quinta-feira, 7 de março de 2013

Capitulo 26 (parte III)


Olá!
Bem, ontem esperava conseguir publicar mais um capitulo, mas não consegui vir ao computador :s Era suposto ser um capitulo especial, porque queria ''comemorar'' o aniversário do Rodrigo, mas pronto, não consegui. De qualquer das formas, está aqui! E pronto, parabéns ao Rodrigo! :D
Beijinhos*
Mónica

Visão Rúben

Quando cheguei lá fora deparei-me com a Andreia a um canto, a tentar controlar a respiração. Decidi aparecer atrás dela, devagar.

-Andreia – chamei. Ela assustou-se, mas virou-se para mim.

-O que é vieste aqui fazer, Rúben?

-O que é que achas? Claro que vim atrás de ti.

-Não percebo porquê.

-Não Andreia, tu percebes, percebes muito bem, até porque me tens estado sempre a dar para trás. – Olhei-a e esperei para ver se ela dizia alguma coisa, mas não disse. – Por exemplo, o teu solo foi uma resposta ao meu solo. Foi mais uma rejeição a mais uma das minhas declarações, a mais uma das minhas tentativas de te mostrar o quanto te amo, de…

-Para, Rúben! – disse ela, bruscamente.

-Ai agora é que não paro! Não paro e não paro mesmo! Durante toda a noite tentei fazer-te ver que estás a lutar contra nada, apenas contigo mesma, estás a dar a mão à tua teimosia descabida. Estás a fugir de uma coisa que, se deixares, só te vai trazer momentos felizes!

-Rúben…

-Eu amo-te, Andreia! Porra! É assim tão complicado? Não é! É fácil, simples e só não é barato porque simplesmente não tem preço, percebes? Eu amo-te, ok? Tu sabes, toda a gente sabe! E nós estamos livres, não há nada nem ninguém no meio de nós! Até a Inês já percebeu, ok? A Inês saiu do nosso caminho! A Inês percebeu que eu te amo mais que tudo, que te amo demais para te fazer sofrer. Sofrer, que é aquilo que tu tens medo. – Ela baixou o olhar. – Vá lá Andreia, eu sei que também me amas, e assim tão difícil admiti-lo tu, aqui e agora? Eu sei que precisas de mim, e eu também preciso de ti…

-Rúben, eu nunca te disse que te amo, nem nada parecido. Para de sonhar, ok? Já chega de insistires numa coisa que só tu acreditas, uma coisa que só tu queres e uma coisa que só tu dizes que é verdade. Deixa-me ir, Rúben. (Soulplay – Deixa-me ir – LINK) Deixa de inventar, deixa de me perseguir com essa ideia parva…

-Tu disseste que me amas! – disse-lhe, elevando um pouco mais a voz.

-Não, não disse! – protestou.

-Disseste. No dia em que ficaste doente, quando eu fiquei a tomar conta de ti, tu deliraste. Sabes o que é que disseste? Para eu não me ir embora, que precisavas de mim e que me amavas. O teu inconsciente conseguiu dizer-me isso mais rápido que tu própria. Ele tem menos medo do que tu. Ele quer permitir-te ser feliz, mas mesmo assim tu não pareces querer. Fogo, sou eu Andreia. Antes do amor surge a amizade. Antes de te começar a amar desta forma, amava-te como amiga, como a minha melhor amiga. – Fiz uma breve pausa. – O que é que mudou? Já não confias em mim? Confias em mim para ser o teu melhor amigo mas não confias para irmos mais além, para conciliar a nossa amizade com o amor que foi crescendo no nosso interior um pelo outro? Fogo Andreia, o que é que mudou? – Já estava a ficar desesperado. Estava a ficar sem energias. Amava-la demais, mas a resistência dela tirava-me forças. Fiquei a olhá-la, à espera que ela me desse uma resposta. Provavelmente seria uma resposta torta. Mas ao invés disso, ela olhou-me e de repente disparou numa correria. Queria ir atrás dela, e ainda gritei por ele, mas não valia a pena. Ela não ia querer ouvir-me, de certeza. Provavelmente só lhe apetecia bater-me, agora… Depois de uns minutos em absoluto silêncio, apenas concentrado a olhar na direção em que ela tinha corrido, com esperança de vê-la correr de volta para junto de mim, tive mesmo de voltar para dentro. Não estava minimamente com vontade de voltar para a festa, ainda por cima ela já lá não estando… Assim que me juntei ao nosso grupo, que conversava animadamente, todos repararam que eu não estava bem, para além de ter regressado sozinho.

-Então manz… - disse o David, colocando um braço sobre os meus ombros.

-Então que eu não consigo, David. Ela… - não consegui controlar e comecei a chorar, mesmo ali no meio.
 
 O David abraçou-me.

-Calma, Rúben. Eu sei qui é difícil, ela é muito difícil, mas calma manz. A gente tá aqui com você, a gente tá aqui pra ti apoiar, a gente não vai deixar você cair.

-Obrigado. Obrigado a todos, a sério. Se não fossem vocês, eu…

-Rúben, não tem qui agradecer – respondeu o Rodrigo. – Os amigos são pra isso mesmo. Bom, mas olha, agora pra você ver se se anima, o seu irmão e a minha irmã têm uma coisa pra falar pra você.

-Ai é? – perguntei, limpando as lágrimas e esboçando um mínimo sorriso. – Então digam lá.

-Eu e a Mariana namoramos – disse o meu irmão.

-Parabéns! Parabéns mano! Parabéns Mariana! A sério, parabéns! – felicitei, realmente feliz por eles, abraçando-os em seguida. Eles sorriram genuinamente, abraçando-se. A esta hora, se não fosse a teimosia de uma certa pessoa, também eu podia estar assim, genuinamente feliz.


Visão Andreia

Fiquei simplesmente em choque. Eu tinha dito ao Rúben que o amo. O meu inconsciente traiu-me. Simplesmente traiu-me. Não tinha que ter dito nada. Tanto tempo, tanto trabalho, tanto sofrimento para esconder isso do Rúben, e depois, num momento de fraqueza, de doença, de delírio, o meu inconsciente resolveu deitar tudo isso abaixo. Ele sabia. Ele sempre soubera, mas agora, mesmo que de forma inconsciente, eu lhe havia dito, ele tinha ainda mais certeza. Mas eu não conseguia. Eu não conseguia. Agora, consciente dos meus atos e das minhas palavras, frente a frente com o homem que amo, não conseguia dizer-lho. Não conseguia dizer-lhe um amo-te. E nada tinha mudado. Ele amava-me e eu amava-o. Não, afinal algo tinha mudado. Eu amava-o cada vez mais. Todas a tentativas dele, todas as declarações que ele me fazia, todos os ‘’sermões’’ que ele me dava em que me dizia vezes e vezes sem conta que me amava, e nos quais ele me pedia que eu cedesse ao meu sentimento por ele… Toda essa luta incessante da sua parte me faziam amá-lo ainda mais. Mas eu recuava, eu fugia sempre, tal como desta vez, que desatei a correr, a fugir dele, a afastar o meu coração dele para não ceder. Mas já estava cansada. Muito cansada.


Visão Mónica

Quando vi o Rúben chegar junto de nós, com uma cara péssima e sozinho, percebi que tinha corrido muito mal. Ele chorou e tudo, o que significava que ele a amava verdadeiramente, contudo já todos nós o sabíamos, mesmo sem ele ter chorado. O David tentou animá-lo, e ele até nos mostrou um sorriso após o Mauro e a Mariana lhe terem dito que namoravam, e depois acabou por abstrair-se um pouco do assunto e divertir-se um pouco mais connosco. Avisei o Rodrigo que ia à casa-de-banho e aproveitei para ligar à Andreia. Tinha ficado preocupada com ela também.

-Estou – atendeu, com uma voz cansada.

-Andreia. Onde é que estás?

-Eu vim para casa, não te preocupes. A conversa com o Rúben não correu muito bem, mas desta vez não fiz nada sem pensar. Eu vim para casa e estou bem.

-Bem é coisa que tu não estás, Andy.

-Não te preocupes comigo. Preocupa-te contigo e com o Rodrigo. Divirtam-se.

-É impossível não me preocupar contigo, és a minha melhor amiga. Eeu detesto ver-te assim, já sabes.

-Eu sei, eu sei, mas a sério, não te preocupes. Eu agora só preciso de ficar sozinha, a pensar, a descansar um bocadinho.

-Tens a certeza?

-Sim, tenho. E olha, tu nem te atrevas a vir para casa, percebes? Vai com o Rodrigo e aproveitem a tua última noite cá.

-Está bem, já percebi. – sorri ligeiramente. Ela era demais. Mesmo estando mal como estava preocupava-se primeiro com os outros. – Olha, só mais uma coisa – disse eu, olhando para o relógio, constatando que era precisamente meia-noite, o ponto de viragem para o ano seguinte.

-Feliz Ano Novo! – dissemos as duas unissonamente, sorrindo.

-Obrigada melhor amiga. Obrigada por estares sempre ao meu lado – agradeceu-me.

-Sabes que não tens nada que gradecer. Adoro-te.

-Eu também te adoro – respondeu com um ténue som mais alegrado, proporcionado pelo leve sorriso que devia percorrer os seus lábios neste preciso momento.

-Bem, eu vou voltar para junto deles.

-Sim, vai lá. E deseja-lhes um Feliz Ano Novo por mim também.

-Claro que sim.

-Vá, beijinhos.

-Beijinhos. Ah, e se precisares de alguma coisa, liga-me. Por qualquer coisa.

-Não vai ser preciso, mas está bem. E olha, vê se amanhã não se atrasam porque temos um avião para apanhar bem cedo.

-Eu sei. Então até amanhã.

-Até amanhã.

Desliguei e voltei para junto do nosso grupo.

-Demorou, viu – comentou o Rodrigo, segurando uma das minhas mãos.

-Desculpa. – Ao invés de me responder ele deu-me um beijo.

-Feliz Ano Novo! – dissemos um ao outro, selando a felicitação com um beijo. Em seguida distribuímos os mesmos votos pelo nosso grupo, que nos fizeram o mesmo, e fizemos o mesmo também com outros convidados. Depois acabámos por ir para um canto mais recatado.

-Tenho saudade de você, meu amor… - sussurrou-me, após se abraçar a mim.

-Eu também tenho saudades tuas, amor. Mas não te preocupes, hoje vou dormir a tua casa, como amanhã eu e a Andy voltamos para Londres e tu vais connosco até ao aeroporto…

-Você ainda nem foi embora e eu já tou morrendo de saudades…

-Pois, mas vá, não vamos pensar nisso agora. Vamos aproveitar que a noite ainda não acabou. – Ele ia dizer alguma coisa, mas os nossos DJ’s voltaram a interromper a música para terem novamente a palavra, após terem gritado, desejando uma boa passagem ao ano seguinte.

-Bem,  e agora, nós preparámos uma surpresa para todos! – anunciou o Witsel, no seu português ainda arranhado.

-Sí amigos! Hemos preparado una sorpresa y todos deben participar, incluso en los dos!-O que é que será? – ouvi o Mauro perguntar.

-Bueno, lo que estábamos preparados ... - voltou o Javi a falar, fazendo suspense. - 
Vamos todos a bailar y cantar una canción! Y la coreografía es original! – A curiosidade aumentou ainda mais.
-E a música é a ‘’Tchu tcha tcha’’ de João Lucas & Marcelo! – anunciou o Witsel. Houve uma onda de exclamações, risos e assobios.

-Ah, olha para mim a dançar! – exclamei ironicamente.

-Tá com medo de pisar alguém, é? – gracejou o Rodrigo.

-Podes crer que sim! Eu não sou muito boa a dançar, ainda por cima uma música brasileira.

-Tem alguma coisa contra o Brasil ou os brasileiros? – picou.

-Óbvio que não! Até porque eu tenho comigo o brasileiro mais bonito e mais querido que eu já conheci! – respondi, soltando-me do seu abraço.

-Qui bom ouvir isso! – sorriu.

Fomos novamente para junto do nosso grupo e tivemos de começar a coreografia, pois a música começou.

-Oh pá, isto vai correr tão mal! – queixei-me, começando a enganar-me nos passos. O Rodrigo deu uma gargalhada e parou de dançar, indo até junto de mim.

-Vem aqui qui eu ti ajudo! – disse, colocando-se ao meu lado. Tivemos várias tentativas, mas todas correram mal. Desatámos a rir e fizemos uma breve pausa nas tais tentativas.

-Oh meu Deus, isto está a correr tão mal! – ri.

-Vamo tentar de novo, vai, vem aqui! – incentivou, colocando-se atrás de mim, pousando as suas mãos na minha cintura, iniciando os passos comigo. E a partir daí, resultou. Dancei, ou melhor, dançámos até a música acabar. Antes disso ainda tive tempo de dar uma olhadela ao nosso redior. Todos dançavam. Uns melhor que outros, mas todos o faziam, e principalmente, todos se riam. Foi bom, olhar e ver todo aquele salão repleto de pessoas a dançar no mesmo ritmo – quer dizer, com certeza nem todas - , todos num puro momento de diversão, onde o que se ouviam mais eram gargalhadas que eram capazes até de abafar a música. Gargalhadas de todos os tipo, todas diferentes umas das outras, mas todas gargalhadas puras.

-Então, foi assim tão difícil dançar? – perguntou-me o Rodrigo.

-No principio até foi, mas depois aqui com o meu lindo namorado a ajudar-me, as coisas ficaram mais fáceis. E olha, não sabia que tu te mexias tão bem, oh!

-Não sabia ficou sabendo! Se você quiser eu posso ensinar algumas coisas pra você. Se você souber você até qui se mexe bem também, viu.

-Hm, acho que vou considerar a tua proposta sobre as tais aulas. Acho que mesmo que eu não aprenda nada de jeito, vai valer a pena ver-te mexer meu bem…

-Ah, cê sabe muito! Cê vai querer ficar só me olhando, né sua safadinha?

-Pois, talvez… - sorri, provocadoramente. – Não ias gostar se fosse o contrário?

-Hm, ia sim…

-Ah pois, então pronto! – Ele deu uma gargalhada.

A festa continuou, sempre muito animada, mas pouco mais de uma hora depois chegou mesmo ao fim. Os convidados foram embora aos poucos, demonstrando sempre o agrado com que de lá saiam, até que apenas ficou o nosso grupo.

-Bom gente, eu e a Sara vamos indo – disse o David, começando a despedir-se dos outros, assim como a Sara. – Mónica, boa viagem pra você e prá Andreia, e manda um beijo pra ela, por favor.

-Sim, claro, eu mando.

-Bem, e eu e a Mariana também vamos – anunciou o Mauro. – Queres que te leve a casa, mano?

-Não, deixa estar, eu vou bem sozinho.

-Tem certeza, Rúben? – preocupou-se o Rodrigo.

-Sim. A sério, eu já estou calmo, está tudo bem.

-Está bem, então pronto, nós vamos andando – disse o Mauro.

-Mas espera! – disse a Mariana. – Eu quero me despedir de você – disse-me ela, dando-me um abraço. – Vou ter saudades suas, cunhadinha – sorriu-me.

-Eu também vou ter saudades tuas, Mariana – sorri.

-E obrigada por tudo, obrigada por ter me ajudado.

-Oh, não tens nada que agradecer. Sabes que podes falar comigo sempre que precisares – disponibilizei.

-Obrigada – sorriu.

O Mauro também se despediu de todos, mas saiu um bocadinho envergonhado, porque o Rodrigo avisou-o para ‘’não se esticar’’ com a Mariana. O Rúben saiu ao mesmo tempo que nós, e quando chegou a casa, estávamos nós quase em casa do Rodrigo, enviou-nos uma mensagem, como tínhamos pedido que fizesse, para ficarmos maios descansados.

-Finalmente! Doem-me os pés! – reclamei, tirando os sapatos e sentando-me no sofá.

-Iihh, levanta daí, vai! Vamo subir já pra não ficar enrolando no sofá e pegar no sono aí, vem! – pediu, estendendo-me a mão. Agarrei-a e peguei nos sapatos, levantando-me em seguida.

Quando chegámos ao quarto deixei os sapatos no chão e deitei-me em cima da cama, fechando os olhos, no entanto, voltei a abri-lo assim que senti o Rodrigo deitar-se junto de mim. Fiquei a observá-lo, enquanto sorria levemente, de olhos fechados. A sua beleza natural estonteava-me. O seu olhar meigo, o seu sorriso doce, a sua personalidade extraordinária… Sentia que finalmente encontrara alguém perfeito para mim, alguém que me completava, que me realizava, alguém que me amava.
 
Desci o olhos pelo seu corpo. Sobressaiu o seu peito musculado, que era visível através da sua camisa meio aberta. Em seguida, o seu tronco esculpido por elegantes e deliciosos abdominais, que eu tã bem conhecia, mesmo sem estarem a descoberto. As suas mãos, que estavam pousadas na barriga, tão elegantes e cuidadosas, olhando-se assim. Mas eram mais do que isso. Eram mãos conhecedoras de traços que ninguém para além dele, alguma vez tocaram. Mão delicadas, sonhadoras. E as suas pernas, musculadas e atléticas, que causavam arrepios por senti-las tão perto de mim, ou por senti-las tão bem quando me sentava no seu colo.  Pós a examinação e apreciação mais que positiva de cada traço do meu menino, voltei a erguer o olhar, que acabou por se encontrar com o dele. Estava curioso e divertido ao mesmo tempo.

-Qu’qui cê tava fazendo, hein? – sorriu.

-A apreciar-te, a ver o quão bonito és e a pensar que tenho muita sorte por ser eu aqui ao teu lado, agora.

-Pr’além da sorte qui você tem, e ainda melhor qui isso, você tem o meu coração, você tem todo o meu amor – sorriu, dando-me um pequeno beijo. – Ti amo – sorriu, falando tão perto do meu rosto quanto podia. Deu-me um novo beijo e voltou a deitar-se ao meu lado.

-Rodrigo – chamei.

-Fala amor.

Havia um assunto que eu já há algum tempo queria falar com ele. Não era um assunto relevante, mas, de certa forma, achava que tinha de falar com ele sobre esse assunto.

-Eu quero dizer-te uma coisa.

-Pode dizer, meu bem – respondeu, virando-se para mim, apoiando-se com o braço direito na cama, de modo a ficar um pouco elevado. Hesitei. Estava um pouco nervosa. Respirei fundo e comecei.

Será desta que o Rúben desiste? Ou nem assim ele deixará de insistir? E o que será que a Mónica tem para dizer ao Rodrigo?

terça-feira, 5 de março de 2013

Capitulo 26 (parte II)



Olá! :D

Bem, aqui está mais um capitulo, espero que gostem! J

Queria ainda agradecer o enorme número de visualizações, porém os comentários são cada vez menos, o que me deixa triste, pois gostava que me deixassem as vossas opiniões, ou apenas a dizer se gostaram ou não. Espero que me façam a vontade e passem a deixar mais comentários :p

Beijinhos

Mónica

 

Visão Rúben

Quando vi a Inês aparecer à nossa frente, fiquei parvo. Não percebia o que é que ela estava a fazer na festa se o nome dela não constava na lista de convidados. Só as raparigas é que tinham tratado de enviar os convites. Provavelmente fora um engano. Mas um engano que não me convinha. Nada. Depois de cumprimentar o grupo, que estava igualmente surpreendido, ela dirigiu-se a mim.

-Olá Rúben – sorriu.

-Olá.

-A festa está bastante bonita.

-Como é que vieste aqui parar? – perguntei, levando-a para um lugar mais distante do local do meu grupo.

-Com o convite.

-Qual convite? Tu não constavas na lista.

-Eu sei que não constava, e fico muito contente por me teres incluído na lista da tua festa, mas alguém se encarregou por ti de me convidar.

-Oh Inês, deixa-te de tretas! Quem é que te ia convidar? – resmunguei olhando fugazmente em volta, evitando olhar para a Inês. De repente avistei, a um canto, a Andreia, toda divertida a conversar com o James. E depois pronto… Quem é que havia de ter sido? Óbvio que tinha sido a Andreia a convidar a Inês para a festa! Só não conseguia perceber porquê.

-Queres mesmo saber?

-Esquece, acho que já sei quem foi… - A Andreia ia a passar junto de nós, por isso chamei-a. – Andreia, chega aqui. – Ela olhou para mim e ao ver a Inês tentou esconder um trejeito.

-Diz – disse ela.

-Foste tu que convidaste a Inês, não foste?

-E se tiver sido?

-Foste ou não foste?

-Fui, e então?

-Porquê?

-Porque é que achas? Para ela enfeitar o salão? Oh Rúben por favor, tu sabes bem porquê!

-Não, não sei, juro que não sei! Vocês nem se dão, não são grandes fãs uma da outra!

-Rúben, estás parvo ou ainda não percebeste que a convidei para vocês se entenderem?

-Para nós nos entendermos? Acerca do quê? Passaste-te, só pode!

-Não Rúben, não me passei, simplesmente estou a tentar voltar a coclocar as coisas em ordem. Estou a tentar estabelecer a normalidade para garantir a felicidade de algumas pessoas, nomeadamente a vossa!

-O que é que te deu? A sério, não consigo…

-Eu vou dar uma volta, conversem e resolvam-se! – e voltou para junto do James.

-Como vês, fui convidada – disse-me a Inês

-Vi, vi… Mas diz-me uma coisa, acreditas mesmo que vamos voltar a ter alguma coisa, mais do que uma amizade?

-Não sei Rúben, eu pensei que sim.

-Então desculpa, mas pensaste mal. Inês, desculpa mas já não há hipótese para nós.

-Mas, depois de tudo o que passámos juntos, depois de todos os momentos…

-Não Inês, desculpa. Ouve, tu és uma rapariga fantástica, vais arranjar alguém mais rápido do que pensas. E é claro que não vou esquecer todos os momentos que passámos e tudo mais, só que, já não é por ti que o meu coração bate, percebes?

-Gostas mesmo dela, não é? – perguntou, já resignada.

-Gosto. Gosto mesmo muito. E não há nada que me vá fazer desistir dela.

-Então acho que só me resta apoiar-te…

-Eu fico muito contente que o faças, e ficarei ainda mais contente se puder contar com a tua amizade. Sabes que eu gosto muito de ti Inês, só já não é da mesma maneira que há uns meses atrás.

-Eu sei Rúben, e é claro que podes contar com a minha amizade. Eu não ia querer perder isso – sorriu.

-Sabes, ainda bem que te convidaram para a festa –retribui o sorriso. Entretanto voltei a avistar a Andreia e desta vez, como sabia que ela não viria se eu a chamasse, puxei-a, suavemente, até junto de mim e da Inês. Queria que ela ouvisse o que eu tinha para lhe dizer, mas com a presença da Inês, para que ela percebesse que o que eu sinto por ela não é nenhum equivoco e que a Inês já entendera isso, por isso, não existiam mais impedimentos para nós, sem contar com a teimosia dela.

-O que é que foi agora?

-Eu e a Inês já conversámos e já resolvemos as coisas, não é Inês? – Ela acenou, confirmando.

-Ainda bem, sejam muito felizes. Agora deixa-me voltar para ao pé do James – disse, tentando esconder certa frieza nas palavras.

-Ok, eu explico melhor. Eu e a Inês já resolvemos as coisas, mas não da maneira que tu pretendias, porque isso é impossível, agora. Nós conversámos e ficámos amigos. Mais do que isso não vai acontecer, porque agora o meu coração pertence-te a ti, percebes?

-Percebo, percebo. Percebo que vocês devem ter bebido um bocadinho a mais e agora têm as ideias todas trocadas.

-Andreia, deixa-te de ironias, deixa de fingir que não percebes, que não sabes, que não queres. Tu sabes perfeita e completamente quais são os meus sentimentos por ti, sabes que os nutres também por mim, e agora que já está tudo resolvido com a Inês, não existe mais nada que impeça que admitas também os teus sentimentos.

-Quem é que te disse que eu tenho alguma coisa a admitir? Deixa de ser chato, Rúben! – continuou no mesmo tom, sem conseguir encarar-me.

-Deixa de ser casmurra, Andreia Filipa! Porra! O que é que te impede agora?! Nada! Porque é que continuas a negar? Porque é que continuas a tentar magoar-me, a magoar-te a ti? É assim tão complicado dizeres um ‘’Amo-te’’? Um que seja? Custa assim tanto deixar a verdade sair, nem que seja por essa única palavra? – Neste momento olhávamo-nos tão intensamente que só o olhar nos causava mossas no coração, devido a tamanha frontalidade. De repente ela saiu o mais rápido que conseguiu dali, sem tentar no entanto chamar a atenção das pessoas na festa, que por sorte não se tinham apercebido daquele momento. A Inês já se tinha afastado de nós, um pouco depois de ter confirmado que estávamos bem um com o outro, mas agora apareceu imediatamente ao meu lado novamente. E realmente, estava a precisar de alguém mais chegado junto de mim agora. Como é que ela conseguia? Porque é que ela continuava com isto? Podia ser tudo tão fácil, bastava ela dizer. Mas não, preferiu continuar a fugir, a ignorar, a mentir ao seu coração sem mais desculpas plausíveis para continuar a fazê-lo.
Acabamos por ir para junto do meu grupo habitual, e o manz, aliás, todos repararam que eu não estava com boa cara, mas foi o manz que esteve a conversar mais comigo e a dar-me força para voltar a levantar o espirito, erguer novamente um sorriso e não desistir. Consegui colocar o sorriso e voltei a abstrai-me por um tempo do assunto, mas brevemente voltei a ficar com o espirito revoltado. Eu sabia que a Andreia estava na companhia do James, mas, sucessivas vezes ao logo da noite deparava-me com eles os dois a trocar sorrisos, gargalhadas, a dançar, a conversar e a fazer sei lá mais o quê! Exatamente à minha frente!

-Já me estou a passar com aquele gajo! Será que ele não percebe…

-Não percebe o quê, manz? Não tem nada pra perceber. Ela tá dando bola pra ele! – interrompeu-me o David.

-Ela está a fazer isto só para me provocar, para me irritar… - Enquanto olhava para a Andreia e para o James, observei que, enquanto dançavam, muito próximos um do outro na minha opinião, ele fez-lhe uma festa na cara. Aquilo tirou-me do sério.
 
 – Viste aquilo, David? Viste?

-Se acalma, Rúben. Como você disse, ela só tá deixando ele fazer essas coisas pra provocar você, não é de verdade – tentou acalmar-me o Rodrigo.

-Achas que eu consigo ficar calmo, Rodrigo? É claro que não consigo! Se fosse a tua namorada ali aposto que já tinhas lá ido! – eu já batia o pé no chão com tanta força que eu próprio me irritava com isso.

-Oh Rúben, vá lá! Sabes que ela está a fazer de propósito! Quanto mais ela vir que te afeta, pior ela vai fazer! – disse a Mónica.

-Oh Mónica, tu sabes como é que é a tua amiga, uma teimosa de primeira, mas sabes que eu ainda sou mais teimoso que ela… - Depois falei mais baixo, em forma de suspiro. – Ai eu não vou desistir não… Estás aqui estás a ver-me a tirar-te das mãos desse menino. Ai estás, estás…

-Oh manz, para aí de bater esse pé no chão! Com tanta força cê ainda vai acabar fazendo um buraco no chão!

-Eu paro de bater o pé, mas quieto também não vou ficar! – levantei-me de rompante da cadeira e preparava-me para ir ter com os outros dois, mas o David e o Rodrigo puseram-se à minha frente, bloqueando-me a passagem.

- Cê não vai fazer nada, Rúben.  Agindo de cabeça quente cê ainda vai fazer besteira.

-É manz, não faz nada não, o Rodrigo tá certo. Cê pode se arrepender de alguma coisa.

-É pá, mas eu preciso de lá ir, deixam-me passar?

-Não – responderam os dois ao mesmo tempo.

-Cê vai é sentar aqui de novo e ficar quietinho – disse o David, levando-me a sentar novamente. Sentaram-se os dois, um de cada um dos meus lados, como anteriormente estavam. Calei-me uns segundos, mas voltei a levantar-me.

-Mas eu tenho de lá ir! – tente avançar, mas os dois voltaram a impedir-me, segurando-me pelos ombros e voltando a colar-me à cadeira. Está bem. Se não é a bem, é a mal. Fiquei uns dois minutos calado e quieto, apenas continuando a ter perante os olhos aqueles aos quais eu queria ir ao encontro.

-Já se acalmou? – perguntou o manz. E agora eu ia ter de jogar um bocadinho.

-Já. Pronto, vocês têm razão. Não vou fazer nada, senão ainda me arrependo.

-Finalmente qui você entendeu – disse o Rodrigo.

-É – fingi concordar. Esperei um pouco até as atenções se terem desviado um pouco de mim, e então, num ápice, levantei-me da cadeira e corri, fugindo das mãos que me tentaram segurar, tardiamente. – Desculpem, mas mais teimosos que eu, vocês não são! – Após perceber que ninguém vinha atrás de mim, pois resignaram-se às minhas palavras e ficaram apenas a observar, expectantes, recompus-me e fui ter com a Andreia e o James, que dançavam. Mal cheguei junto deles, arremessei a Andreia dos braços dele e coloquei-a nos meus. – É  a minha vez de dançar contigo – disse-lhe, levando-a mais para o meio do salão. Antes ainda consegui ouvir o Garay falar com o James, que ficou sem perceber bem o que se tinha passado.

-Le aconsejamos que no lo haga usted entusiasmares. Ambos tienen una larga historia que va a comenzar.

-E quem é que te disse que eu quero dançar contigo? – perguntou-me a Andreia.

-Não queres dançar com o teu melhor amigo?

-Não me venhas com tretas.

-Ah eu é que ando com tretas? Esta noite, de nós os dois, quem tem andado com treta és tu. Esta noite eu tenho sido totalmente verdadeiro, tenho demonstrado os meus sentimentos por ti a torto e a direito, tenho tentado vezes sem conta que tu também o faças, que tu liberes o teu coração sem medos nem entraves, em frente de todos. Tu só tens fugido. E o pior é que foges do que queres.

-Mas tu queres dançar ou queres falar? É que se é para falares podes ir-te já embora.

-Chiça, que é teimosa!

-Ah ainda não sabias?

-Estás a ver? Já admitiste que estás a ser teimosa! Que tal deixares esse orgulho de lado e aproveitares o que de bom essa escolha tem para te dar?

-E que tal te calares com esse assunto? Já estou cansada disso!

-Pois, mas eu pelo contrário não me canso de lutar pela pessoa que amo – ripostei, encontrando o seu olhar, que baixou com a surpresa. A música acabou e parámos de dançar, no entanto, ela permaneceu do meu lado, sem eu segurar sequer a sua mão.

-Y ahora mis chicos, volvemos a tener otro momento de karaoke, pero esta vez con un grupo! Ven a nuestros cantantes etapa: Fabio Nelson, Luisao y David! Felicitaciones a ellos, amigos!

Assim que o Javi anunciou o grupo que ia cantar e eles começaram a subir ao palco, olhei para eles e ri-me. Aqueles quatro a cantar? Meu Deus, ia ter de juntar à despesa do aluguer os vidros partidos e consultas no otorrino a toda a gente! No entanto voltei a ficar com um ar sério após ter reconhecido a música. Olhei imediatamente para o manz e percebi que a mensagem da música era para mim. Podes crer que não vou desistir, manz. Eu não vou desistir dela nem por nada. O Fábio começou a cantar. (http://www.youtube.com/watch?v=dGhDt3DVCS4)

‘’Ainda te lembras amor,

Como tudo começou?

Se te esqueces-te eu não…

Nosso primeiro beija-beija

Foi atrás da igreja

Num bailarico de Verão.

A lua estava a sorrir

A tua boca a pedir

E toda a aldeia também

A querer nos ver acertar

E para me encorajar

Ainda me lembro meu bem… ‘’

Olhei de esguelha para a Andreia. Estava a rir-se deles. Ainda não tinha percebido qual é que era o propósito de terem escolhido precisamente esta música. Porém, não demorou muito para que finalmente atingisse esse propósito. Senti-a encolher e prender brevemente a respiração ao ouvir o refrão, que os quatro cantavam.

‘’Toda a malta gritou

Até o padre ajudou

Aperta, aperta com ela

A banda sempre a tocar

O povo todo a cantar

Aperta, aperta com ela

Nós apertámos os dois

Então aí é que foi

Aperta, aperta com ela

E foi aí que então

Começou nossa paixão

Nesse baile de Verão… ‘’

Sorri ao vê-la a tentar esconder a vergonha. Conseguiu acalmar-se até a música cegar ao fim. Prosseguindo com as cantorias ainda algumas pessoas passaram pelo palco, iniciando a outra vertente do karaoke: os solos. Decidi subir também ao palco. Escolhi a música, comuniquei-a aos nossos DJ’s e agarrei no microfone, preparando-me para cantar. Esperava que não acabasse com mais uma declaração falhada.

(Soulplay – Prometo-te – http://www.youtube.com/watch?v=ojjfU5l_kqw)

Assim que as minhas mãos se ocuparam do microfone, os meus olhos ocuparam-se dos olhos da Andreia, que me olhava com um misto de ansiosidade, expectativa e nostalgia. Ela sabia que era para ela.

Prometo-te. Prometo-te que nunca te vou magoar. Amo-te demasiado para conseguir sequer pensar em fazê-lo… Esperava que com esta música ela percebesse de uma vez por todas que eu estava apenas à espera que ela me dissesse que também me amava, para poder fazê-la feliz. Acabei de cantar e fiquei boquiaberto quando a vi vir em direção ao palco. Não sabia o que lhe ia na mente, mas esperava ardentemente que ela viesse finalmente declarar o seu amor por mim… Mas não. Fiquei desiludido, mas não estava disposto a desistir nem por um segundo. Ela ia cantar. Entreguei-lhe o microfone por entre um intenso olhar que trocámos e voltei para o local onde ela estava quando eu cantei para ela. Começou a cantar. (Jessie J – Who you are – http://www.youtube.com/watch?v=j2WWrupMBAE)

‘’I stare at my reflection in the mirror

Why am I doing this to myself

Losing my mind on a tiny error

I nearly left the real me on the shelf

No, no, no, no…’’

O processo foi igual. Ela segurava o microfone mas prendia-se em mim. Agora era ela quem cantava para mim. Através do meu conhecimento em Inglês, decifrei a música, principalmente o refrão.

‘’Don’t lose who you are in the blure of the stars

Seeing is deceiving, dreaming is believing

It’s okay not to be okay

Sometimes it’s hard to follow your heart.

Tears don’t mean you’re losing

Everybody’s bruising

Just be true to who you are

(Who you are, who you are, who you are x4) ‘’

Medo, era o que conseguia notar que sobressaía. Ela, acima de tudo, estava com medo. Mas, fogo, quantas vezes é que eu já lhe tinha prometido que não a magoaria? Era assim tão difícil acreditar? Acreditar em mim? Eu apenas lhe tinha dado provas de que sempre a protegeria, sempre estaria ao lado dela e nunca a deixaria. Era claramente uma resistência a mais uma das minhas declarações. Mas eu não ia desistir. Se ela tinha medo eu iria continuar a lutar até o mesmo desaparecer e ela finalmente ceder. Repentinamente, apercebi-me que ela tinha acabado de cantar, e quando olhei já ela cruzava caminho quase a passo de corrida, para o exterior do edifício. Larguei imediatamente o transe em que tinha ficado e fui atrás dela, no mesmo passo, para que as cabeças não girassem na nossa direção. Não queria espectadores. Agora seriamos só eu e ela.

 

Visão Mónica

A noite estava a ser algo surpreendente. Primeiro, a Inês, a ex-namorada do Rúben apareceu na festa, e aparentemente tinha convite. Provavelmente tinha sido a Andreia, pois nem surpreendida ficou quando a Inês apareceu. Ela estava realmente a fazer de tudo para se afastar do Rúben. Teimosia. E da grande. E bom, em segundo lugar, e para comprovar mais ainda o que ela estava tentar fazer a todo o custo, passou a noite inteira com o James Rodriguez. Pelo que vi, o Garay apresentou-os, e desde aí que partilharam da companhia um do outro. O Rúben, obviamente que não cabia em si, de ciúmes e irritação. Tentou diversas vezes ir até eles os dois, mas o David e o Rodrigo impediram-no, porém, na última tentativa, o Rúben acabou mesmo por conseguir lá ir. Arremessou-a dos braços do James e partilhou uma dança com ela, que apenas terminou porque um dos nossos DJ’s interrompeu para dar inicio a mais um momento de karaoke. Os primeiros a subir ao palco foram o Fábio, o Nélson, o Luisão, e claro, o David, que foi quem teve a iniciativa e levou os outros três a protagonizarem mais um momento hilariante. Mas, apesar de haverem muitas razões para rir do momento, quem estava a par da história, sabia inteira e perfeitamente que esta música servia sobretudo para motivar ainda mais o Rúben. Algum tempo depois iniciaram-se os solos. Fiquei algo surpreendida com a iniciativa totalmente livre do Rúben que não desistia por nada. O Rúben que insistia para além do que a Andreia estaria disposta a recusar. Eu sabia que ela era teimosa, disso não haviam dúvidas, mas também sabia que por mais cabeça dura que a minha melhor amiga fosse, o muro protetor do seu coração estava prestes a cair sobre os pés de quem por ele lutava com toda a força e afinco. Bom, poderia ainda demorar um pouco, pois à ‘’Prometo-te’’ que o Rúben tinha cantado especialmente para ela, ela respondeu com a ‘’Who you are’’, o que era novamente uma luta contra a demonstração clara e simples do Rúben. Após tal resposta ela desceu do palco e caminhou o mais rápido que pôde até ao exterior do local. Logo em seguida o Rúben tomou o mesmo caminho. Iriam travar mais uma batalha, com certeza. Estava tão absorta a pensar em todo esse reboliço que nem me dei cionta que me chamavam.

-Mónica! – voltou a chamar-me a minha prima Margarida.

-Diz. Desculpa, estava distraída.

-Pois, eu percebi!

-Mas então diz lá, o que é que se passa?

-O teu namorado?

-Foi não sei onde com o David. Porquê?

Vai demorar?

-Não sei…

-Está bem, então eu falo rápido!

-Fala logo de uma vez!

-O Ricky! Oh meu Deus, o Ricky é lindo!

-Já sabia isso amor! – ri.

-Mas tu não estás bem a ver! Ele é mesmo lindo! Ele está a ser super simpático e super querido, e…

-Sim, já percebi!

-E ele apresentou-me a três colegas dele do Sporting!

-O Rui Patrício, o João Pereira e o Daniel Carriço, sim.

-Como é que sabes quais são?

-Primeiro, foi o Rodrigo que falou nos nomes deles, quando pediu ao Rúben se também podia convidar o Ricky, segundo, as raparigas é que trataram dos convites, e terceiro, eu já cumprimentei toda a gente que veio à festa, por isso…

-Fogo, tanta gente! Eu ficava cansada!

-Pois, é o que dá organizar uma festa, tens que dar a cara por ela e receber todos os que para ela convidaste!

-Pois… Bem, olha, eu vou voltar para ao pé do Ricky!

-Está bem. Ah, olha, tens visto a Joana?

-Há pouco vi-a aí algures com o João. Mas não te preocupes que eles estão bem. Também qualquer coisa eles veem ter contigo!

-Sim, está bem. Então vai lá para o teu Ricky, vá! – ri.

Assim que deixei de ver a minha prima no meio da multidão, senti uns braços a rodear-me e senti o respirar quente do sussurrar ao meu ouvido esquerdo.

-Sentiu saudades minhas? – perguntou o Rodrigo.

-Não.

-Eish, essa doeu, viu amor?

-Oh, desculpa. Só disse que não porque estive a falar com a minha prima Margarida até tu chegares!

-Ah, assim tá melhor!

-Achas que eu não sentia saudades tuas, seu tontinho? – sorri.

-Nem sei. De tão distraída pode não sentir mesmo – respondeu, tentando esconder um sorriso.

-Oh, deixa lá de ser parvinho que tu sabes perfeitamente que de ti eu tenho saudades a toda a hora!

-Tá bom, pronto. – Puxei-o para junto de mim e dei-lhe um beijo. – Vamo dançar? – sugeriu.

-Ui que vai sair tão mal! – reclamei, enquanto ele já nos levava para o meio das outras pessoas.

 

Visão Mariana

Eu e o Mauro passamos a noite dançando, e nos escapávamos várias vezes para um local sem ninguém pra namorar um pouquinho. Depois dos solos no karaoke eu e o Mauro decidimos ir pra junto do nosso grupo pra dar a noticia de qui a gente tá junto.

-Pessoal, podem para só um bocadinho o que estão a fazer? Eu e a Mariana queremos falar com vocês – pediu ele. Todos pararam e ficaram nos olhando. A Mónica tinha um breve sorriso no rosto. Ela já sabia antes de a gente contar.

-Qu’qui cês precisam dizer prá gente? – perguntou o Rodrigo.

-É… - tentei começar.

-Espera aí! – pediu o Mauro. Fiquei confusa. Ele quiria tanto contar e agora me pedia pra esperar? Será qui ele não tava mais afim de contar prós nossos amigos? Ou pior, será qui ele não tava mais afim de mim? Ele podia ter achado qui tava apaixonado mas agora ter percebido qui era confusão da cabeça dele. Se fosse isso, ele ia me fazer sofrer… - O meu irmão e a Andreia? Eles também têm de estar aqui. – Ah, qui boba qui você é Mariana! Ele só pediu pra esperar porqui o irmão dele e a Andreia não tavam lá! Ele quiria contar na frente do irmão, claro!

-Pois, mas agora não me parece que eles voltem tão cedo, Mauro. O Rúben foi atrás a da Andreia e pouco tempo não devem demorar – respondeu a Mónica.

-Ah, pois, então… - começou o Mauro, se sentindo meio embaraçado.

-Então vocês podem falar já e depois contam pra eles – sugeriu o David.

-Mas é que…

-Tá com medo de alguma coisa, Mauro? – perguntou o meu irmão.

-Não – respondeu prontamente.

-Então pode falar, né? – incentivou o David.

-Tá, a gente pode contar sim, né Mauro? – disse eu, olhando pra ele.

-É.

-Então vá, digam de uma vez! – pediu a Sara.

-Está bem, pronto – hesitou pra respirar fundo e trocar um olhar comigo. – Eu e a Mariana estamos juntos.

-Juntos, como assim? – perguntou a Sara.

-Juntos, juntos. Nós namoramos – respondeu ele.

-Você e a minha irmã tão namorando? – Quando o meu irmão fez a pergunta, a minha garganta ficou com um nó no meio.

-Sim… - respondeu o Mauro, meio receoso.

-Parabéns! – sorriram o David e a Sara.

-Parabéns! – felicitou a Mónica, com um sorriso especial.

-E você não diz nada, Rodrigo? – perguntei, preocupada com a demora da reação dele.

-Tou muito feliz por vocês, claro! – respondeu ele abrindo um enorme sorriso. A gente sorriu também. – Eu já tava muito desconfiado qui vocês tinham alguma coisa! Mas fico mesmo muito contente por vocês!

-Aí, obrigado Rodrigo! Deixaste-me aliviado, agora! – suspirou o Mauro.

-Mas você toma cuidado, hein. Eu acho você bem legal e acho qui a minha irmã fica bem do seu lado, mas se você fizer asneira, depois a gente conversa, ouviu?

-Podes ficar descansado, Rodrigo. Não vou deixar a tua irmã tão cedo. E eu nunca lhe farei mal – depois olhou pra mim. – Prometo.

-Acho bom qui sim – sorriu o meu irmão. Depois ficámos todos conversando, e esperando também qui a Andreia e o Rúben voltassem prá gente contar a novidade pra eles também.

E agora, como correrá a conversa entre o Rúben e a Andreia? Terminará a noite da melhor forma para todos?