segunda-feira, 5 de maio de 2014

Capitulo 33 (parte III)

Buenas noches guapas!
Com a regularidade escassa de sempre, aqui está mais um capitulo! Acho que não está tão extenso quanto o habitual no entanto espero que gostem na mesma!
Bf (Filipa Gonçalves) desculpa não satisfazer as tuas necessidades por completo, mas pelo menos parte estão aqui! Te quiero <3
E pronto, fico à espera dos vossos comentários meninas!
Besitos <3
Mónica

Visão Mónica

-Agora a gente - disse o Rodrigo, abraçando-me após terminarmos as despedidas da noite. Sorri.
-Ainda há mais?
-Claro que há! Ou pensou que eu organizava essa festa com todo mundo e depois não fazia nada só pra nós dois?
-Não...
-Então pronto, vamo subir nesse carro e seguir pró nosso destino! - indicou, soltando-me.
Fomos para Lisboa. Para um hotel, de nome America Diamond's Hotel. Apenas o facto de irmos para um hotel me deixava deslumbrada, mais fiquei quando descobri que iamos ficar numa suite!

-Podias cansar-te um bocadinho de gastar dinheiro comigo, amor - disse-lhe, não evitando sorrir, enquanto esperavamos pelo elevador, num dos corredores pouco movimentados àquela hora.
-Se eu não canso de você nunca também não vou cansar de mimar você, meu bem!
-Mas tu gastas ordenados comigo, amor! - repliquei ainda sorrindo, quando entrámos no elevador vazio. Ele premiu o botão que nos levaria ao 8° andar, o último.
-Vendo bem, eu gasto com a gente os dois, amor, mas mesmo que fosse só com você, não seria nada comparado com tudo de bom que você me dá, começando com esse sorriso lindo que você tem sempre no rosto! - sorriu, acercando-se de mim e envolvendo-me num abraço bom melhorado com um beijo lento e doce. Senti um arrepio quente em todo o corpo, antecipando-me para o calor que me encheria o corpo por dentro e por fora, colhendo no fim o paraíso pessoal e interior. Assim que ele abriu a porta da suite, dando-me passagem primeiro, não escondi o encanto. Soube que ficariamos numa suite, mas nem perderá tempo depois a pensar sobre isso. Fechada a porta e com ele ao meu lado sentia-me a dona de algo, o que juntando com a sensação genuina de ter a sorte de estar ali com ele, me faziam sentir estranhamente poderosa, ainda que pela decoração do local e o sentimento de paixão que me embalada, me fizesse senti-lo de uma forma doce.
-Gostou? - perguntou-me ele, chegando atrás de mim e envolvendo-me com os seus braços.
-Se perguntasses se amei tinha sido mais certeiro! Eu amei! - sorriu.
-Ainda bem, meu amor! - Deu-me um beijo e depois de despir o casaco e colocá-lo sobre uma cadeira dirigiu-se a um dos movéis da sala e retirou de uma gaveta uma caixa de fósforos, velas e incenso. Entretanto eu sentei-me na cama. O quarto era simples, mas era lindo, e sentia-lhe uma energía tão boa que me fazia sentir tão confortável e calma. Enquanto eu permanecí a admirar todo o eu campo de visão ele foi acendendo as velas e colocando-as de ambos os lados da cama, no chão, colocando o incenso em cima de uma das mesas de cabeceira. Enquanto ele dispunha as velas no chão, agachado, mantive-me concentrada nele, nos seus movimentos, nos seus traços. Quem quer que me peça alguma vez para descrever o que sinto por ele vai ficar sem uma resposta pouco elaborada, porque de tão profundo que é o que sinto não consigo ir ao fim e trazer tudo à tona com meras palavras. Após terminar a tarefa do primeiro lado da cama olhou para mim e sorriu, constatando a minha atenção a observá-lo.
-Gostando de me ver mais em baixo?
-Eu gosto de te ver de qualquer maneira!
-Bom, porque hoje vai ter de tudo!
-Ai, o que é que queres dizer com isso?
-Que vai ter de tudo hoje!
-É essa a parte que não percebo!
-É essa a parte que é surpresa!
-Jura? - ironizei.
-Juro! - riu, ao que acabei por gargalhar também.
-Então mas é muita coisa?
-Eu não conto quantidade mas sim qualidade, meu amor!
-Ah, então e a qualidade vai ser boa?
-Você que vai avaliar depois!
-Ai pá, tu não te descais?
-Não quê?
-Nada amor, esquece! - ri. Ele terminou a disposição das velas do outro lado.
-Esqueci! - disse, apagando as luzes que estavam acesas. - Fica bem ai onde você tá! - pediu, pegando no telemóvel e colocando música a tocar, que reconheci logo a primeira. Paulo Mac - Até a noite acabar. Se a música já me era sujestiva, o que se seguiu aumentou ainda mais a sujestividade. Depois de me dar um beijo, afastou-se e iniciou uma espécie de dança, desfazendo-se lentamente de cada peça de roupa, uma por uma. Se o sentimento inicial fora a surpresa e alguma expectativa, predominava agora o desejo e certa presunção, porque sendo sincera, não imaginava que um momento destes emanace tão bem em cada movimento dele. Talvez me fosse um pouco estranho por nunca ter assistido a tal episódio com ele, mas dos movimentos seguros, sem qualquer vergonha ou embaraço por estar a realizar passos insinuosos de dança enquanto a cada movimento descobria mais o corpo para mim, até ao olhar, sempre concentrado e fixo em mim. Se não fosse mínimamente audivel a minha rarefação na respiração ele tê-la-ia percebido na mesma. Descompassara-me o fôlego e subira-me o desejo, pior ainda sendo a primeira vez a assistir a algo assim. Os meus batimentos pareceram acelerar ainda mais quando ele veio até junto de mim, ornamentando apenas uns dos seus boxers pretos, que lhe ficavam bem como tudo!
-Ai Rodrigo, podes parar de me seduzir desta maneira? Se não daqui a nada tenho de ir lá para fora! - Ele riu, aproximando seguidamente rápido o seu rosto do meu., dando-me um beijo carregado. Ele ainda conseguia fazer pior, pronto! Pouco depois senti as suas mãos tocarem-me, começando por me abrir o fecho do vestido, seguindo depois por baixá-lo, com a sensualidade suficiente para dar continuidade ao espetáculo, agora em mim, ou aos dois, ou o que raio se quisesse dizer, mas que sabia tremendamente bem. Após ver-me livre do vestido precipitei-me para descalçar os sapatos de salto que tinha calçados, mas ele pousou a mão sobre a minha, no meu tornozelo.
-Não tira os sapatos - pediu, soando ao mesmo tempo uma espécie de ordem, fazendo com que fosse impossivel não conceder tal pedido. Afastei a mão do tornozelo, demonstrando a concepçãp do pedido, sem desviar o olhar do seu, penetrante e abrasador. Ele sorriu-me, sorriso que não chegou a grande, mas não chegou a tão pequeno que fosse tímido. Um sorriso sedutor. Como tudo o que procedera desde que estavamos ali dentro. Após a minha concordância ele tornou a subir a mão, deslizando-a demorada e deliciosamente pela minha perna, pelo meu tronco, parando no meu pescoço, para me beijar seguidamente, da mesma forma dominadora. Se continuasse neste ritmo acabaria comigo rapidamente. Deslizei sobre o colchão, deitando-me e levando o Rodrigo comigo, que se encaixou, de encosto perfeito no meu corpo, enquanto deslizava intensamente as mãos por todo o meu corpo. Para além do fogo consumidor que a junção dos nossos corpos me causava, tirei partido da sensação enebriante de percorrer o seu corpo também com as minhas mãos. Era impressionante como mesmo após tantas vezes a revolver na cama e não só com aquele homem eu continuava a sentir espasmos de prazer a cada vez que voltamos a juntar-nos. A sensação de possessão era esmagadora e de cada toque seu afloravam-se-me arrepios por toda a parte. Iria alguma vez deixar de ser assim? Após alguns momentos de envolvência entre lábios, linguas e respirações já aceleradas, ele deixou a minha boca para descer o toque quente e húmido, causador de arrepios e aceleramentos cardiacos, dos seus lábios para o meu pescoço. Pequenos silvos de prazer exalavam da minha boca denunciando a sensação de prazer e agrado com os seus lábios a percorrerem o meu pescoço e o colo do peito, enquanto uma mão pousava na minha nuca, deixando pequenas festas, a outra circulava da minha coxa, subindo pelo meu tronco, dando pequenos toques nas minhas costas, o que gerava mais arrepios, voltando a inverter o caminho. Até ao momento que tinhamos alguma peça de roupa no corpo consegui conter-me, porém, quando a nudez, meramente interrompida pelo facto de continuar com os meus sapatos calçados, não contive mais nada. Deixei-me levar, como sempre, pela experiência que adquirira já de todas as formas possiveis de fazer-me estremecer de prazer. E nem depois de consumado o fogo deixei de sentir a réstea de desejo que me acompanhava durante todo o dia pelo homem que amava. Depois de permanecermos alguns minutos a estabilizar a respiração, ele levantou-se e foi à casa de banho, mas demorou mais do que o habitual.
-Amor, estás bem? - perguntei-lhe do quarto, sentando-me na cama.
-Tudo óptimo amor! - respondeu, chegando ao quarto e parando ao meu lado. A nudez acentava-lhe gloriosamente, e agora já não sentia aquele pouquinho de vergonha de vê-lo assim, ou que me visse do mesmo jeito.
-O que é que se passou para demorares tanto tempo amor?
-Vai já ver! - disse, estendendo-me a mão.
-O quê? - insisti curiosamente.
-Vem - pediu, ao que segurei a sua mão e me levantei da cama, indo com ele até à casa de banho. E mais uma surpresa. Meu Deus, a suite não era o bastante, precisava de hidromassgens e champanhe.
-Amor eu só faço anos, não é um evento nacional!
-Pra mim você é o melhor do nacional, do internacional e dos dois juntos! Eu te amo e o melhor que eu puder dar pra você acredita que não é o que eu penso que é o melhor, porque você merece sempre mais!
-Ai amor, o que é que te deu hoje? Estás super querido e extremamente sedutor, assim não dá!
-Uma parte já deu, vai falar que não aguenta a outra?
-Pronto, está bem, claro que sim!
-Bem que parecia! - sorriu, dando-me um beijo. Depois deu-me passagem primeiramente para a banheira, com um gesto cortês. Descançei, finalmente, os sapatos e entrei naquela água quente sabotada agradavelmente com pétalas de rosa. Ele seguiu-me o gesto e mergulhou também para o calor tranquilizante da água, fazendo-me encostar ao seu peito, no entanto, antes de me descansar em tal posição, mergulhei completamente para molhar o cabelo, que se escorreu ao longo das minhas costas. Os seus olhos envolveram-me um pouco acima da cintura.
-Desejo satisfeito? - perguntei de olhos fechados.
-De você nunca.
-Mas em relação aos sapatos?
-Ah, isso...
-Satisfeito?
-Sim - sorriu.
-E contares-me sobre isso para irmos experimentando?
-Eu conto, mas o próximo será seu.
-Combinado!
-Já sabe qual vai ser?
-Possivelmente.
-Me conta?
-O problema é a pedalada que não sei se tenho agora.
-Me conta na mesma!
-Vais entusiasmar-te e não sei se vamos fazê-lo.
-Pode falar, por favor?
-Antes de sairmos daqui, o que não vai ser agora porque estou aqui bem e preciso de recarregar um bocadinho.
-Tá bom, vou fazer o mesmo - concordou, movendo-se um pouco para servir duas taças de champanhe e entregar-me uma delas. O contraste do quente da água e o frio do champanhe que estava no gelo revitalizava-me o interior. O silêncio absorveu o espaço abrangente, entrecortado apenas pelas nossas respirações. Enquanto absorviamos a calma do espaço ele brindava-me com um cafuné bom, enquanto, pelo que me parecia, começara a trotear num sussurro alguma música.
-Estás a preparar mais uma demonstração de algum talento escondido? - perguntei, metendo-me com ele.
-Não, só colaborando com a repetição da música que ficou tocando no quarto, no meu telefone - sorriu.
-Não sabia que também já ouvias Paulo Mac.
-Só costumava ouvir quando você ouvia e eu tava junto, mas agora comecei gostando mais e ouvindo.
-Então e não queres exteriorizar essa colaboracão com a música? - desafiei. - Estou curiosa! - ri. Ele sorriu, mas acedeu ao meu pedido. Obviamente que haviam falhas e desafinos, mas ele nem cantava mal e soou-me melhor pois ele cantou para mim, carregando o ar com maior intensidade de emoção. Quando ele parou de cantar, não chegando a metade da música, beijei-o. Se não o fizesse, apostava que acabaria por ficar ainda mais sentimental, o que poderia originar um choro de felicidade, e embora fosse de contentamento não queria que surgissem lágrimas esta noite. - Vamos sair? - sugeri.
-Vamo - concordou. Saimos da banheira e cobrimo-nos com os roupões que estavam na casa de banho, seguindo de regresso ao quarto. - Já vai me falar o seu desejo?
-Estás assim tão curioso? - ri.
-Até tou, e eu quero ajudar você a concretizar. - Ri novamente.
-No carro - revelei rapidamente.
-Quê? - Não sei se não percebeu mesmo ou se fez de propósito, mas repeti.
-No carro. - Ele aproximou-se de mim, ficando bem à minha frente.
-Algum em especial? - perguntou, aproximando mais o seu rosto do meu.
-O teu - respondi prontamente, erguendo o rosto para ele. Senti-o inalar profundamente.
-Se tivesse perto da gente eu te concretizava já - disse, num tom sedutoramente pesaroso.
-Fica para a próxima.
-Pena.
-Acontece - não consegui esconder um esgar de um sorriso, enquanto permaneciamos próximos e de olhares fixos.
-Mas a gente tem uma cama - propôs, sorrindo.
-Outra vez a cama? - brinquei, desafiando-o secretamente.
-Prefere o chão dessa vez? - perguntou sem hesitar, determinado.
-O sofá era melhor.
-Qual deles?
-O da janela.
-Tá com sorte que a gente tá no último andar e não há gente pra ver - disse, encostando-me finalmente a si com um puxão pela cintura contra o seu corpo.
-E tu estás com sorte que não te resisto, mas olha que qualquer dia declaro invalidez e a culpa é tua. - Ele riu.
-Se for preciso eu te sustento toda a vida.
-Não vou declarar invalidez!
-Você acabou de...
-Mudei de ideias! Aliás, era só uma ideia!
-Você e sua aversão por eu pagar o que quiser pra você!
-Preciso sentir-me útil e parte disso é um emprego!
-Tá bom, por agora não vou contrariar mais você!
-Finalmente! - exclamei, levando-nos a rir aos dois. Depois disso, beijo daqui, toque dali e lá fomos parar ao sofá da janela.

Visão Rodrigo

No meu ponto de vista, a noite tinha sido perfeita. Esperava que do dela também, porque era esse o objectivo. Me estreei, se for o termo certo, em shows particulares. Enquanto acendia as velas me sentia um pouquinho nervoso, mas chegada a hora os nervos sumiram e correu muito bem, tendo um resultado mais que bom, pois, mesmo sem querer, mas, a meu pedido, acabamos por satisfazer um desejo meu. E depois que a gente conversou acerca do assunto me senti ainda mais incitado a continuarmos com a concretização dos mesmos, de nós dois. Se não fosse com ela, duvido que tivesse tido coragem de pedir que tal sucedesse. Com a Carolina ela parecia demasiado prepotente, o que me fazia nem pensar nas minhas vontades e desejos, e as outras poucas raparigas com quem havia ficado e dormido eram diferentes. Eu gostava delas, mas não tão forte assim. Mas a Mónica era diferente. Eu digo isso um montão de vezes, mas se eu conseguisse explicar tudo o que sinto por ela, não precisava falar tantas. Para além de que ela é a minha pequenininha, pra mim ela é linda e perfeita, e ultimamente, a ousadia dela sobrelevava a sensualidade dela, o que me transmitia segurança nesse campo.
Quando acordei ela ainda tava dormindo. E como eu não cansava de olhar pra ela, fiquei observando a calma do seu sono e meio que sonhando na minha cabeça. Percebi que ela já tava atrasada prá Faculdade, mas não a despertei. Se ela faltasse hoje por certo não haveria problema. Acabei pegando no sono e quando despertei eram 10.40h. Tava precisando de um banho, mas não queria fazer isso sem ela, por isso liguei no serviço de quartos e pedi um miminho pra depois acordar ela. Vesti o roupão tapando o corpo pra ir atender o pedido que tinha feito e cheguei no quarto com o mesmo quando ela começava despertando.
-Bom dia meu amor! - cumprimentei, pousando o tabuleiro de morangos com três escolhas acompanhando, açucar, chantilli e chocolate, e me deitei ao seu lado, a envolvendo com um braço e lhe dando um beijo no pescoço.
-Bom dia amor - sorriu.
-Dormiu bem?
-Claro que sim - sorriu. Depois foi ver as horas. - Rodrigo, eu estou mais que atrasada para a Faculdade! - se sobressaltou.
-Amor, se você faltar hoje não tem problema de certeza, e a Mariana te passa os apontamentos que você precisar.
-Tens razão, e olha, agora também já não valia muito a pena ir...
-Então pronto, não vai, fica comigo!
-Fico! - sorriu, me dando um beijo e me abraçando.
-Bom, eu esperei por você pra tomar um banho e entretanto pedi isso - mostrei o tabuleiro. - Qual vai ser primeiro?
-Isto, estou esganada de fome!
-E a culpa é minha? - falei, sorrindo, já sabendo a resposta.
-Toda tua! Daqui - mencionou, passando a mão no meu cabelo - até aos pés! - riu.
-Não fala muito se não eu te culpo também! - sorri, roubando um beijo dela.
-Deves ter muito por que me culpar! Eu sou pequenina!
-Pequenina de trabalho duplo, ôh garotinha!
-Não me culpes que não tenho culpa que me tenham feito assim!
-Eu te amo do jeito que você é, mas também saio cansado disso, né?
-Ai, tá, mas agora vamos a isso para irmos tomar banho! - falou, referindo o conteúdo do tabuleiro.
-Vamo!
Já tavamos nos dirigindo pró meu carro, depois do check-out, quando anunciei a surpresa que ainda tinha pra ela.
-Antes de a gente ir pra casa vamos fazer uma visita noutro sitio!
-Que sitio?
-Surpresa! Aliás, a surpresa que deixou você sozinha no dia do jogo!

segunda-feira, 14 de abril de 2014

Capitulo 33 (parte II)

Boa noite meninas!
Deixo-vos aqui, finalmente, um novo capitulo! Espero que gostem e deixem os vossos comentários!
Besitos <3
Mónica

Visão Rúben

Todos os medos e dúvidas da Filipa faziam sentido, porém, eu sentia que nenhuma das dúvidas ou medos se concretizariam. Eu pareço meio parvo, porque a última vez que senti que seria real e especial, terminara à poucas horas com uma traição. E apesar do fim desmerecido por minha parte, eu sei que enquanto estivemos bem foi verdadeiro, apesar de não tão forte como eu pensava. Mas a Filipa... Sei lá, a Filipa foi épico, é épico, ela é diferente. E a minha intenção ou propósito não é, de todo, fazer comparações, mas ela é o oposto da Andreia. Quando conheci a Andreia ela era fria, e foi durante muito tempo, mas a Filipa foi de uma doçura e simpatia incríveis, logo após aquele encontrão. As duas têm medis do passado, e agora com toda a certeza prefiro o épico ao curandeiro. Isto é, não me arrependo de nada que fiz para conquistar a Andreia, mas sem sofrer, apaixonar-me está a soar-me ainda melhor. Acabei por pernoitar na casa da Filipa e senti-me pacificamente feliz ao adormecer abraçado a ela. Depois de despertarmos, na manhã seguinte, mantivemo-nos ocupados, principalmente a desfrutar da companhia um do outro. Acabei por me perder nas horas e saí de casa dela apressado para passar em minha casa e ir buscar o que precisava para seguir para o treino, o primeiro dos que teríamos hoje, à conta do jogo de hoje. Cheguei uns dois minutos atrasado, por sorte, e ainda vi a minha pequenina, antes de correr na direcção que os rapazes haviam seguido. O treino correu bem e consegui dar uma desculpa ao Mister que ele acreditou, ou se não acreditou fingiu fazê-lo, por ter faltado ao treino da tarde anterior. Seguimos para almoçar animados.
-Para além do bom treino tá com cara de felicidade! O que é que aconteceu? - perguntou-me o Rodrigo, sentando-se ao meu lado.
-Acordei bem-disposto!
-Tá, e acordou bem-disposto assim porquê? - insistiu.
-Oh, sei lá, acordei assim! E ainda bem, porque temos jogo!
-Hm-hm - murmurou, não-convencido.
-Podemos parar com esta conversa, por favor?
-Tá querendo me esconder alguma coisa, mas tá bom - Dei inicio a uma conversa banal, que ele acabou por aceitar e continuar.
-A Mónica ficou com as meninas, tava se sentindo sozinha de manhã.
-A sentir-se sozinha contigo ao lado?
-Não, eu saí um pouquinho e a Mariana foi ter com o seu irmão.
-Ah, então pronto, fez bem, assim não fica sozinha, e as meninas são simpáticas e divertidas!
-É, e ela ia chamar a Filipa pra vir também, já que elas e a minha irmã vão ver o jogo no Estádio.
-A Filipa?
-Sim.
-Ah, está bem - contive um sorriso a custo. Tentei depois evitar assuntos que relacionassem as meninas para não ter de evitar sorrir assim que tocássemos no nome da Filipa.

A pouco tempo de termos de nos reunir para a palestra do Mister, após o treino antecedente ao jogo, eu e o Rodrigo, assim como o resto do plantel, fomos até aos camarotes para ir ter com as meninas. Não evitei sorrir ao ver a Filipa, enquanto me dirigia com o Rodrigo ao seu encontro e da Mónica. Enquanto o Rodrigo se foi agarrar à Mónica e ficaram entretidos aos sorrisinhos e abraços, eu e a Filipa mantivemo-nos alguns segundos apenas a sorrir um para o outro. Parecia tudo tão genuíno, tão verdadeiro. O ar parecia-me mais leve, era mais fácil respirar, era impossível não sorrir. Sentia-me feliz, mesmo com o secretismo, feliz como parecia que nunca tinha estado.
-Olá - acabei por dizer, sem desfazer o sorriso, diminuindo apenas a sua expansão, pois se não me moderasse, o que queríamos esconder, por ora, seria obviamente claro para todos.
-Olá - respondeu, exercendo o mesmo esforço que eu para controlar o sorriso. Até agora, podia dizer que já tínhamos alguma intimidade, dado o que já havíamos partilhado um com o outro nos piores momentos que passáramos recentemente, mais eu que ela, mas que a haviam levado a partilhar coisas comigo. Mas neste momento sentia que já nos ligava alguma cumplicidade. Se cada palavra que havíamos dito com o coração, principalmente na noite anterior, nos restituísse os pontos essenciais para uma boa amizade, evolutiva depois conforme os passos que quiséssemos dar, diria que já estaríamos a meio caminho.
-Vais ficar para ver o jogo? - perguntei aleatoriamente, sabendo já a resposta.
-Não tenho nada melhor para fazer - o dialogo não parecia estar a surgir, mais devido ao facto de termos de nos conter de modos diferentes, porque garanto que o que me apetecia neste momento era abraçá-la, receber um beijo de boa sorte e ficar a conversar como na noite anterior até ter de ir para campo.
-Então mano! - sobressaltei-me um pouco quando o meu irmão surgiu atrás de mim, colocando um braço por ima dos meu ombros, acompanhado pela Mariana.
-Então! - respondi, tentando tirar o mais de inconveniência que se me atravessasse no tom de voz.
-Pronto para o jogo? E olá Filipa! - sorriu, cumprimentando a Filipa, ao que ela pareceu apenas habilitada a responder com um sorriso.
-Sempre! - respondi.
-Assim é que é maninho! Mas boa sorte de qualquer maneira!
-Obrigado!
-Oi gente, oi maninnha! - disse o Rodrigo, surgindo com a Mónica ao pé de nós. - Rúben tá na hora de a gente ir!
-Está bem! - cheguei-me junto da Filipa e dei-lhe dois beijinhos. - Se marcar, é para ti - disse-lhe entre a despedida, de forma discreta.
-Boa sorte - sorriu. Depois de me despedir dos outros segui com o Rodrigo, olhando uma última vez para aquela que inspiraria a minha noite.
Ganhámos por 3-0. Não marquei, mas dei mais que o meu melhor.
-Inspiradão você, hein Rúben? - comentou o Rodrigo, quando já íamos a sair dos balneários, dirigindo-nos às garagens, ond as meninas nos esperavam.
-Olha que fala, também!
-Desviando assunto de novo? - percebeu, sorrindo.
-Não é desviar assunto, é constatar factos! - tentei novamente.
-Tá, vou fingir acreditar!
-É isso! Então e olha, a tua pequenina está quase a fazer anos! - mudei definitivamente o assunto, sabendo que o prenderia neste.
-Tá mesmo!  - sorriu, não escondendo o carinho. Se havia algo que me fazia sorrir também era a forma tão evidenciada como eles demonstravam, muitas vezes sem perceberem, o quanto gostavam um do outro.
-Então e vais fazer-lhe alguma coisa? Se precisares de ajuda a organizar alguma coisa ou assim conta comigo!
-Vou fazer com certeza, mas vou ter que pensar ainda, eu já preparei uma surpresa pra ela, mas não é nenhuma festa, é mais uma prenda.
-Está bem, mas então precisas de ideias, preferes pensar sozinho?
-Pode ajudar, claro! Aliás, eu queria a sua ajuda e da minha irmã. E vou pedir ajuda à Filipa pra entreter ela prá gente se reunir e pensar alguma coisa.
-Boa! E quando é que vai ser?
-Ainda não sei, mas depois a gente vê que eles já tão ali esperando a gente! - respondeu, quando estavamos já perto dos nossos carros.
-Vamos festejar pessoal? - perguntou o meu irmão, assim que os alcansámos.
-Eu não quero ser desmancha prazeres, mas eu não estou com vontade de andar a dormir na Faculdade nem no trabalho - disse a Mónica, sorrindo e trocando um olhar cúmplice com o Rodrigo, que retorquiu com um sorriso igual.
-Pois, eu também não vou, amanhã é dia de trabalho - disse a Filipa.
-Nem olha pra mim que eu não vou deixar a minha menina! - disse logo o Rodrigo.
-Ai, não podes deixar a menina hoje? - perguntou o meu irmão.
-Poder eu posso, mas não tou querendo! - respondeu o Rodrigo, abraçando a Mónica.

-Que mel, pá! - resmoneou o Mauro.
-Dá pra você calar a boca, ou não vê que eles tao apaixonados? É normal! - retorquiu logo  a Mariana com um sorriso.
-Apaixonado também eu estou mas não estou incapacitado para te deixar de vez em quando!
-Mauro, cala a boca, só isso, tá?
-Pronto! Então e tu, não vais falhar, não é maninho? - virou-se para mim.
-Vocês estão uns cortes, hoje!
-Quer ir jogar os 90 minutos como a gente fez, juntar os treinos e ir festejar? - perguntou o Rodrigo.
-Mas nós ganhámos!
-Mas nós estamos cansados! - repliquei.
-Pronto, já percebi! Amor, vens comigo? - perguntou à Mariana.
-Vou!
-Ah, alguém que não me deixa festejar sozinho!
-Alguém que não tá cansada como eles! Mas mesmo assim não vai ser até muito tarde que amanhã eu também tenho a Faculdade!
-Está bem! Bem, então nós vamos campeões!
-Bom festejo! - brinquei.
-Vai ser melhor que ficar em casa! - rimos.
-Ah, esperem! É só para vos avisar que se precisarem de me ligar não o façam, fiquei sem telemóvel!
-Então? - perguntou o Mauro.
-Caiu e foi-se! Mas amanhã vou comprar um novo, não te preocupes que não ficas muito tempo sem me chatear à distância! - ri. Acabámos por nos despedir de vez e eles foram embora.
-Bom gente, a gente vai embora também! - informou o Rodrigo. - Precisa de boleia, Filpa?
-Deixa estar que o motorista está cá! - intervim.
-Tá bom! Então até amanhã!
-Até amanhã!

-O telemóvel caiu depois de o teres mandado contra a parede! - disse a Filipa após entrarmos no meu carro.
-Ninguém precisa de saber!
-Vais contar-lhes que tu e a Andreia acabaram?
-Vou, mas por agora ainda não.
-Está bem.
-Amanhã vens comigo comprar o telemóvel novo?
-Se acordares de manhã sim, porque eu entro às 14.00h.
-Se não acordar sozinho acordas-me tu.
-Pernoitar na minha casa outra vez?
-Sinto-me sozinho na minha, e durmo bem ao teu lado.
-Bela desculpa, mas aceito.
-Compenso quando lá chgarmos - sorri, prometendo então os beijos reprimidos em todas as ocasiões que nos cruzaramos.

Visão Rodrigo
Durante a semana que tinha passado a Filipa nos ajudou a distrair a Mónica enquanto eu, o Rúben e a minha irmã discutiamos ideias pra fazer uma surpresa prá minha namorada. Ela era muito apegada na familia então pensei em algo que os envolvesse, mas não foi possivel reunir todos, por isso apenas os primos e uma das tias participariam. Fui percebendo também que ela tava se dando bem com as meninas, inclusive com a nova namorada do Nico, que a gente acabou descobrindo que elas já se conheciam, por isso decidimos alugar um salão em Cascais pra juntar todo mundo. Acertamos todos os pormenores no dia anterior, o dia que seguiu nosso empate com o Nacional, na Madeira, por 2-2.
Na manhã do aniversário dela acordei mais cedo, tendo o cuidado de sair da cama sem despertar ela, e fui preparar o café da manhã prá gente, pra levar no quarto.

Comecei despertando ela com beijos na cara e no pescoço.

-Feliz aniversário meu amor - desejei, sorrindo junto do seu rosto, que logo  se abriu num sorriso enorme, após abrir os olhos e se espreguiçar.
-Obrigada amor - agradeceu, me dando um beijo.
-Tá com fome?
-Sim.
-Que bom, trouxe seu café da manhã!
-Obrigada amor! - sorriu, se sentando e liberando espaço pra eu sentar do seu lado e comer com ela, porém o que a gente desejava que prolongasse pra umas horas de mimo na cama teve de originar um duche rápido pra eu levar ela na Faculdade, onde eu também fui buscar ela na hora de almoço, pois ela tinha pedido folga pró dia e a gente ia almoçar junto. O Mister ia dar folga prá gente no dia seguinte, por isso ela foi assistir ao meu treino, às 17.00h e depois seguimos pra casa, onde eu falei que a gente ia jantar fora também.
-Estás a estragar-me! - reclamou, enquanto a gente se vestia.
-É seu dia, você merece!
-Mas é demais amor!
-É de menos até, meu bem! E pode ficar estragada o quanto for, eu que vou tar do seu lado, por isso não vou ter problemas em lidar com isso!
-Tonto.
-Eu te amo - disse, chegando perto dela e tirando um beijo.
-Eu também te amo! - sorriu.
-Tá pronta?
-Quase!
-Então termina prá gente ir! - Pouco depois saí com ela deslumbrante do meu lado pra um jantar tão menos íntimo do que ela esperava.

Visão Filipa

Como o Rodrigo me tinha pedido, entreti a Mónica enquanto ele, o Rúben e a Mariana planeavam como é que iam fazer uma festa para ela, que fazia anos no dia 12, tarefa na qual fui bem sucedida e penso que ela não desconfiou ou achou estranho pedir-lhe para passar algum tempo apenas comigo. Julgo que tal também se deveu ao facto de a cada dia estarmos mais próximas. Desde que nos conheceramos a simpatia fora imperial, e com a convivência, quer nas horas de trabalho quer fora delas, as coisas fluiam de uma forma tão simples que me sentia tão confortável a conversar com ela, como se estivesse predestinado conhecermo-nos e criarmos uma amizade que desejavamos guardar para a vida. Era assim que me sentia em relação à nossa amizade. Também havia passado uma semana desde que eu e o Rúben começaramos a... o que quer que fosse que tinhamos. Como lhe tinha dito, não me sentia preparada para iniciar algo, se bem que começava a tentar mentalizar-me que era apenas uma ideia da minha cabeça, mas a disponibilidade do Rúben em não rotular nada, em não termos de seguir a normalidade, por assim dizer, de um relacionamento, o facto de ter sido o primeiro a apelar para o secretismo, se me sentisse bem e assim o quisesse, deixava-me mais confortável com a situação. Contudo, estava a tornar-se um bocadinho difícil manter a segredaria disso, porque a Mónica de vez em quando fazia umas suposições e constatações que me inquietavam, e se fosse sob o seu olhar, não conseguia sequer tentar negar ou mudar o assunto, tentava ignorar, o que daria ainda mais aso a que ela fizesse suposições.
Na manhã de dia 12 enviei uma mensagem de parabéns à Mónica e tornei a dormir, ligando-lhe à hora de almoço para reforçar o desejo de feliz aniversário. Trabalharia com outra colega, porque ela tinha pedido folga, pelo que há hora de saída já o Rúben me esperava, já ele pronto, para me levar a casa para que me arranjasse também para seguirmos para a festa da Mónica.
-A Mónica anda a fazer suposições muito certeiras - comentei com o Rúben, no caminho para a festa.
-Em relação a quê?
-A nós.
-Hm... E como é que te sentes em relação a isso? Tens medo que ela descubra?
-Acho que não. Acho que ela já é mais uma melhor amiga do que uma simples amiga, por isso acho que se ela descobrir não vou importar-me.
-Isso é bom, significa de algum modo, progressos.
-Sim. Eu tenho andado a tentar mentalizar-me que esse medo e assim é tudo da minha cabeça.
-Acho que fazes muito bem! Se precisares de um empurrãozinho é só dizeres!
-Depende da espécie de empurrãozinho.
-Podes descansar que é indolor e não te traz problemas!
-Vou considerar! - ri. Acabamos por chegar e findar a conversa, juntando-nos a quem já lá estava.
Visão Rúben
Estaba ansioso que a minha pequenina chgasse e percebesse que afinal não ia jantar sozinha com o seu brasileirinho mas sim con todos os que mais gostava. Acho que os sorrisos são algo que nunca me cansei de ver e rever, e vê-los no rosto das pessoas que me são queridas é algo mprescindivel, e a minha pequenina é a minha pequenina, tirando o pequeno grande detalhe de ela ser a rapariga que faz a vida ser melhor para um dos meus melhores amigos. E como previsto e desejado, sorrisos abundaram na noite, sendo o maior o da Mónica, seguido pelo do Rodrigo, que não parou um segundo de babar para a rapariga.
-Então, gostaste da surpresa? - perguntei à baixinha da aniversariante, após chegar junto dela, do Rodrigo, do meu irmão, da Mariana e da Filipa, que acabara também de se lhes juntar.
-Claro que sim! Obrigada!
-Parar de agradecer é regra nessa festa, a menos que entreguem presentes pra você! - disse a Mariana.
-Bem, com licença, Filipa, queres dançar? - perguntei, estendendo-lhe a mão.
-Está bem - aceitou, segurando a minha mão, erguendo o seu olhar carinhosamente para mim.
-É disso que eu tenho estado a falar Fii! - disse a Mónica para a Filipa, retrucando um olhar com ela que eu já conhecia a par da cumplicidade das duas. A Filipa sorriu sem dizer uma palavra, seguindo-me para a pequena pista.
-Ela já descobriu, só não disse directamente, ainda - disse à Filipa, após firmar as minhas mãos no seu corpo para dançarmos.

-Achas?
-De certeza. Mas estás bem com isso, certo?
-Sim, sim, com ela estou.
-Ainda bem. Mas, achas que também estarias com o Rodrigo?
-Porquê? Ele também sabe?
-Desconfia de alguma coisa. Eu acabo sempre por conseguir mudar o assunto, mas ele não insiste mais porque me respeita, mas a verdade é que acho que preciso de contar a alguém e queria que fosse ele.
-Podes contar-lhe.
-Tens a certeza?
-Sim, afinal eles são quase como um, sabes perfeitamente a cumplicidade que há entre eles, para além de que eles já devem ter comentado alguma coisa entre eles.
-É, tens razão. Mas então não te importas mesmo?
-Não. Eu vou falar com a Mónica também.
-Amanhã?
-Sim. Mas vamos pedir-lhes para guardarem segredo.
-Claro.
-Boa - sorriu.
-No final da noite, mais concretamente, o inicio da madrugada, depois de todos se despedirem e irem embora, apenas o grupo habitual permaneceu.
-Rúben - chamou-me a Filipa, num tom mais baixo, enquanto o meu irmão e a Mariana se despediam da Mónica e do Rodrigo.
-Sim.
-Posso fazer-te uma pergunta?
-Claro que podes.
-Eu sei que não é da minha conta, mas, os pais da Mónica não vieram, pois não? - Ah, a pergunta.
-O pai e a irmã dela, que é filha dele com outra mulher, não puderam vir.
-Hm, e a mãe dele? É que eu percebi que ela é muito ligado à familia, pelo menos aos que estiveram cá hoje...
-A mãe dela faleceu há quase dez anos - respondi, sem evitar ostentar um pequeno pesar no tom de voz.
-Ah, eu... eu não sabia...
-Não te preocupes, ela lida bem com isso, quer dizer, se é que o termo bem pode ser empregue neste tema.
-Ainda bem - disse, um pouco envolta pela emoção caída em si aquando da novidade.
-Vá, deixa isso! Vamos despedir-nos deles também?
-Sim.
-E posso pernoitar outra vez?
-Qualquer dia alugas-me o outro quarto!
-Olha que não era mal pensado!
-Não inventes, Rúben!
-Está bem, pronto, vamos lá! - não insisti, dirigindo-nos para os nossos amigos.

quinta-feira, 20 de março de 2014

Capitulo 33 (parte I)

Olá meninas! Bem, finalmente mais um capitulo! Desculpem a demora, mas prnto, sabem que o tempo não me estende! Espero que gostem e comentem, e em breve postarei também o 2ºcapitulo da minha nova fic ''O melhor de nós''!
Besitos

P.s.- Bf (Filipa Gonçalves), este é especial, por isso delicia-te, ahah! Te quiero <3

Visão Rúben

Depois de jantar voltei para o sofá. O dia estava realmente a fazer-me sentir saudades do meu optimismo e até de ser o palhaço de serviço do grupo de amigos. Sentia-me tão estranho assim, de ânimo pesado, sem paciência para nada, aborrecido, e sobretudo, solitariamente triste. Estava a passar os canais da televisão quando o meu telemóvel tocou. Olhei para o visor e apesar da não-vontade, suspirei, antes de atender a chamada da Andreia.
-Sim - atendi, desprovido de qualquer contentamento na voz.
-Olá Rúben - disse. E imediatamente denotei o tom dócil e ao mesmo tempo nervoso na sua voz.
-Olá.
-Viste as minhas mensagens?
-Vi, mas sinceramente não estava com paciência para responder. Mas de qualquer maneira já estamos a falar, por isso sobre o que é que querias conversar?
-É sobre nós - hesitou.
-Uau, deves mesmo ter pensado como deve ser uma vez neste tempo todo, para decidir que precisamos falar sobre nós. Apesar de em todas as pseudo-conversas que temos tido até agora se perceber perfeitamente que não estamos bem e precisamos de conversar.
-Sim, pois, foi mais ou menos.
-Podes começar, então. Acho que aqui a única que tem algum pedido de desculpas a fazer és tu.
-Hm, é... É mais pedir que me perdoes. Eu... Eu errei.
-Ah, não me digas! Depois de tantos berros, disparates e insultos, finalmente percebeste! Vais fazer o mesmo com a tua suposta ex-melhor amiga?
-Ela não tem nada a ver com isto.
-Ai não? Que eu saiba as discussões entre nós começaram ainda no assunto da suposta traição dela ao Rodrigo, depois é que acabaram por ir nem sei por onde!
-O meu pedido de perdão não abrange o assunto deles. Continuo com a opinião que não a conheço apesar de tudo, e isso não vai mudar. Só nos abrange a nós os dois.
-Eu é que já estou a perder a noção se de facto te reconheço neste momento. Mas pronto, diz-me lá em que discussão é que começa? Na que me desligaste o telemóvel na cara pela primeira vez? Ou naquela em que vieste desculpar-te com a falta de tempo para te teres esquecido de me dar os parabéns?
-Eu pensei que íamos falar como adultos, mas estás a ter uma atitude contrária.
-Não estás a gostar que fale contigo como tu me tens feito, sem motivo aparente? Pois eu também não gostei nada e tentei fazer-te parar e pensar, mas foi preciso eu me afastar para perceberes isso.
-O que eu tenho para te dizer é importante.
-Ah, mas cuidar da nossa relação na altura devida não era importante? É que pareceu.
-Posso falar?
-Já falaste algumas vezes e ainda não disseste nada!
-Eu não estou a brincar, estou a falar a sério!
-E tu julgaste que andei a brincar este tempo todo?
-Eu traí-te! - disse de uma só vez. A agitação electrizante que me estava a fazer descer ao seu nivel de conversa dos últimos tempos estagnou subitamente.
-O quê? - perguntei, quase suspendendo a voz de tão baixo que saiu o som.
-Eu traí-te - repetiu. - E não foi só uma noite. - Não sei se foi do choque, da surpresa, mas não respondi nem questionei nada, fiquei ali apenas, mudo. - Foi com o Michael, o melhor amigo do melhor amigo da Mónica. Ele andava a atirar-se a mim desde que conhecemos o Zach, e na primeira vez que discutimos eu fui dar uma volta para espairecer e ele apareceu e viu-me naquele estado... e aconteceu. - E aconteceu, repeti mentalmente as suas palavras, borbulhando de indignação. Como é que estas coisas podem acontecer? - Não dizes nada? - perguntou, cautelosa.
-Queres que diga o quê? - respondi apaticamente.
-Não sei, qualquer coisa.
-É?  Então pronto, olha, parabéns, muitos parabéns por à mínima discussão te meteres na cama com o primeiro que te aparece à frente!  Ah, e espera, não foi só uma noite, não é? Foram quantas vezes após cada discussão? E os remorsos, ainda estão quentinhos no fundo da cama?
-Não sejas parvo, Rúben!
-Ai, não, espera, para além de cornudo agora também sou parvo? Por favor, Andreia!
-Não fales assim!
-Assim como? Quer dizer, para além de me traíres vezes repetidas, sem eu te dar quaisquer razões, ainda me vens ofender? Não é preciso, já me trespassaste o orgulho ao confessar as traições!
-Foi só com o Michael!
-Não me interessa, traíste-me, porra! Que motivos é que eu te dei para fazeres isso? Nenhuns! E essas coisas não acontecem! Se aconteceu foi porque tu quiseste, tu deixaste, não me venhas dizer que aconteceu, que aí nem a fragilidade assume as culpas!
-Eu não estou a tentar esquivar-me das culpas!
-Nem vale a pena tentares, porque a culpa é tua, só tua!
-Se calhar não foi só minha!
-Ai não? Foi de quem mais, então?
-Se calhar também é tua, em parte!
-Minha?! - ri sarcasticamente.
-Sim, tua! Estás tão longe de mim! E foste contraditório na tua opinião sobre o assunto do Rodrigo e da Mónica! Isso é que começou todas as discussões!
-E dizes tu que não estás a esquivar-te das culpas! Estamos longe, mas desde o inicio que esse obstáculo era sabido, se decidimos ficar juntos tínhamos pela noção de que tínhamos de ser fortes perante a distância! E o assunto deles, eu não fui contraditório, simplesmente errei e depois percebi e corrigi o meu erro! Tu é que deixaste que esse assunto nos afastasse! E já que estamos a falar neles, podias tomá-los como exemplo! A distância entre eles era exactamente a mesma que a nossa, e nem por isso algum deles vacilou, pelo contrário, tornou-os mais fortes, fiéis, apaixonados! E tu ainda andavas com moralismos na suposta questão de a Mónica o ter traído! Olha o que é que fizeste tu!
-Ai está a diferença, a distância era a mesma! Ela voltou, eles estão juntos agora!
-Nós também podíamos estar, se tu quisesses, e apesar de eu querer, não foi por ficares aí que desisti de nós! Mas acredita que se ela tivesse ficado, não tenho a menor dúvida que nada ia mudar entre eles! Eu pensei que o que nós sentíamos um pelo outro era suficientemente forte e puro, como eles, depois de tudo o que passámos, para suportar tudo o que se nos opusesse, mas estava enganado.
-E é!
-Não, não é. Até porque o nós desapareceu.
-Rúben, não digas isso! Eu preciso que me perdoes para ficarmos bem! Eu até estou disposta a voltar para aí, de vez, para ficar do teu lado!
-Não sacrifiques coisas desnecessárias, fica aí, vive o teu sonho, tentar ser fiel à tua nova aventura e sê feliz. E esquece-me.
-Não me peças isso, Rúben! - implorou, esganiçando a voz chorosa.
-Não estou a pedir-te nada, estou a dar-te uma sugestão útil, porque de mim não vais ter mais nada. O que eu quero é que a distância se mantenha, não te quero ver, arruinaste a admiração que sentia por ti, assim como tudo o resto. E agora se não te importas, tenho de desligar e afogar as mágoas e curara as feridas. - Desliguei a chamada. Permaneci alguns segundos vidrado no telemóvel, que após terminado o estado de dormência atirei contra a parede, acompanhado com um grito, seguido de lágrimas silenciosas.

Visão Filipa

O sonho com o Gonçalo persistia em perseguir-me. Escassos eram os minutos nos quais o mesmo não me vinha à mente, e estava prestes a endoidecer! Todos os entraves, quer da minha parte quer do Rúben demonstravam teimosia, e todos os prós e contras, todos os quereres e não-quereres estavam a deixar-me tonta de tanto rodopio na minha mente. Depois de ter jantado e arrumado a cozinha fui vestir o pijama e fui para o sofá da sala, enroscada numa manta, de livro na mão e com apenas o pequeno candeeiro na sala acesso. Acabei por conseguir focar-me realmente no livro e abstrair-me, porém, após quase uma hora de leitura, parei para descansar um pouco a vista e aí retornaram as memórias do sonho. Como é que era possível um sonho deixar-me assim? De repente, despertei do transe em que me tinha envolvido com os meus pensamentos, com o toque do telefone de casa.
-Estou?
-Filipa, é o Rúben – ouvi do outro lado. O meu pensamento imediato destinou-se ao sonho, porém notei-lhe a voz embargada, soava tão carregada e triste.
-Rúben – respondi. – Está tudo bem?
-Nem por isso. Eu queria… Estás muito ocupada?
-Não, não estou a fazer nada demais. Precisas de alguma coisa?
-Achas que posso ir ter contigo?
-Claro, sim, podes.
-Ainda bem, obrigado. Eu vou sair agora de casa, então.
-Sim, está bem. E ainda não sei o que se passa, mas, vem com cuidado, por favor.
-Sim, não te preocupes. Até já.
-Até já.
Depois de terminada a chamada não evitei sentir-me preocupada. A voz do Rúben estava tão preenchida de negativismo que me levou a pensar em inúmeras razões pelo seu estado, mas era desnecessário tentar adivinhar, pois não teria certeza da razão de igual modo, pelo que era obrigada a esperar que ele chegasse. Quarenta e cinco minutos de espera passaram de forma lenta, até que tocaram à campainha e após abrir me deparei de facto com o Rúben. Se a sua voz me soara mal, o seu aspecto caíra-me pior. O semblante triste era algo que não lhe assentava, simplesmente. Sem nenhum sorriso a oferecer, não parecia o Rúben. Tinha os olhos inchados e vermelhos, logo, tinha estado a chorar. Não dirigimos qualquer para um ao outro, simplesmente abrimos os braços e abraçamo-nos. Ele respirava pesadamente, tentando conter as lágrimas, enquanto o seu abraço permanecia forte. Assim que nos soltámos, fechei a porta de entrada e dirigimo-nos à sala, onde nos sentámos no sofá.
-Desculpa vir a estas horas – desculpou-se.
-Não tens de pedir desculpa. Eu quero é saber o que é que se passa contigo.
-Eu falei com a Andreia, hoje à noite. – Mantive-me silenciosa, para que ele pudesse continuar, porém, cada segundo que decorria mostrava cada vez mais a contenção dele para não chorar, o que me dava vontade de bombardeá-lo com perguntas de teor revoltado para com a namorada dele. Por fim ele continuou. – Ela traiu-me, mais que uma vez. – E após a confissão as lágrimas descambaram, silenciosas no seu rosto. Era tão doloroso vê-lo assim, a chorar. O Rúben era aquele que não aparecia sem um sorriso, e agora estava ali, a chorar.
-Oh Rúben… - disse, abraçando-o e deixando-o escorrer a alma ferida no meu ombro.

-O que é que eu fiz para merecer isto? Eu sempre fiz tudo por ela, sempre a respeitei, sempre a amei e dei-lhe o melhor de mim! Porque é que ela me fez isto? – chorava, fazendo perguntas, retóricas, certamente.
-Tu és uma pessoa incrível, Rúben, não te martirizes com o que possas ter feito, porque tenho a certeza que tudo o que fizeste foi bem, a errada aqui foi ela – ainda assim tentei acalmar as suas dúvidas ou desabafos.
-Mas ela traiu-me, mesmo eu sendo essa pessoa incrível, como tu dizes.
-É ela que vai ficar com remorsos se for capaz de se sentir culpada, não tu.
-Ai se vai! Que fique com eles metade da vida! Eu vou seguir em frente e ela que se remoa!
-É assim mesmo, Rúben! Aqui quem perdeu foi ela – concordei, aquando de soltarmos o abraço. Vislumbrei-lhe rapidamente um fraco delinear de um sorriso.
-Obrigado.
-Por quê?
-Por me deixares vir incomodar-te a estas horas com isto.
-Não tens de agradecer.
-Tenho sim. Quem é que atura uma pessoa como eu a chorar como um menino, quase à meia-noite? É preciso ter a paciência de uns quantos santos juntos!
-Não Rúben, é preciso apenas ser-se amiga deste rapaz incrível que todos conhecemos, mas que como toda a gente tem direito a chorar e a ter as coisas más para que são precisos os amigos.
-És muito minha amiga, então!
-Para tudo o que tu precisares.
-Agora a sério, obrig…
-Podes parar por aí que já passámos essa fase! – Ele gargalhou, o que me fez sorriso.
-Então e em que parte é que estamos agora? – sorriu, nitidamente melhor!
-Estamos na parte em que vamos fazer alguma coisa para nos distrairmos!
-Sugestões?
-Filme?
-Só se for uma comédia!
-Exactamente o que se precisa agora!
-Posso ir fazer as pipocas? – perguntou, sorridente.
-Já não há! Mas há outra coisa que serve! – Levantei-me e fui até um dos armários da cozinha. – Taramm! – sorri, erguendo dois pacotes de gomas.
-Perfeito! Vamos escolher o filme?
-Escolhe quem agarrar primeiro o comando! - brinquei. Ele olhou de imediato para a pequena mesa junto do sofá, onde habitualmente estão os comandos, porém não lá estavam.
-Onde é que estão? - perguntou, atento a todos os sítios. Sorri de forma a desafiá-lo, pois não iria dizer-lhe nada. Corri para o sofá, mirando uma das almofadas, atrás da qual estavam os comandos. Mas ele foi perspicaz e correu também, chegando lá primeiro. - Ganhei! Escolho eu! - sorriu, sentando-se no sofá.
-Batoteiro! - brinquei, sentando-me ao seu lado.
-Batoteiro? Tu não me disseste onde é que estavam, eu é que descobri!
-Sim, sim, descobriste depois de eu olhar!
-Ninguém te disse para evidenciares o lugar! Eu penso, sabes!
-Não me digas! - ri, ao que ele se juntou. Ele acabou por escolher o filme e durante todo o tempo rimos até nos faltar o ar e começarmos a chorar de tanto rir. - Meu Deus, já não chorava de tanto rir há muito tempo!
-Também eu! Acabaste de me providenciar uma boa noite de sono! Se tivesse ficado em casa sozinho ia dormir super mal!
-Por falar em dormir...
-Ah, queres ir deitar-te? Eu vou andando então...
Não, não é isso!
-Não?
-Não. É que eu... Esquece.
-Não, não esqueço. Diz lá.
-Não sei se é apropriado falar disto neste momento.
-Porquê? O que é que tem?
-Porque tu estás como estás e não quero que fazer nada que..
-Importaste de dizer de uma vez? Sou teu amigo, não sou? Então pronto, agora é a minha vez de te ouvir.
-Mas...
-Filipa - pronunciou, olhando-me de forma a eu entender que estava realmente apto para falar-lhe.
-É que eu sonhei com o meu ex-namorado, o Gonçalo.
-Eu a pensar que tinhas sonhado comigo! - gozou, rindo e fazendo-me rir.
-Mas é que ele falou comigo, sobre ti.
-Sobre mim? Como assim? Olha, se ele te disse que sou má companhia, desacredita-o! Posso ser o palhaço de serviço para toda a gente, mas má companhia garanto que não sou!
-Eu sei! Ele disse exactamente o contrário.
-Ah, então pronto, ele tem razão! Mas já agora conta-me lá quais foram os elogios que ele me deu!
-Nós falámos sobre... sentimentos.
-Sentimentos? - perguntou, modificando a sua expressão jocosa por uma postura mais séria e integra.
-Ai, estás a ver? Eu não quero falar sobre isso agora, tu acabaste de sair dessa confissão, desse assunto com a Andreia, não quero que voltes ao estado em que cá chegaste!
-Tem a ver com o nosso beijo?
-Tem...
-Então vais contar-me. - Acabei por ceder e contar o meu sonho. - Então é verdade? Gostas de mim?
-Sim. Quer dizer, não. Quer dizer, não sei!
-Sim ou não?
-Acho que sim. Mas é que isto é tão estranho.
-Como ele disse, é épico. E se é épico é verdadeiro e vale a pena.
-Não, não, não Rúben. Não. Tu acabaste de saber que a Andreia te traiu, acabaram há umas horas, tu estás confuso, eu não me sinto preparada para assumir nada.
-Sabes o que é o desgaste? - perguntou de repente, pacientemente.
-Hã?
-Os sentimentos também se desgastam, e os meus já ruíram. Eu sinto-me revoltado com o que ela me fez, foi a questão do desrespeito da parte dela, mas o coração só sofreu a desilusão por perder a consideração por ela. Enquanto eu fiz trinta por uma linha para a conquistar e ela me afastava, era verdadeiro o que eu sentia, e quando ela finalmente se desarmou acredita que o meu coração deu pulos de felicidade, mas as coisas má também contam, cansam, desgastam, e neste caso foram levando o que eu sentia por ela. Não sei se foi Deus, o Destino ou fui eu através das minhas escolhas e atitudes, mas agora acredita que depois de afogar as lágrimas com risos, contigo, sinto-me aliviado por ter acabado com ela, porque estava a começar a deixar de ser eu mesmo, e se há algo que nada nem ninguém vai ou pode mudar é quem sou. E contigo eu sou eu, sempre.
-E apaixonaste-te por mim agora? - tentei ironizar algo que me soaria como uma espécie de lamuria.
-Na verdade acho que foi com o teu sorriso, quando nos conhecemos, à porta do bar do Estádio. Agora as coisas ficaram muito mais claras.
-Claro, ideias claras é o que tu deves ter mais neste momento!
-Deixas de ser irónica?
-Neste instante não consigo, desculpa!
-É assim tão difícil de acreditar?
-É difícil de assimilar. Eu tenho medo que isto tudo seja a quente e amanhã tenhas as ideias todas ao contrário!
-Não vou ter, confia em mim.
-Está bem, vou tentar... Mas mesmo assim, mesmo que acredite, mesmo que queira estar contigo, eu acho que ainda não estou preparada para assumir nada.
-São coisas da tua cabeça, não foi o que o Gonçalo disse no sonho?
-Não consigo.
-Ok. Mas não precisamos assumir nada. Podemos estar juntos, sem rótulos, sem ninguém saber.
-Não tens idade para esconder essas coisas - acabei por rir.
-Estás a chamar-me velho?
-Não. Mas estas coisas costumam ser os adolescentes a protagonizar.
-E eu quero lá saber! Se te sentires bem com isso, se quiseres, eu estou plenamente disposto a isso!
-Isto é estranho.
-É sempre estranho no principio. Mas como diz o ditado, primeiro estranha-se, depois entranha-se.
-Mas queres mesmo começar... - Não terminei a pergunta. pois ele reduziu a distância entre nós, beijando-me gentilmente.


-Já comecei! Se quiseres começar, só aceito respostas do mesmo género! - sorriu, ao que mostrei também um sorriso e beijei-o de volta. A tempestade tinha passado, a bonança tinha chegado.

Visão Mónica

Depois de tomar banho e me vestir fiquei com Doni, enquanto o Rodrigo se foi despachar. Desci com o Doni até à cozinha onde a Mariana estava a começar a preparar o pequeno-almoço.
-Bom dia - sorri-lhe, pousando o Doni no chão.
-Bom dia - sorriu de volto. - Olha, desculpa essa coisa hoje de manhã.
-Esquece isso, Mariana, a sério.
-Ai, mas foi mal. Eu tava parecendo uma mãe muito chata e embirrante! - riu.
-Só um bocadinho - ri também.
-Rindo do quê, as minhas meninas? - perguntou o Rodrigo, chegando à cozinha. Foi dar um beijo, na testa, à Mariana, e depois acercou-se de mim, abraçando-me e dando-me um beijo também.
-Gente, vamo parar que o café da manhã tá pronto - disse a Mariana, sentando-se à mesa. Igualámos-lhe o gesto e começámos a comer, por entre conversa.
-Amor, daqui a pouco vou sair um pouquinho - disse-me o Rodrigo.
-E vais onde, posso saber?
-Na verdade nem pode!
-Ai, então porque é que me disseste? Agora fiquei curiosa!
-É segredo!
-A sério? Não tinha percebido! - ironizei.
-Não fica assim, sua boba! - riu ele, fazendo-me um carinho rápido no nariz.
-Mas eu fiquei curiosa, amor!
-Tá, eu te dou uma pista! Seu aniversário tá chegando!
-Ai Rodrigo, não vale, posha! - choraminguei.
-Eu vou tentar ser rápido, meu amor! - disse, levantando-se da mesa e colocando a sua loiça no lava-loiça.
-Já vais? - perguntei-lhe.
-Vou! - respondeu, dando-me um beijo de despedida.
-Eu vou sair com você, Rodrigo! - disse-lhe a Mariana, levantando-se também da mesa.
-Vou ficar sozinha? - perguntei, apesar da evidência da resposta, desanimada.
-O Doni não vai sair de casa! - riu a Mariana.
-Olha, pois!
-Amor não fica assim, daqui a pouco eu volto!
-Está bem, pronto - acabei por concordar. Eles saíram de casa e depois de levantar a mesa e arrumar a cozinha fui para a sala. Estava a sentir-me tremendamente sozinha, ajudando ao facto de o Rodrigo me ter deixado completamente curiosa, e nem a doce companhia do Doni estava a surtir efeito, por isso decidi ligar à Filipa. Hoje havia jogo na Luz com o Vitoria de Setúbal e como estávamos de folga tínhamos combinado, juntamente com a Mariana, ir ver o jogo, mas decidi confirmar tudo com ela, apesar de ser mais uma desculpa, simplesmente para fazer conversa e combater a ansiosidade e solidão que se me ocorriam no momento. Porém o esperado ''Ola'' alegre que deveria ouvir do outro lado da linha foi simplesmente substituído pela continuidade dos toques de chamada, finalizando na caixa do voicemail. Tentei mais uma vez, um tempo depois, mas a situação igualou-se.
-Hoje ninguém me faz companhia, já viste Doni? - falei para o pequeno animal, que se encostou a mim e me deu uma lambidela na mão. - Sim, pronto, tu estás aqui, mas é diferente da companhia das pessoas - disse-lhe, aborrecida, resignando-me com a televisão. Felizmente, não muito tempo depois, ouvi porém a chave na porta.
-Oi! - sorriu o Rodrigo, chegando à sala.
-Voltaste - indaguei, ainda possuindo um tom algo aborrecido.
-Hm, não, só deixei meu corpo entrar, o resto ficou lá fora - sorriu.
-O resto? Que parvo! - acabei por rir.
-Ainda tá bolada de eu ter ido embora e você não pôde vir, bobinha? 
-Não, ainda estou é curiosa para saber o que é que foste fazer, mas chateada não! Estou aborrecida e estava a sentir-me sozinha!
-Hm, então olha, pra não voltar a se sentir sozinha, vai pegar um casaco e a sua mala e vem comigo! A gente vai ter treino agora também por causa do jogo de logo e as meninas também vão ficar pelo Estádio, pelo menos algumas delas vão, então você fica com elas. E pode chamar a Filipa também, vocês vão ver o jogo logo, não é?
-Sim, e a Mariana também.
-Sim, mas bom, ela agora foi ficar um pouquinho com o Mauro.
-Bem, está bem, se a Filipa me atender eu digo-lhe para ir lá ter, se não fico só com as raparigas.
-Se ela atender?
-Sim, ela não me estava a atender à pouco.
-Mas tá tudo bem?
-Sim, acho que sim, chama mas ela não atende, se calhar ainda está a dormir, ela ontem também foi fazer as mudanças, deve estar cansada.
-É, deve tar tudo bem mesmo. Vamo embora, então?
-Vamos - concordei, dando uma festa no Doni, e depois de ir buscar as minhas coisas eu e o Rodrigo saímos para o seu carro.
Chegámos ao Estádio e o Rodrigo foi comigo ao bar do mesmo, onde estavam os jogadores e as suas respectivas namoradas/esposas, pois ainda faltavam 10 minutos para o treino.
-Oi gente! - cumprimentou o Rodrigo, sorrindo como é habitual e acenando com a mão no geral. Eu sorri simplesmente
-Tu novia guapa ha venido, eh! - sorriu a Tamara, esposa do Garay.
-Cariño, sabéis que vosotras nos dan mucha suerte y inspiración! - replicou o Garay, conquistando um beijo da Tami enquanto se ouvia um ''ohhh'' devido ao gesto e simultaneamente concordando com o que o Ezequiel tinha dito.
-Verdad, todos lo sabéis como eres! - sorriu o meu namorado, aconchegando-me mais junto de si.
-Gente, isso tá tudo muito bom aqui, mas o dever tá nos chamando! - informou o Luisão. Todos se despediram das suas meninas, acatando a necessidade de execução do dever.
-Antes do jogo eu passo lá no camarote pra te dar um beijo e escutar o seu ''boa sorte'', visto que nem na hora de almoço a gente se vai ver - sorriu-me o Rodrigo, dando-me um beijo.
-Está bem, bom treino amor - desejei.
-Obrigado meu bem, e se diverte, hein. Não esquece de tentar ligar de novo na Filipa.
-Ah, sim, é verdade, vou ligar-lhe agora! - Ele seguiu o resto dos colegas e eu voltei a marcar o número da Filipa e tentar que ela me atendesse novamente. Enquanto ouvia os primeiros toques de chamada, , o Rúben chegou a correr ao bar.
-Olá pequenina! - sorriu, dando-me um beijo na testa. - Eles já foram, não é?
-Acabaram de sair daqui, se correres mais um bocadinho apanha-los.
-Obrigado! Deseja-me sorte!
-Para o treino.
-Sim!
-Boa sorte! - acabei por rir. Ele mostrou-me um enorme sorriso, algo que andava raro de aparecer no seu rosto há algum tempo. - Rú, estás bem?
-Não se vê? - sorriu genuinamente, acabando por piscar-me o olho e prosseguir correndo na direcção que os companheiros haviam seguido.
-Se se vê! - sorri já sozinha, sendo surpreendida pela voz da Filipa do outro lado da linha.
-Desculpa não ter atendido as tuas chamadas! Eu estive ocupada!
-Olá!
-Olá, desculpa!
-O teu ocupada e tanta vez a pedires desculpa estão a soar-me a felicidade, juntamente com esse tom animado!
-Bem, sim, estou feliz!
-Então vá, nome e apelido! - pedi sem cerimónias.
-O quê?
-Nome e apelido! Juro que se te ouvisses ias perceber logo porque é que estou a pedir-te o nome e apelido! Ou vais dizer-me que não há razão ambulante aí no meio?
-Ai, pára com isso! - riu.
-É verdade! - constatei com tal reacção.
-Oh! Mas o que é que me queres, afinal?
-Bem, as duas primeiras chamadas foram porque me deixaram sozinha em casa com o Doni e estava a sentir-me sozinha.
-O Doni?
-Ah, pois, tu ainda não sabes do Doni! É o cachorrinho que dei ao Rodrigo, é tão lindo!
-Hm, está bem, depois quero vê-lo! Mas então e o resto das chamadas?
-Foram porque vim para o Estádio com o Rodrigo, vim ter com as meninas, não podemos assistir ao treino porque há o jogo logo, mas vamos ficar todas já por aqui e eu ia perguntar-te se não te querias juntar também!
-Mas o treino já começou, não já?
-Sim, mas não há problema nenhum se vieres agora, como é óbvio.
-Bem então vou só arranjar-me e apanho um táxi para aí.
-Boa! Até já, então!
-Até já! - Assim que desliguei a chamada tinha a Magali, esposa do Salvio, atrás de mim.
-Hola guapa! - sorriu-me.
-Olá! - devolvi o sorriso.
-Por qué no te quedas con nosotras? Tenemos una chica nueva en el grupo, la nueva novia de Nico!
-A sério?
-Si! Yo ya la conocía, se llama Dulce e es portuguesa, es un doce, se darán muy bien, verás! - informou-me, enquanto nos dirigíamos para o grupo das meninas.

domingo, 23 de fevereiro de 2014

Capitulo 32 (parte IV)

Boa noite meninas!
Bem e quase um mês depois, como já vem sendo hábito, aquí está mais um capitulo! Espero que gostem e deixem os vossos comentários!
Besitos

Visão Rúben

Tinha começado a jogar à 40 minutos mas fartei-me, incrivelmente rápido. Na televisão não estava a passar nada de interessante então decidi ir ao computador. E ai reparei nas horas. Apressadamente liguei o telemóvel e constatei que tinha chamadas não atendidas, e assim que encontrei uma do Rodrigo retornei-a imediatamente.
-Finalmente, Rúben! Onde que cê tá? Tá tudo bem? - atendeu logo .
-Calma, desculpa, eu desliguei o telemóvel porque a Andreia a começou a chatear-me e eu não estava com paciência, e com isso tudo esqueci-me completamente do treino!
-Você me preocupou!
-Desculpa mano! Mas e o Mister, disse alguma coisa?
-Ele me perguntou porque você não tinha aparecido no treino e eu falei que não sabia!
-Vou ter de inventar uma desculpa qualquer para justificar ter faltado ao treino!
-É, vai mesmo. Eu já tava indo ligar pró seu irmão pra saber se ele já sabia de você, ele jantou cá em casa e ficou de falar se soubesse alguma coisa!
-Desculpa, pronto, mas está tudo bem, eu estou em casa.
-Tá tudo bem mesmo? O que é que a Andreia queria?
-Não faço ideia, só me mandou umas cinco mensagens a pedir que quando pudesse lhe ligasse, mas como eu não respondía, as mensagens foram ficando mais agressivas e eu desliguei o telemóvel, não estou com cabeça para discussões.
-Tá com cabeça pra quê, então?
-Acho que nada, acho que tenho de descansar e pôr ideias em ordem!
-Hm, sei... Bom, eu vou avisar o seu irmão que você tá bem.
-Está bem. Até amanhã então, puto.
-Até amanhã. - Depois de finalizar a chamada desliguei o computador e tentei entreter-me com outra coisa qualquer, o que não parecia fácil. Para quem tinha começado o dia com calma, estava a acabá-lo muito alvoraçado.

Visão Filipa

-Acertas-te!  - respondeu, sorrindo e seguindo finalmente o restante caminho até minha casa.
-O que é que...? Como é que...? - tentei perguntar, mas estava tão atónita que me era difícil falar.
-Calma, eu só estou aqui por uma razão. Quero ajudar-te.
-Ajudar-me? Mas como... Como...
-Tem calma, por favor, Filipa. Eu estou aqui para falar do Rúben. - Tentei novamente questionar, mas voltei a não conseguir. - Sim, do Rúben. O Amorim.
-Mas, porquê? O que é que o Rúben tem a ver com...
-Tudo. Tu tens de conseguir admitir que ele não te é indiferente. Eu sou o teu passado, e tenho a certeza que me vais guardar num espacinho do teu coração, mas o teu presente e o teu futuro assentam nele. - Ia argumentar, mas não me vi bem sucedida. - Estás a ver, las tentar negar e dizer que é um disparate. Mas não é. Já reparaste como é que ele te faz sorrir, como é que ele te faz sentir, a confusão que está dentro da tua cabecinha por causa do sentimento que tu crês ser meio controverso? Quantos mais é que te fazem sentir assim?  Nenhum! Lembraste daquilo que lhe disseste sobre quando fosse amor de verdade ele ia perceber? Este tumulto que tu, e ele, porque eu sei que sim, sentem é o inicio disso. Parece loucura, vocês estarem a apaixonar-se assim, tão de repente, desta forma? Parece! Mas é uma das formas mais genuínas de se sentir, de começar a amar. Não te lembras quando aconteceu connosco? Quem é que se apaixona com um encontrão? Supostamente ninguém, mas nós sentimos, nesse momento, que éramos o destino um do outro. - Enquanto ele falava eu não conseguia sequer articular algo para me opor. Ele estava tão convicto em tudo o que dizia. E o pior era que mesmo que quisesse desmenti-lo, não conseguia. Era tudo verdade. - Tenho ou não tenho razão?
-Tens... - acabei por admitir, baixando o olhar.
-Ah, finalmente, admitiste em voz alta! - exasperou. - Será que já é suficiente para colocares isso na tua cabeça e dizê-lo ao Rúben?
-Dizer ao Rúben? Estás parvo?  Ele tem namorada!
-Sinceramente, aquilo nem parece uma relação!
-Eles estão meio chateados, mas ainda no outro dia o ouvi dizer-lhe que a amava!
-Ele pensa que ainda a ama, vais ver.
-E ele disse que nos beijámos porque ele estava carente, ele sente a falta dela, ele gosta dela!
-Acho que já não gosta tanto assim!
-Oh, não inventes!
-Daqui a um tempinho vais ver que não estou a inventar!
-Estás a irritar-me com tanta convicção!
-Estás a irritar-te com pouco, então, ainda por cima estando a discutir com alguém trazido pela tua mente!
-O quê? O que é que queres dizer com isso?
-Pensa um bocadinho e vais perceber que isto é impossível na realidade.
-Hã? - e de repente ele esfumou-se. - Gonçalo!
Acordei sobressaltada e quase caí do sofá. Tinha sido tudo um sonho! O mais esquisito que alguma vez tivera! O Gonçalo a falar comigo acerca do Rúben... E todas aquelas palavras eram verdade, irritantemente. Apesar de a parte final não ter certeza se realmente eram ou se eram apenas suposições fantasiosas da minha mente. Levantei-me rapidamente e constatei que já eram horas de ir fazer o jantar, direccionando-me seguidamente para a cozinha, após mudar o canal da televisão para um dos canais de música e aumentar o volume, esperando esquecer aquele estranho sonho.

Visão Mónica

Depois de o Mauro ir embora ficamos os três e o Doni na sala, que se enroscou no meu colo, enquanto eu estava encostada ao Rodrigo, e a Mariana estava sentada ao pé de nós.
-Bem gente, eu tou cansada, e visto que a preocupação com o Rúben passou, eu vou me deitar - disse a Mariana, levantando-se e dando um beijo a cada um de nós. - Boa noite - despediu-se, subindo as escadas.
-Boa noite - respondemos eu e o Rodrigo unissonamente.
-Amor, vamo subir também? - sugeriu, poucos minutos depois.
-Cansadinho?
-Se eu tivesse cansado eu tinha falado logo - sorriu.
-Hm, estou a ver... - mostrei também um tímido sorriso.
-Eu quero ficar com você - disse, passando a mão no meu rosto.
-Ai, desculpa, posso-me rir ou vais ficar chateado? - perguntei, comprimindo o riso.
-Chateado porquê? - questionou, evidenciando a minha resposta. Ele não era de se chatear por pouco. Então ri-me, e retomei a palavra ainda com um sorriso.
-É que parece que estás com medo de dizer as coisas da maneira directa, como costumas fazer.
-E o que é que eu tou querendo dizer, então? - meio que me desafiou, ao que eu respondi prontamente.
-Que queres fazer amor comigo.
-Como que você sabe? - perguntou, encolhendo um sorriso, que tentou que fosse de seguro e convicto, mas que descodifiquei como entusiasmadamente feliz pelo meu decifrar.
-Primeiro, sabes onde é que tens a mão? - fi-lo olhar na direcção, que equivalia olhar para o meu rabo. - Sabes que quando está lá só porque te apetece a pressão não se nota - constatei, vendo-o refrear um sorriso meio embaraçado. - E depois, eu sei, eu já te conheço Rodrigo, não preciso que me digas através de palavras.
-Caraca... - sorriu. Dei-lhe um beijo, beijo esse que ele aproveitou para aguçar no final, quando me sugou ao de leve o lábio. Sorri-lhe promissoramente, antes de me desencostar dele. Deitei o Doni no sofá e cobri-o com a manta que tinha em cima das pernas.
-Subimos? - questionei, levantando-me do sofá.
-Claro!
Subimos para o quarto e trancámos a porta do mesmo, não por acharmos que a Mariana poderia entrar sem bater, mas porque nos sentíamos mais à vontade.
-Com vontade de dominar ou ser dominado? - perguntei. Parecia ousado talvez falar assim, mas no momento, era mais do tipo sedução.
-Pode me dominar à vontade! - trajou um sorriso que de inocente nem aparência tinha, ao que eu respondi com um parecido, empurrando-o até cair em cima da cama. Depois sentei-me em cima dele e desci o meu rosto até encontrar o seu e conseguir juntar os meus lábios aos seus, recebendo uma resposta sequiosa e ainda o toque quente das suas mãos sobre a pele da minha cintura. Depois de terminado o beijo por debilidade respiratória, ele tomou a dianteira e retirou-me a camisola, sendo que também eu retirei a sua, adquirindo algo mais com que os meus olhos pudessem deliciar-se tal como a minha boca pudesse tirar partido. Após mais dois curtos beijos, os meus lábios tomaram fôlego para a abrasiva temperatura da pele do seu peito e dos seus perfeitos abdominais. Cada recanto foi deixado saciado, resposta adquirida por gemidos baixos de deleite. Fiz o percurso inverso, e ao parar na cova entre o pescoço e o ombro parei sobre a pele e investi em algo mais doloroso. Mordi ligeiramente a carne que se deparava de fronte da minha boca, não o suficiente para magoar verdadeiramente, mas o bastante para deixar a marca e arrancar um doce e sonoro gemido da sua garganta.
-Tá agressiva hoje, hein - disse, ainda a debater-se com o misto de dor e prazer.
-Enquanto for eu a controlar. Aguentas?
-Desde que depois eu possa repercutir como eu quiser em você...
-Essa fase é depois.
-Mal posso esperar - sorriu, antes mesmo de eu voltar a prestar a atenção da minha boca para a sua. Uni também as minhas mãos às suas, que retirei do meu corpo, e estendi os braços de ambos os lados da sua cabeça, juntando mais o meu corpo ao seu. O beijo que se desenvolvia calmamente foi aumentando a sua intensidade e sentia o Rodrigo começar a remexer-se, impaciente, de baixo de mim. De repente, ele removeu os braços de onde estavam, soltando com vagar as minhas mãos e encaminhando as suas novamente para o meu corpo, tocando-me com a habitual convicção. - Vamo trocar os papéis que tá ficando difícil suportar isso! - disse, exercendo um movimento rápido, fazendo-me deitar a mim sobre a cama e erguendo-se, calorosamente perto, sobre mim.
-Está assim tão difícil? - ri.
-Tá ficando.
-Fraquinho - gargalhei suavemente.
-De novo o assunto do fraquinho? Ainda quer mais provas de que de fraco eu não tenho nada?
-Todas as noites - tornei a gargalhar.
-Isso é uma espécie de acordo pró futuro, é? - perguntou, desencantando um sorriso especulativo.
-Ai, não, se não mando-te trabalhar por mim e fico a dormir!
-Depois eu que sou o fraquinho? - riu.
-Mas ainda estás a falar? Beija-me, mas é! - ri, puxando-o de novo ao encontro da minha boca. O seu corpo colou-se ao meu, aquecendo-me com o seu calor. Sabia tão bem aquecer sobre a sua pele, e sentir tão perto o seu cheiro tão atractivo, embrenhá-lo em mim e fazer-me entender, a cada vez que nos envolvemos, que ele me pertence, tanto a nível físico, com todo aquele corpo que me tira suspiros enquanto ao mesmo tempo me envolve, como a nível interior, a sua mente, sempre com o positivismo no topo, e a sua maneira doce para comigo a sobressair, e o seu coração, puro, imenso, repleto de afecto que ele tão bem distribuí pelos que ama. Envolvi o seu tronco com os meus braços, deixando as minhas mãos percorrerem o mais possível as suas costas, sentindo o calor começar a apoderar-se do meu corpo, enquanto o seu já quase fervia. Decidi tentar abrandar um pouco o ritmo. Queria prolongar os momentos anteriores a entregar-me uma vez mais àquele por quem nutria um dos maiores sentimentos que alguma vez se me envolveu o coração. Impulsionei-me um pouco para o lado e ele facilitou, virando-se também, tornando a estender as costas em cima do colchão, e eu voltei a sentar-me em cima dele, percebendo que o seu resfolegar, fazendo subir e descer o seu peito, me fazia sentir algo potente. Tirava-lhe o fôlego. E tirar-lhe-ia mais uns quantos suspiros. Voltei a cobrir o seu tronco de beijos, e desta vez só parei no rebordo das suas calças. Olhei de relance para ele e em seguida desloquei o meu olhar tal como as minhas mãos ao botão das suas calças para as desabotoar. Assim fiz, despindo também as minhas. Depois voltei a sentar-me em cima dele e colar as nossas bocas e os nossos corpos, mas constatei rapidamente que esperar não seria o meu forte. Soltei-o, não precisando fazer muito mais para que ele entendesse que tencionava rotar novamente as nossas posições, girando então mais uma vez para se colar a mim, desta vez ele pairando não por muito tempo sobre mim.
-Agora podes fazer o que quiseres, isto está mesmo difícil!  - declarei.
-Fraquinha - riu ele, chegando o rosto novamente para perto do meu.
-Ficar ao pé de ti tira-me forças, sim - respondi à sua clara tentativa de provocar-me.
-Vai terminar a noite inválida, então - disse, beijando-me o pescoço.

 Segurei o seu rosto e acelerei os nossos batimentos cardíacos com um beijo impulsivo e desejoso.


Visão Rodrigo

-Eu podia viver todos os dias assim, ao teu lado – falou, suspirando docemente enquanto apoiava a cabeça no meu peito e se encolhia no meu abraço. Duas da manhã e a gente ainda desperto.
-Isso é fácil de resolver.
-Hã?
-Vem viver comigo! – pedi, olhando directamente nos seus olhos.
-Rodrigo… Já falámos sobre isso. Sabes que eu te amo, muito, mas talvez seja muito cedo ainda. Nós namoramos há dois meses, e é certo que vivemos como se fosse há anos, mas é muito cedo. Nós estamos a viver a emoção dos primeiros meses e parece tudo aumentado, as vontades, os desejos, os sentimentos… Agora não vou dizer-te que sim por isso, porque é cedo demais e num mês as coisas podem mudar, podem correr mal, podemos cair na rotina, podemos deixar de sentir esta coisa intensa que sentimos agora e fartar-nos de estarmos a toda a hora ao lado um do outro… E eu não quero que corra mal, não quero que corra nada mal, porque eu quero que o nosso amor, e esta explosão, esta necessidade arrebatadora durem por muito tempo, porque eu quero passar a minha vida ao teu lado!
-É, você tem razão… Foi precipitado. Esse coração que você tá escutando a bater é que fica tão apressado quando você tá comigo que eu nem penso bem nas coisas, porque o que eu sei é que eu também quero você pra sempre do meu lado, mas a gente tem de pensar bem nas coisas antes de dar um passo que seja na nossa relação, porque ela é mais que ouro, e perder a minha vida ia acabar comigo!
-Tu estás a tentar dizer que eu sou a tua vida? – perguntou, meio embaraçada.
-Eu não tou tentando dizer meu bem, eu tou afirmando mesmo! Você é a minha vida desde que eu conheci você!
-Isso é a intensidade do momento a falar amor! – respondeu, ainda mais envergonhada.
-Um pouquinho, quem sabe, mas eu tenho certeza que sem você eu não ia voltar a viver do mesmo jeito. Você mudou a minha vida e tornou ela num mundo totalmente perfeito, coisa que não tinha acontecido antes!
-Está bem, pronto… Bem e o impacto que causaste na minha vida já nem vale a pena citar, tu sabes perfeitamente como é que ela ficou desde que tu apareceste! – sorriu.
-Sei sim! - sorri, tirando um pequeno beijo da sua boca. - Agora vamo dormir?
-Vamos! - concordou com um sorriso, se aconchegando no meu abraço.

Levantei eram 11.00h. Sai devagarzinho da cama pra não despertar a minha namorada e tava indo no banheiro quando escutei a minha irmã falando do outro lado da porta do meu quarto.
-Não Doni, vem aqui, deixa eles dormindo mesmo, depois eles se lembram de você... - Abri a porta e sai, encostando a porta enquanto via minha irmã com o Doni no colo.
-Bom dia - disse pra eles.
-Lembrou de você agora, viu? - disse a minha irmã, falando pró Doni, que se remexia no colo dela por me ver.
-Que que cê tá falando? - perguntei prá minha irmã.
-Tou falando de vocês terem deixado o Doni sozinho ontem à noite e só lembrarem dele agora!
-E qual que é o problema, tá tudo bem com ele!
-Mas vocês não podem deixar ele sozinho!
-Ele tava dormindo quando a gente deixou ele!
-Mas ele sente a falta de vocês, o coitadinho ontem andava aqui procurando por vocês e eu tive de pegar ele pra dormir comigo!
-Eu sei, mas não faz mal ele passar um tempinho sozinho! Olha quando todo o mundo tiver fora de casa, a gente não pode levar ele nem pró trabalho nem prá Faculdade, ele tem de ficar habituado pra depois não fazer bagunça na casa.
-É, cê tem razão... Ai, mas é que ver o pequenininho ai sozinho me deu uma pena...
-Tem de deixar de ter, maninha, ele tá bem cá em casa, ele tem a caminha dele, os brinquedos, água e comida, ele se acostuma.
-Tá bom, pronto, desculpa se eu tentei dar uma bronca em vocês.
-Uma bronca em nós porquê? - perguntou de repente a Mónica, surgindo atrás de mim, ainda com cara ensonada, me abraçando pelas costas.
-Era porque ela ficou com pena de a gente deixar o Doni sozinho, mas ela já entendeu que ele tem que se acostumar.
-Hmm, está bem.
-Agora maninha, me dá aqui o Doni que a gente fica com ele e você pode ir tratar das suas coisas! - sorri, tomando o Doni do seu colo, que ficou extremamente contente, me enchendo os braços de lambidelas.
-Tá, eu vou tomar meu banho e me vestir e depois eu chamo vocês pró café da manhã!
-Tá bom! - concordei, voltando a entrar no quarto com a Mónica e o Doni. - Amor, pode ir tomar seu banho que eu fico brincando um pouquinho com o Doni e depois a gente troca.
-Está bem - acedeu, me dando um rápido beijo antes de seguir pró banheiro. - Até já!
-Até já - respondi, continuando a brincar com o Doni.