sexta-feira, 5 de setembro de 2014

Capitulo 34 (parte IV)

Buenas noches, meninas!
Como é hábito, peço muitas muitas desculpas por não postar há imenso tempo, mas de facto não consegui antes! Está realmente pequenino, mas foi o que vos consegui, espero que gostem de qualquer forma, e espero os vossos comentários!
Besitos <3

Visão Rúben

Sinceramente, ainda parecia que estava num sonho. Sentia-me tão feliz que às vezes duvidava se de facto estava a vivenciar aquilo. Sabia bem voltar a sentir-me assim.
Depois de levar a Filipa ao Estádio, segui, finalmente, com destino à minha casa. Já quase parecia uma casa fantasma. Mal lá punha os pés e a minha mãe já há alguns dias que também não lá ia. Desta vez a estadia não se prolongou muito mais. Fiz as coisas mais vagarosamente, mas depois de pronto e de ter arranjado o saco de treinos, fui até ao salão da minha mãe, um tempinho antes de seguir para o treino, que seria no Estádio, a pedido especial do Mister, que teria uns compromissos lá logo após o nosso treino terminar.
-Boa tarde! - sorri, ao entrar no salão.
-Olá filhote! - sorriu-me a minha mãe, indo ao meu encontro e aconchegando-me com um abraço e dois beijinhos. - Decidiste aparecer finalmente? - disse-me, mais num tom de desdém jocoso do que propriamente aborrecido.
-Decidi pois! Não estou aqui? - sorri-lhe.
-Lisboa não te larga, agora!
-Sou mais eu que não quero largar Lisboa, mãe!
-Então porquê? Seduziste um sinal de trânsito ao pé do Estádio, foi?
-Aí, oh mãe, é o Mauro que te anda a ensinar essas piadas foleiras, não é?
-O teu irmão vem ver-me mais que tu, mesmo que não seja muito mais vezes, queres que seja quem a ensinar-me essas piadas?
-Oh mãe, mas piadas assim não! Se quiseres algumas decentes ligas-me, está bem?
-Está bem, está bem! - riu. - Bem, mas ontem ele trouxe cá a namorada! É tão querida, ela!
-É a irmã do Rodrigo, mãe.
-Ai é ela?
-É.
-É um amor de miúda!
-Lá isso é verdade!
-Então e tu?
-Eu o quê?
-Como é que vão as coisas com a Andreia? Nunca mais me falaste nela.
-Falamos disso noutra altura, está bem, mãe? - pedi-lhe, com cara de poucos amigos, mas mantendo um tom suave.
-Pela tua cara as coisas não devem andar famosas...
-Já não anda nada, mãe, nós acabámos.
-Mas então vocês... - vi que entrara uma cliente e tentei descartar-me da conversa. Sabia-me bem falar com a minha mãe, mas agora só queria saborear a felicidade a que havia sido premiado.
-Chegou uma cliente, mãe. Depois falamos, beijinhos - despedi-me rapidamente, dando-lhe um beijo na testa. Assim que entrei no carro conduzi com destino imediato ao Estádio da Luz.
Como cheguei um bocado antes da hora tentei ir dar um beijo à minha namorada, mas ela estava a fazer uma visita guiada a um grupo de turistas e nem a pequenina consegui ver, visto que também a tinham orientado para qualquer coisa. Não me restou mais senão ficar no bar até a hora devida chegar.
-Oi, Rúben! - cumprimentou-me o Rodrigo ao chegar perto de mim.
-Então puto!
-Chegou mais cedo? - perguntou, sentando-se à mesa comigo.
-Cheguei. Passei pelo salão da minha mãe para estar um bocadinho com ela, mas ela acabou por falar na Andreia e eu decidi vir mais cedo para não ter de falar-lhe das coisas agora. Ainda por cima agora estou tão bem outra vez!
-É, outra hora você conta pra sua mãe, então!
-Então e oh menino, esse sorriso tem motivo especial para além do óbvio? É que pronto, parece-me que está maior, e não te larga! - fiz notar, finalizando o tema anterior e seguindo com certeza um muito mais interessante.
-Vai jantar lá em casa hoje e você descobre!
-Tanto mistério! Não me digas que vou ser tio!
-Você também? Não, não vai!
-Eu também? Como assim?
-A minha irmã também pensou a mesma coisa!
-Ah. Mas olha que se vocês não tivessem cuidado acredita que a prática que vocês evidenciam tantas vezes, a esta hora já vinha um puto a caminho!
-Cheios de pressa vocês, hein? Já que é assim podem fazer vocês os vossos!
-Uii, pronto, pronto! Mas então pronto, tenho jantar garantido hoje, não é?
-Tem e o seu irmão vai jantar lá também.
-Esse também não me liga nenhuma desde que anda com a menina Mariana.
-Preferia que ele enchesse o seu saco a toda hora?
-Não!
-Então para de reclamar! E você agora também tem bastante atenção, ou não chega?
-Claro que chega! Com ela eu nem vejo o tempo passar.
-E ainda fala de mim. Olha pra essa cara de bobo!
-Olha-me este, deves andar com falta de uns golpezinhos aqui do mano! - rimos os dois. - Bem, está na hora! Vamos lá para o treino! - Levantamo-nos e seguimos com rumo aos balneários.

Visão Filipa

Quando terminei a visita disseram-me que o Rúben tinha lá ido para me ver e ver a Mónica. Fiquei um bocadinho triste porque queria ter estado um bocadinho triste porque queria ter estado um bocadinho com ele, nem que fosse só para lhe dar um beijinho e ver aquele sorriso lindo. Chegaram as 19.00h e nós duas ficamos a fazer tempo até o Rúben e o Rodrigo saírem do treino. Assim que o vi desmanchei-me num enorme sorriso. Era tão bom estar com ele, só o seu sorriso já me fazia bem.
-Olá princesa - cumprimentou-me, com um sorriso meigo dando-me um beijo igualmente doce.

-Oi! - cumprimentou-me também o Rodrigo, após beijar a Mónica.
-Olá - sorri de volta.
-Olha hoje vim tentar ver-vos antes do treino, mas ao que me constou, as meninas estavam muito ocupadas!
-Já sabemos Rú, foste um querido, não tiveste foi muita sorte! - disse-lhe a Mónica.
-Prá próxima eu que vou lá e encontro vocês! - disse o Rodrigo, já num tom para, possivelmente, iniciar o despique já tão habitual entre ele e o Rúben.
-Deves pensar que lá porque és o brasileirinho querido aqui da pequenina, que toda a gente faz o que pedes!
-Meninos, vocês são os dois lindos, agora parem lá e vamos para casa que estou a ficar com fome! - interveio a Mónica.
-Tá bom gente, vamo que hoje é a Mariana que faz o jantar e ela vai ficar brava se a gente chegar tarde!
Segui com o Rúben para o carro dele e o Rodrigo e a Mónica para o carro dele e rumamos para a casa deles, onde a Mariana provavelmente já nos esperaria.

Visão Rodrigo

Seguimos todos para minha casa, quer dizer, minha e da minha princesa, e o carro do Mauro já tava lá quando chegámos.
-Gente, têm cinco segundos pra compor tudo o que tiver descomposto, que vem um batalhão de gente entrando a porta! - falei pra dentro de casa, brincando.
-Deixa de ser bobo, Rodrigo! Aqui não tá nada descomposto! - respondeu a minha irmã, assim que a gente passou a porta.
-É melhor que não! Não me apetece ver o lingrinhas do meu irmão em cuecas! - zoou o Rúben, assim que a gente entrou na sala, onde o Mauro e a minha irmã estavam.
-Lingrinhas?! E não tens muito que falar, lá em casa da mãe, todos os dias de manhã era eu que te via em cuecas!
-Ainda te queixas? Ao menos vias alguma coisa bonita, e um bocado de músculo, que bem te falta!
-Meninos, vamos parar de discutir o físico de cada um e quem é que via quem em cuecas? Vocês são os dois uns queridos, e se há alguém que tem de opinar sobre os vossos físicos são as vossas namoradas, que por ora me parecem satisfeitas, não? - interveio a Mónica.
-Isso gente, deu pra rir dessa conversa, mas a gente veio aqui pra jantar!
-Apoiado! - se manifestou logo o Rúben. - Mariana, onde é que está o jantar?
-Tá no forno pra ficar quentinho.
-Então vamos comer! - meio que exigiu.o Rúben. Todo mundo riu, mas seguimos ele prá mesa.

-Então e essa novidade, pequenina, vem ou não vem? - quis saber o Rúben.
-É, eu tou muito curiosa, também - apelou a Mariana.
-Está bem, pronto! A novidade não é nada demais, aqui o teu irmão é que fez um festão enorme!
-Tá, mas diz logo! - pedinchou a minha irmã novamente.
-A novidade é só que vou deixar de procurar casa e vou ficar a viver aqui com o Rodrigo, definitivamente!
-Tanta coisa para declarar o óbvio, princesa? Eu aqui já com esperanças que ia ser tio!
-Eu já tinha falado que não era isso! - falei de imediato. - Quanta pressa, gente!
-Vais-me dizer que não queres ser pai? - falou o Mauro pra mim.
-Agora não quero! Ainda faltam alguns anos para isso acontecer!
-Como é que tens tanta certeza? - perguntou a Mónica, de repente. Um ar sério se abatera sobre o seu semblante.

-A gente tem sempre cuidado, amor - Ela não deu resposta alguma e a dureza do seu rosto se manteve. Aí entendi que o ambiente tava ficando pesado entre a gente, mas não percebi porquê exactamente.

sexta-feira, 8 de agosto de 2014

Capitulo 34 (parte III)

Buenas noches, guapas!
Desculpem a imensa demora do capitulo, mas não consegui postar antes, e mesmo assim o capitulo não está muito grande, no entanto espero que gostemm e espero as vossas opiniões!
Besitos <3

Mónica

(visão Rodrigo)

-Terminou? - perguntei quando ela colocou a taça, já vazia, em cima da mesa de cabeceira e saindo de cima de mim.
-Hm-hm - sonorizou afirmativamente.
-Eu devia fazer o mesmo com você - disse, pegando os copos ainda com vinho e estendendo um pra ela.
-Mas não vais - soou convicta, convicção essa que me desafiou no mesmo instante e me fez inclinar o copo que estendia pra ela e derrubar o vinho pela sua pele.
-Pode não ser com chocolate...
-Fizeste de propósito, oh! - riu.
-Vou aproveitar esse acidente e fazer o mesmo que você fez comigo!
-Oh, mas...
você falou que o chocolate era como e quando você quisesse, então agora o vinho é como e quando eu quiser. Não reclama - terminei, colocando um pouco mais de seriedade sedutora no meu rosto, o que fez ela terminar sorrindo ao rendimento.
pronto, está bem - concordou, se deitando na cama, enquanto eu peguei a garrafa de vinho e me posicionei de joelhos entre as suas pernas. - Mas com cuidado, se faz favor, o vinho estava no gelo.
você não pensou em ter calma com o chocolate que tinha saído do lume - sorri.
-Já tinha arrefecido!
-Tá, e isso vai esquentar logo que tocar na sua pele! - sorri, iniciando o processo que ela tinha feito em mim, dessa vez com o vinho.

Visão Rúben

O jogo foi divertido, apesar de eu ter reclamado. Reclamar já é um hábito, mas é um hábito que faz toda a gente rir, por isso tornar-se-há num hábito eterno. Ficamos mais um bocado à conversa com o Rodrigo e com a Mónica e depois seguimos para casa da Filipa. Tentei obrigar-me a ir embora, a passar uma única noite que fosse daquela semana em minha casa, na minha cama, sozinho, mas não consegui. Só um mero e inocente sorriso da minha namorada já se tornava num convite irrecusável, mesmo que o sorriso se devesse a outra coisa qualquer.
-Tenho de ver se encontro qualquer coisa que ajude a controlar os desejos! - proclamei, após passar a soleira da porta da casa dela.
-Hã?
-Basicamente tenho de ver se resisto a ficar a dormir aqui!
-Ah, está bem... Mas por algum motivo em especial? - notei-lhe algo por detrás das palavras proferidas.
-Não, só que depois fico mal habituado e depois quem sofre a minha cama, de solidão! - acabei por brincar, tentando suavizar uma tensão que lhe senti, antes de abordar os seus nervos com um comentário intencional. - Mas estavas a pensar no quê?
-Em nada.
-Em alguma coisa pensaste, de certeza.
-Foi só que pronto, como tu falaste em controlar desejos...
-Sim...? - tentei encorajar.
-Oh, nada, esquece... - desviou o olhar, envergonhada.
-Pensaste que estava a falar acerca de desejos em relação a ti, não foi? - perguntei, mais retoricamente, notando-lhe um pouco mais de embaraço. - Esses eu só controlo até tu quereres. - E cada vez mais lhe notava o embaraço, mas continuei. - Sobre ti controlo o desejo muitas vezes ao dia, neste momento estou a fazê-lo, mas só vou fazer o contrário quando tu me disseres explicitamente que posso fazê-lo, entendes? - fui ao seu encontro e fi-la erguer a cabeça para que pudesse olhá-la.
-Podes - disse, quase num sussurro.
-Posso o quê? - fi-la dizer tudo.
-Podes descontrolar-te, porque sinceramente descontrolar a ânsia que sinto em relação a isso é uma das coisas que mais quero agora!
-Finalmente! - exasperei, puxando-a grotescamente contra o meu corpo e arrebatando-a com um beijo sequioso.


-Por alguma razão não consegui resistir a ficar aqui hoje! - sorri quando ela se deitou ao meu lado.
-E quais foram as razões dos outros dias? - sorriu também, encostando-se a mim.
-Não sei... Se calhar foi por ter esperança que este motivo chegasse! É que a partir de agora acho que este vai ser muitas vezes o motivo! - Ela gargalhou, o que me fez expandir o sorriso.
-Mas tu ainda tens casa para além da minha? - brincou.
-Estar lá ela está, mas tem andado assim um bocado para o desabitada!
-Tonto!
-Oh, eu gosto de dormir aqui contigo, por isso acho que enquanto tu não me expulsares vou continuar a ficar cá.
-Então se calhar podes começar a trazer as malas porque não vou expulsar-te!
-Para isso fazes tuas malas e vamos para minha casa!
-Olha, porquê?
-A minha é maior! E para além disso é mais perto do Caixa!
-E a minha é mais perto do Estádio!
-Não, mas vá, mais tarde falamos disso, quem se vai juntar primeiro a titulo oficial são o puto e a pequenina!
-Nisso tens razão! A Mónica ficou a um bocadinho de dizer que ia ficar lá definitivamente!
-Vais ver, amanhã já sabemos da noticia! E pronto depois dá para ver como é que corre, se correr mal não seguimos com a ideia avante!
-Todos os casais são diferentes! Tomara que com eles corra tudo muito bem,  mas imaginando que não corresse, não queria dizer que connosco fosse igual!
-Eu sei tonta, estava só a brincar! Mas pronto, antes de decidirmos alguma coisa temos de ver tudo muito bem para nada correr mal. Para além de que só começamos a namorar agora.
-Sim, claro.
-Não quero precipitar-me e depois perder tudo.
-Não vai acontecer. E com eles também não.
-Com eles não acontece que são muito lamechas!
-Oh, que parvo! - rimos os dois.

Visão Filipa

E acabou por correr tudo bem! Se tinha ânsias o Rúben tinha-as a duplicar, e apesar de me sentir um pouco envergonhada quando iniciamos uma conversa que nos levou directamente ao assunto, depois de lhe dizer o que queria, aconteceu tudo com naturalidade, mas sobretudo com calma e com uma verdadeira entrega. Acho que de certa forma já esperava que fosse mais ou menos assim, porque o Rúben sempre demonstrou genuinidade comigo, tal como eu com ele, e isso contribuiu para que tal genuinidade permanecesse neste momento. Depois de nos deitarmos para finalmente sucumbirmos ao sono, percebi que parecera uma adolescente. Não é que seja muito velha, mas aquele nervosismo, a ansiedade, a insegurança, fizeram-me sentir como tal. Acabei por adormecer perdida a pensar ainda sobre aquele momento.
O Rúben só tinha treino às 17.00h, por isso ficou comigo até à hora de almoço e depois de me levar ao Estádio, seguiu finalmente para a sua casa. A Mónica ia a chegar ao mesmo tempo que eu, por isso acenei brevemente ao Rodrigo e seguimos juntas. E qual de nós é que tinha o maior sorriso? Achei difícil eleger.
-Bom dia, Fizinha! - sorriu imensamente, dando-me um doce beijo no rosto.
-Bom dia! - retorqui com um enorme sorriso também, retribuindo-lhe o beijo.
-Estás com um sorriso... - comentou.
-Olha quem fala! - ri.
-Tenho novidades!
-Eu também!
-Oh meu Deus, a sério? Conta!
-Conta tu primeiro!
-Não, conta tu!
-Ai, deixa de ser chata e conta logo!
-E enquanto conto morro de curiosidade! - tentou ainda dissuadir-me.
-Cala-te e conta, vá!
-Está bem, pronto! Disse ao Rodrigo que vou parar de procurar casa e vou ficar lá em casa com ele, definitivamente!
-A sério? Que bom! Pensaste melhor como te disse, então!
-Sim, e bem, tens mesmo razão!
-Claro que sim! Estou tão contente!
-Também eu! Mas vá, agora tu, o que é que tinhas para me contar?
-Eu e o Rúben...
-Tu e o Rúben...?
-Nós dormimos juntos!
-Hã?
-Ai Mónica, estás um bocadinho lerda, não?
-Pois, desculpa lá, mas acho que sim! Então mas vocês não dormem juntos sempre que ele fica em tua casa?
-Sim, mas não é isso... Nós fizemos amor.
-Mas ainda não tinha acontecido? - perguntou, um pouco surpresa.
-Não.
-Se calhar eu é que estou a ser meio apressada, mas sei lá, como vocês têm sempre tanta cumplicidade, tanta química... Pensei que já tivesse acontecido. Mas pronto, foi bom? Como é que te sentiste?
-Foi muito bom! Ele é tão querido! Mas eu acho que já estava meio à espera, sei lá, é que só sempre fomos tão verdadeiros um com o outro, sempre demonstramos o carinho que sentíamos... Foi...
-Genuíno? - completou. Assenti afirmativamente. - Eu sei como é que é isso - sorriu, num tom perdidamente doce. Definitivamente, e sem quaisquer hipóteses de contra-argumentos, para ela, o Rodrigo seria ''para sempre''. E não tinha grandes dúvidas que com ele se desse o mesmo.
-Cuidado! - disse-lhe, de repente, libertando-a de alguma recordação.
-Com o quê? - perguntou, um bocadinho sobressaltada.
-Com a baba! - ri.
-Ai pá, estás mesmo a puxar ao chato do teu namorado! Vocês! - Eu gargalhei e ela riu também.
-Está bem, pronto, desculpa lá. Mas olha, agora lembrei-me de uma coisa!
-O quê?
-Porque é que me chamaste aquele nome à bocado?
-O Fizinha? Oh, é um diminutivo carinhoso, pode ser? E estou feliz!
-Está bem, mas Fizinha? - ri, tentando chateá-la mais um bocadinho. De facto, estava a puxar ao meu namorado.

Visão Rodrigo

De manhã acordei e imediatamente um sorriso enorme se formou no meus lábios. A felicidade incutida pela noticia da noite anterior ainda fazia efeito. Faria durante longas horas, de certeza. Era cedo mas dessa vez não tava fazendo muita diferença. Acordei à mesma hora que a Mónica pra nos prepararmos e eu poder levar ela na Faculdade. O sorriso dela era mais esplendoroso ainda que nos outros dias. Segui pra casa e fui dormir mais pouquinho, acordando com o meu telefone tocando.
-Bom dia, princesa! - atendi o telefonema da minha irmã. A minha voz ainda tava um pouco embargada com o sono, mas o tom bem-disposto se notava.
-Bom dia! Ai, me chamando de princesa assim? Que felicidade toda é essa?
-Nao sei se devia ser eu contando!
-Como assim?!
-A Mónica tem uma novidade! Mas talvez seja melhor ser ela falando!
-Tá me deixando curiosa! Eu ainda não cruzei com ela hoje!
-Quando cruzar pergunta pra ela!
-Ela não vai me dizer que tá grávida, vai?
-Para de tentar adivinhar!
-Ai mas me fala! Eu vou ser tia ou não?!
-Pra já não! - ri, recebendo o seu entusiasmo.
-Então o que é?
-Pergunta pra ela quando encontrar!
-Você tá sendo mau comigo!
-Não tou não! Mas me fala, porque você me ligou agora?
-Senti saudade, pode ser?
-Claro que pode! Eu também tou com saudade sua! O seu namorado anda te raptando muitas vezes!
-Até pode ser, mas olha, por mais que eu ame você e a sua namorada linda, eu acho que eu não tenho vocação pra servir de vela a vida inteira, maninho! De vez em quando tá, agora toda vez eu dispenso!
-Eu vou tentar te tirar esse papel mais vezes, então! - rimos. - Mas e ligou só por saudades?
-E pra falar que o Mauro vai jantar ai em casa hoje! Mas hoje eu fico, tá?
-Tá bom. Precisa que eu vá buscar alguma coisa pró jantar?
-Não, eu vou buscar o que eu preciso, hoje vou ser eu cozinhando!
-Se precisar de ajuda já sabe!
-Pode deixar! Bom, vou ter de desligar! Logo a gente se fala! Te amo, maninho!
-Também te amo, maninha! - Depois de ela desligar me levantei, fiz a cama e fui arrumar a sala.
Na hora de almoço peguei a Mónica na Faculdade e fomos almoçar em casa.
-Ainda não cruzou com a minha irmã hoje? - perguntei, quando a gente terminou de lavar a loiça.
-Não, hoje não tínhamos aulas juntas. Porquê?
-Porque ela me ligou hoje e como eu soei tão feliz acabei dizendo que você tem uma novidade! Ela tá morrendo de curiosidade!
-Tadinha, deixaste-a a sofrer!
-Logo você fala pra ela, o Mauro vem jantar cá em casa hoje.
-Está bem!
-Sabe qual foi a primeira coisa que ela pensou quando eu falei que você tinha uma novidade? - falei, enquanto íamos pegar nossas coisas na entrada pra sairmos pró meu carro e eu levar ela pró Estádio.
-Não.
-Ela pensou que você ia falar que tava grávida.
-Ah...
-Que cara é essa? - perguntei, notando uma expressão distante no seu rosto, após entrar também no carro.
-A minha, querias que fosse de quem?
-Deixa de ser boba? Você pareceu meio distante.
-Não é nada, só não estava à espera.
-Tá bom... - falei, não me dando muito por convencido, mas não tava querendo encher o saco dela. - Então e quando que você tá pensando oficializar a sua nova residência? - perguntei, mudando o assunto para algo que nos deixaria de sorriso no rosto. E foi o que aconteceu. Mal ela ouviu as minha palavras um sorriso lindo surgiu no seu rosto.

quarta-feira, 9 de julho de 2014

Capitulo 34 (parte II)

Buenas guapas!
Finalmente volto aqui! Peço muitas desculpas pela enorme demora de um novo capitulo, mas realmente não me foi, de todo, possível mimar-vos mais cedo como era minha intenção e como bem merecem! Mas bom, aqui vos deixo um novo capitulo, embora pequeno! Espero que gostem e espero os vossos comentários, niñas!

Besitos <3

Visão Filipa

A ideia da Mónica foi muito boa! E o facto de serem eles a ficar vendados renderia muito mais gargalhadas, coisa que vinha mesmo a calhar! Depois de os termos vendado enquanto eles permaneciam sentados em duas cadeiras no meio da sala, eu e a Mónica fomos até à cozinha preparar o que precisávamos e retornamos à sala.
-Preparados? - perguntou-lhes a Mónica.
-Claro que sim! - respondeu logo o Rúben, começando a surgir-lhe o entusiasmo. Peguei numa das taças, sem escolher, e levei-lhe a colher à boca.
-Abre a boca - indiquei-lhe.
-Mau! - resmoneou com uma careta e um sorriso parecendo receoso, acedendo à indicação. - Esta é fácil! - afirmou, depois de saborear o que lhe dera para a boca. - Mel!
-Certo! - sorri.
-Agora tu amor! - disse a Mónica ao Rodrigo, ao que ele acedeu de imediato.
-Isso é... aquela coisa que a gente coloca nos morangos, aquela coisa branca, parece espuma... - tentou ele.
-Tens de dizer o nome! - ri.
-Não tou conseguindo lembrar, é aquela...
-O nome! - desta vez a Mónica é que exigiu o nome.
-Termina em li eu acho...
-Tens de dizer o nome puto, tem de ser justo! - interveio logo o Rúben, rindo também.
-Mas não tá sendo então posha, eu não sei o nome direito!
-Vá meninas, dêem lá um desconto então! - pediu-no o Rúben.
-Primeira e última vez! - atalhou a Mónica.
-Uii, estás a ser mazinha para o teu zuquinha, então! - gozou o Rúben.
-Filipa, dá-lhe alguma coisa para a boca senão ele não se cala! - pediu-me a Mónica a rir.
-Está bem! - acedi, rindo e pegando em outra coisa rapidamente. Após já ter-lhe pegado é que vi o que é que era. Lutei contra o ataque de riso que me assolou ao ver o Rúben virar-se de lado num impulso de cuspir as grainhas que lhe estavam na boca, a Mónica, morta de riso já, apressou-se a dar-lhe um guardanapo.
-Vocês querem matar-me ou quê?! Pimenta, assim? - reclamou, tirando os vestígios da boca e bebendo água que a Mónica lhe dera. O Rodrigo desatou às gargalhadas. Após tudo mais calmo e o Rodrigo ter descoberto a canela que a Mónica lhe dera, e ele também quisera cuspir com uma cara cómica, regressamos ao Rúben.
-Então Rúzinho, preparado para a próxima, ou já não aguentas? - brincou a Mónica.
-Nasci pronto pequenina!
Foi impossível não cairmos no chão a rir a certa altura! Estavam os dois um pior que o outro e nós duas já chorávamos de tanto rir! Decidimos então dar o jogo por terminado, e ficamos a rir ainda mais um bom bocado a seguir, acabando depois por me despedir do Rodrigo e da Mónica e seguir com o Rúben para o carro dele. A noite estava deveras interessante, estava a ser produtiva no campo das ligações, e estava a saber-me tão bem. Depois de algum tempo meio afastada de algo assim eis que me aparecem as melhores pessoas que podia desejar. Primeiro, uma amiga, conselheira, aquela a quem passarei a chamar de irmã mesmo não se revelando tal facto no ponto de igualdade sanguínea. Depois, um amigo para todas as horas e quais queres ocasiões, e por tantas ocasiões, em diversas horas, mas sobretudo, tanta partilha do mais intimo, daquilo que faz chorar o coração sem marejar a vista, aquele em quem tornara a ver alguém para me acompanhar no futuro. Bem e depois, mas não menos importante, o namorado da melhor amiga/irmã do coração, que se torna importante também, e que se torna mais um amigo para guardar.
Tanta coisa para dizer que estou nervosa. Pronto, estou nervosa. Tanto sentimentalismo estava a fazer surgir as inevitáveis inseguranças que surgiriam a qualquer momento. Mas porquê hoje? Esperava conseguir controlar todas essas coisas para não estragar a agradabilidade que já se estendia esta noite.

Visão Mónica

-Boa ideia esse jantar, hein? - sorriu o Rodrigo após o Rúben e a Filipa terem ido embora.
-Sim! Apesar daquela noticia decepcionante, foi muito boa ideia amor!
-É, essa noticia... Mas pronto, a gente se divertiu, era o que a gente precisava!
-Sim! Aii e as caras do Rúben? Meu Deus, ele é demais!
-Eu não vi, mas só de ouvir ele reclamando e comentando dava vontade de rir!
-Tu também fizeste umas caras engraçadas! - ri.
-Deve ter sido! - riu também.
-Bem, vamos dormir?
-Dormir não, vamos deitar. Não tou com sono ainda.
-Hmm... - sorri.
Subimos para o quarto e fomos vestir os pijamas e lavar os dentes para por fim nos deitarmos. Abracei-me a ele, encostada no seu peito, enquanto ouvia calmamente as batidas do seu coração.
-Amor...
-Diz.
-Posso fazer uma pergunta pra você?
-Achas que tens de perguntar?
-Eu sei amor, mas é que é um tema delicado pra você...
-Deixa-me adivinhar, é sobre a noticia de há bocado, mais precisamente sobre a Andreia.
-Acertou - respondeu, exibindo cautela no tom de voz.
-Podes perguntar.
-Tem certeza? É que a noite foi boa e eu não quero você chorando...
-Pergunta.
-Tá bom... - pensou durante segundos. - O que é que você sentiu quando viu a noticia?
-Relativamente à noticia ou só à menção da Andreia?
-Dos dois, porque na verdade é dela e do seu ex melhor amigo.
-Em relação aos dois, não sei se foi uma reacção influenciada por tudo, mas só pensei que até estavam bem um com o outro. E em relação à Andreia, não vou dizer que não senti nadinha, porque por pouco que seja, senti alguma coisa, posso dizer com certeza que maioritariamente foi  a já habitual desilusão, mas acredita que cada vez menos me afecta ou me magoa.
-Então já conseguiu ultrapassar tudo o que aconteceu?
-Acho que só vou dizer que ultrapassei quando já não sentir rigorosamente nada em cada vez que se tocar no nome dela, mas agora já não fico em baixo por isso. Lá está, a desilusão e é óbvio que alguma tristeza, mas não o suficiente para estragar o meu dia, ou para me deixar a remoer.
-Mesmo?
-Sim.
-Fico tão feliz meu amor! - sorriu abertamente, enfatizando o estado de espírito citado.
-Eu sei amor. Eu sei que tu também sofreste este tempo todo. Eu não queria que isso tivesse acontecido, mas...
-Nem tenta discursar pra pedir desculpas! Eu não aceito desculpas nenhumas porque você não tem de pedir desculpa de nada! Dois em um, tá? Os seus problemas são os meus problemas, a sua dor é a minha assim como a sua felicidade também é a minha!
-Eu sei, mas podia ter evitado.
-Você não conseguia evitar nada, isso foi culpa dela, por ser orgulhosa e por revelar uma personalidade completamente diferente daquela que a gente conheceu e que a gente tanto gostava!
-Pois, mas se eu...
-Se você o quê? Se você tivesse ouvido e calado? Encher tudo ai dentro e sofrer ainda mais, sozinha? Não tinha necessidade e não era correcto! Você não fez nada errado, você só fez o que tinha de fazer e disse o que tinha de dizer. Ninguém pode culpar você de não ter tentado, se houve alguém que lutou e que tentou recuperar e manter a amizade foi você, ela que não soube dar valor pra você nem prá vossa amizade nunca!
-Não te revoltes, se faz favor! - acabei por rir. Tudo o que ele tinha dito encaixava na verdade, mas já não valia a pena remexer mais no assunto. Os assuntos estavam resolvidos, a ligação quebrada, com os colaterais de desilusão adquirida e mágoa infligida, mas que pouco a pouco se tornariam apenas em recordações menos boas.
-Não se preocupa que eu não vou causar nenhuma catástrofe! ´riu também. -Tenho de ir no banheiro. - disse, levantando-se da cama e indo à casa de banho. Demorou um pouco, e nesse tempo pensei seriamente ao ponto de tomar uma decisão.

Visão Rodrigo

Sai do banheiro e voltei pra junto da Mónica, que tinha sentado na cama.
-Cansada de tar deitada? - perguntei, me sentando do seu lado.
-Não. Tenho uma coisa para te dizer.
-Uii, tá me assustando!
-Não precisas, não e nada mau, ate acho que e o contrario!
-Diz logo, então, não me deixa aqui curioso!
-Lembro -Confirmei, sentindo o nervosismo no peito.
-Então pronto, eu vou parar de procurar casa, vou ficar a viver contigo!
-Tá falando sério? - perguntei, não tomando realmente aquilo como certo.
-Sim! - sorriu.
-Meu Deus, que bom! Obrigado! - sorri também, me atirando na sua direcção pra lhe dar um abraço bem apertado.


-Não me esmagues!
-Desculpa! - afrouxei o abraço. - Tá mesmo falando sério?
-Sim! Queres que repita mais quantas vezes para acreditares?
-Meu Deus, tou tão feliz! - beijei os seus lábios fugazmente. - Mas como que você mudou de ideia tão rápido assim?
-A conversa com a Filipa ajudou-me a definir melhor as ideias.
-Então você já tinha pensado em aceitar antes?
-Sim, e pronto, como já disse, já vivemos como se morássemos juntos, não vai fazer diferença.
-Que bom você decidiu isso, meu amor!
-Ela me sorriu docemente e eu tomei outro beijo dela -Vamos comemorar?
-Isto não é um grande acontecimento amor, se reparares nada vai mudar!
-Pra mim é importante, e todas essas pequenas coisas, assim como no futuro maiores virão, eu quero comemorar! Todos os detalhes que me fazem feliz como você merecem e têm que ser comemorados!
-Oh amor estas a ser um querido, mas também como é que vamos comemorar a esta hora?
-Vinho, chocolate e nós dois nessa cama ou onde você quiser. Tá bom assim?
-Agrada-me, mas há uma condição.
-Que condição? - perguntei, curioso, fixando o olhar nesse mesmo tom, no seu olhar fervoroso.
-O chocolate entra quando e como eu quiser.
-Humm... - apreciei aquela proposta, ou aquela imposição, melhor dizendo, me deixando seduzir pela incógnita, interiormente.
-Tá pensando concretizar mais alguma fantasia? - perguntei, morbidamente entusiasmado, mantendo porém esse entusiasmo na pergunta.
-Sim - respondeu prontamente, me abrindo mais o caminho sedutor com o seu olhar penetrante.
-Vamo lá então! - me levantei da cama, seguido por ela e descemos até a cozinha.
Enquanto eu fui pegar a garrafa de vinho do frigorífico e preparei o que precisava para depois mantê-lo frio do mesmo jeito, ela pegou em duas barras de chocolate e as derreteu. Decidi me concentrar nas minhas tarefas e deixar de olhar para o que ela estava fazendo, por que algumas ideias já estavam me surgindo e me deixando ainda mais entusiasmado. Após os dois terminar-mos tudo o que tínhamos a fazer, subimos com as coisas, de volta para o quarto. Depois de trancar a porta e desocupar as minhas mãos, fui até junto dela e a abracei, reclamando imediatamente o contacto dos meus lábios com a pele do seu pescoço. - Vinho agora ou depois? - perguntei, respirando propositadamente no seu pescoço.
-Agora e depois - respondeu, se virando de frente pra mim. Peguei então o vinho e coloquei em dois copos pra nós.
-Tá me matando com tanta sedução amor, e só tá me olhando!
-Ai é? - acenei que sim. - Bem então é melhor acalmares-te, amor.
-Vai fazer pior?
-Claro que sim.
-Como que você com essa alturinha pequena consegue me abalar tanto? - suspirei, retirando o copo da sua mão e pousando o dela e o meu junto da garrafa.
-Como já te disse várias vezes, as baixinhas fazem muita coisa que as outras não fazem - proferiu, prosseguindo com o mesmo olhar. - Vamos começar, então! - indagou, levando muito rápido as mãos à minha t-shirt e me obrigando, de modo reflexivo, a levantar os braços pra ela completar a ação iniciada.
-Agora é assim? - ri.
-Sim - sorriu, levando seguidamente as mãos às minhas calças pra me desnudar. Me deixou apenas de boxeres e me ordenou que deitasse na cama. Executei no segundo seguinte. A curiosidade e ansiosidade se abatiam estrondosamente sobre mim. Retirou o pijama e depois de pegar a taça com o chocolate derretido e a colher, se sentou sobre as minhas coxas.
-O que é que você tá pensando fazer? - perguntei, vendo ela remexer com a colher no conteúdo da taça. Ela apenas sorriu, elevando a colher com chocolate e a direccionando para o meu peito. - Isso vai me queimar, amor!
-Já arrefeceu, tonto! - sorriu, deixando então escorrer o chocolate da colher pra cair vagarosa e surpreendentemente, agradável, sobre o meu peito. Em seguida, baixou o rosto e com a língua retirou chocolate da minha pele, e foi retirando até o meu peito estar apenas pegajoso. Suspirei, arrepiado e seguidamente ela me deu um beijo nos lábios, deixando o sabor do chocolate impregnar a minha boca. Após deixar a minha boca ansiando aquele doce sabor, espalhou mais chocolate por todo meu corpo e voltou a repetir a sequência com a língua, sem voltar no entanto a adocicar a minha boca, Durante todo o processo me fez suspirar, surgindo consequentemente um sorriso no seu rosto.
-Terminou? - perguntei quando ela colocou a taça, já vazia, em cima da mesa de cabeceira e saindo de cima de mim.

sábado, 24 de maio de 2014

Capitulo 34 (parte I)

Buenas noches!
Bem, muito tempo depois, aqui está mais um capitulo! Não é muito grande, mas foi o que consegui! Espero que gostem e quero os vossos comentários, por favor!
Besitos <3
Mónica

Visão Mónica

-Já sabe da novidade? ´perguntou´me o Rodrigo, iniciando o caminho para casa.
-Claro!
-Que bom, né?
-É, espero é que desta vez dê tudo certo! O Rú tem tido uma sorte!
-É, e a Filipa é bem legal!
-Bem não, é muito!
-Tá adorando ela!
-Eu gosto muito dela, ela é como...
-Uma melhor amiga? - arriscou, sem no entanto descuidar um tom ainda meio zelador. Estava obviamente preocupado com as minhas feridas.
-Sabes que parece mais que isso? Parece mais uma irmã, mas o sentimento é completamente diferente do que com a minha irmã
-Isso é bom, então!
-Suponho que sim! E eu acho que ela também gosta de mim!
-Ah você ainda tem dúvidas? Se ela não gostasse, e não tou falando de gostar só um pouquinho, ela não teria te contado esse segredo deles!
-Achas?
-Duvida?
-Pois, se calhar tens razão.
-Vamo fazer melhor? Liga pró Rúben e diz pra eles seguirem pra nossa casa! Vamo jantar todos juntos e aproveita e fala com ela essas coisas que você tá sentindo!
-Grande ideia, amor! Obrigada! - tirei o meu telemóvel e liguei para o Rúben. Sabia que ele estava a conduzir, tinha ido buscar a Filipa, mas ele tinha sempre o cuidado de colocar o telemóvel no kit de mãos livres.
-Olá, olá pequenina! - atendeu, num tom alegre.
-Olá Rú!
-Então, que me queres oh feia? Mais dois minutos e tinhamo-nos encontrado!
-O que quero de ti é simples, oh feio! Retomas o caminho e vais até casa do Rodrigo, e a Filipa também vem! Vamos jantar os quatro e pôr uns assuntos em dia, se é que me entendes oh desnaturado!
-Essa do desnaturado não percebi, mas está bem, vou seguir até casa do teu brasileirinho!
-E não te preocupes que o teu irmão raptou a Mariana cá de casa!
-Esse também é outro! Qualquer dia marca uma reuni]ao familiar para dizer que vou ser tio, de tantas vezes que rapta a rapariga!
-Ai, então ele que tenha cuidado, olha que aqui o maninho é galo de primeira!
-O puto que não reclame! Para além de ser tio, o pai da criança é de uma família muito boa!
-Nada convencido na parte que lhe toca, Senhor Rúben!
-Realista minha menina!
-Ah sim, chama´lhe isso vá! Mas pronto, falamos melhor em casa! Até já, Rú!
Áté já, pequenina!
-Ele é capaz de ter razão! - comentou o Rodrigo, assim que terminei a chamada.
-Em relação a quê?
-Ao Mauro e à minha irmã!
-Ai, não sejas parvinho, a tua irmã é responsável e sabe o que faz! E o Mauro, mesmo sendo irmão do Rúben, também é!
-Mesmo sendo irmão do Rúben? Você tá muito querida pra ele, hein!
-Ele sabe que tem uma artéria doida!
-Quê? - gargalhou.
-Basicamente, doidice abunda-lhe no sangue!
-Todo mundo é um pouco assim!
-Sim, ms o Rúben é... é o Rúben, pronto!
Chegamos a casa e depois de nos pormos mais confortáveis fomos os dois para a cozinha para adiantar o jantar. Quando o mesmo estava quase terminado fui pôr a mesa e pouco depois tocaram à campainha.
-Boas noites! - cumprimentou o Rúben, seguido da Filipa, quando o Rodrigo lhes abriu a porta.
-Oi! - cumprimentou-os o meu namorado.
-Então, a chata da tua namorada? - perguntou-lhe o Rúben, entrando na sala.
-Estou aqui, oh parvo! - respondi, surgindo junto deles. Ele abriu os braços e eu abracei-me a ele.

-Como é que estás coisa feia?
-Ai Rú, tantos nomes feios pá!
-São nomes fofinhos!
-Oh, fofura!
-Tonta! - riu, soltando o abraço. - Então e o jantar, já está pronto?
-Cê chega aqui e só quer saber do jantar, nem quer saber como a gente tá nem nada!
-Então mas convidaste-me para quê? Não foi para jantar? Então é normal eu querer saber do jantar! E olha, eu perguntei à tua namorada como é que estava, por isso quis saber sim!
-Pra mim deu um tchau assim que eu abri a porta! - brincou também o Rodrigo.
-Já estou farto de ti hoje! - Aqueles dois não sabiam iniciar conversas que não acabassem com estas picardias e brincadeiras!
-Tá, eu não vou falar o mesmo que assim o mau fica você! - riu o Rodrigo.
-Vá, vamos jantar! - anunciei, ao que todos se direcionaram para a mesa. O jantar decorreu com conversa fiada, mas aquando de levantar a mesa o Rodrigo puxou o assunto do Rúben e da Filipa.
-Então e porque é que eu ainda não vi vocês se beijando? - brincou.
-Olha, porque não tens de ver! Nós vemo-vos, e não é poucas vezes, mas isso é porque vocês não se contêm! Nós sabemos fazê´lo!
-Ah tá, mas era giro a gente ver!
-Mas isso não se pede, se tiveres de ver vês!
-Tá bom, pronto! - riram.
-Bem Filipa, vens ajudar-me lá dentro com a loiça?
-Sim, claro! - Seguimos para a cozinha, enquanto eles os dois ficaram na sala.
-Gostaste do jantar?
-Sim, obrigada!
-Sempre que quiseres podes vir cá! Quer dizer, a casa não é minha, mas pronto, o Rodrigo é da mesma opinião!
-Não é mas é quase! Porque é que não desistes da ideia de arranjar uma casa e ficas aqui com ele de uma vez? É que querendo ou não, vocês já fazem vida de quem vive junto, enquanto cá estás.
-Pois, é verdade, mas... Tenho medo que alguma coisa saia errada!
-Se tivesse de sair não achas que já tinha saído? Já estás aqui há um mês e pouco!
-Pois...
-Pensa sobre isso e vais ver que tenho razão! - Começamos a lavar a loiça em tom silencioso, mas quebrei o mesmo.
-Acho que estou um bocadinho nervosa, mas pronto, queria dizer-te uma coisa!
-Nervosa porquê? Diz!
-Só queria dizer-te que... a nossa amizade é muito importante para mim, e gosto muito de ti!
-Ohh, que querida! Eu sinto exatamente o mesmo! Para mim não és só mais uma amiga, és uma confidente, quase como uma irmã... Desculpa se parece exagerando, mas é o que sinto. És a irmã que nunca  tive! - O meu, enorme, sentimentalismo ergueu-se altíssimo e fez-me derramar duas lágrimas. Não de tristeza ou algo negativo, mas de felicidade, de conforto, de conexão quente que me enchia por completo o coração. Corria o risco de abrir e criar novas feridas? Durante toda a vida estamos sujeitos a tal feito, mas não tem de ser por receio, por medo que vamos afugentar cada pontinha de luz que nos surja no momento! Segundos de luz, amor, felicidade, valem muitíssimo mais do que uma vida de escuridão, solidão e tristeza, porque os segundos de luz deixam lembranças boas e vinculam a esperança, enquanto a escuridão trás apenas mais de si, fria e escura. Por isso, arriscaria novamente doar-me a uma amizade.
-Aii, só não te dou um abraço agora porque tenho as cheias de espuma! - disse-lhe, realmente com vontade de lhe dar um enorme abraço. Ela riu e dois pratos depois terminamos de a loiça. Depois de tudo limpo, finalmente fui dar-lhe o abraço.

-É assim tão emocionante ter-te dito que te adoro? - perguntou, inocentemente, porém com uma ponta de curiosidade.
-Mais ou menos... - desfizemos o abraço. - É muito importante saber, mas é que, mesmo sem eu querer, tocou-me porque também me lembrei do autêntico desastre em que fiquei depois de descobrir que uma amizade que eu considerava das mais importantes, para essa pessoa tinha simplesmente sido nada...
-Se quiseres conversar... - ofereceu. - Mas uma coisa te garanto, podemos não conhecer-nos assim há tanto tempo, mas juro que és mesmo importante para mim!
-Sinceramente, acho que não estou a cometer o mesmo erro, por isso... Estava a referir-me à minha ex melhor amiga, a ex namorada do Rúben... - E comecei a contar-lhe tudo o que alguma vez me relacionara à Andreia.
-Mas vocês fugiram e voltaram agora, ou ficaram mesmo este tempão todo aqui? - perguntou o Rúben, chegando à cozinha com o Rodrigo.
-Estamos aqui há tanto tempo assim? - perguntei.
-Vai quase fazer uma hora! - esclareceu-me o Rodrigo.
-Tanto tempo? - inquiriu a Filipa, tão surpresa como eu.
-A conversa estava boa, pelos vistos... - meteu-se o Rúben, num tom de ciúme-gozo.
-Rúzinho, ciumeira não. Primeiro, tu não és disso, e depois, a conversa não era sobre meninos, era sobre nós duas! - disse eu.
-Quem disse que estou com ciúmes? Eu sei que assunto mais interessante que eu não há, e depois, acredito que estivessem mesmo a falar de vocês, acho que havia uma conversa assim desse género pendente!
-Porquê? - tentei entender.
-Porque a Filipa falava imenso de vocês e de quão importante tu e a vossa amizade são!
-Ohh, que querida! - sorri, abraçando a Filipa fugazmente.
-Bem, não sou desmancha-prazeres, nem desmancha-climas nem nada dessas coisas, mas eu gostava de vos resgatar para junto de nós, lá dentro na sala, no quentinho! - disse o Rúben.
-Vamos lá, então! - Seguimos todos para a sala e enquanto eu me sentei encostada ao Rodrigo, envolta nos seus braços, o Rúben aconchegou a Filipa também nos seus braços. Troquei um breve olhar com o Rodrigo, que partilhava da mesma alegria que eu. Ver o Rúben assim, bem-disposto de novo, com o sorriso fácil de sempre, enorme, contagiante, ter o nosso Rú de volta, feliz, sabia tão, mas tão bem!
-Oh, agora a sério, vocês ficam tão queridos juntos! - não resisti a comentar. Ele gargalhou.
-Obrigado pequenina! - sorriu-me carinhosamente. - Aliás, obrigado aos dois! - disse, após segundos de um suspiro. - Obrigado por estarem sempre aqui, por me apoiarem quando estou bem e sobretudo quando estou mal, por me darem amor incondicional, mesmo que às vezes pareça que vem às pancadas!
-Ohh Rú, que querido! Isso foram os teus votos? Onde é que está o padre para nos casar a todos? - decidi brincar, caso contrário ele prosseguiria com a conversa e eu ia acabar por chorar.
-Vês, é por isso que és a minha maninha! Sangue diferente mas parvoíce igual! - gargalhou ele. - Mas a sério, obrigado mesmo!
-Rú eu estava a gozar para te impedir de continuar o discurso e me fazeres chorar, mas isso do padre para nos dar a benção eterna não é preciso, porque já nos juntamos, agora ninguém nos separa, percebes?
-Eh pá, Rodrigo, posso saltar para cima da tua namorada?!
-Podes o quê?! - gargalhei. Ele nem chegou a responder, quando dei conta já ele me abraçava com muita força.

-Amo-te minha pequenina! - disse-me enquanto suavizava um pouco mais a força do abraço.
-Oh, também te amo Rú! - retorqui num mesmo tom sentimentalista.
-Agora fala pra mim que me ama que também tou sentindo saudade! - brincou o Rodrigo, assim que desfizemos o abraço.
-Ai pronto, ciúmes do melhor amigo? - ri, indo agora abraçar o meu namorado. - Amo-te oh tonto! Até parece que precisas que to diga!
-De vez em quando fico carente! - brincou.
-Ai que o menino está carente! Também queres que te diga que te amo? - gozou o Rúben, juntando-se a nós muito rapidamente e abraçando-nos. - Amo-te puto, sabes que sim! - disse ao meu namorado. Depois soltou o abraço. - E pronto, antes que isto pareça demasiado gay, amor, anda cá se não quem se atira a mim é ele! - puxou a Filipa e abraçou-a.

Visão Rúben

-Descansa que cair em cima só da minha namorada, tá? - respondeu-me o Rodrigo.
-Ah, pronto, assim já fico mais descansado! Mas livra-te de contar a alguém o que aconteceu! - tornei a meter-me com ele. Ficávamos assim horas se fosse preciso, mas não nos cansávamos, porque para além do evidente, que era rir e fazer rir o tempo todo, parecendo que não, no fundo, estas pequenas coisas também nos aproximavam, e era algo que me deixava feliz.
-Tá com medo de alguma coisa, é? - riu ele.
-Eu não! - E foi aqui então que a risada voltou a ser geral. Acabamos por nos sentar novamente na sala, e enquanto eu, o Rodrigo e a Filipa nos concentramos na televisão, que sinceramente nem tinha nada de interessante, a Mónica estava focada no computador.
-Oh meu Deus... - ouvimos a Mónica suspirar num tom surpreso.
-Que é que foi amor? - perguntou logo o Rodrigo, estendendo o olhar para o computador que ela tinha no colo. E em vez de falar a sua cara denunciou que não soava a algo bom.
-Que caras são essas? É assim tão mau o que viram ai? - perguntei logo, pois a curiosidade claro que se abateu sobre mim.
-Agora também fiquei curiosa! - apoiou a minha namorada.
-Não sei se você vai querer ver Rúben...
-Porquê, é alguém a difamar-me? Não ligo a isso, já sabes!
-Não é isso, Rúben... - quase sussurrou a Mónica.
-Bem, vocês estão a assustar-me! O que é que é isso, afinal? - levantei-me e fui até junto deles para ver o que tanto os indignava. De facto, agradável não era de ver, mas não me afetava. No entanto, apesar de o sentimentalismo não ser afetado, uma réstia de desilusão assolou-me. Pensar na pessoa que um dia julguei a minha melhor amiga e confidente, e alguém a quem entreguei tudo de mim, alguém que me enchia de orgulho, e ver que agora parecia uma estranha conhecida, que enveredava por más escolhas e desintegrava a imagem decente que alguém tivesse dela. O que tanto especulara no ecrã do computador era uma noticia na imprensa, que dava a conhecer a nova namorada de um ator. Bem e esse ator era precisamente quem ela tanto mal disse, o ex melhor amigo da Mónica. Aquele que originou tanta confusão na vida da minha pequenina e do meu puto, aquele que de certa forma me fez ferir os sentimentos da Mónica. Para além de ridículo, deixava a desilusão.
-Estás bem Rú? - perguntou-me a Mónica.
-Claro que sim.
-Tem certeza Rúben? - preocupou-se o Rodrigo.
-Tenho. - A Filipa também olhou para mim, espectante. - Eu estou bem, a sério. Só me faz confusão como é que ela falou tanto mal dele e agora estão juntos.
-E diz aqui que antes ela andou a sair com o Michael... - acrescentou a Mónica
-Ainda pior. Se não tivesse acontecido nada acho que não acreditava que essa é a Andreia
-Mas já chega, né gente? Vamo deixar esse assunto! - disse rapidamente o Rodrigo, notando-lhe uma necessidade de zelo tanto por mim como pela namorada. Parecendo que não, o estado em que a Mónica tinha ficado depois da situação com a Andreia tinha despertado mais ainda o sentido de proteção que aquele rapaz por si já tinha.
-Não te preocupes puto, esse assunto não é bem vindo, por isso vamos lá fazer alguma coisa todos para nos divertirmos que é para isso que aqui estamos! - sugeri entusiasticamente. E era verdade. Estava feliz e apesar de não me arrepender do que vivi com a aquela rapariga que agora denominava desconhecida, queria apenas aproveitar a felicidade que finalmente me concederam e que esperava que durasse o mais tempo possível.
-É isso ai gente, vamo animar isso aqui!
-O que é que tens para fazermos? - perguntei ao Rodrigo.
-Isso é que tá mais complicado...
-Posso sugerir alguma coisa, ou estão a pensar em alguma coisa brilhante já? - perguntou a Mónica.
-Fala amor!
-Então, não sei se vão achar piada, mas acho que nos ia divertir, e é uma coisa diferente!
-Suspense? Diz logo! - pedi curioso.
-Conhecem o jogo dos sentidos?
-Uiii... - suspirei.
-Que jogo é esse? - perguntou o Rodrigo.
-Basicamente vendam-te e tens de tentar identificar o que te derem, através dos sentidos! - esclareceu-o rapidamente a Filipa.
-Também achas boa ideia? - perguntei-lhe.
-É giro, e é uma coisa diferente!
-Por mim acho que não tem problema! - concordou o Rodrigo.
-E é para nos divertirmos, não é? Então vamos lá a isso!
-Ótimo! Vocês podem ficar sentados que eu e a Filipa vamos preparar as coisas!
-Ai nós é que vamos ser vendados?!
-Claro Rú! - gargalhou a Mónica.

quinta-feira, 8 de maio de 2014

Capitulo 33 (parte IV)

Hola guapas!
Bem, aqui está mais um, novamente pouco extenso, mas aqui está ele! Fi-lo quase à velocidade da luz, principalmente porque devia um capitulo à minha melhor amiga, por isso, bf está aqui e teu por inteiro, ahah
Espero então que gostem e deixem os vossos comentários meninas!
Besitos <3
Mónica

(Visão Rodrigo)

Estacionei junto da Lisboa Ink e nos conduzi até à entrada do mesmo.

-Vais fazer mais uma? - perguntou.
-A surpresa é pra você, logo , você vai fazer!
-Vou? Oh meu Deus, tu...
-Aquela que você queria muito fazer, as iniciais do nome e do sobrenome da sus mãe.
-Ai amor... - falou, se notando emoção na sua voz, bem como uma neblína no seu olhar.
-Tudo por você, meu bem. E eu falei com o Cristian e foi tudo bem.
-Obrigada! - agradeceu, me dando um beijo, o que o Cristian assistiu.
-Então, vamos a isto? - perguntou ele pra ela.
-Sim - sorriu.
-Então vamos! - começou a conduzir a gente.
-Só uma pergunta, vai doer muito? - perguntou ela, meio melindrada.
-Onde é que queres? - Ela apontou a parte de trás do pescoço, junto da orelha esquerda. - Um bocadinho, mas o valente do namorado está aqui! - sorriu ele, antes de indicar a cadeira pra ela sentar.

Visão Filipa
O Rúben tinha dormido lá em casa, outra vez. Maus hábitos, mas sabia tão bem estar com ele. Dormir envolta do seu abraço caloroso, adormecer com um beijo e um sorriso de boa noite e acordar com o mesmo era tão bom.
-Então e o almoço? É melhor começarmos a fazer, não é? - sugeriu.
-Sim, às 14.00h tenho de estar no Estádio.
-Sim senhora! Então e o que é que vamos fazer?
-Sinceramente não sei, não tirei nada para descongelar.
-Hm... Então vamos almoçar fora!
-Ah, Rúben...
-O que é que tem?
-Sabes que...
-Nos vão ver? Que mal é que tem? Podes ser só uma amiga, o que para todos os efeitos é verdade!
-Mas vão começar a especular.
-Que comecem, só terão certezas se sair da minha boca!
-Ai Rúben, mas e...
-Ei! - disse chegando-se perto de mim e envolvendo o meu rosto com as mãos. - Está tudo na tua cabeça, lembras-te princesa? - relembrou carinhosamente, fixando por segundos o seu olhar no meu. E sem esperar, este gesto tão involuntário no entanto algo intenso, teve o surpreendente efeito de me acalmar.

-Está bem, tens razão, se quero mentalizar-me disso tenho de começar por algum lado!
-Vês? - sorriu, fazendo-me retribuir o gesto. - Vamos, então?
-Vamos.
Quando o Rúben estacionou junto do Estádio já só faltavam cinco minutos para as 14.00h. O almoço tinha corrido bem e ao contrário do que pensei, poucos foram os olhares indiscretos sobre nós.
-Vais contar à Mónica agora? - perguntou, referindo-se à questão de estarmos juntos, não apelidando o facto.
-Acho que sim, mas se calhar mais para o fim da tarde, o movimento é menor e estamos mais perto da hora de saida, por isso se for preciso depois conversamos melhor sobre o assunto.
-Está bem.
-E tu, quando é que vais contar ao Rodrigo?
-Antes do treino, depois do treino, ainda tenho de decidir.
-Está bem.
-Estás nervosa?
-Um bocadinho, mas só um bocadinho, eu sei que posso confiar na Mónica. E tu, estás nervoso?
-Acho que um bocadinho também, mas não é propriamente por ir contar ao Rodrigo, ele vai reagir super bem, de certeza, a questão é que, és tu.
-E o que é que tem ser eu? - inquiri, sem entender.
-Tu és especial. Tudo bem, todas as minhas namoradas foram especiais, e não estou a rotular-te como tal, mas tu és diferente, não sei. Acho que isto da épicidade desde o principio torna tudo muito mais especial.
-Posso não comentar? É que fiquei sem saber o que dizer. - Ele sorriu, rebuscando em seguida um beijo nos meus lábios. - Bem, tenho de ir, se não chego atrasada, mesmo estando aqui à porta.
-Está bem - acedeu, dando-me novamente um beijo.
-Até logo  - disse-lhe.
-Até logo  - retorquiu. - Olha - chamou-me, quando virei. cara para abrir a porta do carro. Assim que torneei a cara de novo para ele, voltou a saquear-me a boca em busca de mais um beijo.

Sorri, após terminado, mas não cheguei a virar-lhe costas, porque me roubou um novo beijo.
-Rúben! - ri, depois de findado o beijo. Ele sorriu, recorrendo mais uma vez à minha boca.
-Só mais um! - pediu, beijando-me mais umas três vezes seguidas de forma rápida.
-Pronto, vá, tenho de ir! - repliquei, conseguindo escapulir-me por fim para fora do carro.
-Boa sorte para a revelação - desejou, adicionando um toque de gozo, que ultrapassei, desejando-lhe boa sorte também.
-Deixa eu ver - ouvi o Rodrigo dizer, aproximando-se do pescoço da Mónica. Hoje tinha sido ela. chegar primeiro. - Tá doendo?
-Um bocadinho, mas é normal, não é?
-É, mas se precisar coloca gelo, tá?
-Sim, amor.
-Boa tarde! - cumprimentei, chegando à frente deles.
-Oi! - disse o Rodrigo.
-Olá! - retorquiu-me a Mónica com um sorriso.
-Então, magoaste-te? - inquiri-a.
-Não, é que o Rodrigo hoje levou-me a fazer uma tatuagem, e agora está a doer-me um bocadinho.
-Ai que giro, posso ver? - Ela acedeu e mostrou-me. Estava simples mas bonita. - Tem significado, não tem? - perguntei, notando que não tinha sido feita só porque sim.
-São as iniciais do primeiro e último nomes da minha mãe. Ela faleceu há quase 10 anos.
-Eu sei, o Rúben já me tinha dito... Está linda - sorri, enternuradamente.
-Obrigada - agradeceu com o mesmo sentimento apoderando-se do seu olhar.
-Não quero você triste, viu? - pediu-lhe o Rodrigo, abraçando-a em seguida.
-Sim amor! - sorriu-lhe ela, retribuindo o abraço.
-Então pronto, eu vou embora meu bem.
-Sim, vai amor, nós temos de ir trabalhar também.
-Tá bom, então logo  eu venho te pegar.
-Está bem - concordou ela, recebendo um beijo dele. - Até logo .
-Até logo  amor - disse-lhe, despedindo-se de mim com dois beijinhos e indo embora. - Bem e nós vamos despachar-nos porque daqui a nada já começa a chegar gente!
-Então e a noite ontem, não acabou só quando nos despedimos, pois não? - ri, metendo-me com ela. Faltava meia hora para sairmos.
-Claro que não! - riu também. - Nem sei dizer a que horas é que acabou exactamente, só sei que hoje de manhã adormeci, e como o Rodrigo decidiu não me acordar, faltei às aulas. Depois tenho de pedir os apontamentos à Mariana.
-Ui, deve ter sido forte, então - gargalhei.
-É sempre! Aquele homem tira-me tudo! - riu também.
-Promenores não!
-Óbvio que não! Agora parecias mesmo o Rúben! - Limitei-me a rir, tentando esconder o sentimento automáticamente ao ouvir o nome dele, porém detive-me. Ia contar-lhe e estavamos sozinhas, por isso não precisava esconder. - Por falar em Rúben, foi ele que te veio trazer?
-Foi, ele é o meu motorista até o meu carro estar pronto, não é... Mas eu acho que já está a demorar tempo demais para o meu carro estar pronto!
-Provavelmente ele pediu para demorarem mais para poder fazer o serviço de táxi gratuito e passar mais tempo contigo!
-Pronto, ok, tem de ser agora!
-O quê? Perdi-me!
-Tenho de contar-te uma coisa!
-E o Rúben está envolvido nisso!
-Sim! Os teus palpites e as tuas suposições estavam certos, nós estamos juntos!
-Porque é que demoraste tanto tempo a contar-me?
-Oh, nós combinamos deixar em segredo. Até porque não rotulámos, por assim dizer, nada. Estamos juntos, mas sem nomes no meio, entendes?
-Sim, claro que sim... - notei-a pensativa, mas decidi proseguir.
-O Rúben também vai falar com o Rodrigo, mas nós combinamos que vos iamos pedir para guardar segredo. Decidimos contar-vos porque são os dois mais próximos de nós, e eu já não aguentava que fizesses tantas suposições certeiras e não te dizer nada, e o Rúben disse que o Rodrigo também andava desconfiado de alguma coisa.
-Sim, podes ficar descansada que eu guardo segredo! Mas já agora podias contar-me como é que isso aconteceu! - pedinchou, sorrindo. Acabei por contar-lhe tudo, desde as primeiras conversas que me aproximaram do Rúben até à hora de almoço daquele dia. Não dispensei contar-lhe os promenores que não escapavam ao Rúben como incluí um pouco entusiasmada a maneira como estava a sentir-me em relação a tudo. Tinha completa confiança nela, e para além de saber super bem exteriorizar tudo, era entusiasmante fazê-lo com ela, porque ela demonstrava interesse, disponibilizava conselhos e apoio e era super divertida no meio disso tudo. A meu ver, para além do porto seguro que encontrara no Rúben, tinha descoberto um novo e importante pilar nela, e arriscava dizer que também no Rodrigo. Despachamo-nos para sair ainda entre conversa e mandei uma mensagem ao Rúben atempadamente para me vir buscar, esperando apenas uns dois minutos após ir com a Mónica até à saida, onde o Rodrigo já a esperava, e aproveitou para me felicitar com um sorriso generoso.

segunda-feira, 5 de maio de 2014

Capitulo 33 (parte III)

Buenas noches guapas!
Com a regularidade escassa de sempre, aqui está mais um capitulo! Acho que não está tão extenso quanto o habitual no entanto espero que gostem na mesma!
Bf (Filipa Gonçalves) desculpa não satisfazer as tuas necessidades por completo, mas pelo menos parte estão aqui! Te quiero <3
E pronto, fico à espera dos vossos comentários meninas!
Besitos <3
Mónica

Visão Mónica

-Agora a gente - disse o Rodrigo, abraçando-me após terminarmos as despedidas da noite. Sorri.
-Ainda há mais?
-Claro que há! Ou pensou que eu organizava essa festa com todo mundo e depois não fazia nada só pra nós dois?
-Não...
-Então pronto, vamo subir nesse carro e seguir pró nosso destino! - indicou, soltando-me.
Fomos para Lisboa. Para um hotel, de nome America Diamond's Hotel. Apenas o facto de irmos para um hotel me deixava deslumbrada, mais fiquei quando descobri que iamos ficar numa suite!

-Podias cansar-te um bocadinho de gastar dinheiro comigo, amor - disse-lhe, não evitando sorrir, enquanto esperavamos pelo elevador, num dos corredores pouco movimentados àquela hora.
-Se eu não canso de você nunca também não vou cansar de mimar você, meu bem!
-Mas tu gastas ordenados comigo, amor! - repliquei ainda sorrindo, quando entrámos no elevador vazio. Ele premiu o botão que nos levaria ao 8° andar, o último.
-Vendo bem, eu gasto com a gente os dois, amor, mas mesmo que fosse só com você, não seria nada comparado com tudo de bom que você me dá, começando com esse sorriso lindo que você tem sempre no rosto! - sorriu, acercando-se de mim e envolvendo-me num abraço bom melhorado com um beijo lento e doce. Senti um arrepio quente em todo o corpo, antecipando-me para o calor que me encheria o corpo por dentro e por fora, colhendo no fim o paraíso pessoal e interior. Assim que ele abriu a porta da suite, dando-me passagem primeiro, não escondi o encanto. Soube que ficariamos numa suite, mas nem perderá tempo depois a pensar sobre isso. Fechada a porta e com ele ao meu lado sentia-me a dona de algo, o que juntando com a sensação genuina de ter a sorte de estar ali com ele, me faziam sentir estranhamente poderosa, ainda que pela decoração do local e o sentimento de paixão que me embalada, me fizesse senti-lo de uma forma doce.
-Gostou? - perguntou-me ele, chegando atrás de mim e envolvendo-me com os seus braços.
-Se perguntasses se amei tinha sido mais certeiro! Eu amei! - sorriu.
-Ainda bem, meu amor! - Deu-me um beijo e depois de despir o casaco e colocá-lo sobre uma cadeira dirigiu-se a um dos movéis da sala e retirou de uma gaveta uma caixa de fósforos, velas e incenso. Entretanto eu sentei-me na cama. O quarto era simples, mas era lindo, e sentia-lhe uma energía tão boa que me fazia sentir tão confortável e calma. Enquanto eu permanecí a admirar todo o eu campo de visão ele foi acendendo as velas e colocando-as de ambos os lados da cama, no chão, colocando o incenso em cima de uma das mesas de cabeceira. Enquanto ele dispunha as velas no chão, agachado, mantive-me concentrada nele, nos seus movimentos, nos seus traços. Quem quer que me peça alguma vez para descrever o que sinto por ele vai ficar sem uma resposta pouco elaborada, porque de tão profundo que é o que sinto não consigo ir ao fim e trazer tudo à tona com meras palavras. Após terminar a tarefa do primeiro lado da cama olhou para mim e sorriu, constatando a minha atenção a observá-lo.
-Gostando de me ver mais em baixo?
-Eu gosto de te ver de qualquer maneira!
-Bom, porque hoje vai ter de tudo!
-Ai, o que é que queres dizer com isso?
-Que vai ter de tudo hoje!
-É essa a parte que não percebo!
-É essa a parte que é surpresa!
-Jura? - ironizei.
-Juro! - riu, ao que acabei por gargalhar também.
-Então mas é muita coisa?
-Eu não conto quantidade mas sim qualidade, meu amor!
-Ah, então e a qualidade vai ser boa?
-Você que vai avaliar depois!
-Ai pá, tu não te descais?
-Não quê?
-Nada amor, esquece! - ri. Ele terminou a disposição das velas do outro lado.
-Esqueci! - disse, apagando as luzes que estavam acesas. - Fica bem ai onde você tá! - pediu, pegando no telemóvel e colocando música a tocar, que reconheci logo a primeira. Paulo Mac - Até a noite acabar. Se a música já me era sujestiva, o que se seguiu aumentou ainda mais a sujestividade. Depois de me dar um beijo, afastou-se e iniciou uma espécie de dança, desfazendo-se lentamente de cada peça de roupa, uma por uma. Se o sentimento inicial fora a surpresa e alguma expectativa, predominava agora o desejo e certa presunção, porque sendo sincera, não imaginava que um momento destes emanace tão bem em cada movimento dele. Talvez me fosse um pouco estranho por nunca ter assistido a tal episódio com ele, mas dos movimentos seguros, sem qualquer vergonha ou embaraço por estar a realizar passos insinuosos de dança enquanto a cada movimento descobria mais o corpo para mim, até ao olhar, sempre concentrado e fixo em mim. Se não fosse mínimamente audivel a minha rarefação na respiração ele tê-la-ia percebido na mesma. Descompassara-me o fôlego e subira-me o desejo, pior ainda sendo a primeira vez a assistir a algo assim. Os meus batimentos pareceram acelerar ainda mais quando ele veio até junto de mim, ornamentando apenas uns dos seus boxers pretos, que lhe ficavam bem como tudo!
-Ai Rodrigo, podes parar de me seduzir desta maneira? Se não daqui a nada tenho de ir lá para fora! - Ele riu, aproximando seguidamente rápido o seu rosto do meu., dando-me um beijo carregado. Ele ainda conseguia fazer pior, pronto! Pouco depois senti as suas mãos tocarem-me, começando por me abrir o fecho do vestido, seguindo depois por baixá-lo, com a sensualidade suficiente para dar continuidade ao espetáculo, agora em mim, ou aos dois, ou o que raio se quisesse dizer, mas que sabia tremendamente bem. Após ver-me livre do vestido precipitei-me para descalçar os sapatos de salto que tinha calçados, mas ele pousou a mão sobre a minha, no meu tornozelo.
-Não tira os sapatos - pediu, soando ao mesmo tempo uma espécie de ordem, fazendo com que fosse impossivel não conceder tal pedido. Afastei a mão do tornozelo, demonstrando a concepçãp do pedido, sem desviar o olhar do seu, penetrante e abrasador. Ele sorriu-me, sorriso que não chegou a grande, mas não chegou a tão pequeno que fosse tímido. Um sorriso sedutor. Como tudo o que procedera desde que estavamos ali dentro. Após a minha concordância ele tornou a subir a mão, deslizando-a demorada e deliciosamente pela minha perna, pelo meu tronco, parando no meu pescoço, para me beijar seguidamente, da mesma forma dominadora. Se continuasse neste ritmo acabaria comigo rapidamente. Deslizei sobre o colchão, deitando-me e levando o Rodrigo comigo, que se encaixou, de encosto perfeito no meu corpo, enquanto deslizava intensamente as mãos por todo o meu corpo. Para além do fogo consumidor que a junção dos nossos corpos me causava, tirei partido da sensação enebriante de percorrer o seu corpo também com as minhas mãos. Era impressionante como mesmo após tantas vezes a revolver na cama e não só com aquele homem eu continuava a sentir espasmos de prazer a cada vez que voltamos a juntar-nos. A sensação de possessão era esmagadora e de cada toque seu afloravam-se-me arrepios por toda a parte. Iria alguma vez deixar de ser assim? Após alguns momentos de envolvência entre lábios, linguas e respirações já aceleradas, ele deixou a minha boca para descer o toque quente e húmido, causador de arrepios e aceleramentos cardiacos, dos seus lábios para o meu pescoço. Pequenos silvos de prazer exalavam da minha boca denunciando a sensação de prazer e agrado com os seus lábios a percorrerem o meu pescoço e o colo do peito, enquanto uma mão pousava na minha nuca, deixando pequenas festas, a outra circulava da minha coxa, subindo pelo meu tronco, dando pequenos toques nas minhas costas, o que gerava mais arrepios, voltando a inverter o caminho. Até ao momento que tinhamos alguma peça de roupa no corpo consegui conter-me, porém, quando a nudez, meramente interrompida pelo facto de continuar com os meus sapatos calçados, não contive mais nada. Deixei-me levar, como sempre, pela experiência que adquirira já de todas as formas possiveis de fazer-me estremecer de prazer. E nem depois de consumado o fogo deixei de sentir a réstea de desejo que me acompanhava durante todo o dia pelo homem que amava. Depois de permanecermos alguns minutos a estabilizar a respiração, ele levantou-se e foi à casa de banho, mas demorou mais do que o habitual.
-Amor, estás bem? - perguntei-lhe do quarto, sentando-me na cama.
-Tudo óptimo amor! - respondeu, chegando ao quarto e parando ao meu lado. A nudez acentava-lhe gloriosamente, e agora já não sentia aquele pouquinho de vergonha de vê-lo assim, ou que me visse do mesmo jeito.
-O que é que se passou para demorares tanto tempo amor?
-Vai já ver! - disse, estendendo-me a mão.
-O quê? - insisti curiosamente.
-Vem - pediu, ao que segurei a sua mão e me levantei da cama, indo com ele até à casa de banho. E mais uma surpresa. Meu Deus, a suite não era o bastante, precisava de hidromassgens e champanhe.
-Amor eu só faço anos, não é um evento nacional!
-Pra mim você é o melhor do nacional, do internacional e dos dois juntos! Eu te amo e o melhor que eu puder dar pra você acredita que não é o que eu penso que é o melhor, porque você merece sempre mais!
-Ai amor, o que é que te deu hoje? Estás super querido e extremamente sedutor, assim não dá!
-Uma parte já deu, vai falar que não aguenta a outra?
-Pronto, está bem, claro que sim!
-Bem que parecia! - sorriu, dando-me um beijo. Depois deu-me passagem primeiramente para a banheira, com um gesto cortês. Descançei, finalmente, os sapatos e entrei naquela água quente sabotada agradavelmente com pétalas de rosa. Ele seguiu-me o gesto e mergulhou também para o calor tranquilizante da água, fazendo-me encostar ao seu peito, no entanto, antes de me descansar em tal posição, mergulhei completamente para molhar o cabelo, que se escorreu ao longo das minhas costas. Os seus olhos envolveram-me um pouco acima da cintura.
-Desejo satisfeito? - perguntei de olhos fechados.
-De você nunca.
-Mas em relação aos sapatos?
-Ah, isso...
-Satisfeito?
-Sim - sorriu.
-E contares-me sobre isso para irmos experimentando?
-Eu conto, mas o próximo será seu.
-Combinado!
-Já sabe qual vai ser?
-Possivelmente.
-Me conta?
-O problema é a pedalada que não sei se tenho agora.
-Me conta na mesma!
-Vais entusiasmar-te e não sei se vamos fazê-lo.
-Pode falar, por favor?
-Antes de sairmos daqui, o que não vai ser agora porque estou aqui bem e preciso de recarregar um bocadinho.
-Tá bom, vou fazer o mesmo - concordou, movendo-se um pouco para servir duas taças de champanhe e entregar-me uma delas. O contraste do quente da água e o frio do champanhe que estava no gelo revitalizava-me o interior. O silêncio absorveu o espaço abrangente, entrecortado apenas pelas nossas respirações. Enquanto absorviamos a calma do espaço ele brindava-me com um cafuné bom, enquanto, pelo que me parecia, começara a trotear num sussurro alguma música.
-Estás a preparar mais uma demonstração de algum talento escondido? - perguntei, metendo-me com ele.
-Não, só colaborando com a repetição da música que ficou tocando no quarto, no meu telefone - sorriu.
-Não sabia que também já ouvias Paulo Mac.
-Só costumava ouvir quando você ouvia e eu tava junto, mas agora comecei gostando mais e ouvindo.
-Então e não queres exteriorizar essa colaboracão com a música? - desafiei. - Estou curiosa! - ri. Ele sorriu, mas acedeu ao meu pedido. Obviamente que haviam falhas e desafinos, mas ele nem cantava mal e soou-me melhor pois ele cantou para mim, carregando o ar com maior intensidade de emoção. Quando ele parou de cantar, não chegando a metade da música, beijei-o. Se não o fizesse, apostava que acabaria por ficar ainda mais sentimental, o que poderia originar um choro de felicidade, e embora fosse de contentamento não queria que surgissem lágrimas esta noite. - Vamos sair? - sugeri.
-Vamo - concordou. Saimos da banheira e cobrimo-nos com os roupões que estavam na casa de banho, seguindo de regresso ao quarto. - Já vai me falar o seu desejo?
-Estás assim tão curioso? - ri.
-Até tou, e eu quero ajudar você a concretizar. - Ri novamente.
-No carro - revelei rapidamente.
-Quê? - Não sei se não percebeu mesmo ou se fez de propósito, mas repeti.
-No carro. - Ele aproximou-se de mim, ficando bem à minha frente.
-Algum em especial? - perguntou, aproximando mais o seu rosto do meu.
-O teu - respondi prontamente, erguendo o rosto para ele. Senti-o inalar profundamente.
-Se tivesse perto da gente eu te concretizava já - disse, num tom sedutoramente pesaroso.
-Fica para a próxima.
-Pena.
-Acontece - não consegui esconder um esgar de um sorriso, enquanto permaneciamos próximos e de olhares fixos.
-Mas a gente tem uma cama - propôs, sorrindo.
-Outra vez a cama? - brinquei, desafiando-o secretamente.
-Prefere o chão dessa vez? - perguntou sem hesitar, determinado.
-O sofá era melhor.
-Qual deles?
-O da janela.
-Tá com sorte que a gente tá no último andar e não há gente pra ver - disse, encostando-me finalmente a si com um puxão pela cintura contra o seu corpo.
-E tu estás com sorte que não te resisto, mas olha que qualquer dia declaro invalidez e a culpa é tua. - Ele riu.
-Se for preciso eu te sustento toda a vida.
-Não vou declarar invalidez!
-Você acabou de...
-Mudei de ideias! Aliás, era só uma ideia!
-Você e sua aversão por eu pagar o que quiser pra você!
-Preciso sentir-me útil e parte disso é um emprego!
-Tá bom, por agora não vou contrariar mais você!
-Finalmente! - exclamei, levando-nos a rir aos dois. Depois disso, beijo daqui, toque dali e lá fomos parar ao sofá da janela.

Visão Rodrigo

No meu ponto de vista, a noite tinha sido perfeita. Esperava que do dela também, porque era esse o objectivo. Me estreei, se for o termo certo, em shows particulares. Enquanto acendia as velas me sentia um pouquinho nervoso, mas chegada a hora os nervos sumiram e correu muito bem, tendo um resultado mais que bom, pois, mesmo sem querer, mas, a meu pedido, acabamos por satisfazer um desejo meu. E depois que a gente conversou acerca do assunto me senti ainda mais incitado a continuarmos com a concretização dos mesmos, de nós dois. Se não fosse com ela, duvido que tivesse tido coragem de pedir que tal sucedesse. Com a Carolina ela parecia demasiado prepotente, o que me fazia nem pensar nas minhas vontades e desejos, e as outras poucas raparigas com quem havia ficado e dormido eram diferentes. Eu gostava delas, mas não tão forte assim. Mas a Mónica era diferente. Eu digo isso um montão de vezes, mas se eu conseguisse explicar tudo o que sinto por ela, não precisava falar tantas. Para além de que ela é a minha pequenininha, pra mim ela é linda e perfeita, e ultimamente, a ousadia dela sobrelevava a sensualidade dela, o que me transmitia segurança nesse campo.
Quando acordei ela ainda tava dormindo. E como eu não cansava de olhar pra ela, fiquei observando a calma do seu sono e meio que sonhando na minha cabeça. Percebi que ela já tava atrasada prá Faculdade, mas não a despertei. Se ela faltasse hoje por certo não haveria problema. Acabei pegando no sono e quando despertei eram 10.40h. Tava precisando de um banho, mas não queria fazer isso sem ela, por isso liguei no serviço de quartos e pedi um miminho pra depois acordar ela. Vesti o roupão tapando o corpo pra ir atender o pedido que tinha feito e cheguei no quarto com o mesmo quando ela começava despertando.
-Bom dia meu amor! - cumprimentei, pousando o tabuleiro de morangos com três escolhas acompanhando, açucar, chantilli e chocolate, e me deitei ao seu lado, a envolvendo com um braço e lhe dando um beijo no pescoço.
-Bom dia amor - sorriu.
-Dormiu bem?
-Claro que sim - sorriu. Depois foi ver as horas. - Rodrigo, eu estou mais que atrasada para a Faculdade! - se sobressaltou.
-Amor, se você faltar hoje não tem problema de certeza, e a Mariana te passa os apontamentos que você precisar.
-Tens razão, e olha, agora também já não valia muito a pena ir...
-Então pronto, não vai, fica comigo!
-Fico! - sorriu, me dando um beijo e me abraçando.
-Bom, eu esperei por você pra tomar um banho e entretanto pedi isso - mostrei o tabuleiro. - Qual vai ser primeiro?
-Isto, estou esganada de fome!
-E a culpa é minha? - falei, sorrindo, já sabendo a resposta.
-Toda tua! Daqui - mencionou, passando a mão no meu cabelo - até aos pés! - riu.
-Não fala muito se não eu te culpo também! - sorri, roubando um beijo dela.
-Deves ter muito por que me culpar! Eu sou pequenina!
-Pequenina de trabalho duplo, ôh garotinha!
-Não me culpes que não tenho culpa que me tenham feito assim!
-Eu te amo do jeito que você é, mas também saio cansado disso, né?
-Ai, tá, mas agora vamos a isso para irmos tomar banho! - falou, referindo o conteúdo do tabuleiro.
-Vamo!
Já tavamos nos dirigindo pró meu carro, depois do check-out, quando anunciei a surpresa que ainda tinha pra ela.
-Antes de a gente ir pra casa vamos fazer uma visita noutro sitio!
-Que sitio?
-Surpresa! Aliás, a surpresa que deixou você sozinha no dia do jogo!

segunda-feira, 14 de abril de 2014

Capitulo 33 (parte II)

Boa noite meninas!
Deixo-vos aqui, finalmente, um novo capitulo! Espero que gostem e deixem os vossos comentários!
Besitos <3
Mónica

Visão Rúben

Todos os medos e dúvidas da Filipa faziam sentido, porém, eu sentia que nenhuma das dúvidas ou medos se concretizariam. Eu pareço meio parvo, porque a última vez que senti que seria real e especial, terminara à poucas horas com uma traição. E apesar do fim desmerecido por minha parte, eu sei que enquanto estivemos bem foi verdadeiro, apesar de não tão forte como eu pensava. Mas a Filipa... Sei lá, a Filipa foi épico, é épico, ela é diferente. E a minha intenção ou propósito não é, de todo, fazer comparações, mas ela é o oposto da Andreia. Quando conheci a Andreia ela era fria, e foi durante muito tempo, mas a Filipa foi de uma doçura e simpatia incríveis, logo após aquele encontrão. As duas têm medis do passado, e agora com toda a certeza prefiro o épico ao curandeiro. Isto é, não me arrependo de nada que fiz para conquistar a Andreia, mas sem sofrer, apaixonar-me está a soar-me ainda melhor. Acabei por pernoitar na casa da Filipa e senti-me pacificamente feliz ao adormecer abraçado a ela. Depois de despertarmos, na manhã seguinte, mantivemo-nos ocupados, principalmente a desfrutar da companhia um do outro. Acabei por me perder nas horas e saí de casa dela apressado para passar em minha casa e ir buscar o que precisava para seguir para o treino, o primeiro dos que teríamos hoje, à conta do jogo de hoje. Cheguei uns dois minutos atrasado, por sorte, e ainda vi a minha pequenina, antes de correr na direcção que os rapazes haviam seguido. O treino correu bem e consegui dar uma desculpa ao Mister que ele acreditou, ou se não acreditou fingiu fazê-lo, por ter faltado ao treino da tarde anterior. Seguimos para almoçar animados.
-Para além do bom treino tá com cara de felicidade! O que é que aconteceu? - perguntou-me o Rodrigo, sentando-se ao meu lado.
-Acordei bem-disposto!
-Tá, e acordou bem-disposto assim porquê? - insistiu.
-Oh, sei lá, acordei assim! E ainda bem, porque temos jogo!
-Hm-hm - murmurou, não-convencido.
-Podemos parar com esta conversa, por favor?
-Tá querendo me esconder alguma coisa, mas tá bom - Dei inicio a uma conversa banal, que ele acabou por aceitar e continuar.
-A Mónica ficou com as meninas, tava se sentindo sozinha de manhã.
-A sentir-se sozinha contigo ao lado?
-Não, eu saí um pouquinho e a Mariana foi ter com o seu irmão.
-Ah, então pronto, fez bem, assim não fica sozinha, e as meninas são simpáticas e divertidas!
-É, e ela ia chamar a Filipa pra vir também, já que elas e a minha irmã vão ver o jogo no Estádio.
-A Filipa?
-Sim.
-Ah, está bem - contive um sorriso a custo. Tentei depois evitar assuntos que relacionassem as meninas para não ter de evitar sorrir assim que tocássemos no nome da Filipa.

A pouco tempo de termos de nos reunir para a palestra do Mister, após o treino antecedente ao jogo, eu e o Rodrigo, assim como o resto do plantel, fomos até aos camarotes para ir ter com as meninas. Não evitei sorrir ao ver a Filipa, enquanto me dirigia com o Rodrigo ao seu encontro e da Mónica. Enquanto o Rodrigo se foi agarrar à Mónica e ficaram entretidos aos sorrisinhos e abraços, eu e a Filipa mantivemo-nos alguns segundos apenas a sorrir um para o outro. Parecia tudo tão genuíno, tão verdadeiro. O ar parecia-me mais leve, era mais fácil respirar, era impossível não sorrir. Sentia-me feliz, mesmo com o secretismo, feliz como parecia que nunca tinha estado.
-Olá - acabei por dizer, sem desfazer o sorriso, diminuindo apenas a sua expansão, pois se não me moderasse, o que queríamos esconder, por ora, seria obviamente claro para todos.
-Olá - respondeu, exercendo o mesmo esforço que eu para controlar o sorriso. Até agora, podia dizer que já tínhamos alguma intimidade, dado o que já havíamos partilhado um com o outro nos piores momentos que passáramos recentemente, mais eu que ela, mas que a haviam levado a partilhar coisas comigo. Mas neste momento sentia que já nos ligava alguma cumplicidade. Se cada palavra que havíamos dito com o coração, principalmente na noite anterior, nos restituísse os pontos essenciais para uma boa amizade, evolutiva depois conforme os passos que quiséssemos dar, diria que já estaríamos a meio caminho.
-Vais ficar para ver o jogo? - perguntei aleatoriamente, sabendo já a resposta.
-Não tenho nada melhor para fazer - o dialogo não parecia estar a surgir, mais devido ao facto de termos de nos conter de modos diferentes, porque garanto que o que me apetecia neste momento era abraçá-la, receber um beijo de boa sorte e ficar a conversar como na noite anterior até ter de ir para campo.
-Então mano! - sobressaltei-me um pouco quando o meu irmão surgiu atrás de mim, colocando um braço por ima dos meu ombros, acompanhado pela Mariana.
-Então! - respondi, tentando tirar o mais de inconveniência que se me atravessasse no tom de voz.
-Pronto para o jogo? E olá Filipa! - sorriu, cumprimentando a Filipa, ao que ela pareceu apenas habilitada a responder com um sorriso.
-Sempre! - respondi.
-Assim é que é maninho! Mas boa sorte de qualquer maneira!
-Obrigado!
-Oi gente, oi maninnha! - disse o Rodrigo, surgindo com a Mónica ao pé de nós. - Rúben tá na hora de a gente ir!
-Está bem! - cheguei-me junto da Filipa e dei-lhe dois beijinhos. - Se marcar, é para ti - disse-lhe entre a despedida, de forma discreta.
-Boa sorte - sorriu. Depois de me despedir dos outros segui com o Rodrigo, olhando uma última vez para aquela que inspiraria a minha noite.
Ganhámos por 3-0. Não marquei, mas dei mais que o meu melhor.
-Inspiradão você, hein Rúben? - comentou o Rodrigo, quando já íamos a sair dos balneários, dirigindo-nos às garagens, ond as meninas nos esperavam.
-Olha que fala, também!
-Desviando assunto de novo? - percebeu, sorrindo.
-Não é desviar assunto, é constatar factos! - tentei novamente.
-Tá, vou fingir acreditar!
-É isso! Então e olha, a tua pequenina está quase a fazer anos! - mudei definitivamente o assunto, sabendo que o prenderia neste.
-Tá mesmo!  - sorriu, não escondendo o carinho. Se havia algo que me fazia sorrir também era a forma tão evidenciada como eles demonstravam, muitas vezes sem perceberem, o quanto gostavam um do outro.
-Então e vais fazer-lhe alguma coisa? Se precisares de ajuda a organizar alguma coisa ou assim conta comigo!
-Vou fazer com certeza, mas vou ter que pensar ainda, eu já preparei uma surpresa pra ela, mas não é nenhuma festa, é mais uma prenda.
-Está bem, mas então precisas de ideias, preferes pensar sozinho?
-Pode ajudar, claro! Aliás, eu queria a sua ajuda e da minha irmã. E vou pedir ajuda à Filipa pra entreter ela prá gente se reunir e pensar alguma coisa.
-Boa! E quando é que vai ser?
-Ainda não sei, mas depois a gente vê que eles já tão ali esperando a gente! - respondeu, quando estavamos já perto dos nossos carros.
-Vamos festejar pessoal? - perguntou o meu irmão, assim que os alcansámos.
-Eu não quero ser desmancha prazeres, mas eu não estou com vontade de andar a dormir na Faculdade nem no trabalho - disse a Mónica, sorrindo e trocando um olhar cúmplice com o Rodrigo, que retorquiu com um sorriso igual.
-Pois, eu também não vou, amanhã é dia de trabalho - disse a Filipa.
-Nem olha pra mim que eu não vou deixar a minha menina! - disse logo o Rodrigo.
-Ai, não podes deixar a menina hoje? - perguntou o meu irmão.
-Poder eu posso, mas não tou querendo! - respondeu o Rodrigo, abraçando a Mónica.

-Que mel, pá! - resmoneou o Mauro.
-Dá pra você calar a boca, ou não vê que eles tao apaixonados? É normal! - retorquiu logo  a Mariana com um sorriso.
-Apaixonado também eu estou mas não estou incapacitado para te deixar de vez em quando!
-Mauro, cala a boca, só isso, tá?
-Pronto! Então e tu, não vais falhar, não é maninho? - virou-se para mim.
-Vocês estão uns cortes, hoje!
-Quer ir jogar os 90 minutos como a gente fez, juntar os treinos e ir festejar? - perguntou o Rodrigo.
-Mas nós ganhámos!
-Mas nós estamos cansados! - repliquei.
-Pronto, já percebi! Amor, vens comigo? - perguntou à Mariana.
-Vou!
-Ah, alguém que não me deixa festejar sozinho!
-Alguém que não tá cansada como eles! Mas mesmo assim não vai ser até muito tarde que amanhã eu também tenho a Faculdade!
-Está bem! Bem, então nós vamos campeões!
-Bom festejo! - brinquei.
-Vai ser melhor que ficar em casa! - rimos.
-Ah, esperem! É só para vos avisar que se precisarem de me ligar não o façam, fiquei sem telemóvel!
-Então? - perguntou o Mauro.
-Caiu e foi-se! Mas amanhã vou comprar um novo, não te preocupes que não ficas muito tempo sem me chatear à distância! - ri. Acabámos por nos despedir de vez e eles foram embora.
-Bom gente, a gente vai embora também! - informou o Rodrigo. - Precisa de boleia, Filpa?
-Deixa estar que o motorista está cá! - intervim.
-Tá bom! Então até amanhã!
-Até amanhã!

-O telemóvel caiu depois de o teres mandado contra a parede! - disse a Filipa após entrarmos no meu carro.
-Ninguém precisa de saber!
-Vais contar-lhes que tu e a Andreia acabaram?
-Vou, mas por agora ainda não.
-Está bem.
-Amanhã vens comigo comprar o telemóvel novo?
-Se acordares de manhã sim, porque eu entro às 14.00h.
-Se não acordar sozinho acordas-me tu.
-Pernoitar na minha casa outra vez?
-Sinto-me sozinho na minha, e durmo bem ao teu lado.
-Bela desculpa, mas aceito.
-Compenso quando lá chgarmos - sorri, prometendo então os beijos reprimidos em todas as ocasiões que nos cruzaramos.

Visão Rodrigo
Durante a semana que tinha passado a Filipa nos ajudou a distrair a Mónica enquanto eu, o Rúben e a minha irmã discutiamos ideias pra fazer uma surpresa prá minha namorada. Ela era muito apegada na familia então pensei em algo que os envolvesse, mas não foi possivel reunir todos, por isso apenas os primos e uma das tias participariam. Fui percebendo também que ela tava se dando bem com as meninas, inclusive com a nova namorada do Nico, que a gente acabou descobrindo que elas já se conheciam, por isso decidimos alugar um salão em Cascais pra juntar todo mundo. Acertamos todos os pormenores no dia anterior, o dia que seguiu nosso empate com o Nacional, na Madeira, por 2-2.
Na manhã do aniversário dela acordei mais cedo, tendo o cuidado de sair da cama sem despertar ela, e fui preparar o café da manhã prá gente, pra levar no quarto.

Comecei despertando ela com beijos na cara e no pescoço.

-Feliz aniversário meu amor - desejei, sorrindo junto do seu rosto, que logo  se abriu num sorriso enorme, após abrir os olhos e se espreguiçar.
-Obrigada amor - agradeceu, me dando um beijo.
-Tá com fome?
-Sim.
-Que bom, trouxe seu café da manhã!
-Obrigada amor! - sorriu, se sentando e liberando espaço pra eu sentar do seu lado e comer com ela, porém o que a gente desejava que prolongasse pra umas horas de mimo na cama teve de originar um duche rápido pra eu levar ela na Faculdade, onde eu também fui buscar ela na hora de almoço, pois ela tinha pedido folga pró dia e a gente ia almoçar junto. O Mister ia dar folga prá gente no dia seguinte, por isso ela foi assistir ao meu treino, às 17.00h e depois seguimos pra casa, onde eu falei que a gente ia jantar fora também.
-Estás a estragar-me! - reclamou, enquanto a gente se vestia.
-É seu dia, você merece!
-Mas é demais amor!
-É de menos até, meu bem! E pode ficar estragada o quanto for, eu que vou tar do seu lado, por isso não vou ter problemas em lidar com isso!
-Tonto.
-Eu te amo - disse, chegando perto dela e tirando um beijo.
-Eu também te amo! - sorriu.
-Tá pronta?
-Quase!
-Então termina prá gente ir! - Pouco depois saí com ela deslumbrante do meu lado pra um jantar tão menos íntimo do que ela esperava.

Visão Filipa

Como o Rodrigo me tinha pedido, entreti a Mónica enquanto ele, o Rúben e a Mariana planeavam como é que iam fazer uma festa para ela, que fazia anos no dia 12, tarefa na qual fui bem sucedida e penso que ela não desconfiou ou achou estranho pedir-lhe para passar algum tempo apenas comigo. Julgo que tal também se deveu ao facto de a cada dia estarmos mais próximas. Desde que nos conheceramos a simpatia fora imperial, e com a convivência, quer nas horas de trabalho quer fora delas, as coisas fluiam de uma forma tão simples que me sentia tão confortável a conversar com ela, como se estivesse predestinado conhecermo-nos e criarmos uma amizade que desejavamos guardar para a vida. Era assim que me sentia em relação à nossa amizade. Também havia passado uma semana desde que eu e o Rúben começaramos a... o que quer que fosse que tinhamos. Como lhe tinha dito, não me sentia preparada para iniciar algo, se bem que começava a tentar mentalizar-me que era apenas uma ideia da minha cabeça, mas a disponibilidade do Rúben em não rotular nada, em não termos de seguir a normalidade, por assim dizer, de um relacionamento, o facto de ter sido o primeiro a apelar para o secretismo, se me sentisse bem e assim o quisesse, deixava-me mais confortável com a situação. Contudo, estava a tornar-se um bocadinho difícil manter a segredaria disso, porque a Mónica de vez em quando fazia umas suposições e constatações que me inquietavam, e se fosse sob o seu olhar, não conseguia sequer tentar negar ou mudar o assunto, tentava ignorar, o que daria ainda mais aso a que ela fizesse suposições.
Na manhã de dia 12 enviei uma mensagem de parabéns à Mónica e tornei a dormir, ligando-lhe à hora de almoço para reforçar o desejo de feliz aniversário. Trabalharia com outra colega, porque ela tinha pedido folga, pelo que há hora de saída já o Rúben me esperava, já ele pronto, para me levar a casa para que me arranjasse também para seguirmos para a festa da Mónica.
-A Mónica anda a fazer suposições muito certeiras - comentei com o Rúben, no caminho para a festa.
-Em relação a quê?
-A nós.
-Hm... E como é que te sentes em relação a isso? Tens medo que ela descubra?
-Acho que não. Acho que ela já é mais uma melhor amiga do que uma simples amiga, por isso acho que se ela descobrir não vou importar-me.
-Isso é bom, significa de algum modo, progressos.
-Sim. Eu tenho andado a tentar mentalizar-me que esse medo e assim é tudo da minha cabeça.
-Acho que fazes muito bem! Se precisares de um empurrãozinho é só dizeres!
-Depende da espécie de empurrãozinho.
-Podes descansar que é indolor e não te traz problemas!
-Vou considerar! - ri. Acabamos por chegar e findar a conversa, juntando-nos a quem já lá estava.
Visão Rúben
Estaba ansioso que a minha pequenina chgasse e percebesse que afinal não ia jantar sozinha com o seu brasileirinho mas sim con todos os que mais gostava. Acho que os sorrisos são algo que nunca me cansei de ver e rever, e vê-los no rosto das pessoas que me são queridas é algo mprescindivel, e a minha pequenina é a minha pequenina, tirando o pequeno grande detalhe de ela ser a rapariga que faz a vida ser melhor para um dos meus melhores amigos. E como previsto e desejado, sorrisos abundaram na noite, sendo o maior o da Mónica, seguido pelo do Rodrigo, que não parou um segundo de babar para a rapariga.
-Então, gostaste da surpresa? - perguntei à baixinha da aniversariante, após chegar junto dela, do Rodrigo, do meu irmão, da Mariana e da Filipa, que acabara também de se lhes juntar.
-Claro que sim! Obrigada!
-Parar de agradecer é regra nessa festa, a menos que entreguem presentes pra você! - disse a Mariana.
-Bem, com licença, Filipa, queres dançar? - perguntei, estendendo-lhe a mão.
-Está bem - aceitou, segurando a minha mão, erguendo o seu olhar carinhosamente para mim.
-É disso que eu tenho estado a falar Fii! - disse a Mónica para a Filipa, retrucando um olhar com ela que eu já conhecia a par da cumplicidade das duas. A Filipa sorriu sem dizer uma palavra, seguindo-me para a pequena pista.
-Ela já descobriu, só não disse directamente, ainda - disse à Filipa, após firmar as minhas mãos no seu corpo para dançarmos.

-Achas?
-De certeza. Mas estás bem com isso, certo?
-Sim, sim, com ela estou.
-Ainda bem. Mas, achas que também estarias com o Rodrigo?
-Porquê? Ele também sabe?
-Desconfia de alguma coisa. Eu acabo sempre por conseguir mudar o assunto, mas ele não insiste mais porque me respeita, mas a verdade é que acho que preciso de contar a alguém e queria que fosse ele.
-Podes contar-lhe.
-Tens a certeza?
-Sim, afinal eles são quase como um, sabes perfeitamente a cumplicidade que há entre eles, para além de que eles já devem ter comentado alguma coisa entre eles.
-É, tens razão. Mas então não te importas mesmo?
-Não. Eu vou falar com a Mónica também.
-Amanhã?
-Sim. Mas vamos pedir-lhes para guardarem segredo.
-Claro.
-Boa - sorriu.
-No final da noite, mais concretamente, o inicio da madrugada, depois de todos se despedirem e irem embora, apenas o grupo habitual permaneceu.
-Rúben - chamou-me a Filipa, num tom mais baixo, enquanto o meu irmão e a Mariana se despediam da Mónica e do Rodrigo.
-Sim.
-Posso fazer-te uma pergunta?
-Claro que podes.
-Eu sei que não é da minha conta, mas, os pais da Mónica não vieram, pois não? - Ah, a pergunta.
-O pai e a irmã dela, que é filha dele com outra mulher, não puderam vir.
-Hm, e a mãe dele? É que eu percebi que ela é muito ligado à familia, pelo menos aos que estiveram cá hoje...
-A mãe dela faleceu há quase dez anos - respondi, sem evitar ostentar um pequeno pesar no tom de voz.
-Ah, eu... eu não sabia...
-Não te preocupes, ela lida bem com isso, quer dizer, se é que o termo bem pode ser empregue neste tema.
-Ainda bem - disse, um pouco envolta pela emoção caída em si aquando da novidade.
-Vá, deixa isso! Vamos despedir-nos deles também?
-Sim.
-E posso pernoitar outra vez?
-Qualquer dia alugas-me o outro quarto!
-Olha que não era mal pensado!
-Não inventes, Rúben!
-Está bem, pronto, vamos lá! - não insisti, dirigindo-nos para os nossos amigos.