quinta-feira, 20 de março de 2014

Capitulo 33 (parte I)

Olá meninas! Bem, finalmente mais um capitulo! Desculpem a demora, mas prnto, sabem que o tempo não me estende! Espero que gostem e comentem, e em breve postarei também o 2ºcapitulo da minha nova fic ''O melhor de nós''!
Besitos

P.s.- Bf (Filipa Gonçalves), este é especial, por isso delicia-te, ahah! Te quiero <3

Visão Rúben

Depois de jantar voltei para o sofá. O dia estava realmente a fazer-me sentir saudades do meu optimismo e até de ser o palhaço de serviço do grupo de amigos. Sentia-me tão estranho assim, de ânimo pesado, sem paciência para nada, aborrecido, e sobretudo, solitariamente triste. Estava a passar os canais da televisão quando o meu telemóvel tocou. Olhei para o visor e apesar da não-vontade, suspirei, antes de atender a chamada da Andreia.
-Sim - atendi, desprovido de qualquer contentamento na voz.
-Olá Rúben - disse. E imediatamente denotei o tom dócil e ao mesmo tempo nervoso na sua voz.
-Olá.
-Viste as minhas mensagens?
-Vi, mas sinceramente não estava com paciência para responder. Mas de qualquer maneira já estamos a falar, por isso sobre o que é que querias conversar?
-É sobre nós - hesitou.
-Uau, deves mesmo ter pensado como deve ser uma vez neste tempo todo, para decidir que precisamos falar sobre nós. Apesar de em todas as pseudo-conversas que temos tido até agora se perceber perfeitamente que não estamos bem e precisamos de conversar.
-Sim, pois, foi mais ou menos.
-Podes começar, então. Acho que aqui a única que tem algum pedido de desculpas a fazer és tu.
-Hm, é... É mais pedir que me perdoes. Eu... Eu errei.
-Ah, não me digas! Depois de tantos berros, disparates e insultos, finalmente percebeste! Vais fazer o mesmo com a tua suposta ex-melhor amiga?
-Ela não tem nada a ver com isto.
-Ai não? Que eu saiba as discussões entre nós começaram ainda no assunto da suposta traição dela ao Rodrigo, depois é que acabaram por ir nem sei por onde!
-O meu pedido de perdão não abrange o assunto deles. Continuo com a opinião que não a conheço apesar de tudo, e isso não vai mudar. Só nos abrange a nós os dois.
-Eu é que já estou a perder a noção se de facto te reconheço neste momento. Mas pronto, diz-me lá em que discussão é que começa? Na que me desligaste o telemóvel na cara pela primeira vez? Ou naquela em que vieste desculpar-te com a falta de tempo para te teres esquecido de me dar os parabéns?
-Eu pensei que íamos falar como adultos, mas estás a ter uma atitude contrária.
-Não estás a gostar que fale contigo como tu me tens feito, sem motivo aparente? Pois eu também não gostei nada e tentei fazer-te parar e pensar, mas foi preciso eu me afastar para perceberes isso.
-O que eu tenho para te dizer é importante.
-Ah, mas cuidar da nossa relação na altura devida não era importante? É que pareceu.
-Posso falar?
-Já falaste algumas vezes e ainda não disseste nada!
-Eu não estou a brincar, estou a falar a sério!
-E tu julgaste que andei a brincar este tempo todo?
-Eu traí-te! - disse de uma só vez. A agitação electrizante que me estava a fazer descer ao seu nivel de conversa dos últimos tempos estagnou subitamente.
-O quê? - perguntei, quase suspendendo a voz de tão baixo que saiu o som.
-Eu traí-te - repetiu. - E não foi só uma noite. - Não sei se foi do choque, da surpresa, mas não respondi nem questionei nada, fiquei ali apenas, mudo. - Foi com o Michael, o melhor amigo do melhor amigo da Mónica. Ele andava a atirar-se a mim desde que conhecemos o Zach, e na primeira vez que discutimos eu fui dar uma volta para espairecer e ele apareceu e viu-me naquele estado... e aconteceu. - E aconteceu, repeti mentalmente as suas palavras, borbulhando de indignação. Como é que estas coisas podem acontecer? - Não dizes nada? - perguntou, cautelosa.
-Queres que diga o quê? - respondi apaticamente.
-Não sei, qualquer coisa.
-É?  Então pronto, olha, parabéns, muitos parabéns por à mínima discussão te meteres na cama com o primeiro que te aparece à frente!  Ah, e espera, não foi só uma noite, não é? Foram quantas vezes após cada discussão? E os remorsos, ainda estão quentinhos no fundo da cama?
-Não sejas parvo, Rúben!
-Ai, não, espera, para além de cornudo agora também sou parvo? Por favor, Andreia!
-Não fales assim!
-Assim como? Quer dizer, para além de me traíres vezes repetidas, sem eu te dar quaisquer razões, ainda me vens ofender? Não é preciso, já me trespassaste o orgulho ao confessar as traições!
-Foi só com o Michael!
-Não me interessa, traíste-me, porra! Que motivos é que eu te dei para fazeres isso? Nenhuns! E essas coisas não acontecem! Se aconteceu foi porque tu quiseste, tu deixaste, não me venhas dizer que aconteceu, que aí nem a fragilidade assume as culpas!
-Eu não estou a tentar esquivar-me das culpas!
-Nem vale a pena tentares, porque a culpa é tua, só tua!
-Se calhar não foi só minha!
-Ai não? Foi de quem mais, então?
-Se calhar também é tua, em parte!
-Minha?! - ri sarcasticamente.
-Sim, tua! Estás tão longe de mim! E foste contraditório na tua opinião sobre o assunto do Rodrigo e da Mónica! Isso é que começou todas as discussões!
-E dizes tu que não estás a esquivar-te das culpas! Estamos longe, mas desde o inicio que esse obstáculo era sabido, se decidimos ficar juntos tínhamos pela noção de que tínhamos de ser fortes perante a distância! E o assunto deles, eu não fui contraditório, simplesmente errei e depois percebi e corrigi o meu erro! Tu é que deixaste que esse assunto nos afastasse! E já que estamos a falar neles, podias tomá-los como exemplo! A distância entre eles era exactamente a mesma que a nossa, e nem por isso algum deles vacilou, pelo contrário, tornou-os mais fortes, fiéis, apaixonados! E tu ainda andavas com moralismos na suposta questão de a Mónica o ter traído! Olha o que é que fizeste tu!
-Ai está a diferença, a distância era a mesma! Ela voltou, eles estão juntos agora!
-Nós também podíamos estar, se tu quisesses, e apesar de eu querer, não foi por ficares aí que desisti de nós! Mas acredita que se ela tivesse ficado, não tenho a menor dúvida que nada ia mudar entre eles! Eu pensei que o que nós sentíamos um pelo outro era suficientemente forte e puro, como eles, depois de tudo o que passámos, para suportar tudo o que se nos opusesse, mas estava enganado.
-E é!
-Não, não é. Até porque o nós desapareceu.
-Rúben, não digas isso! Eu preciso que me perdoes para ficarmos bem! Eu até estou disposta a voltar para aí, de vez, para ficar do teu lado!
-Não sacrifiques coisas desnecessárias, fica aí, vive o teu sonho, tentar ser fiel à tua nova aventura e sê feliz. E esquece-me.
-Não me peças isso, Rúben! - implorou, esganiçando a voz chorosa.
-Não estou a pedir-te nada, estou a dar-te uma sugestão útil, porque de mim não vais ter mais nada. O que eu quero é que a distância se mantenha, não te quero ver, arruinaste a admiração que sentia por ti, assim como tudo o resto. E agora se não te importas, tenho de desligar e afogar as mágoas e curara as feridas. - Desliguei a chamada. Permaneci alguns segundos vidrado no telemóvel, que após terminado o estado de dormência atirei contra a parede, acompanhado com um grito, seguido de lágrimas silenciosas.

Visão Filipa

O sonho com o Gonçalo persistia em perseguir-me. Escassos eram os minutos nos quais o mesmo não me vinha à mente, e estava prestes a endoidecer! Todos os entraves, quer da minha parte quer do Rúben demonstravam teimosia, e todos os prós e contras, todos os quereres e não-quereres estavam a deixar-me tonta de tanto rodopio na minha mente. Depois de ter jantado e arrumado a cozinha fui vestir o pijama e fui para o sofá da sala, enroscada numa manta, de livro na mão e com apenas o pequeno candeeiro na sala acesso. Acabei por conseguir focar-me realmente no livro e abstrair-me, porém, após quase uma hora de leitura, parei para descansar um pouco a vista e aí retornaram as memórias do sonho. Como é que era possível um sonho deixar-me assim? De repente, despertei do transe em que me tinha envolvido com os meus pensamentos, com o toque do telefone de casa.
-Estou?
-Filipa, é o Rúben – ouvi do outro lado. O meu pensamento imediato destinou-se ao sonho, porém notei-lhe a voz embargada, soava tão carregada e triste.
-Rúben – respondi. – Está tudo bem?
-Nem por isso. Eu queria… Estás muito ocupada?
-Não, não estou a fazer nada demais. Precisas de alguma coisa?
-Achas que posso ir ter contigo?
-Claro, sim, podes.
-Ainda bem, obrigado. Eu vou sair agora de casa, então.
-Sim, está bem. E ainda não sei o que se passa, mas, vem com cuidado, por favor.
-Sim, não te preocupes. Até já.
-Até já.
Depois de terminada a chamada não evitei sentir-me preocupada. A voz do Rúben estava tão preenchida de negativismo que me levou a pensar em inúmeras razões pelo seu estado, mas era desnecessário tentar adivinhar, pois não teria certeza da razão de igual modo, pelo que era obrigada a esperar que ele chegasse. Quarenta e cinco minutos de espera passaram de forma lenta, até que tocaram à campainha e após abrir me deparei de facto com o Rúben. Se a sua voz me soara mal, o seu aspecto caíra-me pior. O semblante triste era algo que não lhe assentava, simplesmente. Sem nenhum sorriso a oferecer, não parecia o Rúben. Tinha os olhos inchados e vermelhos, logo, tinha estado a chorar. Não dirigimos qualquer para um ao outro, simplesmente abrimos os braços e abraçamo-nos. Ele respirava pesadamente, tentando conter as lágrimas, enquanto o seu abraço permanecia forte. Assim que nos soltámos, fechei a porta de entrada e dirigimo-nos à sala, onde nos sentámos no sofá.
-Desculpa vir a estas horas – desculpou-se.
-Não tens de pedir desculpa. Eu quero é saber o que é que se passa contigo.
-Eu falei com a Andreia, hoje à noite. – Mantive-me silenciosa, para que ele pudesse continuar, porém, cada segundo que decorria mostrava cada vez mais a contenção dele para não chorar, o que me dava vontade de bombardeá-lo com perguntas de teor revoltado para com a namorada dele. Por fim ele continuou. – Ela traiu-me, mais que uma vez. – E após a confissão as lágrimas descambaram, silenciosas no seu rosto. Era tão doloroso vê-lo assim, a chorar. O Rúben era aquele que não aparecia sem um sorriso, e agora estava ali, a chorar.
-Oh Rúben… - disse, abraçando-o e deixando-o escorrer a alma ferida no meu ombro.

-O que é que eu fiz para merecer isto? Eu sempre fiz tudo por ela, sempre a respeitei, sempre a amei e dei-lhe o melhor de mim! Porque é que ela me fez isto? – chorava, fazendo perguntas, retóricas, certamente.
-Tu és uma pessoa incrível, Rúben, não te martirizes com o que possas ter feito, porque tenho a certeza que tudo o que fizeste foi bem, a errada aqui foi ela – ainda assim tentei acalmar as suas dúvidas ou desabafos.
-Mas ela traiu-me, mesmo eu sendo essa pessoa incrível, como tu dizes.
-É ela que vai ficar com remorsos se for capaz de se sentir culpada, não tu.
-Ai se vai! Que fique com eles metade da vida! Eu vou seguir em frente e ela que se remoa!
-É assim mesmo, Rúben! Aqui quem perdeu foi ela – concordei, aquando de soltarmos o abraço. Vislumbrei-lhe rapidamente um fraco delinear de um sorriso.
-Obrigado.
-Por quê?
-Por me deixares vir incomodar-te a estas horas com isto.
-Não tens de agradecer.
-Tenho sim. Quem é que atura uma pessoa como eu a chorar como um menino, quase à meia-noite? É preciso ter a paciência de uns quantos santos juntos!
-Não Rúben, é preciso apenas ser-se amiga deste rapaz incrível que todos conhecemos, mas que como toda a gente tem direito a chorar e a ter as coisas más para que são precisos os amigos.
-És muito minha amiga, então!
-Para tudo o que tu precisares.
-Agora a sério, obrig…
-Podes parar por aí que já passámos essa fase! – Ele gargalhou, o que me fez sorriso.
-Então e em que parte é que estamos agora? – sorriu, nitidamente melhor!
-Estamos na parte em que vamos fazer alguma coisa para nos distrairmos!
-Sugestões?
-Filme?
-Só se for uma comédia!
-Exactamente o que se precisa agora!
-Posso ir fazer as pipocas? – perguntou, sorridente.
-Já não há! Mas há outra coisa que serve! – Levantei-me e fui até um dos armários da cozinha. – Taramm! – sorri, erguendo dois pacotes de gomas.
-Perfeito! Vamos escolher o filme?
-Escolhe quem agarrar primeiro o comando! - brinquei. Ele olhou de imediato para a pequena mesa junto do sofá, onde habitualmente estão os comandos, porém não lá estavam.
-Onde é que estão? - perguntou, atento a todos os sítios. Sorri de forma a desafiá-lo, pois não iria dizer-lhe nada. Corri para o sofá, mirando uma das almofadas, atrás da qual estavam os comandos. Mas ele foi perspicaz e correu também, chegando lá primeiro. - Ganhei! Escolho eu! - sorriu, sentando-se no sofá.
-Batoteiro! - brinquei, sentando-me ao seu lado.
-Batoteiro? Tu não me disseste onde é que estavam, eu é que descobri!
-Sim, sim, descobriste depois de eu olhar!
-Ninguém te disse para evidenciares o lugar! Eu penso, sabes!
-Não me digas! - ri, ao que ele se juntou. Ele acabou por escolher o filme e durante todo o tempo rimos até nos faltar o ar e começarmos a chorar de tanto rir. - Meu Deus, já não chorava de tanto rir há muito tempo!
-Também eu! Acabaste de me providenciar uma boa noite de sono! Se tivesse ficado em casa sozinho ia dormir super mal!
-Por falar em dormir...
-Ah, queres ir deitar-te? Eu vou andando então...
Não, não é isso!
-Não?
-Não. É que eu... Esquece.
-Não, não esqueço. Diz lá.
-Não sei se é apropriado falar disto neste momento.
-Porquê? O que é que tem?
-Porque tu estás como estás e não quero que fazer nada que..
-Importaste de dizer de uma vez? Sou teu amigo, não sou? Então pronto, agora é a minha vez de te ouvir.
-Mas...
-Filipa - pronunciou, olhando-me de forma a eu entender que estava realmente apto para falar-lhe.
-É que eu sonhei com o meu ex-namorado, o Gonçalo.
-Eu a pensar que tinhas sonhado comigo! - gozou, rindo e fazendo-me rir.
-Mas é que ele falou comigo, sobre ti.
-Sobre mim? Como assim? Olha, se ele te disse que sou má companhia, desacredita-o! Posso ser o palhaço de serviço para toda a gente, mas má companhia garanto que não sou!
-Eu sei! Ele disse exactamente o contrário.
-Ah, então pronto, ele tem razão! Mas já agora conta-me lá quais foram os elogios que ele me deu!
-Nós falámos sobre... sentimentos.
-Sentimentos? - perguntou, modificando a sua expressão jocosa por uma postura mais séria e integra.
-Ai, estás a ver? Eu não quero falar sobre isso agora, tu acabaste de sair dessa confissão, desse assunto com a Andreia, não quero que voltes ao estado em que cá chegaste!
-Tem a ver com o nosso beijo?
-Tem...
-Então vais contar-me. - Acabei por ceder e contar o meu sonho. - Então é verdade? Gostas de mim?
-Sim. Quer dizer, não. Quer dizer, não sei!
-Sim ou não?
-Acho que sim. Mas é que isto é tão estranho.
-Como ele disse, é épico. E se é épico é verdadeiro e vale a pena.
-Não, não, não Rúben. Não. Tu acabaste de saber que a Andreia te traiu, acabaram há umas horas, tu estás confuso, eu não me sinto preparada para assumir nada.
-Sabes o que é o desgaste? - perguntou de repente, pacientemente.
-Hã?
-Os sentimentos também se desgastam, e os meus já ruíram. Eu sinto-me revoltado com o que ela me fez, foi a questão do desrespeito da parte dela, mas o coração só sofreu a desilusão por perder a consideração por ela. Enquanto eu fiz trinta por uma linha para a conquistar e ela me afastava, era verdadeiro o que eu sentia, e quando ela finalmente se desarmou acredita que o meu coração deu pulos de felicidade, mas as coisas má também contam, cansam, desgastam, e neste caso foram levando o que eu sentia por ela. Não sei se foi Deus, o Destino ou fui eu através das minhas escolhas e atitudes, mas agora acredita que depois de afogar as lágrimas com risos, contigo, sinto-me aliviado por ter acabado com ela, porque estava a começar a deixar de ser eu mesmo, e se há algo que nada nem ninguém vai ou pode mudar é quem sou. E contigo eu sou eu, sempre.
-E apaixonaste-te por mim agora? - tentei ironizar algo que me soaria como uma espécie de lamuria.
-Na verdade acho que foi com o teu sorriso, quando nos conhecemos, à porta do bar do Estádio. Agora as coisas ficaram muito mais claras.
-Claro, ideias claras é o que tu deves ter mais neste momento!
-Deixas de ser irónica?
-Neste instante não consigo, desculpa!
-É assim tão difícil de acreditar?
-É difícil de assimilar. Eu tenho medo que isto tudo seja a quente e amanhã tenhas as ideias todas ao contrário!
-Não vou ter, confia em mim.
-Está bem, vou tentar... Mas mesmo assim, mesmo que acredite, mesmo que queira estar contigo, eu acho que ainda não estou preparada para assumir nada.
-São coisas da tua cabeça, não foi o que o Gonçalo disse no sonho?
-Não consigo.
-Ok. Mas não precisamos assumir nada. Podemos estar juntos, sem rótulos, sem ninguém saber.
-Não tens idade para esconder essas coisas - acabei por rir.
-Estás a chamar-me velho?
-Não. Mas estas coisas costumam ser os adolescentes a protagonizar.
-E eu quero lá saber! Se te sentires bem com isso, se quiseres, eu estou plenamente disposto a isso!
-Isto é estranho.
-É sempre estranho no principio. Mas como diz o ditado, primeiro estranha-se, depois entranha-se.
-Mas queres mesmo começar... - Não terminei a pergunta. pois ele reduziu a distância entre nós, beijando-me gentilmente.


-Já comecei! Se quiseres começar, só aceito respostas do mesmo género! - sorriu, ao que mostrei também um sorriso e beijei-o de volta. A tempestade tinha passado, a bonança tinha chegado.

Visão Mónica

Depois de tomar banho e me vestir fiquei com Doni, enquanto o Rodrigo se foi despachar. Desci com o Doni até à cozinha onde a Mariana estava a começar a preparar o pequeno-almoço.
-Bom dia - sorri-lhe, pousando o Doni no chão.
-Bom dia - sorriu de volto. - Olha, desculpa essa coisa hoje de manhã.
-Esquece isso, Mariana, a sério.
-Ai, mas foi mal. Eu tava parecendo uma mãe muito chata e embirrante! - riu.
-Só um bocadinho - ri também.
-Rindo do quê, as minhas meninas? - perguntou o Rodrigo, chegando à cozinha. Foi dar um beijo, na testa, à Mariana, e depois acercou-se de mim, abraçando-me e dando-me um beijo também.
-Gente, vamo parar que o café da manhã tá pronto - disse a Mariana, sentando-se à mesa. Igualámos-lhe o gesto e começámos a comer, por entre conversa.
-Amor, daqui a pouco vou sair um pouquinho - disse-me o Rodrigo.
-E vais onde, posso saber?
-Na verdade nem pode!
-Ai, então porque é que me disseste? Agora fiquei curiosa!
-É segredo!
-A sério? Não tinha percebido! - ironizei.
-Não fica assim, sua boba! - riu ele, fazendo-me um carinho rápido no nariz.
-Mas eu fiquei curiosa, amor!
-Tá, eu te dou uma pista! Seu aniversário tá chegando!
-Ai Rodrigo, não vale, posha! - choraminguei.
-Eu vou tentar ser rápido, meu amor! - disse, levantando-se da mesa e colocando a sua loiça no lava-loiça.
-Já vais? - perguntei-lhe.
-Vou! - respondeu, dando-me um beijo de despedida.
-Eu vou sair com você, Rodrigo! - disse-lhe a Mariana, levantando-se também da mesa.
-Vou ficar sozinha? - perguntei, apesar da evidência da resposta, desanimada.
-O Doni não vai sair de casa! - riu a Mariana.
-Olha, pois!
-Amor não fica assim, daqui a pouco eu volto!
-Está bem, pronto - acabei por concordar. Eles saíram de casa e depois de levantar a mesa e arrumar a cozinha fui para a sala. Estava a sentir-me tremendamente sozinha, ajudando ao facto de o Rodrigo me ter deixado completamente curiosa, e nem a doce companhia do Doni estava a surtir efeito, por isso decidi ligar à Filipa. Hoje havia jogo na Luz com o Vitoria de Setúbal e como estávamos de folga tínhamos combinado, juntamente com a Mariana, ir ver o jogo, mas decidi confirmar tudo com ela, apesar de ser mais uma desculpa, simplesmente para fazer conversa e combater a ansiosidade e solidão que se me ocorriam no momento. Porém o esperado ''Ola'' alegre que deveria ouvir do outro lado da linha foi simplesmente substituído pela continuidade dos toques de chamada, finalizando na caixa do voicemail. Tentei mais uma vez, um tempo depois, mas a situação igualou-se.
-Hoje ninguém me faz companhia, já viste Doni? - falei para o pequeno animal, que se encostou a mim e me deu uma lambidela na mão. - Sim, pronto, tu estás aqui, mas é diferente da companhia das pessoas - disse-lhe, aborrecida, resignando-me com a televisão. Felizmente, não muito tempo depois, ouvi porém a chave na porta.
-Oi! - sorriu o Rodrigo, chegando à sala.
-Voltaste - indaguei, ainda possuindo um tom algo aborrecido.
-Hm, não, só deixei meu corpo entrar, o resto ficou lá fora - sorriu.
-O resto? Que parvo! - acabei por rir.
-Ainda tá bolada de eu ter ido embora e você não pôde vir, bobinha? 
-Não, ainda estou é curiosa para saber o que é que foste fazer, mas chateada não! Estou aborrecida e estava a sentir-me sozinha!
-Hm, então olha, pra não voltar a se sentir sozinha, vai pegar um casaco e a sua mala e vem comigo! A gente vai ter treino agora também por causa do jogo de logo e as meninas também vão ficar pelo Estádio, pelo menos algumas delas vão, então você fica com elas. E pode chamar a Filipa também, vocês vão ver o jogo logo, não é?
-Sim, e a Mariana também.
-Sim, mas bom, ela agora foi ficar um pouquinho com o Mauro.
-Bem, está bem, se a Filipa me atender eu digo-lhe para ir lá ter, se não fico só com as raparigas.
-Se ela atender?
-Sim, ela não me estava a atender à pouco.
-Mas tá tudo bem?
-Sim, acho que sim, chama mas ela não atende, se calhar ainda está a dormir, ela ontem também foi fazer as mudanças, deve estar cansada.
-É, deve tar tudo bem mesmo. Vamo embora, então?
-Vamos - concordei, dando uma festa no Doni, e depois de ir buscar as minhas coisas eu e o Rodrigo saímos para o seu carro.
Chegámos ao Estádio e o Rodrigo foi comigo ao bar do mesmo, onde estavam os jogadores e as suas respectivas namoradas/esposas, pois ainda faltavam 10 minutos para o treino.
-Oi gente! - cumprimentou o Rodrigo, sorrindo como é habitual e acenando com a mão no geral. Eu sorri simplesmente
-Tu novia guapa ha venido, eh! - sorriu a Tamara, esposa do Garay.
-Cariño, sabéis que vosotras nos dan mucha suerte y inspiración! - replicou o Garay, conquistando um beijo da Tami enquanto se ouvia um ''ohhh'' devido ao gesto e simultaneamente concordando com o que o Ezequiel tinha dito.
-Verdad, todos lo sabéis como eres! - sorriu o meu namorado, aconchegando-me mais junto de si.
-Gente, isso tá tudo muito bom aqui, mas o dever tá nos chamando! - informou o Luisão. Todos se despediram das suas meninas, acatando a necessidade de execução do dever.
-Antes do jogo eu passo lá no camarote pra te dar um beijo e escutar o seu ''boa sorte'', visto que nem na hora de almoço a gente se vai ver - sorriu-me o Rodrigo, dando-me um beijo.
-Está bem, bom treino amor - desejei.
-Obrigado meu bem, e se diverte, hein. Não esquece de tentar ligar de novo na Filipa.
-Ah, sim, é verdade, vou ligar-lhe agora! - Ele seguiu o resto dos colegas e eu voltei a marcar o número da Filipa e tentar que ela me atendesse novamente. Enquanto ouvia os primeiros toques de chamada, , o Rúben chegou a correr ao bar.
-Olá pequenina! - sorriu, dando-me um beijo na testa. - Eles já foram, não é?
-Acabaram de sair daqui, se correres mais um bocadinho apanha-los.
-Obrigado! Deseja-me sorte!
-Para o treino.
-Sim!
-Boa sorte! - acabei por rir. Ele mostrou-me um enorme sorriso, algo que andava raro de aparecer no seu rosto há algum tempo. - Rú, estás bem?
-Não se vê? - sorriu genuinamente, acabando por piscar-me o olho e prosseguir correndo na direcção que os companheiros haviam seguido.
-Se se vê! - sorri já sozinha, sendo surpreendida pela voz da Filipa do outro lado da linha.
-Desculpa não ter atendido as tuas chamadas! Eu estive ocupada!
-Olá!
-Olá, desculpa!
-O teu ocupada e tanta vez a pedires desculpa estão a soar-me a felicidade, juntamente com esse tom animado!
-Bem, sim, estou feliz!
-Então vá, nome e apelido! - pedi sem cerimónias.
-O quê?
-Nome e apelido! Juro que se te ouvisses ias perceber logo porque é que estou a pedir-te o nome e apelido! Ou vais dizer-me que não há razão ambulante aí no meio?
-Ai, pára com isso! - riu.
-É verdade! - constatei com tal reacção.
-Oh! Mas o que é que me queres, afinal?
-Bem, as duas primeiras chamadas foram porque me deixaram sozinha em casa com o Doni e estava a sentir-me sozinha.
-O Doni?
-Ah, pois, tu ainda não sabes do Doni! É o cachorrinho que dei ao Rodrigo, é tão lindo!
-Hm, está bem, depois quero vê-lo! Mas então e o resto das chamadas?
-Foram porque vim para o Estádio com o Rodrigo, vim ter com as meninas, não podemos assistir ao treino porque há o jogo logo, mas vamos ficar todas já por aqui e eu ia perguntar-te se não te querias juntar também!
-Mas o treino já começou, não já?
-Sim, mas não há problema nenhum se vieres agora, como é óbvio.
-Bem então vou só arranjar-me e apanho um táxi para aí.
-Boa! Até já, então!
-Até já! - Assim que desliguei a chamada tinha a Magali, esposa do Salvio, atrás de mim.
-Hola guapa! - sorriu-me.
-Olá! - devolvi o sorriso.
-Por qué no te quedas con nosotras? Tenemos una chica nueva en el grupo, la nueva novia de Nico!
-A sério?
-Si! Yo ya la conocía, se llama Dulce e es portuguesa, es un doce, se darán muy bien, verás! - informou-me, enquanto nos dirigíamos para o grupo das meninas.

domingo, 23 de fevereiro de 2014

Capitulo 32 (parte IV)

Boa noite meninas!
Bem e quase um mês depois, como já vem sendo hábito, aquí está mais um capitulo! Espero que gostem e deixem os vossos comentários!
Besitos

Visão Rúben

Tinha começado a jogar à 40 minutos mas fartei-me, incrivelmente rápido. Na televisão não estava a passar nada de interessante então decidi ir ao computador. E ai reparei nas horas. Apressadamente liguei o telemóvel e constatei que tinha chamadas não atendidas, e assim que encontrei uma do Rodrigo retornei-a imediatamente.
-Finalmente, Rúben! Onde que cê tá? Tá tudo bem? - atendeu logo .
-Calma, desculpa, eu desliguei o telemóvel porque a Andreia a começou a chatear-me e eu não estava com paciência, e com isso tudo esqueci-me completamente do treino!
-Você me preocupou!
-Desculpa mano! Mas e o Mister, disse alguma coisa?
-Ele me perguntou porque você não tinha aparecido no treino e eu falei que não sabia!
-Vou ter de inventar uma desculpa qualquer para justificar ter faltado ao treino!
-É, vai mesmo. Eu já tava indo ligar pró seu irmão pra saber se ele já sabia de você, ele jantou cá em casa e ficou de falar se soubesse alguma coisa!
-Desculpa, pronto, mas está tudo bem, eu estou em casa.
-Tá tudo bem mesmo? O que é que a Andreia queria?
-Não faço ideia, só me mandou umas cinco mensagens a pedir que quando pudesse lhe ligasse, mas como eu não respondía, as mensagens foram ficando mais agressivas e eu desliguei o telemóvel, não estou com cabeça para discussões.
-Tá com cabeça pra quê, então?
-Acho que nada, acho que tenho de descansar e pôr ideias em ordem!
-Hm, sei... Bom, eu vou avisar o seu irmão que você tá bem.
-Está bem. Até amanhã então, puto.
-Até amanhã. - Depois de finalizar a chamada desliguei o computador e tentei entreter-me com outra coisa qualquer, o que não parecia fácil. Para quem tinha começado o dia com calma, estava a acabá-lo muito alvoraçado.

Visão Filipa

-Acertas-te!  - respondeu, sorrindo e seguindo finalmente o restante caminho até minha casa.
-O que é que...? Como é que...? - tentei perguntar, mas estava tão atónita que me era difícil falar.
-Calma, eu só estou aqui por uma razão. Quero ajudar-te.
-Ajudar-me? Mas como... Como...
-Tem calma, por favor, Filipa. Eu estou aqui para falar do Rúben. - Tentei novamente questionar, mas voltei a não conseguir. - Sim, do Rúben. O Amorim.
-Mas, porquê? O que é que o Rúben tem a ver com...
-Tudo. Tu tens de conseguir admitir que ele não te é indiferente. Eu sou o teu passado, e tenho a certeza que me vais guardar num espacinho do teu coração, mas o teu presente e o teu futuro assentam nele. - Ia argumentar, mas não me vi bem sucedida. - Estás a ver, las tentar negar e dizer que é um disparate. Mas não é. Já reparaste como é que ele te faz sorrir, como é que ele te faz sentir, a confusão que está dentro da tua cabecinha por causa do sentimento que tu crês ser meio controverso? Quantos mais é que te fazem sentir assim?  Nenhum! Lembraste daquilo que lhe disseste sobre quando fosse amor de verdade ele ia perceber? Este tumulto que tu, e ele, porque eu sei que sim, sentem é o inicio disso. Parece loucura, vocês estarem a apaixonar-se assim, tão de repente, desta forma? Parece! Mas é uma das formas mais genuínas de se sentir, de começar a amar. Não te lembras quando aconteceu connosco? Quem é que se apaixona com um encontrão? Supostamente ninguém, mas nós sentimos, nesse momento, que éramos o destino um do outro. - Enquanto ele falava eu não conseguia sequer articular algo para me opor. Ele estava tão convicto em tudo o que dizia. E o pior era que mesmo que quisesse desmenti-lo, não conseguia. Era tudo verdade. - Tenho ou não tenho razão?
-Tens... - acabei por admitir, baixando o olhar.
-Ah, finalmente, admitiste em voz alta! - exasperou. - Será que já é suficiente para colocares isso na tua cabeça e dizê-lo ao Rúben?
-Dizer ao Rúben? Estás parvo?  Ele tem namorada!
-Sinceramente, aquilo nem parece uma relação!
-Eles estão meio chateados, mas ainda no outro dia o ouvi dizer-lhe que a amava!
-Ele pensa que ainda a ama, vais ver.
-E ele disse que nos beijámos porque ele estava carente, ele sente a falta dela, ele gosta dela!
-Acho que já não gosta tanto assim!
-Oh, não inventes!
-Daqui a um tempinho vais ver que não estou a inventar!
-Estás a irritar-me com tanta convicção!
-Estás a irritar-te com pouco, então, ainda por cima estando a discutir com alguém trazido pela tua mente!
-O quê? O que é que queres dizer com isso?
-Pensa um bocadinho e vais perceber que isto é impossível na realidade.
-Hã? - e de repente ele esfumou-se. - Gonçalo!
Acordei sobressaltada e quase caí do sofá. Tinha sido tudo um sonho! O mais esquisito que alguma vez tivera! O Gonçalo a falar comigo acerca do Rúben... E todas aquelas palavras eram verdade, irritantemente. Apesar de a parte final não ter certeza se realmente eram ou se eram apenas suposições fantasiosas da minha mente. Levantei-me rapidamente e constatei que já eram horas de ir fazer o jantar, direccionando-me seguidamente para a cozinha, após mudar o canal da televisão para um dos canais de música e aumentar o volume, esperando esquecer aquele estranho sonho.

Visão Mónica

Depois de o Mauro ir embora ficamos os três e o Doni na sala, que se enroscou no meu colo, enquanto eu estava encostada ao Rodrigo, e a Mariana estava sentada ao pé de nós.
-Bem gente, eu tou cansada, e visto que a preocupação com o Rúben passou, eu vou me deitar - disse a Mariana, levantando-se e dando um beijo a cada um de nós. - Boa noite - despediu-se, subindo as escadas.
-Boa noite - respondemos eu e o Rodrigo unissonamente.
-Amor, vamo subir também? - sugeriu, poucos minutos depois.
-Cansadinho?
-Se eu tivesse cansado eu tinha falado logo - sorriu.
-Hm, estou a ver... - mostrei também um tímido sorriso.
-Eu quero ficar com você - disse, passando a mão no meu rosto.
-Ai, desculpa, posso-me rir ou vais ficar chateado? - perguntei, comprimindo o riso.
-Chateado porquê? - questionou, evidenciando a minha resposta. Ele não era de se chatear por pouco. Então ri-me, e retomei a palavra ainda com um sorriso.
-É que parece que estás com medo de dizer as coisas da maneira directa, como costumas fazer.
-E o que é que eu tou querendo dizer, então? - meio que me desafiou, ao que eu respondi prontamente.
-Que queres fazer amor comigo.
-Como que você sabe? - perguntou, encolhendo um sorriso, que tentou que fosse de seguro e convicto, mas que descodifiquei como entusiasmadamente feliz pelo meu decifrar.
-Primeiro, sabes onde é que tens a mão? - fi-lo olhar na direcção, que equivalia olhar para o meu rabo. - Sabes que quando está lá só porque te apetece a pressão não se nota - constatei, vendo-o refrear um sorriso meio embaraçado. - E depois, eu sei, eu já te conheço Rodrigo, não preciso que me digas através de palavras.
-Caraca... - sorriu. Dei-lhe um beijo, beijo esse que ele aproveitou para aguçar no final, quando me sugou ao de leve o lábio. Sorri-lhe promissoramente, antes de me desencostar dele. Deitei o Doni no sofá e cobri-o com a manta que tinha em cima das pernas.
-Subimos? - questionei, levantando-me do sofá.
-Claro!
Subimos para o quarto e trancámos a porta do mesmo, não por acharmos que a Mariana poderia entrar sem bater, mas porque nos sentíamos mais à vontade.
-Com vontade de dominar ou ser dominado? - perguntei. Parecia ousado talvez falar assim, mas no momento, era mais do tipo sedução.
-Pode me dominar à vontade! - trajou um sorriso que de inocente nem aparência tinha, ao que eu respondi com um parecido, empurrando-o até cair em cima da cama. Depois sentei-me em cima dele e desci o meu rosto até encontrar o seu e conseguir juntar os meus lábios aos seus, recebendo uma resposta sequiosa e ainda o toque quente das suas mãos sobre a pele da minha cintura. Depois de terminado o beijo por debilidade respiratória, ele tomou a dianteira e retirou-me a camisola, sendo que também eu retirei a sua, adquirindo algo mais com que os meus olhos pudessem deliciar-se tal como a minha boca pudesse tirar partido. Após mais dois curtos beijos, os meus lábios tomaram fôlego para a abrasiva temperatura da pele do seu peito e dos seus perfeitos abdominais. Cada recanto foi deixado saciado, resposta adquirida por gemidos baixos de deleite. Fiz o percurso inverso, e ao parar na cova entre o pescoço e o ombro parei sobre a pele e investi em algo mais doloroso. Mordi ligeiramente a carne que se deparava de fronte da minha boca, não o suficiente para magoar verdadeiramente, mas o bastante para deixar a marca e arrancar um doce e sonoro gemido da sua garganta.
-Tá agressiva hoje, hein - disse, ainda a debater-se com o misto de dor e prazer.
-Enquanto for eu a controlar. Aguentas?
-Desde que depois eu possa repercutir como eu quiser em você...
-Essa fase é depois.
-Mal posso esperar - sorriu, antes mesmo de eu voltar a prestar a atenção da minha boca para a sua. Uni também as minhas mãos às suas, que retirei do meu corpo, e estendi os braços de ambos os lados da sua cabeça, juntando mais o meu corpo ao seu. O beijo que se desenvolvia calmamente foi aumentando a sua intensidade e sentia o Rodrigo começar a remexer-se, impaciente, de baixo de mim. De repente, ele removeu os braços de onde estavam, soltando com vagar as minhas mãos e encaminhando as suas novamente para o meu corpo, tocando-me com a habitual convicção. - Vamo trocar os papéis que tá ficando difícil suportar isso! - disse, exercendo um movimento rápido, fazendo-me deitar a mim sobre a cama e erguendo-se, calorosamente perto, sobre mim.
-Está assim tão difícil? - ri.
-Tá ficando.
-Fraquinho - gargalhei suavemente.
-De novo o assunto do fraquinho? Ainda quer mais provas de que de fraco eu não tenho nada?
-Todas as noites - tornei a gargalhar.
-Isso é uma espécie de acordo pró futuro, é? - perguntou, desencantando um sorriso especulativo.
-Ai, não, se não mando-te trabalhar por mim e fico a dormir!
-Depois eu que sou o fraquinho? - riu.
-Mas ainda estás a falar? Beija-me, mas é! - ri, puxando-o de novo ao encontro da minha boca. O seu corpo colou-se ao meu, aquecendo-me com o seu calor. Sabia tão bem aquecer sobre a sua pele, e sentir tão perto o seu cheiro tão atractivo, embrenhá-lo em mim e fazer-me entender, a cada vez que nos envolvemos, que ele me pertence, tanto a nível físico, com todo aquele corpo que me tira suspiros enquanto ao mesmo tempo me envolve, como a nível interior, a sua mente, sempre com o positivismo no topo, e a sua maneira doce para comigo a sobressair, e o seu coração, puro, imenso, repleto de afecto que ele tão bem distribuí pelos que ama. Envolvi o seu tronco com os meus braços, deixando as minhas mãos percorrerem o mais possível as suas costas, sentindo o calor começar a apoderar-se do meu corpo, enquanto o seu já quase fervia. Decidi tentar abrandar um pouco o ritmo. Queria prolongar os momentos anteriores a entregar-me uma vez mais àquele por quem nutria um dos maiores sentimentos que alguma vez se me envolveu o coração. Impulsionei-me um pouco para o lado e ele facilitou, virando-se também, tornando a estender as costas em cima do colchão, e eu voltei a sentar-me em cima dele, percebendo que o seu resfolegar, fazendo subir e descer o seu peito, me fazia sentir algo potente. Tirava-lhe o fôlego. E tirar-lhe-ia mais uns quantos suspiros. Voltei a cobrir o seu tronco de beijos, e desta vez só parei no rebordo das suas calças. Olhei de relance para ele e em seguida desloquei o meu olhar tal como as minhas mãos ao botão das suas calças para as desabotoar. Assim fiz, despindo também as minhas. Depois voltei a sentar-me em cima dele e colar as nossas bocas e os nossos corpos, mas constatei rapidamente que esperar não seria o meu forte. Soltei-o, não precisando fazer muito mais para que ele entendesse que tencionava rotar novamente as nossas posições, girando então mais uma vez para se colar a mim, desta vez ele pairando não por muito tempo sobre mim.
-Agora podes fazer o que quiseres, isto está mesmo difícil!  - declarei.
-Fraquinha - riu ele, chegando o rosto novamente para perto do meu.
-Ficar ao pé de ti tira-me forças, sim - respondi à sua clara tentativa de provocar-me.
-Vai terminar a noite inválida, então - disse, beijando-me o pescoço.

 Segurei o seu rosto e acelerei os nossos batimentos cardíacos com um beijo impulsivo e desejoso.


Visão Rodrigo

-Eu podia viver todos os dias assim, ao teu lado – falou, suspirando docemente enquanto apoiava a cabeça no meu peito e se encolhia no meu abraço. Duas da manhã e a gente ainda desperto.
-Isso é fácil de resolver.
-Hã?
-Vem viver comigo! – pedi, olhando directamente nos seus olhos.
-Rodrigo… Já falámos sobre isso. Sabes que eu te amo, muito, mas talvez seja muito cedo ainda. Nós namoramos há dois meses, e é certo que vivemos como se fosse há anos, mas é muito cedo. Nós estamos a viver a emoção dos primeiros meses e parece tudo aumentado, as vontades, os desejos, os sentimentos… Agora não vou dizer-te que sim por isso, porque é cedo demais e num mês as coisas podem mudar, podem correr mal, podemos cair na rotina, podemos deixar de sentir esta coisa intensa que sentimos agora e fartar-nos de estarmos a toda a hora ao lado um do outro… E eu não quero que corra mal, não quero que corra nada mal, porque eu quero que o nosso amor, e esta explosão, esta necessidade arrebatadora durem por muito tempo, porque eu quero passar a minha vida ao teu lado!
-É, você tem razão… Foi precipitado. Esse coração que você tá escutando a bater é que fica tão apressado quando você tá comigo que eu nem penso bem nas coisas, porque o que eu sei é que eu também quero você pra sempre do meu lado, mas a gente tem de pensar bem nas coisas antes de dar um passo que seja na nossa relação, porque ela é mais que ouro, e perder a minha vida ia acabar comigo!
-Tu estás a tentar dizer que eu sou a tua vida? – perguntou, meio embaraçada.
-Eu não tou tentando dizer meu bem, eu tou afirmando mesmo! Você é a minha vida desde que eu conheci você!
-Isso é a intensidade do momento a falar amor! – respondeu, ainda mais envergonhada.
-Um pouquinho, quem sabe, mas eu tenho certeza que sem você eu não ia voltar a viver do mesmo jeito. Você mudou a minha vida e tornou ela num mundo totalmente perfeito, coisa que não tinha acontecido antes!
-Está bem, pronto… Bem e o impacto que causaste na minha vida já nem vale a pena citar, tu sabes perfeitamente como é que ela ficou desde que tu apareceste! – sorriu.
-Sei sim! - sorri, tirando um pequeno beijo da sua boca. - Agora vamo dormir?
-Vamos! - concordou com um sorriso, se aconchegando no meu abraço.

Levantei eram 11.00h. Sai devagarzinho da cama pra não despertar a minha namorada e tava indo no banheiro quando escutei a minha irmã falando do outro lado da porta do meu quarto.
-Não Doni, vem aqui, deixa eles dormindo mesmo, depois eles se lembram de você... - Abri a porta e sai, encostando a porta enquanto via minha irmã com o Doni no colo.
-Bom dia - disse pra eles.
-Lembrou de você agora, viu? - disse a minha irmã, falando pró Doni, que se remexia no colo dela por me ver.
-Que que cê tá falando? - perguntei prá minha irmã.
-Tou falando de vocês terem deixado o Doni sozinho ontem à noite e só lembrarem dele agora!
-E qual que é o problema, tá tudo bem com ele!
-Mas vocês não podem deixar ele sozinho!
-Ele tava dormindo quando a gente deixou ele!
-Mas ele sente a falta de vocês, o coitadinho ontem andava aqui procurando por vocês e eu tive de pegar ele pra dormir comigo!
-Eu sei, mas não faz mal ele passar um tempinho sozinho! Olha quando todo o mundo tiver fora de casa, a gente não pode levar ele nem pró trabalho nem prá Faculdade, ele tem de ficar habituado pra depois não fazer bagunça na casa.
-É, cê tem razão... Ai, mas é que ver o pequenininho ai sozinho me deu uma pena...
-Tem de deixar de ter, maninha, ele tá bem cá em casa, ele tem a caminha dele, os brinquedos, água e comida, ele se acostuma.
-Tá bom, pronto, desculpa se eu tentei dar uma bronca em vocês.
-Uma bronca em nós porquê? - perguntou de repente a Mónica, surgindo atrás de mim, ainda com cara ensonada, me abraçando pelas costas.
-Era porque ela ficou com pena de a gente deixar o Doni sozinho, mas ela já entendeu que ele tem que se acostumar.
-Hmm, está bem.
-Agora maninha, me dá aqui o Doni que a gente fica com ele e você pode ir tratar das suas coisas! - sorri, tomando o Doni do seu colo, que ficou extremamente contente, me enchendo os braços de lambidelas.
-Tá, eu vou tomar meu banho e me vestir e depois eu chamo vocês pró café da manhã!
-Tá bom! - concordei, voltando a entrar no quarto com a Mónica e o Doni. - Amor, pode ir tomar seu banho que eu fico brincando um pouquinho com o Doni e depois a gente troca.
-Está bem - acedeu, me dando um rápido beijo antes de seguir pró banheiro. - Até já!
-Até já - respondi, continuando a brincar com o Doni.

segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

Capitulo 32 (parte III)

Olá meninas!
Aqui está mais um capitulo, e eu sei que é muito pequenino, mas quis publicar hoje como uma espécie de prenda, porque o RÚBEN FAZ ANOS HOJE! Por isso aqui está ele, espero que gostem e deixem os vossos capítulos! E PARABÉNS AO RÚBEN!!!
Besos
Mónica

Visão Rúben

A minha noite não tinha sido bem passada, e para piorar, até ir ter com a Filipa para a ajudar nas mudanças, fiquei a relembrar e pensar no beijo. Tentei encontrar uma explicação para o sucedido, e após tantas voltas, a única escolha plausível era a carência. E foi exactamente o que disse à Filipa, quando ela, a medo, introduziu a conversa sobre o assunto, no carro, a caminho da sua anterior morada. Foquei-me tanto na convicção da justificação que apresentara que a calma reinava em mim, e pouco pensei mais no assunto, porém, a quando da aparição e subjacente afirmação da tia da Filipa, o embaraço chegou por fim até mim. Mas apesar disso decidi prosseguir com a normalidade que havíamos reavido após o beijo. Só que não pensei que o assunto tornasse a atormentar-me. Acabei por lanchar em casa da Filipa e depois regressar a casa. Decidi ir tomar um banho para me aconchegar em casa, e quando cerca de uma hora depois voltei a prestar atenção ao telemóvel, tinha cinco mensagens. E para meu espanto eram todas da Andreia. Porém não me soavam nada amistosas. Ela tentou iniciar conversa comigo, no entanto sentia uma disposição e um tom não muito agradados. E como não respondi ela tentou mais quatro vezes, uma tornando-se mais pessimista e agressiva que a outra. Naturalmente que senti desagrado, todavia compreendi que já algum tempo não me lembrava dele, e muito menos sentia a sua falta. Até ao beijo com a Filipa, que me levou a procurar uma explicação para o sucedido, levando-me algo instintivamente à Andreia. Mas de minha livre vontade, sem ser para desculpas, explicações ou simplesmente por incorporar a normalidade de uma relação, não tinha pensado nela. E se deveria sentir-me chocado com tal constatação, foi precisamente o oposto a acontecer. Senti-me completamente normal, e acho que até sem remorsos. Ao pensar sobre isso achei-me esquisito, nunca tinha sido assim, mas a verdade era que me sentia verdadeiramente livre de qualquer culpa ou preocupação.
O assunto que mais me remoeu foi o beijo. Foi a Filipa. Não conseguia por nada esquecer aquele beijo. Se dissesse que não tinha gostado estaria a mentir, do mesmo que se dissesse que não me sentia confuso e esquisito, estaria a mentir também. Relembrar a maneira como a Filipa tinha cativado a minha atenção, melhorando o meu dia sendo uma completa estranha, fascinava-me. Um sorriso. Um simples mas genuíno sorriso. Devolveu o meu, que já faltava há algum tempo! Por causa da Andreia. Como é que era possível? E por mais estranho, absurdo e impensável que parecesse, na minha cabeça soava apenas o final de um ciclo e o inicio de outro. Não conseguia justificar tal pensamento, assim como não justificava de modo algum a distinção de um sorriso carinhoso a mencionar a Filipa e um esmorecer triste quando pensava na Andreia. Decidi tentar empurrar para longe a confusão na minha cabeça com um jogo na playstation.

Visão Rodrigo

O seu corpo permanecia aquecendo o meu, com a sua cabeça pousada no meu peito, um braço rodeando meu tronco e uma respiração calma. Mais uma vez acordando no paraíso.

 Enquanto um dos meus braços a rodeava, descansei meu olhar sobre ela, sobre a sua silhueta, colada em mim, sobre sua pele, macia, que começava sendo coberta com alguns raios de sol, vindos das frechas da janela. Uma vida inteira não bastaria pra eu me cansar de observar ela. Alguns minutos depois a quietude terminou quando ela começou se movendo de leve e abrindo os olhos mais devagar ainda.
-Oi, meu amor - cumprimentei ela, dando um beijo na cimo da sua cabeça.

-Bom dia amor.
-Mais boa tarde, meu bem, meio-dia e meia.
-Dormi assim tanto?
-A gente não dormiu propriamente cedo, amor.
-É, tens razão.
-Então e dormiu bem?
-Porque é que fazes a pergunta se sabes que contigo durmo sempre bem? - sorriu, se erguendo e colocando em cima do meu peito, virada pra mim.
-Pronto, desculpa. Mas você sabe que escutar isso todos os dias sabe bem, meu amor.
-Tonto - respondeu também com um sorriso, me dando um beijo.
-Banho? - sugeri, assim que me foi possível falar.
-Sim! - Saímos da cama e seguimos pró banheiro pra tomar um duche rápido. Vinte minutos depois a gente já tava se vestindo, ao mesmo tempo que discutíamos o que fazer pró almoço, e de repente a campainha tocou. - Ai, deve ser a entrega! - exclamou ela, me sobressaltando um pouco.
-Que entrega? - perguntei, mas ela não respondeu, correndo pró andar de baixo, ainda descalça. Eu terminei de vestir uma camisola e desci também.
-Obrigada, boa tarde! - se despediu de alguém, fechando a porta. Reparei então que um caixote de cartão, nem grande nem pequeno tava no chão da entrada.
-Que é isso amor? - perguntei, curioso, me referindo ao caixote.
-A tua segunda prenda! - me esclareceu, visivelmente contente e entusiasmada.
-Posha amor, eu falei que não precisava! - tentei protestar.
-Oh, vem abrir, rápido, vais adorar! - a sua felicidade e entusiasmo me desarmaram e fui até junto dela, abrir então o meu segundo presente.
-Um cão amor? - perguntei, algo surpreso. Dentro do caixote forrado com jornal, tava um cachorrinho, que olhava pra nós assustado.

 A minha namorada, com calma, pegou nele, que tremia, e o encostou no seu peito, dando pequenas festas no animalzinho.
-Não é lindo amor? - perguntou, sorrindo.
-É amor, é lindo, obrigado! - concordei, chegando junto dela pra tomar um beijo e fiquei passando a mão no pêlo do pequeno cachorrinho, que tava deixando de tremer tanto.
-Ainda bem que gostaste amor! - sorriu. - Agora tens de dar-lhe um nome! - Pensei um pouco e rapidamente surgiu um nome.
-Doni!
-É giro e incomum! - concordou. - Mas de onde é que veio esse nome, amor?
-Era o nome de um cachorro que morava na rua, que eu e o Thiago brincávamos, quando a gente morava lá na Espanha. A gente gostava tanto dele que deu um nome pra ele e brincava muito tempo com ele!
-Que queridos!
-É, mas depois levaram ele pró canil e a gente nunca mais viu ele.
-Mas agora tens aqui o Doni, que vai ser lindo e te vai fazer companhia! - E realmente o Doni parecia já tar de ambientando. Já não tremia e agora dava pequenas lambidelas nas nossas mãos, agitando a pequena cauda.
-É, acho que vais sim, não é amiguinho? - sorri, voltando a dar festas no Doni.

Visão Filipa

Depois do lanche o Rúben foi embora, e eu, depois de arrumar a cozinha, sentei-me no sofá a passar canais para ver se dava alguma coisa interessante, mas sobretudo para ocupar os meus pensamentos. O meu telemóvel tocou, era a Mónica.
-Olá! - atendi.
-Olá! - cumprimentou alegremente. - Então, como é que correram as mudanças?
-Bem, nem foi muito difícil com a ajuda do Rúben.
-Que bom!
-Então e precisas de alguma coisa? - perguntei, visto ela ter-me ligado.
-Não, era só para saber como é que tinha corrido!
-Ah, está bem!
-Bem, então, até amanhã.
-Até amanhã.
-E se precisares de alguma coisa já sabes!
-Sim, e tu a mesma coisa!
-Está bem, beijinhos.
-Beijinhos - despedi-me. Depois decidi focar-me no programa que passava na televisão.

Não quis ligar ao Rúben para me ir buscar ao Estádio depois de sair do trabalho, portanto encaminhei-me para a paragem de táxis mais próxima. Rapidamente chegou um, no qual entrei apressadamente devido ao frio que se fazia sentir já às sete e meia da tarde.
-Para onde, menina? - perguntou-me o taxista. A sua voz fez-me prender a respiração, por momentos. Soava-me tão familiar. Era tão jovial e alegre, com um timbre tão característico de alguém mais ou menos da minha idade. Parecia mesmo que já ouvira esta voz antes. Talvez já tivesse apanhado este taxista alguma outra vez. Mas não me recordava de alguma vez ter apanhado um taxista tão jovem, eram sempre aqueles mais velhos, alguns já de cabelos grisalhos, geralmente com a voz meio rouca, de baixa estatura. E eram quase sempre os mesmos, por isso quando me viam perguntavam se era para o mesmo sitio, já tendo decorado o meu destino. Procurei ignorar a sensação e indiquei a morada. A viagem foi iniciada com prudência pois o tempo não estava muito propicio a grandes velocidades ou manobras. Distrai-me a observar Lisboa através da janela, mas foi impossível não desviar a atenção quando percebi que o taxista tinha trocado o som da rádio por um CD. E a música que começou imediatamente a tocar não me era de todo indiferente. O Gonçalo metia-se comigo a toda a hora porque achava piada eu gostar tanto dos filmes da Disney, e desde que o Frozen tinha saído não parava de ouvir a Let it go, da Demi Lovato, e quase obrigá-lo a prometer ir ver o filme comigo. No momento em que olhei em frente devido ao impulso da recordação que a música me trouxe, percebi que de facto conhecia aquela pessoa. Conhecia aqueles olhos. Estávamos parados num sinal vermelho, a cerca de uns dois minutos de minha casa.
-Gonçalo? - questionei, com a voz a falhar-me.

Visão Rodrigo

O treino de hoje era às 17.00h, e desde a hora que a gente tinha levantado, parando apenas pra almoçar, o nosso novo amigo foi o centro das atenções.
-Amor, eu vou me preparar pra ir no treino - falei prá minha namorada, que tava encostada em mim, no sofá, e o pequenino no colo dela, dormindo.
-Está bem amor. Hoje não te vou ver, vou ficar aqui com o Doni - sorriu, se desencostando de mim e se ajeitando, tendo cuidado para não desperta o Doni.
-No quentinho, né?
-Não fiques triste, quando voltares eu aqueço-te!
-Tá prometido, hein!
-Mesmo que não quisesse cumprir não conseguia, não consigo ficar longe de ti durante muito tempo
-É, eu sei que não! - sorri.
-Olha, eu chamava-te convencido, mas pronto, fui eu que acabei de admitir! - Eu ri e beijei ela, pra subir no quarto e ir buscar o saco de treinos em seguida.
-Eu vou embora então, amor.
-Está bem amor, bom treino!
-Obrigado, meu bem - agradeci, sorrindo e dando um beijo de despedida nela e fazendo uma festa ao de leve no Doni, que nem se mexeu.
Cheguei no Caixa e depois de uns minutos de espera na conversa todo mundo seguiu prós balneários pra se equipar. Achei estranho o Rúben ainda não tar lá, mas calculei que tivesse um pouco atrasado por ter ido ajudar a Filipa com as mudanças, no entanto os minutos passaram e nem sinal dele.
-Oh Rodrigo! - me chamou o Mister, no final do treino, quando já tava saindo de campo.
-Diga Mister! - parei, me virando pró Mister.
-Então o Rúben, não veio?
-É Mister, ele vir não veio, mas não sei porquê.
-E sabes se algum deles sabe?
-Não Mister, mas acho que ninguém deve saber!
-Está bem, pronto. Até segunda, então.

Me despedi também e segui finalmente prós balneários, começando agora a ficar realmente preocupado com o Rúben. Antes de entrar no carro pra ir pra casa liguei pra ele, mas o telefone tava desligado, o que me alarmou mais ainda.
-Oi, oi meninos! - sorri, chegando na cozinha, onde a minha namorada tava de volta do fogão e o pequeno Doni tava sentado ao seu lado, olhando pra ela enquanto abanava a pequena cauda.
-Olá amor! - sorriu de volta a minha namorada e logo de seguida me acerquei dela pra conseguir um beijo. O Doni me olhava do mesmo jeito que olhava a Mónica e eu dei pequenas festas nele.
-Como que ele tá se portando? - perguntei prá minha namorada, abraçando ela por trás.
-Bem, não me largar!
-Ele gostou logo de você! - Ela apenas sorriu. - Tá fazendo o quê pró jantar?
-Jardineira.
-Deixa eu espreitar! - pedi, e ela destapou o tacho. - Tá com um cheiro gostoso! - elogiei.
-Oi gente| - ouvimos de repente a minha irmã na cozinha.
-Olá! - sorriu a minha namorada, apagando o lume e colocando de novo a tampa no tacho, indo dar um abraço na minha irmã em seguida.
-O chato do seu namorado não veio também? - perguntei, brincando, enquanto agora eu abraçava também a minha irmã.
-O chato do namorado está aqui e ouviu! - riu o Mauro, surgindo então na cozinha. A gente cumprimentou ele também.
-Ai meu Deus, que coisa fofa é essa? - falou a minha irmã, se agachando junto dos pés da Mónica, onde o Doni tava meio encolhido. A minha namorada se baixou e pegou nele, dando pequenas festas que ajudaram a acalmar o pequenino.
-É meu, quer dizer, nosso! Foi a minha namorada linda que me deu! - esclareci, me encostando à minha namorada e dando uma festa no Doni.
-Ai que lindo! - se maravilhou a minha irmã, passando finalmente uma mão no pêlo do cachorrinho. - E ele já tem nome?
-Doni! - respondeu a Mónica.
-Doni? - inquiriu a Mariana. - Foi você que escolheu o nome, Rodrigo?
-Fui.
-Lembra do Doni? - sorriu a minha irmã, lembrando o cachorro que eu tinha falado prá Mónica.
-Lembro, por isso eu pus esse nome!
-Ai que lindo, vou adorar você, sabia amiguinho? - sorriu, fazendo novamente festas no Doni.
-Bem meninos, vamos pôr a mesa para irmos jantar? - falou a Mónica, colocando então o Doni no chão, com uma última festa. Concordámos, e depois de posta a mesa, fomos jantar, com o Doni sempre de volta da gente.
Eu e o Mauro lavamos a loiça no final, enquanto que as meninas ficaram na sala, brincando com o Doni. Quando terminámos a loiça voltámos pra junto delas, mas eu me detive na porta da cozinha, observando a minha namorada e a minha irmã brincando com o nosso novo amiguinho. Elas gargalhavam em alto e bom som, divertidas. E eu me deliciei, vendo como momentos tão simples como esse me enchiam a alma de felicidade! E era essa mesma felicidade que eu queria sentir por muitos anos, essa felicidade que enchia meu coração com desejos de um futuro igualmente perfeito, com a mulher que tanto me fazia sorrir. E foi sorrindo que me juntei a eles e fiquei observando e absorvendo a felicidade de mais perto.

quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

Capitulo 32 (parte II)

Boa noite meninas!
Bem, já há algum tempo que não vos deixava novo capitulo, mas aqui está ele! E é o primeiro deste ano! Espero que gostem e espero os vossos comentário!

Besos guapas!
Mónica

Visão Rodrigo

Depois de levar a minha menina na Faculdade segui até casa e fiquei pela sala até ter que sair de novo de casa pra ir pro treino, no Caixa, às 10.00h.
Faziam hoje dois meses que a gente namorava, e pensei ir almoçar com ela, mas lembrei que ela ia almoçar com a minha irmã na Faculdade pra seguir directo pro Estádio, então desisti da ideia, no entanto não esqueci a data e decidi preparar alguma coisa especial pra noite. No meu computador uma lista de músicas que tinham significado pra gente, e depois juntei ao rasto não visível dos meus passos um caminho de pétalas de rosas. Quando terminei todo esse tipo de surpresas, saí até ao supermercado mais próximo pra comprar as coisas que tavam faltando pra fazer o nosso jantar, e assim que cheguei em casa me enfiei na cozinha preparando o mesmo. Tinha terminado tudo faziam uns dez minutos quando ela me ligou falando que podia ir buscar ela no Estádio.
-Oi meu amor! - cumprimentei ela, sorrindo, quando entrou no carro.
-Olá amor - sorriu de volta, me dando um beijo.
-Como correu seu dia?
-Normal. Movimentado o suficiente para trabalharmos bem.
-E tá muito cansada?
-Nem por isso.
-Bom - sorri meio escondido, algo que nem assim passou despercebido pra ela.
-Bom? - perguntou, sorrindo. - O que é que já estás ai a pensar?
-Eu nada!
-Pois. Agora a verdade.
-Agora não tou pensando em nada. Melhor, até tou, tou pensando como vai ser o que eu pensei antes!
-O quê? - perguntou com um sorriso confuso. - Não percebi nada!
-Nem precisa. Vai entender daqui a pouco. - Ela acabou concordando meio confusa ainda e eu me mantive no silêncio, sorrindo.

Visão Mónica

No caminho para casa não percebi bem a conversa do Rodrigo, mas assim que chegámos a casa comecei a entender.
-Cheira bem - denotei, pousando o meu casaco e o resto das coisas no sofá da sala.
-É o nosso jantar.
-Que bom. - Ele deixou o casaco também no sofá e foi até ao forno, retirando uma travessa do mesmo, que ainda fumegava. Sentei-me e ele sentou-se em seguida, e o jantar decorreu normalmente.
-Gostou? - perguntou quando terminámos.
-Gostei.
-Ainda não terminou.
-O jantar?
-As surpresas.
-Então vamos ao resto! - E quando ele me encaminhou, escadas acima avistei um caminho de pétalas de rosa que me estimulou imediatamente uma imagem de uma noite ainda melhor que as habituais. Assim que abriu a porta do quarto, o cenário era identicamente romântico, o que me fez aumentar o sorriso e a vontade de me abraçar a ele. - Que lindo, amor! - abracei-me então a ele.
-Ainda bem que gostou, amor! Não é nada de especial, mas é um pouco diferente do normal pra assinalar um dia especial!
-Está lindo, amor, eu adorei!
-Bom e agora eu tava pensando em um banho pra você relaxar do seu dia, e eu ajudo, claro - sorriu. - E depois pra terminar, uma massagem, que que cê acha?
-Acho perfeito, só te enganaste numa coisa.
-No quê? - perguntou, abraçando-me ligeiramente com força.
-Não vamos acabar a noite com a massagem, porque eu também tenho um presente para ti.
-Que óptimo, então vamo começar já!
-Vamos!
Seguimos para a casa de banho, onde ele preparou a banheira, que se encheu de espuma a cobrir um fundo de água quente, e um cheiro doce envolveu o ar. Depois de tirarmos a roupa e emergirmos naquela água confortante, encostei-me a ele e relaxei, desfrutando de beijos, caricias e palavras, declarações e algumas juras bem junto do meu ouvido.

 Quando a água começou a ficar fria abandonamos a casa de banho de toalha, para nos sentarmos na cama, no quentinho do seu quarto.
-Massagem? - perguntou sorrindo.
-Sim - concordei, deitando-me de barriga para baixo, enquanto ele pegou no meu creme de corpo e o levou consigo para a cama, posicionando-se por fim para começar a dar-me a massagem.
-Quando terminares tenho de fazer-te eu a ti - disse-lhe, começando já a molengar no timbre por começar a deixar-me embalar pelas suas mãos.
-Não precisa.
-Mas assim não é justo, quem ganha mais sou eu, e é suposto ser igual para os dois.
-Eu só preciso ouvir e sentir o seu agrado. Isso me retribui o que eu te ofereço.
-Mas continua a não ser a mesma coisa.
-Vai aproveitar e para de reclamar? Assim nem você nem eu ganhamos!
-Está bem, pronto - resignei-me, deixando-me envolver novamente pelo seu toque.
-É tão bom tocar você desse jeito - desabafou, após terminar a massagem e nos sentarmos os dois na cama, de frente um para o outro.
-Imagina do outro jeito... - provoquei-o, brincando.
-Pra quê imaginar se eu posso concretizar... - sorriu, chegando o seu corpo para mais próximo do meu, abraçando-me consequentemente.
-Então mas já vamos a essa parte! Eu também tenho uma surpresa para ti! - afirmei, saindo da cama e dirigindo-me a um dos armários, retirando do meio das camisolas o seu presente.

Visão Rodrigo

Ela voltou pra junto de mim com um embrulho simples de papel branco e um laço vermelho, estendendo o mesmo pra mim e se posicionando de novo na minha frente.
-Não precisava, amor.
-Não reclames e abre lá!
Decidi abrir então. Vi a capa de um livro, um que eu sabia que ela já tinha lido, mas ao abrir descobri qe não era bem o livro só. Parecia meio confuso, mas era o livro, recortado no meio, formando um buraco em forma de quadrado. Assim que abri ele o perfume dela emergiu do seu interior, onde constavam algumas coisas. A primeira coisa que retirei era a primeira foto que a gente tinha tirado junto. Olhei pra ela sorrindo.
-Vê sempre o verso das fotografias - indicou, sorrindo também. Eu fui ver então o verso da foto.


''Tens sido aquela pessoa que sabe dar-me o que o coração tinha escondido'' 

Apenas sorri pra ela. Agradeceria tudo no final. A segunda coisa que retirei era também uma foto, dessa vez uma tirada na Gala de Natal do Benfica, a primeira aparição com ela, onde a gente já tava junto. Fui ler o verso da mesma.

''Foi tudo tão repentino, mas foi o melhor que me aconteceu. Tu foste o melhor que me aconteceu''

E tornei apenas a mostrar um sorriso. Mas com sorriso eu quero dizer enorme sorriso. Voltei a ir à caixa e me deparei com um dos inúmeros enfeites da minha árvore de Natal. No cordelinho pra pendurá-lo na árvore pendia um pequeno papel. Abri e li.
''Diziam que a pressa é inimiga da perfeição, e eu era da mesma opinião, mas graças a Deus e às nossas famílias maravilhosas o ditado não passou apenas disso mesmo. Foi um momento muito importante para mim, obrigada por teres feito isso''

-O papel parecia pequenino, mas tava enroladinho! O que você escreveu já dava pra começar uma história, sabia? - brinquei, sorrindo pra ela.
-Oh, continua, vá! - falou, sorrindo, e me incitando a continuar a ver o conteúdo da surpresa. Assim fiz, e lá estava mais uma foto. A foto do que a gente tinha escrito naquela árvore em Londres, bem no dia da nossa reconciliação. Virei pra ver o verso.
''Você é a mulher da minha vida, mas mais que isso, você é a razão principal pelo bater do meu coração a cada segundo. é o motivo do meu sorriso mais fácil e do mais difícil, é você que dá direcção pra minha felicidade, e eu te juro que do seu lado ela é plena''

E no fundo tava uma chave pequenina, daquelas que abrem cadeados, mas sem qualquer papel ou indicação sobre o significado dela.

-E isso significa o quê? - perguntei, mostrando a chave na minha mão. Ela retirou de baixo da almofada dela algo pequenino também, enquanto sorria, o que eu só entendi o que era quando ela mostrou. Estava servindo de um dos porta chaves de minha casa, que ela tinha. Um cadeado.
-Isto tem sentido figurativo. - Anunciou primeiramente. - Este cadeado deveria representar o meu coração, e como cada cadeado tem a sua chave, eu dei-te a chave deste, porque só tu chegas ao meu coração, dentro e fora da protecção.
-Entendi - dei a conhecer, sorrindo. Seguidamente coloquei as coisas num canto da cama e me posicionei em frente da minha menina, a abraçando e dando um beijo gostoso nela. - Obrigado. - acabei agradecendo, sem largar o seu corpo.
-Isto não tem de se agradecer, seu tonto! Pelo menos com estas palavras!
-Então deixa eu falar em outra língua. Gracias. Merci. Grazie...
-Não é isso! - interrompeu, rindo e colando dois dedos nos meus lábios, pra eu me calar.
-Mas eu tenho de agradecer dessa forma! Eu tenho, eu quero e eu vou te agradecer de todas as formas que eu conseguir!
-Oh, está bem, não vale a pena! Mas olha, então guarda agradecimentos para amanhã, porque amanhã chega a tua outra prenda!
-Outra?
-Sim!
-Amor, você não entende que eu só quero te fazer e ser feliz com você? Eu não preciso dessas prendas todas!
-Mas paras de reclamar? Eu dou-te o que eu quiser, quando eu quiser e bem me apetecer!
-Resmungona, você agora, hein! - ri.
-Oh, cala-te! - riu também.
-Me cala você! - desafiei.
-E calo! - respondeu prontamente com um sorriso, se atirando em cima de mim, fazendo a gente cair deitado na cama, e me beijou, satisfazendo assim o meu pedido.

Visão Filipa


Aconteceu um beijo. Porém, apesar de ter gostado, tentei desvalorizar o sucedido o mais possível. Porque, para começar, ele tem namorada, não interessa se estão bem, mal ou a ponto de se separarem, e depois, seria um pouco estranho ainda para mim pensar em ter novamente alguém. Contudo, depois de me deitar e fechar os olhos para adormecer, involuntariamente, os meus pensamentos correram para o momento que havia tratado de desvalorizar. E quando eu pensava que não deveria estar a alugar espaço, voluntária ou involuntariamente, nesse assunto, ao mesmo tempo, outra parte da minha mente desejava desfrutar da lembrança do momento. E passei todo o tempo numa guerra interior sobre o assunto, sucumbindo por fim ao cansaço.

-Obrigada por vires, Rúben - agradeci-lhe, assim que iniciamos o caminho com destino à minha antiga casa.
-Não tens de agradecer, já sabes que faço de boa vontade - sorriu.
-Mesmo assim agradeço.
-Está bem, pronto.
Depois disso, um imenso silêncio. E para mim estava a ser, pela primeira vez após termos já tido inúmeros momentos silenciosos, constrangedor. Decidi tentar acalmar a ânsia confusa no meu interior.
-Rúben? - chamei-o, soando algo insegura.
-Sim? - ripostou. O seu tom pareceu-me perfeita e normalmente passivo.
-Eu... Esquece! - senti-me sem coragem.
-Não posso esquecer algo que nem sequer pronunciaste - delegou, com a mesma calma anterior.
-Oh, esquece, não vale a pena... - disse, já descrente em relação a encetar tal conversa.
-Vale sempre a pena - incentivou.
-É... - respirei fundo. - É sobre o beijo - acabei por indicar.
-Hm... - murmurou, na mesma tranquilidade anterior. - O que é que queres esclarecer?
-O beijo.
-Mas o beijo em si, ou os...
-Os motivos. Porque é que aconteceu? E porquê contigo, comigo, connosco?
-Sinceramente, acho que da minha parte foi carência. Sei lá, eu não ando bem com a Andreia, desde o inicio de Janeiro que não a vejo e desde que sai de perto dela só discutimos... Eu acho que foi isso. E acho que foste tu porque... és a pessoa com quem mais me tenho dado, com quem mais tenho partilhado o que sinto, e para além de seres uma miúda extremamente bonita, com um sorriso fantástico que faz toda a gente sorrir, és uma pessoa excepcionalmente incrível, com uma força fantástica e és genuinamente doce e amiga. És alguém por quem adquiri um grande carinho. - Após as palavras do Rúben, mal conseguia falar. - Então e tu, porque é que achas que aconteceu?- Ele esperou uns segundos, suspirou e finalmente voltou a falar.
-Não sei. Eu acho que... não tinha um amigo rapaz com quem passasse tanto tempo há alguns meses. Se calhar deixei-me levar. Estupidez. Não sei!
-De qualquer da maneiras, da minha parte nada mudou, continuamos amigos de igual maneira e estamos juntos sempre que quiser-mos. A única coisa que vou exigir é mais auto-controlo a mim mesmo. Não posso ficar ai a beijar-te sempre que me sentir carente.
-Sim, concordo. Amigos como do inicio - concordei, à falta de mais palavras. Eu realmente quis esclarecer o assunto, só não sabia era o que dizer exactamente, menos ainda com tudo o que ele tinha dito. Entretanto chegamos ao destino, e já tinha tratado de arredar o assunto para um canto da minha memória, coisa que parecia ter sido também opção do Rúben, pois voltamos, finalmente a conviver como nos era já comum. A senhoria recebeu-nos e logo de seguida começamos a transportar as coisas para o carro. Quase no final, após eu ter depositado mais uma caixa de cartão com mais umas quantas, senti alguém aproximar-se atrás de mim.
-Tia! - cumprimentei, após me virar e constatar que era uma tia minha que vivia ali perto.
-Olá minha querida! Como estás?
-Estou bem, e a tia?
-Também. Então, o namorado veio ajudar-te no resto das mudanças, foi? - perguntou, no exacto momento em que me virei para ajudar o Rúben, quando ele ia a poisar a caixa. Ambos nos entre-olhamos, embaraçados.

-Ele não é meu namorado, tia - tratei de esclarece-la apressadamente. - Ele é só um amigo.

-Olha que eu pensava que era teu namorado.
-Mas não é tia - voltei a frizar meio atabalhoada.
-Ah, pronto - resignou-se por fim, fixando em seguida o Rúben. - Agora é que eu vi bem, este não é aquele do Benfica, o...
-Rúben, tia.
-Não, não é esse, é o...
-Amorim - disse então o Rúben.
-Isso, é isso! É o Amorim!
-Sim tia, ele é o Rúben Amorim.
-Sim filha, é isso, é isso! Mas eu não sabia que tinhas amigos famosos!
-Oh tia, ele é uma pessoa normal...
-Mas dá na televisão! O teu tio é que percebe mais disso, mas este eu sei quem é!
-Pronto, está bem tia. Olhe nós vamos despachar-nos que ainda faltam algumas coisinhas.
-Está bem filha, eu vou só ali à fruta e vou para casa!
-Está bem tia, mande beijinhos ao tio - despedi-me finalmente, e ela foi embora.
-A tua tia é a comédia! - gargalhou o Rúben. Eu sorri apenas.
-Só faltam duas caixas, não é?
-Sim. -Então vamos lá acabar isto!
Depois de estar tudo no carro, entramos no mesmo e iniciamos o caminho inverso ao da vinda. E como não tínhamos assunto ficamo-nos pelo rádio. E aí o momento com a minha tia reavivou-se na minha mente, levando a que tornasse a recordar o beijo. Mas impedi-me de continuar tais pensamentos. Já tínhamos conversado e esclarecido o assunto, portanto não haviam motivos para pensar mais nisso