrigo não reclamou, parecia interessado em continuar a responder!
-É, ele é assim, deve estar-lhe no sangue, pior ainda quando é com o Rúben!
-Estou a ver... - ri. - Por falar no Rúben, eu preciso de falar com ele... Achas que me podes dar o número dele para lhe ligar?
-Até podes ligar do meu telemóvel, enquanto eu vou trocar de roupa! - ofereceu, dando-me o seu telemóvel já no contacto do Rúben, enquanto seguia caminho para os cacifos. ''Rú <3''. Sorri ao pressionar para iniciar a chamada.
-Então pequenina, o que é que me queres? - atendeu o Rúben, bem disposto.
-Ahh, não é a Mónica, Rúben, é a Filipa.
-Oh desculpa, como estás a ligar do telemóvel dela pensei que fosse! Mas está tudo bem? Precisas de alguma coisa?
-Pois, eu ia pedir-te um favor...
-Pede!
-Eu não queria abusar, só que...
-Pede o favor e deixa-te dessas coisas!
-Está bem. É que o meu carro ficou lá ontem à noite, e eu esqueci-me do telemóvel no carro, e nem telefone de casa ainda tenho, então achas que podias ir lá comigo, outra vez? Eu sei que é chato e ainda é um bom bocado até lá, e agora assim não tenho mais ninguém a quem pedir. Ao Rodrigo é escusado porque não quero roubar-lhe o tempo que ele tem com a Mónica...
-Eu vou contigo! E não é trabalho, nem chatice nem nada disso, ia ficar em casa sozinho de qualquer maneira, por isso não há problema.
-Ai, obrigada Rúben!
-De nada! Mas olha, dá-me o modelo e a matricula do teu carro.
-Para quê? - perguntei, confusa.
-Eu tenho contactos, sabes?
-Ai não, Rúben, não é preciso, só ires comigo porque eu me esqueci do telemóvel no carro é uma grande ajuda! Eu tenho o número de um senhor que me consegue fazer um preço mais acessível, só preciso mesmo que vás comigo para depois conseguir ligar-lhe!
-Está bem, mas dá-me na mesma, só por segurança, então!
-Ai, pronto, está bem, mas é só por isso mesmo, assim que lá chegar-mos eu ligo ao senhor!
-Está bem, vá! - Dei-lhe os dados que ele me tinha pedido, combinamos quando e onde nos íamos encontrar e despedi-me, agradecendo novamente.
-Então, ele atendeu? - perguntou a Mónica, voltando a estar junto de mim.
-Sim. Obrigada!
-De nada!
A nossa tarde acabou por não ser tão preenchida, felizmente para a Mónica, que depois de se despedir de mim foi apressadamente para a entrada do Estádio, onde o Rodrigo a esperava para regressarem a casa. Eu apanhei um táxi, que me levou rapidamente até casa, onde jantei, descansei alguns minutos no sofá, até a campainha soar.
-Olá! - cumprimentou-me o Rúben, sorrindo.
-Olá! Obrigada por vires comigo!
-Não tens de quê! Vamos então?
-Sim! - concordei, vestindo o casaco e pegando na minha mala, saindo depois atrás do Rúben até ao seu carro. A viagem pareceu não demorar assim tanto tempo, ajudando a conversa até chegarmos ao destino. Assim que ele desligou o carro sai do mesmo e dirigi-me ao meu, enquanto o Rúben saiu do carro, encostando-se depois ao mesmo. Tirei o telemóvel do porta-luvas e quando me ia juntar ao Rúben para fazer a tal chamada ele estava ao telemóvel. E a expressão dele... desagradava-me por completo. Permaneci afastada e não consegui deixar de ouvir a conversa.
-E nem dois minutos tiveste nem que fosse para escrever uma mensagem?
-...
-Oh Andreia, por muito cansada que estivesses arranjavas tempo se quisesses para mandar uma porcaria de uma mensagem!
-...
-Se fosse eu podes ter a certeza que mesmo que estivesse a morrer de cansaço mandava pelo menos uma mensagem!
-...
-Ai, está bem, olha esquece, já não quero saber! Porque é que me ligaste então?
-...
-Ah, então já deste, obrigado!
-...
-Parvo?! Desculpa, esqueceste-te do meu aniversário...
-...
-Olha, desculpa mas não é o que parece! Mal tens tempo para mim, ou pior, paciência, porque cada vez que falamos não há uma única vez que não discutamos! Achas isto normal? Nós não éramos assim, porra!
-...
-Olha, sinceramente nem sei! Tu ficaste toda indignada porque a Mónica voltou para Portugal com o Rodrigo, mas porra, eu achei lindo, eu achei que de certa forma foi uma prova de amor, foi um gesto que demonstrou por completo o quão dispostos eles estão a ficar um com o outro! E eu não estou a pedir-te para fazeres o mesmo, eu sei o quanto desejaste estar ai, mas juro-te que se fizesses nada me ia fazer mais feliz nesse momento! Eu tenho saudades tuas, daquilo que éramos um com o outro... E apesar das dificuldades e do esforço eu tento fazer o mais que posso para manter isso tudo, mas tu não parece que estejas a fazer o mesmo, Andreia! Tu estás tão diferente!
-...
-Vê se percebes uma coisa, eu amo-te, está bem? Só estou a tentar pedir-te que sejas mais...esforçada. A relação não é só minha, é nossa, eu não posso fazer tudo sozinho.
-...
-E ainda dizes que não estás diferente! Já reparaste na maneira como estás a falar comigo? Eu estou a tentar resolver as coisas, tentar encontrar uma maneira de fazer isto resultar e tu só sabes discutir, dar respostas tortas e ficar ofendida com nada!
-...
-Ouve, olha, está bem, eu não me quero chatear, o meu dia tem corrido bem e não me apetece acabá-lo com dores de cabeça! Quando decidires que consegues ter uma conversa decente e que conseguimos chegar a um consenso liga-me, porque eu não estou para te ligar mais e só ouvir gritos e porcarias! Fica bem. - E desligou. Eu fiquei estática a olhar para ele, que olhou para o chão uns segundos, de semblante triste obviamente, mas assim que ele elevou a cara eu esbocei um sorriso e fui ao seu encontro.
-Encontrei-o! - disse-lhe, mencionando o telemóvel.
-Ainda bem! - sorriu levemente. - Já fizeste a tal chamada?
-Não, vou ligar-lhe agora! - procurei o número nos contactos e premi a tecla de chamada.
-Então? - perguntou, assim que desliguei.
-O parvo do homem deve ter acordado com os pés de fora, ou então o sono falou mais alto! Pôs-se a reclamar comigo, nem percebi porquê! - Ele gargalhou, o que me deixou muito satisfeita, dado o estado em que havia ficado depois da chamada que recebera.
-Ou seja, não consegues o favor?
-Não - respondi, desanimada.
-Então ainda bem que eu trouxe os dados que te pedi e posso fazer agora eu uma chamada para te virem buscar e arranjar o carro!
-Oh Rúben, isso já é demais, eu não quero pedir mais nada!
-Mas tu pediste-me? Sou eu que quero ajudar-te, posso, ou vais proibir-me de te agradecer de outro modo o facto de me animares?
-Bem... está bem, pronto, mas depois disto chega!
-Veremos! - sorriu, levando o telemóvel ao ouvido e iniciando uma conversa curta mas pelos vistos frutífera. - Já está! Amanhã às 8.00h vêm buscar-te o carro e levam-no para o arranjarem! Depois eu dou-te o número do meu amigo para ires buscar o carro.
-Obrigada!
-E enquanto o teu carro não está de volta eu vou ser o teu motorista, pelo menos no que toca às idas e vindas do Estádio! E antes que reclames, não é incómodo nenhum, visto que é o local de trabalho de ambos!
-São muitas mais as vezes que estás no Caixa.
-Acordar cedo não faz mal a ninguém, e depois, ter dois vislumbres de coisas bonitas pela manhã é óptimo!
-Não consigo mesmo declinar a tua oferta, pois não?
-Nem que tentasses durante um mês!
-Está bem, pronto - acabei por aceitar os seus termos. Seguidamente entramos no carro para fazermos o caminho inverso ao da vinda para cá.
Visão Rodrigo
Depois de tantas horas sem dormir acabei pegando logo no sono, assim que a minha namorada me deu um beijo de despedida, antes de sair do quarto pra ir prá Faculdade com a minha irmã. Dormi até quase uma hora antes da hora do treino, treino esse que revitalizou minha energia. Na hora de saída da Mónica já eu tava esperando ela na entrada do Estádio, seguindo então pra casa, onde ela subiu logo pro quarto, se deixando cair na cama e adormecer pouquíssimo tempo depois. Eu aconcheguei ela nos lençóis e desci pra cozinha, pra fazer o jantar.
-Amor... - chamei, baixinho no seu ouvido. Ela nem se mexeu, então tive de abanar um pouco ela. - Amor, acorda meu bem, vem jantar pra depois você poder ficar dormindo a noite inteira.
-Não me apetece... - resmungou, ensonada.
-Mas tem de vir amor, é rápido, vem.
-Ai, está bem... - respondeu, com cara de sono, se levantando da cama vagarosamente. - Precisa de ajuda? - perguntei, sorrindo, andando mesmo atrás dela.
-Preciso é de dormir.
-Tá, então vamo jantar num instante e logo logo a gente sobe de novo no quarto, meu amor.
E assim foi. depois do jantar, uma coisa leve mesmo, fomos escovar os dentes e fugimos pra de baixo dos lençóis e cobertores quentinhos. Ela se colou a mim, aconchegando a cabeça no meu peito, enquanto eu fazia cafuné nela. E em vez de dormir logo , fiquei, mais uma vez, olhando ela, com expressão serena e traços que por mais noites que dispensasse olhando, nunca ia cansar de olhar, e sorrir apenas por ter ela junto de mim.
Visão Rúben
Sinceramente, não tinha tornado a pensar no facto de a Andreia não me ter dado os parabéns, voltei apenas a relembrar tal coisa quando ela me ligou, inoportunamente, quando cheguei com a Filipa ao estacionamento do local onde tinha sido a minha festa. E a suposta conversa voltou a não o ser, como decorria habitualmente já. Era cada vez mais difícil não tornar palavras em acusações ou criticas. Enfim, pensei que a minha noite ia acabar comigo a pensar sobre isso e a massacrar-me mais com o assunto, no entanto não foi bem assim.
-Obrigada mais uma vez, Rúben - agradeceu a Filipa, assim que parei o carro em frente ao seu apartamento.
-Não tens de agradecer, fiz de coração.
-Eu sei, mas obrigada - sorriu.
-De nada - sorri levemente, efeito suave que o seu sorriso tornou a ter, porém ainda eram pequenos os resultados, devido a recente discussão com a Andreia.
-Hm, Rúben, não queres entrar um bocadinho?
-Não é preciso, obrigado Filipa - recusei educadamente.
-Não, não vou aceitar um não como resposta! Anda, eu faço um chocolate quente para nós!
-Está bem, já percebi que agora sou eu que não tenho escolha! - sorri, acabando por sair com ela do carro, entrando em seguida no seu apartamento.
-Fica à vontade! - disse-me, apontando o sofá e seguindo para trás do mesmo, para a cozinha, para preparar o tal chocolate quente, que me ia saber muito bem, com o frio que fazia. Poucos minutos depois juntou-se a mim com duas canecas de chocolate quente.
-Toma - estendeu-me uma delas, sorrindo.
-Obrigado - agradeci. E após alguns segundos de silêncio e um gole no chocolate quente, a Filipa falou.
-Ahm, Rúben, eu não queria meter-me, mas eu não consegui evitar ouvir o teu telefonema, quando eu fui buscar o meu telemóvel... Era com o motivo do coração destroçado?
-Era...
-Eu não quero ser indelicada nem meter-me onde não devo, mas se calhar fazia-te bem falar, se quiseres e te sentires à vontade...
-Tens razão... Eu falo com o Rodrigo, com a Mónica ou com o David, mas é diferente, eles conhecem-na, estão por dentro da história, eles juntaram-nos, e ela era a melhor amiga da Mónica e tudo...
-Então, eu estou aqui, não sei da história e muito menos quem é ela, por isso se quiseres conversar eu sou toda ouvidos.
-Ela chama-se Andreia... - E comecei a contar-lhe tudo, desde o momento em que havia conhecido a Mónica e a Andreia naquela paragem de táxis em Londres até aos mais recentes acontecimentos.
-E estás com medo de estar a perdê-la.
-Já faltou mais para a perder. As coisas estão cada vez piores, nós já não conseguimos conversar em condições, há sempre insinuações ou criticas, ou qualquer coisa! Ela chegou a desligar-me o telemóvel na cara e tudo, mais que uma vez.
-Mas não tens nenhuma ideia porque é que ela se afastou assim de repente, e porque é que anda a comportar-se assim?
-No principio pensei que fosse por causa do assunto da Mónica e do Rodrigo, e até era, mas acho que já não tem bem a ver com isso, por isso já não faço ideia!
-Eu sei que nos conhecemos há pouquíssimo tempo, mas deu para entender com tudo o que me contaste que não deixas dúvidas que és o namorado que muitas raparigas queriam ter! Não sei como é que se destrata assim um homem que é espectacular connosco... - comentou, e notei-a algo pensativa e distante. Decidi tentar fazê-la falar também.
-E eu aposto que já tiveste um assim na tua vida.
-O que quer que tenhas apostado ganhaste. Já tive alguém assim, sim.
-Então e era tão bonito como eu? - brinquei.
-Era - riu. Após segundos a desfazer o riso resolvi tentar saber mais sobre a sua história. Não era por ter acabado de contar a minha situação e agora achar-me no direito de saber a história dela, mas, se ela quisesse contar eu teria gosto em ouvi-la e confortá-la ou apoia-la, como ela havia feito comigo.
-Como é que ele se chamava?
-Gonçalo - respondeu, sorrindo docemente.
-Pelo teu sorrisinho ele devia ser mesmo lindo! O que é que aconteceu para já não estares com ele, ficou feio? - tentei brincar.
-Não, claro que não. A vida é que quis assim...
-Então e como é que a vida te fez conhece-lo?
-Na escola. Eu tinha mudado de escola e no primeiro dia andava meio perdida e uma altura íamos os dois apressados e acabamos por ir um contra o outro.
-Épico, não? - ri.
-Tão épico que ele era o homem da minha vida!
-Não és muito nova para dizer isso?
-Não és mais velho que eu o suficiente para saber que não?
-Está bem, pronto, desculpa! - ri. - Mas então se ele era o amor da tua vida porque é que já não é? Deixaste de gostar dele?
-Não.
-Ele traiu-te?
-Não.
-Tu traíste-o?
-Não, Rúben!
-Então eram as vossas famílias? Há sempre...
-Não Rúben, não foi nada disso.
-Então o que é que foi?
-Ele morreu, há 9 meses. - Assim que ouvi a resposta senti-me mal. Só queria um buraco para me esconder! Eu ali a fazer gracinhas e... Senti-me dupla ou triplamente mal pelo facto de ter puxado o assunto e ela agora estar provavelmente a relembrar coisas más.
-Desculpa! Desculpa mesmo, Filipa!
-Não faz mal - respondeu, destacando um pequeno sorriso.
-Eu não fazia ideia, desculpa mesmo, Filipa.
-Não faz mal, a serio Rúben.
-Mesmo?
-Mesmo. O Gonçalo era o homem da minha vida e nos primeiros tempos foi difícil aceitar e viver com o facto de que nunca mais ia voltar a tê-lo na minha vida, mas depois lembrei-me do que ele costumava dizer-me muitas vezes. ''A vida passa rápido demais, por isso, qualquer que seja a situação, mesmo que seja a pior situação do mundo, encontra o melhor disso e sorri, porque sorrir cura muitos corações.''
-Como é que ele... ? - perguntei, medrosamente.
-Num acidente de carro. - Ela fez uma brevissima pausa e eu não tive coragem de dizer nada. - Ele saia mais cedo que eu das aulas nesse dia. Tinhamos estado juntos no intervalo, o último da manhã, e ele tinha-me dito que ia a casa num instante e que quando eu acabasse a aula ele estava lá fora à minha espera. O dia estava horrivel, montes de frío, aguaceiros a toda a hora. Ele era prudente na condução, conduzia super bem, só que o piso molhado é mais difícil de manobrar. Ele já ia a mais de metade do camimho de casa, mais uns 60km e chegava, mas não aconteceu.
-Ele despistou-se? - perguntei, porém sempre com um cuidado posterior.
-Não, o condutor da faixa contrária é que se despistou. O piso não ajudava, mas o homem vinha a falar ao telemóvel e só acabou por conseguir parar o carro quando já tinha batido e arrastado o carro do Gonçalo contra uma árvore num passeio.
-Que horror...
-Ele ainda permaneceu acordado até a ambulância chegar, e quando ele percebeu que não ia aguentar ele pediu para me entregarem isto - disse, mencionando o colar que pendia no seu pescoço.
-É lindo - conseguí pronunciar.
-Sim - sorriu levemente. - E queres saber o quão épico aquilo tudo era? - afirmei com um gesto de cabeça. - Eu senti.
-Sentiste? Sentiste o quê?
-Quando ele sofreu o acidente, eu senti. No meio da aula comecei a sentir-me mal, com falta de ar e com umas picadas fortes no peito. Eu senti Rúben, eu senti que alguma coisa tinha acontecido.
-Isso é tão...
-Épico, eu sei.
-Tão desconfortante. Deve ter sido mesmo estranho sentires essas coisas quando aconteceu o acidente.
-Foi estranho, mas depois percebi que fazia sentido.
-Ainda bem que isso nunca me aconteceu, eu ia sentir-me super esquisito.
-Se alguma vez sentires é porque é amor de verdade - sorriu, sorriso esse que me fez sorrir também ao pensar na possibilidade de tal coisa vir a acontecer-me.
-Ainda pensas nele? - perguntei, recuperando melancolía que o sorriso tinha desencaminhado.
-Penso, mas já não é como no principio. Agora penso que ele, esteja onde estiver, sentir-se-há feliz por me ver a seguir em frente, e sempre com um sorriso.
-Acho que ele pensa exactamente isso - apoiei. - E sabes, agora que te conheci, e neste momento comprovei a pessoa fantástica que sempre te afigurei desde que te vi, quero fazer um acordo contigo!
-Um acordo? - perguntou, expectantemente confusa.
-Sim, um acordo. Vamos combinar que nunca vamos deixar o outro ficar triste, vamos estar sempre um ao lado do outro, a apoiar-nos, e vamos fazer o outro sorrir sempre, mesmo que os motivos desapareçam! Combinado? - propus, estendendo a mão na sua direcção para celar o acordo.
-Combinado! - concordou, apertando a minha mão e desencantando um enorme sorriso. Sorri-lhe de igual forma e de seguida olhei para o meu relógio.
-Bem, já está a ficar tarde, eu vou andando - disse, levantando-me do sofá, enquanto a Filipa igualou o gesto.
-Sim, é melhor - concordou.
-A que horas é que entras amanhã?
-Às 10.00h.
-Passo por cá as 09.00h então?
-Pode ser.
-Então pronto, até amanhã - despedi-me, vestindo o casaco e dando-lhe dois beijinhos. - Se precisares de alguma coisa já sabes, liga-me.
-Sim, obrigada - sorriu, fechando a porta depois de dizer ''Até amanhã''. Eu entrei no carro e conduzi até minha casa, onde assim que cheguei me dirigi até ao quarto e depois de trocar de roupa me deitei e adormeci pouco tempo depois.
sábado, 2 de novembro de 2013
Capitulo 31 (parte III)
Olá meninas!!
Aqui está mais um capitulo, espero que gostem e deixem os vossos comentários, por favor, é muito importante!
Besos
Mónica
Visão Mónica
E finalmente era o aniversário do Rúben! Sinceramente, estava ansiosa que chegasse a noite! Queria que ele gostasse da surpresa! Eu e o Rodrigo tratamos dos últimos detalhes com a empresa, e bastou um telefonema, apenas passamos pelo local umas horas mais tarde para verificar tudo e depois regressamos a casa. Fomos arranjar-nos, a Mariana já estava a acabar de se arranjar também e o Mauro chegou lá a casa pouco depois.
(Mariana)
(Mauro)
(Mónica)
(Rodrigo)
-Então pronto, vocês podem ir andando! - disse para a Mariana e para o Mauro. Depois virei-me para o Rodrigo, que tinha acabado de chegar junto de mim. - Também podes ir amor, eu vou ligar ao Rúben daqui a meia hora.
-Tá bom, vamo gente - respondeu ele, dando-me um beijo e saindo de casa com eles. Meia hora depois liguei ao Rúben como havia dito e ele chegou cerca de quarenta minutos depois a casa do Rodrigo.
-Obrigada por vires, Rúben! - disse-lhe, após sair de casa e dirigir-me com ele para o seu carro.
-De nada.
-Se não fosses tu estava feita!
-Então mas onde é que o chato do teu namorado se enfiou para não poder ir contigo a essa apresentação?
-Se queres que te diga nem eu sei bem, só sei que saiu daqui a correr para ir ter com a Mariana!
-Mas está tudo bem?
-Sim! Pelo que ele me disse assim meio a correr acho que foram fazer não sei o quê para os pais, e tinha mesmo de ser agora!
-Bem, está bem, se é importante!
-Mas olha, ao menos assim não ficas fechado em casa no dia dos teus anos!
-Era precisamente o que eu ia fazer se não fosse a tua emergência!
-Mas foste um querido e saíste de casa, e ao menos assim posso passar a noite a chatear-te para não ficares a debater-te com pensamentos desnecessários no teu dia!
-Oh, de qualquer das formas vou pensar! Acreditas que ela não me ligou a dar os parabéns? - A esta altura já tínhamos iniciado caminho, depois de eu ter posto as coordenadas no GPS do carro dele. E pronto, lá estava a Andreia, a atormentar os dias dele. Isso já estava a irritar-me de uma maneira! O Rúben estava sempre a remoer, e ele não era assim, ele era aquele que punha toda a gente a rir, aquele que estava sempre despreocupado e alegre!
-Eu disse que ela estava diferente, e agora tem estado a descarregar em ti!
-Eu já tentei fazê-la ver que está errada em relação ao assunto do Rodrigo, mas agora mesmo que eu não fale nada acerca desse assunto, ou sobre ti ela já atende a chamada mal disposta.
-A questão já nem é o assunto do Rodrigo, Rúben. O maior problema sou eu, já não é a questão de ter traido ou não o Rodrigo, e gostava de poder explicar-te porque é que ela está assim contigo agora, mas não sei, mas se for por minha causa, desculpa.
-Não tens de pedir desculpa, pequenina, ela é que tem de mudar, se não estamos mal.
-Bem, mas olha, é o teu aniversário, não vamos falar de coisas tristes, nem nada disso! Eu quero ver-te a sorrir, muito! Isso já não acontece há muito tempo!
-Ai é que te enganas! Ontem à tarde esse milagre entre estes dias aconteceu! - disse, esboçando finalmente um generoso sorriso.
-Ai foi? Então? - sorri também.
-Foi um sorriso que me pôs a sorrir, acreditas? - e o sorriso não lhe desaparecia!
-Um sorriso? Como é que foi isso?
-Foi de repente. Depois do treino a Andreia ligou-me e voltámos a discutir e eu fiquei passado porque ela mais uma vez me desligou o telemóvel na cara, e com isso tudo acabei por me esquecer do saco de treinos no bar do Estádio, então tive de voltar para trás, só que ia tão passado que fui contra uma rapariga e quando lhe pedi desculpa ela sorriu-me de uma maneira que... sei lá, era o sorriso que eu estava a precisar para sorrir também!
-Bem, esse sorriso deixou-te mesmo feliz! Pela maneira como te deixou a sorrir agora também!
-Acredita que melhorou o meu dia, sem dúvida! É que o sorriso dela transmitia tudo o que eu desejava sentir naquele momento e vê-lo teve simplesmente esse efeito em mim, foi bom, foi muito bom! E veio mesmo em boa hora, porque eu estava prestes a mandar alguma coisa pelo ar!
-Bem, então bem-dita rapariga e o seu lindo sorriso! - ri, ao que ele se juntou a mim.
-É aqui? - perguntou, algo curioso, ao estacionar perto do local onde teríamos destino. E um rasgo do sorriso manteve-se no seu rosto.
-É!
-Não te enganas-te? Geralmente as apresentações não são em veleiros.
-Não, não me enganei! A minha Faculdade tem iniciativas muito modernas, pode ser? Mas eu gosto, eu gosto de estar nestes ambientes!
-Sim, eu também gosto, só não acho muito comum, mas pronto, Faculdades modernas! - Saímos do carro e começamos a andar em direcção ao veleiro. Mandei, despercebidamente, uma mensagem ao Rodrigo a dizer que estávamos prestes a entrar.
-Veleiro Príncipe Perfeito, mesmo a minha cara! - gracejou o Rúben, assim que avistamos o nome do veleiro.
-Nada convencido, tu! - ri
-Pois não! - riu também. E assim que entrámos todos os presentes gritaram um ''Parabéns!'' uníssono, que deixou o Rúben boquiaberto. - Bem parecia que esta apresentação era num sitio esquisito! - disse o Rúben virando-se ligeiramente para mim enquanto ia cumprimentando as pessoas. Eu apenas lhe retribui um sorriso e juntei-me ao meu namorado que tinha acabado de dar um abraço ao Rúben.
Visão Rúben
Tinha planeado ficar em casa. O meu espírito não era de todo o dos anos anteriores para ir festejar o meu aniversários com os meus amigos. Mas houve alguém, que devido à ausência do namorado me chamou! Assim que desliguei a chamada entrei no carro e conduzi até casa do Rodrigo. Durante o caminho conversamos e acabamos por tocar no assunto Andreia, mas ela fez o mesmo dar a volta e fomos parar à rapariga e ao sorriso que me alegrou o dia. E bem, mesmo não o tendo voltado a ver, voltei a sorrir de igual modo como se o houvesse visto. E foi ai que começou o maior tempo que fiquei sem pensar na Andreia, seguido pela surpresa no veleiro! Bem que eu suspeitava que a suposta apresentação que a Mónica iria tinha sido marcada num local incomum! Estavam lá todos os meus amigos, todos aqueles que costumavam estar comigo nos anos anteriores, e estavam lá, aqueles que sem dúvida tinham tratado de elaborar esta surpresa, aqueles que eram os mais importantes, a minha família afectiva, que como sempre, me fizeram sorrir e sentir bem novamente! E ao ver todo o veleiro fiquei ainda mais agradecido! Estava tudo simples mas bonito, fazia-me sentir de certa forma em casa, porque estavam lá todos de quem precisava e o mar deixava-me uma sensação apaziguadora e acolhedora na alma, o que precisava nesta noite para conseguir aproveitar o que eles tinham preparado para mim!
Aqui está mais um capitulo, espero que gostem e deixem os vossos comentários, por favor, é muito importante!
Besos
Mónica
Visão Mónica
E finalmente era o aniversário do Rúben! Sinceramente, estava ansiosa que chegasse a noite! Queria que ele gostasse da surpresa! Eu e o Rodrigo tratamos dos últimos detalhes com a empresa, e bastou um telefonema, apenas passamos pelo local umas horas mais tarde para verificar tudo e depois regressamos a casa. Fomos arranjar-nos, a Mariana já estava a acabar de se arranjar também e o Mauro chegou lá a casa pouco depois.
(Mauro)
(Mónica)
(Rodrigo)
-Então pronto, vocês podem ir andando! - disse para a Mariana e para o Mauro. Depois virei-me para o Rodrigo, que tinha acabado de chegar junto de mim. - Também podes ir amor, eu vou ligar ao Rúben daqui a meia hora.
-Tá bom, vamo gente - respondeu ele, dando-me um beijo e saindo de casa com eles. Meia hora depois liguei ao Rúben como havia dito e ele chegou cerca de quarenta minutos depois a casa do Rodrigo.
-Obrigada por vires, Rúben! - disse-lhe, após sair de casa e dirigir-me com ele para o seu carro.
-De nada.
-Se não fosses tu estava feita!
-Então mas onde é que o chato do teu namorado se enfiou para não poder ir contigo a essa apresentação?
-Se queres que te diga nem eu sei bem, só sei que saiu daqui a correr para ir ter com a Mariana!
-Mas está tudo bem?
-Sim! Pelo que ele me disse assim meio a correr acho que foram fazer não sei o quê para os pais, e tinha mesmo de ser agora!
-Bem, está bem, se é importante!
-Mas olha, ao menos assim não ficas fechado em casa no dia dos teus anos!
-Era precisamente o que eu ia fazer se não fosse a tua emergência!
-Mas foste um querido e saíste de casa, e ao menos assim posso passar a noite a chatear-te para não ficares a debater-te com pensamentos desnecessários no teu dia!
-Oh, de qualquer das formas vou pensar! Acreditas que ela não me ligou a dar os parabéns? - A esta altura já tínhamos iniciado caminho, depois de eu ter posto as coordenadas no GPS do carro dele. E pronto, lá estava a Andreia, a atormentar os dias dele. Isso já estava a irritar-me de uma maneira! O Rúben estava sempre a remoer, e ele não era assim, ele era aquele que punha toda a gente a rir, aquele que estava sempre despreocupado e alegre!
-Eu disse que ela estava diferente, e agora tem estado a descarregar em ti!
-Eu já tentei fazê-la ver que está errada em relação ao assunto do Rodrigo, mas agora mesmo que eu não fale nada acerca desse assunto, ou sobre ti ela já atende a chamada mal disposta.
-A questão já nem é o assunto do Rodrigo, Rúben. O maior problema sou eu, já não é a questão de ter traido ou não o Rodrigo, e gostava de poder explicar-te porque é que ela está assim contigo agora, mas não sei, mas se for por minha causa, desculpa.
-Não tens de pedir desculpa, pequenina, ela é que tem de mudar, se não estamos mal.
-Bem, mas olha, é o teu aniversário, não vamos falar de coisas tristes, nem nada disso! Eu quero ver-te a sorrir, muito! Isso já não acontece há muito tempo!
-Ai é que te enganas! Ontem à tarde esse milagre entre estes dias aconteceu! - disse, esboçando finalmente um generoso sorriso.
-Ai foi? Então? - sorri também.
-Foi um sorriso que me pôs a sorrir, acreditas? - e o sorriso não lhe desaparecia!
-Um sorriso? Como é que foi isso?
-Foi de repente. Depois do treino a Andreia ligou-me e voltámos a discutir e eu fiquei passado porque ela mais uma vez me desligou o telemóvel na cara, e com isso tudo acabei por me esquecer do saco de treinos no bar do Estádio, então tive de voltar para trás, só que ia tão passado que fui contra uma rapariga e quando lhe pedi desculpa ela sorriu-me de uma maneira que... sei lá, era o sorriso que eu estava a precisar para sorrir também!
-Bem, esse sorriso deixou-te mesmo feliz! Pela maneira como te deixou a sorrir agora também!
-Acredita que melhorou o meu dia, sem dúvida! É que o sorriso dela transmitia tudo o que eu desejava sentir naquele momento e vê-lo teve simplesmente esse efeito em mim, foi bom, foi muito bom! E veio mesmo em boa hora, porque eu estava prestes a mandar alguma coisa pelo ar!
-Bem, então bem-dita rapariga e o seu lindo sorriso! - ri, ao que ele se juntou a mim.
-É aqui? - perguntou, algo curioso, ao estacionar perto do local onde teríamos destino. E um rasgo do sorriso manteve-se no seu rosto.
-É!
-Não te enganas-te? Geralmente as apresentações não são em veleiros.
-Não, não me enganei! A minha Faculdade tem iniciativas muito modernas, pode ser? Mas eu gosto, eu gosto de estar nestes ambientes!
-Sim, eu também gosto, só não acho muito comum, mas pronto, Faculdades modernas! - Saímos do carro e começamos a andar em direcção ao veleiro. Mandei, despercebidamente, uma mensagem ao Rodrigo a dizer que estávamos prestes a entrar.
-Veleiro Príncipe Perfeito, mesmo a minha cara! - gracejou o Rúben, assim que avistamos o nome do veleiro.
-Nada convencido, tu! - ri
-Pois não! - riu também. E assim que entrámos todos os presentes gritaram um ''Parabéns!'' uníssono, que deixou o Rúben boquiaberto. - Bem parecia que esta apresentação era num sitio esquisito! - disse o Rúben virando-se ligeiramente para mim enquanto ia cumprimentando as pessoas. Eu apenas lhe retribui um sorriso e juntei-me ao meu namorado que tinha acabado de dar um abraço ao Rúben.
Visão Rúben
Tinha planeado ficar em casa. O meu espírito não era de todo o dos anos anteriores para ir festejar o meu aniversários com os meus amigos. Mas houve alguém, que devido à ausência do namorado me chamou! Assim que desliguei a chamada entrei no carro e conduzi até casa do Rodrigo. Durante o caminho conversamos e acabamos por tocar no assunto Andreia, mas ela fez o mesmo dar a volta e fomos parar à rapariga e ao sorriso que me alegrou o dia. E bem, mesmo não o tendo voltado a ver, voltei a sorrir de igual modo como se o houvesse visto. E foi ai que começou o maior tempo que fiquei sem pensar na Andreia, seguido pela surpresa no veleiro! Bem que eu suspeitava que a suposta apresentação que a Mónica iria tinha sido marcada num local incomum! Estavam lá todos os meus amigos, todos aqueles que costumavam estar comigo nos anos anteriores, e estavam lá, aqueles que sem dúvida tinham tratado de elaborar esta surpresa, aqueles que eram os mais importantes, a minha família afectiva, que como sempre, me fizeram sorrir e sentir bem novamente! E ao ver todo o veleiro fiquei ainda mais agradecido! Estava tudo simples mas bonito, fazia-me sentir de certa forma em casa, porque estavam lá todos de quem precisava e o mar deixava-me uma sensação apaziguadora e acolhedora na alma, o que precisava nesta noite para conseguir aproveitar o que eles tinham preparado para mim!
E como previ pelo entusiasmo de todos e o fantástico ambiente, a noite começou desde logo muito bem, e conversa e gargalhadas não faltavam! Mas a dada altura retrai-me, repentinamente. Não tinha puxado de todo o pensamento, mas uma das músicas que passavam fez-me recordar e pensar num dos vários momentos atribulados de esforços para conquistar a Andreia.
*****
– Viste aquilo, David? Viste?
-Se acalma, Rúben. Como você disse, ela só tá deixando ele fazer essas coisas pra provocar você, não é de verdade – tentou acalmar-me o Rodrigo.
-Achas que eu consigo ficar calmo, Rodrigo? É claro que não consigo! Se fosse a tua namorada ali aposto que já tinhas lá ido! – eu já batia o pé no chão com tanta força que eu próprio me irritava com isso.
-Oh Rúben, vá lá! Sabes que ela está a fazer de propósito! Quanto mais ela vir que te afeta, pior ela vai fazer! – disse a Mónica.
-Oh Mónica, tu sabes como é que é a tua amiga, uma teimosa de primeira, mas sabes que eu ainda sou mais teimoso que ela… - Depois falei mais baixo, em forma de suspiro. – Ai eu não vou desistir não… Estás aqui estás a ver-me a tirar-te das mãos desse menino. Ai estás, estás…
-Oh manz, para aí de bater esse pé no chão! Com tanta força cê ainda vai acabar fazendo um buraco no chão!
-Eu paro de bater o pé, mas quieto também não vou ficar! – levantei-me de rompante da cadeira e preparava-me para ir ter com os outros dois, mas o David e o Rodrigo puseram-se à minha frente, bloqueando-me a passagem.
- Cê não vai fazer nada, Rúben. Agindo de cabeça quente cê ainda vai fazer besteira.
-É manz, não faz nada não, o Rodrigo tá certo. Cê pode se arrepender de alguma coisa.
-É pá, mas eu preciso de lá ir, deixam-me passar?
-Não – responderam os dois ao mesmo tempo.
-Cê vai é sentar aqui de novo e ficar quietinho – disse o David, levando-me a sentar novamente. Sentaram-se os dois, um de cada um dos meus lados, como anteriormente estavam. Calei-me uns segundos, mas voltei a levantar-me.
-Mas eu tenho de lá ir! – tente avançar, mas os dois voltaram a impedir-me, segurando-me pelos ombros e voltando a colar-me à cadeira. Está bem. Se não é a bem, é a mal. Fiquei uns dois minutos calado e quieto, apenas continuando a ter perante os olhos aqueles aos quais eu queria ir ao encontro.
-Já se acalmou? – perguntou o manz. E agora eu ia ter de jogar um bocadinho.
-Já. Pronto, vocês têm razão. Não vou fazer nada, senão ainda me arrependo.
-Finalmente qui você entendeu – disse o Rodrigo.
-É – fingi concordar. Esperei um pouco até as atenções se terem desviado um pouco de mim, e então, num ápice, levantei-me da cadeira e corri, fugindo das mãos que me tentaram segurar, tardiamente. – Desculpem, mas mais teimosos que eu, vocês não são! – Após perceber que ninguém vinha atrás de mim, pois resignaram-se às minhas palavras e ficaram apenas a observar, expectantes, recompus-me e fui ter com a Andreia e o James, que dançavam. Mal cheguei junto deles, arremessei a Andreia dos braços dele e coloquei-a nos meus. – É a minha vez de dançar contigo – disse-lhe, levando-a mais para o meio do salão. Antes ainda consegui ouvir o Garay falar com o James, que ficou sem perceber bem o que se tinha passado.
-Le aconsejamos que no lo haga usted entusiasmares. Ambos tienen una larga historia que va a comenzar.
-E quem é que te disse que eu quero dançar contigo? – perguntou-me a Andreia.
-Não queres dançar com o teu melhor amigo?
-Não me venhas com tretas.
-Ah eu é que ando com tretas? Esta noite, de nós os dois, quem tem andado com treta és tu. Esta noite eu tenho sido totalmente verdadeiro, tenho demonstrado os meus sentimentos por ti a torto e a direito, tenho tentado vezes sem conta que tu também o faças, que tu liberes o teu coração sem medos nem entraves, em frente de todos. Tu só tens fugido. E o pior é que foges do que queres.
-Mas tu queres dançar ou queres falar? É que se é para falares podes ir-te já embora.
-Chiça, que é teimosa!
-Ah ainda não sabias?
-Estás a ver? Já admitiste que estás a ser teimosa! Que tal deixares esse orgulho de lado e aproveitares o que de bom essa escolha tem para te dar?
-E que tal te calares com esse assunto? Já estou cansada disso!
-Pois, mas eu pelo contrário não me canso de lutar pela pessoa que amo.
*****
Decidi ir arejar as ideias para tentar tirar aquelas lembranças que de certa forma me estavam a deixar saudades. Fui até ao convés do veleiro.
Recolhi-me num canto com menos gente e fiquei a observar a água, gelada na noite de Inverno que não estava particularmente fria, mas junto do rio fica sempre mais frio. Ainda bem que decidi vestir uma roupa um bocado mais quente, se não já estava a igualar a temperatura ambiente. Divaguei alguns minutos, e consegui ilibar a minha mente de pensamentos menos bons, decidindo então que ia aproveitar a noite até ir dormir! Virei-me de repente, empolgado com a ideia de viver e pensar depois, e choquei contra alguém. E o destino estava do meu lado ou eu tinha muita sorte!
-Desculpa! - dissemos ao mesmo tempo.
-Outra vez? - sorri.
-Pois - concordou, sorrindo também, e novamente o mesmo sorriso que voltava agora a encher-me de entusiasmo para sorrir!
-Rúben, aleluia que te encontro! - disse a Mónica, chegando ao pé de nós.
-Vim apanhar ar!
-Hm, está bem. Bem olha, queria apresentar-te a Filipa, é ela que está a trabalhar comigo no Estádio! - disse, referindo a desconhecida, virando-se de seguida para a mesma. - Filipa, é o Rúben, já sabes quem é, não é! É o aniversário dele!
-Parabéns! - felicitou-me a rapariga, da qual agora já sabia o nome!
-Obrigado! - agradeci.
-Rúben, não te importas que a tenha convidado, pois não? É que, nós estamos a dar-nos tão bem então decidi convidá-la!
-Não, claro que não, foi uma óptima ideia! - respondi-lhe com um sorriso. - Aliás, nós já meio que nos conhecemos!
-A sério?
-Sim, no Estádio, ontem - respondeu-lhe a Filipa.
-Que bom! - sorriu a Mónica, visivelmente animada por me ver bem disposto.
-Amor, vem aqui por favor! - chamou-a o Rodrigo.
-Bem, eu já volto! - disse-nos, afastando-se em seguida.
-Então tu é que estás a ajudar a minha pequenina? - perguntei, mais constatando o facto.
-A tua pequenina? - perguntou, parecendo algo curiosa. - Vocês são irmãos, ou assim?
-Não, mas é como se fossemos! Ela faz parte daquela família que não é de sangue mas é de coração!
-Isso é lindo!
-E tu também estás linda! - elogiei, tentando não soar indiscreto.
-Obrigada - agradeceu, sorrindo, porém notei-lhe por de trás daquele sorriso simples alguma vergonha ou embaraço, mas não mencionei nada, apenas lhe devolvi um sorriso.
-Então e estão a dar-se bem, hã?
-Sim, muito, gosto muito de trabalhar com ela, para além de ser uma pessoa fantástica, pelo que já temos falado.
-É mesmo! Pode ser pequenina, mas o coração é gigante! Eu acho que a minha família tanto a de sangue como a outra têm todos corações gigantes!
-Isso é bom, isso é que é uma boa família! -sorriu.
-Então e o teu, como está? Grande, pequeno, ocupado, desimpedido, destroçado?
-Grande, mas desimpedido - acabou por responder, desviando cuidadosamente o olhar. Pronto, realmente Rúben, não a conheces e entras logo assim? Vai parecer que te estás a fazer a ela!
-Desculpa, a pergunta foi um bocado deslocada, acabamos de nos conhecer.
-Não faz mal, até é normal, um solteirão como tu tem por hábito fazer essas perguntas assim, eu sei como é.
-Esse é que é o problema, sinto-me mais solteiro que comprometido...! - suspirei. Agora não te queixes, a culpa de a conversa ter vindo aqui parar é tua, Rúben!
-Não percebi - comentou, meio confusa.
-Não vale a pena, hoje não! Queres beber alguma coisa? A vista aqui é linda, mas eu quero aproveitar a festa!
-Pode ser. - Desencostamo-nos do corrimão e seguimos para o interior do veleiro, onde a música soava animada e propicia para dançar.
Visão Rodrigo
-Desculpa amor, tava apresentando eles, né? - perguntei, depois que ela chegou junto de mim.
-Estava, mas chamaste-me mesmo na hora certa, ele já meio que se conheciam, e eu queria arranjar uma desculpa para eles ficarem sozinho.
-Já se conheciam? Como? E, você tá tentando juntar alguém, ou é impressão minha?
-É impressão tua! É só que, o Rúben disse-me, no caminho para cá que quando se cruzou com ela o sorriso dela o fez sorrir também, até quando me contou sorriu, e eu sinto tanta falta do sorriso na cara dele todos os dias! Por isso enquanto eles estiverem os dois na festa quero que o Rúben sorria o mais que for possível para além de que o dia dele já foi pessimista demais hoje, e ele merece ter uma folga nos anos dele!
-Você é tão linda sempre preocupada, sabia? - sorri, abraçando ela.
-Oh, tu sabes que eu só quero ver bem aqueles de quem gosto!
-E se for preciso se esfola toda pra isso!
-Se forem pessoas realmente importantes para mim claro que sim!
-Eu tenho tanto orgulho em você!
-E eu amo-te! - sorriu.
-Eu te amo mais!
-Não vamos discutir isso! - riu.
-Tá, eu prefiro reclamar outra coisa! - sorri, tirando um beijo demorado dela.
-Então e porque é que me chamaste?
-Isso pode esperar! - respondi, voltando a tomar os seus lábios. Ficamos trocando alguns beijos até que a minha irmã acabou interrompendo a gente.
-Eu falei pra você ir buscar ela, não pra se esconder com ela!
-A gente já tava indo!
-Eu tou bem vendo vocês indo! - reclamou, porém sorrindo.
-Então mas porque é que precisavas de mim? - perguntou a minha namorada pra minha irmã.
-Vem comigo! - pediu a minha irmã, segurando a mão da Mónica e a soltando dos meus braços.
-Tá, eu fico esperando aqui! - ri, e a minha namorada olhou pra trás sorrindo antes de desaparecer nas mãos da minha irmã.
-Não fiques triste Rodrigo, elas voltam já! - meio que me zoou o Mauro. Ficamos conversando e pouco depois elas tavam de volta.
-Rápido hein.
-É, eu não demorei tanto pra você não ficar com muita saudade! - riu a minha irmã.
-Hm, obrigado por ter pensado em mim! - ri também.
-De nada! - de seguida se virou pró Mauro e os saíram de junto da gente.
-Então, o que é que a minha irmã queria com você?
-Coisas nossas!
-Na festa do Rúben?
-Sim!
-Cá pra mim vocês foram apreciar um dos empregados!
-Olha que já uns quantos bonitos!
-Tá me descartando?
-Eu? - riu.
-Você.
-Óbvio que não!
-Ah bom!
-Não acredito que ficaste com ciúmes de uma piada parva!
-Eu não!
-Pois, sim... Bem Senhor Ciumento, vamos sair do meio das pessoas? Não quero servir de poste aqui no meio!
-Se você dançasse não ficava servindo disso!
-Pois, só que eu não sou como o meu lindo namorado que sabe dançar!
-Agora eu que sou lindo?
-Continuas a ser ciumento!
-Vem me mostrar esses tais empregados pra eu me sentir melhor?
-Eu disse que era uma piada!
-Então vamo sair daqui e parar de conversar?
-Óptima ideia! - A gente saiu do meio das pessoas e se resguardou num canto mais espaçoso, namorando um pouquinho.
Visão Rúben
Passei a maior parte da noite desde que a Filipa chegou com ela. Conversamos tanto que no final da noite parecia que já nos conhecíamos há mais tempo. E senti-me tão bem, tão despreocupado, sorri o resto da noite! Tirei várias fotografias, incluindo com os meus pais, que claro também estavam presentes, e depois de me cantarem os parabéns, com um bolo provavelmente feito pela minha mãe, veio a cerimónia dos presentes e consequentes gargalhadas!
A festa acabou por volta das duas da manhã, e como sempre, apenas o grupo habitual ficou para o fim, incluindo desta vez a Filipa.
-Bem, eu vou andando! Até amanhã Mónica! - despediu-se a Filipa, dirigindo em seguida para o seu carro.
-Bom, e a gente vai também! - disse o Rodrigo, dando-me um abraço de despedida, ao qual se seguiu o da Mónica.
-Bem, e eu vou também, não vou ficar aqui sozinho, já que o meu irmão decidiu desaparecer com a tua irmã!
-É, vai com cuidado!
-Sim paizinho! E olhem, obrigado pela festa, a sério! - agradeci-lhes.
-Valeu muito a pena, Rúben! - sorriu a Mónica. Depois olhou para trás de mim com expressão confusa. - Aconteceu alguma coisa?- perguntou, e ao virar-me constatei que a Filipa tinha voltado.
-Aconteceu! O meu carro avariou! - respondeu, visivelmente aborrecida. Era a primeira vez que não a vi a sorrir.
-Caraca, e agora?
-E agora eu queria perguntar-vos se alguém me pode levar a casa e amanhã eu chamo o reboque!
-A gente pode levar você, fica no caminho! - ofereceu o Rodrigo.
-Não, eu levo-a.
-Por mim pode ser! - disse a Filipa.
-Mas fica mais distante pra você.
-Mas vocês precisam de ir arrefecer!
-Hã? - disse a Filipa.
-É o normal, precisam de ir os dois arrefecer para casa! As festas têm um efeito sobre vocês, não consigo perceber! - gozei.
-Se você passasse todos os dias agora quase todo o dia sem nem um beijo você ia ficar igual!
-Mas eu passo, agora tu estás sempre necessitado, coitada da rapariga!
-Rúben! - reclamou a Mónica a rir.
-E depois fala que eu que sou fraquinho! - e o Rodrigo a dar aso à conversa!
-Isso já não sei, tens de lhe perguntar a ela, mas és fraquinho porque nem uma vez consegues ficar imune a isso!
-Mas vocês importam-se? Nós estamos aqui! Se querem discutir os vossos problemas de necessidades escolham uma altura em que nós não estejamos presentes, principalmente se eu for incluída na conversa! - disse a Mónica, olhando por último para o Rodrigo de forma punitória, apesar de ser mais um acto para terminar a conversa, enquanto tentava permanecer sem rir.
-Reclama com o teu namorado, ele continuou a conversa e disse que estava...
-Cala-te Rúben Filipe! E nós vamos embora! - adverteu-me, virando-se de seguida para o Rodrigo, que estava a rir-se, e dando-lhe uma pequena palmada no rabo em forma de protesto, enquanto o empurrava em direcção ao carro.
-Ui que eu já vi quem é que manda lá em casa! - ri.
-Cala-te Rúben! - disse mais uma vez. - Filipa, não te importas mesmo que o Rúben te leve?
-Claro que não, podem ir embora! - respondeu-lhe enquanto ria também um pouco mais disfarçadamente.
-Está bem, então até amanhã! - despediu-se a Mónica, entrando no carro.
-Foste um bocadinho mau! - riu a Filipa, assim que eles arrancaram viagem e nós nos dirigimos ao meu carro.
-Isto nem foi nada, mas eles já estão mais que habituados comigo! Não viste o Rodrigo a responder-me?
-Vocês são a comédia!
-E só passaste uma noite connosco!
-E espero passar mais, gostei muito de hoje!
-Eu também! Só não vão haver é festas como hoje, mas sempre que quiseres, da minha parte, podes estar connosco!
-Obrigada! - sorriu. Durante o percurso até ao apartamento onde ela morava não houve quase nunca conversa sem ser a dos locutores da rádio que passava àquela hora. E entretanto chegámos. - Obrigada por me teres trazido, Rúben - agradeceu.
-Não tens de agradecer - sorri educadamente. Acho que devo ter parecido um pouco apático, mas estava a debater-me nos últimos minutos acerca de uma pergunta que lhe queria fazer, à qual acabei mesmo por ceder. - Filipa, posso pedir-te uma coisa?
-Sim, acho que sim - respondeu, soando naturalmente confusa e um pouco cautelosa.
-Sempre que estiveres comigo, sorris?
-Não é difícil não o fazer, tu metes todos os que estão contigo a rir! - sorriu.
-Eu sei, mas, há já alguns dias que não fazia isso, já sentia falta disso, e voltei a fazê-lo porque me fizeste voltar a sorrir.
-Eu?
-Sim. Quando nos cruzamos no Estádio eu não estava bem, mas quando vi o teu sorriso, acho que me fez lembrar o meu, e desde ai voltei a sorrir. Hoje quando nos voltamos a encontrar eu estava a começar a desanimar novamente, mas depois tu apareceste e o teu sorriso ajudou-me outra vez, estiveste comigo a noite toda e eu sorri a noite toda. Tu fazes-me sentir bem, fazes-me sentir o eu de sempre outra vez.
-Ah, bem, olha Rúben, sinceramente nem sei bem o que hei-de te dizer, mas, sei lá, fico contente por teres voltado a sorrir. Não sei qual foi o motivo para teres deixado de o fazer, mas ainda bem que voltaste a fazê-lo. O teu sorriso para além de contagioso é lindo.
-Surpreendentemente o motivo é aquele que antes me fazia sorrir.
-Hmm, coração destroçado? - perguntou, cautelosamente, utilizando os termos que eu utilizara primeiramente.
-Sim, acho que já está a chegar ai...
-Eu não sei fazer milagres, mas se o meu sorriso te ajudar a esquecer um bocadinho e a sorrir, eu vou sorrir sempre!
-Obrigado!
-De nada! Bem, eu vou subir, preciso de descansar! Boa noite, Rúben!
-Boa noite, Filipa, e obrigado por teres vindo à festa! - agradeci, após ela já se encontrar no passeio. Ela respondeu apenas com um sorriso e virou costas para ir para casa. Voltei a ligar o carro e segui para minha casa.
Visão Mónica
Finalmente tínhamos chegado a casa! Estava cansada, e tinha de me levantar cedo para ir para a Faculdade, mas ao organizar a festa sabia que teria de me aguentar depois! Apesar do pensamento pesaroso, sentia-me muito feliz! A festa tinha sido linda, o Rúben tinha gostado, e tinha passado a noite a sorrir. E com a Filipa. Ela era a rapariga do sorriso! Agora ainda estava mais agradecida! Eu gostava bastante dela, dai tê-la convidado, e o facto de ela ter chegado e passado a noite a fazer sorrir o Rúben, ainda era mais propicio para lhe agradecer umas quinhentas vezes! Assim que cheguei ao quarto descalcei-me e sentei-me aos pés da cama.
-Muito cansada, amor? - perguntou-me o Rodrigo, em pé à minha frente, despindo o blazer.
-Sim! Eu acho que nem vou dormir, se não de manhã nas aulas e depois no Estádio vou andar a arrastar-me!
-Eu fico acordado com você, não tou com sono mesmo.
-Isso era suposto ter a intenção de me dizer indirectamente que amanhã tu ficas a dormir e eu vou para a Faculdade, ou era apenas uma oferta inocente?
-Oferta era, agora inocente ou não você que escolhe.
-Ai Rodrigo, assim não vale!
-Assim como? - perguntou com um sorriso, sentando-se ao meu lado.
-Assim, essas propostas indirectamente indecentes a estas horas e quando eu preciso dormir mas não vou fazê-lo!
-A gente não vai ficar acordado toda a noite? Tem que fazer alguma coisa...
-Cansar-me mais não ajuda muito.
-Isso te cansa? - perguntou, passando as pontas dos dedos pelas minhas costas. Foi o suficiente para me arrepiar e aceitar deliberadamente a sua proposta.
-Se fizeres isso a noite toda sim, porque vai aborrecer-me de tão repetitivo - respondi, insinuosamente.
-Quem falou que era só isso?
-Ai há mais?
-Tudo que você quiser.
-Hmm, assim está bem - concordei, sorrindo provocadoramente, enquanto subia com as mãos a sua camisola para retirá-la do seu corpo. - Mas vais durar até às sete e meia da manhã?
-Me provoca de vagar e eu vou tentar.
-Então tem de ser muito devagarinho... - sorri, começando por deixar-lhe um beijo no pescoço.
*****
Decidi ir arejar as ideias para tentar tirar aquelas lembranças que de certa forma me estavam a deixar saudades. Fui até ao convés do veleiro.
-Desculpa! - dissemos ao mesmo tempo.
-Outra vez? - sorri.
-Pois - concordou, sorrindo também, e novamente o mesmo sorriso que voltava agora a encher-me de entusiasmo para sorrir!
-Rúben, aleluia que te encontro! - disse a Mónica, chegando ao pé de nós.
-Vim apanhar ar!
-Hm, está bem. Bem olha, queria apresentar-te a Filipa, é ela que está a trabalhar comigo no Estádio! - disse, referindo a desconhecida, virando-se de seguida para a mesma. - Filipa, é o Rúben, já sabes quem é, não é! É o aniversário dele!
-Parabéns! - felicitou-me a rapariga, da qual agora já sabia o nome!
-Obrigado! - agradeci.
-Rúben, não te importas que a tenha convidado, pois não? É que, nós estamos a dar-nos tão bem então decidi convidá-la!
-Não, claro que não, foi uma óptima ideia! - respondi-lhe com um sorriso. - Aliás, nós já meio que nos conhecemos!
-A sério?
-Sim, no Estádio, ontem - respondeu-lhe a Filipa.
-Que bom! - sorriu a Mónica, visivelmente animada por me ver bem disposto.
-Amor, vem aqui por favor! - chamou-a o Rodrigo.
-Bem, eu já volto! - disse-nos, afastando-se em seguida.
-Então tu é que estás a ajudar a minha pequenina? - perguntei, mais constatando o facto.
-A tua pequenina? - perguntou, parecendo algo curiosa. - Vocês são irmãos, ou assim?
-Não, mas é como se fossemos! Ela faz parte daquela família que não é de sangue mas é de coração!
-Isso é lindo!
-E tu também estás linda! - elogiei, tentando não soar indiscreto.
(Filipa)
-Então e estão a dar-se bem, hã?
-Sim, muito, gosto muito de trabalhar com ela, para além de ser uma pessoa fantástica, pelo que já temos falado.
-É mesmo! Pode ser pequenina, mas o coração é gigante! Eu acho que a minha família tanto a de sangue como a outra têm todos corações gigantes!
-Isso é bom, isso é que é uma boa família! -sorriu.
-Então e o teu, como está? Grande, pequeno, ocupado, desimpedido, destroçado?
-Grande, mas desimpedido - acabou por responder, desviando cuidadosamente o olhar. Pronto, realmente Rúben, não a conheces e entras logo assim? Vai parecer que te estás a fazer a ela!
-Desculpa, a pergunta foi um bocado deslocada, acabamos de nos conhecer.
-Não faz mal, até é normal, um solteirão como tu tem por hábito fazer essas perguntas assim, eu sei como é.
-Esse é que é o problema, sinto-me mais solteiro que comprometido...! - suspirei. Agora não te queixes, a culpa de a conversa ter vindo aqui parar é tua, Rúben!
-Não percebi - comentou, meio confusa.
-Não vale a pena, hoje não! Queres beber alguma coisa? A vista aqui é linda, mas eu quero aproveitar a festa!
-Pode ser. - Desencostamo-nos do corrimão e seguimos para o interior do veleiro, onde a música soava animada e propicia para dançar.
Visão Rodrigo
-Desculpa amor, tava apresentando eles, né? - perguntei, depois que ela chegou junto de mim.
-Estava, mas chamaste-me mesmo na hora certa, ele já meio que se conheciam, e eu queria arranjar uma desculpa para eles ficarem sozinho.
-Já se conheciam? Como? E, você tá tentando juntar alguém, ou é impressão minha?
-É impressão tua! É só que, o Rúben disse-me, no caminho para cá que quando se cruzou com ela o sorriso dela o fez sorrir também, até quando me contou sorriu, e eu sinto tanta falta do sorriso na cara dele todos os dias! Por isso enquanto eles estiverem os dois na festa quero que o Rúben sorria o mais que for possível para além de que o dia dele já foi pessimista demais hoje, e ele merece ter uma folga nos anos dele!
-Você é tão linda sempre preocupada, sabia? - sorri, abraçando ela.
-Oh, tu sabes que eu só quero ver bem aqueles de quem gosto!
-E se for preciso se esfola toda pra isso!
-Se forem pessoas realmente importantes para mim claro que sim!
-Eu tenho tanto orgulho em você!
-E eu amo-te! - sorriu.
-Eu te amo mais!
-Não vamos discutir isso! - riu.
-Tá, eu prefiro reclamar outra coisa! - sorri, tirando um beijo demorado dela.
-Então e porque é que me chamaste?
-Isso pode esperar! - respondi, voltando a tomar os seus lábios. Ficamos trocando alguns beijos até que a minha irmã acabou interrompendo a gente.
-Eu falei pra você ir buscar ela, não pra se esconder com ela!
-A gente já tava indo!
-Eu tou bem vendo vocês indo! - reclamou, porém sorrindo.
-Então mas porque é que precisavas de mim? - perguntou a minha namorada pra minha irmã.
-Vem comigo! - pediu a minha irmã, segurando a mão da Mónica e a soltando dos meus braços.
-Tá, eu fico esperando aqui! - ri, e a minha namorada olhou pra trás sorrindo antes de desaparecer nas mãos da minha irmã.
-Não fiques triste Rodrigo, elas voltam já! - meio que me zoou o Mauro. Ficamos conversando e pouco depois elas tavam de volta.
-Rápido hein.
-É, eu não demorei tanto pra você não ficar com muita saudade! - riu a minha irmã.
-Hm, obrigado por ter pensado em mim! - ri também.
-De nada! - de seguida se virou pró Mauro e os saíram de junto da gente.
-Então, o que é que a minha irmã queria com você?
-Coisas nossas!
-Na festa do Rúben?
-Sim!
-Cá pra mim vocês foram apreciar um dos empregados!
-Olha que já uns quantos bonitos!
-Tá me descartando?
-Eu? - riu.
-Você.
-Óbvio que não!
-Ah bom!
-Não acredito que ficaste com ciúmes de uma piada parva!
-Eu não!
-Pois, sim... Bem Senhor Ciumento, vamos sair do meio das pessoas? Não quero servir de poste aqui no meio!
-Se você dançasse não ficava servindo disso!
-Pois, só que eu não sou como o meu lindo namorado que sabe dançar!
-Agora eu que sou lindo?
-Continuas a ser ciumento!
-Vem me mostrar esses tais empregados pra eu me sentir melhor?
-Eu disse que era uma piada!
-Então vamo sair daqui e parar de conversar?
-Óptima ideia! - A gente saiu do meio das pessoas e se resguardou num canto mais espaçoso, namorando um pouquinho.
Visão Rúben
Passei a maior parte da noite desde que a Filipa chegou com ela. Conversamos tanto que no final da noite parecia que já nos conhecíamos há mais tempo. E senti-me tão bem, tão despreocupado, sorri o resto da noite! Tirei várias fotografias, incluindo com os meus pais, que claro também estavam presentes, e depois de me cantarem os parabéns, com um bolo provavelmente feito pela minha mãe, veio a cerimónia dos presentes e consequentes gargalhadas!
A festa acabou por volta das duas da manhã, e como sempre, apenas o grupo habitual ficou para o fim, incluindo desta vez a Filipa.
-Bem, eu vou andando! Até amanhã Mónica! - despediu-se a Filipa, dirigindo em seguida para o seu carro.
-Bom, e a gente vai também! - disse o Rodrigo, dando-me um abraço de despedida, ao qual se seguiu o da Mónica.
-Bem, e eu vou também, não vou ficar aqui sozinho, já que o meu irmão decidiu desaparecer com a tua irmã!
-É, vai com cuidado!
-Sim paizinho! E olhem, obrigado pela festa, a sério! - agradeci-lhes.
-Valeu muito a pena, Rúben! - sorriu a Mónica. Depois olhou para trás de mim com expressão confusa. - Aconteceu alguma coisa?- perguntou, e ao virar-me constatei que a Filipa tinha voltado.
-Aconteceu! O meu carro avariou! - respondeu, visivelmente aborrecida. Era a primeira vez que não a vi a sorrir.
-Caraca, e agora?
-E agora eu queria perguntar-vos se alguém me pode levar a casa e amanhã eu chamo o reboque!
-A gente pode levar você, fica no caminho! - ofereceu o Rodrigo.
-Não, eu levo-a.
-Por mim pode ser! - disse a Filipa.
-Mas fica mais distante pra você.
-Mas vocês precisam de ir arrefecer!
-Hã? - disse a Filipa.
-É o normal, precisam de ir os dois arrefecer para casa! As festas têm um efeito sobre vocês, não consigo perceber! - gozei.
-Se você passasse todos os dias agora quase todo o dia sem nem um beijo você ia ficar igual!
-Mas eu passo, agora tu estás sempre necessitado, coitada da rapariga!
-Rúben! - reclamou a Mónica a rir.
-E depois fala que eu que sou fraquinho! - e o Rodrigo a dar aso à conversa!
-Isso já não sei, tens de lhe perguntar a ela, mas és fraquinho porque nem uma vez consegues ficar imune a isso!
-Mas vocês importam-se? Nós estamos aqui! Se querem discutir os vossos problemas de necessidades escolham uma altura em que nós não estejamos presentes, principalmente se eu for incluída na conversa! - disse a Mónica, olhando por último para o Rodrigo de forma punitória, apesar de ser mais um acto para terminar a conversa, enquanto tentava permanecer sem rir.
-Reclama com o teu namorado, ele continuou a conversa e disse que estava...
-Cala-te Rúben Filipe! E nós vamos embora! - adverteu-me, virando-se de seguida para o Rodrigo, que estava a rir-se, e dando-lhe uma pequena palmada no rabo em forma de protesto, enquanto o empurrava em direcção ao carro.
-Ui que eu já vi quem é que manda lá em casa! - ri.
-Cala-te Rúben! - disse mais uma vez. - Filipa, não te importas mesmo que o Rúben te leve?
-Claro que não, podem ir embora! - respondeu-lhe enquanto ria também um pouco mais disfarçadamente.
-Está bem, então até amanhã! - despediu-se a Mónica, entrando no carro.
-Foste um bocadinho mau! - riu a Filipa, assim que eles arrancaram viagem e nós nos dirigimos ao meu carro.
-Isto nem foi nada, mas eles já estão mais que habituados comigo! Não viste o Rodrigo a responder-me?
-Vocês são a comédia!
-E só passaste uma noite connosco!
-E espero passar mais, gostei muito de hoje!
-Eu também! Só não vão haver é festas como hoje, mas sempre que quiseres, da minha parte, podes estar connosco!
-Obrigada! - sorriu. Durante o percurso até ao apartamento onde ela morava não houve quase nunca conversa sem ser a dos locutores da rádio que passava àquela hora. E entretanto chegámos. - Obrigada por me teres trazido, Rúben - agradeceu.
-Não tens de agradecer - sorri educadamente. Acho que devo ter parecido um pouco apático, mas estava a debater-me nos últimos minutos acerca de uma pergunta que lhe queria fazer, à qual acabei mesmo por ceder. - Filipa, posso pedir-te uma coisa?
-Sim, acho que sim - respondeu, soando naturalmente confusa e um pouco cautelosa.
-Sempre que estiveres comigo, sorris?
-Não é difícil não o fazer, tu metes todos os que estão contigo a rir! - sorriu.
-Eu sei, mas, há já alguns dias que não fazia isso, já sentia falta disso, e voltei a fazê-lo porque me fizeste voltar a sorrir.
-Eu?
-Sim. Quando nos cruzamos no Estádio eu não estava bem, mas quando vi o teu sorriso, acho que me fez lembrar o meu, e desde ai voltei a sorrir. Hoje quando nos voltamos a encontrar eu estava a começar a desanimar novamente, mas depois tu apareceste e o teu sorriso ajudou-me outra vez, estiveste comigo a noite toda e eu sorri a noite toda. Tu fazes-me sentir bem, fazes-me sentir o eu de sempre outra vez.
-Ah, bem, olha Rúben, sinceramente nem sei bem o que hei-de te dizer, mas, sei lá, fico contente por teres voltado a sorrir. Não sei qual foi o motivo para teres deixado de o fazer, mas ainda bem que voltaste a fazê-lo. O teu sorriso para além de contagioso é lindo.
-Surpreendentemente o motivo é aquele que antes me fazia sorrir.
-Hmm, coração destroçado? - perguntou, cautelosamente, utilizando os termos que eu utilizara primeiramente.
-Sim, acho que já está a chegar ai...
-Eu não sei fazer milagres, mas se o meu sorriso te ajudar a esquecer um bocadinho e a sorrir, eu vou sorrir sempre!
-Obrigado!
-De nada! Bem, eu vou subir, preciso de descansar! Boa noite, Rúben!
-Boa noite, Filipa, e obrigado por teres vindo à festa! - agradeci, após ela já se encontrar no passeio. Ela respondeu apenas com um sorriso e virou costas para ir para casa. Voltei a ligar o carro e segui para minha casa.
Visão Mónica
Finalmente tínhamos chegado a casa! Estava cansada, e tinha de me levantar cedo para ir para a Faculdade, mas ao organizar a festa sabia que teria de me aguentar depois! Apesar do pensamento pesaroso, sentia-me muito feliz! A festa tinha sido linda, o Rúben tinha gostado, e tinha passado a noite a sorrir. E com a Filipa. Ela era a rapariga do sorriso! Agora ainda estava mais agradecida! Eu gostava bastante dela, dai tê-la convidado, e o facto de ela ter chegado e passado a noite a fazer sorrir o Rúben, ainda era mais propicio para lhe agradecer umas quinhentas vezes! Assim que cheguei ao quarto descalcei-me e sentei-me aos pés da cama.
-Muito cansada, amor? - perguntou-me o Rodrigo, em pé à minha frente, despindo o blazer.
-Sim! Eu acho que nem vou dormir, se não de manhã nas aulas e depois no Estádio vou andar a arrastar-me!
-Eu fico acordado com você, não tou com sono mesmo.
-Isso era suposto ter a intenção de me dizer indirectamente que amanhã tu ficas a dormir e eu vou para a Faculdade, ou era apenas uma oferta inocente?
-Oferta era, agora inocente ou não você que escolhe.
-Ai Rodrigo, assim não vale!
-Assim como? - perguntou com um sorriso, sentando-se ao meu lado.
-Assim, essas propostas indirectamente indecentes a estas horas e quando eu preciso dormir mas não vou fazê-lo!
-A gente não vai ficar acordado toda a noite? Tem que fazer alguma coisa...
-Cansar-me mais não ajuda muito.
-Isso te cansa? - perguntou, passando as pontas dos dedos pelas minhas costas. Foi o suficiente para me arrepiar e aceitar deliberadamente a sua proposta.
-Se fizeres isso a noite toda sim, porque vai aborrecer-me de tão repetitivo - respondi, insinuosamente.
-Quem falou que era só isso?
-Ai há mais?
-Tudo que você quiser.
-Hmm, assim está bem - concordei, sorrindo provocadoramente, enquanto subia com as mãos a sua camisola para retirá-la do seu corpo. - Mas vais durar até às sete e meia da manhã?
-Me provoca de vagar e eu vou tentar.
-Então tem de ser muito devagarinho... - sorri, começando por deixar-lhe um beijo no pescoço.
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