Buenas guapas!
Finalmente volto aqui! Peço muitas desculpas pela enorme demora de um novo capitulo, mas realmente não me foi, de todo, possível mimar-vos mais cedo como era minha intenção e como bem merecem! Mas bom, aqui vos deixo um novo capitulo, embora pequeno! Espero que gostem e espero os vossos comentários, niñas!
Besitos <3
Visão Filipa
A ideia da Mónica foi muito boa! E o facto de serem eles a ficar vendados renderia muito mais gargalhadas, coisa que vinha mesmo a calhar! Depois de os termos vendado enquanto eles permaneciam sentados em duas cadeiras no meio da sala, eu e a Mónica fomos até à cozinha preparar o que precisávamos e retornamos à sala.
-Preparados? - perguntou-lhes a Mónica.
-Claro que sim! - respondeu logo o Rúben, começando a surgir-lhe o entusiasmo. Peguei numa das taças, sem escolher, e levei-lhe a colher à boca.
-Abre a boca - indiquei-lhe.
-Mau! - resmoneou com uma careta e um sorriso parecendo receoso, acedendo à indicação. - Esta é fácil! - afirmou, depois de saborear o que lhe dera para a boca. - Mel!
-Certo! - sorri.
-Agora tu amor! - disse a Mónica ao Rodrigo, ao que ele acedeu de imediato.
-Isso é... aquela coisa que a gente coloca nos morangos, aquela coisa branca, parece espuma... - tentou ele.
-Tens de dizer o nome! - ri.
-Não tou conseguindo lembrar, é aquela...
-O nome! - desta vez a Mónica é que exigiu o nome.
-Termina em li eu acho...
-Tens de dizer o nome puto, tem de ser justo! - interveio logo o Rúben, rindo também.
-Mas não tá sendo então posha, eu não sei o nome direito!
-Vá meninas, dêem lá um desconto então! - pediu-no o Rúben.
-Primeira e última vez! - atalhou a Mónica.
-Uii, estás a ser mazinha para o teu zuquinha, então! - gozou o Rúben.
-Filipa, dá-lhe alguma coisa para a boca senão ele não se cala! - pediu-me a Mónica a rir.
-Está bem! - acedi, rindo e pegando em outra coisa rapidamente. Após já ter-lhe pegado é que vi o que é que era. Lutei contra o ataque de riso que me assolou ao ver o Rúben virar-se de lado num impulso de cuspir as grainhas que lhe estavam na boca, a Mónica, morta de riso já, apressou-se a dar-lhe um guardanapo.
-Vocês querem matar-me ou quê?! Pimenta, assim? - reclamou, tirando os vestígios da boca e bebendo água que a Mónica lhe dera. O Rodrigo desatou às gargalhadas. Após tudo mais calmo e o Rodrigo ter descoberto a canela que a Mónica lhe dera, e ele também quisera cuspir com uma cara cómica, regressamos ao Rúben.
-Então Rúzinho, preparado para a próxima, ou já não aguentas? - brincou a Mónica.
-Nasci pronto pequenina!
Foi impossível não cairmos no chão a rir a certa altura! Estavam os dois um pior que o outro e nós duas já chorávamos de tanto rir! Decidimos então dar o jogo por terminado, e ficamos a rir ainda mais um bom bocado a seguir, acabando depois por me despedir do Rodrigo e da Mónica e seguir com o Rúben para o carro dele. A noite estava deveras interessante, estava a ser produtiva no campo das ligações, e estava a saber-me tão bem. Depois de algum tempo meio afastada de algo assim eis que me aparecem as melhores pessoas que podia desejar. Primeiro, uma amiga, conselheira, aquela a quem passarei a chamar de irmã mesmo não se revelando tal facto no ponto de igualdade sanguínea. Depois, um amigo para todas as horas e quais queres ocasiões, e por tantas ocasiões, em diversas horas, mas sobretudo, tanta partilha do mais intimo, daquilo que faz chorar o coração sem marejar a vista, aquele em quem tornara a ver alguém para me acompanhar no futuro. Bem e depois, mas não menos importante, o namorado da melhor amiga/irmã do coração, que se torna importante também, e que se torna mais um amigo para guardar.
Tanta coisa para dizer que estou nervosa. Pronto, estou nervosa. Tanto sentimentalismo estava a fazer surgir as inevitáveis inseguranças que surgiriam a qualquer momento. Mas porquê hoje? Esperava conseguir controlar todas essas coisas para não estragar a agradabilidade que já se estendia esta noite.
Visão Mónica
-Boa ideia esse jantar, hein? - sorriu o Rodrigo após o Rúben e a Filipa terem ido embora.
-Sim! Apesar daquela noticia decepcionante, foi muito boa ideia amor!
-É, essa noticia... Mas pronto, a gente se divertiu, era o que a gente precisava!
-Sim! Aii e as caras do Rúben? Meu Deus, ele é demais!
-Eu não vi, mas só de ouvir ele reclamando e comentando dava vontade de rir!
-Tu também fizeste umas caras engraçadas! - ri.
-Deve ter sido! - riu também.
-Bem, vamos dormir?
-Dormir não, vamos deitar. Não tou com sono ainda.
-Hmm... - sorri.
Subimos para o quarto e fomos vestir os pijamas e lavar os dentes para por fim nos deitarmos. Abracei-me a ele, encostada no seu peito, enquanto ouvia calmamente as batidas do seu coração.
-Amor...
-Diz.
-Posso fazer uma pergunta pra você?
-Achas que tens de perguntar?
-Eu sei amor, mas é que é um tema delicado pra você...
-Deixa-me adivinhar, é sobre a noticia de há bocado, mais precisamente sobre a Andreia.
-Acertou - respondeu, exibindo cautela no tom de voz.
-Podes perguntar.
-Tem certeza? É que a noite foi boa e eu não quero você chorando...
-Pergunta.
-Tá bom... - pensou durante segundos. - O que é que você sentiu quando viu a noticia?
-Relativamente à noticia ou só à menção da Andreia?
-Dos dois, porque na verdade é dela e do seu ex melhor amigo.
-Em relação aos dois, não sei se foi uma reacção influenciada por tudo, mas só pensei que até estavam bem um com o outro. E em relação à Andreia, não vou dizer que não senti nadinha, porque por pouco que seja, senti alguma coisa, posso dizer com certeza que maioritariamente foi a já habitual desilusão, mas acredita que cada vez menos me afecta ou me magoa.
-Então já conseguiu ultrapassar tudo o que aconteceu?
-Acho que só vou dizer que ultrapassei quando já não sentir rigorosamente nada em cada vez que se tocar no nome dela, mas agora já não fico em baixo por isso. Lá está, a desilusão e é óbvio que alguma tristeza, mas não o suficiente para estragar o meu dia, ou para me deixar a remoer.
-Mesmo?
-Sim.
-Fico tão feliz meu amor! - sorriu abertamente, enfatizando o estado de espírito citado.
-Eu sei amor. Eu sei que tu também sofreste este tempo todo. Eu não queria que isso tivesse acontecido, mas...
-Nem tenta discursar pra pedir desculpas! Eu não aceito desculpas nenhumas porque você não tem de pedir desculpa de nada! Dois em um, tá? Os seus problemas são os meus problemas, a sua dor é a minha assim como a sua felicidade também é a minha!
-Eu sei, mas podia ter evitado.
-Você não conseguia evitar nada, isso foi culpa dela, por ser orgulhosa e por revelar uma personalidade completamente diferente daquela que a gente conheceu e que a gente tanto gostava!
-Pois, mas se eu...
-Se você o quê? Se você tivesse ouvido e calado? Encher tudo ai dentro e sofrer ainda mais, sozinha? Não tinha necessidade e não era correcto! Você não fez nada errado, você só fez o que tinha de fazer e disse o que tinha de dizer. Ninguém pode culpar você de não ter tentado, se houve alguém que lutou e que tentou recuperar e manter a amizade foi você, ela que não soube dar valor pra você nem prá vossa amizade nunca!
-Não te revoltes, se faz favor! - acabei por rir. Tudo o que ele tinha dito encaixava na verdade, mas já não valia a pena remexer mais no assunto. Os assuntos estavam resolvidos, a ligação quebrada, com os colaterais de desilusão adquirida e mágoa infligida, mas que pouco a pouco se tornariam apenas em recordações menos boas.
-Não se preocupa que eu não vou causar nenhuma catástrofe! ´riu também. -Tenho de ir no banheiro. - disse, levantando-se da cama e indo à casa de banho. Demorou um pouco, e nesse tempo pensei seriamente ao ponto de tomar uma decisão.
Visão Rodrigo
Sai do banheiro e voltei pra junto da Mónica, que tinha sentado na cama.
-Cansada de tar deitada? - perguntei, me sentando do seu lado.
-Não. Tenho uma coisa para te dizer.
-Uii, tá me assustando!
-Não precisas, não e nada mau, ate acho que e o contrario!
-Diz logo, então, não me deixa aqui curioso!
-Lembro -Confirmei, sentindo o nervosismo no peito.
-Então pronto, eu vou parar de procurar casa, vou ficar a viver contigo!
-Tá falando sério? - perguntei, não tomando realmente aquilo como certo.
-Sim! - sorriu.
-Meu Deus, que bom! Obrigado! - sorri também, me atirando na sua direcção pra lhe dar um abraço bem apertado.
-Não me esmagues!
-Desculpa! - afrouxei o abraço. - Tá mesmo falando sério?
-Sim! Queres que repita mais quantas vezes para acreditares?
-Meu Deus, tou tão feliz! - beijei os seus lábios fugazmente. - Mas como que você mudou de ideia tão rápido assim?
-A conversa com a Filipa ajudou-me a definir melhor as ideias.
-Então você já tinha pensado em aceitar antes?
-Sim, e pronto, como já disse, já vivemos como se morássemos juntos, não vai fazer diferença.
-Que bom você decidiu isso, meu amor!
-Ela me sorriu docemente e eu tomei outro beijo dela -Vamos comemorar?
-Isto não é um grande acontecimento amor, se reparares nada vai mudar!
-Pra mim é importante, e todas essas pequenas coisas, assim como no futuro maiores virão, eu quero comemorar! Todos os detalhes que me fazem feliz como você merecem e têm que ser comemorados!
-Oh amor estas a ser um querido, mas também como é que vamos comemorar a esta hora?
-Vinho, chocolate e nós dois nessa cama ou onde você quiser. Tá bom assim?
-Agrada-me, mas há uma condição.
-Que condição? - perguntei, curioso, fixando o olhar nesse mesmo tom, no seu olhar fervoroso.
-O chocolate entra quando e como eu quiser.
-Humm... - apreciei aquela proposta, ou aquela imposição, melhor dizendo, me deixando seduzir pela incógnita, interiormente.
-Tá pensando concretizar mais alguma fantasia? - perguntei, morbidamente entusiasmado, mantendo porém esse entusiasmo na pergunta.
-Sim - respondeu prontamente, me abrindo mais o caminho sedutor com o seu olhar penetrante.
-Vamo lá então! - me levantei da cama, seguido por ela e descemos até a cozinha.
Enquanto eu fui pegar a garrafa de vinho do frigorífico e preparei o que precisava para depois mantê-lo frio do mesmo jeito, ela pegou em duas barras de chocolate e as derreteu. Decidi me concentrar nas minhas tarefas e deixar de olhar para o que ela estava fazendo, por que algumas ideias já estavam me surgindo e me deixando ainda mais entusiasmado. Após os dois terminar-mos tudo o que tínhamos a fazer, subimos com as coisas, de volta para o quarto. Depois de trancar a porta e desocupar as minhas mãos, fui até junto dela e a abracei, reclamando imediatamente o contacto dos meus lábios com a pele do seu pescoço. - Vinho agora ou depois? - perguntei, respirando propositadamente no seu pescoço.
-Agora e depois - respondeu, se virando de frente pra mim. Peguei então o vinho e coloquei em dois copos pra nós.
-Tá me matando com tanta sedução amor, e só tá me olhando!
-Ai é? - acenei que sim. - Bem então é melhor acalmares-te, amor.
-Vai fazer pior?
-Claro que sim.
-Como que você com essa alturinha pequena consegue me abalar tanto? - suspirei, retirando o copo da sua mão e pousando o dela e o meu junto da garrafa.
-Como já te disse várias vezes, as baixinhas fazem muita coisa que as outras não fazem - proferiu, prosseguindo com o mesmo olhar. - Vamos começar, então! - indagou, levando muito rápido as mãos à minha t-shirt e me obrigando, de modo reflexivo, a levantar os braços pra ela completar a ação iniciada.
-Agora é assim? - ri.
-Sim - sorriu, levando seguidamente as mãos às minhas calças pra me desnudar. Me deixou apenas de boxeres e me ordenou que deitasse na cama. Executei no segundo seguinte. A curiosidade e ansiosidade se abatiam estrondosamente sobre mim. Retirou o pijama e depois de pegar a taça com o chocolate derretido e a colher, se sentou sobre as minhas coxas.
-O que é que você tá pensando fazer? - perguntei, vendo ela remexer com a colher no conteúdo da taça. Ela apenas sorriu, elevando a colher com chocolate e a direccionando para o meu peito. - Isso vai me queimar, amor!
-Já arrefeceu, tonto! - sorriu, deixando então escorrer o chocolate da colher pra cair vagarosa e surpreendentemente, agradável, sobre o meu peito. Em seguida, baixou o rosto e com a língua retirou chocolate da minha pele, e foi retirando até o meu peito estar apenas pegajoso. Suspirei, arrepiado e seguidamente ela me deu um beijo nos lábios, deixando o sabor do chocolate impregnar a minha boca. Após deixar a minha boca ansiando aquele doce sabor, espalhou mais chocolate por todo meu corpo e voltou a repetir a sequência com a língua, sem voltar no entanto a adocicar a minha boca, Durante todo o processo me fez suspirar, surgindo consequentemente um sorriso no seu rosto.
-Terminou? - perguntei quando ela colocou a taça, já vazia, em cima da mesa de cabeceira e saindo de cima de mim.
quarta-feira, 9 de julho de 2014
sábado, 24 de maio de 2014
Capitulo 34 (parte I)
Buenas noches!
Bem, muito tempo depois, aqui está mais um capitulo! Não é muito grande, mas foi o que consegui! Espero que gostem e quero os vossos comentários, por favor!
Besitos <3
Mónica
Visão Mónica
-Já sabe da novidade? ´perguntou´me o Rodrigo, iniciando o caminho para casa.
-Claro!
-Que bom, né?
-É, espero é que desta vez dê tudo certo! O Rú tem tido uma sorte!
-É, e a Filipa é bem legal!
-Bem não, é muito!
-Tá adorando ela!
-Eu gosto muito dela, ela é como...
-Uma melhor amiga? - arriscou, sem no entanto descuidar um tom ainda meio zelador. Estava obviamente preocupado com as minhas feridas.
-Sabes que parece mais que isso? Parece mais uma irmã, mas o sentimento é completamente diferente do que com a minha irmã
-Isso é bom, então!
-Suponho que sim! E eu acho que ela também gosta de mim!
-Ah você ainda tem dúvidas? Se ela não gostasse, e não tou falando de gostar só um pouquinho, ela não teria te contado esse segredo deles!
-Achas?
-Duvida?
-Pois, se calhar tens razão.
-Vamo fazer melhor? Liga pró Rúben e diz pra eles seguirem pra nossa casa! Vamo jantar todos juntos e aproveita e fala com ela essas coisas que você tá sentindo!
-Grande ideia, amor! Obrigada! - tirei o meu telemóvel e liguei para o Rúben. Sabia que ele estava a conduzir, tinha ido buscar a Filipa, mas ele tinha sempre o cuidado de colocar o telemóvel no kit de mãos livres.
-Olá, olá pequenina! - atendeu, num tom alegre.
-Olá Rú!
-Então, que me queres oh feia? Mais dois minutos e tinhamo-nos encontrado!
-O que quero de ti é simples, oh feio! Retomas o caminho e vais até casa do Rodrigo, e a Filipa também vem! Vamos jantar os quatro e pôr uns assuntos em dia, se é que me entendes oh desnaturado!
-Essa do desnaturado não percebi, mas está bem, vou seguir até casa do teu brasileirinho!
-E não te preocupes que o teu irmão raptou a Mariana cá de casa!
-Esse também é outro! Qualquer dia marca uma reuni]ao familiar para dizer que vou ser tio, de tantas vezes que rapta a rapariga!
-Ai, então ele que tenha cuidado, olha que aqui o maninho é galo de primeira!
-O puto que não reclame! Para além de ser tio, o pai da criança é de uma família muito boa!
-Nada convencido na parte que lhe toca, Senhor Rúben!
-Realista minha menina!
-Ah sim, chama´lhe isso vá! Mas pronto, falamos melhor em casa! Até já, Rú!
Áté já, pequenina!
-Ele é capaz de ter razão! - comentou o Rodrigo, assim que terminei a chamada.
-Em relação a quê?
-Ao Mauro e à minha irmã!
-Ai, não sejas parvinho, a tua irmã é responsável e sabe o que faz! E o Mauro, mesmo sendo irmão do Rúben, também é!
-Mesmo sendo irmão do Rúben? Você tá muito querida pra ele, hein!
-Ele sabe que tem uma artéria doida!
-Quê? - gargalhou.
-Basicamente, doidice abunda-lhe no sangue!
-Todo mundo é um pouco assim!
-Sim, ms o Rúben é... é o Rúben, pronto!
Chegamos a casa e depois de nos pormos mais confortáveis fomos os dois para a cozinha para adiantar o jantar. Quando o mesmo estava quase terminado fui pôr a mesa e pouco depois tocaram à campainha.
-Boas noites! - cumprimentou o Rúben, seguido da Filipa, quando o Rodrigo lhes abriu a porta.
-Oi! - cumprimentou-os o meu namorado.
-Então, a chata da tua namorada? - perguntou-lhe o Rúben, entrando na sala.
-Estou aqui, oh parvo! - respondi, surgindo junto deles. Ele abriu os braços e eu abracei-me a ele.
-Como é que estás coisa feia?
-Ai Rú, tantos nomes feios pá!
-São nomes fofinhos!
-Oh, fofura!
-Tonta! - riu, soltando o abraço. - Então e o jantar, já está pronto?
-Cê chega aqui e só quer saber do jantar, nem quer saber como a gente tá nem nada!
-Então mas convidaste-me para quê? Não foi para jantar? Então é normal eu querer saber do jantar! E olha, eu perguntei à tua namorada como é que estava, por isso quis saber sim!
-Pra mim deu um tchau assim que eu abri a porta! - brincou também o Rodrigo.
-Já estou farto de ti hoje! - Aqueles dois não sabiam iniciar conversas que não acabassem com estas picardias e brincadeiras!
-Tá, eu não vou falar o mesmo que assim o mau fica você! - riu o Rodrigo.
-Vá, vamos jantar! - anunciei, ao que todos se direcionaram para a mesa. O jantar decorreu com conversa fiada, mas aquando de levantar a mesa o Rodrigo puxou o assunto do Rúben e da Filipa.
-Então e porque é que eu ainda não vi vocês se beijando? - brincou.
-Olha, porque não tens de ver! Nós vemo-vos, e não é poucas vezes, mas isso é porque vocês não se contêm! Nós sabemos fazê´lo!
-Ah tá, mas era giro a gente ver!
-Mas isso não se pede, se tiveres de ver vês!
-Tá bom, pronto! - riram.
-Bem Filipa, vens ajudar-me lá dentro com a loiça?
-Sim, claro! - Seguimos para a cozinha, enquanto eles os dois ficaram na sala.
-Gostaste do jantar?
-Sim, obrigada!
-Sempre que quiseres podes vir cá! Quer dizer, a casa não é minha, mas pronto, o Rodrigo é da mesma opinião!
-Não é mas é quase! Porque é que não desistes da ideia de arranjar uma casa e ficas aqui com ele de uma vez? É que querendo ou não, vocês já fazem vida de quem vive junto, enquanto cá estás.
-Pois, é verdade, mas... Tenho medo que alguma coisa saia errada!
-Se tivesse de sair não achas que já tinha saído? Já estás aqui há um mês e pouco!
-Pois...
-Pensa sobre isso e vais ver que tenho razão! - Começamos a lavar a loiça em tom silencioso, mas quebrei o mesmo.
-Acho que estou um bocadinho nervosa, mas pronto, queria dizer-te uma coisa!
-Nervosa porquê? Diz!
-Só queria dizer-te que... a nossa amizade é muito importante para mim, e gosto muito de ti!
-Ohh, que querida! Eu sinto exatamente o mesmo! Para mim não és só mais uma amiga, és uma confidente, quase como uma irmã... Desculpa se parece exagerando, mas é o que sinto. És a irmã que nunca tive! - O meu, enorme, sentimentalismo ergueu-se altíssimo e fez-me derramar duas lágrimas. Não de tristeza ou algo negativo, mas de felicidade, de conforto, de conexão quente que me enchia por completo o coração. Corria o risco de abrir e criar novas feridas? Durante toda a vida estamos sujeitos a tal feito, mas não tem de ser por receio, por medo que vamos afugentar cada pontinha de luz que nos surja no momento! Segundos de luz, amor, felicidade, valem muitíssimo mais do que uma vida de escuridão, solidão e tristeza, porque os segundos de luz deixam lembranças boas e vinculam a esperança, enquanto a escuridão trás apenas mais de si, fria e escura. Por isso, arriscaria novamente doar-me a uma amizade.
-Aii, só não te dou um abraço agora porque tenho as cheias de espuma! - disse-lhe, realmente com vontade de lhe dar um enorme abraço. Ela riu e dois pratos depois terminamos de a loiça. Depois de tudo limpo, finalmente fui dar-lhe o abraço.
-É assim tão emocionante ter-te dito que te adoro? - perguntou, inocentemente, porém com uma ponta de curiosidade.
-Mais ou menos... - desfizemos o abraço. - É muito importante saber, mas é que, mesmo sem eu querer, tocou-me porque também me lembrei do autêntico desastre em que fiquei depois de descobrir que uma amizade que eu considerava das mais importantes, para essa pessoa tinha simplesmente sido nada...
-Se quiseres conversar... - ofereceu. - Mas uma coisa te garanto, podemos não conhecer-nos assim há tanto tempo, mas juro que és mesmo importante para mim!
-Sinceramente, acho que não estou a cometer o mesmo erro, por isso... Estava a referir-me à minha ex melhor amiga, a ex namorada do Rúben... - E comecei a contar-lhe tudo o que alguma vez me relacionara à Andreia.
-Mas vocês fugiram e voltaram agora, ou ficaram mesmo este tempão todo aqui? - perguntou o Rúben, chegando à cozinha com o Rodrigo.
-Estamos aqui há tanto tempo assim? - perguntei.
-Vai quase fazer uma hora! - esclareceu-me o Rodrigo.
-Tanto tempo? - inquiriu a Filipa, tão surpresa como eu.
-A conversa estava boa, pelos vistos... - meteu-se o Rúben, num tom de ciúme-gozo.
-Rúzinho, ciumeira não. Primeiro, tu não és disso, e depois, a conversa não era sobre meninos, era sobre nós duas! - disse eu.
-Quem disse que estou com ciúmes? Eu sei que assunto mais interessante que eu não há, e depois, acredito que estivessem mesmo a falar de vocês, acho que havia uma conversa assim desse género pendente!
-Porquê? - tentei entender.
-Porque a Filipa falava imenso de vocês e de quão importante tu e a vossa amizade são!
-Ohh, que querida! - sorri, abraçando a Filipa fugazmente.
-Bem, não sou desmancha-prazeres, nem desmancha-climas nem nada dessas coisas, mas eu gostava de vos resgatar para junto de nós, lá dentro na sala, no quentinho! - disse o Rúben.
-Vamos lá, então! - Seguimos todos para a sala e enquanto eu me sentei encostada ao Rodrigo, envolta nos seus braços, o Rúben aconchegou a Filipa também nos seus braços. Troquei um breve olhar com o Rodrigo, que partilhava da mesma alegria que eu. Ver o Rúben assim, bem-disposto de novo, com o sorriso fácil de sempre, enorme, contagiante, ter o nosso Rú de volta, feliz, sabia tão, mas tão bem!
-Oh, agora a sério, vocês ficam tão queridos juntos! - não resisti a comentar. Ele gargalhou.
-Obrigado pequenina! - sorriu-me carinhosamente. - Aliás, obrigado aos dois! - disse, após segundos de um suspiro. - Obrigado por estarem sempre aqui, por me apoiarem quando estou bem e sobretudo quando estou mal, por me darem amor incondicional, mesmo que às vezes pareça que vem às pancadas!
-Ohh Rú, que querido! Isso foram os teus votos? Onde é que está o padre para nos casar a todos? - decidi brincar, caso contrário ele prosseguiria com a conversa e eu ia acabar por chorar.
-Vês, é por isso que és a minha maninha! Sangue diferente mas parvoíce igual! - gargalhou ele. - Mas a sério, obrigado mesmo!
-Rú eu estava a gozar para te impedir de continuar o discurso e me fazeres chorar, mas isso do padre para nos dar a benção eterna não é preciso, porque já nos juntamos, agora ninguém nos separa, percebes?
-Eh pá, Rodrigo, posso saltar para cima da tua namorada?!
-Podes o quê?! - gargalhei. Ele nem chegou a responder, quando dei conta já ele me abraçava com muita força.
-Amo-te minha pequenina! - disse-me enquanto suavizava um pouco mais a força do abraço.
-Oh, também te amo Rú! - retorqui num mesmo tom sentimentalista.
-Agora fala pra mim que me ama que também tou sentindo saudade! - brincou o Rodrigo, assim que desfizemos o abraço.
-Ai pronto, ciúmes do melhor amigo? - ri, indo agora abraçar o meu namorado. - Amo-te oh tonto! Até parece que precisas que to diga!
-De vez em quando fico carente! - brincou.
-Ai que o menino está carente! Também queres que te diga que te amo? - gozou o Rúben, juntando-se a nós muito rapidamente e abraçando-nos. - Amo-te puto, sabes que sim! - disse ao meu namorado. Depois soltou o abraço. - E pronto, antes que isto pareça demasiado gay, amor, anda cá se não quem se atira a mim é ele! - puxou a Filipa e abraçou-a.
Visão Rúben
-Descansa que cair em cima só da minha namorada, tá? - respondeu-me o Rodrigo.
-Ah, pronto, assim já fico mais descansado! Mas livra-te de contar a alguém o que aconteceu! - tornei a meter-me com ele. Ficávamos assim horas se fosse preciso, mas não nos cansávamos, porque para além do evidente, que era rir e fazer rir o tempo todo, parecendo que não, no fundo, estas pequenas coisas também nos aproximavam, e era algo que me deixava feliz.
-Tá com medo de alguma coisa, é? - riu ele.
-Eu não! - E foi aqui então que a risada voltou a ser geral. Acabamos por nos sentar novamente na sala, e enquanto eu, o Rodrigo e a Filipa nos concentramos na televisão, que sinceramente nem tinha nada de interessante, a Mónica estava focada no computador.
-Oh meu Deus... - ouvimos a Mónica suspirar num tom surpreso.
-Que é que foi amor? - perguntou logo o Rodrigo, estendendo o olhar para o computador que ela tinha no colo. E em vez de falar a sua cara denunciou que não soava a algo bom.
-Que caras são essas? É assim tão mau o que viram ai? - perguntei logo, pois a curiosidade claro que se abateu sobre mim.
-Agora também fiquei curiosa! - apoiou a minha namorada.
-Não sei se você vai querer ver Rúben...
-Porquê, é alguém a difamar-me? Não ligo a isso, já sabes!
-Não é isso, Rúben... - quase sussurrou a Mónica.
-Bem, vocês estão a assustar-me! O que é que é isso, afinal? - levantei-me e fui até junto deles para ver o que tanto os indignava. De facto, agradável não era de ver, mas não me afetava. No entanto, apesar de o sentimentalismo não ser afetado, uma réstia de desilusão assolou-me. Pensar na pessoa que um dia julguei a minha melhor amiga e confidente, e alguém a quem entreguei tudo de mim, alguém que me enchia de orgulho, e ver que agora parecia uma estranha conhecida, que enveredava por más escolhas e desintegrava a imagem decente que alguém tivesse dela. O que tanto especulara no ecrã do computador era uma noticia na imprensa, que dava a conhecer a nova namorada de um ator. Bem e esse ator era precisamente quem ela tanto mal disse, o ex melhor amigo da Mónica. Aquele que originou tanta confusão na vida da minha pequenina e do meu puto, aquele que de certa forma me fez ferir os sentimentos da Mónica. Para além de ridículo, deixava a desilusão.
-Estás bem Rú? - perguntou-me a Mónica.
-Claro que sim.
-Tem certeza Rúben? - preocupou-se o Rodrigo.
-Tenho. - A Filipa também olhou para mim, espectante. - Eu estou bem, a sério. Só me faz confusão como é que ela falou tanto mal dele e agora estão juntos.
-E diz aqui que antes ela andou a sair com o Michael... - acrescentou a Mónica
-Ainda pior. Se não tivesse acontecido nada acho que não acreditava que essa é a Andreia
-Mas já chega, né gente? Vamo deixar esse assunto! - disse rapidamente o Rodrigo, notando-lhe uma necessidade de zelo tanto por mim como pela namorada. Parecendo que não, o estado em que a Mónica tinha ficado depois da situação com a Andreia tinha despertado mais ainda o sentido de proteção que aquele rapaz por si já tinha.
-Não te preocupes puto, esse assunto não é bem vindo, por isso vamos lá fazer alguma coisa todos para nos divertirmos que é para isso que aqui estamos! - sugeri entusiasticamente. E era verdade. Estava feliz e apesar de não me arrepender do que vivi com a aquela rapariga que agora denominava desconhecida, queria apenas aproveitar a felicidade que finalmente me concederam e que esperava que durasse o mais tempo possível.
-É isso ai gente, vamo animar isso aqui!
-O que é que tens para fazermos? - perguntei ao Rodrigo.
-Isso é que tá mais complicado...
-Posso sugerir alguma coisa, ou estão a pensar em alguma coisa brilhante já? - perguntou a Mónica.
-Fala amor!
-Então, não sei se vão achar piada, mas acho que nos ia divertir, e é uma coisa diferente!
-Suspense? Diz logo! - pedi curioso.
-Conhecem o jogo dos sentidos?
-Uiii... - suspirei.
-Que jogo é esse? - perguntou o Rodrigo.
-Basicamente vendam-te e tens de tentar identificar o que te derem, através dos sentidos! - esclareceu-o rapidamente a Filipa.
-Também achas boa ideia? - perguntei-lhe.
-É giro, e é uma coisa diferente!
-Por mim acho que não tem problema! - concordou o Rodrigo.
-E é para nos divertirmos, não é? Então vamos lá a isso!
-Ótimo! Vocês podem ficar sentados que eu e a Filipa vamos preparar as coisas!
-Ai nós é que vamos ser vendados?!
-Claro Rú! - gargalhou a Mónica.
Bem, muito tempo depois, aqui está mais um capitulo! Não é muito grande, mas foi o que consegui! Espero que gostem e quero os vossos comentários, por favor!
Besitos <3
Mónica
Visão Mónica
-Já sabe da novidade? ´perguntou´me o Rodrigo, iniciando o caminho para casa.
-Claro!
-Que bom, né?
-É, espero é que desta vez dê tudo certo! O Rú tem tido uma sorte!
-É, e a Filipa é bem legal!
-Bem não, é muito!
-Tá adorando ela!
-Eu gosto muito dela, ela é como...
-Uma melhor amiga? - arriscou, sem no entanto descuidar um tom ainda meio zelador. Estava obviamente preocupado com as minhas feridas.
-Sabes que parece mais que isso? Parece mais uma irmã, mas o sentimento é completamente diferente do que com a minha irmã
-Isso é bom, então!
-Suponho que sim! E eu acho que ela também gosta de mim!
-Ah você ainda tem dúvidas? Se ela não gostasse, e não tou falando de gostar só um pouquinho, ela não teria te contado esse segredo deles!
-Achas?
-Duvida?
-Pois, se calhar tens razão.
-Vamo fazer melhor? Liga pró Rúben e diz pra eles seguirem pra nossa casa! Vamo jantar todos juntos e aproveita e fala com ela essas coisas que você tá sentindo!
-Grande ideia, amor! Obrigada! - tirei o meu telemóvel e liguei para o Rúben. Sabia que ele estava a conduzir, tinha ido buscar a Filipa, mas ele tinha sempre o cuidado de colocar o telemóvel no kit de mãos livres.
-Olá, olá pequenina! - atendeu, num tom alegre.
-Olá Rú!
-Então, que me queres oh feia? Mais dois minutos e tinhamo-nos encontrado!
-O que quero de ti é simples, oh feio! Retomas o caminho e vais até casa do Rodrigo, e a Filipa também vem! Vamos jantar os quatro e pôr uns assuntos em dia, se é que me entendes oh desnaturado!
-Essa do desnaturado não percebi, mas está bem, vou seguir até casa do teu brasileirinho!
-E não te preocupes que o teu irmão raptou a Mariana cá de casa!
-Esse também é outro! Qualquer dia marca uma reuni]ao familiar para dizer que vou ser tio, de tantas vezes que rapta a rapariga!
-Ai, então ele que tenha cuidado, olha que aqui o maninho é galo de primeira!
-O puto que não reclame! Para além de ser tio, o pai da criança é de uma família muito boa!
-Nada convencido na parte que lhe toca, Senhor Rúben!
-Realista minha menina!
-Ah sim, chama´lhe isso vá! Mas pronto, falamos melhor em casa! Até já, Rú!
Áté já, pequenina!
-Ele é capaz de ter razão! - comentou o Rodrigo, assim que terminei a chamada.
-Em relação a quê?
-Ao Mauro e à minha irmã!
-Ai, não sejas parvinho, a tua irmã é responsável e sabe o que faz! E o Mauro, mesmo sendo irmão do Rúben, também é!
-Mesmo sendo irmão do Rúben? Você tá muito querida pra ele, hein!
-Ele sabe que tem uma artéria doida!
-Quê? - gargalhou.
-Basicamente, doidice abunda-lhe no sangue!
-Todo mundo é um pouco assim!
-Sim, ms o Rúben é... é o Rúben, pronto!
Chegamos a casa e depois de nos pormos mais confortáveis fomos os dois para a cozinha para adiantar o jantar. Quando o mesmo estava quase terminado fui pôr a mesa e pouco depois tocaram à campainha.
-Boas noites! - cumprimentou o Rúben, seguido da Filipa, quando o Rodrigo lhes abriu a porta.
-Oi! - cumprimentou-os o meu namorado.
-Então, a chata da tua namorada? - perguntou-lhe o Rúben, entrando na sala.
-Estou aqui, oh parvo! - respondi, surgindo junto deles. Ele abriu os braços e eu abracei-me a ele.
-Como é que estás coisa feia?
-Ai Rú, tantos nomes feios pá!
-São nomes fofinhos!
-Oh, fofura!
-Tonta! - riu, soltando o abraço. - Então e o jantar, já está pronto?
-Cê chega aqui e só quer saber do jantar, nem quer saber como a gente tá nem nada!
-Então mas convidaste-me para quê? Não foi para jantar? Então é normal eu querer saber do jantar! E olha, eu perguntei à tua namorada como é que estava, por isso quis saber sim!
-Pra mim deu um tchau assim que eu abri a porta! - brincou também o Rodrigo.
-Já estou farto de ti hoje! - Aqueles dois não sabiam iniciar conversas que não acabassem com estas picardias e brincadeiras!
-Tá, eu não vou falar o mesmo que assim o mau fica você! - riu o Rodrigo.
-Vá, vamos jantar! - anunciei, ao que todos se direcionaram para a mesa. O jantar decorreu com conversa fiada, mas aquando de levantar a mesa o Rodrigo puxou o assunto do Rúben e da Filipa.
-Então e porque é que eu ainda não vi vocês se beijando? - brincou.
-Olha, porque não tens de ver! Nós vemo-vos, e não é poucas vezes, mas isso é porque vocês não se contêm! Nós sabemos fazê´lo!
-Ah tá, mas era giro a gente ver!
-Mas isso não se pede, se tiveres de ver vês!
-Tá bom, pronto! - riram.
-Bem Filipa, vens ajudar-me lá dentro com a loiça?
-Sim, claro! - Seguimos para a cozinha, enquanto eles os dois ficaram na sala.
-Gostaste do jantar?
-Sim, obrigada!
-Sempre que quiseres podes vir cá! Quer dizer, a casa não é minha, mas pronto, o Rodrigo é da mesma opinião!
-Não é mas é quase! Porque é que não desistes da ideia de arranjar uma casa e ficas aqui com ele de uma vez? É que querendo ou não, vocês já fazem vida de quem vive junto, enquanto cá estás.
-Pois, é verdade, mas... Tenho medo que alguma coisa saia errada!
-Se tivesse de sair não achas que já tinha saído? Já estás aqui há um mês e pouco!
-Pois...
-Pensa sobre isso e vais ver que tenho razão! - Começamos a lavar a loiça em tom silencioso, mas quebrei o mesmo.
-Acho que estou um bocadinho nervosa, mas pronto, queria dizer-te uma coisa!
-Nervosa porquê? Diz!
-Só queria dizer-te que... a nossa amizade é muito importante para mim, e gosto muito de ti!
-Ohh, que querida! Eu sinto exatamente o mesmo! Para mim não és só mais uma amiga, és uma confidente, quase como uma irmã... Desculpa se parece exagerando, mas é o que sinto. És a irmã que nunca tive! - O meu, enorme, sentimentalismo ergueu-se altíssimo e fez-me derramar duas lágrimas. Não de tristeza ou algo negativo, mas de felicidade, de conforto, de conexão quente que me enchia por completo o coração. Corria o risco de abrir e criar novas feridas? Durante toda a vida estamos sujeitos a tal feito, mas não tem de ser por receio, por medo que vamos afugentar cada pontinha de luz que nos surja no momento! Segundos de luz, amor, felicidade, valem muitíssimo mais do que uma vida de escuridão, solidão e tristeza, porque os segundos de luz deixam lembranças boas e vinculam a esperança, enquanto a escuridão trás apenas mais de si, fria e escura. Por isso, arriscaria novamente doar-me a uma amizade.
-Aii, só não te dou um abraço agora porque tenho as cheias de espuma! - disse-lhe, realmente com vontade de lhe dar um enorme abraço. Ela riu e dois pratos depois terminamos de a loiça. Depois de tudo limpo, finalmente fui dar-lhe o abraço.
-É assim tão emocionante ter-te dito que te adoro? - perguntou, inocentemente, porém com uma ponta de curiosidade.
-Mais ou menos... - desfizemos o abraço. - É muito importante saber, mas é que, mesmo sem eu querer, tocou-me porque também me lembrei do autêntico desastre em que fiquei depois de descobrir que uma amizade que eu considerava das mais importantes, para essa pessoa tinha simplesmente sido nada...
-Se quiseres conversar... - ofereceu. - Mas uma coisa te garanto, podemos não conhecer-nos assim há tanto tempo, mas juro que és mesmo importante para mim!
-Sinceramente, acho que não estou a cometer o mesmo erro, por isso... Estava a referir-me à minha ex melhor amiga, a ex namorada do Rúben... - E comecei a contar-lhe tudo o que alguma vez me relacionara à Andreia.
-Mas vocês fugiram e voltaram agora, ou ficaram mesmo este tempão todo aqui? - perguntou o Rúben, chegando à cozinha com o Rodrigo.
-Estamos aqui há tanto tempo assim? - perguntei.
-Vai quase fazer uma hora! - esclareceu-me o Rodrigo.
-Tanto tempo? - inquiriu a Filipa, tão surpresa como eu.
-A conversa estava boa, pelos vistos... - meteu-se o Rúben, num tom de ciúme-gozo.
-Rúzinho, ciumeira não. Primeiro, tu não és disso, e depois, a conversa não era sobre meninos, era sobre nós duas! - disse eu.
-Quem disse que estou com ciúmes? Eu sei que assunto mais interessante que eu não há, e depois, acredito que estivessem mesmo a falar de vocês, acho que havia uma conversa assim desse género pendente!
-Porquê? - tentei entender.
-Porque a Filipa falava imenso de vocês e de quão importante tu e a vossa amizade são!
-Ohh, que querida! - sorri, abraçando a Filipa fugazmente.
-Bem, não sou desmancha-prazeres, nem desmancha-climas nem nada dessas coisas, mas eu gostava de vos resgatar para junto de nós, lá dentro na sala, no quentinho! - disse o Rúben.
-Vamos lá, então! - Seguimos todos para a sala e enquanto eu me sentei encostada ao Rodrigo, envolta nos seus braços, o Rúben aconchegou a Filipa também nos seus braços. Troquei um breve olhar com o Rodrigo, que partilhava da mesma alegria que eu. Ver o Rúben assim, bem-disposto de novo, com o sorriso fácil de sempre, enorme, contagiante, ter o nosso Rú de volta, feliz, sabia tão, mas tão bem!
-Oh, agora a sério, vocês ficam tão queridos juntos! - não resisti a comentar. Ele gargalhou.
-Obrigado pequenina! - sorriu-me carinhosamente. - Aliás, obrigado aos dois! - disse, após segundos de um suspiro. - Obrigado por estarem sempre aqui, por me apoiarem quando estou bem e sobretudo quando estou mal, por me darem amor incondicional, mesmo que às vezes pareça que vem às pancadas!
-Ohh Rú, que querido! Isso foram os teus votos? Onde é que está o padre para nos casar a todos? - decidi brincar, caso contrário ele prosseguiria com a conversa e eu ia acabar por chorar.
-Vês, é por isso que és a minha maninha! Sangue diferente mas parvoíce igual! - gargalhou ele. - Mas a sério, obrigado mesmo!
-Rú eu estava a gozar para te impedir de continuar o discurso e me fazeres chorar, mas isso do padre para nos dar a benção eterna não é preciso, porque já nos juntamos, agora ninguém nos separa, percebes?
-Eh pá, Rodrigo, posso saltar para cima da tua namorada?!
-Podes o quê?! - gargalhei. Ele nem chegou a responder, quando dei conta já ele me abraçava com muita força.
-Amo-te minha pequenina! - disse-me enquanto suavizava um pouco mais a força do abraço.
-Oh, também te amo Rú! - retorqui num mesmo tom sentimentalista.
-Agora fala pra mim que me ama que também tou sentindo saudade! - brincou o Rodrigo, assim que desfizemos o abraço.
-Ai pronto, ciúmes do melhor amigo? - ri, indo agora abraçar o meu namorado. - Amo-te oh tonto! Até parece que precisas que to diga!
-De vez em quando fico carente! - brincou.
-Ai que o menino está carente! Também queres que te diga que te amo? - gozou o Rúben, juntando-se a nós muito rapidamente e abraçando-nos. - Amo-te puto, sabes que sim! - disse ao meu namorado. Depois soltou o abraço. - E pronto, antes que isto pareça demasiado gay, amor, anda cá se não quem se atira a mim é ele! - puxou a Filipa e abraçou-a.
Visão Rúben
-Descansa que cair em cima só da minha namorada, tá? - respondeu-me o Rodrigo.
-Ah, pronto, assim já fico mais descansado! Mas livra-te de contar a alguém o que aconteceu! - tornei a meter-me com ele. Ficávamos assim horas se fosse preciso, mas não nos cansávamos, porque para além do evidente, que era rir e fazer rir o tempo todo, parecendo que não, no fundo, estas pequenas coisas também nos aproximavam, e era algo que me deixava feliz.
-Tá com medo de alguma coisa, é? - riu ele.
-Eu não! - E foi aqui então que a risada voltou a ser geral. Acabamos por nos sentar novamente na sala, e enquanto eu, o Rodrigo e a Filipa nos concentramos na televisão, que sinceramente nem tinha nada de interessante, a Mónica estava focada no computador.
-Oh meu Deus... - ouvimos a Mónica suspirar num tom surpreso.
-Que é que foi amor? - perguntou logo o Rodrigo, estendendo o olhar para o computador que ela tinha no colo. E em vez de falar a sua cara denunciou que não soava a algo bom.
-Que caras são essas? É assim tão mau o que viram ai? - perguntei logo, pois a curiosidade claro que se abateu sobre mim.
-Agora também fiquei curiosa! - apoiou a minha namorada.
-Não sei se você vai querer ver Rúben...
-Porquê, é alguém a difamar-me? Não ligo a isso, já sabes!
-Não é isso, Rúben... - quase sussurrou a Mónica.
-Bem, vocês estão a assustar-me! O que é que é isso, afinal? - levantei-me e fui até junto deles para ver o que tanto os indignava. De facto, agradável não era de ver, mas não me afetava. No entanto, apesar de o sentimentalismo não ser afetado, uma réstia de desilusão assolou-me. Pensar na pessoa que um dia julguei a minha melhor amiga e confidente, e alguém a quem entreguei tudo de mim, alguém que me enchia de orgulho, e ver que agora parecia uma estranha conhecida, que enveredava por más escolhas e desintegrava a imagem decente que alguém tivesse dela. O que tanto especulara no ecrã do computador era uma noticia na imprensa, que dava a conhecer a nova namorada de um ator. Bem e esse ator era precisamente quem ela tanto mal disse, o ex melhor amigo da Mónica. Aquele que originou tanta confusão na vida da minha pequenina e do meu puto, aquele que de certa forma me fez ferir os sentimentos da Mónica. Para além de ridículo, deixava a desilusão.
-Estás bem Rú? - perguntou-me a Mónica.
-Claro que sim.
-Tem certeza Rúben? - preocupou-se o Rodrigo.
-Tenho. - A Filipa também olhou para mim, espectante. - Eu estou bem, a sério. Só me faz confusão como é que ela falou tanto mal dele e agora estão juntos.
-E diz aqui que antes ela andou a sair com o Michael... - acrescentou a Mónica
-Ainda pior. Se não tivesse acontecido nada acho que não acreditava que essa é a Andreia
-Mas já chega, né gente? Vamo deixar esse assunto! - disse rapidamente o Rodrigo, notando-lhe uma necessidade de zelo tanto por mim como pela namorada. Parecendo que não, o estado em que a Mónica tinha ficado depois da situação com a Andreia tinha despertado mais ainda o sentido de proteção que aquele rapaz por si já tinha.
-Não te preocupes puto, esse assunto não é bem vindo, por isso vamos lá fazer alguma coisa todos para nos divertirmos que é para isso que aqui estamos! - sugeri entusiasticamente. E era verdade. Estava feliz e apesar de não me arrepender do que vivi com a aquela rapariga que agora denominava desconhecida, queria apenas aproveitar a felicidade que finalmente me concederam e que esperava que durasse o mais tempo possível.
-É isso ai gente, vamo animar isso aqui!
-O que é que tens para fazermos? - perguntei ao Rodrigo.
-Isso é que tá mais complicado...
-Posso sugerir alguma coisa, ou estão a pensar em alguma coisa brilhante já? - perguntou a Mónica.
-Fala amor!
-Então, não sei se vão achar piada, mas acho que nos ia divertir, e é uma coisa diferente!
-Suspense? Diz logo! - pedi curioso.
-Conhecem o jogo dos sentidos?
-Uiii... - suspirei.
-Que jogo é esse? - perguntou o Rodrigo.
-Basicamente vendam-te e tens de tentar identificar o que te derem, através dos sentidos! - esclareceu-o rapidamente a Filipa.
-Também achas boa ideia? - perguntei-lhe.
-É giro, e é uma coisa diferente!
-Por mim acho que não tem problema! - concordou o Rodrigo.
-E é para nos divertirmos, não é? Então vamos lá a isso!
-Ótimo! Vocês podem ficar sentados que eu e a Filipa vamos preparar as coisas!
-Ai nós é que vamos ser vendados?!
-Claro Rú! - gargalhou a Mónica.
quinta-feira, 8 de maio de 2014
Capitulo 33 (parte IV)
Hola guapas!
Bem, aqui está mais um, novamente pouco extenso, mas aqui está ele! Fi-lo quase à velocidade da luz, principalmente porque devia um capitulo à minha melhor amiga, por isso, bf está aqui e teu por inteiro, ahah
Espero então que gostem e deixem os vossos comentários meninas!
Besitos <3
Mónica
(Visão Rodrigo)
Estacionei junto da Lisboa Ink e nos conduzi até à entrada do mesmo.
-Vais fazer mais uma? - perguntou.
-A surpresa é pra você, logo , você vai fazer!
-Vou? Oh meu Deus, tu...
-Aquela que você queria muito fazer, as iniciais do nome e do sobrenome da sus mãe.
-Ai amor... - falou, se notando emoção na sua voz, bem como uma neblína no seu olhar.
-Tudo por você, meu bem. E eu falei com o Cristian e foi tudo bem.
-Obrigada! - agradeceu, me dando um beijo, o que o Cristian assistiu.
-Então, vamos a isto? - perguntou ele pra ela.
-Sim - sorriu.
-Então vamos! - começou a conduzir a gente.
-Só uma pergunta, vai doer muito? - perguntou ela, meio melindrada.
-Onde é que queres? - Ela apontou a parte de trás do pescoço, junto da orelha esquerda. - Um bocadinho, mas o valente do namorado está aqui! - sorriu ele, antes de indicar a cadeira pra ela sentar.
Visão Filipa
O Rúben tinha dormido lá em casa, outra vez. Maus hábitos, mas sabia tão bem estar com ele. Dormir envolta do seu abraço caloroso, adormecer com um beijo e um sorriso de boa noite e acordar com o mesmo era tão bom.
-Então e o almoço? É melhor começarmos a fazer, não é? - sugeriu.
-Sim, às 14.00h tenho de estar no Estádio.
-Sim senhora! Então e o que é que vamos fazer?
-Sinceramente não sei, não tirei nada para descongelar.
-Hm... Então vamos almoçar fora!
-Ah, Rúben...
-O que é que tem?
-Sabes que...
-Nos vão ver? Que mal é que tem? Podes ser só uma amiga, o que para todos os efeitos é verdade!
-Mas vão começar a especular.
-Que comecem, só terão certezas se sair da minha boca!
-Ai Rúben, mas e...
-Ei! - disse chegando-se perto de mim e envolvendo o meu rosto com as mãos. - Está tudo na tua cabeça, lembras-te princesa? - relembrou carinhosamente, fixando por segundos o seu olhar no meu. E sem esperar, este gesto tão involuntário no entanto algo intenso, teve o surpreendente efeito de me acalmar.
-Está bem, tens razão, se quero mentalizar-me disso tenho de começar por algum lado!
-Vês? - sorriu, fazendo-me retribuir o gesto. - Vamos, então?
-Vamos.
Quando o Rúben estacionou junto do Estádio já só faltavam cinco minutos para as 14.00h. O almoço tinha corrido bem e ao contrário do que pensei, poucos foram os olhares indiscretos sobre nós.
-Vais contar à Mónica agora? - perguntou, referindo-se à questão de estarmos juntos, não apelidando o facto.
-Acho que sim, mas se calhar mais para o fim da tarde, o movimento é menor e estamos mais perto da hora de saida, por isso se for preciso depois conversamos melhor sobre o assunto.
-Está bem.
-E tu, quando é que vais contar ao Rodrigo?
-Antes do treino, depois do treino, ainda tenho de decidir.
-Está bem.
-Estás nervosa?
-Um bocadinho, mas só um bocadinho, eu sei que posso confiar na Mónica. E tu, estás nervoso?
-Acho que um bocadinho também, mas não é propriamente por ir contar ao Rodrigo, ele vai reagir super bem, de certeza, a questão é que, és tu.
-E o que é que tem ser eu? - inquiri, sem entender.
-Tu és especial. Tudo bem, todas as minhas namoradas foram especiais, e não estou a rotular-te como tal, mas tu és diferente, não sei. Acho que isto da épicidade desde o principio torna tudo muito mais especial.
-Posso não comentar? É que fiquei sem saber o que dizer. - Ele sorriu, rebuscando em seguida um beijo nos meus lábios. - Bem, tenho de ir, se não chego atrasada, mesmo estando aqui à porta.
-Está bem - acedeu, dando-me novamente um beijo.
-Até logo - disse-lhe.
-Até logo - retorquiu. - Olha - chamou-me, quando virei. cara para abrir a porta do carro. Assim que torneei a cara de novo para ele, voltou a saquear-me a boca em busca de mais um beijo.
Sorri, após terminado, mas não cheguei a virar-lhe costas, porque me roubou um novo beijo.
-Rúben! - ri, depois de findado o beijo. Ele sorriu, recorrendo mais uma vez à minha boca.
-Só mais um! - pediu, beijando-me mais umas três vezes seguidas de forma rápida.
-Pronto, vá, tenho de ir! - repliquei, conseguindo escapulir-me por fim para fora do carro.
-Boa sorte para a revelação - desejou, adicionando um toque de gozo, que ultrapassei, desejando-lhe boa sorte também.
-Deixa eu ver - ouvi o Rodrigo dizer, aproximando-se do pescoço da Mónica. Hoje tinha sido ela. chegar primeiro. - Tá doendo?
-Um bocadinho, mas é normal, não é?
-É, mas se precisar coloca gelo, tá?
-Sim, amor.
-Boa tarde! - cumprimentei, chegando à frente deles.
-Oi! - disse o Rodrigo.
-Olá! - retorquiu-me a Mónica com um sorriso.
-Então, magoaste-te? - inquiri-a.
-Não, é que o Rodrigo hoje levou-me a fazer uma tatuagem, e agora está a doer-me um bocadinho.
-Ai que giro, posso ver? - Ela acedeu e mostrou-me. Estava simples mas bonita. - Tem significado, não tem? - perguntei, notando que não tinha sido feita só porque sim.
-São as iniciais do primeiro e último nomes da minha mãe. Ela faleceu há quase 10 anos.
-Eu sei, o Rúben já me tinha dito... Está linda - sorri, enternuradamente.
-Obrigada - agradeceu com o mesmo sentimento apoderando-se do seu olhar.
-Não quero você triste, viu? - pediu-lhe o Rodrigo, abraçando-a em seguida.
-Sim amor! - sorriu-lhe ela, retribuindo o abraço.
-Então pronto, eu vou embora meu bem.
-Sim, vai amor, nós temos de ir trabalhar também.
-Tá bom, então logo eu venho te pegar.
-Está bem - concordou ela, recebendo um beijo dele. - Até logo .
-Até logo amor - disse-lhe, despedindo-se de mim com dois beijinhos e indo embora. - Bem e nós vamos despachar-nos porque daqui a nada já começa a chegar gente!
-Então e a noite ontem, não acabou só quando nos despedimos, pois não? - ri, metendo-me com ela. Faltava meia hora para sairmos.
-Claro que não! - riu também. - Nem sei dizer a que horas é que acabou exactamente, só sei que hoje de manhã adormeci, e como o Rodrigo decidiu não me acordar, faltei às aulas. Depois tenho de pedir os apontamentos à Mariana.
-Ui, deve ter sido forte, então - gargalhei.
-É sempre! Aquele homem tira-me tudo! - riu também.
-Promenores não!
-Óbvio que não! Agora parecias mesmo o Rúben! - Limitei-me a rir, tentando esconder o sentimento automáticamente ao ouvir o nome dele, porém detive-me. Ia contar-lhe e estavamos sozinhas, por isso não precisava esconder. - Por falar em Rúben, foi ele que te veio trazer?
-Foi, ele é o meu motorista até o meu carro estar pronto, não é... Mas eu acho que já está a demorar tempo demais para o meu carro estar pronto!
-Provavelmente ele pediu para demorarem mais para poder fazer o serviço de táxi gratuito e passar mais tempo contigo!
-Pronto, ok, tem de ser agora!
-O quê? Perdi-me!
-Tenho de contar-te uma coisa!
-E o Rúben está envolvido nisso!
-Sim! Os teus palpites e as tuas suposições estavam certos, nós estamos juntos!
-Porque é que demoraste tanto tempo a contar-me?
-Oh, nós combinamos deixar em segredo. Até porque não rotulámos, por assim dizer, nada. Estamos juntos, mas sem nomes no meio, entendes?
-Sim, claro que sim... - notei-a pensativa, mas decidi proseguir.
-O Rúben também vai falar com o Rodrigo, mas nós combinamos que vos iamos pedir para guardar segredo. Decidimos contar-vos porque são os dois mais próximos de nós, e eu já não aguentava que fizesses tantas suposições certeiras e não te dizer nada, e o Rúben disse que o Rodrigo também andava desconfiado de alguma coisa.
-Sim, podes ficar descansada que eu guardo segredo! Mas já agora podias contar-me como é que isso aconteceu! - pedinchou, sorrindo. Acabei por contar-lhe tudo, desde as primeiras conversas que me aproximaram do Rúben até à hora de almoço daquele dia. Não dispensei contar-lhe os promenores que não escapavam ao Rúben como incluí um pouco entusiasmada a maneira como estava a sentir-me em relação a tudo. Tinha completa confiança nela, e para além de saber super bem exteriorizar tudo, era entusiasmante fazê-lo com ela, porque ela demonstrava interesse, disponibilizava conselhos e apoio e era super divertida no meio disso tudo. A meu ver, para além do porto seguro que encontrara no Rúben, tinha descoberto um novo e importante pilar nela, e arriscava dizer que também no Rodrigo. Despachamo-nos para sair ainda entre conversa e mandei uma mensagem ao Rúben atempadamente para me vir buscar, esperando apenas uns dois minutos após ir com a Mónica até à saida, onde o Rodrigo já a esperava, e aproveitou para me felicitar com um sorriso generoso.
Bem, aqui está mais um, novamente pouco extenso, mas aqui está ele! Fi-lo quase à velocidade da luz, principalmente porque devia um capitulo à minha melhor amiga, por isso, bf está aqui e teu por inteiro, ahah
Espero então que gostem e deixem os vossos comentários meninas!
Besitos <3
Mónica
(Visão Rodrigo)
Estacionei junto da Lisboa Ink e nos conduzi até à entrada do mesmo.
-Vais fazer mais uma? - perguntou.
-A surpresa é pra você, logo , você vai fazer!
-Vou? Oh meu Deus, tu...
-Aquela que você queria muito fazer, as iniciais do nome e do sobrenome da sus mãe.
-Ai amor... - falou, se notando emoção na sua voz, bem como uma neblína no seu olhar.
-Tudo por você, meu bem. E eu falei com o Cristian e foi tudo bem.
-Obrigada! - agradeceu, me dando um beijo, o que o Cristian assistiu.
-Então, vamos a isto? - perguntou ele pra ela.
-Sim - sorriu.
-Então vamos! - começou a conduzir a gente.
-Só uma pergunta, vai doer muito? - perguntou ela, meio melindrada.
-Onde é que queres? - Ela apontou a parte de trás do pescoço, junto da orelha esquerda. - Um bocadinho, mas o valente do namorado está aqui! - sorriu ele, antes de indicar a cadeira pra ela sentar.
Visão Filipa
O Rúben tinha dormido lá em casa, outra vez. Maus hábitos, mas sabia tão bem estar com ele. Dormir envolta do seu abraço caloroso, adormecer com um beijo e um sorriso de boa noite e acordar com o mesmo era tão bom.
-Então e o almoço? É melhor começarmos a fazer, não é? - sugeriu.
-Sim, às 14.00h tenho de estar no Estádio.
-Sim senhora! Então e o que é que vamos fazer?
-Sinceramente não sei, não tirei nada para descongelar.
-Hm... Então vamos almoçar fora!
-Ah, Rúben...
-O que é que tem?
-Sabes que...
-Nos vão ver? Que mal é que tem? Podes ser só uma amiga, o que para todos os efeitos é verdade!
-Mas vão começar a especular.
-Que comecem, só terão certezas se sair da minha boca!
-Ai Rúben, mas e...
-Ei! - disse chegando-se perto de mim e envolvendo o meu rosto com as mãos. - Está tudo na tua cabeça, lembras-te princesa? - relembrou carinhosamente, fixando por segundos o seu olhar no meu. E sem esperar, este gesto tão involuntário no entanto algo intenso, teve o surpreendente efeito de me acalmar.
-Está bem, tens razão, se quero mentalizar-me disso tenho de começar por algum lado!
-Vês? - sorriu, fazendo-me retribuir o gesto. - Vamos, então?
-Vamos.
Quando o Rúben estacionou junto do Estádio já só faltavam cinco minutos para as 14.00h. O almoço tinha corrido bem e ao contrário do que pensei, poucos foram os olhares indiscretos sobre nós.
-Vais contar à Mónica agora? - perguntou, referindo-se à questão de estarmos juntos, não apelidando o facto.
-Acho que sim, mas se calhar mais para o fim da tarde, o movimento é menor e estamos mais perto da hora de saida, por isso se for preciso depois conversamos melhor sobre o assunto.
-Está bem.
-E tu, quando é que vais contar ao Rodrigo?
-Antes do treino, depois do treino, ainda tenho de decidir.
-Está bem.
-Estás nervosa?
-Um bocadinho, mas só um bocadinho, eu sei que posso confiar na Mónica. E tu, estás nervoso?
-Acho que um bocadinho também, mas não é propriamente por ir contar ao Rodrigo, ele vai reagir super bem, de certeza, a questão é que, és tu.
-E o que é que tem ser eu? - inquiri, sem entender.
-Tu és especial. Tudo bem, todas as minhas namoradas foram especiais, e não estou a rotular-te como tal, mas tu és diferente, não sei. Acho que isto da épicidade desde o principio torna tudo muito mais especial.
-Posso não comentar? É que fiquei sem saber o que dizer. - Ele sorriu, rebuscando em seguida um beijo nos meus lábios. - Bem, tenho de ir, se não chego atrasada, mesmo estando aqui à porta.
-Está bem - acedeu, dando-me novamente um beijo.
-Até logo - disse-lhe.
-Até logo - retorquiu. - Olha - chamou-me, quando virei. cara para abrir a porta do carro. Assim que torneei a cara de novo para ele, voltou a saquear-me a boca em busca de mais um beijo.
Sorri, após terminado, mas não cheguei a virar-lhe costas, porque me roubou um novo beijo.
-Rúben! - ri, depois de findado o beijo. Ele sorriu, recorrendo mais uma vez à minha boca.
-Só mais um! - pediu, beijando-me mais umas três vezes seguidas de forma rápida.
-Pronto, vá, tenho de ir! - repliquei, conseguindo escapulir-me por fim para fora do carro.
-Boa sorte para a revelação - desejou, adicionando um toque de gozo, que ultrapassei, desejando-lhe boa sorte também.
-Deixa eu ver - ouvi o Rodrigo dizer, aproximando-se do pescoço da Mónica. Hoje tinha sido ela. chegar primeiro. - Tá doendo?
-Um bocadinho, mas é normal, não é?
-É, mas se precisar coloca gelo, tá?
-Sim, amor.
-Boa tarde! - cumprimentei, chegando à frente deles.
-Oi! - disse o Rodrigo.
-Olá! - retorquiu-me a Mónica com um sorriso.
-Então, magoaste-te? - inquiri-a.
-Não, é que o Rodrigo hoje levou-me a fazer uma tatuagem, e agora está a doer-me um bocadinho.
-Ai que giro, posso ver? - Ela acedeu e mostrou-me. Estava simples mas bonita. - Tem significado, não tem? - perguntei, notando que não tinha sido feita só porque sim.
-São as iniciais do primeiro e último nomes da minha mãe. Ela faleceu há quase 10 anos.
-Eu sei, o Rúben já me tinha dito... Está linda - sorri, enternuradamente.
-Obrigada - agradeceu com o mesmo sentimento apoderando-se do seu olhar.
-Não quero você triste, viu? - pediu-lhe o Rodrigo, abraçando-a em seguida.
-Sim amor! - sorriu-lhe ela, retribuindo o abraço.
-Então pronto, eu vou embora meu bem.
-Sim, vai amor, nós temos de ir trabalhar também.
-Tá bom, então logo eu venho te pegar.
-Está bem - concordou ela, recebendo um beijo dele. - Até logo .
-Até logo amor - disse-lhe, despedindo-se de mim com dois beijinhos e indo embora. - Bem e nós vamos despachar-nos porque daqui a nada já começa a chegar gente!
-Então e a noite ontem, não acabou só quando nos despedimos, pois não? - ri, metendo-me com ela. Faltava meia hora para sairmos.
-Claro que não! - riu também. - Nem sei dizer a que horas é que acabou exactamente, só sei que hoje de manhã adormeci, e como o Rodrigo decidiu não me acordar, faltei às aulas. Depois tenho de pedir os apontamentos à Mariana.
-Ui, deve ter sido forte, então - gargalhei.
-É sempre! Aquele homem tira-me tudo! - riu também.
-Promenores não!
-Óbvio que não! Agora parecias mesmo o Rúben! - Limitei-me a rir, tentando esconder o sentimento automáticamente ao ouvir o nome dele, porém detive-me. Ia contar-lhe e estavamos sozinhas, por isso não precisava esconder. - Por falar em Rúben, foi ele que te veio trazer?
-Foi, ele é o meu motorista até o meu carro estar pronto, não é... Mas eu acho que já está a demorar tempo demais para o meu carro estar pronto!
-Provavelmente ele pediu para demorarem mais para poder fazer o serviço de táxi gratuito e passar mais tempo contigo!
-Pronto, ok, tem de ser agora!
-O quê? Perdi-me!
-Tenho de contar-te uma coisa!
-E o Rúben está envolvido nisso!
-Sim! Os teus palpites e as tuas suposições estavam certos, nós estamos juntos!
-Porque é que demoraste tanto tempo a contar-me?
-Oh, nós combinamos deixar em segredo. Até porque não rotulámos, por assim dizer, nada. Estamos juntos, mas sem nomes no meio, entendes?
-Sim, claro que sim... - notei-a pensativa, mas decidi proseguir.
-O Rúben também vai falar com o Rodrigo, mas nós combinamos que vos iamos pedir para guardar segredo. Decidimos contar-vos porque são os dois mais próximos de nós, e eu já não aguentava que fizesses tantas suposições certeiras e não te dizer nada, e o Rúben disse que o Rodrigo também andava desconfiado de alguma coisa.
-Sim, podes ficar descansada que eu guardo segredo! Mas já agora podias contar-me como é que isso aconteceu! - pedinchou, sorrindo. Acabei por contar-lhe tudo, desde as primeiras conversas que me aproximaram do Rúben até à hora de almoço daquele dia. Não dispensei contar-lhe os promenores que não escapavam ao Rúben como incluí um pouco entusiasmada a maneira como estava a sentir-me em relação a tudo. Tinha completa confiança nela, e para além de saber super bem exteriorizar tudo, era entusiasmante fazê-lo com ela, porque ela demonstrava interesse, disponibilizava conselhos e apoio e era super divertida no meio disso tudo. A meu ver, para além do porto seguro que encontrara no Rúben, tinha descoberto um novo e importante pilar nela, e arriscava dizer que também no Rodrigo. Despachamo-nos para sair ainda entre conversa e mandei uma mensagem ao Rúben atempadamente para me vir buscar, esperando apenas uns dois minutos após ir com a Mónica até à saida, onde o Rodrigo já a esperava, e aproveitou para me felicitar com um sorriso generoso.
segunda-feira, 5 de maio de 2014
Capitulo 33 (parte III)
Buenas noches guapas!
Com a regularidade escassa de sempre, aqui está mais um capitulo! Acho que não está tão extenso quanto o habitual no entanto espero que gostem na mesma!
Bf (Filipa Gonçalves) desculpa não satisfazer as tuas necessidades por completo, mas pelo menos parte estão aqui! Te quiero <3
E pronto, fico à espera dos vossos comentários meninas!
Besitos <3
Mónica
Visão Mónica
-Agora a gente - disse o Rodrigo, abraçando-me após terminarmos as despedidas da noite. Sorri.
-Ainda há mais?
-Claro que há! Ou pensou que eu organizava essa festa com todo mundo e depois não fazia nada só pra nós dois?
-Não...
-Então pronto, vamo subir nesse carro e seguir pró nosso destino! - indicou, soltando-me.
Fomos para Lisboa. Para um hotel, de nome America Diamond's Hotel. Apenas o facto de irmos para um hotel me deixava deslumbrada, mais fiquei quando descobri que iamos ficar numa suite!
-Podias cansar-te um bocadinho de gastar dinheiro comigo, amor - disse-lhe, não evitando sorrir, enquanto esperavamos pelo elevador, num dos corredores pouco movimentados àquela hora.
-Se eu não canso de você nunca também não vou cansar de mimar você, meu bem!
-Mas tu gastas ordenados comigo, amor! - repliquei ainda sorrindo, quando entrámos no elevador vazio. Ele premiu o botão que nos levaria ao 8° andar, o último.
-Vendo bem, eu gasto com a gente os dois, amor, mas mesmo que fosse só com você, não seria nada comparado com tudo de bom que você me dá, começando com esse sorriso lindo que você tem sempre no rosto! - sorriu, acercando-se de mim e envolvendo-me num abraço bom melhorado com um beijo lento e doce. Senti um arrepio quente em todo o corpo, antecipando-me para o calor que me encheria o corpo por dentro e por fora, colhendo no fim o paraíso pessoal e interior. Assim que ele abriu a porta da suite, dando-me passagem primeiro, não escondi o encanto. Soube que ficariamos numa suite, mas nem perderá tempo depois a pensar sobre isso. Fechada a porta e com ele ao meu lado sentia-me a dona de algo, o que juntando com a sensação genuina de ter a sorte de estar ali com ele, me faziam sentir estranhamente poderosa, ainda que pela decoração do local e o sentimento de paixão que me embalada, me fizesse senti-lo de uma forma doce.
-Gostou? - perguntou-me ele, chegando atrás de mim e envolvendo-me com os seus braços.
-Se perguntasses se amei tinha sido mais certeiro! Eu amei! - sorriu.
-Ainda bem, meu amor! - Deu-me um beijo e depois de despir o casaco e colocá-lo sobre uma cadeira dirigiu-se a um dos movéis da sala e retirou de uma gaveta uma caixa de fósforos, velas e incenso. Entretanto eu sentei-me na cama. O quarto era simples, mas era lindo, e sentia-lhe uma energía tão boa que me fazia sentir tão confortável e calma. Enquanto eu permanecí a admirar todo o eu campo de visão ele foi acendendo as velas e colocando-as de ambos os lados da cama, no chão, colocando o incenso em cima de uma das mesas de cabeceira. Enquanto ele dispunha as velas no chão, agachado, mantive-me concentrada nele, nos seus movimentos, nos seus traços. Quem quer que me peça alguma vez para descrever o que sinto por ele vai ficar sem uma resposta pouco elaborada, porque de tão profundo que é o que sinto não consigo ir ao fim e trazer tudo à tona com meras palavras. Após terminar a tarefa do primeiro lado da cama olhou para mim e sorriu, constatando a minha atenção a observá-lo.
-Gostando de me ver mais em baixo?
-Eu gosto de te ver de qualquer maneira!
-Bom, porque hoje vai ter de tudo!
-Ai, o que é que queres dizer com isso?
-Que vai ter de tudo hoje!
-É essa a parte que não percebo!
-É essa a parte que é surpresa!
-Jura? - ironizei.
-Juro! - riu, ao que acabei por gargalhar também.
-Então mas é muita coisa?
-Eu não conto quantidade mas sim qualidade, meu amor!
-Ah, então e a qualidade vai ser boa?
-Você que vai avaliar depois!
-Ai pá, tu não te descais?
-Não quê?
-Nada amor, esquece! - ri. Ele terminou a disposição das velas do outro lado.
-Esqueci! - disse, apagando as luzes que estavam acesas. - Fica bem ai onde você tá! - pediu, pegando no telemóvel e colocando música a tocar, que reconheci logo a primeira. Paulo Mac - Até a noite acabar. Se a música já me era sujestiva, o que se seguiu aumentou ainda mais a sujestividade. Depois de me dar um beijo, afastou-se e iniciou uma espécie de dança, desfazendo-se lentamente de cada peça de roupa, uma por uma. Se o sentimento inicial fora a surpresa e alguma expectativa, predominava agora o desejo e certa presunção, porque sendo sincera, não imaginava que um momento destes emanace tão bem em cada movimento dele. Talvez me fosse um pouco estranho por nunca ter assistido a tal episódio com ele, mas dos movimentos seguros, sem qualquer vergonha ou embaraço por estar a realizar passos insinuosos de dança enquanto a cada movimento descobria mais o corpo para mim, até ao olhar, sempre concentrado e fixo em mim. Se não fosse mínimamente audivel a minha rarefação na respiração ele tê-la-ia percebido na mesma. Descompassara-me o fôlego e subira-me o desejo, pior ainda sendo a primeira vez a assistir a algo assim. Os meus batimentos pareceram acelerar ainda mais quando ele veio até junto de mim, ornamentando apenas uns dos seus boxers pretos, que lhe ficavam bem como tudo!
-Ai Rodrigo, podes parar de me seduzir desta maneira? Se não daqui a nada tenho de ir lá para fora! - Ele riu, aproximando seguidamente rápido o seu rosto do meu., dando-me um beijo carregado. Ele ainda conseguia fazer pior, pronto! Pouco depois senti as suas mãos tocarem-me, começando por me abrir o fecho do vestido, seguindo depois por baixá-lo, com a sensualidade suficiente para dar continuidade ao espetáculo, agora em mim, ou aos dois, ou o que raio se quisesse dizer, mas que sabia tremendamente bem. Após ver-me livre do vestido precipitei-me para descalçar os sapatos de salto que tinha calçados, mas ele pousou a mão sobre a minha, no meu tornozelo.
-Não tira os sapatos - pediu, soando ao mesmo tempo uma espécie de ordem, fazendo com que fosse impossivel não conceder tal pedido. Afastei a mão do tornozelo, demonstrando a concepçãp do pedido, sem desviar o olhar do seu, penetrante e abrasador. Ele sorriu-me, sorriso que não chegou a grande, mas não chegou a tão pequeno que fosse tímido. Um sorriso sedutor. Como tudo o que procedera desde que estavamos ali dentro. Após a minha concordância ele tornou a subir a mão, deslizando-a demorada e deliciosamente pela minha perna, pelo meu tronco, parando no meu pescoço, para me beijar seguidamente, da mesma forma dominadora. Se continuasse neste ritmo acabaria comigo rapidamente. Deslizei sobre o colchão, deitando-me e levando o Rodrigo comigo, que se encaixou, de encosto perfeito no meu corpo, enquanto deslizava intensamente as mãos por todo o meu corpo. Para além do fogo consumidor que a junção dos nossos corpos me causava, tirei partido da sensação enebriante de percorrer o seu corpo também com as minhas mãos. Era impressionante como mesmo após tantas vezes a revolver na cama e não só com aquele homem eu continuava a sentir espasmos de prazer a cada vez que voltamos a juntar-nos. A sensação de possessão era esmagadora e de cada toque seu afloravam-se-me arrepios por toda a parte. Iria alguma vez deixar de ser assim? Após alguns momentos de envolvência entre lábios, linguas e respirações já aceleradas, ele deixou a minha boca para descer o toque quente e húmido, causador de arrepios e aceleramentos cardiacos, dos seus lábios para o meu pescoço. Pequenos silvos de prazer exalavam da minha boca denunciando a sensação de prazer e agrado com os seus lábios a percorrerem o meu pescoço e o colo do peito, enquanto uma mão pousava na minha nuca, deixando pequenas festas, a outra circulava da minha coxa, subindo pelo meu tronco, dando pequenos toques nas minhas costas, o que gerava mais arrepios, voltando a inverter o caminho. Até ao momento que tinhamos alguma peça de roupa no corpo consegui conter-me, porém, quando a nudez, meramente interrompida pelo facto de continuar com os meus sapatos calçados, não contive mais nada. Deixei-me levar, como sempre, pela experiência que adquirira já de todas as formas possiveis de fazer-me estremecer de prazer. E nem depois de consumado o fogo deixei de sentir a réstea de desejo que me acompanhava durante todo o dia pelo homem que amava. Depois de permanecermos alguns minutos a estabilizar a respiração, ele levantou-se e foi à casa de banho, mas demorou mais do que o habitual.
-Amor, estás bem? - perguntei-lhe do quarto, sentando-me na cama.
-Tudo óptimo amor! - respondeu, chegando ao quarto e parando ao meu lado. A nudez acentava-lhe gloriosamente, e agora já não sentia aquele pouquinho de vergonha de vê-lo assim, ou que me visse do mesmo jeito.
-O que é que se passou para demorares tanto tempo amor?
-Vai já ver! - disse, estendendo-me a mão.
-O quê? - insisti curiosamente.
-Vem - pediu, ao que segurei a sua mão e me levantei da cama, indo com ele até à casa de banho. E mais uma surpresa. Meu Deus, a suite não era o bastante, precisava de hidromassgens e champanhe.
-Amor eu só faço anos, não é um evento nacional!
-Pra mim você é o melhor do nacional, do internacional e dos dois juntos! Eu te amo e o melhor que eu puder dar pra você acredita que não é o que eu penso que é o melhor, porque você merece sempre mais!
-Ai amor, o que é que te deu hoje? Estás super querido e extremamente sedutor, assim não dá!
-Uma parte já deu, vai falar que não aguenta a outra?
-Pronto, está bem, claro que sim!
-Bem que parecia! - sorriu, dando-me um beijo. Depois deu-me passagem primeiramente para a banheira, com um gesto cortês. Descançei, finalmente, os sapatos e entrei naquela água quente sabotada agradavelmente com pétalas de rosa. Ele seguiu-me o gesto e mergulhou também para o calor tranquilizante da água, fazendo-me encostar ao seu peito, no entanto, antes de me descansar em tal posição, mergulhei completamente para molhar o cabelo, que se escorreu ao longo das minhas costas. Os seus olhos envolveram-me um pouco acima da cintura.
-Desejo satisfeito? - perguntei de olhos fechados.
-De você nunca.
-Mas em relação aos sapatos?
-Ah, isso...
-Satisfeito?
-Sim - sorriu.
-E contares-me sobre isso para irmos experimentando?
-Eu conto, mas o próximo será seu.
-Combinado!
-Já sabe qual vai ser?
-Possivelmente.
-Me conta?
-O problema é a pedalada que não sei se tenho agora.
-Me conta na mesma!
-Vais entusiasmar-te e não sei se vamos fazê-lo.
-Pode falar, por favor?
-Antes de sairmos daqui, o que não vai ser agora porque estou aqui bem e preciso de recarregar um bocadinho.
-Tá bom, vou fazer o mesmo - concordou, movendo-se um pouco para servir duas taças de champanhe e entregar-me uma delas. O contraste do quente da água e o frio do champanhe que estava no gelo revitalizava-me o interior. O silêncio absorveu o espaço abrangente, entrecortado apenas pelas nossas respirações. Enquanto absorviamos a calma do espaço ele brindava-me com um cafuné bom, enquanto, pelo que me parecia, começara a trotear num sussurro alguma música.
-Estás a preparar mais uma demonstração de algum talento escondido? - perguntei, metendo-me com ele.
-Não, só colaborando com a repetição da música que ficou tocando no quarto, no meu telefone - sorriu.
-Não sabia que também já ouvias Paulo Mac.
-Só costumava ouvir quando você ouvia e eu tava junto, mas agora comecei gostando mais e ouvindo.
-Então e não queres exteriorizar essa colaboracão com a música? - desafiei. - Estou curiosa! - ri. Ele sorriu, mas acedeu ao meu pedido. Obviamente que haviam falhas e desafinos, mas ele nem cantava mal e soou-me melhor pois ele cantou para mim, carregando o ar com maior intensidade de emoção. Quando ele parou de cantar, não chegando a metade da música, beijei-o. Se não o fizesse, apostava que acabaria por ficar ainda mais sentimental, o que poderia originar um choro de felicidade, e embora fosse de contentamento não queria que surgissem lágrimas esta noite. - Vamos sair? - sugeri.
-Vamo - concordou. Saimos da banheira e cobrimo-nos com os roupões que estavam na casa de banho, seguindo de regresso ao quarto. - Já vai me falar o seu desejo?
-Estás assim tão curioso? - ri.
-Até tou, e eu quero ajudar você a concretizar. - Ri novamente.
-No carro - revelei rapidamente.
-Quê? - Não sei se não percebeu mesmo ou se fez de propósito, mas repeti.
-No carro. - Ele aproximou-se de mim, ficando bem à minha frente.
-Algum em especial? - perguntou, aproximando mais o seu rosto do meu.
-O teu - respondi prontamente, erguendo o rosto para ele. Senti-o inalar profundamente.
-Se tivesse perto da gente eu te concretizava já - disse, num tom sedutoramente pesaroso.
-Fica para a próxima.
-Pena.
-Acontece - não consegui esconder um esgar de um sorriso, enquanto permaneciamos próximos e de olhares fixos.
-Mas a gente tem uma cama - propôs, sorrindo.
-Outra vez a cama? - brinquei, desafiando-o secretamente.
-Prefere o chão dessa vez? - perguntou sem hesitar, determinado.
-O sofá era melhor.
-Qual deles?
-O da janela.
-Tá com sorte que a gente tá no último andar e não há gente pra ver - disse, encostando-me finalmente a si com um puxão pela cintura contra o seu corpo.
-E tu estás com sorte que não te resisto, mas olha que qualquer dia declaro invalidez e a culpa é tua. - Ele riu.
-Se for preciso eu te sustento toda a vida.
-Não vou declarar invalidez!
-Você acabou de...
-Mudei de ideias! Aliás, era só uma ideia!
-Você e sua aversão por eu pagar o que quiser pra você!
-Preciso sentir-me útil e parte disso é um emprego!
-Tá bom, por agora não vou contrariar mais você!
-Finalmente! - exclamei, levando-nos a rir aos dois. Depois disso, beijo daqui, toque dali e lá fomos parar ao sofá da janela.
Visão Rodrigo
No meu ponto de vista, a noite tinha sido perfeita. Esperava que do dela também, porque era esse o objectivo. Me estreei, se for o termo certo, em shows particulares. Enquanto acendia as velas me sentia um pouquinho nervoso, mas chegada a hora os nervos sumiram e correu muito bem, tendo um resultado mais que bom, pois, mesmo sem querer, mas, a meu pedido, acabamos por satisfazer um desejo meu. E depois que a gente conversou acerca do assunto me senti ainda mais incitado a continuarmos com a concretização dos mesmos, de nós dois. Se não fosse com ela, duvido que tivesse tido coragem de pedir que tal sucedesse. Com a Carolina ela parecia demasiado prepotente, o que me fazia nem pensar nas minhas vontades e desejos, e as outras poucas raparigas com quem havia ficado e dormido eram diferentes. Eu gostava delas, mas não tão forte assim. Mas a Mónica era diferente. Eu digo isso um montão de vezes, mas se eu conseguisse explicar tudo o que sinto por ela, não precisava falar tantas. Para além de que ela é a minha pequenininha, pra mim ela é linda e perfeita, e ultimamente, a ousadia dela sobrelevava a sensualidade dela, o que me transmitia segurança nesse campo.
Quando acordei ela ainda tava dormindo. E como eu não cansava de olhar pra ela, fiquei observando a calma do seu sono e meio que sonhando na minha cabeça. Percebi que ela já tava atrasada prá Faculdade, mas não a despertei. Se ela faltasse hoje por certo não haveria problema. Acabei pegando no sono e quando despertei eram 10.40h. Tava precisando de um banho, mas não queria fazer isso sem ela, por isso liguei no serviço de quartos e pedi um miminho pra depois acordar ela. Vesti o roupão tapando o corpo pra ir atender o pedido que tinha feito e cheguei no quarto com o mesmo quando ela começava despertando.
-Bom dia meu amor! - cumprimentei, pousando o tabuleiro de morangos com três escolhas acompanhando, açucar, chantilli e chocolate, e me deitei ao seu lado, a envolvendo com um braço e lhe dando um beijo no pescoço.
-Bom dia amor - sorriu.
-Dormiu bem?
-Claro que sim - sorriu. Depois foi ver as horas. - Rodrigo, eu estou mais que atrasada para a Faculdade! - se sobressaltou.
-Amor, se você faltar hoje não tem problema de certeza, e a Mariana te passa os apontamentos que você precisar.
-Tens razão, e olha, agora também já não valia muito a pena ir...
-Então pronto, não vai, fica comigo!
-Fico! - sorriu, me dando um beijo e me abraçando.
-Bom, eu esperei por você pra tomar um banho e entretanto pedi isso - mostrei o tabuleiro. - Qual vai ser primeiro?
-Isto, estou esganada de fome!
-E a culpa é minha? - falei, sorrindo, já sabendo a resposta.
-Toda tua! Daqui - mencionou, passando a mão no meu cabelo - até aos pés! - riu.
-Não fala muito se não eu te culpo também! - sorri, roubando um beijo dela.
-Deves ter muito por que me culpar! Eu sou pequenina!
-Pequenina de trabalho duplo, ôh garotinha!
-Não me culpes que não tenho culpa que me tenham feito assim!
-Eu te amo do jeito que você é, mas também saio cansado disso, né?
-Ai, tá, mas agora vamos a isso para irmos tomar banho! - falou, referindo o conteúdo do tabuleiro.
-Vamo!
Já tavamos nos dirigindo pró meu carro, depois do check-out, quando anunciei a surpresa que ainda tinha pra ela.
-Antes de a gente ir pra casa vamos fazer uma visita noutro sitio!
-Que sitio?
-Surpresa! Aliás, a surpresa que deixou você sozinha no dia do jogo!
Com a regularidade escassa de sempre, aqui está mais um capitulo! Acho que não está tão extenso quanto o habitual no entanto espero que gostem na mesma!
Bf (Filipa Gonçalves) desculpa não satisfazer as tuas necessidades por completo, mas pelo menos parte estão aqui! Te quiero <3
E pronto, fico à espera dos vossos comentários meninas!
Besitos <3
Mónica
Visão Mónica
-Agora a gente - disse o Rodrigo, abraçando-me após terminarmos as despedidas da noite. Sorri.
-Ainda há mais?
-Claro que há! Ou pensou que eu organizava essa festa com todo mundo e depois não fazia nada só pra nós dois?
-Não...
-Então pronto, vamo subir nesse carro e seguir pró nosso destino! - indicou, soltando-me.
Fomos para Lisboa. Para um hotel, de nome America Diamond's Hotel. Apenas o facto de irmos para um hotel me deixava deslumbrada, mais fiquei quando descobri que iamos ficar numa suite!
-Podias cansar-te um bocadinho de gastar dinheiro comigo, amor - disse-lhe, não evitando sorrir, enquanto esperavamos pelo elevador, num dos corredores pouco movimentados àquela hora.
-Se eu não canso de você nunca também não vou cansar de mimar você, meu bem!
-Mas tu gastas ordenados comigo, amor! - repliquei ainda sorrindo, quando entrámos no elevador vazio. Ele premiu o botão que nos levaria ao 8° andar, o último.
-Vendo bem, eu gasto com a gente os dois, amor, mas mesmo que fosse só com você, não seria nada comparado com tudo de bom que você me dá, começando com esse sorriso lindo que você tem sempre no rosto! - sorriu, acercando-se de mim e envolvendo-me num abraço bom melhorado com um beijo lento e doce. Senti um arrepio quente em todo o corpo, antecipando-me para o calor que me encheria o corpo por dentro e por fora, colhendo no fim o paraíso pessoal e interior. Assim que ele abriu a porta da suite, dando-me passagem primeiro, não escondi o encanto. Soube que ficariamos numa suite, mas nem perderá tempo depois a pensar sobre isso. Fechada a porta e com ele ao meu lado sentia-me a dona de algo, o que juntando com a sensação genuina de ter a sorte de estar ali com ele, me faziam sentir estranhamente poderosa, ainda que pela decoração do local e o sentimento de paixão que me embalada, me fizesse senti-lo de uma forma doce.
-Gostou? - perguntou-me ele, chegando atrás de mim e envolvendo-me com os seus braços.
-Se perguntasses se amei tinha sido mais certeiro! Eu amei! - sorriu.
-Ainda bem, meu amor! - Deu-me um beijo e depois de despir o casaco e colocá-lo sobre uma cadeira dirigiu-se a um dos movéis da sala e retirou de uma gaveta uma caixa de fósforos, velas e incenso. Entretanto eu sentei-me na cama. O quarto era simples, mas era lindo, e sentia-lhe uma energía tão boa que me fazia sentir tão confortável e calma. Enquanto eu permanecí a admirar todo o eu campo de visão ele foi acendendo as velas e colocando-as de ambos os lados da cama, no chão, colocando o incenso em cima de uma das mesas de cabeceira. Enquanto ele dispunha as velas no chão, agachado, mantive-me concentrada nele, nos seus movimentos, nos seus traços. Quem quer que me peça alguma vez para descrever o que sinto por ele vai ficar sem uma resposta pouco elaborada, porque de tão profundo que é o que sinto não consigo ir ao fim e trazer tudo à tona com meras palavras. Após terminar a tarefa do primeiro lado da cama olhou para mim e sorriu, constatando a minha atenção a observá-lo.
-Gostando de me ver mais em baixo?
-Eu gosto de te ver de qualquer maneira!
-Bom, porque hoje vai ter de tudo!
-Ai, o que é que queres dizer com isso?
-Que vai ter de tudo hoje!
-É essa a parte que não percebo!
-É essa a parte que é surpresa!
-Jura? - ironizei.
-Juro! - riu, ao que acabei por gargalhar também.
-Então mas é muita coisa?
-Eu não conto quantidade mas sim qualidade, meu amor!
-Ah, então e a qualidade vai ser boa?
-Você que vai avaliar depois!
-Ai pá, tu não te descais?
-Não quê?
-Nada amor, esquece! - ri. Ele terminou a disposição das velas do outro lado.
-Esqueci! - disse, apagando as luzes que estavam acesas. - Fica bem ai onde você tá! - pediu, pegando no telemóvel e colocando música a tocar, que reconheci logo a primeira. Paulo Mac - Até a noite acabar. Se a música já me era sujestiva, o que se seguiu aumentou ainda mais a sujestividade. Depois de me dar um beijo, afastou-se e iniciou uma espécie de dança, desfazendo-se lentamente de cada peça de roupa, uma por uma. Se o sentimento inicial fora a surpresa e alguma expectativa, predominava agora o desejo e certa presunção, porque sendo sincera, não imaginava que um momento destes emanace tão bem em cada movimento dele. Talvez me fosse um pouco estranho por nunca ter assistido a tal episódio com ele, mas dos movimentos seguros, sem qualquer vergonha ou embaraço por estar a realizar passos insinuosos de dança enquanto a cada movimento descobria mais o corpo para mim, até ao olhar, sempre concentrado e fixo em mim. Se não fosse mínimamente audivel a minha rarefação na respiração ele tê-la-ia percebido na mesma. Descompassara-me o fôlego e subira-me o desejo, pior ainda sendo a primeira vez a assistir a algo assim. Os meus batimentos pareceram acelerar ainda mais quando ele veio até junto de mim, ornamentando apenas uns dos seus boxers pretos, que lhe ficavam bem como tudo!
-Ai Rodrigo, podes parar de me seduzir desta maneira? Se não daqui a nada tenho de ir lá para fora! - Ele riu, aproximando seguidamente rápido o seu rosto do meu., dando-me um beijo carregado. Ele ainda conseguia fazer pior, pronto! Pouco depois senti as suas mãos tocarem-me, começando por me abrir o fecho do vestido, seguindo depois por baixá-lo, com a sensualidade suficiente para dar continuidade ao espetáculo, agora em mim, ou aos dois, ou o que raio se quisesse dizer, mas que sabia tremendamente bem. Após ver-me livre do vestido precipitei-me para descalçar os sapatos de salto que tinha calçados, mas ele pousou a mão sobre a minha, no meu tornozelo.
-Não tira os sapatos - pediu, soando ao mesmo tempo uma espécie de ordem, fazendo com que fosse impossivel não conceder tal pedido. Afastei a mão do tornozelo, demonstrando a concepçãp do pedido, sem desviar o olhar do seu, penetrante e abrasador. Ele sorriu-me, sorriso que não chegou a grande, mas não chegou a tão pequeno que fosse tímido. Um sorriso sedutor. Como tudo o que procedera desde que estavamos ali dentro. Após a minha concordância ele tornou a subir a mão, deslizando-a demorada e deliciosamente pela minha perna, pelo meu tronco, parando no meu pescoço, para me beijar seguidamente, da mesma forma dominadora. Se continuasse neste ritmo acabaria comigo rapidamente. Deslizei sobre o colchão, deitando-me e levando o Rodrigo comigo, que se encaixou, de encosto perfeito no meu corpo, enquanto deslizava intensamente as mãos por todo o meu corpo. Para além do fogo consumidor que a junção dos nossos corpos me causava, tirei partido da sensação enebriante de percorrer o seu corpo também com as minhas mãos. Era impressionante como mesmo após tantas vezes a revolver na cama e não só com aquele homem eu continuava a sentir espasmos de prazer a cada vez que voltamos a juntar-nos. A sensação de possessão era esmagadora e de cada toque seu afloravam-se-me arrepios por toda a parte. Iria alguma vez deixar de ser assim? Após alguns momentos de envolvência entre lábios, linguas e respirações já aceleradas, ele deixou a minha boca para descer o toque quente e húmido, causador de arrepios e aceleramentos cardiacos, dos seus lábios para o meu pescoço. Pequenos silvos de prazer exalavam da minha boca denunciando a sensação de prazer e agrado com os seus lábios a percorrerem o meu pescoço e o colo do peito, enquanto uma mão pousava na minha nuca, deixando pequenas festas, a outra circulava da minha coxa, subindo pelo meu tronco, dando pequenos toques nas minhas costas, o que gerava mais arrepios, voltando a inverter o caminho. Até ao momento que tinhamos alguma peça de roupa no corpo consegui conter-me, porém, quando a nudez, meramente interrompida pelo facto de continuar com os meus sapatos calçados, não contive mais nada. Deixei-me levar, como sempre, pela experiência que adquirira já de todas as formas possiveis de fazer-me estremecer de prazer. E nem depois de consumado o fogo deixei de sentir a réstea de desejo que me acompanhava durante todo o dia pelo homem que amava. Depois de permanecermos alguns minutos a estabilizar a respiração, ele levantou-se e foi à casa de banho, mas demorou mais do que o habitual.
-Amor, estás bem? - perguntei-lhe do quarto, sentando-me na cama.
-Tudo óptimo amor! - respondeu, chegando ao quarto e parando ao meu lado. A nudez acentava-lhe gloriosamente, e agora já não sentia aquele pouquinho de vergonha de vê-lo assim, ou que me visse do mesmo jeito.
-O que é que se passou para demorares tanto tempo amor?
-Vai já ver! - disse, estendendo-me a mão.
-O quê? - insisti curiosamente.
-Vem - pediu, ao que segurei a sua mão e me levantei da cama, indo com ele até à casa de banho. E mais uma surpresa. Meu Deus, a suite não era o bastante, precisava de hidromassgens e champanhe.
-Amor eu só faço anos, não é um evento nacional!
-Pra mim você é o melhor do nacional, do internacional e dos dois juntos! Eu te amo e o melhor que eu puder dar pra você acredita que não é o que eu penso que é o melhor, porque você merece sempre mais!
-Ai amor, o que é que te deu hoje? Estás super querido e extremamente sedutor, assim não dá!
-Uma parte já deu, vai falar que não aguenta a outra?
-Pronto, está bem, claro que sim!
-Bem que parecia! - sorriu, dando-me um beijo. Depois deu-me passagem primeiramente para a banheira, com um gesto cortês. Descançei, finalmente, os sapatos e entrei naquela água quente sabotada agradavelmente com pétalas de rosa. Ele seguiu-me o gesto e mergulhou também para o calor tranquilizante da água, fazendo-me encostar ao seu peito, no entanto, antes de me descansar em tal posição, mergulhei completamente para molhar o cabelo, que se escorreu ao longo das minhas costas. Os seus olhos envolveram-me um pouco acima da cintura.
-Desejo satisfeito? - perguntei de olhos fechados.
-De você nunca.
-Mas em relação aos sapatos?
-Ah, isso...
-Satisfeito?
-Sim - sorriu.
-E contares-me sobre isso para irmos experimentando?
-Eu conto, mas o próximo será seu.
-Combinado!
-Já sabe qual vai ser?
-Possivelmente.
-Me conta?
-O problema é a pedalada que não sei se tenho agora.
-Me conta na mesma!
-Vais entusiasmar-te e não sei se vamos fazê-lo.
-Pode falar, por favor?
-Antes de sairmos daqui, o que não vai ser agora porque estou aqui bem e preciso de recarregar um bocadinho.
-Tá bom, vou fazer o mesmo - concordou, movendo-se um pouco para servir duas taças de champanhe e entregar-me uma delas. O contraste do quente da água e o frio do champanhe que estava no gelo revitalizava-me o interior. O silêncio absorveu o espaço abrangente, entrecortado apenas pelas nossas respirações. Enquanto absorviamos a calma do espaço ele brindava-me com um cafuné bom, enquanto, pelo que me parecia, começara a trotear num sussurro alguma música.
-Estás a preparar mais uma demonstração de algum talento escondido? - perguntei, metendo-me com ele.
-Não, só colaborando com a repetição da música que ficou tocando no quarto, no meu telefone - sorriu.
-Não sabia que também já ouvias Paulo Mac.
-Só costumava ouvir quando você ouvia e eu tava junto, mas agora comecei gostando mais e ouvindo.
-Então e não queres exteriorizar essa colaboracão com a música? - desafiei. - Estou curiosa! - ri. Ele sorriu, mas acedeu ao meu pedido. Obviamente que haviam falhas e desafinos, mas ele nem cantava mal e soou-me melhor pois ele cantou para mim, carregando o ar com maior intensidade de emoção. Quando ele parou de cantar, não chegando a metade da música, beijei-o. Se não o fizesse, apostava que acabaria por ficar ainda mais sentimental, o que poderia originar um choro de felicidade, e embora fosse de contentamento não queria que surgissem lágrimas esta noite. - Vamos sair? - sugeri.
-Vamo - concordou. Saimos da banheira e cobrimo-nos com os roupões que estavam na casa de banho, seguindo de regresso ao quarto. - Já vai me falar o seu desejo?
-Estás assim tão curioso? - ri.
-Até tou, e eu quero ajudar você a concretizar. - Ri novamente.
-No carro - revelei rapidamente.
-Quê? - Não sei se não percebeu mesmo ou se fez de propósito, mas repeti.
-No carro. - Ele aproximou-se de mim, ficando bem à minha frente.
-Algum em especial? - perguntou, aproximando mais o seu rosto do meu.
-O teu - respondi prontamente, erguendo o rosto para ele. Senti-o inalar profundamente.
-Se tivesse perto da gente eu te concretizava já - disse, num tom sedutoramente pesaroso.
-Fica para a próxima.
-Pena.
-Acontece - não consegui esconder um esgar de um sorriso, enquanto permaneciamos próximos e de olhares fixos.
-Mas a gente tem uma cama - propôs, sorrindo.
-Outra vez a cama? - brinquei, desafiando-o secretamente.
-Prefere o chão dessa vez? - perguntou sem hesitar, determinado.
-O sofá era melhor.
-Qual deles?
-O da janela.
-Tá com sorte que a gente tá no último andar e não há gente pra ver - disse, encostando-me finalmente a si com um puxão pela cintura contra o seu corpo.
-E tu estás com sorte que não te resisto, mas olha que qualquer dia declaro invalidez e a culpa é tua. - Ele riu.
-Se for preciso eu te sustento toda a vida.
-Não vou declarar invalidez!
-Você acabou de...
-Mudei de ideias! Aliás, era só uma ideia!
-Você e sua aversão por eu pagar o que quiser pra você!
-Preciso sentir-me útil e parte disso é um emprego!
-Tá bom, por agora não vou contrariar mais você!
-Finalmente! - exclamei, levando-nos a rir aos dois. Depois disso, beijo daqui, toque dali e lá fomos parar ao sofá da janela.
Visão Rodrigo
No meu ponto de vista, a noite tinha sido perfeita. Esperava que do dela também, porque era esse o objectivo. Me estreei, se for o termo certo, em shows particulares. Enquanto acendia as velas me sentia um pouquinho nervoso, mas chegada a hora os nervos sumiram e correu muito bem, tendo um resultado mais que bom, pois, mesmo sem querer, mas, a meu pedido, acabamos por satisfazer um desejo meu. E depois que a gente conversou acerca do assunto me senti ainda mais incitado a continuarmos com a concretização dos mesmos, de nós dois. Se não fosse com ela, duvido que tivesse tido coragem de pedir que tal sucedesse. Com a Carolina ela parecia demasiado prepotente, o que me fazia nem pensar nas minhas vontades e desejos, e as outras poucas raparigas com quem havia ficado e dormido eram diferentes. Eu gostava delas, mas não tão forte assim. Mas a Mónica era diferente. Eu digo isso um montão de vezes, mas se eu conseguisse explicar tudo o que sinto por ela, não precisava falar tantas. Para além de que ela é a minha pequenininha, pra mim ela é linda e perfeita, e ultimamente, a ousadia dela sobrelevava a sensualidade dela, o que me transmitia segurança nesse campo.
Quando acordei ela ainda tava dormindo. E como eu não cansava de olhar pra ela, fiquei observando a calma do seu sono e meio que sonhando na minha cabeça. Percebi que ela já tava atrasada prá Faculdade, mas não a despertei. Se ela faltasse hoje por certo não haveria problema. Acabei pegando no sono e quando despertei eram 10.40h. Tava precisando de um banho, mas não queria fazer isso sem ela, por isso liguei no serviço de quartos e pedi um miminho pra depois acordar ela. Vesti o roupão tapando o corpo pra ir atender o pedido que tinha feito e cheguei no quarto com o mesmo quando ela começava despertando.
-Bom dia meu amor! - cumprimentei, pousando o tabuleiro de morangos com três escolhas acompanhando, açucar, chantilli e chocolate, e me deitei ao seu lado, a envolvendo com um braço e lhe dando um beijo no pescoço.
-Bom dia amor - sorriu.
-Dormiu bem?
-Claro que sim - sorriu. Depois foi ver as horas. - Rodrigo, eu estou mais que atrasada para a Faculdade! - se sobressaltou.
-Amor, se você faltar hoje não tem problema de certeza, e a Mariana te passa os apontamentos que você precisar.
-Tens razão, e olha, agora também já não valia muito a pena ir...
-Então pronto, não vai, fica comigo!
-Fico! - sorriu, me dando um beijo e me abraçando.
-Bom, eu esperei por você pra tomar um banho e entretanto pedi isso - mostrei o tabuleiro. - Qual vai ser primeiro?
-Isto, estou esganada de fome!
-E a culpa é minha? - falei, sorrindo, já sabendo a resposta.
-Toda tua! Daqui - mencionou, passando a mão no meu cabelo - até aos pés! - riu.
-Não fala muito se não eu te culpo também! - sorri, roubando um beijo dela.
-Deves ter muito por que me culpar! Eu sou pequenina!
-Pequenina de trabalho duplo, ôh garotinha!
-Não me culpes que não tenho culpa que me tenham feito assim!
-Eu te amo do jeito que você é, mas também saio cansado disso, né?
-Ai, tá, mas agora vamos a isso para irmos tomar banho! - falou, referindo o conteúdo do tabuleiro.
-Vamo!
Já tavamos nos dirigindo pró meu carro, depois do check-out, quando anunciei a surpresa que ainda tinha pra ela.
-Antes de a gente ir pra casa vamos fazer uma visita noutro sitio!
-Que sitio?
-Surpresa! Aliás, a surpresa que deixou você sozinha no dia do jogo!
segunda-feira, 14 de abril de 2014
Capitulo 33 (parte II)
Boa noite meninas!
Deixo-vos aqui, finalmente, um novo capitulo! Espero que gostem e deixem os vossos comentários!
Besitos <3
Mónica
Visão Rúben
Todos os medos e dúvidas da Filipa faziam sentido, porém, eu sentia que nenhuma das dúvidas ou medos se concretizariam. Eu pareço meio parvo, porque a última vez que senti que seria real e especial, terminara à poucas horas com uma traição. E apesar do fim desmerecido por minha parte, eu sei que enquanto estivemos bem foi verdadeiro, apesar de não tão forte como eu pensava. Mas a Filipa... Sei lá, a Filipa foi épico, é épico, ela é diferente. E a minha intenção ou propósito não é, de todo, fazer comparações, mas ela é o oposto da Andreia. Quando conheci a Andreia ela era fria, e foi durante muito tempo, mas a Filipa foi de uma doçura e simpatia incríveis, logo após aquele encontrão. As duas têm medis do passado, e agora com toda a certeza prefiro o épico ao curandeiro. Isto é, não me arrependo de nada que fiz para conquistar a Andreia, mas sem sofrer, apaixonar-me está a soar-me ainda melhor. Acabei por pernoitar na casa da Filipa e senti-me pacificamente feliz ao adormecer abraçado a ela. Depois de despertarmos, na manhã seguinte, mantivemo-nos ocupados, principalmente a desfrutar da companhia um do outro. Acabei por me perder nas horas e saí de casa dela apressado para passar em minha casa e ir buscar o que precisava para seguir para o treino, o primeiro dos que teríamos hoje, à conta do jogo de hoje. Cheguei uns dois minutos atrasado, por sorte, e ainda vi a minha pequenina, antes de correr na direcção que os rapazes haviam seguido. O treino correu bem e consegui dar uma desculpa ao Mister que ele acreditou, ou se não acreditou fingiu fazê-lo, por ter faltado ao treino da tarde anterior. Seguimos para almoçar animados.
-Para além do bom treino tá com cara de felicidade! O que é que aconteceu? - perguntou-me o Rodrigo, sentando-se ao meu lado.
-Acordei bem-disposto!
-Tá, e acordou bem-disposto assim porquê? - insistiu.
-Oh, sei lá, acordei assim! E ainda bem, porque temos jogo!
-Hm-hm - murmurou, não-convencido.
-Podemos parar com esta conversa, por favor?
-Tá querendo me esconder alguma coisa, mas tá bom - Dei inicio a uma conversa banal, que ele acabou por aceitar e continuar.
-A Mónica ficou com as meninas, tava se sentindo sozinha de manhã.
-A sentir-se sozinha contigo ao lado?
-Não, eu saí um pouquinho e a Mariana foi ter com o seu irmão.
-Ah, então pronto, fez bem, assim não fica sozinha, e as meninas são simpáticas e divertidas!
-É, e ela ia chamar a Filipa pra vir também, já que elas e a minha irmã vão ver o jogo no Estádio.
-A Filipa?
-Sim.
-Ah, está bem - contive um sorriso a custo. Tentei depois evitar assuntos que relacionassem as meninas para não ter de evitar sorrir assim que tocássemos no nome da Filipa.
A pouco tempo de termos de nos reunir para a palestra do Mister, após o treino antecedente ao jogo, eu e o Rodrigo, assim como o resto do plantel, fomos até aos camarotes para ir ter com as meninas. Não evitei sorrir ao ver a Filipa, enquanto me dirigia com o Rodrigo ao seu encontro e da Mónica. Enquanto o Rodrigo se foi agarrar à Mónica e ficaram entretidos aos sorrisinhos e abraços, eu e a Filipa mantivemo-nos alguns segundos apenas a sorrir um para o outro. Parecia tudo tão genuíno, tão verdadeiro. O ar parecia-me mais leve, era mais fácil respirar, era impossível não sorrir. Sentia-me feliz, mesmo com o secretismo, feliz como parecia que nunca tinha estado.
-Olá - acabei por dizer, sem desfazer o sorriso, diminuindo apenas a sua expansão, pois se não me moderasse, o que queríamos esconder, por ora, seria obviamente claro para todos.
-Olá - respondeu, exercendo o mesmo esforço que eu para controlar o sorriso. Até agora, podia dizer que já tínhamos alguma intimidade, dado o que já havíamos partilhado um com o outro nos piores momentos que passáramos recentemente, mais eu que ela, mas que a haviam levado a partilhar coisas comigo. Mas neste momento sentia que já nos ligava alguma cumplicidade. Se cada palavra que havíamos dito com o coração, principalmente na noite anterior, nos restituísse os pontos essenciais para uma boa amizade, evolutiva depois conforme os passos que quiséssemos dar, diria que já estaríamos a meio caminho.
-Vais ficar para ver o jogo? - perguntei aleatoriamente, sabendo já a resposta.
-Não tenho nada melhor para fazer - o dialogo não parecia estar a surgir, mais devido ao facto de termos de nos conter de modos diferentes, porque garanto que o que me apetecia neste momento era abraçá-la, receber um beijo de boa sorte e ficar a conversar como na noite anterior até ter de ir para campo.
-Então mano! - sobressaltei-me um pouco quando o meu irmão surgiu atrás de mim, colocando um braço por ima dos meu ombros, acompanhado pela Mariana.
-Então! - respondi, tentando tirar o mais de inconveniência que se me atravessasse no tom de voz.
-Pronto para o jogo? E olá Filipa! - sorriu, cumprimentando a Filipa, ao que ela pareceu apenas habilitada a responder com um sorriso.
-Sempre! - respondi.
-Assim é que é maninho! Mas boa sorte de qualquer maneira!
-Obrigado!
-Oi gente, oi maninnha! - disse o Rodrigo, surgindo com a Mónica ao pé de nós. - Rúben tá na hora de a gente ir!
-Está bem! - cheguei-me junto da Filipa e dei-lhe dois beijinhos. - Se marcar, é para ti - disse-lhe entre a despedida, de forma discreta.
-Boa sorte - sorriu. Depois de me despedir dos outros segui com o Rodrigo, olhando uma última vez para aquela que inspiraria a minha noite.
Ganhámos por 3-0. Não marquei, mas dei mais que o meu melhor.
-Inspiradão você, hein Rúben? - comentou o Rodrigo, quando já íamos a sair dos balneários, dirigindo-nos às garagens, ond as meninas nos esperavam.
-Olha que fala, também!
-Desviando assunto de novo? - percebeu, sorrindo.
-Não é desviar assunto, é constatar factos! - tentei novamente.
-Tá, vou fingir acreditar!
-É isso! Então e olha, a tua pequenina está quase a fazer anos! - mudei definitivamente o assunto, sabendo que o prenderia neste.
-Tá mesmo! - sorriu, não escondendo o carinho. Se havia algo que me fazia sorrir também era a forma tão evidenciada como eles demonstravam, muitas vezes sem perceberem, o quanto gostavam um do outro.
-Então e vais fazer-lhe alguma coisa? Se precisares de ajuda a organizar alguma coisa ou assim conta comigo!
-Vou fazer com certeza, mas vou ter que pensar ainda, eu já preparei uma surpresa pra ela, mas não é nenhuma festa, é mais uma prenda.
-Está bem, mas então precisas de ideias, preferes pensar sozinho?
-Pode ajudar, claro! Aliás, eu queria a sua ajuda e da minha irmã. E vou pedir ajuda à Filipa pra entreter ela prá gente se reunir e pensar alguma coisa.
-Boa! E quando é que vai ser?
-Ainda não sei, mas depois a gente vê que eles já tão ali esperando a gente! - respondeu, quando estavamos já perto dos nossos carros.
-Vamos festejar pessoal? - perguntou o meu irmão, assim que os alcansámos.
-Eu não quero ser desmancha prazeres, mas eu não estou com vontade de andar a dormir na Faculdade nem no trabalho - disse a Mónica, sorrindo e trocando um olhar cúmplice com o Rodrigo, que retorquiu com um sorriso igual.
-Pois, eu também não vou, amanhã é dia de trabalho - disse a Filipa.
-Nem olha pra mim que eu não vou deixar a minha menina! - disse logo o Rodrigo.
-Ai, não podes deixar a menina hoje? - perguntou o meu irmão.
-Poder eu posso, mas não tou querendo! - respondeu o Rodrigo, abraçando a Mónica.
-Que mel, pá! - resmoneou o Mauro.
-Dá pra você calar a boca, ou não vê que eles tao apaixonados? É normal! - retorquiu logo a Mariana com um sorriso.
-Apaixonado também eu estou mas não estou incapacitado para te deixar de vez em quando!
-Mauro, cala a boca, só isso, tá?
-Pronto! Então e tu, não vais falhar, não é maninho? - virou-se para mim.
-Vocês estão uns cortes, hoje!
-Quer ir jogar os 90 minutos como a gente fez, juntar os treinos e ir festejar? - perguntou o Rodrigo.
-Mas nós ganhámos!
-Mas nós estamos cansados! - repliquei.
-Pronto, já percebi! Amor, vens comigo? - perguntou à Mariana.
-Vou!
-Ah, alguém que não me deixa festejar sozinho!
-Alguém que não tá cansada como eles! Mas mesmo assim não vai ser até muito tarde que amanhã eu também tenho a Faculdade!
-Está bem! Bem, então nós vamos campeões!
-Bom festejo! - brinquei.
-Vai ser melhor que ficar em casa! - rimos.
-Ah, esperem! É só para vos avisar que se precisarem de me ligar não o façam, fiquei sem telemóvel!
-Então? - perguntou o Mauro.
-Caiu e foi-se! Mas amanhã vou comprar um novo, não te preocupes que não ficas muito tempo sem me chatear à distância! - ri. Acabámos por nos despedir de vez e eles foram embora.
-Bom gente, a gente vai embora também! - informou o Rodrigo. - Precisa de boleia, Filpa?
-Deixa estar que o motorista está cá! - intervim.
-Tá bom! Então até amanhã!
-Até amanhã!
-O telemóvel caiu depois de o teres mandado contra a parede! - disse a Filipa após entrarmos no meu carro.
-Ninguém precisa de saber!
-Vais contar-lhes que tu e a Andreia acabaram?
-Vou, mas por agora ainda não.
-Está bem.
-Amanhã vens comigo comprar o telemóvel novo?
-Se acordares de manhã sim, porque eu entro às 14.00h.
-Se não acordar sozinho acordas-me tu.
-Pernoitar na minha casa outra vez?
-Sinto-me sozinho na minha, e durmo bem ao teu lado.
-Bela desculpa, mas aceito.
-Compenso quando lá chgarmos - sorri, prometendo então os beijos reprimidos em todas as ocasiões que nos cruzaramos.
Visão Rodrigo
Durante a semana que tinha passado a Filipa nos ajudou a distrair a Mónica enquanto eu, o Rúben e a minha irmã discutiamos ideias pra fazer uma surpresa prá minha namorada. Ela era muito apegada na familia então pensei em algo que os envolvesse, mas não foi possivel reunir todos, por isso apenas os primos e uma das tias participariam. Fui percebendo também que ela tava se dando bem com as meninas, inclusive com a nova namorada do Nico, que a gente acabou descobrindo que elas já se conheciam, por isso decidimos alugar um salão em Cascais pra juntar todo mundo. Acertamos todos os pormenores no dia anterior, o dia que seguiu nosso empate com o Nacional, na Madeira, por 2-2.
Na manhã do aniversário dela acordei mais cedo, tendo o cuidado de sair da cama sem despertar ela, e fui preparar o café da manhã prá gente, pra levar no quarto.
Comecei despertando ela com beijos na cara e no pescoço.
-Feliz aniversário meu amor - desejei, sorrindo junto do seu rosto, que logo se abriu num sorriso enorme, após abrir os olhos e se espreguiçar.
-Obrigada amor - agradeceu, me dando um beijo.
-Tá com fome?
-Sim.
-Que bom, trouxe seu café da manhã!
-Obrigada amor! - sorriu, se sentando e liberando espaço pra eu sentar do seu lado e comer com ela, porém o que a gente desejava que prolongasse pra umas horas de mimo na cama teve de originar um duche rápido pra eu levar ela na Faculdade, onde eu também fui buscar ela na hora de almoço, pois ela tinha pedido folga pró dia e a gente ia almoçar junto. O Mister ia dar folga prá gente no dia seguinte, por isso ela foi assistir ao meu treino, às 17.00h e depois seguimos pra casa, onde eu falei que a gente ia jantar fora também.
-Estás a estragar-me! - reclamou, enquanto a gente se vestia.
-É seu dia, você merece!
-Mas é demais amor!
-É de menos até, meu bem! E pode ficar estragada o quanto for, eu que vou tar do seu lado, por isso não vou ter problemas em lidar com isso!
-Tonto.
-Eu te amo - disse, chegando perto dela e tirando um beijo.
-Eu também te amo! - sorriu.
-Tá pronta?
-Quase!
-Então termina prá gente ir! - Pouco depois saí com ela deslumbrante do meu lado pra um jantar tão menos íntimo do que ela esperava.
Visão Filipa
Como o Rodrigo me tinha pedido, entreti a Mónica enquanto ele, o Rúben e a Mariana planeavam como é que iam fazer uma festa para ela, que fazia anos no dia 12, tarefa na qual fui bem sucedida e penso que ela não desconfiou ou achou estranho pedir-lhe para passar algum tempo apenas comigo. Julgo que tal também se deveu ao facto de a cada dia estarmos mais próximas. Desde que nos conheceramos a simpatia fora imperial, e com a convivência, quer nas horas de trabalho quer fora delas, as coisas fluiam de uma forma tão simples que me sentia tão confortável a conversar com ela, como se estivesse predestinado conhecermo-nos e criarmos uma amizade que desejavamos guardar para a vida. Era assim que me sentia em relação à nossa amizade. Também havia passado uma semana desde que eu e o Rúben começaramos a... o que quer que fosse que tinhamos. Como lhe tinha dito, não me sentia preparada para iniciar algo, se bem que começava a tentar mentalizar-me que era apenas uma ideia da minha cabeça, mas a disponibilidade do Rúben em não rotular nada, em não termos de seguir a normalidade, por assim dizer, de um relacionamento, o facto de ter sido o primeiro a apelar para o secretismo, se me sentisse bem e assim o quisesse, deixava-me mais confortável com a situação. Contudo, estava a tornar-se um bocadinho difícil manter a segredaria disso, porque a Mónica de vez em quando fazia umas suposições e constatações que me inquietavam, e se fosse sob o seu olhar, não conseguia sequer tentar negar ou mudar o assunto, tentava ignorar, o que daria ainda mais aso a que ela fizesse suposições.
Na manhã de dia 12 enviei uma mensagem de parabéns à Mónica e tornei a dormir, ligando-lhe à hora de almoço para reforçar o desejo de feliz aniversário. Trabalharia com outra colega, porque ela tinha pedido folga, pelo que há hora de saída já o Rúben me esperava, já ele pronto, para me levar a casa para que me arranjasse também para seguirmos para a festa da Mónica.
-A Mónica anda a fazer suposições muito certeiras - comentei com o Rúben, no caminho para a festa.
-Em relação a quê?
-A nós.
-Hm... E como é que te sentes em relação a isso? Tens medo que ela descubra?
-Acho que não. Acho que ela já é mais uma melhor amiga do que uma simples amiga, por isso acho que se ela descobrir não vou importar-me.
-Isso é bom, significa de algum modo, progressos.
-Sim. Eu tenho andado a tentar mentalizar-me que esse medo e assim é tudo da minha cabeça.
-Acho que fazes muito bem! Se precisares de um empurrãozinho é só dizeres!
-Depende da espécie de empurrãozinho.
-Podes descansar que é indolor e não te traz problemas!
-Vou considerar! - ri. Acabamos por chegar e findar a conversa, juntando-nos a quem já lá estava.
Visão Rúben
Estaba ansioso que a minha pequenina chgasse e percebesse que afinal não ia jantar sozinha com o seu brasileirinho mas sim con todos os que mais gostava. Acho que os sorrisos são algo que nunca me cansei de ver e rever, e vê-los no rosto das pessoas que me são queridas é algo mprescindivel, e a minha pequenina é a minha pequenina, tirando o pequeno grande detalhe de ela ser a rapariga que faz a vida ser melhor para um dos meus melhores amigos. E como previsto e desejado, sorrisos abundaram na noite, sendo o maior o da Mónica, seguido pelo do Rodrigo, que não parou um segundo de babar para a rapariga.
-Então, gostaste da surpresa? - perguntei à baixinha da aniversariante, após chegar junto dela, do Rodrigo, do meu irmão, da Mariana e da Filipa, que acabara também de se lhes juntar.
-Claro que sim! Obrigada!
-Parar de agradecer é regra nessa festa, a menos que entreguem presentes pra você! - disse a Mariana.
-Bem, com licença, Filipa, queres dançar? - perguntei, estendendo-lhe a mão.
-Está bem - aceitou, segurando a minha mão, erguendo o seu olhar carinhosamente para mim.
-É disso que eu tenho estado a falar Fii! - disse a Mónica para a Filipa, retrucando um olhar com ela que eu já conhecia a par da cumplicidade das duas. A Filipa sorriu sem dizer uma palavra, seguindo-me para a pequena pista.
-Ela já descobriu, só não disse directamente, ainda - disse à Filipa, após firmar as minhas mãos no seu corpo para dançarmos.
-Achas?
-De certeza. Mas estás bem com isso, certo?
-Sim, sim, com ela estou.
-Ainda bem. Mas, achas que também estarias com o Rodrigo?
-Porquê? Ele também sabe?
-Desconfia de alguma coisa. Eu acabo sempre por conseguir mudar o assunto, mas ele não insiste mais porque me respeita, mas a verdade é que acho que preciso de contar a alguém e queria que fosse ele.
-Podes contar-lhe.
-Tens a certeza?
-Sim, afinal eles são quase como um, sabes perfeitamente a cumplicidade que há entre eles, para além de que eles já devem ter comentado alguma coisa entre eles.
-É, tens razão. Mas então não te importas mesmo?
-Não. Eu vou falar com a Mónica também.
-Amanhã?
-Sim. Mas vamos pedir-lhes para guardarem segredo.
-Claro.
-Boa - sorriu.
-No final da noite, mais concretamente, o inicio da madrugada, depois de todos se despedirem e irem embora, apenas o grupo habitual permaneceu.
-Rúben - chamou-me a Filipa, num tom mais baixo, enquanto o meu irmão e a Mariana se despediam da Mónica e do Rodrigo.
-Sim.
-Posso fazer-te uma pergunta?
-Claro que podes.
-Eu sei que não é da minha conta, mas, os pais da Mónica não vieram, pois não? - Ah, a pergunta.
-O pai e a irmã dela, que é filha dele com outra mulher, não puderam vir.
-Hm, e a mãe dele? É que eu percebi que ela é muito ligado à familia, pelo menos aos que estiveram cá hoje...
-A mãe dela faleceu há quase dez anos - respondi, sem evitar ostentar um pequeno pesar no tom de voz.
-Ah, eu... eu não sabia...
-Não te preocupes, ela lida bem com isso, quer dizer, se é que o termo bem pode ser empregue neste tema.
-Ainda bem - disse, um pouco envolta pela emoção caída em si aquando da novidade.
-Vá, deixa isso! Vamos despedir-nos deles também?
-Sim.
-E posso pernoitar outra vez?
-Qualquer dia alugas-me o outro quarto!
-Olha que não era mal pensado!
-Não inventes, Rúben!
-Está bem, pronto, vamos lá! - não insisti, dirigindo-nos para os nossos amigos.
Deixo-vos aqui, finalmente, um novo capitulo! Espero que gostem e deixem os vossos comentários!
Besitos <3
Mónica
Visão Rúben
Todos os medos e dúvidas da Filipa faziam sentido, porém, eu sentia que nenhuma das dúvidas ou medos se concretizariam. Eu pareço meio parvo, porque a última vez que senti que seria real e especial, terminara à poucas horas com uma traição. E apesar do fim desmerecido por minha parte, eu sei que enquanto estivemos bem foi verdadeiro, apesar de não tão forte como eu pensava. Mas a Filipa... Sei lá, a Filipa foi épico, é épico, ela é diferente. E a minha intenção ou propósito não é, de todo, fazer comparações, mas ela é o oposto da Andreia. Quando conheci a Andreia ela era fria, e foi durante muito tempo, mas a Filipa foi de uma doçura e simpatia incríveis, logo após aquele encontrão. As duas têm medis do passado, e agora com toda a certeza prefiro o épico ao curandeiro. Isto é, não me arrependo de nada que fiz para conquistar a Andreia, mas sem sofrer, apaixonar-me está a soar-me ainda melhor. Acabei por pernoitar na casa da Filipa e senti-me pacificamente feliz ao adormecer abraçado a ela. Depois de despertarmos, na manhã seguinte, mantivemo-nos ocupados, principalmente a desfrutar da companhia um do outro. Acabei por me perder nas horas e saí de casa dela apressado para passar em minha casa e ir buscar o que precisava para seguir para o treino, o primeiro dos que teríamos hoje, à conta do jogo de hoje. Cheguei uns dois minutos atrasado, por sorte, e ainda vi a minha pequenina, antes de correr na direcção que os rapazes haviam seguido. O treino correu bem e consegui dar uma desculpa ao Mister que ele acreditou, ou se não acreditou fingiu fazê-lo, por ter faltado ao treino da tarde anterior. Seguimos para almoçar animados.
-Para além do bom treino tá com cara de felicidade! O que é que aconteceu? - perguntou-me o Rodrigo, sentando-se ao meu lado.
-Acordei bem-disposto!
-Tá, e acordou bem-disposto assim porquê? - insistiu.
-Oh, sei lá, acordei assim! E ainda bem, porque temos jogo!
-Hm-hm - murmurou, não-convencido.
-Podemos parar com esta conversa, por favor?
-Tá querendo me esconder alguma coisa, mas tá bom - Dei inicio a uma conversa banal, que ele acabou por aceitar e continuar.
-A Mónica ficou com as meninas, tava se sentindo sozinha de manhã.
-A sentir-se sozinha contigo ao lado?
-Não, eu saí um pouquinho e a Mariana foi ter com o seu irmão.
-Ah, então pronto, fez bem, assim não fica sozinha, e as meninas são simpáticas e divertidas!
-É, e ela ia chamar a Filipa pra vir também, já que elas e a minha irmã vão ver o jogo no Estádio.
-A Filipa?
-Sim.
-Ah, está bem - contive um sorriso a custo. Tentei depois evitar assuntos que relacionassem as meninas para não ter de evitar sorrir assim que tocássemos no nome da Filipa.
A pouco tempo de termos de nos reunir para a palestra do Mister, após o treino antecedente ao jogo, eu e o Rodrigo, assim como o resto do plantel, fomos até aos camarotes para ir ter com as meninas. Não evitei sorrir ao ver a Filipa, enquanto me dirigia com o Rodrigo ao seu encontro e da Mónica. Enquanto o Rodrigo se foi agarrar à Mónica e ficaram entretidos aos sorrisinhos e abraços, eu e a Filipa mantivemo-nos alguns segundos apenas a sorrir um para o outro. Parecia tudo tão genuíno, tão verdadeiro. O ar parecia-me mais leve, era mais fácil respirar, era impossível não sorrir. Sentia-me feliz, mesmo com o secretismo, feliz como parecia que nunca tinha estado.
-Olá - acabei por dizer, sem desfazer o sorriso, diminuindo apenas a sua expansão, pois se não me moderasse, o que queríamos esconder, por ora, seria obviamente claro para todos.
-Olá - respondeu, exercendo o mesmo esforço que eu para controlar o sorriso. Até agora, podia dizer que já tínhamos alguma intimidade, dado o que já havíamos partilhado um com o outro nos piores momentos que passáramos recentemente, mais eu que ela, mas que a haviam levado a partilhar coisas comigo. Mas neste momento sentia que já nos ligava alguma cumplicidade. Se cada palavra que havíamos dito com o coração, principalmente na noite anterior, nos restituísse os pontos essenciais para uma boa amizade, evolutiva depois conforme os passos que quiséssemos dar, diria que já estaríamos a meio caminho.
-Vais ficar para ver o jogo? - perguntei aleatoriamente, sabendo já a resposta.
-Não tenho nada melhor para fazer - o dialogo não parecia estar a surgir, mais devido ao facto de termos de nos conter de modos diferentes, porque garanto que o que me apetecia neste momento era abraçá-la, receber um beijo de boa sorte e ficar a conversar como na noite anterior até ter de ir para campo.
-Então mano! - sobressaltei-me um pouco quando o meu irmão surgiu atrás de mim, colocando um braço por ima dos meu ombros, acompanhado pela Mariana.
-Então! - respondi, tentando tirar o mais de inconveniência que se me atravessasse no tom de voz.
-Pronto para o jogo? E olá Filipa! - sorriu, cumprimentando a Filipa, ao que ela pareceu apenas habilitada a responder com um sorriso.
-Sempre! - respondi.
-Assim é que é maninho! Mas boa sorte de qualquer maneira!
-Obrigado!
-Oi gente, oi maninnha! - disse o Rodrigo, surgindo com a Mónica ao pé de nós. - Rúben tá na hora de a gente ir!
-Está bem! - cheguei-me junto da Filipa e dei-lhe dois beijinhos. - Se marcar, é para ti - disse-lhe entre a despedida, de forma discreta.
-Boa sorte - sorriu. Depois de me despedir dos outros segui com o Rodrigo, olhando uma última vez para aquela que inspiraria a minha noite.
Ganhámos por 3-0. Não marquei, mas dei mais que o meu melhor.
-Inspiradão você, hein Rúben? - comentou o Rodrigo, quando já íamos a sair dos balneários, dirigindo-nos às garagens, ond as meninas nos esperavam.
-Olha que fala, também!
-Desviando assunto de novo? - percebeu, sorrindo.
-Não é desviar assunto, é constatar factos! - tentei novamente.
-Tá, vou fingir acreditar!
-É isso! Então e olha, a tua pequenina está quase a fazer anos! - mudei definitivamente o assunto, sabendo que o prenderia neste.
-Tá mesmo! - sorriu, não escondendo o carinho. Se havia algo que me fazia sorrir também era a forma tão evidenciada como eles demonstravam, muitas vezes sem perceberem, o quanto gostavam um do outro.
-Então e vais fazer-lhe alguma coisa? Se precisares de ajuda a organizar alguma coisa ou assim conta comigo!
-Vou fazer com certeza, mas vou ter que pensar ainda, eu já preparei uma surpresa pra ela, mas não é nenhuma festa, é mais uma prenda.
-Está bem, mas então precisas de ideias, preferes pensar sozinho?
-Pode ajudar, claro! Aliás, eu queria a sua ajuda e da minha irmã. E vou pedir ajuda à Filipa pra entreter ela prá gente se reunir e pensar alguma coisa.
-Boa! E quando é que vai ser?
-Ainda não sei, mas depois a gente vê que eles já tão ali esperando a gente! - respondeu, quando estavamos já perto dos nossos carros.
-Vamos festejar pessoal? - perguntou o meu irmão, assim que os alcansámos.
-Eu não quero ser desmancha prazeres, mas eu não estou com vontade de andar a dormir na Faculdade nem no trabalho - disse a Mónica, sorrindo e trocando um olhar cúmplice com o Rodrigo, que retorquiu com um sorriso igual.
-Pois, eu também não vou, amanhã é dia de trabalho - disse a Filipa.
-Nem olha pra mim que eu não vou deixar a minha menina! - disse logo o Rodrigo.
-Ai, não podes deixar a menina hoje? - perguntou o meu irmão.
-Poder eu posso, mas não tou querendo! - respondeu o Rodrigo, abraçando a Mónica.
-Que mel, pá! - resmoneou o Mauro.
-Dá pra você calar a boca, ou não vê que eles tao apaixonados? É normal! - retorquiu logo a Mariana com um sorriso.
-Apaixonado também eu estou mas não estou incapacitado para te deixar de vez em quando!
-Mauro, cala a boca, só isso, tá?
-Pronto! Então e tu, não vais falhar, não é maninho? - virou-se para mim.
-Vocês estão uns cortes, hoje!
-Quer ir jogar os 90 minutos como a gente fez, juntar os treinos e ir festejar? - perguntou o Rodrigo.
-Mas nós ganhámos!
-Mas nós estamos cansados! - repliquei.
-Pronto, já percebi! Amor, vens comigo? - perguntou à Mariana.
-Vou!
-Ah, alguém que não me deixa festejar sozinho!
-Alguém que não tá cansada como eles! Mas mesmo assim não vai ser até muito tarde que amanhã eu também tenho a Faculdade!
-Está bem! Bem, então nós vamos campeões!
-Bom festejo! - brinquei.
-Vai ser melhor que ficar em casa! - rimos.
-Ah, esperem! É só para vos avisar que se precisarem de me ligar não o façam, fiquei sem telemóvel!
-Então? - perguntou o Mauro.
-Caiu e foi-se! Mas amanhã vou comprar um novo, não te preocupes que não ficas muito tempo sem me chatear à distância! - ri. Acabámos por nos despedir de vez e eles foram embora.
-Bom gente, a gente vai embora também! - informou o Rodrigo. - Precisa de boleia, Filpa?
-Deixa estar que o motorista está cá! - intervim.
-Tá bom! Então até amanhã!
-Até amanhã!
-O telemóvel caiu depois de o teres mandado contra a parede! - disse a Filipa após entrarmos no meu carro.
-Ninguém precisa de saber!
-Vais contar-lhes que tu e a Andreia acabaram?
-Vou, mas por agora ainda não.
-Está bem.
-Amanhã vens comigo comprar o telemóvel novo?
-Se acordares de manhã sim, porque eu entro às 14.00h.
-Se não acordar sozinho acordas-me tu.
-Pernoitar na minha casa outra vez?
-Sinto-me sozinho na minha, e durmo bem ao teu lado.
-Bela desculpa, mas aceito.
-Compenso quando lá chgarmos - sorri, prometendo então os beijos reprimidos em todas as ocasiões que nos cruzaramos.
Visão Rodrigo
Durante a semana que tinha passado a Filipa nos ajudou a distrair a Mónica enquanto eu, o Rúben e a minha irmã discutiamos ideias pra fazer uma surpresa prá minha namorada. Ela era muito apegada na familia então pensei em algo que os envolvesse, mas não foi possivel reunir todos, por isso apenas os primos e uma das tias participariam. Fui percebendo também que ela tava se dando bem com as meninas, inclusive com a nova namorada do Nico, que a gente acabou descobrindo que elas já se conheciam, por isso decidimos alugar um salão em Cascais pra juntar todo mundo. Acertamos todos os pormenores no dia anterior, o dia que seguiu nosso empate com o Nacional, na Madeira, por 2-2.
Na manhã do aniversário dela acordei mais cedo, tendo o cuidado de sair da cama sem despertar ela, e fui preparar o café da manhã prá gente, pra levar no quarto.
Comecei despertando ela com beijos na cara e no pescoço.
-Feliz aniversário meu amor - desejei, sorrindo junto do seu rosto, que logo se abriu num sorriso enorme, após abrir os olhos e se espreguiçar.
-Obrigada amor - agradeceu, me dando um beijo.
-Tá com fome?
-Sim.
-Que bom, trouxe seu café da manhã!
-Obrigada amor! - sorriu, se sentando e liberando espaço pra eu sentar do seu lado e comer com ela, porém o que a gente desejava que prolongasse pra umas horas de mimo na cama teve de originar um duche rápido pra eu levar ela na Faculdade, onde eu também fui buscar ela na hora de almoço, pois ela tinha pedido folga pró dia e a gente ia almoçar junto. O Mister ia dar folga prá gente no dia seguinte, por isso ela foi assistir ao meu treino, às 17.00h e depois seguimos pra casa, onde eu falei que a gente ia jantar fora também.
-Estás a estragar-me! - reclamou, enquanto a gente se vestia.
-É seu dia, você merece!
-Mas é demais amor!
-É de menos até, meu bem! E pode ficar estragada o quanto for, eu que vou tar do seu lado, por isso não vou ter problemas em lidar com isso!
-Tonto.
-Eu te amo - disse, chegando perto dela e tirando um beijo.
-Eu também te amo! - sorriu.
-Tá pronta?
-Quase!
-Então termina prá gente ir! - Pouco depois saí com ela deslumbrante do meu lado pra um jantar tão menos íntimo do que ela esperava.
Visão Filipa
Como o Rodrigo me tinha pedido, entreti a Mónica enquanto ele, o Rúben e a Mariana planeavam como é que iam fazer uma festa para ela, que fazia anos no dia 12, tarefa na qual fui bem sucedida e penso que ela não desconfiou ou achou estranho pedir-lhe para passar algum tempo apenas comigo. Julgo que tal também se deveu ao facto de a cada dia estarmos mais próximas. Desde que nos conheceramos a simpatia fora imperial, e com a convivência, quer nas horas de trabalho quer fora delas, as coisas fluiam de uma forma tão simples que me sentia tão confortável a conversar com ela, como se estivesse predestinado conhecermo-nos e criarmos uma amizade que desejavamos guardar para a vida. Era assim que me sentia em relação à nossa amizade. Também havia passado uma semana desde que eu e o Rúben começaramos a... o que quer que fosse que tinhamos. Como lhe tinha dito, não me sentia preparada para iniciar algo, se bem que começava a tentar mentalizar-me que era apenas uma ideia da minha cabeça, mas a disponibilidade do Rúben em não rotular nada, em não termos de seguir a normalidade, por assim dizer, de um relacionamento, o facto de ter sido o primeiro a apelar para o secretismo, se me sentisse bem e assim o quisesse, deixava-me mais confortável com a situação. Contudo, estava a tornar-se um bocadinho difícil manter a segredaria disso, porque a Mónica de vez em quando fazia umas suposições e constatações que me inquietavam, e se fosse sob o seu olhar, não conseguia sequer tentar negar ou mudar o assunto, tentava ignorar, o que daria ainda mais aso a que ela fizesse suposições.
Na manhã de dia 12 enviei uma mensagem de parabéns à Mónica e tornei a dormir, ligando-lhe à hora de almoço para reforçar o desejo de feliz aniversário. Trabalharia com outra colega, porque ela tinha pedido folga, pelo que há hora de saída já o Rúben me esperava, já ele pronto, para me levar a casa para que me arranjasse também para seguirmos para a festa da Mónica.
-A Mónica anda a fazer suposições muito certeiras - comentei com o Rúben, no caminho para a festa.
-Em relação a quê?
-A nós.
-Hm... E como é que te sentes em relação a isso? Tens medo que ela descubra?
-Acho que não. Acho que ela já é mais uma melhor amiga do que uma simples amiga, por isso acho que se ela descobrir não vou importar-me.
-Isso é bom, significa de algum modo, progressos.
-Sim. Eu tenho andado a tentar mentalizar-me que esse medo e assim é tudo da minha cabeça.
-Acho que fazes muito bem! Se precisares de um empurrãozinho é só dizeres!
-Depende da espécie de empurrãozinho.
-Podes descansar que é indolor e não te traz problemas!
-Vou considerar! - ri. Acabamos por chegar e findar a conversa, juntando-nos a quem já lá estava.
Visão Rúben
Estaba ansioso que a minha pequenina chgasse e percebesse que afinal não ia jantar sozinha com o seu brasileirinho mas sim con todos os que mais gostava. Acho que os sorrisos são algo que nunca me cansei de ver e rever, e vê-los no rosto das pessoas que me são queridas é algo mprescindivel, e a minha pequenina é a minha pequenina, tirando o pequeno grande detalhe de ela ser a rapariga que faz a vida ser melhor para um dos meus melhores amigos. E como previsto e desejado, sorrisos abundaram na noite, sendo o maior o da Mónica, seguido pelo do Rodrigo, que não parou um segundo de babar para a rapariga.
-Então, gostaste da surpresa? - perguntei à baixinha da aniversariante, após chegar junto dela, do Rodrigo, do meu irmão, da Mariana e da Filipa, que acabara também de se lhes juntar.
-Claro que sim! Obrigada!
-Parar de agradecer é regra nessa festa, a menos que entreguem presentes pra você! - disse a Mariana.
-Bem, com licença, Filipa, queres dançar? - perguntei, estendendo-lhe a mão.
-Está bem - aceitou, segurando a minha mão, erguendo o seu olhar carinhosamente para mim.
-É disso que eu tenho estado a falar Fii! - disse a Mónica para a Filipa, retrucando um olhar com ela que eu já conhecia a par da cumplicidade das duas. A Filipa sorriu sem dizer uma palavra, seguindo-me para a pequena pista.
-Ela já descobriu, só não disse directamente, ainda - disse à Filipa, após firmar as minhas mãos no seu corpo para dançarmos.
-Achas?
-De certeza. Mas estás bem com isso, certo?
-Sim, sim, com ela estou.
-Ainda bem. Mas, achas que também estarias com o Rodrigo?
-Porquê? Ele também sabe?
-Desconfia de alguma coisa. Eu acabo sempre por conseguir mudar o assunto, mas ele não insiste mais porque me respeita, mas a verdade é que acho que preciso de contar a alguém e queria que fosse ele.
-Podes contar-lhe.
-Tens a certeza?
-Sim, afinal eles são quase como um, sabes perfeitamente a cumplicidade que há entre eles, para além de que eles já devem ter comentado alguma coisa entre eles.
-É, tens razão. Mas então não te importas mesmo?
-Não. Eu vou falar com a Mónica também.
-Amanhã?
-Sim. Mas vamos pedir-lhes para guardarem segredo.
-Claro.
-Boa - sorriu.
-No final da noite, mais concretamente, o inicio da madrugada, depois de todos se despedirem e irem embora, apenas o grupo habitual permaneceu.
-Rúben - chamou-me a Filipa, num tom mais baixo, enquanto o meu irmão e a Mariana se despediam da Mónica e do Rodrigo.
-Sim.
-Posso fazer-te uma pergunta?
-Claro que podes.
-Eu sei que não é da minha conta, mas, os pais da Mónica não vieram, pois não? - Ah, a pergunta.
-O pai e a irmã dela, que é filha dele com outra mulher, não puderam vir.
-Hm, e a mãe dele? É que eu percebi que ela é muito ligado à familia, pelo menos aos que estiveram cá hoje...
-A mãe dela faleceu há quase dez anos - respondi, sem evitar ostentar um pequeno pesar no tom de voz.
-Ah, eu... eu não sabia...
-Não te preocupes, ela lida bem com isso, quer dizer, se é que o termo bem pode ser empregue neste tema.
-Ainda bem - disse, um pouco envolta pela emoção caída em si aquando da novidade.
-Vá, deixa isso! Vamos despedir-nos deles também?
-Sim.
-E posso pernoitar outra vez?
-Qualquer dia alugas-me o outro quarto!
-Olha que não era mal pensado!
-Não inventes, Rúben!
-Está bem, pronto, vamos lá! - não insisti, dirigindo-nos para os nossos amigos.
quinta-feira, 20 de março de 2014
Capitulo 33 (parte I)
Olá meninas! Bem, finalmente mais um capitulo! Desculpem a demora, mas prnto, sabem que o tempo não me estende! Espero que gostem e comentem, e em breve postarei também o 2ºcapitulo da minha nova fic ''O melhor de nós''!
Besitos
P.s.- Bf (Filipa Gonçalves), este é especial, por isso delicia-te, ahah! Te quiero <3
Visão Rúben
Depois de jantar voltei para o sofá. O dia estava realmente a fazer-me sentir saudades do meu optimismo e até de ser o palhaço de serviço do grupo de amigos. Sentia-me tão estranho assim, de ânimo pesado, sem paciência para nada, aborrecido, e sobretudo, solitariamente triste. Estava a passar os canais da televisão quando o meu telemóvel tocou. Olhei para o visor e apesar da não-vontade, suspirei, antes de atender a chamada da Andreia.
-Sim - atendi, desprovido de qualquer contentamento na voz.
-Olá Rúben - disse. E imediatamente denotei o tom dócil e ao mesmo tempo nervoso na sua voz.
-Olá.
-Viste as minhas mensagens?
-Vi, mas sinceramente não estava com paciência para responder. Mas de qualquer maneira já estamos a falar, por isso sobre o que é que querias conversar?
-É sobre nós - hesitou.
-Uau, deves mesmo ter pensado como deve ser uma vez neste tempo todo, para decidir que precisamos falar sobre nós. Apesar de em todas as pseudo-conversas que temos tido até agora se perceber perfeitamente que não estamos bem e precisamos de conversar.
-Sim, pois, foi mais ou menos.
-Podes começar, então. Acho que aqui a única que tem algum pedido de desculpas a fazer és tu.
-Hm, é... É mais pedir que me perdoes. Eu... Eu errei.
-Ah, não me digas! Depois de tantos berros, disparates e insultos, finalmente percebeste! Vais fazer o mesmo com a tua suposta ex-melhor amiga?
-Ela não tem nada a ver com isto.
-Ai não? Que eu saiba as discussões entre nós começaram ainda no assunto da suposta traição dela ao Rodrigo, depois é que acabaram por ir nem sei por onde!
-O meu pedido de perdão não abrange o assunto deles. Continuo com a opinião que não a conheço apesar de tudo, e isso não vai mudar. Só nos abrange a nós os dois.
-Eu é que já estou a perder a noção se de facto te reconheço neste momento. Mas pronto, diz-me lá em que discussão é que começa? Na que me desligaste o telemóvel na cara pela primeira vez? Ou naquela em que vieste desculpar-te com a falta de tempo para te teres esquecido de me dar os parabéns?
-Eu pensei que íamos falar como adultos, mas estás a ter uma atitude contrária.
-Não estás a gostar que fale contigo como tu me tens feito, sem motivo aparente? Pois eu também não gostei nada e tentei fazer-te parar e pensar, mas foi preciso eu me afastar para perceberes isso.
-O que eu tenho para te dizer é importante.
-Ah, mas cuidar da nossa relação na altura devida não era importante? É que pareceu.
-Posso falar?
-Já falaste algumas vezes e ainda não disseste nada!
-Eu não estou a brincar, estou a falar a sério!
-E tu julgaste que andei a brincar este tempo todo?
-Eu traí-te! - disse de uma só vez. A agitação electrizante que me estava a fazer descer ao seu nivel de conversa dos últimos tempos estagnou subitamente.
-O quê? - perguntei, quase suspendendo a voz de tão baixo que saiu o som.
-Eu traí-te - repetiu. - E não foi só uma noite. - Não sei se foi do choque, da surpresa, mas não respondi nem questionei nada, fiquei ali apenas, mudo. - Foi com o Michael, o melhor amigo do melhor amigo da Mónica. Ele andava a atirar-se a mim desde que conhecemos o Zach, e na primeira vez que discutimos eu fui dar uma volta para espairecer e ele apareceu e viu-me naquele estado... e aconteceu. - E aconteceu, repeti mentalmente as suas palavras, borbulhando de indignação. Como é que estas coisas podem acontecer? - Não dizes nada? - perguntou, cautelosa.
-Queres que diga o quê? - respondi apaticamente.
-Não sei, qualquer coisa.
-É? Então pronto, olha, parabéns, muitos parabéns por à mínima discussão te meteres na cama com o primeiro que te aparece à frente! Ah, e espera, não foi só uma noite, não é? Foram quantas vezes após cada discussão? E os remorsos, ainda estão quentinhos no fundo da cama?
-Não sejas parvo, Rúben!
-Ai, não, espera, para além de cornudo agora também sou parvo? Por favor, Andreia!
-Não fales assim!
-Assim como? Quer dizer, para além de me traíres vezes repetidas, sem eu te dar quaisquer razões, ainda me vens ofender? Não é preciso, já me trespassaste o orgulho ao confessar as traições!
-Foi só com o Michael!
-Não me interessa, traíste-me, porra! Que motivos é que eu te dei para fazeres isso? Nenhuns! E essas coisas não acontecem! Se aconteceu foi porque tu quiseste, tu deixaste, não me venhas dizer que aconteceu, que aí nem a fragilidade assume as culpas!
-Eu não estou a tentar esquivar-me das culpas!
-Nem vale a pena tentares, porque a culpa é tua, só tua!
-Se calhar não foi só minha!
-Ai não? Foi de quem mais, então?
-Se calhar também é tua, em parte!
-Minha?! - ri sarcasticamente.
-Sim, tua! Estás tão longe de mim! E foste contraditório na tua opinião sobre o assunto do Rodrigo e da Mónica! Isso é que começou todas as discussões!
-E dizes tu que não estás a esquivar-te das culpas! Estamos longe, mas desde o inicio que esse obstáculo era sabido, se decidimos ficar juntos tínhamos pela noção de que tínhamos de ser fortes perante a distância! E o assunto deles, eu não fui contraditório, simplesmente errei e depois percebi e corrigi o meu erro! Tu é que deixaste que esse assunto nos afastasse! E já que estamos a falar neles, podias tomá-los como exemplo! A distância entre eles era exactamente a mesma que a nossa, e nem por isso algum deles vacilou, pelo contrário, tornou-os mais fortes, fiéis, apaixonados! E tu ainda andavas com moralismos na suposta questão de a Mónica o ter traído! Olha o que é que fizeste tu!
-Ai está a diferença, a distância era a mesma! Ela voltou, eles estão juntos agora!
-Nós também podíamos estar, se tu quisesses, e apesar de eu querer, não foi por ficares aí que desisti de nós! Mas acredita que se ela tivesse ficado, não tenho a menor dúvida que nada ia mudar entre eles! Eu pensei que o que nós sentíamos um pelo outro era suficientemente forte e puro, como eles, depois de tudo o que passámos, para suportar tudo o que se nos opusesse, mas estava enganado.
-E é!
-Não, não é. Até porque o nós desapareceu.
-Rúben, não digas isso! Eu preciso que me perdoes para ficarmos bem! Eu até estou disposta a voltar para aí, de vez, para ficar do teu lado!
-Não sacrifiques coisas desnecessárias, fica aí, vive o teu sonho, tentar ser fiel à tua nova aventura e sê feliz. E esquece-me.
-Não me peças isso, Rúben! - implorou, esganiçando a voz chorosa.
-Não estou a pedir-te nada, estou a dar-te uma sugestão útil, porque de mim não vais ter mais nada. O que eu quero é que a distância se mantenha, não te quero ver, arruinaste a admiração que sentia por ti, assim como tudo o resto. E agora se não te importas, tenho de desligar e afogar as mágoas e curara as feridas. - Desliguei a chamada. Permaneci alguns segundos vidrado no telemóvel, que após terminado o estado de dormência atirei contra a parede, acompanhado com um grito, seguido de lágrimas silenciosas.
Besitos
P.s.- Bf (Filipa Gonçalves), este é especial, por isso delicia-te, ahah! Te quiero <3
Visão Rúben
Depois de jantar voltei para o sofá. O dia estava realmente a fazer-me sentir saudades do meu optimismo e até de ser o palhaço de serviço do grupo de amigos. Sentia-me tão estranho assim, de ânimo pesado, sem paciência para nada, aborrecido, e sobretudo, solitariamente triste. Estava a passar os canais da televisão quando o meu telemóvel tocou. Olhei para o visor e apesar da não-vontade, suspirei, antes de atender a chamada da Andreia.
-Sim - atendi, desprovido de qualquer contentamento na voz.
-Olá Rúben - disse. E imediatamente denotei o tom dócil e ao mesmo tempo nervoso na sua voz.
-Olá.
-Viste as minhas mensagens?
-Vi, mas sinceramente não estava com paciência para responder. Mas de qualquer maneira já estamos a falar, por isso sobre o que é que querias conversar?
-É sobre nós - hesitou.
-Uau, deves mesmo ter pensado como deve ser uma vez neste tempo todo, para decidir que precisamos falar sobre nós. Apesar de em todas as pseudo-conversas que temos tido até agora se perceber perfeitamente que não estamos bem e precisamos de conversar.
-Sim, pois, foi mais ou menos.
-Podes começar, então. Acho que aqui a única que tem algum pedido de desculpas a fazer és tu.
-Hm, é... É mais pedir que me perdoes. Eu... Eu errei.
-Ah, não me digas! Depois de tantos berros, disparates e insultos, finalmente percebeste! Vais fazer o mesmo com a tua suposta ex-melhor amiga?
-Ela não tem nada a ver com isto.
-Ai não? Que eu saiba as discussões entre nós começaram ainda no assunto da suposta traição dela ao Rodrigo, depois é que acabaram por ir nem sei por onde!
-O meu pedido de perdão não abrange o assunto deles. Continuo com a opinião que não a conheço apesar de tudo, e isso não vai mudar. Só nos abrange a nós os dois.
-Eu é que já estou a perder a noção se de facto te reconheço neste momento. Mas pronto, diz-me lá em que discussão é que começa? Na que me desligaste o telemóvel na cara pela primeira vez? Ou naquela em que vieste desculpar-te com a falta de tempo para te teres esquecido de me dar os parabéns?
-Eu pensei que íamos falar como adultos, mas estás a ter uma atitude contrária.
-Não estás a gostar que fale contigo como tu me tens feito, sem motivo aparente? Pois eu também não gostei nada e tentei fazer-te parar e pensar, mas foi preciso eu me afastar para perceberes isso.
-O que eu tenho para te dizer é importante.
-Ah, mas cuidar da nossa relação na altura devida não era importante? É que pareceu.
-Posso falar?
-Já falaste algumas vezes e ainda não disseste nada!
-Eu não estou a brincar, estou a falar a sério!
-E tu julgaste que andei a brincar este tempo todo?
-Eu traí-te! - disse de uma só vez. A agitação electrizante que me estava a fazer descer ao seu nivel de conversa dos últimos tempos estagnou subitamente.
-O quê? - perguntei, quase suspendendo a voz de tão baixo que saiu o som.
-Eu traí-te - repetiu. - E não foi só uma noite. - Não sei se foi do choque, da surpresa, mas não respondi nem questionei nada, fiquei ali apenas, mudo. - Foi com o Michael, o melhor amigo do melhor amigo da Mónica. Ele andava a atirar-se a mim desde que conhecemos o Zach, e na primeira vez que discutimos eu fui dar uma volta para espairecer e ele apareceu e viu-me naquele estado... e aconteceu. - E aconteceu, repeti mentalmente as suas palavras, borbulhando de indignação. Como é que estas coisas podem acontecer? - Não dizes nada? - perguntou, cautelosa.
-Queres que diga o quê? - respondi apaticamente.
-Não sei, qualquer coisa.
-É? Então pronto, olha, parabéns, muitos parabéns por à mínima discussão te meteres na cama com o primeiro que te aparece à frente! Ah, e espera, não foi só uma noite, não é? Foram quantas vezes após cada discussão? E os remorsos, ainda estão quentinhos no fundo da cama?
-Não sejas parvo, Rúben!
-Ai, não, espera, para além de cornudo agora também sou parvo? Por favor, Andreia!
-Não fales assim!
-Assim como? Quer dizer, para além de me traíres vezes repetidas, sem eu te dar quaisquer razões, ainda me vens ofender? Não é preciso, já me trespassaste o orgulho ao confessar as traições!
-Foi só com o Michael!
-Não me interessa, traíste-me, porra! Que motivos é que eu te dei para fazeres isso? Nenhuns! E essas coisas não acontecem! Se aconteceu foi porque tu quiseste, tu deixaste, não me venhas dizer que aconteceu, que aí nem a fragilidade assume as culpas!
-Eu não estou a tentar esquivar-me das culpas!
-Nem vale a pena tentares, porque a culpa é tua, só tua!
-Se calhar não foi só minha!
-Ai não? Foi de quem mais, então?
-Se calhar também é tua, em parte!
-Minha?! - ri sarcasticamente.
-Sim, tua! Estás tão longe de mim! E foste contraditório na tua opinião sobre o assunto do Rodrigo e da Mónica! Isso é que começou todas as discussões!
-E dizes tu que não estás a esquivar-te das culpas! Estamos longe, mas desde o inicio que esse obstáculo era sabido, se decidimos ficar juntos tínhamos pela noção de que tínhamos de ser fortes perante a distância! E o assunto deles, eu não fui contraditório, simplesmente errei e depois percebi e corrigi o meu erro! Tu é que deixaste que esse assunto nos afastasse! E já que estamos a falar neles, podias tomá-los como exemplo! A distância entre eles era exactamente a mesma que a nossa, e nem por isso algum deles vacilou, pelo contrário, tornou-os mais fortes, fiéis, apaixonados! E tu ainda andavas com moralismos na suposta questão de a Mónica o ter traído! Olha o que é que fizeste tu!
-Ai está a diferença, a distância era a mesma! Ela voltou, eles estão juntos agora!
-Nós também podíamos estar, se tu quisesses, e apesar de eu querer, não foi por ficares aí que desisti de nós! Mas acredita que se ela tivesse ficado, não tenho a menor dúvida que nada ia mudar entre eles! Eu pensei que o que nós sentíamos um pelo outro era suficientemente forte e puro, como eles, depois de tudo o que passámos, para suportar tudo o que se nos opusesse, mas estava enganado.
-E é!
-Não, não é. Até porque o nós desapareceu.
-Rúben, não digas isso! Eu preciso que me perdoes para ficarmos bem! Eu até estou disposta a voltar para aí, de vez, para ficar do teu lado!
-Não sacrifiques coisas desnecessárias, fica aí, vive o teu sonho, tentar ser fiel à tua nova aventura e sê feliz. E esquece-me.
-Não me peças isso, Rúben! - implorou, esganiçando a voz chorosa.
-Não estou a pedir-te nada, estou a dar-te uma sugestão útil, porque de mim não vais ter mais nada. O que eu quero é que a distância se mantenha, não te quero ver, arruinaste a admiração que sentia por ti, assim como tudo o resto. E agora se não te importas, tenho de desligar e afogar as mágoas e curara as feridas. - Desliguei a chamada. Permaneci alguns segundos vidrado no telemóvel, que após terminado o estado de dormência atirei contra a parede, acompanhado com um grito, seguido de lágrimas silenciosas.
Visão Filipa
O sonho com
o Gonçalo persistia em perseguir-me. Escassos eram os minutos nos quais o mesmo
não me vinha à mente, e estava prestes a endoidecer! Todos os entraves, quer da
minha parte quer do Rúben demonstravam teimosia, e todos os prós e contras,
todos os quereres e não-quereres estavam a deixar-me tonta de tanto rodopio na
minha mente. Depois de ter jantado e arrumado a cozinha fui vestir o pijama e
fui para o sofá da sala, enroscada numa manta, de livro na mão e com apenas o
pequeno candeeiro na sala acesso. Acabei por conseguir focar-me realmente no
livro e abstrair-me, porém, após quase uma hora de leitura, parei para
descansar um pouco a vista e aí retornaram as memórias do sonho. Como é que era
possível um sonho deixar-me assim? De repente, despertei do transe em que me
tinha envolvido com os meus pensamentos, com o toque do telefone de casa.
-Estou?
-Filipa, é o
Rúben – ouvi do outro lado. O meu pensamento imediato destinou-se ao sonho,
porém notei-lhe a voz embargada, soava tão carregada e triste.
-Rúben –
respondi. – Está tudo bem?
-Nem por
isso. Eu queria… Estás muito ocupada?
-Não, não
estou a fazer nada demais. Precisas de alguma coisa?
-Achas que
posso ir ter contigo?
-Claro, sim,
podes.
-Ainda bem,
obrigado. Eu vou sair agora de casa, então.
-Sim, está
bem. E ainda não sei o que se passa, mas, vem com cuidado, por favor.
-Sim, não te
preocupes. Até já.
-Até já.
Depois de
terminada a chamada não evitei sentir-me preocupada. A voz do Rúben estava tão
preenchida de negativismo que me levou a pensar em inúmeras razões pelo seu
estado, mas era desnecessário tentar adivinhar, pois não teria certeza da razão
de igual modo, pelo que era obrigada a esperar que ele chegasse. Quarenta e
cinco minutos de espera passaram de forma lenta, até que tocaram à campainha e
após abrir me deparei de facto com o Rúben. Se a sua voz me soara mal, o seu
aspecto caíra-me pior. O semblante triste era algo que não lhe assentava,
simplesmente. Sem nenhum sorriso a oferecer, não parecia o Rúben. Tinha os
olhos inchados e vermelhos, logo, tinha estado a chorar. Não dirigimos qualquer
para um ao outro, simplesmente abrimos os braços e abraçamo-nos. Ele respirava
pesadamente, tentando conter as lágrimas, enquanto o seu abraço permanecia
forte. Assim que nos soltámos, fechei a porta de entrada e dirigimo-nos à sala,
onde nos sentámos no sofá.
-Desculpa
vir a estas horas – desculpou-se.
-Não tens de
pedir desculpa. Eu quero é saber o que é que se passa contigo.
-Eu falei
com a Andreia, hoje à noite. – Mantive-me silenciosa, para que ele pudesse
continuar, porém, cada segundo que decorria mostrava cada vez mais a contenção
dele para não chorar, o que me dava vontade de bombardeá-lo com perguntas de
teor revoltado para com a namorada dele. Por fim ele continuou. – Ela traiu-me,
mais que uma vez. – E após a confissão as lágrimas descambaram, silenciosas no
seu rosto. Era tão doloroso vê-lo assim, a chorar. O Rúben era aquele que não
aparecia sem um sorriso, e agora estava ali, a chorar.
-Oh Rúben… -
disse, abraçando-o e deixando-o escorrer a alma ferida no meu ombro.
-O que é que eu fiz para merecer isto? Eu sempre fiz tudo por ela, sempre a respeitei, sempre a amei e dei-lhe o melhor de mim! Porque é que ela me fez isto? – chorava, fazendo perguntas, retóricas, certamente.
-O que é que eu fiz para merecer isto? Eu sempre fiz tudo por ela, sempre a respeitei, sempre a amei e dei-lhe o melhor de mim! Porque é que ela me fez isto? – chorava, fazendo perguntas, retóricas, certamente.
-Tu és uma
pessoa incrível, Rúben, não te martirizes com o que possas ter feito, porque
tenho a certeza que tudo o que fizeste foi bem, a errada aqui foi ela – ainda
assim tentei acalmar as suas dúvidas ou desabafos.
-Mas ela
traiu-me, mesmo eu sendo essa pessoa incrível, como tu dizes.
-É ela que
vai ficar com remorsos se for capaz de se sentir culpada, não tu.
-Ai se vai!
Que fique com eles metade da vida! Eu vou seguir em frente e ela que se remoa!
-É assim
mesmo, Rúben! Aqui quem perdeu foi ela – concordei, aquando de soltarmos o
abraço. Vislumbrei-lhe rapidamente um fraco delinear de um sorriso.
-Obrigado.
-Por quê?
-Por me
deixares vir incomodar-te a estas horas com isto.
-Não tens de
agradecer.
-Tenho sim.
Quem é que atura uma pessoa como eu a chorar como um menino, quase à
meia-noite? É preciso ter a paciência de uns quantos santos juntos!
-Não Rúben,
é preciso apenas ser-se amiga deste rapaz incrível que todos conhecemos, mas
que como toda a gente tem direito a chorar e a ter as coisas más para que são
precisos os amigos.
-És muito
minha amiga, então!
-Para tudo o
que tu precisares.
-Agora a
sério, obrig…
-Podes parar por aí que já passámos essa fase! – Ele gargalhou, o que me fez sorriso.
-Então e em
que parte é que estamos agora? – sorriu, nitidamente melhor!
-Estamos na
parte em que vamos fazer alguma coisa para nos distrairmos!
-Sugestões?
-Filme?
-Só se for
uma comédia!
-Exactamente
o que se precisa agora!
-Posso ir
fazer as pipocas? – perguntou, sorridente.
-Já não há!
Mas há outra coisa que serve! – Levantei-me e fui até um dos armários da
cozinha. – Taramm! – sorri, erguendo dois pacotes de gomas.
-Perfeito!
Vamos escolher o filme?
-Escolhe quem agarrar primeiro o comando! - brinquei. Ele olhou de imediato para a pequena mesa junto do sofá, onde habitualmente estão os comandos, porém não lá estavam.
-Onde é que estão? - perguntou, atento a todos os sítios. Sorri de forma a desafiá-lo, pois não iria dizer-lhe nada. Corri para o sofá, mirando uma das almofadas, atrás da qual estavam os comandos. Mas ele foi perspicaz e correu também, chegando lá primeiro. - Ganhei! Escolho eu! - sorriu, sentando-se no sofá.
-Batoteiro! - brinquei, sentando-me ao seu lado.
-Batoteiro? Tu não me disseste onde é que estavam, eu é que descobri!
-Sim, sim, descobriste depois de eu olhar!
-Ninguém te disse para evidenciares o lugar! Eu penso, sabes!
-Não me digas! - ri, ao que ele se juntou. Ele acabou por escolher o filme e durante todo o tempo rimos até nos faltar o ar e começarmos a chorar de tanto rir. - Meu Deus, já não chorava de tanto rir há muito tempo!
-Também eu! Acabaste de me providenciar uma boa noite de sono! Se tivesse ficado em casa sozinho ia dormir super mal!
-Por falar em dormir...
-Ah, queres ir deitar-te? Eu vou andando então...
Não, não é isso!
-Não?
-Não. É que eu... Esquece.
-Não, não esqueço. Diz lá.
-Não sei se é apropriado falar disto neste momento.
-Porquê? O que é que tem?
-Porque tu estás como estás e não quero que fazer nada que..
-Importaste de dizer de uma vez? Sou teu amigo, não sou? Então pronto, agora é a minha vez de te ouvir.
-Mas...
-Filipa - pronunciou, olhando-me de forma a eu entender que estava realmente apto para falar-lhe.
-É que eu sonhei com o meu ex-namorado, o Gonçalo.
-Eu a pensar que tinhas sonhado comigo! - gozou, rindo e fazendo-me rir.
-Mas é que ele falou comigo, sobre ti.
-Sobre mim? Como assim? Olha, se ele te disse que sou má companhia, desacredita-o! Posso ser o palhaço de serviço para toda a gente, mas má companhia garanto que não sou!
-Eu sei! Ele disse exactamente o contrário.
-Ah, então pronto, ele tem razão! Mas já agora conta-me lá quais foram os elogios que ele me deu!
-Nós falámos sobre... sentimentos.
-Sentimentos? - perguntou, modificando a sua expressão jocosa por uma postura mais séria e integra.
-Ai, estás a ver? Eu não quero falar sobre isso agora, tu acabaste de sair dessa confissão, desse assunto com a Andreia, não quero que voltes ao estado em que cá chegaste!
-Tem a ver com o nosso beijo?
-Tem...
-Então vais contar-me. - Acabei por ceder e contar o meu sonho. - Então é verdade? Gostas de mim?
-Sim. Quer dizer, não. Quer dizer, não sei!
-Sim ou não?
-Acho que sim. Mas é que isto é tão estranho.
-Como ele disse, é épico. E se é épico é verdadeiro e vale a pena.
-Não, não, não Rúben. Não. Tu acabaste de saber que a Andreia te traiu, acabaram há umas horas, tu estás confuso, eu não me sinto preparada para assumir nada.
-Sabes o que é o desgaste? - perguntou de repente, pacientemente.
-Hã?
-Os sentimentos também se desgastam, e os meus já ruíram. Eu sinto-me revoltado com o que ela me fez, foi a questão do desrespeito da parte dela, mas o coração só sofreu a desilusão por perder a consideração por ela. Enquanto eu fiz trinta por uma linha para a conquistar e ela me afastava, era verdadeiro o que eu sentia, e quando ela finalmente se desarmou acredita que o meu coração deu pulos de felicidade, mas as coisas má também contam, cansam, desgastam, e neste caso foram levando o que eu sentia por ela. Não sei se foi Deus, o Destino ou fui eu através das minhas escolhas e atitudes, mas agora acredita que depois de afogar as lágrimas com risos, contigo, sinto-me aliviado por ter acabado com ela, porque estava a começar a deixar de ser eu mesmo, e se há algo que nada nem ninguém vai ou pode mudar é quem sou. E contigo eu sou eu, sempre.
-E apaixonaste-te por mim agora? - tentei ironizar algo que me soaria como uma espécie de lamuria.
-Na verdade acho que foi com o teu sorriso, quando nos conhecemos, à porta do bar do Estádio. Agora as coisas ficaram muito mais claras.
-Claro, ideias claras é o que tu deves ter mais neste momento!
-Deixas de ser irónica?
-Neste instante não consigo, desculpa!
-É assim tão difícil de acreditar?
-É difícil de assimilar. Eu tenho medo que isto tudo seja a quente e amanhã tenhas as ideias todas ao contrário!
-Não vou ter, confia em mim.
-Está bem, vou tentar... Mas mesmo assim, mesmo que acredite, mesmo que queira estar contigo, eu acho que ainda não estou preparada para assumir nada.
-São coisas da tua cabeça, não foi o que o Gonçalo disse no sonho?
-Não consigo.
-Ok. Mas não precisamos assumir nada. Podemos estar juntos, sem rótulos, sem ninguém saber.
-Não tens idade para esconder essas coisas - acabei por rir.
-Estás a chamar-me velho?
-Não. Mas estas coisas costumam ser os adolescentes a protagonizar.
-E eu quero lá saber! Se te sentires bem com isso, se quiseres, eu estou plenamente disposto a isso!
-Isto é estranho.
-É sempre estranho no principio. Mas como diz o ditado, primeiro estranha-se, depois entranha-se.
-Mas queres mesmo começar... - Não terminei a pergunta. pois ele reduziu a distância entre nós, beijando-me gentilmente.
-Já comecei! Se quiseres começar, só aceito respostas do mesmo género! - sorriu, ao que mostrei também um sorriso e beijei-o de volta. A tempestade tinha passado, a bonança tinha chegado.
Visão Mónica
Depois de tomar banho e me vestir fiquei com Doni, enquanto o Rodrigo se foi despachar. Desci com o Doni até à cozinha onde a Mariana estava a começar a preparar o pequeno-almoço.
-Bom dia - sorri-lhe, pousando o Doni no chão.
-Bom dia - sorriu de volto. - Olha, desculpa essa coisa hoje de manhã.
-Esquece isso, Mariana, a sério.
-Ai, mas foi mal. Eu tava parecendo uma mãe muito chata e embirrante! - riu.
-Só um bocadinho - ri também.
-Rindo do quê, as minhas meninas? - perguntou o Rodrigo, chegando à cozinha. Foi dar um beijo, na testa, à Mariana, e depois acercou-se de mim, abraçando-me e dando-me um beijo também.
-Gente, vamo parar que o café da manhã tá pronto - disse a Mariana, sentando-se à mesa. Igualámos-lhe o gesto e começámos a comer, por entre conversa.
-Amor, daqui a pouco vou sair um pouquinho - disse-me o Rodrigo.
-E vais onde, posso saber?
-Na verdade nem pode!
-Ai, então porque é que me disseste? Agora fiquei curiosa!
-É segredo!
-A sério? Não tinha percebido! - ironizei.
-Não fica assim, sua boba! - riu ele, fazendo-me um carinho rápido no nariz.
-Mas eu fiquei curiosa, amor!
-Tá, eu te dou uma pista! Seu aniversário tá chegando!
-Ai Rodrigo, não vale, posha! - choraminguei.
-Eu vou tentar ser rápido, meu amor! - disse, levantando-se da mesa e colocando a sua loiça no lava-loiça.
-Já vais? - perguntei-lhe.
-Vou! - respondeu, dando-me um beijo de despedida.
-Eu vou sair com você, Rodrigo! - disse-lhe a Mariana, levantando-se também da mesa.
-Vou ficar sozinha? - perguntei, apesar da evidência da resposta, desanimada.
-O Doni não vai sair de casa! - riu a Mariana.
-Olha, pois!
-Amor não fica assim, daqui a pouco eu volto!
-Está bem, pronto - acabei por concordar. Eles saíram de casa e depois de levantar a mesa e arrumar a cozinha fui para a sala. Estava a sentir-me tremendamente sozinha, ajudando ao facto de o Rodrigo me ter deixado completamente curiosa, e nem a doce companhia do Doni estava a surtir efeito, por isso decidi ligar à Filipa. Hoje havia jogo na Luz com o Vitoria de Setúbal e como estávamos de folga tínhamos combinado, juntamente com a Mariana, ir ver o jogo, mas decidi confirmar tudo com ela, apesar de ser mais uma desculpa, simplesmente para fazer conversa e combater a ansiosidade e solidão que se me ocorriam no momento. Porém o esperado ''Ola'' alegre que deveria ouvir do outro lado da linha foi simplesmente substituído pela continuidade dos toques de chamada, finalizando na caixa do voicemail. Tentei mais uma vez, um tempo depois, mas a situação igualou-se.
-Hoje ninguém me faz companhia, já viste Doni? - falei para o pequeno animal, que se encostou a mim e me deu uma lambidela na mão. - Sim, pronto, tu estás aqui, mas é diferente da companhia das pessoas - disse-lhe, aborrecida, resignando-me com a televisão. Felizmente, não muito tempo depois, ouvi porém a chave na porta.
-Oi! - sorriu o Rodrigo, chegando à sala.
-Voltaste - indaguei, ainda possuindo um tom algo aborrecido.
-Hm, não, só deixei meu corpo entrar, o resto ficou lá fora - sorriu.
-O resto? Que parvo! - acabei por rir.
-Ainda tá bolada de eu ter ido embora e você não pôde vir, bobinha?
-Não, ainda estou é curiosa para saber o que é que foste fazer, mas chateada não! Estou aborrecida e estava a sentir-me sozinha!
-Hm, então olha, pra não voltar a se sentir sozinha, vai pegar um casaco e a sua mala e vem comigo! A gente vai ter treino agora também por causa do jogo de logo e as meninas também vão ficar pelo Estádio, pelo menos algumas delas vão, então você fica com elas. E pode chamar a Filipa também, vocês vão ver o jogo logo, não é?
-Sim, e a Mariana também.
-Sim, mas bom, ela agora foi ficar um pouquinho com o Mauro.
-Bem, está bem, se a Filipa me atender eu digo-lhe para ir lá ter, se não fico só com as raparigas.
-Se ela atender?
-Sim, ela não me estava a atender à pouco.
-Mas tá tudo bem?
-Sim, acho que sim, chama mas ela não atende, se calhar ainda está a dormir, ela ontem também foi fazer as mudanças, deve estar cansada.
-É, deve tar tudo bem mesmo. Vamo embora, então?
-Vamos - concordei, dando uma festa no Doni, e depois de ir buscar as minhas coisas eu e o Rodrigo saímos para o seu carro.
Chegámos ao Estádio e o Rodrigo foi comigo ao bar do mesmo, onde estavam os jogadores e as suas respectivas namoradas/esposas, pois ainda faltavam 10 minutos para o treino.
-Oi gente! - cumprimentou o Rodrigo, sorrindo como é habitual e acenando com a mão no geral. Eu sorri simplesmente
-Tu novia guapa ha venido, eh! - sorriu a Tamara, esposa do Garay.
-Cariño, sabéis que vosotras nos dan mucha suerte y inspiración! - replicou o Garay, conquistando um beijo da Tami enquanto se ouvia um ''ohhh'' devido ao gesto e simultaneamente concordando com o que o Ezequiel tinha dito.
-Verdad, todos lo sabéis como eres! - sorriu o meu namorado, aconchegando-me mais junto de si.
-Gente, isso tá tudo muito bom aqui, mas o dever tá nos chamando! - informou o Luisão. Todos se despediram das suas meninas, acatando a necessidade de execução do dever.
-Antes do jogo eu passo lá no camarote pra te dar um beijo e escutar o seu ''boa sorte'', visto que nem na hora de almoço a gente se vai ver - sorriu-me o Rodrigo, dando-me um beijo.
-Está bem, bom treino amor - desejei.
-Obrigado meu bem, e se diverte, hein. Não esquece de tentar ligar de novo na Filipa.
-Ah, sim, é verdade, vou ligar-lhe agora! - Ele seguiu o resto dos colegas e eu voltei a marcar o número da Filipa e tentar que ela me atendesse novamente. Enquanto ouvia os primeiros toques de chamada, , o Rúben chegou a correr ao bar.
-Olá pequenina! - sorriu, dando-me um beijo na testa. - Eles já foram, não é?
-Acabaram de sair daqui, se correres mais um bocadinho apanha-los.
-Obrigado! Deseja-me sorte!
-Para o treino.
-Sim!
-Boa sorte! - acabei por rir. Ele mostrou-me um enorme sorriso, algo que andava raro de aparecer no seu rosto há algum tempo. - Rú, estás bem?
-Não se vê? - sorriu genuinamente, acabando por piscar-me o olho e prosseguir correndo na direcção que os companheiros haviam seguido.
-Se se vê! - sorri já sozinha, sendo surpreendida pela voz da Filipa do outro lado da linha.
-Desculpa não ter atendido as tuas chamadas! Eu estive ocupada!
-Olá!
-Olá, desculpa!
-O teu ocupada e tanta vez a pedires desculpa estão a soar-me a felicidade, juntamente com esse tom animado!
-Bem, sim, estou feliz!
-Então vá, nome e apelido! - pedi sem cerimónias.
-O quê?
-Nome e apelido! Juro que se te ouvisses ias perceber logo porque é que estou a pedir-te o nome e apelido! Ou vais dizer-me que não há razão ambulante aí no meio?
-Ai, pára com isso! - riu.
-É verdade! - constatei com tal reacção.
-Oh! Mas o que é que me queres, afinal?
-Bem, as duas primeiras chamadas foram porque me deixaram sozinha em casa com o Doni e estava a sentir-me sozinha.
-O Doni?
-Ah, pois, tu ainda não sabes do Doni! É o cachorrinho que dei ao Rodrigo, é tão lindo!
-Hm, está bem, depois quero vê-lo! Mas então e o resto das chamadas?
-Foram porque vim para o Estádio com o Rodrigo, vim ter com as meninas, não podemos assistir ao treino porque há o jogo logo, mas vamos ficar todas já por aqui e eu ia perguntar-te se não te querias juntar também!
-Mas o treino já começou, não já?
-Sim, mas não há problema nenhum se vieres agora, como é óbvio.
-Bem então vou só arranjar-me e apanho um táxi para aí.
-Boa! Até já, então!
-Até já! - Assim que desliguei a chamada tinha a Magali, esposa do Salvio, atrás de mim.
-Hola guapa! - sorriu-me.
-Olá! - devolvi o sorriso.
-Por qué no te quedas con nosotras? Tenemos una chica nueva en el grupo, la nueva novia de Nico!
-A sério?
-Si! Yo ya la conocía, se llama Dulce e es portuguesa, es un doce, se darán muy bien, verás! - informou-me, enquanto nos dirigíamos para o grupo das meninas.
-Hoje ninguém me faz companhia, já viste Doni? - falei para o pequeno animal, que se encostou a mim e me deu uma lambidela na mão. - Sim, pronto, tu estás aqui, mas é diferente da companhia das pessoas - disse-lhe, aborrecida, resignando-me com a televisão. Felizmente, não muito tempo depois, ouvi porém a chave na porta.
-Oi! - sorriu o Rodrigo, chegando à sala.
-Voltaste - indaguei, ainda possuindo um tom algo aborrecido.
-Hm, não, só deixei meu corpo entrar, o resto ficou lá fora - sorriu.
-O resto? Que parvo! - acabei por rir.
-Ainda tá bolada de eu ter ido embora e você não pôde vir, bobinha?
-Não, ainda estou é curiosa para saber o que é que foste fazer, mas chateada não! Estou aborrecida e estava a sentir-me sozinha!
-Hm, então olha, pra não voltar a se sentir sozinha, vai pegar um casaco e a sua mala e vem comigo! A gente vai ter treino agora também por causa do jogo de logo e as meninas também vão ficar pelo Estádio, pelo menos algumas delas vão, então você fica com elas. E pode chamar a Filipa também, vocês vão ver o jogo logo, não é?
-Sim, e a Mariana também.
-Sim, mas bom, ela agora foi ficar um pouquinho com o Mauro.
-Bem, está bem, se a Filipa me atender eu digo-lhe para ir lá ter, se não fico só com as raparigas.
-Se ela atender?
-Sim, ela não me estava a atender à pouco.
-Mas tá tudo bem?
-Sim, acho que sim, chama mas ela não atende, se calhar ainda está a dormir, ela ontem também foi fazer as mudanças, deve estar cansada.
-É, deve tar tudo bem mesmo. Vamo embora, então?
-Vamos - concordei, dando uma festa no Doni, e depois de ir buscar as minhas coisas eu e o Rodrigo saímos para o seu carro.
Chegámos ao Estádio e o Rodrigo foi comigo ao bar do mesmo, onde estavam os jogadores e as suas respectivas namoradas/esposas, pois ainda faltavam 10 minutos para o treino.
-Oi gente! - cumprimentou o Rodrigo, sorrindo como é habitual e acenando com a mão no geral. Eu sorri simplesmente
-Tu novia guapa ha venido, eh! - sorriu a Tamara, esposa do Garay.
-Cariño, sabéis que vosotras nos dan mucha suerte y inspiración! - replicou o Garay, conquistando um beijo da Tami enquanto se ouvia um ''ohhh'' devido ao gesto e simultaneamente concordando com o que o Ezequiel tinha dito.
-Verdad, todos lo sabéis como eres! - sorriu o meu namorado, aconchegando-me mais junto de si.
-Gente, isso tá tudo muito bom aqui, mas o dever tá nos chamando! - informou o Luisão. Todos se despediram das suas meninas, acatando a necessidade de execução do dever.
-Antes do jogo eu passo lá no camarote pra te dar um beijo e escutar o seu ''boa sorte'', visto que nem na hora de almoço a gente se vai ver - sorriu-me o Rodrigo, dando-me um beijo.
-Está bem, bom treino amor - desejei.
-Obrigado meu bem, e se diverte, hein. Não esquece de tentar ligar de novo na Filipa.
-Ah, sim, é verdade, vou ligar-lhe agora! - Ele seguiu o resto dos colegas e eu voltei a marcar o número da Filipa e tentar que ela me atendesse novamente. Enquanto ouvia os primeiros toques de chamada, , o Rúben chegou a correr ao bar.
-Olá pequenina! - sorriu, dando-me um beijo na testa. - Eles já foram, não é?
-Acabaram de sair daqui, se correres mais um bocadinho apanha-los.
-Obrigado! Deseja-me sorte!
-Para o treino.
-Sim!
-Boa sorte! - acabei por rir. Ele mostrou-me um enorme sorriso, algo que andava raro de aparecer no seu rosto há algum tempo. - Rú, estás bem?
-Não se vê? - sorriu genuinamente, acabando por piscar-me o olho e prosseguir correndo na direcção que os companheiros haviam seguido.
-Se se vê! - sorri já sozinha, sendo surpreendida pela voz da Filipa do outro lado da linha.
-Desculpa não ter atendido as tuas chamadas! Eu estive ocupada!
-Olá!
-Olá, desculpa!
-O teu ocupada e tanta vez a pedires desculpa estão a soar-me a felicidade, juntamente com esse tom animado!
-Bem, sim, estou feliz!
-Então vá, nome e apelido! - pedi sem cerimónias.
-O quê?
-Nome e apelido! Juro que se te ouvisses ias perceber logo porque é que estou a pedir-te o nome e apelido! Ou vais dizer-me que não há razão ambulante aí no meio?
-Ai, pára com isso! - riu.
-É verdade! - constatei com tal reacção.
-Oh! Mas o que é que me queres, afinal?
-Bem, as duas primeiras chamadas foram porque me deixaram sozinha em casa com o Doni e estava a sentir-me sozinha.
-O Doni?
-Ah, pois, tu ainda não sabes do Doni! É o cachorrinho que dei ao Rodrigo, é tão lindo!
-Hm, está bem, depois quero vê-lo! Mas então e o resto das chamadas?
-Foram porque vim para o Estádio com o Rodrigo, vim ter com as meninas, não podemos assistir ao treino porque há o jogo logo, mas vamos ficar todas já por aqui e eu ia perguntar-te se não te querias juntar também!
-Mas o treino já começou, não já?
-Sim, mas não há problema nenhum se vieres agora, como é óbvio.
-Bem então vou só arranjar-me e apanho um táxi para aí.
-Boa! Até já, então!
-Até já! - Assim que desliguei a chamada tinha a Magali, esposa do Salvio, atrás de mim.
-Hola guapa! - sorriu-me.
-Olá! - devolvi o sorriso.
-Por qué no te quedas con nosotras? Tenemos una chica nueva en el grupo, la nueva novia de Nico!
-A sério?
-Si! Yo ya la conocía, se llama Dulce e es portuguesa, es un doce, se darán muy bien, verás! - informou-me, enquanto nos dirigíamos para o grupo das meninas.
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